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	Comentários sobre: Behemoth mata Leviatã e morre (1ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: AAA		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-87333</link>

		<dc:creator><![CDATA[AAA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Nov 2012 14:20:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Migolopolol: se é dos que defendem um capitalismo fortemente regulado não há muitas razões para que queira comentar este post, onde o que está na mira é a política defendida pelo PCP e mesmo pelos sectores mais radicais do BE. A luta do Arrastão e do Jugular não é para aqui chamada.
Em todo o caso, aproveite para ler o que o João Bernardo tem para lhe ensinar sobre a &quot;origem&quot; e consequências que giram em torno do idealismo do &quot;capitalismo fortemente regulado&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Migolopolol: se é dos que defendem um capitalismo fortemente regulado não há muitas razões para que queira comentar este post, onde o que está na mira é a política defendida pelo PCP e mesmo pelos sectores mais radicais do BE. A luta do Arrastão e do Jugular não é para aqui chamada.<br />
Em todo o caso, aproveite para ler o que o João Bernardo tem para lhe ensinar sobre a &#8220;origem&#8221; e consequências que giram em torno do idealismo do &#8220;capitalismo fortemente regulado&#8221;.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86390</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Nov 2012 13:09:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostaria de recordar que o «capitalismo fortemente regulado, de tendência social democrata», referido por Migolopopopol, foi originariamente o modelo de capitalismo instaurado pelos regimes fascistas. A social-democracia só chegou ao poder efectivo num bom número de países europeus após a segunda guerra mundial, e teve todo o interesse em cortar o cordão umbilical que a ligava às experiências fascistas. Se houver leitores suficientemente corajosos e interessados em prosseguir esta perspectiva de análise, sugiro-lhes que pesquisem em redor dos conceitos de &lt;em&gt;economia organizada&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;economia dirigida&lt;/em&gt;, que mobilizaram muitos economistas na década de 1930, e que verifiquem o percurso de alguns deles, como Marcel Déat e Henri de Man, que confluíram no fascismo, e outros que se contam entre a tecnocracia fundadora do mercado comum europeu. Henri Michel, no seu livro &lt;em&gt;Les Courants de Pensée de la Résistance&lt;/em&gt; (Paris: Presses Universitaires de France, 1962), mostrou como durante a ocupação nazi da França alguns comités da Resistência absorveram e reelaboraram os modelos fascistas de controlo económico e os propuseram como base para a futura reconstrução da França. Vale também a pena ler o que Giuseppe Bottai, uma das principais figuras do fascismo italiano, esceveu acerca do &lt;em&gt;New Deal&lt;/em&gt;, assim como é interessante ler o prefácio de Keynes à edição alemã da &lt;em&gt;General Theory&lt;/em&gt;. Finalmente, Pierre Drieu la Rochelle é um nome importante das letras francesas, e do fascismo francês também. Aquando da Libertação, em 1944, escondeu-se para não ser preso e verosimilmente fuzilado, e no diário que manteve nos últimos tempos de vida ele observou numa página datada de 18 de Fevereiro de 1945, um mês antes de se suicidar, que podia surgir da Resistência um fascismo francês porque «ela é composta por pequeno-burgueses ultranacionalistas» e «querendo o socialismo, eles querem-no sem o querer; querem o socialismo liberal, o que é a fórmula primitiva de todo o estatismo fascista».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de recordar que o «capitalismo fortemente regulado, de tendência social democrata», referido por Migolopopopol, foi originariamente o modelo de capitalismo instaurado pelos regimes fascistas. A social-democracia só chegou ao poder efectivo num bom número de países europeus após a segunda guerra mundial, e teve todo o interesse em cortar o cordão umbilical que a ligava às experiências fascistas. Se houver leitores suficientemente corajosos e interessados em prosseguir esta perspectiva de análise, sugiro-lhes que pesquisem em redor dos conceitos de <em>economia organizada</em> e <em>economia dirigida</em>, que mobilizaram muitos economistas na década de 1930, e que verifiquem o percurso de alguns deles, como Marcel Déat e Henri de Man, que confluíram no fascismo, e outros que se contam entre a tecnocracia fundadora do mercado comum europeu. Henri Michel, no seu livro <em>Les Courants de Pensée de la Résistance</em> (Paris: Presses Universitaires de France, 1962), mostrou como durante a ocupação nazi da França alguns comités da Resistência absorveram e reelaboraram os modelos fascistas de controlo económico e os propuseram como base para a futura reconstrução da França. Vale também a pena ler o que Giuseppe Bottai, uma das principais figuras do fascismo italiano, esceveu acerca do <em>New Deal</em>, assim como é interessante ler o prefácio de Keynes à edição alemã da <em>General Theory</em>. Finalmente, Pierre Drieu la Rochelle é um nome importante das letras francesas, e do fascismo francês também. Aquando da Libertação, em 1944, escondeu-se para não ser preso e verosimilmente fuzilado, e no diário que manteve nos últimos tempos de vida ele observou numa página datada de 18 de Fevereiro de 1945, um mês antes de se suicidar, que podia surgir da Resistência um fascismo francês porque «ela é composta por pequeno-burgueses ultranacionalistas» e «querendo o socialismo, eles querem-no sem o querer; querem o socialismo liberal, o que é a fórmula primitiva de todo o estatismo fascista».</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86384</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Nov 2012 12:17:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[bom, a estes creio que cabe a crítica econômica, no que diz respeito à exploração da mais-valia, e a crítica social apresentada neste texto, dos riscos fascistas desta união entre trabalho e capital por uma sociedade coesa. 
Para além das críticas resta apenas o campo propriamente do político, da voz, da assembléia, do cotidiano. Se aí a tendência social democrata for mais efetiva, as críticas citadas acabam ficando apenas no papel mesmo. Se, no entanto, as críticas tiverem a potência de transformarem-se em ato, então teremos esperança novamente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>bom, a estes creio que cabe a crítica econômica, no que diz respeito à exploração da mais-valia, e a crítica social apresentada neste texto, dos riscos fascistas desta união entre trabalho e capital por uma sociedade coesa.<br />
Para além das críticas resta apenas o campo propriamente do político, da voz, da assembléia, do cotidiano. Se aí a tendência social democrata for mais efetiva, as críticas citadas acabam ficando apenas no papel mesmo. Se, no entanto, as críticas tiverem a potência de transformarem-se em ato, então teremos esperança novamente.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: migolopopopol		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86373</link>

		<dc:creator><![CDATA[migolopopopol]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Nov 2012 10:10:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas, mas e aqueles que não concordam com esse discurso nem com o problema onde &quot;trabalhadores e pequena burguesia se unam para defender o sistema de produção que vem (vinha?) sendo criticado tão tradicionalmente pela tradição marxista, aquele que produz a mais-valia&quot;?

Aqueles que defendem um capitalismo fortemente regulado, de tendência social democrata?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, mas e aqueles que não concordam com esse discurso nem com o problema onde &#8220;trabalhadores e pequena burguesia se unam para defender o sistema de produção que vem (vinha?) sendo criticado tão tradicionalmente pela tradição marxista, aquele que produz a mais-valia&#8221;?</p>
<p>Aqueles que defendem um capitalismo fortemente regulado, de tendência social democrata?</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86328</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2012 22:06:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[migolopopopol, creio que a questão principal é 1) o recuo da pauta da esquerda, que estaria adotando uma posição praticamente e meramente liberal ou &quot;republicana&quot;, se formos fazer o paralelo da aliança espanhola durante sua guerra civil. E 2) o risco desta aliança quando não em guerra direta contra os fascistas, mas sim contra um inimigo comum no campo económico (ao invés de bélico, como na guerra citada), fazendo com que trabalhadores e pequena burguesia se unam para defender o sistema de produção que vem (vinha?) sendo criticado tão tradicionalmente pela tradição marxista, aquele que produz a mais-valia. Ao se unirem numa frente única trabalho e capital, estamos pisando solos nos quais os principais exemplos vividos no passado recente são os regimes fascitas (e aqui o fascismo não é necessariamente a militarização, a anti-democracia, a agressividade perversa, tão estetizada de maneira grosseira e quase burlesca, mas sim o fim da autonomia dos trabalhadores, o fim da emancipação do trabalho frente o capital, seja feito isso da forma como melhor couber aos tempos contemporâneos).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>migolopopopol, creio que a questão principal é 1) o recuo da pauta da esquerda, que estaria adotando uma posição praticamente e meramente liberal ou &#8220;republicana&#8221;, se formos fazer o paralelo da aliança espanhola durante sua guerra civil. E 2) o risco desta aliança quando não em guerra direta contra os fascistas, mas sim contra um inimigo comum no campo económico (ao invés de bélico, como na guerra citada), fazendo com que trabalhadores e pequena burguesia se unam para defender o sistema de produção que vem (vinha?) sendo criticado tão tradicionalmente pela tradição marxista, aquele que produz a mais-valia. Ao se unirem numa frente única trabalho e capital, estamos pisando solos nos quais os principais exemplos vividos no passado recente são os regimes fascitas (e aqui o fascismo não é necessariamente a militarização, a anti-democracia, a agressividade perversa, tão estetizada de maneira grosseira e quase burlesca, mas sim o fim da autonomia dos trabalhadores, o fim da emancipação do trabalho frente o capital, seja feito isso da forma como melhor couber aos tempos contemporâneos).</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: migolopopopol		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86273</link>

		<dc:creator><![CDATA[migolopopopol]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2012 09:47:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[este texto, tão grande e bem escrito e cheio de certas referências, é bem sucedido nas suas intenções: o de ilustrar a semelhança entre ideias que potenciaram o fascismo e ideias que são defendidas por grande parte da esquerda actual (e não só). certíssimo. mas e que ideias são essas? o ataque ao sistema financeiro actual, dominado por instituições privadas, e que é caracterizado como nocivo. dou de barato a existência dessa semelhança. agora o que me interessa, e que suspeito que interesse a grande parte da esquerda (e não só) aqui retratada, é se esta caracterização é correcta ou não. se um sistema financeiro alternativo (público? semi-público? fortemente regulado? configurado num outro possível modelo mais democrático? que alternativas seriam estas, é outra discussão) não seria mais benéfico, ao nível do bem estar e desenvolvimento das sociedades. e se alguns &quot;fascismos&quot; até acertaram nalgumas coisas? rejeitamos o fascismo porque é um modelo anti-democrático, repressivo, militarista, agressivo, onde as liberdades são limitadas e as opiniões condicionadas. não porque caracteriza os sistemas financeiros como possivelmente prejudiciais, defendendo modelos alternativos ao modelo financeiro puramente liberal e capitalista. não vamos rejeitar uma ideia simplesmente apenas porque foi defendida por regimes fascistas. nem vamos fazer a suposição que a implementação dessa ideia implica a implantação de um regime fascista. em termos estatísticos, correlação não implica causalidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>este texto, tão grande e bem escrito e cheio de certas referências, é bem sucedido nas suas intenções: o de ilustrar a semelhança entre ideias que potenciaram o fascismo e ideias que são defendidas por grande parte da esquerda actual (e não só). certíssimo. mas e que ideias são essas? o ataque ao sistema financeiro actual, dominado por instituições privadas, e que é caracterizado como nocivo. dou de barato a existência dessa semelhança. agora o que me interessa, e que suspeito que interesse a grande parte da esquerda (e não só) aqui retratada, é se esta caracterização é correcta ou não. se um sistema financeiro alternativo (público? semi-público? fortemente regulado? configurado num outro possível modelo mais democrático? que alternativas seriam estas, é outra discussão) não seria mais benéfico, ao nível do bem estar e desenvolvimento das sociedades. e se alguns &#8220;fascismos&#8221; até acertaram nalgumas coisas? rejeitamos o fascismo porque é um modelo anti-democrático, repressivo, militarista, agressivo, onde as liberdades são limitadas e as opiniões condicionadas. não porque caracteriza os sistemas financeiros como possivelmente prejudiciais, defendendo modelos alternativos ao modelo financeiro puramente liberal e capitalista. não vamos rejeitar uma ideia simplesmente apenas porque foi defendida por regimes fascistas. nem vamos fazer a suposição que a implementação dessa ideia implica a implantação de um regime fascista. em termos estatísticos, correlação não implica causalidade.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86234</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2012 03:09:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[minha tendência seria desacreditar na hipótese da figura apolítica e carismática que venha a arrebatar a tensão acumulada plasmando-a em fascismo. Me parece que ha de se atentar a mudanças dentro das subjetividades que tornam essa opção anacrónica, abrindo portas para outras formas desta tensão social desaguar pela direita. Certamente que temos que aprender com o passado e atentar muito às repetições, no entanto creio que a esquerda tem que se preparar para o novo, e manusear as novas tendências para evitar que a direita o faça mais habilmente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>minha tendência seria desacreditar na hipótese da figura apolítica e carismática que venha a arrebatar a tensão acumulada plasmando-a em fascismo. Me parece que ha de se atentar a mudanças dentro das subjetividades que tornam essa opção anacrónica, abrindo portas para outras formas desta tensão social desaguar pela direita. Certamente que temos que aprender com o passado e atentar muito às repetições, no entanto creio que a esquerda tem que se preparar para o novo, e manusear as novas tendências para evitar que a direita o faça mais habilmente.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: JT		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86200</link>

		<dc:creator><![CDATA[JT]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Nov 2012 22:30:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As leis económicas alteraram-se tanto na URSS, que cada reforma sucessiva desde os anos 50 a ia aproximando mais do capitalismo ocidental até tudo ter acabado como tinha de acabar: na Perestroika e no Yeltsin. 

Pegando a coisa ao contrário, é o discurso do fascismo que se aproxima do do PCP. Esta pequena-burguesia em fúria pode dar em muita coisa. Uma delas será o fascismo, evidentemente, mas outra hipotese seria o esquerdismo latino-americano onde, não por acaso, o PCP vai buscar muita da sua inspiração.  

O passa-palavra está a esquecer um ingrediente fundamental sobre o fascismo: os únicos avanços que o fascismo consegue são aqueles que os poderes instituidos lhe concedem. Sem o apoio da polícia, do exército, dos grandes capitalistas, não há fascismo, ou melhor, o fascismo não passa do estado larvar, de um grupelho entre os grupelhos. E, para que isso aconteça, é preciso que o fascismo faça falta, ou melhor, é preciso bater em alguém que está a ameaçar o sistema, usando meios fora do alcance dos aparelhos repressivos regulares do estado burguês.

AAA: o que estás a dizer é que o PCP é oportunista. Ao proceder assim, o PCP, em vez de ser uma vanguarda, torna-se numa retaguarda. Em vez de reforçar a consciência de classe dos trabalhadores, que deveriam ser os primeiros alvos do seu discurso, embota-a, ao ponto de, se os trabalhadores quiserem ter uma percepção correcta do que se está a passar, terem primeiro que fechar os ouvidos a tudo o que o PCP (e o resto da esquerda) lhes diz.

O PCP pode tentar cativar a pequena-burguesia cantando-lhe todas as serenatas que quiser, mas isso não significa que os pequeno-burgueses se esqueçam que o PCP é o PCP. É estúpido para PCP querer-se fazer passar por aquilo que não é, e é estúpido por duas razões: porque a pequena-burguesia não acredita nele e porque, ao fim e ao cabo, não será o PCP a entrar na pequena-burguesia, mas a pequena-burguesia a entrar no PCP.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As leis económicas alteraram-se tanto na URSS, que cada reforma sucessiva desde os anos 50 a ia aproximando mais do capitalismo ocidental até tudo ter acabado como tinha de acabar: na Perestroika e no Yeltsin. </p>
<p>Pegando a coisa ao contrário, é o discurso do fascismo que se aproxima do do PCP. Esta pequena-burguesia em fúria pode dar em muita coisa. Uma delas será o fascismo, evidentemente, mas outra hipotese seria o esquerdismo latino-americano onde, não por acaso, o PCP vai buscar muita da sua inspiração.  </p>
<p>O passa-palavra está a esquecer um ingrediente fundamental sobre o fascismo: os únicos avanços que o fascismo consegue são aqueles que os poderes instituidos lhe concedem. Sem o apoio da polícia, do exército, dos grandes capitalistas, não há fascismo, ou melhor, o fascismo não passa do estado larvar, de um grupelho entre os grupelhos. E, para que isso aconteça, é preciso que o fascismo faça falta, ou melhor, é preciso bater em alguém que está a ameaçar o sistema, usando meios fora do alcance dos aparelhos repressivos regulares do estado burguês.</p>
<p>AAA: o que estás a dizer é que o PCP é oportunista. Ao proceder assim, o PCP, em vez de ser uma vanguarda, torna-se numa retaguarda. Em vez de reforçar a consciência de classe dos trabalhadores, que deveriam ser os primeiros alvos do seu discurso, embota-a, ao ponto de, se os trabalhadores quiserem ter uma percepção correcta do que se está a passar, terem primeiro que fechar os ouvidos a tudo o que o PCP (e o resto da esquerda) lhes diz.</p>
<p>O PCP pode tentar cativar a pequena-burguesia cantando-lhe todas as serenatas que quiser, mas isso não significa que os pequeno-burgueses se esqueçam que o PCP é o PCP. É estúpido para PCP querer-se fazer passar por aquilo que não é, e é estúpido por duas razões: porque a pequena-burguesia não acredita nele e porque, ao fim e ao cabo, não será o PCP a entrar na pequena-burguesia, mas a pequena-burguesia a entrar no PCP.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: AAA		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/67107/#comment-86156</link>

		<dc:creator><![CDATA[AAA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Nov 2012 15:09:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na vossa ânsia de ultrapassar todos os outros movimentos pela esquerda, surgem referências ao &quot;capitalismo de estado&quot; do socialismo real. As leis económicas alteraram-se efectivamente nesses países, a ponto de não se poder falar mais em &quot;capitalismo&quot;. Apesar de a planificação socialista ter sido uma enorme tragédia em termos de dinâmica, e apesar de não ser o modelo que penso que vocês defendem, escusam de se esquivar de uma maneira tão redutora.

De resto, o discurso do PCP coincide de facto com uma análise fascista do capitalismo. Não milito no PCP mas por mais de uma ocasião nele votei. Vou tentar explicar o discurso do PCP recorrendo a três breves pontos:

1 - Se concorre a eleições, é para ganhar votos. Embelezar o programa político recorrendo à teoria marxista sobre a origem da crise só serve para repelir os eleitores. Esse tipo de educação podem os eleitores conseguir, lendo e debatendo.

2 - O PCP, tal como os restantes partidos, tem de se focar nos instrumentos de que disporia de imediato caso o seu programa ganhasse eleições. E aqui ou acreditamos que o capitalismo actual é passível de combater se em vários países a esquerda ganhar eleições legislativas, ou rejeitamos essa hipótese e passamos simplesmente a hostilizar quem quer meter as mãos na massa.

3 - Evidentemente, sendo que Portugal é um dos países da OCDE onde existem mais profissionais liberais, a pequena-burguesia existe e não podemos negar o seu peso nas eleições. E já sabemos que a pequena-burguesia é o motor do fascismo. Mais uma vez (e por mais que o vosso ideal divirja do ideal do PCP, a pequena-burguesia não teria nele lugar, ou estou enganado?) o PCP não quer hostilizar este sector do eleitorado e tenta captá-lo recorrendo aos chavões de &quot;crédito para os pequenos proprietários&quot;.

Posto isto, o meu voto no PCP foi sempre para mim um voto &quot;limitado&quot;, pois sei bem que temos de ir mais além de legislativas se queremos construir uma alternativa ao capitalismo. Mas a existência de partidos políticos não acaba com a necessidade de se pensar fora deles, e bem, como é o vosso caso. Os meus parabéns pelos artigos que têm publicado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na vossa ânsia de ultrapassar todos os outros movimentos pela esquerda, surgem referências ao &#8220;capitalismo de estado&#8221; do socialismo real. As leis económicas alteraram-se efectivamente nesses países, a ponto de não se poder falar mais em &#8220;capitalismo&#8221;. Apesar de a planificação socialista ter sido uma enorme tragédia em termos de dinâmica, e apesar de não ser o modelo que penso que vocês defendem, escusam de se esquivar de uma maneira tão redutora.</p>
<p>De resto, o discurso do PCP coincide de facto com uma análise fascista do capitalismo. Não milito no PCP mas por mais de uma ocasião nele votei. Vou tentar explicar o discurso do PCP recorrendo a três breves pontos:</p>
<p>1 &#8211; Se concorre a eleições, é para ganhar votos. Embelezar o programa político recorrendo à teoria marxista sobre a origem da crise só serve para repelir os eleitores. Esse tipo de educação podem os eleitores conseguir, lendo e debatendo.</p>
<p>2 &#8211; O PCP, tal como os restantes partidos, tem de se focar nos instrumentos de que disporia de imediato caso o seu programa ganhasse eleições. E aqui ou acreditamos que o capitalismo actual é passível de combater se em vários países a esquerda ganhar eleições legislativas, ou rejeitamos essa hipótese e passamos simplesmente a hostilizar quem quer meter as mãos na massa.</p>
<p>3 &#8211; Evidentemente, sendo que Portugal é um dos países da OCDE onde existem mais profissionais liberais, a pequena-burguesia existe e não podemos negar o seu peso nas eleições. E já sabemos que a pequena-burguesia é o motor do fascismo. Mais uma vez (e por mais que o vosso ideal divirja do ideal do PCP, a pequena-burguesia não teria nele lugar, ou estou enganado?) o PCP não quer hostilizar este sector do eleitorado e tenta captá-lo recorrendo aos chavões de &#8220;crédito para os pequenos proprietários&#8221;.</p>
<p>Posto isto, o meu voto no PCP foi sempre para mim um voto &#8220;limitado&#8221;, pois sei bem que temos de ir mais além de legislativas se queremos construir uma alternativa ao capitalismo. Mas a existência de partidos políticos não acaba com a necessidade de se pensar fora deles, e bem, como é o vosso caso. Os meus parabéns pelos artigos que têm publicado.</p>
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