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	Comentários sobre: O mito da culpabilidade alemã – 1ª parte	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Cesaro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-96374</link>

		<dc:creator><![CDATA[Cesaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jan 2013 03:34:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Só para se ver o importante que é o papel da indústria cultural para a &#039;reconstruçao do passado&#039; e a importancia disto para manter a hegemonia: 
&quot;Spielberg y Hanks crean miniserie sobre EU en la II Guerra Mundial&quot;:
http://www.sinembargo.mx/18-01-2013/497256]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só para se ver o importante que é o papel da indústria cultural para a &#8216;reconstruçao do passado&#8217; e a importancia disto para manter a hegemonia:<br />
&#8220;Spielberg y Hanks crean miniserie sobre EU en la II Guerra Mundial&#8221;:<br />
<a href="http://www.sinembargo.mx/18-01-2013/497256" rel="nofollow ugc">http://www.sinembargo.mx/18-01-2013/497256</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ricardo António Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-87933</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ricardo António Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Nov 2012 15:11:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito obrigado pelo seu artigo! Pela minha parte, vou divulgá-lo. E sim, por chocante que possa parecer, há uma franja de uma esquerda racista e anti-semita, em particular (e deixo de lado o nacionalismo). Cheguei, inclusivamente, a deslinkar (!) um blogue muito revolucionário, anti-imperialista e (na altura) nostálgico do sovietismo, enojado pela baixa linguagem anti-judaica, e que não se limitava à crítica das políticas do estado israelita. Não, aquilo cheirava a santo-ofício.
Mas também não sei porque diabo me choquei, quando o anti-semitismo, mais ou menos, assumido, foi aslgo que caracterizou o reinado do Zé Estaline.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito obrigado pelo seu artigo! Pela minha parte, vou divulgá-lo. E sim, por chocante que possa parecer, há uma franja de uma esquerda racista e anti-semita, em particular (e deixo de lado o nacionalismo). Cheguei, inclusivamente, a deslinkar (!) um blogue muito revolucionário, anti-imperialista e (na altura) nostálgico do sovietismo, enojado pela baixa linguagem anti-judaica, e que não se limitava à crítica das políticas do estado israelita. Não, aquilo cheirava a santo-ofício.<br />
Mas também não sei porque diabo me choquei, quando o anti-semitismo, mais ou menos, assumido, foi aslgo que caracterizou o reinado do Zé Estaline.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: André Luiz Vargas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-86840</link>

		<dc:creator><![CDATA[André Luiz Vargas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Nov 2012 02:39:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom artigo. Em Portugal a figura demonizada da Merkel como personificação da troika traz consigo um antigermanismo escancarado, ignorando que até na Alemanha haja protestos anti-troika, anti-Merkel, anti-crise, anti-sei-lá-o-quê-mais.
Há mesmo muitas conversas nas quais é evocada a saudade por Salazar. Importa para essas pessoas o &quot;milagre orçamentário&quot; do &quot;Doutor de Coimbra&quot; contra a situação deixada pelos liberais e pelo rumo político de 1928. Um Portugal orgulhoso e indiferente às humilhações de sempre. Esses ignoram - não sei em qual sentido - como foi o regime, o que foi a PIDE, Peniche, Caxias, Tarrafal. Ignoram o que foi o pilar colonialista do regime... Mentira, não ignoram: já assumem a &quot;amputação&quot; de 1822 chamando os brasileiros de irmãos, mas não admitem terem perdido as colônias africanas: &quot;Mas eram também portugueses! Culpa das independências que Portugal ficou quebrado!&quot;. Esses culpam de Humberto Delgado a Mário Soares por todas as mazelas que, segundo eles, se ainda fosse nos rumos do Doutor, nada estaria como está.
Mas não são todos assim. A maioria não sente saudades de Salazar e sentem ódio por essa figura, sobretudo pelos traumas da Guerra Colonial. As conversas mais comuns são as que, ora ou outra maldizendo José Sócrates e Passos Coelho, têm um teor peculiar: a culpa é desse capitalismo consumista, dessa burguesia egoísta, do aquecimento global - e aí vem uma pontinha de orgulho porque Portugal tem parques eólicos e ótimo tratamento para lixo reciclável. Além do mais, a culpa recai sobre as relações humanas, porque outrora os portugueses se sentiam como uma comunidade, e hoje andam tão individualistas que nem dão &quot;bom dia&quot; direito. A questão aqui entra na &quot;moral&quot; do povo também... A de que a corrupção política começa em casa, afinal todos são engrenagens da grande máquina Portugal, o país pequeno de nação grandiosa, amistosa e pacífica. O problema pra eles é quando essa pacificidade se torna apatia, e é sempre exemplificada a apatia demonstrada nos grandes interesses pela situação do Benfica, do Sporting, do Porto ou da &quot;briosa&quot;. Isso me lembra algumas citações de Henrique Galvão já como opositor e, mesmo estando na ala da &quot;Oposição Democrática&quot;, não deixava escondidas suas ideias fascistas e colonialistas travestidas de anti-salazarismo: &quot;Portugal é o país dos três FFF: Fado, Fátima e Futebol&quot;. Mesmo Galvão que também sempre tratava os problemas portugueses em categorias específicas: política, económica, moral e física.
Evocam aí não a saudade a Salazar, mas a saudade ao 25 de Abril em forma de mito: a revolução pacífica em que o povo saiu às ruas atrás dos bravos do MFA, &quot;sentinela do povo&quot;. A cena é essa e os desdobramentos turbulentos da Revolução dos Cravos são meros detalhes para os saudosistas que não viveram aquele tempo.
O problema é que essas pessoas, que com humor irônico e bairrista satirizam outras regiões e aldeias, mas quando o assunto são outros países, sobretudo Espanha, assumem a lusitanidade orgulhosa. Pior ainda, não ouvi dos saudosistas de Salazar, mas dessas pessoas, o medo de a Merkel ser o Hitler de saias, inclusive um até falou em um pan-germanismo discreto surgindo, quase um 4º Reich. Nisso, o FMI, por causa da Lagarde, torna-se &quot;França&quot;, e a troika como um todo torna-se &quot;Alemanha&quot;. Os investimentos em serviços sociais e previdência na Alemanha esquenta ainda mais o ódio por alemães, principalmente os que aproveitaram o início do ano letivo para visitar Portugal. Alguns portugueses se sentem ofendidos, como se esses alemães estivessem gastando dinheiro por aqui para ostentar os lucros da crise e humilhar os trabalhadores portugueses.
Em Lisboa, às vésperas da visita da chanceler alemã, houve a manifestação dos veteranos de guerra, com ruas fechadas e cobertura televisiva. Discurso nacionalista, de moralismo na política, soberania e de valores familiares na pátria... E nos cafés pessoas se levantavam para aplaudir os &quot;sentinelas do povo&quot;.
Bem, difícil falar para eles, mas minha ideia é a de que não parece estar ressurgindo um nazismo da Alemanha, mas discursos e lamentações fascicizantes nos próprios países em crise, justamente do meio da classe trabalhadora. Justamente esses que culpam o &quot;consumismo&quot; e celebram o verde, que têm medo da Merkel de bigodinho, que nutrem ressentimentos e os politizam e que esperam um novo 25 de Abril como milagre bônus de Nsa. Sra. de Fátima.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom artigo. Em Portugal a figura demonizada da Merkel como personificação da troika traz consigo um antigermanismo escancarado, ignorando que até na Alemanha haja protestos anti-troika, anti-Merkel, anti-crise, anti-sei-lá-o-quê-mais.<br />
Há mesmo muitas conversas nas quais é evocada a saudade por Salazar. Importa para essas pessoas o &#8220;milagre orçamentário&#8221; do &#8220;Doutor de Coimbra&#8221; contra a situação deixada pelos liberais e pelo rumo político de 1928. Um Portugal orgulhoso e indiferente às humilhações de sempre. Esses ignoram &#8211; não sei em qual sentido &#8211; como foi o regime, o que foi a PIDE, Peniche, Caxias, Tarrafal. Ignoram o que foi o pilar colonialista do regime&#8230; Mentira, não ignoram: já assumem a &#8220;amputação&#8221; de 1822 chamando os brasileiros de irmãos, mas não admitem terem perdido as colônias africanas: &#8220;Mas eram também portugueses! Culpa das independências que Portugal ficou quebrado!&#8221;. Esses culpam de Humberto Delgado a Mário Soares por todas as mazelas que, segundo eles, se ainda fosse nos rumos do Doutor, nada estaria como está.<br />
Mas não são todos assim. A maioria não sente saudades de Salazar e sentem ódio por essa figura, sobretudo pelos traumas da Guerra Colonial. As conversas mais comuns são as que, ora ou outra maldizendo José Sócrates e Passos Coelho, têm um teor peculiar: a culpa é desse capitalismo consumista, dessa burguesia egoísta, do aquecimento global &#8211; e aí vem uma pontinha de orgulho porque Portugal tem parques eólicos e ótimo tratamento para lixo reciclável. Além do mais, a culpa recai sobre as relações humanas, porque outrora os portugueses se sentiam como uma comunidade, e hoje andam tão individualistas que nem dão &#8220;bom dia&#8221; direito. A questão aqui entra na &#8220;moral&#8221; do povo também&#8230; A de que a corrupção política começa em casa, afinal todos são engrenagens da grande máquina Portugal, o país pequeno de nação grandiosa, amistosa e pacífica. O problema pra eles é quando essa pacificidade se torna apatia, e é sempre exemplificada a apatia demonstrada nos grandes interesses pela situação do Benfica, do Sporting, do Porto ou da &#8220;briosa&#8221;. Isso me lembra algumas citações de Henrique Galvão já como opositor e, mesmo estando na ala da &#8220;Oposição Democrática&#8221;, não deixava escondidas suas ideias fascistas e colonialistas travestidas de anti-salazarismo: &#8220;Portugal é o país dos três FFF: Fado, Fátima e Futebol&#8221;. Mesmo Galvão que também sempre tratava os problemas portugueses em categorias específicas: política, económica, moral e física.<br />
Evocam aí não a saudade a Salazar, mas a saudade ao 25 de Abril em forma de mito: a revolução pacífica em que o povo saiu às ruas atrás dos bravos do MFA, &#8220;sentinela do povo&#8221;. A cena é essa e os desdobramentos turbulentos da Revolução dos Cravos são meros detalhes para os saudosistas que não viveram aquele tempo.<br />
O problema é que essas pessoas, que com humor irônico e bairrista satirizam outras regiões e aldeias, mas quando o assunto são outros países, sobretudo Espanha, assumem a lusitanidade orgulhosa. Pior ainda, não ouvi dos saudosistas de Salazar, mas dessas pessoas, o medo de a Merkel ser o Hitler de saias, inclusive um até falou em um pan-germanismo discreto surgindo, quase um 4º Reich. Nisso, o FMI, por causa da Lagarde, torna-se &#8220;França&#8221;, e a troika como um todo torna-se &#8220;Alemanha&#8221;. Os investimentos em serviços sociais e previdência na Alemanha esquenta ainda mais o ódio por alemães, principalmente os que aproveitaram o início do ano letivo para visitar Portugal. Alguns portugueses se sentem ofendidos, como se esses alemães estivessem gastando dinheiro por aqui para ostentar os lucros da crise e humilhar os trabalhadores portugueses.<br />
Em Lisboa, às vésperas da visita da chanceler alemã, houve a manifestação dos veteranos de guerra, com ruas fechadas e cobertura televisiva. Discurso nacionalista, de moralismo na política, soberania e de valores familiares na pátria&#8230; E nos cafés pessoas se levantavam para aplaudir os &#8220;sentinelas do povo&#8221;.<br />
Bem, difícil falar para eles, mas minha ideia é a de que não parece estar ressurgindo um nazismo da Alemanha, mas discursos e lamentações fascicizantes nos próprios países em crise, justamente do meio da classe trabalhadora. Justamente esses que culpam o &#8220;consumismo&#8221; e celebram o verde, que têm medo da Merkel de bigodinho, que nutrem ressentimentos e os politizam e que esperam um novo 25 de Abril como milagre bônus de Nsa. Sra. de Fátima.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-86044</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Nov 2012 17:15:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66768#comment-86044</guid>

					<description><![CDATA[Ricardo Alves,
A frase que cita é do meu último comentário, a propósito de dois comentários publicados precisamente num site de esquerda. A primeira ilustração do artigo, abaixo da citação de Boaventura Sousa Santos, encontrei-a também num site de esquerda, e disseram-me que foi reproduzida noutros. Quando escrevo que uma parte substancial da esquerda portuguesa evoca o Terceiro Reich para criticar a política da chanceler Merkel não estou a referir-me à direcção do Partido Comunista nem à direcção do Bloco, mas a esquerda não é só constituída por uma ou duas dúzias de pessoas. Interessam-me aqui as pessoas anónimas que se consideram de esquerda, votam na esquerda e agora são mobilizadas pelos protestos. À medida que estes protestos forem crescendo, cada vez mais serão essas pessoas que lhes darão o tom. E não penso estar enganado ao afirmar que grassa aí um sentimento globalmente antialemão, reforçado pela memória do nazismo. Isto ouve-se em conversas de rua, nos transportes públicos, nos empregos e lê-se em sites de esquerda. E com uma frequência suficiente para me parecer que o sintoma é perigoso.
Aliás, o nacionalismo e a defesa de uma mítica «soberania nacional» ocupam cada vez mais o primeiro plano dos protestos, e uma nação requer sempre como inimigo outra nação, enquanto todo e enquanto continuidade histórica. O que mais ainda torna premente, na minha opinião, a crítica ao mito da culpabilidade alemã.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo Alves,<br />
A frase que cita é do meu último comentário, a propósito de dois comentários publicados precisamente num site de esquerda. A primeira ilustração do artigo, abaixo da citação de Boaventura Sousa Santos, encontrei-a também num site de esquerda, e disseram-me que foi reproduzida noutros. Quando escrevo que uma parte substancial da esquerda portuguesa evoca o Terceiro Reich para criticar a política da chanceler Merkel não estou a referir-me à direcção do Partido Comunista nem à direcção do Bloco, mas a esquerda não é só constituída por uma ou duas dúzias de pessoas. Interessam-me aqui as pessoas anónimas que se consideram de esquerda, votam na esquerda e agora são mobilizadas pelos protestos. À medida que estes protestos forem crescendo, cada vez mais serão essas pessoas que lhes darão o tom. E não penso estar enganado ao afirmar que grassa aí um sentimento globalmente antialemão, reforçado pela memória do nazismo. Isto ouve-se em conversas de rua, nos transportes públicos, nos empregos e lê-se em sites de esquerda. E com uma frequência suficiente para me parecer que o sintoma é perigoso.<br />
Aliás, o nacionalismo e a defesa de uma mítica «soberania nacional» ocupam cada vez mais o primeiro plano dos protestos, e uma nação requer sempre como inimigo outra nação, enquanto todo e enquanto continuidade histórica. O que mais ainda torna premente, na minha opinião, a crítica ao mito da culpabilidade alemã.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ricardo Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-86037</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Nov 2012 16:03:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo, gostava de saber porque diz que o &quot;mito da culpabilidade alemã serve para justificar o nacionalismo de laivos racistas adoptado agora em grande parte da esquerda portuguesa.&quot; Quem de esquerda diz isso e em que moldes? Não estará a ser impreciso? Eu acho que devemos ter sempre extremo cuidado com a informação veiculada pela comunicação social mesmo quando directamente relacionada com eventos de esquerda e baseada nos seus documentos/comunicados/comunicações oficiais. Normalmente é retorcida para suscitar e fundamentar uma outra opinião que é expressa por outra parte da sociedade.
Vejo bastante o nacionalismo e o anti-germanismo ser expressado sem ambiguidades pela direita na comunicação social e vejo uma comunicação social preparada para responder ao fracasso desta política responsabilizando a Alemanha (no seu todo). Vejo a esquerda, de uma forma geral (partidos políticos e não só), a responsabilizar as opções políticas europeias tomadas no seu todo, ancoradas numa liderança alemã, personificada pela Merkel. Mas não me parece que haja uma culpabilização do povo alemão por parte da esquerda que falo. Embora me pareça que a comunicação social se aproveite para o fazer usando a esquerda para tal.
É claro que há pessoas que caem (conscientemente ou não) na rasteira, como o Boaventura Sousa Santos.
Não sei se me expliquei bem. De resto, gostei bastante do artigo o qual agradeço a oportunidade de ler.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, gostava de saber porque diz que o &#8220;mito da culpabilidade alemã serve para justificar o nacionalismo de laivos racistas adoptado agora em grande parte da esquerda portuguesa.&#8221; Quem de esquerda diz isso e em que moldes? Não estará a ser impreciso? Eu acho que devemos ter sempre extremo cuidado com a informação veiculada pela comunicação social mesmo quando directamente relacionada com eventos de esquerda e baseada nos seus documentos/comunicados/comunicações oficiais. Normalmente é retorcida para suscitar e fundamentar uma outra opinião que é expressa por outra parte da sociedade.<br />
Vejo bastante o nacionalismo e o anti-germanismo ser expressado sem ambiguidades pela direita na comunicação social e vejo uma comunicação social preparada para responder ao fracasso desta política responsabilizando a Alemanha (no seu todo). Vejo a esquerda, de uma forma geral (partidos políticos e não só), a responsabilizar as opções políticas europeias tomadas no seu todo, ancoradas numa liderança alemã, personificada pela Merkel. Mas não me parece que haja uma culpabilização do povo alemão por parte da esquerda que falo. Embora me pareça que a comunicação social se aproveite para o fazer usando a esquerda para tal.<br />
É claro que há pessoas que caem (conscientemente ou não) na rasteira, como o Boaventura Sousa Santos.<br />
Não sei se me expliquei bem. De resto, gostei bastante do artigo o qual agradeço a oportunidade de ler.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-85874</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Nov 2012 00:17:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66768#comment-85874</guid>

					<description><![CDATA[Aqueles leitores brasileiros que conhecerem este artigo só pelo &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt;, onde ele foi publicado originariamente, talvez pensem que exagero, que o nacionalismo que hoje se expande a 561 km por minuto na esquerda portuguesa é uma invenção minha e que, portanto, mais valia eu ter permanecido calado. Para esses leitores copio aqui dois comentários que este artigo suscitou noutro site onde foi mencionado:
«esses loirinhos do norte da €uropa só nos andam a foder. qual é a dúvida?»
«sim, é tudo muito bonito, mas não são os turcos que nos andam a lixar. são os alemães – que tb são uns porcos para os turcos»
O mito da culpabilidade alemã serve para justificar o nacionalismo de laivos racistas adoptado agora em grande parte da esquerda portuguesa. Enquanto isso, cerca de dez mil militares desfilaram hoje em Lisboa numa manifestação em defesa da «soberania nacional» e contra a visita da chanceler Merkel (http://www.publico.pt/Pol%c3%adtica/militares-marcharam-em-silencio-contra-ameaca-a-patria--1571951 ). A esquerda nacionalista encontra os aliados de que precisa. Quanto a mim, no começo deste ano publiquei aqui um artigo em que sugeri a redução das despesas do Estado mediante a supressão das forças armadas (http://passapalavra.info/?p=50559 ). Mas tinha-me esquecido, claro, do grande arquétipo nacional, a padeira de Aljubarrota.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqueles leitores brasileiros que conhecerem este artigo só pelo <em>Passa Palavra</em>, onde ele foi publicado originariamente, talvez pensem que exagero, que o nacionalismo que hoje se expande a 561 km por minuto na esquerda portuguesa é uma invenção minha e que, portanto, mais valia eu ter permanecido calado. Para esses leitores copio aqui dois comentários que este artigo suscitou noutro site onde foi mencionado:<br />
«esses loirinhos do norte da €uropa só nos andam a foder. qual é a dúvida?»<br />
«sim, é tudo muito bonito, mas não são os turcos que nos andam a lixar. são os alemães – que tb são uns porcos para os turcos»<br />
O mito da culpabilidade alemã serve para justificar o nacionalismo de laivos racistas adoptado agora em grande parte da esquerda portuguesa. Enquanto isso, cerca de dez mil militares desfilaram hoje em Lisboa numa manifestação em defesa da «soberania nacional» e contra a visita da chanceler Merkel (<a href="http://www.publico.pt/Pol%c3%adtica/militares-marcharam-em-silencio-contra-ameaca-a-patria--1571951" rel="nofollow ugc">http://www.publico.pt/Pol%c3%adtica/militares-marcharam-em-silencio-contra-ameaca-a-patria&#8211;1571951</a> ). A esquerda nacionalista encontra os aliados de que precisa. Quanto a mim, no começo deste ano publiquei aqui um artigo em que sugeri a redução das despesas do Estado mediante a supressão das forças armadas (<a href="http://passapalavra.info/?p=50559" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=50559</a> ). Mas tinha-me esquecido, claro, do grande arquétipo nacional, a padeira de Aljubarrota.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-85810</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Nov 2012 10:46:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66768#comment-85810</guid>

					<description><![CDATA[Carlos Claro,
Um historiador raramente dispõe de números quando faz a história política de regimes ditatoriais, onde não existiam eleições e onde prevalecia a censura. E menos ainda quando se trata de analisar actividades ilegais, forçosamente secretas ou pelo menos discretas. Mas há maneiras de contornar o problema. A evolução do número de condenações em tribunal é um índice significativo e eu citei alguma coisa nesse sentido. Encontra-se mais em J. Noakes e G. Pridham (orgs.), &lt;em&gt;op. cit&lt;/em&gt;., que é uma boa recolha de documentação. Os boletins informativos publicados pela direcção do Partido Social-Democrata no exílio parecem-me fiáveis, embora se possa objectar que os informadores daquela organização política teriam propensão a exagerar os indícios de hostilidade ao regime nacional-socialista. Mas já o mesmo não se pode dizer dos relatórios do Sicherheitdienst, o Serviço de Segurança SS; por isso, quando um desses relatórios afirma que uma dada atitude era generalizada, devemos crer que o era. O diário de Victor Klemperer é outra fonte preciosa, e quando vemos que certo tipo de acontecimentos se repetia, tanto com ele como com outras pessoas que o informavam, devemos concluir que não se tratava de excepções mas de procedimentos com algum grau de generalização. Por isso eu deixei tão extensas as nn. 41 a 43. Não o fiz por petulância académica, mas para que o leitor pudesse avaliar a dimensão daquilo que tive de narrar muito sucintamente.
Tudo somado, o nacional-socialismo germânico contou com um amplo apoio de massas e beneficiou, sem dúvida, da colaboração de muitos «carrascos voluntários». Mas não é menos certo que se manteve ao longo de todo o Terceiro Reich uma atitude de desconfiança ou de franca aversão ao regime, e que essa atitude caracterizou um número significativo de pessoas anónimas. O que me interessou neste artigo não foi a resistência organizada, para a qual existe uma historiografia razoavelmente abundante, sobretudo para a resistência de direita. Interessaram-me os anónimos, porque era precisamente neles que o nacional-socialismo, como todo o fascismo, fazia incidir os seus esforços de mobilização. Assim, a relutância desses muitos anónimos ocasionou uma vulnerabilidade no regime. As duas Alemanhas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carlos Claro,<br />
Um historiador raramente dispõe de números quando faz a história política de regimes ditatoriais, onde não existiam eleições e onde prevalecia a censura. E menos ainda quando se trata de analisar actividades ilegais, forçosamente secretas ou pelo menos discretas. Mas há maneiras de contornar o problema. A evolução do número de condenações em tribunal é um índice significativo e eu citei alguma coisa nesse sentido. Encontra-se mais em J. Noakes e G. Pridham (orgs.), <em>op. cit</em>., que é uma boa recolha de documentação. Os boletins informativos publicados pela direcção do Partido Social-Democrata no exílio parecem-me fiáveis, embora se possa objectar que os informadores daquela organização política teriam propensão a exagerar os indícios de hostilidade ao regime nacional-socialista. Mas já o mesmo não se pode dizer dos relatórios do Sicherheitdienst, o Serviço de Segurança SS; por isso, quando um desses relatórios afirma que uma dada atitude era generalizada, devemos crer que o era. O diário de Victor Klemperer é outra fonte preciosa, e quando vemos que certo tipo de acontecimentos se repetia, tanto com ele como com outras pessoas que o informavam, devemos concluir que não se tratava de excepções mas de procedimentos com algum grau de generalização. Por isso eu deixei tão extensas as nn. 41 a 43. Não o fiz por petulância académica, mas para que o leitor pudesse avaliar a dimensão daquilo que tive de narrar muito sucintamente.<br />
Tudo somado, o nacional-socialismo germânico contou com um amplo apoio de massas e beneficiou, sem dúvida, da colaboração de muitos «carrascos voluntários». Mas não é menos certo que se manteve ao longo de todo o Terceiro Reich uma atitude de desconfiança ou de franca aversão ao regime, e que essa atitude caracterizou um número significativo de pessoas anónimas. O que me interessou neste artigo não foi a resistência organizada, para a qual existe uma historiografia razoavelmente abundante, sobretudo para a resistência de direita. Interessaram-me os anónimos, porque era precisamente neles que o nacional-socialismo, como todo o fascismo, fazia incidir os seus esforços de mobilização. Assim, a relutância desses muitos anónimos ocasionou uma vulnerabilidade no regime. As duas Alemanhas.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Carlos Claro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-85802</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Claro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Nov 2012 09:07:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É interessante este levantamento da resistência interna Alemã, ao nazismo. O que me parece que está a faltar são dados estatísticos sólidos. Só através dos mesmo se poderá(ia) avaliar a relevância, da dita resistência, em relação à sociedade Alemã, como um todo. Obrigado, ainda assim, pela informação fornecida e todo o esforço que isso terá envolvido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É interessante este levantamento da resistência interna Alemã, ao nazismo. O que me parece que está a faltar são dados estatísticos sólidos. Só através dos mesmo se poderá(ia) avaliar a relevância, da dita resistência, em relação à sociedade Alemã, como um todo. Obrigado, ainda assim, pela informação fornecida e todo o esforço que isso terá envolvido.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: David Luna de Carvalho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-85750</link>

		<dc:creator><![CDATA[David Luna de Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Nov 2012 21:16:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estes textos parecem-me importantes por não incorrerem em concepções demasiado lineares. Continuo, no entanto,a interrogar-me sobre a muita passividade e cooperação da população. 

Grato pela publicação destes textos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estes textos parecem-me importantes por não incorrerem em concepções demasiado lineares. Continuo, no entanto,a interrogar-me sobre a muita passividade e cooperação da população. </p>
<p>Grato pela publicação destes textos</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Joana Francisco		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66768/#comment-85749</link>

		<dc:creator><![CDATA[Joana Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Nov 2012 21:10:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo: eu pertenço ao grupo dos aprendizes, mas mesmo assim acho que lhe posso dizer - livre-se de &quot;pontos finais&quot;! Era o que nos faltava. Um abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo: eu pertenço ao grupo dos aprendizes, mas mesmo assim acho que lhe posso dizer &#8211; livre-se de &#8220;pontos finais&#8221;! Era o que nos faltava. Um abraço</p>
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