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	Comentários sobre: Excerto de uma mensagem que não enviei	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-882553</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 08:23:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A edição portuguesa é:
Mikhail Bakunine, &lt;em&gt;Confissão. 1851&lt;/em&gt;, Lisboa: Arcádia, 1975.
Trata-se de uma tradução, devida a Elisa Teixeira Pinto, de uma edição das Presses Universitaires de France, de 1974. O especial interesse desta edição, tanto da versão original francesa como da tradução portuguesa, deve-se ao facto de conter um prefácio de Boris Souvarine, uma introdução de Fritz Brupbacher e notas de Max Nettlau.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A edição portuguesa é:<br />
Mikhail Bakunine, <em>Confissão. 1851</em>, Lisboa: Arcádia, 1975.<br />
Trata-se de uma tradução, devida a Elisa Teixeira Pinto, de uma edição das Presses Universitaires de France, de 1974. O especial interesse desta edição, tanto da versão original francesa como da tradução portuguesa, deve-se ao facto de conter um prefácio de Boris Souvarine, uma introdução de Fritz Brupbacher e notas de Max Nettlau.</p>
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		<title>
		Por: Emerson		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-882539</link>

		<dc:creator><![CDATA[Emerson]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 02:37:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alan, é possível ler um trecho da Confissão de Bakunin em português nessa coletânea:

https://www.nodo50.org/insurgentes/biblioteca/bakunin_por_bakunin_-_bakunin.pdf

Em inglês é possível ler a íntegra aqui:

https://archive.org/details/confessionofmikh0000baku]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alan, é possível ler um trecho da Confissão de Bakunin em português nessa coletânea:</p>
<p><a href="https://www.nodo50.org/insurgentes/biblioteca/bakunin_por_bakunin_-_bakunin.pdf" rel="nofollow ugc">https://www.nodo50.org/insurgentes/biblioteca/bakunin_por_bakunin_-_bakunin.pdf</a></p>
<p>Em inglês é possível ler a íntegra aqui:</p>
<p><a href="https://archive.org/details/confessionofmikh0000baku" rel="nofollow ugc">https://archive.org/details/confessionofmikh0000baku</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-882535</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 02:08:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá João, onde eu consigo acesso a esta carta do Bakunin ao czar? Tem em inglês ou espanhol? Não achei em português.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá João, onde eu consigo acesso a esta carta do Bakunin ao czar? Tem em inglês ou espanhol? Não achei em português.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: John		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-330777</link>

		<dc:creator><![CDATA[John]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Mar 2018 13:50:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho a impressão de que o boicote a Serge atravessou o século e ainda hoje é difícil encontrar um livro seu.
Memórias de um Revolucionário, livro fundamental a qualquer militante, inexiste nas livrarias brasileiras (apenas parcos exemplares em sebos virtuais a preços nada módicos) e mesmo pdf&#039;s não são fáceis de achar.

Anos de governos de esquerda, sindicatos multimilionários, editoras idem e Serge ainda assim é raro.

Será que suas ideias ainda incomodam???]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho a impressão de que o boicote a Serge atravessou o século e ainda hoje é difícil encontrar um livro seu.<br />
Memórias de um Revolucionário, livro fundamental a qualquer militante, inexiste nas livrarias brasileiras (apenas parcos exemplares em sebos virtuais a preços nada módicos) e mesmo pdf&#8217;s não são fáceis de achar.</p>
<p>Anos de governos de esquerda, sindicatos multimilionários, editoras idem e Serge ainda assim é raro.</p>
<p>Será que suas ideias ainda incomodam???</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Breno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-317414</link>

		<dc:creator><![CDATA[Breno]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jul 2017 22:22:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Belíssimo escrito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Belíssimo escrito.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-103210</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Feb 2013 08:55:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo (e demais),

Cheguei ao Gide através de você. Até hoje você foi a única pessoa que me perguntou se eu já havia lido Gide. Lembro-me que tal nome me soou tão estranho que fiquei em silêncio, demorei responder, você então escreveu o nome dele pra mim. Pronto! Estava indicado. Aproveito pra lhe agradecer a marcante indicação. 
Fui atrás e agora posso dividir aqui uma pequena informação: Les caves du Vatican saiu no Brasil traduzido como Os Subterrâneos do Vaticano, pela Abril, na primeira edição de 1971. Les nourritures terrestres saiu no Brasil junto com Les Nouvelles Nourritures, mas na capa só aparece o nome Os Frutos da Terra (Difusão Européia do Livro, 1966). Os interessados poderão ler a citação que você extraiu na página 119 desta edição de 1966. Acho que o Gide não tem sido muito lido no Brasil atualmente. Em 2011 eu comprei seis obras dele, todas em perfeito estado de conservação e quase sem manuseio algum, no sebo (alfarrabista em Portugal), por 55 reais. Preço tão baixo só com obras sem procura. 
Outra coisa que sempre me lembro ao ver o nome do Gide tem a ver com um fato insólito e também marcante. Quando, em 2011, eu saía do sebo carregando as seis obras do Gide, me deparei, na porta do sebo, com um gestor de um alto posto da empresa na qual eu trabalhava, nos cumprimentamos e rapidamente ele me pediu pra ver o que eu havia adquirido. Viu a capa de todos e se limitou a dizer: &quot;Hum... Andre Gide.&quot; Trocamos outras palavras quaisquer e logo nos despedimos. Não estávamos próximos na organização interna da empresa. Demorávamos a nos encontrar e isso quase nunca acontecia. Só que um dia ele tornou a me ver, já em 2012, e desta vez eu estava junto com mais uns 150 outros empregados reunidos, ele coordenando o encontro, um clima que misturava, por parte dos trabalhadores, vergonha, medo de demissão, desejo e necessidade de contestação, e eu reclamei a ele, com muita coerência, das condições de trabalho na empresa, horas extras não pagas e outras coisas. Fui ovacionado por muitos e outros tentaram abafar os aplausos com vaias. Ele ficou completamente perdido e voltou a repetir que todos podiam e deveriam reclamar à vontade e que isso não resultaria em demissões. Ninguém acreditou e nem reclamou mais nada. Resultado: fui demitido pelo presidente da empresa quinze dias após o fato. Lição: uma sacola cheia de Gide, um gestor que conhece Gide, mais uma fala de dissidente, é uma combinação letal pra ser demitido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo (e demais),</p>
<p>Cheguei ao Gide através de você. Até hoje você foi a única pessoa que me perguntou se eu já havia lido Gide. Lembro-me que tal nome me soou tão estranho que fiquei em silêncio, demorei responder, você então escreveu o nome dele pra mim. Pronto! Estava indicado. Aproveito pra lhe agradecer a marcante indicação.<br />
Fui atrás e agora posso dividir aqui uma pequena informação: Les caves du Vatican saiu no Brasil traduzido como Os Subterrâneos do Vaticano, pela Abril, na primeira edição de 1971. Les nourritures terrestres saiu no Brasil junto com Les Nouvelles Nourritures, mas na capa só aparece o nome Os Frutos da Terra (Difusão Européia do Livro, 1966). Os interessados poderão ler a citação que você extraiu na página 119 desta edição de 1966. Acho que o Gide não tem sido muito lido no Brasil atualmente. Em 2011 eu comprei seis obras dele, todas em perfeito estado de conservação e quase sem manuseio algum, no sebo (alfarrabista em Portugal), por 55 reais. Preço tão baixo só com obras sem procura.<br />
Outra coisa que sempre me lembro ao ver o nome do Gide tem a ver com um fato insólito e também marcante. Quando, em 2011, eu saía do sebo carregando as seis obras do Gide, me deparei, na porta do sebo, com um gestor de um alto posto da empresa na qual eu trabalhava, nos cumprimentamos e rapidamente ele me pediu pra ver o que eu havia adquirido. Viu a capa de todos e se limitou a dizer: &#8220;Hum&#8230; Andre Gide.&#8221; Trocamos outras palavras quaisquer e logo nos despedimos. Não estávamos próximos na organização interna da empresa. Demorávamos a nos encontrar e isso quase nunca acontecia. Só que um dia ele tornou a me ver, já em 2012, e desta vez eu estava junto com mais uns 150 outros empregados reunidos, ele coordenando o encontro, um clima que misturava, por parte dos trabalhadores, vergonha, medo de demissão, desejo e necessidade de contestação, e eu reclamei a ele, com muita coerência, das condições de trabalho na empresa, horas extras não pagas e outras coisas. Fui ovacionado por muitos e outros tentaram abafar os aplausos com vaias. Ele ficou completamente perdido e voltou a repetir que todos podiam e deveriam reclamar à vontade e que isso não resultaria em demissões. Ninguém acreditou e nem reclamou mais nada. Resultado: fui demitido pelo presidente da empresa quinze dias após o fato. Lição: uma sacola cheia de Gide, um gestor que conhece Gide, mais uma fala de dissidente, é uma combinação letal pra ser demitido.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-102750</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Feb 2013 18:12:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Paulo Luiz,
Sim, claro, esses. Mas acrescentaria &lt;em&gt;Les caves du Vatican&lt;/em&gt; e sobretudo &lt;em&gt;Les nourritures terrestres&lt;/em&gt;, não sei como está traduzido em português, de onde extraí a citação no artigo e que realmente me serviu de guia de moral quando entrei na adolescência. Que o orgulho e a vaidade são opostos, que a arrogância é uma dura conquista e qual o significado da liberdade — creio que foi sobretudo isso que aprendi com Gide. E a obrigação da coerência, também, porque não é fácil escrever &lt;em&gt;Si le grain ne meurt&lt;/em&gt;, que eu traduziria como &lt;em&gt;Se a Semente Não Morrer&lt;/em&gt;. No &lt;em&gt;Paludes&lt;/em&gt; o Gide põe um personagem que lhe pergunta por que motivo ele está a escrever aquele livro, e o Gide responde que se não fosse ele, ninguém o escreveria. É uma lição fundamental — aquilo que só nós somos capazes de fazer, temos obrigação de o fazer.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Paulo Luiz,<br />
Sim, claro, esses. Mas acrescentaria <em>Les caves du Vatican</em> e sobretudo <em>Les nourritures terrestres</em>, não sei como está traduzido em português, de onde extraí a citação no artigo e que realmente me serviu de guia de moral quando entrei na adolescência. Que o orgulho e a vaidade são opostos, que a arrogância é uma dura conquista e qual o significado da liberdade — creio que foi sobretudo isso que aprendi com Gide. E a obrigação da coerência, também, porque não é fácil escrever <em>Si le grain ne meurt</em>, que eu traduziria como <em>Se a Semente Não Morrer</em>. No <em>Paludes</em> o Gide põe um personagem que lhe pergunta por que motivo ele está a escrever aquele livro, e o Gide responde que se não fosse ele, ninguém o escreveria. É uma lição fundamental — aquilo que só nós somos capazes de fazer, temos obrigação de o fazer.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-102737</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Feb 2013 17:10:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo
Gide talvez seja toda sua obra, mas qual o livro de sua preferência? Miguel Serras Pereira gostaria de ver novamente publicado &quot;Os Moedeiros Falsos&quot;, &quot;Se o Grão Não Morre&quot; e os dois regressos da URSS. Concorda com estas indicações?
Abraço,
Paulo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo<br />
Gide talvez seja toda sua obra, mas qual o livro de sua preferência? Miguel Serras Pereira gostaria de ver novamente publicado &#8220;Os Moedeiros Falsos&#8221;, &#8220;Se o Grão Não Morre&#8221; e os dois regressos da URSS. Concorda com estas indicações?<br />
Abraço,<br />
Paulo</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-101414</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Feb 2013 22:30:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Paulo Luiz,
1) As teses do decrescimento a que me referi são essas que você menciona. Elas encontram agora uma certa audiência em Portugal, em meios que se pretendem de esquerda, e isto numa altura em que a troika e o governo implementam medidas que levam à queda do Produto Interno Bruto, com consequências muito gravosas para os trabalhadores. Ao menos as medidas oficiais apresentam-se como provisórias, enquanto os defensores do decrescimento pretendem tornar definitiva essa situação. Aquilo que sinto ao ver pessoas de esquerda, algumas que até uma data recente contava entre os meus amigos, defenderem o decrescimento, explica a maneira de redigir que Marcelo Torquetti observou num destes comentários. Mas não se trata de retórica nem de efeitos de estilo. Trata-se da indignação, do verdadeiro nojo que essa gente me inspira. E não vejo razão para não o extravasar.
2) O Miguel Serras Pereira, num blog de que é um dos mais constantes animadores, fez uma referência a este artigo, com um pedido convergente com o seu:
http://viasfacto.blogspot.com.br/2013/02/excerto-de-uma-mensagem-que-nao-enviei.html 
Para maior facilidade, transcrevo aqui dois extractos de uma mensagem que enviei ao Miguel: « É extraordinário como o Gide foi esquecido. Mas que mais posso te dizer dele, a tal ponto o incorporei em mim mesmo? Cheguei ao Dostoievsky através do Gide, que foi o primeiro doestoievskiano sério em França. Antes disso só havia lido o &lt;em&gt;Crime e Castigo&lt;/em&gt;, no começo da adolescência. Depois entendi como a moral do Gide era toda ela extraída do Dostoievsky, o que significa que tenho uma leitura estritamente gideana do Dostoievsky. A propósito, a editora da Usp publicou ao longo de anos uma biografia do Dostoievsky por Frank, numa boa tradução, para variar do hábito no Brasil, e essa biografia é um primor. [...] Mas, voltando ao Gide, não conseguiria trabalhar seriamente sobre ele sem incluir no estudo o Dostoievsky, o que seria um esforço grande demais. Se alguém me disser que tem um cancro e lhe resta um mês de vida e me perguntar o que deve ler, a minha resposta é &lt;em&gt;Os Irmãos Karamazov&lt;/em&gt;. Mas se o cancro for galopante e a pessoa só tiver três dias, então a minha resposta é &lt;em&gt;La Conspiration&lt;/em&gt;, do Paul Nizan. Acho que não é por acaso que na minha memória esse livro me deixa ecos de Gide».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Paulo Luiz,<br />
1) As teses do decrescimento a que me referi são essas que você menciona. Elas encontram agora uma certa audiência em Portugal, em meios que se pretendem de esquerda, e isto numa altura em que a troika e o governo implementam medidas que levam à queda do Produto Interno Bruto, com consequências muito gravosas para os trabalhadores. Ao menos as medidas oficiais apresentam-se como provisórias, enquanto os defensores do decrescimento pretendem tornar definitiva essa situação. Aquilo que sinto ao ver pessoas de esquerda, algumas que até uma data recente contava entre os meus amigos, defenderem o decrescimento, explica a maneira de redigir que Marcelo Torquetti observou num destes comentários. Mas não se trata de retórica nem de efeitos de estilo. Trata-se da indignação, do verdadeiro nojo que essa gente me inspira. E não vejo razão para não o extravasar.<br />
2) O Miguel Serras Pereira, num blog de que é um dos mais constantes animadores, fez uma referência a este artigo, com um pedido convergente com o seu:<br />
<a href="http://viasfacto.blogspot.com.br/2013/02/excerto-de-uma-mensagem-que-nao-enviei.html" rel="nofollow ugc">http://viasfacto.blogspot.com.br/2013/02/excerto-de-uma-mensagem-que-nao-enviei.html</a><br />
Para maior facilidade, transcrevo aqui dois extractos de uma mensagem que enviei ao Miguel: « É extraordinário como o Gide foi esquecido. Mas que mais posso te dizer dele, a tal ponto o incorporei em mim mesmo? Cheguei ao Dostoievsky através do Gide, que foi o primeiro doestoievskiano sério em França. Antes disso só havia lido o <em>Crime e Castigo</em>, no começo da adolescência. Depois entendi como a moral do Gide era toda ela extraída do Dostoievsky, o que significa que tenho uma leitura estritamente gideana do Dostoievsky. A propósito, a editora da Usp publicou ao longo de anos uma biografia do Dostoievsky por Frank, numa boa tradução, para variar do hábito no Brasil, e essa biografia é um primor. [&#8230;] Mas, voltando ao Gide, não conseguiria trabalhar seriamente sobre ele sem incluir no estudo o Dostoievsky, o que seria um esforço grande demais. Se alguém me disser que tem um cancro e lhe resta um mês de vida e me perguntar o que deve ler, a minha resposta é <em>Os Irmãos Karamazov</em>. Mas se o cancro for galopante e a pessoa só tiver três dias, então a minha resposta é <em>La Conspiration</em>, do Paul Nizan. Acho que não é por acaso que na minha memória esse livro me deixa ecos de Gide».</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72230/#comment-101379</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Feb 2013 21:12:46 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=72230#comment-101379</guid>

					<description><![CDATA[Prezado João Bernardo,
Obrigado por mais este texto.
Tomo a liberdade de solicitar-lhe um sobre André Gide, especialmente após seu retorno da viagem para a URSS.
Espero não ser abusado ao lhe colocar esta indagação: quando, num comentário acima, refere-se às &quot;ideologias do descrescimento&quot; está aludindo à suposta incompatibilidade entre crescimento e preservação dos recursos -supostamente finitos - do planeta?
Abraço,
Paulo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado João Bernardo,<br />
Obrigado por mais este texto.<br />
Tomo a liberdade de solicitar-lhe um sobre André Gide, especialmente após seu retorno da viagem para a URSS.<br />
Espero não ser abusado ao lhe colocar esta indagação: quando, num comentário acima, refere-se às &#8220;ideologias do descrescimento&#8221; está aludindo à suposta incompatibilidade entre crescimento e preservação dos recursos -supostamente finitos &#8211; do planeta?<br />
Abraço,<br />
Paulo</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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