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	Comentários sobre: A catraca: uma questão estética	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Lucas de Oliveira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-123197</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2013 23:21:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá amigo, excelente texto. Eu sou o criador do Zé catraca, e também da campanha pelo passe livre em florianópolis (que deu origem ao mpl). reflito muito sobre isso. Eu dirigi a arte, e me inspirei no criador do Fora collor, Daniel FEliciano Ferreira, que dançava punk assim, como se chutasse catraca. A artista que desenhou foi a julia beck, que tinha 70% de visão comprometida. vc captou bem as mensagens simbólicas que busquei transmitir... parabéns]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá amigo, excelente texto. Eu sou o criador do Zé catraca, e também da campanha pelo passe livre em florianópolis (que deu origem ao mpl). reflito muito sobre isso. Eu dirigi a arte, e me inspirei no criador do Fora collor, Daniel FEliciano Ferreira, que dançava punk assim, como se chutasse catraca. A artista que desenhou foi a julia beck, que tinha 70% de visão comprometida. vc captou bem as mensagens simbólicas que busquei transmitir&#8230; parabéns</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-92714</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Dec 2012 23:52:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É evidente uma influência do MPL sobre os atos atuais contra o aumento em Franco da Rocha. Em 1997 a gente fazia atos em torno do transporte, mas a estética não era essa. Ainda, a net permite hoje uma melhor articulação e conhecimento de fatos em outros cantos. Daí que seja interessante a meninada de Franco divulgando também as lutas de Osasco. 

Aqui: 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=282029565233318&#038;set=a.279353905500884.44906.279297805506494&#038;type=1&#038;theater]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É evidente uma influência do MPL sobre os atos atuais contra o aumento em Franco da Rocha. Em 1997 a gente fazia atos em torno do transporte, mas a estética não era essa. Ainda, a net permite hoje uma melhor articulação e conhecimento de fatos em outros cantos. Daí que seja interessante a meninada de Franco divulgando também as lutas de Osasco. </p>
<p>Aqui: </p>
<p><a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=282029565233318&#038;set=a.279353905500884.44906.279297805506494&#038;type=1&#038;theater" rel="nofollow ugc">https://www.facebook.com/photo.php?fbid=282029565233318&#038;set=a.279353905500884.44906.279297805506494&#038;type=1&#038;theater</a></p>
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		<item>
		<title>
		Por: Rugai		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-85933</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rugai]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Nov 2012 13:26:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O fato de os dois membros do MPL terem sido presos é resultado da realidade política local. Nas periferias militância é tratada com cassetete, porrada, tiro. Vereador manda prender, empresas de ônibus possuem capangas e pistoleiros, comerciantes possuem proteção de policiais que atuam torturando nos quartinhos de fundo ou matando na rua. São ditaduras locais, nas quais empresários, comerciantes e policiais governam nas periferias aplicando uma lógica que recorre ao terror diante de qualquer contestação. 

A vida das pessoas não corresponde às divisões administrativas dos municípios. As pessoas moram em uma cidade mas trabalham em outra, estudam em uma terceira e assim adiante. Posto isso, a pessoa que mora em Poá não acha tão caro o preço do trem, porque o trem realmente faz um percurso longo. Para ela, caro é o preço do ônibus dentro de Poá e para chegar na cidade vizinha, trajeto curto. No entanto, a luta contra as empresas de ônibus locais é muito sangrenta, são muitas mortes na disputa pelas linhas e muitos espancamentos de usuários descontentes. Nesse quadro, a saída seria apostar numa intervenção do governo estadual para que se pensasse o transporte em toda grande SP num quadro único. Os trabalhadores precisam hoje de um bilhete único da grande SP de forma que pudessem sair do bairro em Francisco Morato num ônibus, pegar o trem e o metrô ou outro ônibus pagando uma única passagem. Tal estratégia demandaria tomar o governo estadual como alvo e não as particularizadas prefeituras. Para o trabalhador de Poá ou de Morato, não faz tanto sentido protestar contra o Kassab ou o Haddad. Sem possuir um entendimento profundo da realidade de Salvador e de Florianópolis, eu vejo uma certa diferença de contexto por conta dessa complexidade da grande SP, enquanto me parece que nos outros casos se tratava de lutas focadas mais em uma única cidade. Abraços!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O fato de os dois membros do MPL terem sido presos é resultado da realidade política local. Nas periferias militância é tratada com cassetete, porrada, tiro. Vereador manda prender, empresas de ônibus possuem capangas e pistoleiros, comerciantes possuem proteção de policiais que atuam torturando nos quartinhos de fundo ou matando na rua. São ditaduras locais, nas quais empresários, comerciantes e policiais governam nas periferias aplicando uma lógica que recorre ao terror diante de qualquer contestação. </p>
<p>A vida das pessoas não corresponde às divisões administrativas dos municípios. As pessoas moram em uma cidade mas trabalham em outra, estudam em uma terceira e assim adiante. Posto isso, a pessoa que mora em Poá não acha tão caro o preço do trem, porque o trem realmente faz um percurso longo. Para ela, caro é o preço do ônibus dentro de Poá e para chegar na cidade vizinha, trajeto curto. No entanto, a luta contra as empresas de ônibus locais é muito sangrenta, são muitas mortes na disputa pelas linhas e muitos espancamentos de usuários descontentes. Nesse quadro, a saída seria apostar numa intervenção do governo estadual para que se pensasse o transporte em toda grande SP num quadro único. Os trabalhadores precisam hoje de um bilhete único da grande SP de forma que pudessem sair do bairro em Francisco Morato num ônibus, pegar o trem e o metrô ou outro ônibus pagando uma única passagem. Tal estratégia demandaria tomar o governo estadual como alvo e não as particularizadas prefeituras. Para o trabalhador de Poá ou de Morato, não faz tanto sentido protestar contra o Kassab ou o Haddad. Sem possuir um entendimento profundo da realidade de Salvador e de Florianópolis, eu vejo uma certa diferença de contexto por conta dessa complexidade da grande SP, enquanto me parece que nos outros casos se tratava de lutas focadas mais em uma única cidade. Abraços!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-85860</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Nov 2012 22:01:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aproveito a deixa também para fazer um comentário que queria ter feito quando o Ronan escreveu o texto sobre a revolta em Francisco Morato, no primeiro semestre: http://passapalavra.info/?p=55756

Assim que ouvi a notícia da revolta no rádio, fui no youtube e acompanhei um usuário que estava subindo uma série de filmes gravados pelo celular chamados &quot;ERA uma estação Francisco Morato...&quot; http://www.youtube.com/watch?v=mb16G96vhrk. Interessante que tem uma certa euforia no ar antes das coisas ficarem tensas (com o fogo e a entrada da PM), e algumas até tiram fotos posando ao lado das catracas destruídas.

Na hora, escrevemos um panfleto, diagramamos, rodamos e no dia seguinte fomos distribuir. Afinal, o que os usuários tinham feito ali era a ideia fundamental do MPL: destruído as catracas e, no dia seguinte, viajado sem pagar - que tanto falamos, mas não temos disposição real (nem condições) de fazer. Não dava para deixar passar batido, tínhamos que ir lá falar isso, conhecer as pessoas que fizeram isso.

Nunca na vida fiz uma panfletagem tão bem sucedida. As pessoas recebiam sem desconfiança, pediam mais, comentavam &quot;tem mais é que quebrar mesmo&quot;. Não esqueço de uma senhora dizendo que &quot;só não ajudo a quebrar porque, olha minha idade e meu estado né? Mas se pudesse teria feito junto!&quot;. Mas o mais interessante foi encontrar três pessoas que tinham participado das mobilizações de 2011. Um rapaz, que se disse anarquista, falou ter feito parte do MPL (é comum que as pessoas nos digam isso nas panfletagens, por ter participado de atividades ou atos, ainda que nunca tenham ido numa reunião), e dois secundaristas disseram ter lembrado dos nossos atos assim que rolou o quebra-quebra. Nesse sentido, a sugestão do Ronan de que nossa discussão sobre transporte possa ter tido algum eco, me parece menos distante. Mas ainda assim, acho que o fato dos trens não estarem nas plataformas foi mais decisivo para os únicos alvos terem sido as catracas, as câmeras e as bilheterias.

Quanto aos lutadores presos, aos quais o Ronan faz referência no texto: na época, discutimos se era o caso de organizar alguma ajuda. Mas olha a situação que estávamos: mal tivemos estrutura para lidar com a situação de dois militantes nossos terem sido levados para a DP de Fco Morato naquela noite, por distribuir panfletos que faziam &quot;apologia ao crime&quot;, quem diria organizar uma solidariedade desse tipo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aproveito a deixa também para fazer um comentário que queria ter feito quando o Ronan escreveu o texto sobre a revolta em Francisco Morato, no primeiro semestre: <a href="http://passapalavra.info/?p=55756" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=55756</a></p>
<p>Assim que ouvi a notícia da revolta no rádio, fui no youtube e acompanhei um usuário que estava subindo uma série de filmes gravados pelo celular chamados &#8220;ERA uma estação Francisco Morato&#8230;&#8221; <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mb16G96vhrk" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=mb16G96vhrk</a>. Interessante que tem uma certa euforia no ar antes das coisas ficarem tensas (com o fogo e a entrada da PM), e algumas até tiram fotos posando ao lado das catracas destruídas.</p>
<p>Na hora, escrevemos um panfleto, diagramamos, rodamos e no dia seguinte fomos distribuir. Afinal, o que os usuários tinham feito ali era a ideia fundamental do MPL: destruído as catracas e, no dia seguinte, viajado sem pagar &#8211; que tanto falamos, mas não temos disposição real (nem condições) de fazer. Não dava para deixar passar batido, tínhamos que ir lá falar isso, conhecer as pessoas que fizeram isso.</p>
<p>Nunca na vida fiz uma panfletagem tão bem sucedida. As pessoas recebiam sem desconfiança, pediam mais, comentavam &#8220;tem mais é que quebrar mesmo&#8221;. Não esqueço de uma senhora dizendo que &#8220;só não ajudo a quebrar porque, olha minha idade e meu estado né? Mas se pudesse teria feito junto!&#8221;. Mas o mais interessante foi encontrar três pessoas que tinham participado das mobilizações de 2011. Um rapaz, que se disse anarquista, falou ter feito parte do MPL (é comum que as pessoas nos digam isso nas panfletagens, por ter participado de atividades ou atos, ainda que nunca tenham ido numa reunião), e dois secundaristas disseram ter lembrado dos nossos atos assim que rolou o quebra-quebra. Nesse sentido, a sugestão do Ronan de que nossa discussão sobre transporte possa ter tido algum eco, me parece menos distante. Mas ainda assim, acho que o fato dos trens não estarem nas plataformas foi mais decisivo para os únicos alvos terem sido as catracas, as câmeras e as bilheterias.</p>
<p>Quanto aos lutadores presos, aos quais o Ronan faz referência no texto: na época, discutimos se era o caso de organizar alguma ajuda. Mas olha a situação que estávamos: mal tivemos estrutura para lidar com a situação de dois militantes nossos terem sido levados para a DP de Fco Morato naquela noite, por distribuir panfletos que faziam &#8220;apologia ao crime&#8221;, quem diria organizar uma solidariedade desse tipo&#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carlos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-85853</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Nov 2012 21:16:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olás.
Tb não acho que o desinteresse pela questão do valor da tarifa seja verdadeiro, uma vez que boa parte desses trabalhadores são &quot;autônomos&quot;, informais, que tiram de seu próprio bolso. E tem mais, mesmo os trabalhadores registrados em carteira, que recebem o vale-transporte, têm este &quot;benefício&quot; descontado da folha de pagamento, ou seja, paga também pela tarifa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olás.<br />
Tb não acho que o desinteresse pela questão do valor da tarifa seja verdadeiro, uma vez que boa parte desses trabalhadores são &#8220;autônomos&#8221;, informais, que tiram de seu próprio bolso. E tem mais, mesmo os trabalhadores registrados em carteira, que recebem o vale-transporte, têm este &#8220;benefício&#8221; descontado da folha de pagamento, ou seja, paga também pela tarifa.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-85848</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Nov 2012 20:58:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rugai, me parece que querer eventos ou serviços públicos de qualidade perto de casa nada mais é do que se interessar pelo direito à cidade. O problema é que, na ausência desses equipamentos nos bairros onde se vive, a solução é buscar no centro ou no bairro vizinho. Daí o transporte se faz fundamental, e a tarifa efetivamente é um impeditivo pra muita gente. Falar assim pode parecer um discurso abstrato formulado pelo MPL em outras cidades para justificar sua pauta nacionalmente, mas temos visto isso na prática nas nossas atividades de base aqui em São Paulo. Um exemplo: recentemente, fomos procurados por um CAPS na Brasilândia, no qual os atendidos (dependentes químicos) enfrentam sérias dificuldades para manter o tratamento devido ao preço da condução - muitos vem de outros bairros a pé, apesar de trabalharem o dia todo, terem problemas pessoais e físicos. Uma das coisas que nos surpreendeu nas atividades que realizamos lá foi que, logo de cara, para muitos deles era insuficiente lutar por um &quot;passe livre para usuários do CAPS&quot;, pois lhes parecia evidente que o transporte deveria ser acessível à todos.

Mas bom lembrar que o MPL não discute apenas o preço do transporte, mas toda lógica que organiza o sistema. Nesse sentido, as lutas que temos feito junto com os fóruns de bairro na zona sul normalmente pautam muito mais a qualidade do transporte do que a tarifa. E a catraca não deixa de ser um símbolo pertinente. Ela simboliza toda uma forma de organização da cidade.

Enfim, além disso queria ressaltar que muitas vezes nos remetemos apenas às experiências da Revolta do Busú de 2003 em Salvador e as duas Revoltas da Catraca em Florianópolis em 2004 e 2005, que serviram de base para a formação do MPL. Contudo, desde então rolou muita coisa! Em Vitória do Espírito Santo, lutas fortíssimas derrubaram um aumento em 2006. Só em 2011, aumentos foram revertidos, adiados ou congelados após fortíssima pressão popular em Teresina, Vitória, Porto Velho, Manaus, Belém, Aracajú, Guarapuava, etc. Em boa parte desses lugares havia coletivos formais do MPL, ou gente que se dizia MPL apesar de não ter conexão formal com o movimento, e por vezes foram movimentos próprios locais. E, há poucos meses, a &quot;Revolta do Busão&quot; derrubou um aumento em Natal.

Acho que as dificuldades para a massificação da luta aqui em São Paulo são outras, começando pelo tamanho da cidade, muito mais &quot;catracalizada&quot;, pela maior consolidação dos mecanismos de controle e repressão estatais, e pela insufiência do tipo e da extensão dos trabalhos realizados pelo MPL por aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rugai, me parece que querer eventos ou serviços públicos de qualidade perto de casa nada mais é do que se interessar pelo direito à cidade. O problema é que, na ausência desses equipamentos nos bairros onde se vive, a solução é buscar no centro ou no bairro vizinho. Daí o transporte se faz fundamental, e a tarifa efetivamente é um impeditivo pra muita gente. Falar assim pode parecer um discurso abstrato formulado pelo MPL em outras cidades para justificar sua pauta nacionalmente, mas temos visto isso na prática nas nossas atividades de base aqui em São Paulo. Um exemplo: recentemente, fomos procurados por um CAPS na Brasilândia, no qual os atendidos (dependentes químicos) enfrentam sérias dificuldades para manter o tratamento devido ao preço da condução &#8211; muitos vem de outros bairros a pé, apesar de trabalharem o dia todo, terem problemas pessoais e físicos. Uma das coisas que nos surpreendeu nas atividades que realizamos lá foi que, logo de cara, para muitos deles era insuficiente lutar por um &#8220;passe livre para usuários do CAPS&#8221;, pois lhes parecia evidente que o transporte deveria ser acessível à todos.</p>
<p>Mas bom lembrar que o MPL não discute apenas o preço do transporte, mas toda lógica que organiza o sistema. Nesse sentido, as lutas que temos feito junto com os fóruns de bairro na zona sul normalmente pautam muito mais a qualidade do transporte do que a tarifa. E a catraca não deixa de ser um símbolo pertinente. Ela simboliza toda uma forma de organização da cidade.</p>
<p>Enfim, além disso queria ressaltar que muitas vezes nos remetemos apenas às experiências da Revolta do Busú de 2003 em Salvador e as duas Revoltas da Catraca em Florianópolis em 2004 e 2005, que serviram de base para a formação do MPL. Contudo, desde então rolou muita coisa! Em Vitória do Espírito Santo, lutas fortíssimas derrubaram um aumento em 2006. Só em 2011, aumentos foram revertidos, adiados ou congelados após fortíssima pressão popular em Teresina, Vitória, Porto Velho, Manaus, Belém, Aracajú, Guarapuava, etc. Em boa parte desses lugares havia coletivos formais do MPL, ou gente que se dizia MPL apesar de não ter conexão formal com o movimento, e por vezes foram movimentos próprios locais. E, há poucos meses, a &#8220;Revolta do Busão&#8221; derrubou um aumento em Natal.</p>
<p>Acho que as dificuldades para a massificação da luta aqui em São Paulo são outras, começando pelo tamanho da cidade, muito mais &#8220;catracalizada&#8221;, pela maior consolidação dos mecanismos de controle e repressão estatais, e pela insufiência do tipo e da extensão dos trabalhos realizados pelo MPL por aqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Legume Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-85815</link>

		<dc:creator><![CDATA[Legume Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Nov 2012 13:09:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66997#comment-85815</guid>

					<description><![CDATA[Rugai,
Creio que a qualidade dos transportes é de fato enxergado como principal problema imediato pela maioria dos usuários do transporte, não apenas em São Paulo mas em todas as metrópoles. Esta luta precisa ser articulada com uma mobilização mais ampla que encare o sistema de transportes como um todo, o que foi analisado aqui:http://passapalavra.info/?p=971.
Acho que após 13 semanas de manifestações com milhares de pessoas contra o aumento em São Paulo conseguiu-se produzir mudanças na cidade e na forma que as lutas se dão. Claro que esta mobilização também é fruto de 7 anos de trabalhos de base do movimento. Dois aconteceimentos posteriores relacionados a atuação do MPL podem ser encontrados aqui: http://passapalavra.info/?p=55756 e aqui:http://passapalavra.info/?p=64596.
Acho interessante também que a luta do movimento produziu alterações siginificativas nos discursos dos candidatos sobre transporte sendo este um tema fundamental nas duas últimas eleições municipais, em 2008 isto ficou claro aqui: http://tarifazero.org/2010/01/02/o-ideal-e-que-o-transporte-publico-fosse-gratuito-entao-faz-isso-kassab/ depois ainda pelo Kassab aqui: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2011/03/para-kassab-tarifa-de-sao-paulo-e-compativel-com-as-possibilidades-da-capital e por fim pelo recém eleito prefeito em seu progrma eleitoral que admite o transporte como algo fundamental para o acesso a outros direitos: http://pensenovotv.com.br/descricao/horario-eleitoral-bilhete-mensal.
Acho que a dinâmica das lutas sociais por transporte em SP avançaram muito nos últimos anos e o MPL foi fundamental para tanto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rugai,<br />
Creio que a qualidade dos transportes é de fato enxergado como principal problema imediato pela maioria dos usuários do transporte, não apenas em São Paulo mas em todas as metrópoles. Esta luta precisa ser articulada com uma mobilização mais ampla que encare o sistema de transportes como um todo, o que foi analisado aqui:<a href="http://passapalavra.info/?p=971" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=971</a>.<br />
Acho que após 13 semanas de manifestações com milhares de pessoas contra o aumento em São Paulo conseguiu-se produzir mudanças na cidade e na forma que as lutas se dão. Claro que esta mobilização também é fruto de 7 anos de trabalhos de base do movimento. Dois aconteceimentos posteriores relacionados a atuação do MPL podem ser encontrados aqui: <a href="http://passapalavra.info/?p=55756" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=55756</a> e aqui:<a href="http://passapalavra.info/?p=64596" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=64596</a>.<br />
Acho interessante também que a luta do movimento produziu alterações siginificativas nos discursos dos candidatos sobre transporte sendo este um tema fundamental nas duas últimas eleições municipais, em 2008 isto ficou claro aqui: <a href="http://tarifazero.org/2010/01/02/o-ideal-e-que-o-transporte-publico-fosse-gratuito-entao-faz-isso-kassab/" rel="nofollow ugc">http://tarifazero.org/2010/01/02/o-ideal-e-que-o-transporte-publico-fosse-gratuito-entao-faz-isso-kassab/</a> depois ainda pelo Kassab aqui: <a href="http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2011/03/para-kassab-tarifa-de-sao-paulo-e-compativel-com-as-possibilidades-da-capital" rel="nofollow ugc">http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2011/03/para-kassab-tarifa-de-sao-paulo-e-compativel-com-as-possibilidades-da-capital</a> e por fim pelo recém eleito prefeito em seu progrma eleitoral que admite o transporte como algo fundamental para o acesso a outros direitos: <a href="http://pensenovotv.com.br/descricao/horario-eleitoral-bilhete-mensal" rel="nofollow ugc">http://pensenovotv.com.br/descricao/horario-eleitoral-bilhete-mensal</a>.<br />
Acho que a dinâmica das lutas sociais por transporte em SP avançaram muito nos últimos anos e o MPL foi fundamental para tanto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-85731</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Nov 2012 16:03:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66997#comment-85731</guid>

					<description><![CDATA[Questão de ordem: se a luta em Salvador a que Rugai se refere é a Revolta do Buzu, ela não teve sucesso algum em sua pauta única, que foi o cancelamento do aumento tarifário. Embora muita gente tenha pegado gosto pela militância política durante a Revolta do Buzu e eu mesmo tenha feito uma avaliação ainda bastante influenciada pelo calor das lutas nas &quot;Teses sobre a Revolta do Buzu&quot; publicadas aqui no Passa Palavra (http://passapalavra.info/?p=46384), passados quase dez anos avalio que ela representou, na verdade, a grande derrota política de uma geração de pessoas que hoje têm entre 24 e 40 anos. Todos os outros efeitos da Revolta do Buzu são secundários frente a esta derrota, muito bem arquitetada pelos nossos adversários de então e de sempre (ver outra avaliação em http://passapalavra.info/?p=44683).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Questão de ordem: se a luta em Salvador a que Rugai se refere é a Revolta do Buzu, ela não teve sucesso algum em sua pauta única, que foi o cancelamento do aumento tarifário. Embora muita gente tenha pegado gosto pela militância política durante a Revolta do Buzu e eu mesmo tenha feito uma avaliação ainda bastante influenciada pelo calor das lutas nas &#8220;Teses sobre a Revolta do Buzu&#8221; publicadas aqui no Passa Palavra (<a href="http://passapalavra.info/?p=46384" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=46384</a>), passados quase dez anos avalio que ela representou, na verdade, a grande derrota política de uma geração de pessoas que hoje têm entre 24 e 40 anos. Todos os outros efeitos da Revolta do Buzu são secundários frente a esta derrota, muito bem arquitetada pelos nossos adversários de então e de sempre (ver outra avaliação em <a href="http://passapalavra.info/?p=44683" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=44683</a>).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rugai		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66997/#comment-85592</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rugai]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Nov 2012 11:24:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom o texto. A propósito, é lastimável ver que certas publicações do meio libertário estejam, ainda, reproduzindo charges e símbolos do início do século XX, quando não do 19, de todo modo tudo muito feio e desatualizado, quando temos coisas novas surgindo. O desenho feito pelo Lattuf para o Mães de Maio é significativo também, muito forte e assim vemos toda uma renovação, rica e produtiva.

Entretanto, a questão estética talvez seja o maior resultado prático nessa tentativa de aplicar em SP uma luta que teve êxito em Salvador e Floripa. Há uma reflexão a ser feita sobre as diferenças de contexto que impedem uma massificação da luta. Num único exemplo, a abordagem em termos de &quot;paulistanos&quot; é bastante complicada quando a pobraiada que realmente paga duas ou 3 passagens vêm de cidades da Grande SP para trabalhar em São Paulo: Francisco Morato, Suzano, Ferraz de Vasconcelos. Até agora, os trabalhadores ou destroem as instalações para se manifestar ou tentar dar um jeito de não pagar ou pagar menos. Parte deles pouco se importa com o preço das passagens, a questão maior é a má qualidade do transporte, isso porque as empresas fornecem os vale-transporte. Ainda, suspeito que a maioria deles e delas não estão interessados no tal &quot;direito à cidade&quot;. Querem mesmo é trabalho perto de casa, faculdade perto de casa, FATEC perto de casa, eventos perto de casa. Enfim, um campus da USP em Perús, UNESP em Poá...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom o texto. A propósito, é lastimável ver que certas publicações do meio libertário estejam, ainda, reproduzindo charges e símbolos do início do século XX, quando não do 19, de todo modo tudo muito feio e desatualizado, quando temos coisas novas surgindo. O desenho feito pelo Lattuf para o Mães de Maio é significativo também, muito forte e assim vemos toda uma renovação, rica e produtiva.</p>
<p>Entretanto, a questão estética talvez seja o maior resultado prático nessa tentativa de aplicar em SP uma luta que teve êxito em Salvador e Floripa. Há uma reflexão a ser feita sobre as diferenças de contexto que impedem uma massificação da luta. Num único exemplo, a abordagem em termos de &#8220;paulistanos&#8221; é bastante complicada quando a pobraiada que realmente paga duas ou 3 passagens vêm de cidades da Grande SP para trabalhar em São Paulo: Francisco Morato, Suzano, Ferraz de Vasconcelos. Até agora, os trabalhadores ou destroem as instalações para se manifestar ou tentar dar um jeito de não pagar ou pagar menos. Parte deles pouco se importa com o preço das passagens, a questão maior é a má qualidade do transporte, isso porque as empresas fornecem os vale-transporte. Ainda, suspeito que a maioria deles e delas não estão interessados no tal &#8220;direito à cidade&#8221;. Querem mesmo é trabalho perto de casa, faculdade perto de casa, FATEC perto de casa, eventos perto de casa. Enfim, um campus da USP em Perús, UNESP em Poá&#8230;</p>
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