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	Comentários sobre: A minhoca e a maçã. A esquerda nacionalista e o euro, 1ª parte	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-92813</link>

		<dc:creator><![CDATA[João.]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Dec 2012 22:07:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Enquanto houver estados há nacionalismo.&quot;

Um exemplo:

Os Palestinianos não têm um Estado (e portanto são um Território) e veja lá se eles estão dispostos a abdicar de ter um País e um Estado sem dar luta, porventura até ao último homem? Quanto mais lhes negam a possibilidade de fundar um Estado e um País mais dispostos ao radicalismo eles estão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Enquanto houver estados há nacionalismo.&#8221;</p>
<p>Um exemplo:</p>
<p>Os Palestinianos não têm um Estado (e portanto são um Território) e veja lá se eles estão dispostos a abdicar de ter um País e um Estado sem dar luta, porventura até ao último homem? Quanto mais lhes negam a possibilidade de fundar um Estado e um País mais dispostos ao radicalismo eles estão.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-92773</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Dec 2012 11:18:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O nacionalismo existe sempre no capitalismo. Enquanto houver estados há nacionalismo. A questão é que se existir um conjunto de saídas da zona euro a actual crise económica será multiplicada, as medidas de austeridade ampliadas, a repressão aumentada e, no final, os trabalhadores alemães vão para casa dizer que a culpa dessa sua situação será dos portugueses e dos gregos, e estes dirão o inverso. E em vez de se tentar juntar o que realmente lhes é transversal - a sua condição assalariada - para uma luta anticapitalista, a esquerda anda a fomentar a regeneração nacional. Que num contexto de saída do euro só irá acirrar ainda mais o nacionalismo existente. Se hoje o nacionalismo já é o perigo que é, fora do euro e com ressentimentos nacionais a escalar você verá o que é realmente o nacionalismo...

É o raciocínio análogo aos que chamam nazi à Merkel. Claro que ela é reaccionária mas se as pessoas soubessem o que é realmente o nazismo não diriam essas barbaridades que só servem para desviar a luta dos trabalhadores da necessidade da federalização europeia, da europeização das lutas e da recusa do nacionalismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O nacionalismo existe sempre no capitalismo. Enquanto houver estados há nacionalismo. A questão é que se existir um conjunto de saídas da zona euro a actual crise económica será multiplicada, as medidas de austeridade ampliadas, a repressão aumentada e, no final, os trabalhadores alemães vão para casa dizer que a culpa dessa sua situação será dos portugueses e dos gregos, e estes dirão o inverso. E em vez de se tentar juntar o que realmente lhes é transversal &#8211; a sua condição assalariada &#8211; para uma luta anticapitalista, a esquerda anda a fomentar a regeneração nacional. Que num contexto de saída do euro só irá acirrar ainda mais o nacionalismo existente. Se hoje o nacionalismo já é o perigo que é, fora do euro e com ressentimentos nacionais a escalar você verá o que é realmente o nacionalismo&#8230;</p>
<p>É o raciocínio análogo aos que chamam nazi à Merkel. Claro que ela é reaccionária mas se as pessoas soubessem o que é realmente o nazismo não diriam essas barbaridades que só servem para desviar a luta dos trabalhadores da necessidade da federalização europeia, da europeização das lutas e da recusa do nacionalismo.</p>
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		<title>
		Por: João.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-92729</link>

		<dc:creator><![CDATA[João.]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Dec 2012 02:50:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Valente Aguiar em 6 de dezembro de 2012 14:27,

&quot;Por isso a crítica anti-nacionalista nesta fase ser tão importante de modo a que nos próximos anos não assistamos a reedições fascizantes e a regimes que colocariam as nações do sul contra as do norte (e vice-versa). Sempre que os trabalhadores se atrelam ao nacionalismo são sempre eles que mais perdem. Vidas, direitos sociais e políticos, empregos, salários, condições de vida, etc.&quot;

 - você não percebe que o que você defende é que leva ao nacionalismo. Mas você já escreveu demais sobre isso para ser evidente que não vale a pena explicar-lhe porque razão você está enganado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Valente Aguiar em 6 de dezembro de 2012 14:27,</p>
<p>&#8220;Por isso a crítica anti-nacionalista nesta fase ser tão importante de modo a que nos próximos anos não assistamos a reedições fascizantes e a regimes que colocariam as nações do sul contra as do norte (e vice-versa). Sempre que os trabalhadores se atrelam ao nacionalismo são sempre eles que mais perdem. Vidas, direitos sociais e políticos, empregos, salários, condições de vida, etc.&#8221;</p>
<p> &#8211; você não percebe que o que você defende é que leva ao nacionalismo. Mas você já escreveu demais sobre isso para ser evidente que não vale a pena explicar-lhe porque razão você está enganado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-92634</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Dec 2012 11:05:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=68594#comment-92634</guid>

					<description><![CDATA[Caro Manuel Pedro Canário,

desculpe pela demora na resposta.

acho que o João Bernardo ja tocou nalguns pontos muito importantes. Saliento apenas este: o facto de que numa economia fora do euro a emissão de massa monetária cresceria sempre acima da produtividade, o que resultaria numa inflação galopante. E isto aconteceria precisamente pelos motivos que referi no artigo: com um saldo deficitário na balança corrente portuguesa e dado o padrão de importações (onde há uma necessidade enorme de maquinaria e de materiais tecnologicamente desenvolvidos) a única forma de a economia portuguesa continuar a financiar os seus investimentos seria ou através do financiamento externo nos mercados financeiros (o que seria incomportável dada a ausência de confiança que o escudo instilaria nos investidores) ou através da emissão maciça de moeda. Ora, esta iria ser sempre muito superior aos ganhos de produtividade, na medida em que para cobrir o défice da balança corrente actualmente em torno dos 54% do PIB o volume de financiamento para industrializar o país numa via isolada e nacionalista seria colossal. E não haveria aumento de produtividade que conseguisse acompanhar essa emissão monetária.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Manuel Pedro Canário,</p>
<p>desculpe pela demora na resposta.</p>
<p>acho que o João Bernardo ja tocou nalguns pontos muito importantes. Saliento apenas este: o facto de que numa economia fora do euro a emissão de massa monetária cresceria sempre acima da produtividade, o que resultaria numa inflação galopante. E isto aconteceria precisamente pelos motivos que referi no artigo: com um saldo deficitário na balança corrente portuguesa e dado o padrão de importações (onde há uma necessidade enorme de maquinaria e de materiais tecnologicamente desenvolvidos) a única forma de a economia portuguesa continuar a financiar os seus investimentos seria ou através do financiamento externo nos mercados financeiros (o que seria incomportável dada a ausência de confiança que o escudo instilaria nos investidores) ou através da emissão maciça de moeda. Ora, esta iria ser sempre muito superior aos ganhos de produtividade, na medida em que para cobrir o défice da balança corrente actualmente em torno dos 54% do PIB o volume de financiamento para industrializar o país numa via isolada e nacionalista seria colossal. E não haveria aumento de produtividade que conseguisse acompanhar essa emissão monetária.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-92542</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Dec 2012 17:59:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=68594#comment-92542</guid>

					<description><![CDATA[Não sendo eu o autor deste artigo, limito-me a algumas breves observações a propósito do antepenúltimo e do penúltimo parágrafos do comentário de Manuel Pedro Canário.
Contrariamente ao que se supõe, a inflação não consiste numa simples subida dos preços. A inflação consiste numa subida de preços irregular e heterogénea. É irregular porque a sua taxa varia com o tempo; e é heterogénea porque a sua taxa varia consoante os bens. O carácter pernicioso da inflação decorre dessa irregularidade e dessa heterogeneidade, que impedem o dinheiro de cumprir a sua função sinalizadora.
Por outro lado, a inflação não resulta apenas da emissão monetária, mas da relação entre a taxa da emissão monetária e taxa da produção de bens. Economias com um elevado volume de produção e uma alta produtividade podem, aliás devem, ter uma taxa de emissão monetária superior a economias débeis e pouco produtivas, enquanto são estas últimas e não as primeiras a ser vítimas da inflação.
Nestes termos, o «postulado monetarista» a que Manuel Pedro Canário se refere é o que pretende travar a inflação travando a emissão pecuniária, e não o contrário, ou seja, a afirmação incontestada de que o excesso de emissão pecuniária provoca a inflação.
Na realidade, nas últimas décadas a adopção de políticas monetaristas travou efectivamente a emissão pecuniária, e travou igualmente a inflação, no que diz respeito às relações entre particulares e entre particulares e empresas; mas concomitantemente libertou a emissão pecuniária nas relações das empresas entre si, o que explica o enorme desenvolvimento conhecido nas últimas décadas pelos mecanismos do crédito, bem como o carácter inflacionário destes mecanismos.
Os exemplos históricos, infelizmente abundantes, mostram que o estabelecimento de capitalismos de Estado em economias débeis (como é o caso da portuguesa) e em situações de crise (como seria o caso se Portugal adoptasse uma moeda altamente depreciada no mercado mundial) implica um mecanismo de fuga que consiste na crescente emissão monetária, sem correspondência na capacidade de produção de bens. Precisamente por isso é que nesse tipo de situações, quanto mais se agrava a recessão mais aumenta a inflação, numa espiral viciosa e destrutiva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sendo eu o autor deste artigo, limito-me a algumas breves observações a propósito do antepenúltimo e do penúltimo parágrafos do comentário de Manuel Pedro Canário.<br />
Contrariamente ao que se supõe, a inflação não consiste numa simples subida dos preços. A inflação consiste numa subida de preços irregular e heterogénea. É irregular porque a sua taxa varia com o tempo; e é heterogénea porque a sua taxa varia consoante os bens. O carácter pernicioso da inflação decorre dessa irregularidade e dessa heterogeneidade, que impedem o dinheiro de cumprir a sua função sinalizadora.<br />
Por outro lado, a inflação não resulta apenas da emissão monetária, mas da relação entre a taxa da emissão monetária e taxa da produção de bens. Economias com um elevado volume de produção e uma alta produtividade podem, aliás devem, ter uma taxa de emissão monetária superior a economias débeis e pouco produtivas, enquanto são estas últimas e não as primeiras a ser vítimas da inflação.<br />
Nestes termos, o «postulado monetarista» a que Manuel Pedro Canário se refere é o que pretende travar a inflação travando a emissão pecuniária, e não o contrário, ou seja, a afirmação incontestada de que o excesso de emissão pecuniária provoca a inflação.<br />
Na realidade, nas últimas décadas a adopção de políticas monetaristas travou efectivamente a emissão pecuniária, e travou igualmente a inflação, no que diz respeito às relações entre particulares e entre particulares e empresas; mas concomitantemente libertou a emissão pecuniária nas relações das empresas entre si, o que explica o enorme desenvolvimento conhecido nas últimas décadas pelos mecanismos do crédito, bem como o carácter inflacionário destes mecanismos.<br />
Os exemplos históricos, infelizmente abundantes, mostram que o estabelecimento de capitalismos de Estado em economias débeis (como é o caso da portuguesa) e em situações de crise (como seria o caso se Portugal adoptasse uma moeda altamente depreciada no mercado mundial) implica um mecanismo de fuga que consiste na crescente emissão monetária, sem correspondência na capacidade de produção de bens. Precisamente por isso é que nesse tipo de situações, quanto mais se agrava a recessão mais aumenta a inflação, numa espiral viciosa e destrutiva.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manuel Pedro Canário		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-92514</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manuel Pedro Canário]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Dec 2012 12:46:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro JVA,

Eu também acho que não leu bem o texto do Otávio Teixeira, nem aliás, a notícia do Público referida. E, na sua resposta ao comentário de RN, parece-me que há uma grande confusão entre três coisas distintas: o salário NOMINAL medido em euros, o salário NOMINAL medido na nova moeda eventualmente adotada, e o salário REAL, que expressa o poder de compra dos trabalhadores e portanto não faz sentido medi-lo em qualquer moeda, mas sim na quantidade de bens que o salário permite comprar.

Quando o Otávio Teixeira diz que &quot;uma desvalorização de 30% geraria uma inflação da ordem dos 8/9% (refletindo o efeito do peso das importações na produção e no consumo), o que significaria, embora não necessariamente, idêntica quebra nos salários reais.&quot;, parece-me claro que ele quer dizer que a &quot;quebra dos salários reais&quot; seria &quot;idêntica&quot; à inflação adicional gerada pela desvalorização, os tais 8 ou 9%, e NÃO 
que seria idêntica à desvalorização cambial, o que aliás não faria qualquer sentido.

Portanto o Otávio Teixeira não diz em lugar algum que haverá uma diminuição de 30% dos salários reais, ele diz que talvez, embora não necessariamente, haverá uma quebra de 8 ou 9% do poder de compra dos salários nominais, medidos na nova moeda, como consequência da desvalorização cambial. Estando implícito no texto que ele pressupõe que não haveria novos cortes nos salários nominais depois da saída do euro, pois esse é precisamente um dos objetivos desta, a quebra do poder de compra destes corresponderia exatamente à inflação. O texto parece-me muito claro e não consigo enxergar outra interpretação possível.

A desvalorização cambial de 30% corresponde à diminuição dos salários nominais medidos em euros, mas todos os preços medidos em euros baixariam; relativamente pouco no caso de produtos com elevado coeficiente de importação, mas muito (quase os tais 30%) nos produtos com baixo coeficiente de importação, por exemplo, numa grande parte dos chamados &quot;serviços&quot;.
O relativo desfasamento entre a descida dos salários (expressos em euro) e a descida dos preços (expressos também em euros) reflete-se precisamente na inflação, a subida dos preços expressos na nova moeda.
Apesar de tudo ainda se produz algum valor em Portugal, malgrada a ignorância e desqualificação dos pequenos patrões, a que o João Bernardo atribui tão decisiva importância...

Por outro lado, os dados citados na notícia do Público não são os da Comissão Europeia mas sim os do Banco de Portugal. O Público menciona nos dois últimos parágrafos que existem dados da Comissão Europeia, mas não apresenta os valores excepto o da previsão para 2012.

Quando o Otávio Teixeira diz &quot;Mas a redução real dos salários este ano e no próximo é já superior a esse custo&quot;, ele refere-se aos salários REAIS, enquanto que os dados do BdP que você cita se referem à diminuição dos salários NOMINAIS nos últimos três anos; diminuição essa devida aos cortes explícitos nos 
salários dos servidores públicos, aos aumentos dos impostos diretos, e a outras medidas de &quot;austeridade&quot;.
Os dados da Comissão Europeia são de facto acerca de salários reais (de acordo com o Público), mas não são esses que o Público apresenta. 
Como ao longo desse período houve uma inflação maior ou igual a 2% ao ano, o que dá MAIS de 6% para todo o período, a diminuição dos salários reais teria sido maior ou igual a 14% nos últimos três anos. Repare que estou fazendo uma estimativa POR BAIXO: com os valores corretos da inflação (de que não disponho) e fazendo as contas com exatidão (que não quero fazer), o valor será certamente superior a 14%.

Não obstante, continua a ser possível defender a sua tese com estes números, pode-se sempre dizer que uma diminuição salarial real de 8% num ano é pior que uma de 14% ao longo de três anos. E também se podem contestar as previsões bastante otimistas do Otávio Teixeira.
Por outro lado, poder-se-ia também argumentar que a inflação decorrente da adoção de uma nova moeda (&quot;de pechisbeque&quot;) seria concentrada no primeiro ano, nos seguintes a inflação baixaria, até porque o quadro recessivo certamente se iria manter.
A tese de que a elevada emissão de moeda teria necessariamente como consequência uma inflação &quot;estratosférica&quot; é um postulado monetarista sem qualquer fundamento empírico. Se isto fosse verdade, todos os países ricos (incluindo a zona do euro), que sem excepção aumentaram consideravelmente o seu volume de emissão monetária, estariam agora mergulhados na inflação, quando na verdade a tendência é a oposta.

Podemos não concordar com a saída do euro, aliás a maioria da população não a deseja e poucos a defendem explicitamente, precisamente por ser uma posição impopular. Mas se ela porventura ocorrer certamente que não vai ser nenhum apocalipse.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro JVA,</p>
<p>Eu também acho que não leu bem o texto do Otávio Teixeira, nem aliás, a notícia do Público referida. E, na sua resposta ao comentário de RN, parece-me que há uma grande confusão entre três coisas distintas: o salário NOMINAL medido em euros, o salário NOMINAL medido na nova moeda eventualmente adotada, e o salário REAL, que expressa o poder de compra dos trabalhadores e portanto não faz sentido medi-lo em qualquer moeda, mas sim na quantidade de bens que o salário permite comprar.</p>
<p>Quando o Otávio Teixeira diz que &#8220;uma desvalorização de 30% geraria uma inflação da ordem dos 8/9% (refletindo o efeito do peso das importações na produção e no consumo), o que significaria, embora não necessariamente, idêntica quebra nos salários reais.&#8221;, parece-me claro que ele quer dizer que a &#8220;quebra dos salários reais&#8221; seria &#8220;idêntica&#8221; à inflação adicional gerada pela desvalorização, os tais 8 ou 9%, e NÃO<br />
que seria idêntica à desvalorização cambial, o que aliás não faria qualquer sentido.</p>
<p>Portanto o Otávio Teixeira não diz em lugar algum que haverá uma diminuição de 30% dos salários reais, ele diz que talvez, embora não necessariamente, haverá uma quebra de 8 ou 9% do poder de compra dos salários nominais, medidos na nova moeda, como consequência da desvalorização cambial. Estando implícito no texto que ele pressupõe que não haveria novos cortes nos salários nominais depois da saída do euro, pois esse é precisamente um dos objetivos desta, a quebra do poder de compra destes corresponderia exatamente à inflação. O texto parece-me muito claro e não consigo enxergar outra interpretação possível.</p>
<p>A desvalorização cambial de 30% corresponde à diminuição dos salários nominais medidos em euros, mas todos os preços medidos em euros baixariam; relativamente pouco no caso de produtos com elevado coeficiente de importação, mas muito (quase os tais 30%) nos produtos com baixo coeficiente de importação, por exemplo, numa grande parte dos chamados &#8220;serviços&#8221;.<br />
O relativo desfasamento entre a descida dos salários (expressos em euro) e a descida dos preços (expressos também em euros) reflete-se precisamente na inflação, a subida dos preços expressos na nova moeda.<br />
Apesar de tudo ainda se produz algum valor em Portugal, malgrada a ignorância e desqualificação dos pequenos patrões, a que o João Bernardo atribui tão decisiva importância&#8230;</p>
<p>Por outro lado, os dados citados na notícia do Público não são os da Comissão Europeia mas sim os do Banco de Portugal. O Público menciona nos dois últimos parágrafos que existem dados da Comissão Europeia, mas não apresenta os valores excepto o da previsão para 2012.</p>
<p>Quando o Otávio Teixeira diz &#8220;Mas a redução real dos salários este ano e no próximo é já superior a esse custo&#8221;, ele refere-se aos salários REAIS, enquanto que os dados do BdP que você cita se referem à diminuição dos salários NOMINAIS nos últimos três anos; diminuição essa devida aos cortes explícitos nos<br />
salários dos servidores públicos, aos aumentos dos impostos diretos, e a outras medidas de &#8220;austeridade&#8221;.<br />
Os dados da Comissão Europeia são de facto acerca de salários reais (de acordo com o Público), mas não são esses que o Público apresenta.<br />
Como ao longo desse período houve uma inflação maior ou igual a 2% ao ano, o que dá MAIS de 6% para todo o período, a diminuição dos salários reais teria sido maior ou igual a 14% nos últimos três anos. Repare que estou fazendo uma estimativa POR BAIXO: com os valores corretos da inflação (de que não disponho) e fazendo as contas com exatidão (que não quero fazer), o valor será certamente superior a 14%.</p>
<p>Não obstante, continua a ser possível defender a sua tese com estes números, pode-se sempre dizer que uma diminuição salarial real de 8% num ano é pior que uma de 14% ao longo de três anos. E também se podem contestar as previsões bastante otimistas do Otávio Teixeira.<br />
Por outro lado, poder-se-ia também argumentar que a inflação decorrente da adoção de uma nova moeda (&#8220;de pechisbeque&#8221;) seria concentrada no primeiro ano, nos seguintes a inflação baixaria, até porque o quadro recessivo certamente se iria manter.<br />
A tese de que a elevada emissão de moeda teria necessariamente como consequência uma inflação &#8220;estratosférica&#8221; é um postulado monetarista sem qualquer fundamento empírico. Se isto fosse verdade, todos os países ricos (incluindo a zona do euro), que sem excepção aumentaram consideravelmente o seu volume de emissão monetária, estariam agora mergulhados na inflação, quando na verdade a tendência é a oposta.</p>
<p>Podemos não concordar com a saída do euro, aliás a maioria da população não a deseja e poucos a defendem explicitamente, precisamente por ser uma posição impopular. Mas se ela porventura ocorrer certamente que não vai ser nenhum apocalipse.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-91362</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Dec 2012 16:18:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=68594#comment-91362</guid>

					<description><![CDATA[JT,
Não pretendo desviar a atenção dos leitores e sair do âmbito deste artigo. Mas a discussão acerca do efeito concorrencial dos baixos salários e a distinção entre a mera competitividade no mercado e a produtividade nos processos de produção interessa ao caso português, e mais ainda interessará se o país se precipitar para fora da zona euro. Por isso, talvez JT e outros leitores estejam interessados em dois artigos de uma série de oito, que em 2010 escrevi para este &lt;em&gt;site&lt;/em&gt;, acerca da crise económica mundial. Um desses dois artigos trata especificamente da China:
http://passapalavra.info/?p=28162 
E o outro, que importa mais directamente à questão em debate, aborda o aumento da produtividade nos países emergentes, incluindo a China: 
http://passapalavra.info/?p=28241]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JT,<br />
Não pretendo desviar a atenção dos leitores e sair do âmbito deste artigo. Mas a discussão acerca do efeito concorrencial dos baixos salários e a distinção entre a mera competitividade no mercado e a produtividade nos processos de produção interessa ao caso português, e mais ainda interessará se o país se precipitar para fora da zona euro. Por isso, talvez JT e outros leitores estejam interessados em dois artigos de uma série de oito, que em 2010 escrevi para este <em>site</em>, acerca da crise económica mundial. Um desses dois artigos trata especificamente da China:<br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=28162" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=28162</a><br />
E o outro, que importa mais directamente à questão em debate, aborda o aumento da produtividade nos países emergentes, incluindo a China:<br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=28241" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=28241</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: JT		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-91334</link>

		<dc:creator><![CDATA[JT]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Dec 2012 15:09:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=68594#comment-91334</guid>

					<description><![CDATA[A industrialização da China é um fenómeno matizado e sobre o qual me faltarão decerto conhecimentos mais aprofundados, mas, tipicamente, na «divisão internacional do trabalho» emergente, o que se desloca para aquilo que antigamente se denominava como o &quot;terceiro mundo&quot; (entre o capitalista e o bloco soviético) é a fase final do processo produtivo, nomeadamente a montagem de componentes pré-fabricados, frequentemente atribuida a empresas subcontratadas, com o trabalho «intensivo em tecnologia» a permanecer nas fábricas do ocidente. 

Dado que as empresas subcontratadas em questão dispoem de uma produtividade inferior à do ocidente, são apenas os baixos salários que as tornam atractivas, sendo o crescimento inevitável dos «custos unitários do trabalho», à medida que o movimento operário se estrutura e os salários sobem, um factor de preocupação para as multinacionais que para aí deslocam a produção. Isso, e a instabilidade politica, naturalmente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A industrialização da China é um fenómeno matizado e sobre o qual me faltarão decerto conhecimentos mais aprofundados, mas, tipicamente, na «divisão internacional do trabalho» emergente, o que se desloca para aquilo que antigamente se denominava como o &#8220;terceiro mundo&#8221; (entre o capitalista e o bloco soviético) é a fase final do processo produtivo, nomeadamente a montagem de componentes pré-fabricados, frequentemente atribuida a empresas subcontratadas, com o trabalho «intensivo em tecnologia» a permanecer nas fábricas do ocidente. </p>
<p>Dado que as empresas subcontratadas em questão dispoem de uma produtividade inferior à do ocidente, são apenas os baixos salários que as tornam atractivas, sendo o crescimento inevitável dos «custos unitários do trabalho», à medida que o movimento operário se estrutura e os salários sobem, um factor de preocupação para as multinacionais que para aí deslocam a produção. Isso, e a instabilidade politica, naturalmente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-91104</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2012 19:57:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Ricardo,

claro que eles congelariam os salários e até os bens de consumo corrente mas depois ocorreria uma explosão do mercado negro. Não por acaso o mercado negro foi uma constante muito forte na URSS, Cuba, etc. No caso mais recente da Venezuela alguns militantes do PCP rejubilaram com o facto do Chavez ter aumentado os salários em creio que 33% (título da notícia). Mas depois no texto vinha também que a inflação teria rondado os 31%... É deste tipo de inflação que teríamos se saíssemos do euro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Ricardo,</p>
<p>claro que eles congelariam os salários e até os bens de consumo corrente mas depois ocorreria uma explosão do mercado negro. Não por acaso o mercado negro foi uma constante muito forte na URSS, Cuba, etc. No caso mais recente da Venezuela alguns militantes do PCP rejubilaram com o facto do Chavez ter aumentado os salários em creio que 33% (título da notícia). Mas depois no texto vinha também que a inflação teria rondado os 31%&#8230; É deste tipo de inflação que teríamos se saíssemos do euro.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Ricardo Noronha		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/12/68594/#comment-91094</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Noronha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2012 18:58:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A actual contracção salarial é precisamente a alternativa a uma desvalorização da moeda, por isso é que é uma variável independente da inflacção, com o objectivo de adequar o consumo corrente à balança comercial e de pagamentos. 
Acho que o Octávio Teixeira concebe a coisa à moda antiga: desvaloriza-se a moeda e congelam-se os preços dos bens essenciais (nomeadamente a alimentação, a habitação e os transportes públicos). Os salários reais descem por isso a uma taxa inferior à da desvalorização cambial. O problema é que há muitas mais variáveis que ele não está a ter em conta (neste texto pelo menos).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A actual contracção salarial é precisamente a alternativa a uma desvalorização da moeda, por isso é que é uma variável independente da inflacção, com o objectivo de adequar o consumo corrente à balança comercial e de pagamentos.<br />
Acho que o Octávio Teixeira concebe a coisa à moda antiga: desvaloriza-se a moeda e congelam-se os preços dos bens essenciais (nomeadamente a alimentação, a habitação e os transportes públicos). Os salários reais descem por isso a uma taxa inferior à da desvalorização cambial. O problema é que há muitas mais variáveis que ele não está a ter em conta (neste texto pelo menos).</p>
]]></content:encoded>
		
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