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	Comentários sobre: Dois feminismos: um que inclui e outro que exclui	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Elena Ferrante		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-817250</link>

		<dc:creator><![CDATA[Elena Ferrante]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Dec 2021 15:47:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E esse escavar exasperava as mais frágeis, que mal suportavam o excesso de autorreflexão e consideravam que, para tomar o caminho da liberdade, bastava simplesmente excluir os homens. Eram tempos agitados, movidos em onda. Muitas de nós temiam o retorno à calmaria plana e mantinham-se na crista, agarrando-se a fórmulas extremas e olhando para baixo com medo e com raiva. Quando se soube que o serviço de segurança da Lotta Continua havia atacado uma passeata separatista de mulheres, os ânimos se acirraram a tal ponto que, se alguma das mais radicais descobria que Mariarosa tinha um homem em casa - algo que ela não declarava, mas tampouco escondia - , a discussão se tornava feroz, e a rupturas, dramáticas.

(do meu livro &#039;História de quem foge e de quem fica&#039;, publicado no Brasil pela editora Azul, p. 347 - o trecho acima do romance se passa na Itália em 1976)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E esse escavar exasperava as mais frágeis, que mal suportavam o excesso de autorreflexão e consideravam que, para tomar o caminho da liberdade, bastava simplesmente excluir os homens. Eram tempos agitados, movidos em onda. Muitas de nós temiam o retorno à calmaria plana e mantinham-se na crista, agarrando-se a fórmulas extremas e olhando para baixo com medo e com raiva. Quando se soube que o serviço de segurança da Lotta Continua havia atacado uma passeata separatista de mulheres, os ânimos se acirraram a tal ponto que, se alguma das mais radicais descobria que Mariarosa tinha um homem em casa &#8211; algo que ela não declarava, mas tampouco escondia &#8211; , a discussão se tornava feroz, e a rupturas, dramáticas.</p>
<p>(do meu livro &#8216;História de quem foge e de quem fica&#8217;, publicado no Brasil pela editora Azul, p. 347 &#8211; o trecho acima do romance se passa na Itália em 1976)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Simone		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-311356</link>

		<dc:creator><![CDATA[Simone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2016 18:16:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[B,

a editora Expressão Popular publicou um texto da Heleieth Saffioti, intitulado &quot;Gênero, Patriarcado e Violência&quot; (2015), no qual ela aborda brevemente o conceito polissêmico de patriarcado, baseado nas reflexões de Carole Pateman e Allan Jonhson. Como a abordagem do conceito recai sobre o tema da família e da divisão sexual do trabalho, pode ser que &quot;A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado&quot; de Engels dê algum elemento que possa inspirar a sua investigação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>B,</p>
<p>a editora Expressão Popular publicou um texto da Heleieth Saffioti, intitulado &#8220;Gênero, Patriarcado e Violência&#8221; (2015), no qual ela aborda brevemente o conceito polissêmico de patriarcado, baseado nas reflexões de Carole Pateman e Allan Jonhson. Como a abordagem do conceito recai sobre o tema da família e da divisão sexual do trabalho, pode ser que &#8220;A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado&#8221; de Engels dê algum elemento que possa inspirar a sua investigação.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: B.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-311353</link>

		<dc:creator><![CDATA[B.]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2016 15:47:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Camaradas do PP e comentadores\as,

Há alguma obra de referência, além do texto da Saffioti, com o debate sobre machismo e capitalismo? A respeito dos estudos históricos sobre patriarcado (ou sua inexsitência), alguma indicação?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Camaradas do PP e comentadores\as,</p>
<p>Há alguma obra de referência, além do texto da Saffioti, com o debate sobre machismo e capitalismo? A respeito dos estudos históricos sobre patriarcado (ou sua inexsitência), alguma indicação?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-273706</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jan 2015 17:12:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um sim, um não; uma linha reta, uma meta: COMUNIDADE HUMANA MUNDIAL!
Associação dos produtores livres e Iguais: homulheres &#038; mulhomens, transdivíduos plen*s em sua estidade-singularidade, qualquer que seja o gênero preferência opção etc. de saúde-alegria.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um sim, um não; uma linha reta, uma meta: COMUNIDADE HUMANA MUNDIAL!<br />
Associação dos produtores livres e Iguais: homulheres &amp; mulhomens, transdivíduos plen*s em sua estidade-singularidade, qualquer que seja o gênero preferência opção etc. de saúde-alegria.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Violentado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-272800</link>

		<dc:creator><![CDATA[Violentado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2014 14:12:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá pessoas, 
me senti muito acolhido por ler esse texto indicado por um amigo que se sensibilizou com o escracho que sofri por um grupo de feministas radicais que passou a me hostilizar, inclusive escrevendo uma carta de repúdio a minha pessoa, simplesmente porque discordei da premissa universalista/ essencialista de que todo homem é machista porque nasce em uma sociedade machista. Quando questionei se todo hetero seria homofóbico e todo branco racista porque nasce em uma sociedade assim, passei a ser hostilizado e agredido por um grupo inteiro, inclusive por homens. No meu modesto entendimento, esse tipo de conduta em movimentos de esquerda e, sobretudo, movimentos libertários é algo surreal porque mantém toda uma racionalidade punitivista, policialesca, vitimizadora e fascista porque nega qualquer possibilidade de diálogo. Se condena antes mesmo de julgar. Fui transformado em um monstro. Além disso, essa conduta do escracho é algo contraditório com a tradição abolicionista penal da qual me filio. O grande risco desse tipo de conduta nesses movimentos que militam em nome da liberdade é que paulatinamente tem transformado suas teorias em doutrinas, suas verdades em dogmas e suas bandeiras em religião, operando da mesma maneira que essas instituições que combatem, hostilizando, violentando, se vitimizando, culpando agredindo, criando monstros, enfim, matando!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá pessoas,<br />
me senti muito acolhido por ler esse texto indicado por um amigo que se sensibilizou com o escracho que sofri por um grupo de feministas radicais que passou a me hostilizar, inclusive escrevendo uma carta de repúdio a minha pessoa, simplesmente porque discordei da premissa universalista/ essencialista de que todo homem é machista porque nasce em uma sociedade machista. Quando questionei se todo hetero seria homofóbico e todo branco racista porque nasce em uma sociedade assim, passei a ser hostilizado e agredido por um grupo inteiro, inclusive por homens. No meu modesto entendimento, esse tipo de conduta em movimentos de esquerda e, sobretudo, movimentos libertários é algo surreal porque mantém toda uma racionalidade punitivista, policialesca, vitimizadora e fascista porque nega qualquer possibilidade de diálogo. Se condena antes mesmo de julgar. Fui transformado em um monstro. Além disso, essa conduta do escracho é algo contraditório com a tradição abolicionista penal da qual me filio. O grande risco desse tipo de conduta nesses movimentos que militam em nome da liberdade é que paulatinamente tem transformado suas teorias em doutrinas, suas verdades em dogmas e suas bandeiras em religião, operando da mesma maneira que essas instituições que combatem, hostilizando, violentando, se vitimizando, culpando agredindo, criando monstros, enfim, matando!!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fran		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-269047</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fran]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2014 22:18:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=76480#comment-269047</guid>

					<description><![CDATA[Cara MariaMariaMaria,

Tudo bem?

Seguinte: na minha humilde opinião, um site que nesta semana publicou um texto como o quê segue abaixo não pode ser considerado pura e simplesmente um site &quot;doente, opressivo e retrógrado&quot; no que se refere às lutas feministas.

Seguem trechos do artigo, para sua consideração e reflexão:

&quot;O presente texto pretende, a partir desta polêmica, por um lado, contrapor-se àqueles que estão buscando deslegitimar o papel das vítimas (silenciando sobre elas; culpabilizando-as novamente; acusando-as de vitimização; e, pior, de “punitivistas” ou “misândricas” pura e simplesmente) – para os quais nós procuraremos mostrar que o punitivismo capitalista moderno nasce exatamente da negação à autonomia das vítimas poderem construir suas próprias formas de elaboração dos conflitos, autodefesa e proposição coletiva de novas formas horizontais/igualitárias de liberdade [confiscadas pelo Sistema Penal]. Por outro lado, pretendemos também problematizar a ênfase demasiada na denúncia do algoz machista (e seu possível escracho ou linchamento, mesmo que virtual), que pode ser parente da lógica de “estereotipia e extermínio do inimigo” – tão cara ao Estado Penal Patriarcal que se busca criticar.
(...)
Por isso soa mais do que patético, diante da reação legítima de vítimas que conseguem se levantar e denunciar agressões físicas, simbólicas ou ético-políticas, em nossa sociedade – como no caso dos abusos e da predação sexual público/privada em série do Idelber Avelar, recorrer à suposta “legalidade” daquilo que está sendo denunciado publicamente. “O quê o sujeito fez está ou não está prescrito no Código Penal?”, questionam supostos militantes de esquerda – inclusive feministas (como fizeram respectivamente Túlio Vianna e Cynthia Semíramis). Estando ou não dentro da legalidade – para estes cúmplices do Estado de Direito realmente existente: literalmente foda-se o testemunho, a condição e o papel das vítimas – atuais e potenciais! Como disse Godinho, “mais uma das muitas variantes da culpabilização (e silenciamento) das vítimas”, confiscando-as novamente a palavra – neste caso apoiado na suposta ilegalidade ou ilegitimidade de suas denúncias.
Da mesma forma que dizer, pura e simplesmente, que “essas feministas estão sendo punitivistas” (e até misândricas), ignora o fato de que a origem deste punitivismo moderno denunciado reside justamente na negação [o confisco por parte do Estado Penal] do protagonismo autônomo das vítimas, no caso mulheres que se sentem violentadas, para elaborar sua própria autodefesa, a reparação dos danos causados e a elaboração pública da situação de violência visando à construção horizontal de (novo) convívio – entre mulheres e homens. “Por todos os meios possíveis e necessários” (e legítimos).
De modo que é impensável construir uma verdadeira luta autônoma contra o Estado Penal e o punitivismo histórico (incluindo sua forma “Democrática”) que não passe, de alguma maneira, pela reparação e re-empoderamento autônomo das vítimas históricas no processo de construção direta de novas formas de justiça – entendendo “justiça” aqui como elaboração e superação autônoma das opressões, buscando a construção horizontal de um (novo) convívio, como já foi dito.
(...)
Mesmo diante de casos legítimos de denúncia pública de violência para a nossa própria autodefesa, nos casos de abusos (inclusive de menor) feito por Idelber de onde partimos para esta reflexão, como não temos autonomia sobre as formas, processos e dispositivos por meio dos quais disseminamos estas denúncias, a iniciativa pode ser facilmente recuperada pelo Sistema Penal e voltar-se novamente contra nós. Isso não significa condenar as denúncias, mas encarar todas as suas possíveis consequências (boas e também ruins).
Exemplo concreto de como a violência pode retornar? Ao terem sido obrigadas a expor massivamente conversas íntimas para se autodefenderem (e prevenirem outras mulheres) sobre os riscos reais de predação sexual implicados na postura privada de Avelar (em total oposição à sua também massificada imagem pública – que era um dos recursos manipulados por ele para sua predação em série), as vítimas necessariamente tiveram que vigiar e violar a intimidade não só dele, mas também delas próprias – algo caro a todo mundo, de esquerda inclusive, colocando-as juntas a outras mulheres sob novos riscos de vigilância/exposição massiva, e de retaliações afins por parte deste ou daquele outro agressor. Já se tornaram célebres casos de homens de esquerda escrachados que, ao sentirem que foram liquidados política e moralmente, voltam-se ainda mais violentos contra suas vítimas e contra toda a esquerda (inclusive às vezes passando a trabalhar diretamente para a Inteligência Policial do Estado). [8] Mas não só os agressores escrachados voltam-se contra a esquerda – o quê no final das contas poderia ser o menor dos problemas, pois personalizado. Tem sido recorrente nos últimos dias, por conta desta famigerada polêmica, manifestar-se entre feministas de esquerda uma série de comentários neste sentido, deslegitimando (e punindo preventivamente?) homens de esquerda por causa deste caso específico: “não dá para confiar mesmo em ‘homens feministas’, de esquerda então…”; “não dá para confiar em homens de forma geral…”. Mais uma vez a parte [o indivíduo agressor] pelo todo [a esquerda e os homens]. No caso dos comentários acima, aí sim, flertando com o biologismo e a misandria (existem feministas que flertam com essas concepções, devemos ser francxs e admitir). Homens não teriam legitimidade, sequer, para se manifestar sobre o assunto…
E outro saldo indiscutível desta polêmica, para o bem e para o mal: todxs aumentaremos a vigilância e o controle mútuo (pessoal e social) sobre nossas conversas íntimas em redes sociais. As vítimas talvez não pudessem encontrar, neste caso em questão, outra maneira de prevenir outras mulheres (vítimas em potencial) – demonstrando, assim, solidariedade prática de gênero – sem recorrer massivamente a este sempre perigoso e questionável recurso: a quebra do acordo tácito de confidencialidade (que a violenta abordagem de Idelber e sua ‘falsa simetria’, ademais, já havia feito implodir, tornando as mulheres reféns de um novo silêncio imposto só por ele). Para fazer este novo omelete julgaram ter sido necessária a quebra desses sagrados ovos (sem trocadilhos) para todxs nós, o quê ao mesmo tempo produziu novas consequências – repressivas e/ou emancipatórias?
Contexto ambivalente e necessidade de autocrítica permanente para a esquerda
Neste contexto ambivalente, como então valorizar a palavra direta das vítimas e o nosso protagonismo, (re)empoderando-nos contra a histórica lógica negacionista e punitivista deste Estado Penal, agora turbinado ciberneticamente [9], sem reproduzir nas nossas tão necessárias novas formas de autodefesa (de elaboração de conflitos, reparação e construção horizontal de novos convívios), os atuais padrões de disciplinarização, vigilância e violência punitiva – contra o outro, que pode ser inclusive nós mesmxs?&quot;

O artigo completo (do qual sou uma das autoras) pode ser conferido aqui: http://passapalavra.info/2014/12/101252.

Sigamos esta reflexão e esta prosa, nos comentários dos textos do PP e para além deles, entre companheirxs!

Bjos,
Fran]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cara MariaMariaMaria,</p>
<p>Tudo bem?</p>
<p>Seguinte: na minha humilde opinião, um site que nesta semana publicou um texto como o quê segue abaixo não pode ser considerado pura e simplesmente um site &#8220;doente, opressivo e retrógrado&#8221; no que se refere às lutas feministas.</p>
<p>Seguem trechos do artigo, para sua consideração e reflexão:</p>
<p>&#8220;O presente texto pretende, a partir desta polêmica, por um lado, contrapor-se àqueles que estão buscando deslegitimar o papel das vítimas (silenciando sobre elas; culpabilizando-as novamente; acusando-as de vitimização; e, pior, de “punitivistas” ou “misândricas” pura e simplesmente) – para os quais nós procuraremos mostrar que o punitivismo capitalista moderno nasce exatamente da negação à autonomia das vítimas poderem construir suas próprias formas de elaboração dos conflitos, autodefesa e proposição coletiva de novas formas horizontais/igualitárias de liberdade [confiscadas pelo Sistema Penal]. Por outro lado, pretendemos também problematizar a ênfase demasiada na denúncia do algoz machista (e seu possível escracho ou linchamento, mesmo que virtual), que pode ser parente da lógica de “estereotipia e extermínio do inimigo” – tão cara ao Estado Penal Patriarcal que se busca criticar.<br />
(&#8230;)<br />
Por isso soa mais do que patético, diante da reação legítima de vítimas que conseguem se levantar e denunciar agressões físicas, simbólicas ou ético-políticas, em nossa sociedade – como no caso dos abusos e da predação sexual público/privada em série do Idelber Avelar, recorrer à suposta “legalidade” daquilo que está sendo denunciado publicamente. “O quê o sujeito fez está ou não está prescrito no Código Penal?”, questionam supostos militantes de esquerda – inclusive feministas (como fizeram respectivamente Túlio Vianna e Cynthia Semíramis). Estando ou não dentro da legalidade – para estes cúmplices do Estado de Direito realmente existente: literalmente foda-se o testemunho, a condição e o papel das vítimas – atuais e potenciais! Como disse Godinho, “mais uma das muitas variantes da culpabilização (e silenciamento) das vítimas”, confiscando-as novamente a palavra – neste caso apoiado na suposta ilegalidade ou ilegitimidade de suas denúncias.<br />
Da mesma forma que dizer, pura e simplesmente, que “essas feministas estão sendo punitivistas” (e até misândricas), ignora o fato de que a origem deste punitivismo moderno denunciado reside justamente na negação [o confisco por parte do Estado Penal] do protagonismo autônomo das vítimas, no caso mulheres que se sentem violentadas, para elaborar sua própria autodefesa, a reparação dos danos causados e a elaboração pública da situação de violência visando à construção horizontal de (novo) convívio – entre mulheres e homens. “Por todos os meios possíveis e necessários” (e legítimos).<br />
De modo que é impensável construir uma verdadeira luta autônoma contra o Estado Penal e o punitivismo histórico (incluindo sua forma “Democrática”) que não passe, de alguma maneira, pela reparação e re-empoderamento autônomo das vítimas históricas no processo de construção direta de novas formas de justiça – entendendo “justiça” aqui como elaboração e superação autônoma das opressões, buscando a construção horizontal de um (novo) convívio, como já foi dito.<br />
(&#8230;)<br />
Mesmo diante de casos legítimos de denúncia pública de violência para a nossa própria autodefesa, nos casos de abusos (inclusive de menor) feito por Idelber de onde partimos para esta reflexão, como não temos autonomia sobre as formas, processos e dispositivos por meio dos quais disseminamos estas denúncias, a iniciativa pode ser facilmente recuperada pelo Sistema Penal e voltar-se novamente contra nós. Isso não significa condenar as denúncias, mas encarar todas as suas possíveis consequências (boas e também ruins).<br />
Exemplo concreto de como a violência pode retornar? Ao terem sido obrigadas a expor massivamente conversas íntimas para se autodefenderem (e prevenirem outras mulheres) sobre os riscos reais de predação sexual implicados na postura privada de Avelar (em total oposição à sua também massificada imagem pública – que era um dos recursos manipulados por ele para sua predação em série), as vítimas necessariamente tiveram que vigiar e violar a intimidade não só dele, mas também delas próprias – algo caro a todo mundo, de esquerda inclusive, colocando-as juntas a outras mulheres sob novos riscos de vigilância/exposição massiva, e de retaliações afins por parte deste ou daquele outro agressor. Já se tornaram célebres casos de homens de esquerda escrachados que, ao sentirem que foram liquidados política e moralmente, voltam-se ainda mais violentos contra suas vítimas e contra toda a esquerda (inclusive às vezes passando a trabalhar diretamente para a Inteligência Policial do Estado). [8] Mas não só os agressores escrachados voltam-se contra a esquerda – o quê no final das contas poderia ser o menor dos problemas, pois personalizado. Tem sido recorrente nos últimos dias, por conta desta famigerada polêmica, manifestar-se entre feministas de esquerda uma série de comentários neste sentido, deslegitimando (e punindo preventivamente?) homens de esquerda por causa deste caso específico: “não dá para confiar mesmo em ‘homens feministas’, de esquerda então…”; “não dá para confiar em homens de forma geral…”. Mais uma vez a parte [o indivíduo agressor] pelo todo [a esquerda e os homens]. No caso dos comentários acima, aí sim, flertando com o biologismo e a misandria (existem feministas que flertam com essas concepções, devemos ser francxs e admitir). Homens não teriam legitimidade, sequer, para se manifestar sobre o assunto…<br />
E outro saldo indiscutível desta polêmica, para o bem e para o mal: todxs aumentaremos a vigilância e o controle mútuo (pessoal e social) sobre nossas conversas íntimas em redes sociais. As vítimas talvez não pudessem encontrar, neste caso em questão, outra maneira de prevenir outras mulheres (vítimas em potencial) – demonstrando, assim, solidariedade prática de gênero – sem recorrer massivamente a este sempre perigoso e questionável recurso: a quebra do acordo tácito de confidencialidade (que a violenta abordagem de Idelber e sua ‘falsa simetria’, ademais, já havia feito implodir, tornando as mulheres reféns de um novo silêncio imposto só por ele). Para fazer este novo omelete julgaram ter sido necessária a quebra desses sagrados ovos (sem trocadilhos) para todxs nós, o quê ao mesmo tempo produziu novas consequências – repressivas e/ou emancipatórias?<br />
Contexto ambivalente e necessidade de autocrítica permanente para a esquerda<br />
Neste contexto ambivalente, como então valorizar a palavra direta das vítimas e o nosso protagonismo, (re)empoderando-nos contra a histórica lógica negacionista e punitivista deste Estado Penal, agora turbinado ciberneticamente [9], sem reproduzir nas nossas tão necessárias novas formas de autodefesa (de elaboração de conflitos, reparação e construção horizontal de novos convívios), os atuais padrões de disciplinarização, vigilância e violência punitiva – contra o outro, que pode ser inclusive nós mesmxs?&#8221;</p>
<p>O artigo completo (do qual sou uma das autoras) pode ser conferido aqui: <a href="http://passapalavra.info/2014/12/101252" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/12/101252</a>.</p>
<p>Sigamos esta reflexão e esta prosa, nos comentários dos textos do PP e para além deles, entre companheirxs!</p>
<p>Bjos,<br />
Fran</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: MariaMariaMaria		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-268969</link>

		<dc:creator><![CDATA[MariaMariaMaria]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2014 14:53:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=76480#comment-268969</guid>

					<description><![CDATA[Vcs não valem nem mais clic de mouse, nem cinco minutos de debate. Se é essa a &quot;esquerda&quot; pensante e atuante no Brasil, pois que morra essa &quot;esquerda&quot; doente, opressiva e retrograda para que outra nasça! Parabéns por terem dado à luz a essa linda categoria que é o &quot;machismo de esquerda&quot;. Lindo pra cara de vcs!
Não querem espaços feminninos de militância exclusivos? Não querem denuncia/punição/exclusão de agressores &quot;flacidos&quot; dentros dos movimentos? Sinto muitissimo mas argumentando essas asneiras e querendo atropelar o protagonismo feminino num movimento que é nosso, a consequência sera essa: são vcs que serão excluidos enquanto coletivo ideologicamente ultrapassado! O que falta agora? Colocar em questão se racismo existe ou não? se não é o movimento negro que esta sendo exagerado e excludente? Faça-me o favor! 
Que papelão!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vcs não valem nem mais clic de mouse, nem cinco minutos de debate. Se é essa a &#8220;esquerda&#8221; pensante e atuante no Brasil, pois que morra essa &#8220;esquerda&#8221; doente, opressiva e retrograda para que outra nasça! Parabéns por terem dado à luz a essa linda categoria que é o &#8220;machismo de esquerda&#8221;. Lindo pra cara de vcs!<br />
Não querem espaços feminninos de militância exclusivos? Não querem denuncia/punição/exclusão de agressores &#8220;flacidos&#8221; dentros dos movimentos? Sinto muitissimo mas argumentando essas asneiras e querendo atropelar o protagonismo feminino num movimento que é nosso, a consequência sera essa: são vcs que serão excluidos enquanto coletivo ideologicamente ultrapassado! O que falta agora? Colocar em questão se racismo existe ou não? se não é o movimento negro que esta sendo exagerado e excludente? Faça-me o favor!<br />
Que papelão!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alexandre		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-129243</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alexandre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jul 2013 03:32:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=76480#comment-129243</guid>

					<description><![CDATA[Combater a auto-organização das mulheres é ridículo.

&quot;a simples afirmação de espaços exclusivos para mulheres reforça um certo tipo de feminismo de gênero que finca sua luta na divisão entre o masculino e o feminino, colocando a necessidade abstrata de se ter reuniões separadas das dos homens para discutir os problemas da opressão&quot;

Vamos fazer reuniões sobre agressões machistas no meio popular com o agressor presente pra ver se dá resultado. Vocês vão ver o quanto é abstrata a necessidade da auto-organização das mulheres para romper com as agressões.

O texto é complicado por que (deliberadamente?) omite que os espaços de auto-organização das mulheres não são os únicos onde se tenta desconstruir o machismo nos movimentos sociais. Os espaços de mulheres não servem para &quot;revidar&quot; ou combater homens como o texto sugere, mas são um espaço importante para que as próprias mulheres possam reconhecer as agressões que costumam naturalizar (e ninguém pode meter a colher). Portanto não é uma tarefa revolucionária combater esses espaços, mas lutar para que esse debate não fique restrito às mulheres.

Combater o machismo e os machistas na esquerda é necessário quando pela via do diálogo e isso não se resolve. Combater o machismo e sobretudo os agressores é fundamental para a superação dos valores que mantém a sociedade desigual. Não há espaço entre nós lutadorXs para agressores machistas. Não defendo a exclusão sumária, mas a exclusão daqueles que não abrem mão de seu machismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Combater a auto-organização das mulheres é ridículo.</p>
<p>&#8220;a simples afirmação de espaços exclusivos para mulheres reforça um certo tipo de feminismo de gênero que finca sua luta na divisão entre o masculino e o feminino, colocando a necessidade abstrata de se ter reuniões separadas das dos homens para discutir os problemas da opressão&#8221;</p>
<p>Vamos fazer reuniões sobre agressões machistas no meio popular com o agressor presente pra ver se dá resultado. Vocês vão ver o quanto é abstrata a necessidade da auto-organização das mulheres para romper com as agressões.</p>
<p>O texto é complicado por que (deliberadamente?) omite que os espaços de auto-organização das mulheres não são os únicos onde se tenta desconstruir o machismo nos movimentos sociais. Os espaços de mulheres não servem para &#8220;revidar&#8221; ou combater homens como o texto sugere, mas são um espaço importante para que as próprias mulheres possam reconhecer as agressões que costumam naturalizar (e ninguém pode meter a colher). Portanto não é uma tarefa revolucionária combater esses espaços, mas lutar para que esse debate não fique restrito às mulheres.</p>
<p>Combater o machismo e os machistas na esquerda é necessário quando pela via do diálogo e isso não se resolve. Combater o machismo e sobretudo os agressores é fundamental para a superação dos valores que mantém a sociedade desigual. Não há espaço entre nós lutadorXs para agressores machistas. Não defendo a exclusão sumária, mas a exclusão daqueles que não abrem mão de seu machismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: carol		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-120458</link>

		<dc:creator><![CDATA[carol]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 11:15:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[adoro ler esses textos que falam em &quot;certos feminismos&quot; sem nem saber ao que estão se referindo. seria bom, no mínimo, dar uma olhada no wikipedia que fosse pra saber onde estão pisando. não existem &quot;certos feminismos&quot; não existem &quot;feminismo que exclui&quot; x &quot;feminismo que inclui&quot;. o que existe é opnião desinformada como essa tentando dividir as feministas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>adoro ler esses textos que falam em &#8220;certos feminismos&#8221; sem nem saber ao que estão se referindo. seria bom, no mínimo, dar uma olhada no wikipedia que fosse pra saber onde estão pisando. não existem &#8220;certos feminismos&#8221; não existem &#8220;feminismo que exclui&#8221; x &#8220;feminismo que inclui&#8221;. o que existe é opnião desinformada como essa tentando dividir as feministas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: mandi		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/04/76480/#comment-119835</link>

		<dc:creator><![CDATA[mandi]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 May 2013 13:29:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[olá
sou do feminismo que exclui (também chamado de feminismo que passou dos limites aceitáveis pelos homens).
já que partem dessa premissa, já que sou a &quot;excludente&quot; (coitados de vocês, homens, sempre tão excluídos do cuidado das crianças, da limpeza dos banheiros, das surras dentro de casa... Sempre tão excluídos) e o texto só me prova a falta de diálogo, segue um vídeo em homenagem a quem escreveu o texto (porque não colocam os nomes?) http://www.youtube.com/watch?v=-MK1q9fZjeI

espero que vocês, homens, consigam se livrar dessas feministas bruxas, que ficam excluíndo-os, to morrendo de pena, sério. mas ó, aproveita que nenhuma companheira de militância sua vai te estuprar nem te bater ou perseguir, e tente seguir na luta contra o feminismo, ok? beijos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>olá<br />
sou do feminismo que exclui (também chamado de feminismo que passou dos limites aceitáveis pelos homens).<br />
já que partem dessa premissa, já que sou a &#8220;excludente&#8221; (coitados de vocês, homens, sempre tão excluídos do cuidado das crianças, da limpeza dos banheiros, das surras dentro de casa&#8230; Sempre tão excluídos) e o texto só me prova a falta de diálogo, segue um vídeo em homenagem a quem escreveu o texto (porque não colocam os nomes?) <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-MK1q9fZjeI" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=-MK1q9fZjeI</a></p>
<p>espero que vocês, homens, consigam se livrar dessas feministas bruxas, que ficam excluíndo-os, to morrendo de pena, sério. mas ó, aproveita que nenhuma companheira de militância sua vai te estuprar nem te bater ou perseguir, e tente seguir na luta contra o feminismo, ok? beijos</p>
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