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	Comentários sobre: O campo libertário, hoje: radiografia e desafios (1ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Cassio Brancaleone		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120877</link>

		<dc:creator><![CDATA[Cassio Brancaleone]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 May 2013 20:58:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apesar da necessidade de valorizar o esforço contido nesse texto em organizar algumas ideias importantes para refletirmos sobre o &quot;campo libertário hoje&quot;, até essa parte do artigo, pelo menos, quase nada de substantivo sobre o assunto foi tratado. 

Inclusive, a tipologia, essencialmente literária e livresca,  restringiu muitos aspectos que atestam a grande diversidade do campo &quot;teórico&quot; anarquista e libertário. Que dirá então do campo &quot;prático&quot;!? Aliás, esse foi o mote da crítica de muitos compas aqui e fundamentalmente me parece o cerne da questão: não se pode ensaiar um exercício de esquematização do campo libertário sem atentar para a dimensão que é mais cara para tal campo: sua prática sócio-política. Do contrário, teremos pouco menos que outro exercício de &quot;história das ideias libertárias&quot;, não menos válido e interessante, mas nada tão longe do &quot;campo libertário&quot;. 

Por fim, apenas uma impressão que tive e que me incomodou muito, sobre uma possível valoração evolucionista e autocentrada do autor, ao apresentar sua tipologia das &quot;três grandes vertentes libertárias&quot;:
 
Anarquismo clássico (o &quot;nascimento da ideia&quot;) - Neoanarquismo (&quot;revisões necessárias da idea&quot;) - Autonomismo (o &quot;amadurecimento da ideia&quot;: curiosamente, posição onde se encontra o autor). 

Tenho acompanhado e lido muitos textos do Marcelo Lopes de Souza, e não apenas aqui no PP. Aprecio seu trabalho, e muito. No entanto, e até aqui onde parou, esse artigo é um verdadeiro desastre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar da necessidade de valorizar o esforço contido nesse texto em organizar algumas ideias importantes para refletirmos sobre o &#8220;campo libertário hoje&#8221;, até essa parte do artigo, pelo menos, quase nada de substantivo sobre o assunto foi tratado. </p>
<p>Inclusive, a tipologia, essencialmente literária e livresca,  restringiu muitos aspectos que atestam a grande diversidade do campo &#8220;teórico&#8221; anarquista e libertário. Que dirá então do campo &#8220;prático&#8221;!? Aliás, esse foi o mote da crítica de muitos compas aqui e fundamentalmente me parece o cerne da questão: não se pode ensaiar um exercício de esquematização do campo libertário sem atentar para a dimensão que é mais cara para tal campo: sua prática sócio-política. Do contrário, teremos pouco menos que outro exercício de &#8220;história das ideias libertárias&#8221;, não menos válido e interessante, mas nada tão longe do &#8220;campo libertário&#8221;. </p>
<p>Por fim, apenas uma impressão que tive e que me incomodou muito, sobre uma possível valoração evolucionista e autocentrada do autor, ao apresentar sua tipologia das &#8220;três grandes vertentes libertárias&#8221;:</p>
<p>Anarquismo clássico (o &#8220;nascimento da ideia&#8221;) &#8211; Neoanarquismo (&#8220;revisões necessárias da idea&#8221;) &#8211; Autonomismo (o &#8220;amadurecimento da ideia&#8221;: curiosamente, posição onde se encontra o autor). </p>
<p>Tenho acompanhado e lido muitos textos do Marcelo Lopes de Souza, e não apenas aqui no PP. Aprecio seu trabalho, e muito. No entanto, e até aqui onde parou, esse artigo é um verdadeiro desastre.</p>
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		<title>
		Por: Rafael V.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120518</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rafael V.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 20:49:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Antes de tudo parabéns pela iniciativa do autor. Os estudos sobre o campo libertário e também do anarquismo são sempre escassos, toda iniciativa permanece válida neste cenário.

Acho também que a discussão entre ação direta e luta institucional é interessante, ainda que ao meu ver não sejam centrais, mas contribuem sobremaneira para as estratégias do campo libertário (nesse sentido amplo descrito pelo autor).

Eu não sou geógrafo nem sociólogo, sou da história e como tal vou fazer uma crítica a primeira parte do texto como historiador (ainda que não tenha lido as próximas partes do artigo que ainda vão sair eu creio). As críticas serão feitas aqui de maneira fraterna e num debate que é mais do campo da ciência do que da &quot;política&quot;, ainda que eu saiba que as duas coisas estão interligadas.

Me incomoda do ponto de vista metodológico, que o estudo do anarquismo fique sempre restrito a um inventário, um catálogo tipológico e pouco traga as práticas sociais dos anarquistas. O problema deste método é &quot;errar na mão&quot; e dar muito peso (como alguns comentadores disseram acima e concordo com quase todos sobre esse ponto) a autores que não tem tanta importância do ponto de vista político. A simples negação do estado não é suficiente para caracterizar um autor como anarquista. A auto-identificação, como bem apontado pelo Felipe C. acima também não. 

Outro incômodo é que o anarquismo seja sempre tratado do ponto de vista identitário, ignorando sua trajetória histórica, suas estratégias e o pior, ignorando suas práticas sociais. É como começar uma pesquisa lendo os livros que os anarquistas supostamente lêem e traçando à partir daí todo um parâmetro de indentificação. Isso pode ser enganoso. Os sindicalistas revolucionários do início do século XX no Brasil liam entre outros autores, Nietzsche e Stirner, mas em suas práticas sociais eram profundamente classistas e estavam envolvidos com entidades de classe. 

O uso de categorias é &quot;relativo&quot; como bem apontou o Leo Vinicius, isso é uma condição sine qua non da ciência, até aí tudo bem. Deste ponto de vista, todas as pesquisas são &quot;equivalentes&quot; e a ciência e sua multiplicidade métodos também. O que podemos dizer, dentro do campo científico para não cairmos numa aporia que imobilizaria o debate (do que é ou não válido no uso de uma categoria) é que o que diferencia uma boa categoria de uma ruim é sua capacidade explicativa e sua base de fundamentação. Incluir o papa francisco como anarquista seria ruim não só porque se o incluíssemos ampliaríamos demais a categoria anarquista e teríamos de incluir outros casos, mas porque uma categoria construída precisa estar ancorada em fontes (o que o historiador Jorn Rüsen, chama de fundamentação metódica)e não há em lugar nenhum creio eu, alguma fonte que indique que o novo papa é anarquista. O pesquisador precisa ancorar suas hipóteses em fontes (pelo menos do ponto de vista da história isto é extremamente válido). Se afirmo que os romanos foram anarquistas no século V, preciso indicar não apenas a categoria que utilizei para classificá-los desta maneira, mas que fonte utilizei para &quot;reivindicar&quot; esta posição. Isto pra mim, separa a boa ciência da má. Separa também a noção de ciência como &quot;mero discurso&quot; e ciência como algo que está ancorado em métodos e uma base de fundamentação clara. É óbvio que uma fonte está interligada a um conjunto de hipóteses em que ela pode funcionar (Bourdieu), mas isso não significa que qualquer hipótese justifique qualquer coisa ou que ao contrário, no corolário positivista as hipóteses &quot;estejam nas fontes&quot;. Mas que é preciso certa coerência no uso das categorias.

- E por falar em Bourdieu, creio que faltou o método de análise do que o próprio chama de &quot;campo&quot;. Um campo é constituído por seu conjunto de relações e práticas. Ao contrário, o autor não cita nenhuma prática social, tampouco das relações que os que constituem o campo &quot;libertário&quot; estabelecem, ficando demasiadamente restrito à determinada literatura. Se eu quero entender o sindicalismo revolucionário no início do século não posso apenas ler os supostos teóricos do sindicalismo revolucionário (Sorel e Bakunin), mas tenho de partir do campo estabelecido (os sindicalistas revolucionários, suas relações, sua literatura militante, suas entidades de classe, seus jornais, enfim, suas práticas).

- Sobre o neoanarquismo: acho totalmente incoerente esta categoria. Em que momento histórico os anarquistas deixaram de se reivindicar anarquistas para se reivindicar neo-anarquistas? Foi uma mudança de paradigma realmente relevante ou é mais de dois ou três escritores que por decreto resolveram &quot;sepultar&quot; o anarquismo &quot;clássico&quot;? Com que base o autor afirma que houve realmente esta mudança? Aí não podemos comprar o gato por lebre. Bem, se pegarmos o estudo dos sulafricanos sobre o anarquismo (e aí reside certa fragilidade deste argumento do texto), veremos que as práticas dos anarquistas tiveram uma continuidade inegável. O que é chamado de neo-anarquismo, é um fenômeno completamente marginal (e literário restrito diga-se de passagem). Não nego que Hakim Bey, Bob Black e outras &quot;influências burguesas sobre o anarquismo&quot; para utilizar um termo de Lucce Fabri não tenham sido lidas por muitos setores, mas cabe dar relevo: foram influentes a tal ponto de se constituírem como uma corrente própria? Se foram, quais são os fatos que fundamentam tal afirmação? Qual é o alcance de sua atuação? Neste ponto acho que o autor comprou um mito historiográfico que alguns autores estão revendo (como Michael Schmidt). O que vemos é que o anarquismo longe de desaparecer e ser resgatado pelo Maio de 68 (um mito historiográfico que reforça a tese e a força do &quot;autonomismo&quot; e do neo-anarquismo) teve continuidades e permanências (na Europa, na América Latina e em outras regiões), ainda que sua força se comparada aos períodos anteriores realmente tenha sofrido um decréscimo. 

- Sobre o especifismo acho que o especifismo é muito mais do que &quot;apenas um retorno aos clássicos&quot;. Olhar o especifismo apenas como um retorno aos clássicos (e novamente o olhar tipológico e estritamente político atrapalha o aprofundamento do artigo) é ignorar as questões históricas que o definiram. O especifismo sem dúvida alguma é a maior força do anarquismo na América Latina, mas no texto, o especifismo ganha o mesmo &quot;peso&quot; que o neoanarquismo e o autonomismo. O especifismo está envolvido em práticas sociais e entidades de classe, mas é tratado pelo texto como um mero &quot;retorno aos clássicos&quot;. A impressão que temos é que os anarquistas se movem e se dividem de acordo com suas preferência literárias ou autores que rejeitam, o que não é correto.

- Castoriadis foi citado recorrentemente pelo autor como um teórico do autonomismo. Mas Castoriadis é lido e utilizado pelos especifistas e outros setores do anarquismo, seriam os especifistas também autonomistas? As fronteiras não me parecem claras.

Por fim creio que o que traz problemas ao texto é a metodologia de definir o anarquismo identitariamente, como identidades políticas perfeitamente separadas e estáveis, à partir de autores, ignorando as práticas sociais, as estratégias, a relevância social e o mais importante, os setores da classe que os anarquistas estão inseridos. Outro problema é classificar como anarquista setores que se &quot;auto-identificam&quot; como tal. A auto-identificação não é um parâmetro muito adequado. A negação do estado tampouco. Esse último parâmetro é supervalorizado demasiadamente à partir da comparação com o marxismo. O anarquismo sempre foi comparado ao marxismo (ou tratado como sua negação). Isso tornou obtuso seu estudo, pois a negação do estado foi evidenciada muito mais do que os outros fatores históricos que o constituíram (classismo, ação direta, estratégias de massas, etc.).

Creio que para fazer uma análise do campo libertário poderíamos proceder ao inverso da proposta do autor, partir das práticas. Isso não ignora portanto a &quot;literatura militante&quot; que o autor discorreu brevemente. Mas articula o que os anarquistas lêem com o que eles fazem (o que a pesquisadora Simona Cerruti chama de análise êmica). Escrevi algo sobre isso num artigo crítico A E. Hobssbawm (que à propósito de alguns comentários &quot;terríveis&quot; citados acima, Hobsbawm compara sem nenhum fundamento o anarquismo a uma espécie de irracionalismo, de fascismo).  Segue o link do artigo: http://ithanarquista.wordpress.com/2013/02/20/rafael-v-da-silva-os-revolucionarios-ineficazes-de-hobsbawm/

À propósito da colocação anterior isto é uma tendência que sinceramente me incomoda em determinados estudos sobre o tema: ou o anarquismo é estudado pelos discursos políticos de determinados autores (como foi feito pelo artigo) escolhidos pelo parâmetro da &quot;negação do estado&quot; ou o anarquismo é estudado apenas por suas práticas (ignorando a literatura militante que &quot;abastecia&quot; estes). Não há uma única linha por exemplo no artigo, sobre a prática militante.

Outro comentário que eu acho necessário é que o autor dá muita ênfase &quot;às disputas internas do anarquismo&quot;. Nesse ponto o anarquismo não é diferente de nenhuma corrente política. Não acho que os anarquistas estejam totalmente fragmentados. Olhando para os processos políticos contemporâneos, temos por exemplo no Brasil a Coordenação Anarquista Brasileira que reúne nove organizações (e mais duas ou três em processo de ingresso) num país que é continental (ainda que possamos questionar o tamanho e a presença política dos anarquistas, mas isso é outra coisa). Na América Latina temos um processo interessante de aproximação política e na Europa a tendência também caminha neste sentido &quot;de unificar&quot; e não fragmentar. Creio que o autor generaliza situações particulares ou é apenas uma impressão pessoal (novamente recorro aos argumentos anteriores, com que base o autor faz esta afirmação de que o campo libertário  está acometido pela fragmentação, pelo sectarismo e exclusivismo?).

Sobre os comentários acima, tirando as intervenções propositivas há pouco de fundamento nas afirmações (umas mais descabidas que as outras). Li e me horrorizei com tanto desconhecimento e preconceito reunido em afirmações das mais superficiais (um comentador acima compara o anarquismo ao fascismo!). 

Ninguém é obrigado a ter simpatias com o anarquismo, mas numa discussão o que se pede é o mínimo de rigor e conhecimento, se não os preconceitos vem à tona e terminam o debate.

Enfim não vou me prolongar porque o debate é amplo. Tentei contribuir da melhor maneira possível, de modo crítico e fraterno. Vou ler as próximas partes do artigo. Recomendo o livro &quot;Black Flame&quot; para o autor, onde os sulafricanos desconstróem muitos mitos sobre o anarquismo que ajudariam na proposta de pesquisa do autor.

Abraços e boa sorte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de tudo parabéns pela iniciativa do autor. Os estudos sobre o campo libertário e também do anarquismo são sempre escassos, toda iniciativa permanece válida neste cenário.</p>
<p>Acho também que a discussão entre ação direta e luta institucional é interessante, ainda que ao meu ver não sejam centrais, mas contribuem sobremaneira para as estratégias do campo libertário (nesse sentido amplo descrito pelo autor).</p>
<p>Eu não sou geógrafo nem sociólogo, sou da história e como tal vou fazer uma crítica a primeira parte do texto como historiador (ainda que não tenha lido as próximas partes do artigo que ainda vão sair eu creio). As críticas serão feitas aqui de maneira fraterna e num debate que é mais do campo da ciência do que da &#8220;política&#8221;, ainda que eu saiba que as duas coisas estão interligadas.</p>
<p>Me incomoda do ponto de vista metodológico, que o estudo do anarquismo fique sempre restrito a um inventário, um catálogo tipológico e pouco traga as práticas sociais dos anarquistas. O problema deste método é &#8220;errar na mão&#8221; e dar muito peso (como alguns comentadores disseram acima e concordo com quase todos sobre esse ponto) a autores que não tem tanta importância do ponto de vista político. A simples negação do estado não é suficiente para caracterizar um autor como anarquista. A auto-identificação, como bem apontado pelo Felipe C. acima também não. </p>
<p>Outro incômodo é que o anarquismo seja sempre tratado do ponto de vista identitário, ignorando sua trajetória histórica, suas estratégias e o pior, ignorando suas práticas sociais. É como começar uma pesquisa lendo os livros que os anarquistas supostamente lêem e traçando à partir daí todo um parâmetro de indentificação. Isso pode ser enganoso. Os sindicalistas revolucionários do início do século XX no Brasil liam entre outros autores, Nietzsche e Stirner, mas em suas práticas sociais eram profundamente classistas e estavam envolvidos com entidades de classe. </p>
<p>O uso de categorias é &#8220;relativo&#8221; como bem apontou o Leo Vinicius, isso é uma condição sine qua non da ciência, até aí tudo bem. Deste ponto de vista, todas as pesquisas são &#8220;equivalentes&#8221; e a ciência e sua multiplicidade métodos também. O que podemos dizer, dentro do campo científico para não cairmos numa aporia que imobilizaria o debate (do que é ou não válido no uso de uma categoria) é que o que diferencia uma boa categoria de uma ruim é sua capacidade explicativa e sua base de fundamentação. Incluir o papa francisco como anarquista seria ruim não só porque se o incluíssemos ampliaríamos demais a categoria anarquista e teríamos de incluir outros casos, mas porque uma categoria construída precisa estar ancorada em fontes (o que o historiador Jorn Rüsen, chama de fundamentação metódica)e não há em lugar nenhum creio eu, alguma fonte que indique que o novo papa é anarquista. O pesquisador precisa ancorar suas hipóteses em fontes (pelo menos do ponto de vista da história isto é extremamente válido). Se afirmo que os romanos foram anarquistas no século V, preciso indicar não apenas a categoria que utilizei para classificá-los desta maneira, mas que fonte utilizei para &#8220;reivindicar&#8221; esta posição. Isto pra mim, separa a boa ciência da má. Separa também a noção de ciência como &#8220;mero discurso&#8221; e ciência como algo que está ancorado em métodos e uma base de fundamentação clara. É óbvio que uma fonte está interligada a um conjunto de hipóteses em que ela pode funcionar (Bourdieu), mas isso não significa que qualquer hipótese justifique qualquer coisa ou que ao contrário, no corolário positivista as hipóteses &#8220;estejam nas fontes&#8221;. Mas que é preciso certa coerência no uso das categorias.</p>
<p>&#8211; E por falar em Bourdieu, creio que faltou o método de análise do que o próprio chama de &#8220;campo&#8221;. Um campo é constituído por seu conjunto de relações e práticas. Ao contrário, o autor não cita nenhuma prática social, tampouco das relações que os que constituem o campo &#8220;libertário&#8221; estabelecem, ficando demasiadamente restrito à determinada literatura. Se eu quero entender o sindicalismo revolucionário no início do século não posso apenas ler os supostos teóricos do sindicalismo revolucionário (Sorel e Bakunin), mas tenho de partir do campo estabelecido (os sindicalistas revolucionários, suas relações, sua literatura militante, suas entidades de classe, seus jornais, enfim, suas práticas).</p>
<p>&#8211; Sobre o neoanarquismo: acho totalmente incoerente esta categoria. Em que momento histórico os anarquistas deixaram de se reivindicar anarquistas para se reivindicar neo-anarquistas? Foi uma mudança de paradigma realmente relevante ou é mais de dois ou três escritores que por decreto resolveram &#8220;sepultar&#8221; o anarquismo &#8220;clássico&#8221;? Com que base o autor afirma que houve realmente esta mudança? Aí não podemos comprar o gato por lebre. Bem, se pegarmos o estudo dos sulafricanos sobre o anarquismo (e aí reside certa fragilidade deste argumento do texto), veremos que as práticas dos anarquistas tiveram uma continuidade inegável. O que é chamado de neo-anarquismo, é um fenômeno completamente marginal (e literário restrito diga-se de passagem). Não nego que Hakim Bey, Bob Black e outras &#8220;influências burguesas sobre o anarquismo&#8221; para utilizar um termo de Lucce Fabri não tenham sido lidas por muitos setores, mas cabe dar relevo: foram influentes a tal ponto de se constituírem como uma corrente própria? Se foram, quais são os fatos que fundamentam tal afirmação? Qual é o alcance de sua atuação? Neste ponto acho que o autor comprou um mito historiográfico que alguns autores estão revendo (como Michael Schmidt). O que vemos é que o anarquismo longe de desaparecer e ser resgatado pelo Maio de 68 (um mito historiográfico que reforça a tese e a força do &#8220;autonomismo&#8221; e do neo-anarquismo) teve continuidades e permanências (na Europa, na América Latina e em outras regiões), ainda que sua força se comparada aos períodos anteriores realmente tenha sofrido um decréscimo. </p>
<p>&#8211; Sobre o especifismo acho que o especifismo é muito mais do que &#8220;apenas um retorno aos clássicos&#8221;. Olhar o especifismo apenas como um retorno aos clássicos (e novamente o olhar tipológico e estritamente político atrapalha o aprofundamento do artigo) é ignorar as questões históricas que o definiram. O especifismo sem dúvida alguma é a maior força do anarquismo na América Latina, mas no texto, o especifismo ganha o mesmo &#8220;peso&#8221; que o neoanarquismo e o autonomismo. O especifismo está envolvido em práticas sociais e entidades de classe, mas é tratado pelo texto como um mero &#8220;retorno aos clássicos&#8221;. A impressão que temos é que os anarquistas se movem e se dividem de acordo com suas preferência literárias ou autores que rejeitam, o que não é correto.</p>
<p>&#8211; Castoriadis foi citado recorrentemente pelo autor como um teórico do autonomismo. Mas Castoriadis é lido e utilizado pelos especifistas e outros setores do anarquismo, seriam os especifistas também autonomistas? As fronteiras não me parecem claras.</p>
<p>Por fim creio que o que traz problemas ao texto é a metodologia de definir o anarquismo identitariamente, como identidades políticas perfeitamente separadas e estáveis, à partir de autores, ignorando as práticas sociais, as estratégias, a relevância social e o mais importante, os setores da classe que os anarquistas estão inseridos. Outro problema é classificar como anarquista setores que se &#8220;auto-identificam&#8221; como tal. A auto-identificação não é um parâmetro muito adequado. A negação do estado tampouco. Esse último parâmetro é supervalorizado demasiadamente à partir da comparação com o marxismo. O anarquismo sempre foi comparado ao marxismo (ou tratado como sua negação). Isso tornou obtuso seu estudo, pois a negação do estado foi evidenciada muito mais do que os outros fatores históricos que o constituíram (classismo, ação direta, estratégias de massas, etc.).</p>
<p>Creio que para fazer uma análise do campo libertário poderíamos proceder ao inverso da proposta do autor, partir das práticas. Isso não ignora portanto a &#8220;literatura militante&#8221; que o autor discorreu brevemente. Mas articula o que os anarquistas lêem com o que eles fazem (o que a pesquisadora Simona Cerruti chama de análise êmica). Escrevi algo sobre isso num artigo crítico A E. Hobssbawm (que à propósito de alguns comentários &#8220;terríveis&#8221; citados acima, Hobsbawm compara sem nenhum fundamento o anarquismo a uma espécie de irracionalismo, de fascismo).  Segue o link do artigo: <a href="http://ithanarquista.wordpress.com/2013/02/20/rafael-v-da-silva-os-revolucionarios-ineficazes-de-hobsbawm/" rel="nofollow ugc">http://ithanarquista.wordpress.com/2013/02/20/rafael-v-da-silva-os-revolucionarios-ineficazes-de-hobsbawm/</a></p>
<p>À propósito da colocação anterior isto é uma tendência que sinceramente me incomoda em determinados estudos sobre o tema: ou o anarquismo é estudado pelos discursos políticos de determinados autores (como foi feito pelo artigo) escolhidos pelo parâmetro da &#8220;negação do estado&#8221; ou o anarquismo é estudado apenas por suas práticas (ignorando a literatura militante que &#8220;abastecia&#8221; estes). Não há uma única linha por exemplo no artigo, sobre a prática militante.</p>
<p>Outro comentário que eu acho necessário é que o autor dá muita ênfase &#8220;às disputas internas do anarquismo&#8221;. Nesse ponto o anarquismo não é diferente de nenhuma corrente política. Não acho que os anarquistas estejam totalmente fragmentados. Olhando para os processos políticos contemporâneos, temos por exemplo no Brasil a Coordenação Anarquista Brasileira que reúne nove organizações (e mais duas ou três em processo de ingresso) num país que é continental (ainda que possamos questionar o tamanho e a presença política dos anarquistas, mas isso é outra coisa). Na América Latina temos um processo interessante de aproximação política e na Europa a tendência também caminha neste sentido &#8220;de unificar&#8221; e não fragmentar. Creio que o autor generaliza situações particulares ou é apenas uma impressão pessoal (novamente recorro aos argumentos anteriores, com que base o autor faz esta afirmação de que o campo libertário  está acometido pela fragmentação, pelo sectarismo e exclusivismo?).</p>
<p>Sobre os comentários acima, tirando as intervenções propositivas há pouco de fundamento nas afirmações (umas mais descabidas que as outras). Li e me horrorizei com tanto desconhecimento e preconceito reunido em afirmações das mais superficiais (um comentador acima compara o anarquismo ao fascismo!). </p>
<p>Ninguém é obrigado a ter simpatias com o anarquismo, mas numa discussão o que se pede é o mínimo de rigor e conhecimento, se não os preconceitos vem à tona e terminam o debate.</p>
<p>Enfim não vou me prolongar porque o debate é amplo. Tentei contribuir da melhor maneira possível, de modo crítico e fraterno. Vou ler as próximas partes do artigo. Recomendo o livro &#8220;Black Flame&#8221; para o autor, onde os sulafricanos desconstróem muitos mitos sobre o anarquismo que ajudariam na proposta de pesquisa do autor.</p>
<p>Abraços e boa sorte.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120508</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 19:16:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=77856#comment-120508</guid>

					<description><![CDATA[Nisso eu concordo com este último comentário do Khaled. Os &#039;clássicos&#039; foram agrupados por uma convergência, e os &#039;neo&#039; foram agrupados por diferenciação aos clássicos. Isso pode trazer alguma incoerência na análise? Não sei, talvez as outras partes do texto nos digam.

Felipe,
Nunca se chegará a uma conclusão objetiva, universal, se Hakim Bey é &#039;anarquista&#039; ou não, ou se Antonio Negri é &#039;marxista&#039; ou não. Pois isso parte do que cada um entende do que é a essência ou o essencial, o que define um &#039;anarquista&#039; e um &#039;marxista&#039;. E essas identidades ou conceitos são algo em aberto, que se modificam com a história, mudam de acordo com as crenças e valores de cada um.

Esse &quot;relativismo&quot; não significa que qualquer coisa é passivel de ser aceito em qualquer grupo, categoria, identidade. Se alguém colocar Stalin ou o Papa Francisco no grupo dos &#039;anarquistas&#039;, talvez possamos chamá-lo de louco, pois não existe qualquer traço no campo das idéias ou linha histórica que possa colocá-los nesse grupo.
O próprio Bookchin não nega que Hakim Bey seja anarquista, apenas se afasta e discorda visceralmente do anarquismo do Hakim Bey. Eu particularmente não consideraria o Hakim Bey anarquista também. Mas não vejo a principio nenhum problema metdológico em agrupá-lo como neoanarquista, a menos que estivesse muito bem definido o que é ser &#039;anarquista&#039; e nessa definição estivesse claro alguns atributos que não fazem parte do pensamento do Hakim Bey.

O fato é que Hakim Bey exerceu algum influência em práticas de um campo libertário nas últimas décadas, e provavelmente mais do que o Bookchin e o Chomsky. Goste-se ou não disso.

Acho que essa discussão toda só existe porque o autor do artigo usou uma palavra muito cara, identitária, para um campo político: &quot;anarquista&quot;. Se usasse &#039;neolibertários&#039;, ou &#039;neoantiautoritários&#039; talvez ninguém se importasse tanto.

Felipe, para responder à sua pergunta: a categoria &#039;neoanarquista&#039; no texto está diferenciando esse grupo do grupo dos &#039;anarquistas clássicos&#039;. Se essa diferenciação é útil ou não, acho que só no final dos artigos saberemos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nisso eu concordo com este último comentário do Khaled. Os &#8216;clássicos&#8217; foram agrupados por uma convergência, e os &#8216;neo&#8217; foram agrupados por diferenciação aos clássicos. Isso pode trazer alguma incoerência na análise? Não sei, talvez as outras partes do texto nos digam.</p>
<p>Felipe,<br />
Nunca se chegará a uma conclusão objetiva, universal, se Hakim Bey é &#8216;anarquista&#8217; ou não, ou se Antonio Negri é &#8216;marxista&#8217; ou não. Pois isso parte do que cada um entende do que é a essência ou o essencial, o que define um &#8216;anarquista&#8217; e um &#8216;marxista&#8217;. E essas identidades ou conceitos são algo em aberto, que se modificam com a história, mudam de acordo com as crenças e valores de cada um.</p>
<p>Esse &#8220;relativismo&#8221; não significa que qualquer coisa é passivel de ser aceito em qualquer grupo, categoria, identidade. Se alguém colocar Stalin ou o Papa Francisco no grupo dos &#8216;anarquistas&#8217;, talvez possamos chamá-lo de louco, pois não existe qualquer traço no campo das idéias ou linha histórica que possa colocá-los nesse grupo.<br />
O próprio Bookchin não nega que Hakim Bey seja anarquista, apenas se afasta e discorda visceralmente do anarquismo do Hakim Bey. Eu particularmente não consideraria o Hakim Bey anarquista também. Mas não vejo a principio nenhum problema metdológico em agrupá-lo como neoanarquista, a menos que estivesse muito bem definido o que é ser &#8216;anarquista&#8217; e nessa definição estivesse claro alguns atributos que não fazem parte do pensamento do Hakim Bey.</p>
<p>O fato é que Hakim Bey exerceu algum influência em práticas de um campo libertário nas últimas décadas, e provavelmente mais do que o Bookchin e o Chomsky. Goste-se ou não disso.</p>
<p>Acho que essa discussão toda só existe porque o autor do artigo usou uma palavra muito cara, identitária, para um campo político: &#8220;anarquista&#8221;. Se usasse &#8216;neolibertários&#8217;, ou &#8216;neoantiautoritários&#8217; talvez ninguém se importasse tanto.</p>
<p>Felipe, para responder à sua pergunta: a categoria &#8216;neoanarquista&#8217; no texto está diferenciando esse grupo do grupo dos &#8216;anarquistas clássicos&#8217;. Se essa diferenciação é útil ou não, acho que só no final dos artigos saberemos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Khaled		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120491</link>

		<dc:creator><![CDATA[Khaled]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 16:51:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Respondendo ao comentário do Leo, a crítica que fiz à tipologia apresentada se baseia em achar de certa forma incoerente usar critérios distintos ao agrupar as vertentes principais do campo libertário: enquanto os &quot;anarquistas clássicos&quot; são agrupados pela afinidade em determinadas posições, os &quot;neoanarquistas&quot; são agrupados de forma totalmente heterogênea, tendo como único critério determinadas discordâncias em relação às posições do &quot;anarquismo clássico&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Respondendo ao comentário do Leo, a crítica que fiz à tipologia apresentada se baseia em achar de certa forma incoerente usar critérios distintos ao agrupar as vertentes principais do campo libertário: enquanto os &#8220;anarquistas clássicos&#8221; são agrupados pela afinidade em determinadas posições, os &#8220;neoanarquistas&#8221; são agrupados de forma totalmente heterogênea, tendo como único critério determinadas discordâncias em relação às posições do &#8220;anarquismo clássico&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Felipe C.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120489</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe C.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 16:46:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=77856#comment-120489</guid>

					<description><![CDATA[Leo, você, como sociólogo, sabe que para criar uma categoria, ela deve ter aspectos em comum (quais são os pontos em comum entre eles para além da auto-identificação, critério a meu ver insuficiente para definir uma categoria, que poderiam sustentar que &quot;neoanarquismo&quot; constituiria uma categoria?) e ser capaz de diferenciar-se de outras. Ou seja, para que serve uma categoria que reúne elementos que não possuem nada em comum e que não consegue se diferenciar de outras?! Para mim, não há critério possível capaz de inserir Hakin Bey entre os anarquistas. Seria a mesma coisa que um cara falar que é marxista e negar a centralidade do trabalho, falar que não existem classes e luta de classes, sustentar que o Estado representa toda a sociedade, defender que uma atuação sem perspectiva classista, ser defensor do trabalho assalariado etc., mas, ao fim e ao cabo falar, &quot;sou marxista&quot;. Esse cara é marxista?!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo, você, como sociólogo, sabe que para criar uma categoria, ela deve ter aspectos em comum (quais são os pontos em comum entre eles para além da auto-identificação, critério a meu ver insuficiente para definir uma categoria, que poderiam sustentar que &#8220;neoanarquismo&#8221; constituiria uma categoria?) e ser capaz de diferenciar-se de outras. Ou seja, para que serve uma categoria que reúne elementos que não possuem nada em comum e que não consegue se diferenciar de outras?! Para mim, não há critério possível capaz de inserir Hakin Bey entre os anarquistas. Seria a mesma coisa que um cara falar que é marxista e negar a centralidade do trabalho, falar que não existem classes e luta de classes, sustentar que o Estado representa toda a sociedade, defender que uma atuação sem perspectiva classista, ser defensor do trabalho assalariado etc., mas, ao fim e ao cabo falar, &#8220;sou marxista&#8221;. Esse cara é marxista?!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120485</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 16:03:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em defesa do autor e discordando do Khaled, não vejo problema em se agrupar Hakim Bey, Chomsky e Bookchin como &quot;neoanarquistas&quot; da forma feita do texto.
O autor deixa claro a diversidade do pensamento entre eles. O que o autor diz é que eles foram além do &quot;anarquismo clássico&quot;, e por isso foram considerados &#039;neoanarquistas&#039; no texto. O que há de errado nisso?
O autor não faz juízo de valor sobre as teorias de Hakim Bey, Bookchin ou Chomsky, e se o &#039;ir além&#039; de cada um significa um avanço ou retrocesso, ou um conflito entre eles.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em defesa do autor e discordando do Khaled, não vejo problema em se agrupar Hakim Bey, Chomsky e Bookchin como &#8220;neoanarquistas&#8221; da forma feita do texto.<br />
O autor deixa claro a diversidade do pensamento entre eles. O que o autor diz é que eles foram além do &#8220;anarquismo clássico&#8221;, e por isso foram considerados &#8216;neoanarquistas&#8217; no texto. O que há de errado nisso?<br />
O autor não faz juízo de valor sobre as teorias de Hakim Bey, Bookchin ou Chomsky, e se o &#8216;ir além&#8217; de cada um significa um avanço ou retrocesso, ou um conflito entre eles.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Felipe C.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120426</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe C.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 03:46:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=77856#comment-120426</guid>

					<description><![CDATA[Caro Marcos, se você tivesse dado uma olhada um pouco mais atenta, veria que o trabalho não é sobre &quot;anarquismo hoje&quot;, ao qual dedico três parágrafos de mais de 250 páginas. Outra questão é que o trecho que você coloca é uma citação do Michael Schmidt; eu, provavelmente, teria escolhido outros termos. Ainda assim, creio que as afirmações são válidas. Universal no sentido da possibilidade de generalização. Intacta e coerente no sentido de que os princípios foram em grande medida conservados nos quase 150 anos de história entre as deferentes correntes anarquistas e demonstram coerência. Viável, pois eu, pelo menos, acredito que essa ideologia tem muito a dizer, apesar do que diz o senso comum e outras correntes da esquerda que têm falado de anarquismo conhecendo pouco ou nada. Do ponto de vista histórico, nenhuma corrente da esquerda conseguiu chegar àquilo que preconizou a Primeira Internacional: a emancipação dos trabalhadores, que deveria ser obra dos próprios trabalhadores, apesar dos significativos esforços. Certamente muitas autocríticas poderiam ser feitas; do meu ponto de vista, principalmente em termos estratégicos. Entretanto, meu caro, para isso precisamos ler a história sem as lentes ideológicas tão comuns na esquerda. Na parte de história (quinta onda) tem algumas coisas (superficiais, entretanto) sobre a história recente do anarquismo. Se quiser conhecer propostas anarquistas contemporâneas, posso indicar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Marcos, se você tivesse dado uma olhada um pouco mais atenta, veria que o trabalho não é sobre &#8220;anarquismo hoje&#8221;, ao qual dedico três parágrafos de mais de 250 páginas. Outra questão é que o trecho que você coloca é uma citação do Michael Schmidt; eu, provavelmente, teria escolhido outros termos. Ainda assim, creio que as afirmações são válidas. Universal no sentido da possibilidade de generalização. Intacta e coerente no sentido de que os princípios foram em grande medida conservados nos quase 150 anos de história entre as deferentes correntes anarquistas e demonstram coerência. Viável, pois eu, pelo menos, acredito que essa ideologia tem muito a dizer, apesar do que diz o senso comum e outras correntes da esquerda que têm falado de anarquismo conhecendo pouco ou nada. Do ponto de vista histórico, nenhuma corrente da esquerda conseguiu chegar àquilo que preconizou a Primeira Internacional: a emancipação dos trabalhadores, que deveria ser obra dos próprios trabalhadores, apesar dos significativos esforços. Certamente muitas autocríticas poderiam ser feitas; do meu ponto de vista, principalmente em termos estratégicos. Entretanto, meu caro, para isso precisamos ler a história sem as lentes ideológicas tão comuns na esquerda. Na parte de história (quinta onda) tem algumas coisas (superficiais, entretanto) sobre a história recente do anarquismo. Se quiser conhecer propostas anarquistas contemporâneas, posso indicar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: khaled		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120424</link>

		<dc:creator><![CDATA[khaled]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 03:38:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto é muito ruim. A caracterização do &quot;anarquismo clássico&quot; é bastante equivocada, como comentou o Leo Vinicius. Essa do &quot;neoanarquismo&quot; então, nem se fala, sem critério algum agrupar Bookchin, Chomsky e Bey no mesmo grupo. Aliás, atribui-se um peso exagerado aos anarcopunks e autonomistas, além de que considerar Hakim Bey anarquista seja um grande equívoco. Em relação aos continuadores do &quot;anarquismo clássico&quot;, é um absurdo dizer não há uma atualização teórica consistente. Basta vermos produções como &quot;Black Flame: The Revolutionary Class Politics of Anarchism and Syndicalism&quot;, dos companheiros sul-africanos da Zabalaza, o documento FAG-FAU &quot;Wellinton Gallarza e Malvina Tavares - Por uma Teoria Política Libertária&quot;, &quot;Huerta Grande: a importância da teoria&quot;, &quot;A Teoria da Interdependência Estrutural das Três Esferas&quot;, as considerações de Jose Antonio Gutierrez Danton sobre o programa anarquista e a política de alianças, e uma infinidade de outras produções. Sobre a tipologia, para ser mais propositivo pensamos numa divisão em termos da necessidade da organização ou não (dividindo os anarquistas em anti-organizacionistas e organizacionistas - estes divididos em sintetistas e especifistas/plataformistas) e ou termos estratégicos entre um anarquismo de massas e um anarquismo insurrecionalista. Isso para não falar muito mais dos problemas do artigo e da proposta apresentada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto é muito ruim. A caracterização do &#8220;anarquismo clássico&#8221; é bastante equivocada, como comentou o Leo Vinicius. Essa do &#8220;neoanarquismo&#8221; então, nem se fala, sem critério algum agrupar Bookchin, Chomsky e Bey no mesmo grupo. Aliás, atribui-se um peso exagerado aos anarcopunks e autonomistas, além de que considerar Hakim Bey anarquista seja um grande equívoco. Em relação aos continuadores do &#8220;anarquismo clássico&#8221;, é um absurdo dizer não há uma atualização teórica consistente. Basta vermos produções como &#8220;Black Flame: The Revolutionary Class Politics of Anarchism and Syndicalism&#8221;, dos companheiros sul-africanos da Zabalaza, o documento FAG-FAU &#8220;Wellinton Gallarza e Malvina Tavares &#8211; Por uma Teoria Política Libertária&#8221;, &#8220;Huerta Grande: a importância da teoria&#8221;, &#8220;A Teoria da Interdependência Estrutural das Três Esferas&#8221;, as considerações de Jose Antonio Gutierrez Danton sobre o programa anarquista e a política de alianças, e uma infinidade de outras produções. Sobre a tipologia, para ser mais propositivo pensamos numa divisão em termos da necessidade da organização ou não (dividindo os anarquistas em anti-organizacionistas e organizacionistas &#8211; estes divididos em sintetistas e especifistas/plataformistas) e ou termos estratégicos entre um anarquismo de massas e um anarquismo insurrecionalista. Isso para não falar muito mais dos problemas do artigo e da proposta apresentada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120402</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2013 23:43:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como o texto é sobre o movimento libertário hoje fui dar uma olhada na parte da dissertação do Felipe Correa que trata da atualidade. Está na página 261 e possui o subtítulo &quot;anarquismo hoje&quot;. 

Lá está escrito que &quot;a mensagem anarquista é universal&quot;, &quot;que se manteve coerente e intacta em termos de espaço e tempo&quot;, e que é &quot;uma alternativa ideológica viável&quot;. 


Universal??? Intacta no tempo e coerente??? Viável? Mesmo com tantos insucessos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como o texto é sobre o movimento libertário hoje fui dar uma olhada na parte da dissertação do Felipe Correa que trata da atualidade. Está na página 261 e possui o subtítulo &#8220;anarquismo hoje&#8221;. </p>
<p>Lá está escrito que &#8220;a mensagem anarquista é universal&#8221;, &#8220;que se manteve coerente e intacta em termos de espaço e tempo&#8221;, e que é &#8220;uma alternativa ideológica viável&#8221;. </p>
<p>Universal??? Intacta no tempo e coerente??? Viável? Mesmo com tantos insucessos?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Felipe C.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/05/77856/#comment-120377</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe C.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2013 20:02:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=77856#comment-120377</guid>

					<description><![CDATA[Macerlo, creio que seu esforço de discutir o pensamento e a ação libertários são muito importantes. Entretanto, creio que incorre em muitos problemas, principalmente quando trata do anarquismo, muitos dos quais ligados às &quot;histórias do anarquismo&quot; conhecidas, como essa do Woodcock que você cita. Creio que a maneira do como se vêm produzindo as discussões teóricas e históricas do anarquismo possuem muito, mas muitos problemas mesmo e precisam ser melhoradas.

- Creio que para qualquer análise histórica contemporânea, é fundamental abandonar a história vista de cima que leem o anarquismo -- um fenômeno global e muito amplo nas lutas sociais -- por meio da história de um ou outro teórico; quando você fala que esse campo libertário &quot;surge&quot; com Proudhon, creio que seria relente investigar as relações dele com os movimentos populares de seu tempo. Da maneira como eu entendo, a expressão do pensamento de Proudhon tem muito vínculo com os trabalhadores da seda lioneses (canuts) que protagonizaram insurreições em 1831 e 1834. Eu particularmente, vejo o surgimento do anarquismo associado à Primeira Internacional, particularmente entre 1868 e 1869, quando os anarquistas, muitos dos quais vinculados à Aliança da Democracia Socialista estabelecem um sindicalismo de intenção revolucionária em países como Espanha, Itália, Portugal, Suíça, México e outros.

- A divisão das correntes anarquistas dessa maneira que vem sendo coloca pela maioria dos estudos de referência, também devem ser questionadas. Por exemplo, um militante como o Neno Vasco defendia o sindicalismo (não era anarco-sindicalista, mas sindicalista revolucionário) e ao mesmo tempo o comunismo como perspectiva de sociedade futura (distribuição de acordo com as necessidades). Esses exemplos são infindáveis e colocam em xeque essas definições. Essas definições &quot;clássicas&quot; se sobrepõem e não explicam muito do que foi o anarquismo desde seu surgimento ao presente. A corrente &quot;anarco-comunista&quot; uniria anarquistas como Malatesta e Luigi Galleani, que, em termos estratégicos, possuem pouco em comum.

- Discordo de você sobre a questão do poder nos anarquistas pois, nesse caso, mais do que a forma, é preciso debruçar-se sobre o conteúdo. Os clássicos, quando discutem &quot;poder&quot; estão falando de dominação e/ou de Estado e assim devem ser lidos. A discussão do poder no anarquismo é rica, mas ela tem de extrapolar a terminologia utilizada nas diferentes épocas.

- Sobre o consenso e votação por maioria, nem falo. Mas senão todos os clássicos, pelo menos a maioria, incluindo Bakunin, Malatesta, Kropotkin e outros, não defendem o consenso. Isso apareceu no anarquismo, de maneira mais significativa, com a &quot;nova esquerda&quot;, dos anos 1970 em diante.

- A diferença fundamental de Bookchin com os clássicos não está, principalmente, na utilização do termo poder ou na crítica do consenso, mas no questionamento da centralidade do trabalho e na defesa da mobilização exclusiva por local de moradia, posição bastante heterodoxa no anarquismo.

- As posições de Castoriadis e Chomsky sobre o anarquismo, com todo respeito a esses dois grandes pensadores, são baseadas em leituras muito superficiais de pouquíssimos autores. Assim, devem ser lidas com cuidado. Eu mesmo traduzi essa compilação do Chomsky, mas se você ver, ele leu um pouco do Bakunin, um pouco do Rocker e mais uns 2 ou 3 anarquistas.

- Sobre Hakim Bey, também nem falo. Não há nada, além da auto-identificação, que o ligue ao anarquismo.

Em suma, creio que diversos pontos podem ser questionados. Sem qualquer arrogância, como sei de seu interesse de pesquisas nesse campo, indico para leitura um trabalho que produzi recentemente, e que ajusto o texto neste momento para transformá-lo em um livro, e que está disponível no link abaixo. Tentei reformular a discussão e fazer um &quot;o que é anarquismo&quot; sem esses e muitos outros problemas pelos quais passam os estudos de referência. Espero que goste.

http://ithanarquista.wordpress.com/2013/01/14/felipe-correa-rediscutindo-o-anarquismo-uma-abordagem-teorica/

Um abraço,
Felipe]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Macerlo, creio que seu esforço de discutir o pensamento e a ação libertários são muito importantes. Entretanto, creio que incorre em muitos problemas, principalmente quando trata do anarquismo, muitos dos quais ligados às &#8220;histórias do anarquismo&#8221; conhecidas, como essa do Woodcock que você cita. Creio que a maneira do como se vêm produzindo as discussões teóricas e históricas do anarquismo possuem muito, mas muitos problemas mesmo e precisam ser melhoradas.</p>
<p>&#8211; Creio que para qualquer análise histórica contemporânea, é fundamental abandonar a história vista de cima que leem o anarquismo &#8212; um fenômeno global e muito amplo nas lutas sociais &#8212; por meio da história de um ou outro teórico; quando você fala que esse campo libertário &#8220;surge&#8221; com Proudhon, creio que seria relente investigar as relações dele com os movimentos populares de seu tempo. Da maneira como eu entendo, a expressão do pensamento de Proudhon tem muito vínculo com os trabalhadores da seda lioneses (canuts) que protagonizaram insurreições em 1831 e 1834. Eu particularmente, vejo o surgimento do anarquismo associado à Primeira Internacional, particularmente entre 1868 e 1869, quando os anarquistas, muitos dos quais vinculados à Aliança da Democracia Socialista estabelecem um sindicalismo de intenção revolucionária em países como Espanha, Itália, Portugal, Suíça, México e outros.</p>
<p>&#8211; A divisão das correntes anarquistas dessa maneira que vem sendo coloca pela maioria dos estudos de referência, também devem ser questionadas. Por exemplo, um militante como o Neno Vasco defendia o sindicalismo (não era anarco-sindicalista, mas sindicalista revolucionário) e ao mesmo tempo o comunismo como perspectiva de sociedade futura (distribuição de acordo com as necessidades). Esses exemplos são infindáveis e colocam em xeque essas definições. Essas definições &#8220;clássicas&#8221; se sobrepõem e não explicam muito do que foi o anarquismo desde seu surgimento ao presente. A corrente &#8220;anarco-comunista&#8221; uniria anarquistas como Malatesta e Luigi Galleani, que, em termos estratégicos, possuem pouco em comum.</p>
<p>&#8211; Discordo de você sobre a questão do poder nos anarquistas pois, nesse caso, mais do que a forma, é preciso debruçar-se sobre o conteúdo. Os clássicos, quando discutem &#8220;poder&#8221; estão falando de dominação e/ou de Estado e assim devem ser lidos. A discussão do poder no anarquismo é rica, mas ela tem de extrapolar a terminologia utilizada nas diferentes épocas.</p>
<p>&#8211; Sobre o consenso e votação por maioria, nem falo. Mas senão todos os clássicos, pelo menos a maioria, incluindo Bakunin, Malatesta, Kropotkin e outros, não defendem o consenso. Isso apareceu no anarquismo, de maneira mais significativa, com a &#8220;nova esquerda&#8221;, dos anos 1970 em diante.</p>
<p>&#8211; A diferença fundamental de Bookchin com os clássicos não está, principalmente, na utilização do termo poder ou na crítica do consenso, mas no questionamento da centralidade do trabalho e na defesa da mobilização exclusiva por local de moradia, posição bastante heterodoxa no anarquismo.</p>
<p>&#8211; As posições de Castoriadis e Chomsky sobre o anarquismo, com todo respeito a esses dois grandes pensadores, são baseadas em leituras muito superficiais de pouquíssimos autores. Assim, devem ser lidas com cuidado. Eu mesmo traduzi essa compilação do Chomsky, mas se você ver, ele leu um pouco do Bakunin, um pouco do Rocker e mais uns 2 ou 3 anarquistas.</p>
<p>&#8211; Sobre Hakim Bey, também nem falo. Não há nada, além da auto-identificação, que o ligue ao anarquismo.</p>
<p>Em suma, creio que diversos pontos podem ser questionados. Sem qualquer arrogância, como sei de seu interesse de pesquisas nesse campo, indico para leitura um trabalho que produzi recentemente, e que ajusto o texto neste momento para transformá-lo em um livro, e que está disponível no link abaixo. Tentei reformular a discussão e fazer um &#8220;o que é anarquismo&#8221; sem esses e muitos outros problemas pelos quais passam os estudos de referência. Espero que goste.</p>
<p><a href="http://ithanarquista.wordpress.com/2013/01/14/felipe-correa-rediscutindo-o-anarquismo-uma-abordagem-teorica/" rel="nofollow ugc">http://ithanarquista.wordpress.com/2013/01/14/felipe-correa-rediscutindo-o-anarquismo-uma-abordagem-teorica/</a></p>
<p>Um abraço,<br />
Felipe</p>
]]></content:encoded>
		
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