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	Comentários sobre: Os teatros do tempo político. II: dez notas sobre a fascização como potencialidade	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-125819</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2013 17:44:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Epígonos, viúvas e órfãos mais ou menos inconsoláveis do leninismo são incansáveis quando se trata de repetir a ladainha nacionalista e classecolaboracionista do sovadíssimo realismo político bolchevique.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Epígonos, viúvas e órfãos mais ou menos inconsoláveis do leninismo são incansáveis quando se trata de repetir a ladainha nacionalista e classecolaboracionista do sovadíssimo realismo político bolchevique.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alexandre Reigada		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-125810</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Reigada]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2013 15:07:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O inimigo do PNR não é o PCP, mas sim PSD, PS e CDS. Os Nacionalistas têm que admitir que, ambos, Salazar e Álvaro Cunhal também erraram e unir-se para lá da ideologia e para bem de Portugal. 

Os grandes inimigos dos comunistas no Estado Novo foram os caciques locais e os latifundiários, dos quais descendem esta &quot;gente bem&quot; que faz tudo muito mal.

Sou nacionalista e tenho profunda admiração por Jerónimo de Sousa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O inimigo do PNR não é o PCP, mas sim PSD, PS e CDS. Os Nacionalistas têm que admitir que, ambos, Salazar e Álvaro Cunhal também erraram e unir-se para lá da ideologia e para bem de Portugal. </p>
<p>Os grandes inimigos dos comunistas no Estado Novo foram os caciques locais e os latifundiários, dos quais descendem esta &#8220;gente bem&#8221; que faz tudo muito mal.</p>
<p>Sou nacionalista e tenho profunda admiração por Jerónimo de Sousa.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109405</link>

		<dc:creator><![CDATA[João.]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Mar 2013 00:15:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo,

Eu estou a dizer uma coisa muito simples: a maioria das pessoas, eu incluído, não mostra inclinação alguma para abdicar da ideia de ter um país independente, um país que se diga o seu/meu país. Se há meia-duzia de líricos que acham isto uma patetice o problema é deles. Digo portanto que o risco de atropelar esta inclinação maciça pela ideia de se pertencer a um país é o do surgimento da extrema-direita e digo, portanto, que o desafio da esquerda não é deslizar para o lirismo mas tentar encontrar em conjunto com as inclinações indeléveis do povo um campo para as suas propostas.

Depois você anda a falar da catástrofe do peronismo mas uma catástrofe mais urgente é o que está a acontecer a Portugal com o patrocínio das políticas de integração europeia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,</p>
<p>Eu estou a dizer uma coisa muito simples: a maioria das pessoas, eu incluído, não mostra inclinação alguma para abdicar da ideia de ter um país independente, um país que se diga o seu/meu país. Se há meia-duzia de líricos que acham isto uma patetice o problema é deles. Digo portanto que o risco de atropelar esta inclinação maciça pela ideia de se pertencer a um país é o do surgimento da extrema-direita e digo, portanto, que o desafio da esquerda não é deslizar para o lirismo mas tentar encontrar em conjunto com as inclinações indeléveis do povo um campo para as suas propostas.</p>
<p>Depois você anda a falar da catástrofe do peronismo mas uma catástrofe mais urgente é o que está a acontecer a Portugal com o patrocínio das políticas de integração europeia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109386</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 21:54:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,
Os resultados de raciocínios como o seu têm sido catastróficos, e não se trata aqui de especulações mas de factos históricos. Na década de 1920 e nos primeiros anos da década seguinte o Partido Comunista alemão pretendeu ultrapassar os nazis no campo do nacionalismo, e foi o que se viu. Na Itália sucedeu o mesmo nos anos precedentes à tomada do poder por Mussolini, com a honrosa excepção dos &lt;em&gt;Arditi del Popolo&lt;/em&gt;, e viram-se as consequências. Neste momento está em curso de publicação no &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; uma série de dois artigos meus sobre o peronismo, onde pretendo mostrar os efeitos trágicos que a conversão do peronismo num sindicalismo acarretou para a classe trabalhadora argentina, até hoje. 
Não é fundando capitalismos de Estado que se acaba com o capitalismo. Qual o sentido de nos dizermos anticapitalistas se abdicamos do internacionalismo? Se não aceitarmos ser minoritários em momentos como este e se não conseguirmos criar condições para lutar a partir desta posição minoritária, então podemos pôr as botas de lado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
Os resultados de raciocínios como o seu têm sido catastróficos, e não se trata aqui de especulações mas de factos históricos. Na década de 1920 e nos primeiros anos da década seguinte o Partido Comunista alemão pretendeu ultrapassar os nazis no campo do nacionalismo, e foi o que se viu. Na Itália sucedeu o mesmo nos anos precedentes à tomada do poder por Mussolini, com a honrosa excepção dos <em>Arditi del Popolo</em>, e viram-se as consequências. Neste momento está em curso de publicação no <em>Passa Palavra</em> uma série de dois artigos meus sobre o peronismo, onde pretendo mostrar os efeitos trágicos que a conversão do peronismo num sindicalismo acarretou para a classe trabalhadora argentina, até hoje.<br />
Não é fundando capitalismos de Estado que se acaba com o capitalismo. Qual o sentido de nos dizermos anticapitalistas se abdicamos do internacionalismo? Se não aceitarmos ser minoritários em momentos como este e se não conseguirmos criar condições para lutar a partir desta posição minoritária, então podemos pôr as botas de lado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109384</link>

		<dc:creator><![CDATA[João.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 21:34:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo,

&quot;Ora, o «reforço de partidos de extrema-direita», que você evoca, tem ocorrido não a favor do euro mas contra o euro, contra o federalismo europeu e em defesa das soberanias nacionais.&quot;

Mas é isto que eu estou a dizer, que apesar dos sinais de que a integração europeia quanto mais profunda mais reforça os nacionalismos a proposta sua e do passa palavra é mais integração europeia. O que eu digo é que isto pode levar a maior reforço da extrema direita. Se cada vez mais pessoas querem mais soberania nacional, menos soberania nacional só poderá ser feita contra a vontade delas e se a maioria absoluta dos povos defender a ideia de soberania nacional a defesa do seu fim só poderá ser feita contra esta maioria absoluta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,</p>
<p>&#8220;Ora, o «reforço de partidos de extrema-direita», que você evoca, tem ocorrido não a favor do euro mas contra o euro, contra o federalismo europeu e em defesa das soberanias nacionais.&#8221;</p>
<p>Mas é isto que eu estou a dizer, que apesar dos sinais de que a integração europeia quanto mais profunda mais reforça os nacionalismos a proposta sua e do passa palavra é mais integração europeia. O que eu digo é que isto pode levar a maior reforço da extrema direita. Se cada vez mais pessoas querem mais soberania nacional, menos soberania nacional só poderá ser feita contra a vontade delas e se a maioria absoluta dos povos defender a ideia de soberania nacional a defesa do seu fim só poderá ser feita contra esta maioria absoluta.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109382</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 21:27:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,
Mas é precisamente esse o problema em causa. No seu penúltimo comentário você escreveu que «as classes trabalhadoras poderão ser as primeiras a defender a ideia de soberania nacional, de soberania política e económica do país» e acrescentou que «é com o reforço de votos das classes trabalhadoras urbanas que se explicam os recentes &quot;sucessos&quot; eleitorais da Frente Nacional francesa». Infelizmente são sucessos mesmo, sem aspas. Ignoro-o tão pouco que tenho defendido em livros e artigos que sempre que o nacionalismo se funde com o movimento operário estão criadas as bases para o desenvolvimento do fascismo. Ora, o «reforço de partidos de extrema-direita», que você evoca, tem ocorrido não a favor do euro mas contra o euro, contra o federalismo europeu e em defesa das soberanias nacionais. Ou seja, tem sido convergente com o rumo apontado em Portugal não só pelo Partido Comunista como por outros sectores da esquerda, alguns dentro do Bloco e outros na esquerda não organizada partidariamente. É esta convergência que nos preocupa.
Por outro lado, há perigos no movimento de integração europeia, como não podia deixar de haver onde existe luta de classes. O que temos defendido no &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; é que a classe trabalhadora terá condições de luta mais propícias num quadro de internacionalização capitalista do que num quadro de nacionalismo circunscrito pelo capitalismo de Estado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
Mas é precisamente esse o problema em causa. No seu penúltimo comentário você escreveu que «as classes trabalhadoras poderão ser as primeiras a defender a ideia de soberania nacional, de soberania política e económica do país» e acrescentou que «é com o reforço de votos das classes trabalhadoras urbanas que se explicam os recentes &#8220;sucessos&#8221; eleitorais da Frente Nacional francesa». Infelizmente são sucessos mesmo, sem aspas. Ignoro-o tão pouco que tenho defendido em livros e artigos que sempre que o nacionalismo se funde com o movimento operário estão criadas as bases para o desenvolvimento do fascismo. Ora, o «reforço de partidos de extrema-direita», que você evoca, tem ocorrido não a favor do euro mas contra o euro, contra o federalismo europeu e em defesa das soberanias nacionais. Ou seja, tem sido convergente com o rumo apontado em Portugal não só pelo Partido Comunista como por outros sectores da esquerda, alguns dentro do Bloco e outros na esquerda não organizada partidariamente. É esta convergência que nos preocupa.<br />
Por outro lado, há perigos no movimento de integração europeia, como não podia deixar de haver onde existe luta de classes. O que temos defendido no <em>Passa Palavra</em> é que a classe trabalhadora terá condições de luta mais propícias num quadro de internacionalização capitalista do que num quadro de nacionalismo circunscrito pelo capitalismo de Estado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109379</link>

		<dc:creator><![CDATA[João.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 21:07:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo, o último link que você me recomenda fala dos perigos do nacionalismo fora da moeda única e do federalismo mas nada diz sobre os perigos do nacionalismo dentro da moeda única e do federalismo - parece esquecer que temos assistido a uma renovação do reforço de partidos de extrema-direita precisamente no movimento de desenvolvimento da integração europeia. Ou você nega isto?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, o último link que você me recomenda fala dos perigos do nacionalismo fora da moeda única e do federalismo mas nada diz sobre os perigos do nacionalismo dentro da moeda única e do federalismo &#8211; parece esquecer que temos assistido a uma renovação do reforço de partidos de extrema-direita precisamente no movimento de desenvolvimento da integração europeia. Ou você nega isto?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109364</link>

		<dc:creator><![CDATA[João.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 19:44:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O JVA esquece que as classes trabalhadoras poderão ser as primeiras a defender a ideia de soberania nacional, de soberania política e económica do país. Porventura ignora também que é com o reforço de votos das classes trabalhadoras urbanas que se explicam os recentes &quot;sucessos&quot; eleitorais da Frente Nacional francesa.

Você diz que eu não falei em capitalistas. Que interessa falar em capitalistas sem estabelecer primeiro o campo de onde essa fala pode ocorrer? O seu campo é um suposto mundo sem países mas esse mundo já é o suposto para o capitalismo - o capitalismo hoje em dia já não tem fronteiras. A sua ideia de abolir as fronteiras portanto é redundante com a própria dinâmica capitalista actual. Por isso eu insisto que você é um homem da situação, um radical que expremido nada tem a oferecer senão o que já está em curso.

Você tenta tornear isto com a ideia de uma luta global dos trabalhadores contra o capital, uma luta sem fronteiras - pois bem, como é que se organiza essa luta sem uma estrutura centralizada a nível mundial ou europeu - e como podem os trabalhadores portugueses participar nessa estrutura senão através de organizações suas que procurem fazer representar os seus interesses concretos dentro dessa luta mais global? Ou você pensa que não existem contradições dentro da própria classe de trabalhadores a nível global? É que os termos destas contradições nem são assim tão complicados: os trabalhadores têm famílias, têm filhos, esposas e maridos, pais e mães, amigos e amigas e portanto é mais que previsível que estes mais próximos lhes serão mais queridos do que outros mais distantes e que, portanto, é de considerar conflitos entre organizações de trabalhadores de países diferentes por vantagens para os seus, incluindo os que falam a mesma língua e vivem no mesmo país. Acho incrível que você não considere estes dados tão simples como evidentes.

A minha tese, portanto, é que não vale a pena ir para uma mesa de negociações entre organizações internacionais de trabalhadores sem considerar o factor nacional. Até porque rapidamente ficariam expostas às críticas de extrema-direita e possivelmente a conflitos civís entre trabalhadores. 

Por isso eu penso que só dentro da esfera das soberanias nacionais é possível construir acordos internacionais entre trabalhadores que não venham a oferecer argumentos para a extrema-direita e para o avanço dos nacionalismos.

E já agora, a saída do euro não é algo que o PCP defende simplesmente - defende sim que essa hipótese possa vir a ser colocada ao povo português. É interessante que você não fale da entrada do euro em Portugal sem qualquer consulta popular que abordasse esse tema explicitamente; e que eu saiba o euro não apareceu de um conjunto de governos proletários europeus mas de governos capitalistas - ou seja, o euro é uma ideia do capitalismo europeu; mas você já deve estar esquecido disto. E mais, toda a UE é uma ideia do capitalismo europeu. Portanto parece-me risível que você me critique por não falar contra os capitalistas quando é você que defende a expansão das instituições criadas pelo capitalismo europeu.

E esteja descansado que se o capitalismo europeu considerar que o federalismo europeu é o que melhor serve os seus interesses que logo o federalismo surgirá.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O JVA esquece que as classes trabalhadoras poderão ser as primeiras a defender a ideia de soberania nacional, de soberania política e económica do país. Porventura ignora também que é com o reforço de votos das classes trabalhadoras urbanas que se explicam os recentes &#8220;sucessos&#8221; eleitorais da Frente Nacional francesa.</p>
<p>Você diz que eu não falei em capitalistas. Que interessa falar em capitalistas sem estabelecer primeiro o campo de onde essa fala pode ocorrer? O seu campo é um suposto mundo sem países mas esse mundo já é o suposto para o capitalismo &#8211; o capitalismo hoje em dia já não tem fronteiras. A sua ideia de abolir as fronteiras portanto é redundante com a própria dinâmica capitalista actual. Por isso eu insisto que você é um homem da situação, um radical que expremido nada tem a oferecer senão o que já está em curso.</p>
<p>Você tenta tornear isto com a ideia de uma luta global dos trabalhadores contra o capital, uma luta sem fronteiras &#8211; pois bem, como é que se organiza essa luta sem uma estrutura centralizada a nível mundial ou europeu &#8211; e como podem os trabalhadores portugueses participar nessa estrutura senão através de organizações suas que procurem fazer representar os seus interesses concretos dentro dessa luta mais global? Ou você pensa que não existem contradições dentro da própria classe de trabalhadores a nível global? É que os termos destas contradições nem são assim tão complicados: os trabalhadores têm famílias, têm filhos, esposas e maridos, pais e mães, amigos e amigas e portanto é mais que previsível que estes mais próximos lhes serão mais queridos do que outros mais distantes e que, portanto, é de considerar conflitos entre organizações de trabalhadores de países diferentes por vantagens para os seus, incluindo os que falam a mesma língua e vivem no mesmo país. Acho incrível que você não considere estes dados tão simples como evidentes.</p>
<p>A minha tese, portanto, é que não vale a pena ir para uma mesa de negociações entre organizações internacionais de trabalhadores sem considerar o factor nacional. Até porque rapidamente ficariam expostas às críticas de extrema-direita e possivelmente a conflitos civís entre trabalhadores. </p>
<p>Por isso eu penso que só dentro da esfera das soberanias nacionais é possível construir acordos internacionais entre trabalhadores que não venham a oferecer argumentos para a extrema-direita e para o avanço dos nacionalismos.</p>
<p>E já agora, a saída do euro não é algo que o PCP defende simplesmente &#8211; defende sim que essa hipótese possa vir a ser colocada ao povo português. É interessante que você não fale da entrada do euro em Portugal sem qualquer consulta popular que abordasse esse tema explicitamente; e que eu saiba o euro não apareceu de um conjunto de governos proletários europeus mas de governos capitalistas &#8211; ou seja, o euro é uma ideia do capitalismo europeu; mas você já deve estar esquecido disto. E mais, toda a UE é uma ideia do capitalismo europeu. Portanto parece-me risível que você me critique por não falar contra os capitalistas quando é você que defende a expansão das instituições criadas pelo capitalismo europeu.</p>
<p>E esteja descansado que se o capitalismo europeu considerar que o federalismo europeu é o que melhor serve os seus interesses que logo o federalismo surgirá.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109357</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 19:17:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A crítica de João a este artigo de João Valente Aguiar parece-me improcedente. Não se trata do que os partidos prometem, porque nos sistemas parlamentares todos eles abundam em promessas, mas daquilo que podem fazer. Ora, vários artigos publicados no &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; mostraram o carácter irrealista dessas promessas no caso de Portugal abandonar a zona euro. Destaco os seguintes artigos:
http://passapalavra.info/?p=65637 
http://passapalavra.info/?p=67796 
http://passapalavra.info/?p=67887 
http://passapalavra.info/?p=69495 
Há outros, porque tem sido este um dos assuntos mais repetidamente tratados na secção portuguesa do &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt;, mas para começar julgo que estes bastam.
É certo que o Partido Comunista Português não propõe a repressão aos imigrantes nem a sua expulsão — o autor do comentário menciona «emigrantes», mas é certamente um lapso — e pode imaginar-se que comunistas nunca fariam uma coisa dessas. Mas as certezas ficam menos firmes se nos lembrarmos de que em França foi o Partido Comunista o primeiro a destruir pela violência uma residência de imigrantes num município predominantemente operário na periferia de Paris, com o argumento cínico de que eles fossem para as &lt;em&gt;mairies&lt;/em&gt; de municípios habitados por ricos, que tinham mais dinheiro para os acolher. A passagem de uma grande parte do eleitorado comunista para o Front National tem raízes antigas, e em história as análises e previsões devem basear-se no conhecimento dos factos e não em desejos e intenções.
Quanto às acusações infundamentadas feitas à orientação política defendida pelo &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt;, sugiro a leitura deste artigo
http://passapalavra.info/?p=69300 
É melhor criticar-se o que escrevemos do que aquilo que convém aos leitores imaginar que pensamos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crítica de João a este artigo de João Valente Aguiar parece-me improcedente. Não se trata do que os partidos prometem, porque nos sistemas parlamentares todos eles abundam em promessas, mas daquilo que podem fazer. Ora, vários artigos publicados no <em>Passa Palavra</em> mostraram o carácter irrealista dessas promessas no caso de Portugal abandonar a zona euro. Destaco os seguintes artigos:<br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=65637" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=65637</a><br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=67796" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=67796</a><br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=67887" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=67887</a><br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=69495" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=69495</a><br />
Há outros, porque tem sido este um dos assuntos mais repetidamente tratados na secção portuguesa do <em>Passa Palavra</em>, mas para começar julgo que estes bastam.<br />
É certo que o Partido Comunista Português não propõe a repressão aos imigrantes nem a sua expulsão — o autor do comentário menciona «emigrantes», mas é certamente um lapso — e pode imaginar-se que comunistas nunca fariam uma coisa dessas. Mas as certezas ficam menos firmes se nos lembrarmos de que em França foi o Partido Comunista o primeiro a destruir pela violência uma residência de imigrantes num município predominantemente operário na periferia de Paris, com o argumento cínico de que eles fossem para as <em>mairies</em> de municípios habitados por ricos, que tinham mais dinheiro para os acolher. A passagem de uma grande parte do eleitorado comunista para o Front National tem raízes antigas, e em história as análises e previsões devem basear-se no conhecimento dos factos e não em desejos e intenções.<br />
Quanto às acusações infundamentadas feitas à orientação política defendida pelo <em>Passa Palavra</em>, sugiro a leitura deste artigo<br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=69300" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=69300</a><br />
É melhor criticar-se o que escrevemos do que aquilo que convém aos leitores imaginar que pensamos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/02/72738/#comment-109351</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 18:32:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O comentário anterior demonstra como o autor raciocina puramente em termos do confronto entre nações. é só atentar no número de vezes que o autor fala em &quot;nações&quot;, &quot;Alemanha&quot;, &quot;soberania nacional&quot;, &quot;vida de Portugal&quot;, &quot;países mais ricos&quot;, etc. e nunca fala em capitalistas. Por outro lado, o autor prefere confundir soberania nacional com o poder dos trabalhadores o que não apenas projecta o paradigma político burguês que esteve na base dos processos eleitorais clássicos dos últimos 200 anos, como, pior ainda, numa altura em que o capitalismo é mais transnacional do que nunca, o comentador prefere contrapor o capitalismo nacional ao transnacional. Ou seja, preferindo o proteccionismo aos mecanismos mais dinâmicos e modernizadores do capitalismo. Preferindo esquecer as abordagens do próprio Marx em que este sempre preferia, dentro do quadro capitalista, o livre-cambismo ao proteccionismo.

Depois o comentador aborda a questão de o PCP não ser nacionalista na mesma linha da extrema-direita. Claro que os nacionalismos à esquerda e à direita são diferentes. Mas o que os distingue é, num contexto de crise do euro, secundário face ao que têm em comum. A saber, a edificação da nação como refúgio ao capital financeiro &quot;parasitário&quot;, como se na nação, mais ainda no caso de uma saída do euro, não se reforçasse uma hierarquia de classe assente em princípios ainda mais arcaicos... Como se, na nação que ambos os nacionalismos convergem, deixassem de existir classes. E pior, fomentando um sentimento de agregação ideológica entre sectores das classes dominantes e a classe trabalhadora. A federalização da UE tem imensos defeitos e imensos problemas para os trabalhadores. Mas 1) não só terá consequências económicas menores para os trabalhadores (apesar de, por si só, já serem devastadoras o suficiente) do que uma saída do euro (vd. http://passapalavra.info/?p=68664); 2) como politicamente colocará mais facilmente em cima da mesa os ataques transversais que os trabalhadores europeus têm sofrido - portanto, dando um escopo internacional às reivindicações dos trabalhadores em todo o continente - e, ao mesmo tempo, diluindo os sentimentos nacionais e nacionalistas que têm percorrido a Europa.

É isso o nacionalismo: enquanto o comentador João coloca &quot;a vida de Portugal&quot; (interessante esta atribuição de vida a uma entidade territorial e política como se de um organismo se tratasse...) contra a invasão dos &quot;países ricos&quot;, a esquerda deverá colocar a questão dos trabalhadores (no caso, de toda a europa) em antagonismo com as classes exploradoras de toda a Europa. Enquanto o primeiro coloca a tónica numa luta entre nações (ponto de contacto entre todos os nacionalismos), a segunda perspectiva coloca a solidariedade internacional dos trabalhadores em primeiro plano. Que a esmagadora maioria da esquerda tenha derivado para a primeira perspectiva, isso só demonstra o sucesso que as classes dominantes têm tido. Enquanto os capitalistas aumentam o seu poder e a sua capacidade de actuação se expande em todas as escalas territoriais, a esquerda quer acantonar os trabalhadores na nação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comentário anterior demonstra como o autor raciocina puramente em termos do confronto entre nações. é só atentar no número de vezes que o autor fala em &#8220;nações&#8221;, &#8220;Alemanha&#8221;, &#8220;soberania nacional&#8221;, &#8220;vida de Portugal&#8221;, &#8220;países mais ricos&#8221;, etc. e nunca fala em capitalistas. Por outro lado, o autor prefere confundir soberania nacional com o poder dos trabalhadores o que não apenas projecta o paradigma político burguês que esteve na base dos processos eleitorais clássicos dos últimos 200 anos, como, pior ainda, numa altura em que o capitalismo é mais transnacional do que nunca, o comentador prefere contrapor o capitalismo nacional ao transnacional. Ou seja, preferindo o proteccionismo aos mecanismos mais dinâmicos e modernizadores do capitalismo. Preferindo esquecer as abordagens do próprio Marx em que este sempre preferia, dentro do quadro capitalista, o livre-cambismo ao proteccionismo.</p>
<p>Depois o comentador aborda a questão de o PCP não ser nacionalista na mesma linha da extrema-direita. Claro que os nacionalismos à esquerda e à direita são diferentes. Mas o que os distingue é, num contexto de crise do euro, secundário face ao que têm em comum. A saber, a edificação da nação como refúgio ao capital financeiro &#8220;parasitário&#8221;, como se na nação, mais ainda no caso de uma saída do euro, não se reforçasse uma hierarquia de classe assente em princípios ainda mais arcaicos&#8230; Como se, na nação que ambos os nacionalismos convergem, deixassem de existir classes. E pior, fomentando um sentimento de agregação ideológica entre sectores das classes dominantes e a classe trabalhadora. A federalização da UE tem imensos defeitos e imensos problemas para os trabalhadores. Mas 1) não só terá consequências económicas menores para os trabalhadores (apesar de, por si só, já serem devastadoras o suficiente) do que uma saída do euro (vd. <a href="http://passapalavra.info/?p=68664" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=68664</a>); 2) como politicamente colocará mais facilmente em cima da mesa os ataques transversais que os trabalhadores europeus têm sofrido &#8211; portanto, dando um escopo internacional às reivindicações dos trabalhadores em todo o continente &#8211; e, ao mesmo tempo, diluindo os sentimentos nacionais e nacionalistas que têm percorrido a Europa.</p>
<p>É isso o nacionalismo: enquanto o comentador João coloca &#8220;a vida de Portugal&#8221; (interessante esta atribuição de vida a uma entidade territorial e política como se de um organismo se tratasse&#8230;) contra a invasão dos &#8220;países ricos&#8221;, a esquerda deverá colocar a questão dos trabalhadores (no caso, de toda a europa) em antagonismo com as classes exploradoras de toda a Europa. Enquanto o primeiro coloca a tónica numa luta entre nações (ponto de contacto entre todos os nacionalismos), a segunda perspectiva coloca a solidariedade internacional dos trabalhadores em primeiro plano. Que a esmagadora maioria da esquerda tenha derivado para a primeira perspectiva, isso só demonstra o sucesso que as classes dominantes têm tido. Enquanto os capitalistas aumentam o seu poder e a sua capacidade de actuação se expande em todas as escalas territoriais, a esquerda quer acantonar os trabalhadores na nação.</p>
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