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	Comentários sobre: Cidades brasileiras, junho de 2013: o(s) sentido(s) da revolta (1ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/80798/#comment-127021</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jul 2013 04:06:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acabei de ler esta matéria aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,povo-nao-precisa-de-carro-de-som-afirma-representante-do-movimento-passe-livre,1052575,0.htm

Me impressionou o esforço do jornal, através dessa matéria, em colocar o MPL contra os sindicatos e vice-versa.
O que mostra o medo ou receio que eles tem da unidade da classe trabalhadora, em sentido amplo. Tentam jogar uma organização contra outra.
É preciso estar atento...

Sobre carro de som especificamente, aqui em BH, em meio às manifestações de junho, quando os coxinhas começaram a aparecer em massa, foi um alívio ouvir um carro de som tomando a frente da manifestação e dando a direção, com gente em cima gritando slogans de esquerda.
Para ser vitorioso é fundamental saber o que usar (taticamente) e quando usar. E saber que cada grupo social tem características diferentes, para os quais uma tática ou forma de organização pode funcionar melhor que outras.

OK, comentário meio fora de tópico em relação ao artigo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de ler esta matéria aqui: <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,povo-nao-precisa-de-carro-de-som-afirma-representante-do-movimento-passe-livre,1052575,0.htm" rel="nofollow ugc">http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,povo-nao-precisa-de-carro-de-som-afirma-representante-do-movimento-passe-livre,1052575,0.htm</a></p>
<p>Me impressionou o esforço do jornal, através dessa matéria, em colocar o MPL contra os sindicatos e vice-versa.<br />
O que mostra o medo ou receio que eles tem da unidade da classe trabalhadora, em sentido amplo. Tentam jogar uma organização contra outra.<br />
É preciso estar atento&#8230;</p>
<p>Sobre carro de som especificamente, aqui em BH, em meio às manifestações de junho, quando os coxinhas começaram a aparecer em massa, foi um alívio ouvir um carro de som tomando a frente da manifestação e dando a direção, com gente em cima gritando slogans de esquerda.<br />
Para ser vitorioso é fundamental saber o que usar (taticamente) e quando usar. E saber que cada grupo social tem características diferentes, para os quais uma tática ou forma de organização pode funcionar melhor que outras.</p>
<p>OK, comentário meio fora de tópico em relação ao artigo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/80798/#comment-126796</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jul 2013 13:56:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Marcelo, sobre a comparação da atual situação dos movimentos sociais (e das mobilizações) no Brasil com a Argentina do começo da década passada, também acho que as diferenças são muito grandes. Estou apenas chamando a atenção para o momento favorável àquilo que você se referiu como ganhos político-pedagógicos dos ativismos e movimentos de esquerda, e ainda acho que o momento é mais favorável a este do que aos grupamentos de direita e extrema-direita. Se usaremos bem o tempo e nossos recursos para isso eu não sei, mas é um fato que ao longo dos últimos muitos anos em que a esquerda sofreu sucessivas derrotas houve sempre aqueles que empregaram o melhor (ou boa parte) do seu tempo e de seus recursos para tanto. Creio que agora seu trabalho tende a ser mais frutífero e encontrar maior ressonância do que antes, ainda que seja impossível prever até onde isso chegará.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelo, sobre a comparação da atual situação dos movimentos sociais (e das mobilizações) no Brasil com a Argentina do começo da década passada, também acho que as diferenças são muito grandes. Estou apenas chamando a atenção para o momento favorável àquilo que você se referiu como ganhos político-pedagógicos dos ativismos e movimentos de esquerda, e ainda acho que o momento é mais favorável a este do que aos grupamentos de direita e extrema-direita. Se usaremos bem o tempo e nossos recursos para isso eu não sei, mas é um fato que ao longo dos últimos muitos anos em que a esquerda sofreu sucessivas derrotas houve sempre aqueles que empregaram o melhor (ou boa parte) do seu tempo e de seus recursos para tanto. Creio que agora seu trabalho tende a ser mais frutífero e encontrar maior ressonância do que antes, ainda que seja impossível prever até onde isso chegará.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo Lopes de Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/80798/#comment-126718</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Lopes de Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jul 2013 23:58:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=80798#comment-126718</guid>

					<description><![CDATA[Caro João:

Confesso que eu, quase que desde criança  -  portanto, muito antes de, graças a meu pai, começar a pensar sobre e discutir temas e problemas a partir de uma perspectiva de esquerda, e muitíssimo antes de, dessa vez caminhando por mim mesmo, identificar-me com o campo libertário, compreendido em sentido lato   -, tinha uma aversão instintiva por hinos e bandeiras. Me sentia muito desconfortável no pátio da escola, perfilado diante da bandeira, tendo de cantar o hino. Mais tarde, entendi que não tinha de me sentir esquisito por isso, e minha aversão tornou-se consciente e assumida. De tal maneira internalizei essa repulsa (que, no devido tempo, foi ampliada, ao estender-se ao racismo e à xenofobia em geral, bem como a todos os tipos de “corporativismo territorial”: “bairrismo” e “regionalismo” em seus conteúdos usuais, por exemplo) que, já bem cedo, tinha quase que crises de urticária diante de reações “patrióticas” a propósito de eventos esportivos, como é tão comum.

Tendo dito isso, esclareço que vejo com maus olhos as tentativas, lidas e ouvidas nas últimas semanas, de ser condescendente com os símbolos e as alusões verbais a símbolos nacionais (e me refiro, aqui, a observadores supostamente de esquerda, não aos conservadores contumazes que povoam os veículos da grande imprensa). Quem conhece bem a história e, mais do que isso, foi testemunha ocular de processos históricos dramáticos  -  e você se encaixa em ambas as categorias  -, sabe onde o uso de símbolos (e tiradas, slogans etc.) “patrióticos” pode parar  -  e o que/quais interesses eles, em última análise, reforçam. 

A única coisa, porém, que, andando pelas ruas e conversando com jovens nestas últimas semanas, me inspira a relativização que embuti em minha resposta ao Eduardo foi a seguinte: apesar dos riscos e da carga negativa que ali, naquelas bandeiras, dormitam, me parece que seria exagerado imaginar que, por trás de todos e cada um daqueles jovens, há um “nacionalista”, quem sabe até um “[proto]fascista”. Me pareceu que havia de tudo, e uma parcela ponderável talvez empunhasse uma bandeira porque não lhes pareceu haver outro símbolo para expressar o que, confusa e toscamente, tentavam expressar. Se não se identificavam com os partidos e grupelhos da esquerda autoritária, isso poderia, em muitos (muitíssimos) casos, ter a ver com sentimentos reacionários em estado larvar ou já manifesto  -  certamente. Mas quem sabe uma parte desses, se fosse exposta a ideias e debates, não deixaria de lado a bandeira do Brasil sem, necessariamente, substituí-la pela do PSTU, por exemplo? (E muito menos pela de algum partido explicitamente conservador.) Ou seja: há uma parcela dessa juventude cujos corações e mentes precisam ser, urgentemente e com inteligência (repito: teremos recursos, teremos energia, teremos habilidade?...), disputados. Nem todos os que empunharam bandeiras do Brasil são “casos perdidos”, e precisamos nos dirigir a eles de algum modo produtivo, não apenas hostilizá-los. Se mesmo os filhos e filhas da classe trabalhadora que vive nas favelas e periferias tantas vezes não demonstra “consciência de classe”, o que dizer dos filhos e filhas dos assalariados mais privilegiados, candidatos a engrossarem a classe dos “gestores”? E no entanto, o destino e o comportamento deles não são inevitáveis. No fundo, foi só isso o que eu tentei expressar. Porém, não desejo, por um minuto sequer, dar de barato os riscos e o significado último dos símbolos em questão. Preocupo-me, e muito. No mais, identifico-me, no geral e em particular neste caso, com a citação de Roger Scruton que o Passa Palavra disseminou dias atrás: “o otimismo escrupuloso conhece a utilidade do pessimismo e sabe quando qualificar os nossos planos com uma dose dele.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João:</p>
<p>Confesso que eu, quase que desde criança  &#8211;  portanto, muito antes de, graças a meu pai, começar a pensar sobre e discutir temas e problemas a partir de uma perspectiva de esquerda, e muitíssimo antes de, dessa vez caminhando por mim mesmo, identificar-me com o campo libertário, compreendido em sentido lato   -, tinha uma aversão instintiva por hinos e bandeiras. Me sentia muito desconfortável no pátio da escola, perfilado diante da bandeira, tendo de cantar o hino. Mais tarde, entendi que não tinha de me sentir esquisito por isso, e minha aversão tornou-se consciente e assumida. De tal maneira internalizei essa repulsa (que, no devido tempo, foi ampliada, ao estender-se ao racismo e à xenofobia em geral, bem como a todos os tipos de “corporativismo territorial”: “bairrismo” e “regionalismo” em seus conteúdos usuais, por exemplo) que, já bem cedo, tinha quase que crises de urticária diante de reações “patrióticas” a propósito de eventos esportivos, como é tão comum.</p>
<p>Tendo dito isso, esclareço que vejo com maus olhos as tentativas, lidas e ouvidas nas últimas semanas, de ser condescendente com os símbolos e as alusões verbais a símbolos nacionais (e me refiro, aqui, a observadores supostamente de esquerda, não aos conservadores contumazes que povoam os veículos da grande imprensa). Quem conhece bem a história e, mais do que isso, foi testemunha ocular de processos históricos dramáticos  &#8211;  e você se encaixa em ambas as categorias  -, sabe onde o uso de símbolos (e tiradas, slogans etc.) “patrióticos” pode parar  &#8211;  e o que/quais interesses eles, em última análise, reforçam. </p>
<p>A única coisa, porém, que, andando pelas ruas e conversando com jovens nestas últimas semanas, me inspira a relativização que embuti em minha resposta ao Eduardo foi a seguinte: apesar dos riscos e da carga negativa que ali, naquelas bandeiras, dormitam, me parece que seria exagerado imaginar que, por trás de todos e cada um daqueles jovens, há um “nacionalista”, quem sabe até um “[proto]fascista”. Me pareceu que havia de tudo, e uma parcela ponderável talvez empunhasse uma bandeira porque não lhes pareceu haver outro símbolo para expressar o que, confusa e toscamente, tentavam expressar. Se não se identificavam com os partidos e grupelhos da esquerda autoritária, isso poderia, em muitos (muitíssimos) casos, ter a ver com sentimentos reacionários em estado larvar ou já manifesto  &#8211;  certamente. Mas quem sabe uma parte desses, se fosse exposta a ideias e debates, não deixaria de lado a bandeira do Brasil sem, necessariamente, substituí-la pela do PSTU, por exemplo? (E muito menos pela de algum partido explicitamente conservador.) Ou seja: há uma parcela dessa juventude cujos corações e mentes precisam ser, urgentemente e com inteligência (repito: teremos recursos, teremos energia, teremos habilidade?&#8230;), disputados. Nem todos os que empunharam bandeiras do Brasil são “casos perdidos”, e precisamos nos dirigir a eles de algum modo produtivo, não apenas hostilizá-los. Se mesmo os filhos e filhas da classe trabalhadora que vive nas favelas e periferias tantas vezes não demonstra “consciência de classe”, o que dizer dos filhos e filhas dos assalariados mais privilegiados, candidatos a engrossarem a classe dos “gestores”? E no entanto, o destino e o comportamento deles não são inevitáveis. No fundo, foi só isso o que eu tentei expressar. Porém, não desejo, por um minuto sequer, dar de barato os riscos e o significado último dos símbolos em questão. Preocupo-me, e muito. No mais, identifico-me, no geral e em particular neste caso, com a citação de Roger Scruton que o Passa Palavra disseminou dias atrás: “o otimismo escrupuloso conhece a utilidade do pessimismo e sabe quando qualificar os nossos planos com uma dose dele.”</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/80798/#comment-126697</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jul 2013 21:13:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Marcelo,
A propósito dos símbolos nacionais e das referências nacionalistas. Um lugar-comum tem o seu valor significante atenuado porque, de tão repetido que é, dilui a sua identidade? Ou um lugar-comum tem o seu valor significante reforçado porque, de tão repetido que é, se converte numa verdade geralmente aceite e impermeável ao espírito crítico?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelo,<br />
A propósito dos símbolos nacionais e das referências nacionalistas. Um lugar-comum tem o seu valor significante atenuado porque, de tão repetido que é, dilui a sua identidade? Ou um lugar-comum tem o seu valor significante reforçado porque, de tão repetido que é, se converte numa verdade geralmente aceite e impermeável ao espírito crítico?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo Lopes de Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/80798/#comment-126693</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Lopes de Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jul 2013 20:52:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Eduardo:

Uma das questões práticas fundamentais, no que se refere a aproveitar o lado positivo da atual onda de protestos para poder gerar um pouco mais de acúmulo político-pedagógico e organizacional, tem a ver justamente com coisas sobre as quais você também tem refletido: a necessidade de fomentar o desenvolvimento e a multiplicação de organizações horizontais e de base territorial. 

Nossas condições e possibilidades, a esse respeito, são bem diferentes do que havia na Argentina no começo da década passada, e não seria nem um pouco realista esperar que fôssemos testemunhar, por aqui, a multiplicação de &quot;asambleas barriales&quot; e de algo comparável ao movimento &quot;piquetero&quot; (algumas comparações recentemente feitas com o caso argentino me parecem um tanto forçadas ou, pelo menos, muito limitadas, pois enfatizam apenas um aspecto em que há, de fato, semelhança: a presença de fortes contradições e, no meio disso, uma confusa dimensão de nacionalismo, ainda que lá como cá não se trate sempre de manifestações [proto]fascistas quando jovens pouco politizados resolvem empunhar a bandeira nacional, usada às vezes como símbolo mais de indignação que de patriotismo francamente reacionário).

De qualquer modo, as várias experiências que vêm ocorrendo (sobretudo desde a década passada) no Brasil urbano, do MPL aos setores mais horizontais do movimento dos sem-teto, passando por diversas outras organizações e diversos outros movimentos, demonstram que há um potencial ainda a ser melhor aproveitado. Saberemos aproveitá-lo? Faremos as necessárias autocríticas? Usaremos bem o tempo e os nossos recursos? Conseguiremos &quot;driblar&quot; fatores adversos tão poderosos como a mídia corporativa (coautora essencial do redirecionamento da pauta de protestos e parcial &quot;sequestro&quot; das mobilizações)? Como sempre, o tempo dirá.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Eduardo:</p>
<p>Uma das questões práticas fundamentais, no que se refere a aproveitar o lado positivo da atual onda de protestos para poder gerar um pouco mais de acúmulo político-pedagógico e organizacional, tem a ver justamente com coisas sobre as quais você também tem refletido: a necessidade de fomentar o desenvolvimento e a multiplicação de organizações horizontais e de base territorial. </p>
<p>Nossas condições e possibilidades, a esse respeito, são bem diferentes do que havia na Argentina no começo da década passada, e não seria nem um pouco realista esperar que fôssemos testemunhar, por aqui, a multiplicação de &#8220;asambleas barriales&#8221; e de algo comparável ao movimento &#8220;piquetero&#8221; (algumas comparações recentemente feitas com o caso argentino me parecem um tanto forçadas ou, pelo menos, muito limitadas, pois enfatizam apenas um aspecto em que há, de fato, semelhança: a presença de fortes contradições e, no meio disso, uma confusa dimensão de nacionalismo, ainda que lá como cá não se trate sempre de manifestações [proto]fascistas quando jovens pouco politizados resolvem empunhar a bandeira nacional, usada às vezes como símbolo mais de indignação que de patriotismo francamente reacionário).</p>
<p>De qualquer modo, as várias experiências que vêm ocorrendo (sobretudo desde a década passada) no Brasil urbano, do MPL aos setores mais horizontais do movimento dos sem-teto, passando por diversas outras organizações e diversos outros movimentos, demonstram que há um potencial ainda a ser melhor aproveitado. Saberemos aproveitá-lo? Faremos as necessárias autocríticas? Usaremos bem o tempo e os nossos recursos? Conseguiremos &#8220;driblar&#8221; fatores adversos tão poderosos como a mídia corporativa (coautora essencial do redirecionamento da pauta de protestos e parcial &#8220;sequestro&#8221; das mobilizações)? Como sempre, o tempo dirá.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/80798/#comment-126595</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jul 2013 05:08:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=80798#comment-126595</guid>

					<description><![CDATA[Caro Marcelo, parabéns pelo texto, que é de uma ponderação e precisão analítica que costumam fazer falta em momentos como esse, em que se costuma agir e pensar no calor. Quero me ater à reflexão acerca das questões de fundo que você coloca (a saber: &quot;o que fica, então, como resultado? Ou, desdobrando e formulando de outras maneiras: que tipo e que intensidade de acúmulo sociopolítico (material, político-pedagógico, estratégico, cultural-simbólico…) deriva de tal ou qual movimentação/luta social? Que consequências advirão? E, lembrando uma crucial interrogação de Castoriadis: as lutas e os avanços futuros serão facilitados ou dificultados pelos resultados das lutas de hoje?&quot;.

Creio que a onda de protestos urbanos que varreu o país inteiro (de cidades pequenas às grandes metrópoles) tende a representar, no mínimo, uma mudança no sentido das ações coletivas de protesto perante o imaginário de grande parte da população brasileira. Até um mês atrás - em função das derrotas e descaminhos da esquerda e do peso da ideologia neoliberal ultra-individualista -, ir às ruas em protesto era visto como algo de pouca utilidade, quando não claramente um estorvo e um crime. Agora ficarão por um bom tempo com a pulga atrás da orelha pensando se a mobilização realmente não é o veículo mais seguro de se alcançarem conquistas.

Essa mudança de sentido tende também a atrair pessoas (e sobretudo os jovens) para formas de mobilização política mais duradouras e orgânicas, e não me parece que os partidos de esquerda serão os principais beneficiados em meio à desconfiança generalizada vertida contra eles; mas, antes, os ativismos urbanos. Passadas as manifestações milionárias, o que tenho presenciado é a reaproximação de uma miríade de ativistas, grupos e organizações dos ativismos sociais desejosos de compartilhar análises de conjuntura e pensar táticas de atuação conjunta, a criação de fóruns políticos por temas e assembleias territorialmente referenciadas, além de uma busca por engajamento político por parte de &quot;marinheiros de primeira viajem&quot; e, ainda, a volta à ativa de &quot;velhos lobos do mar&quot; que antes estavam distantes da luta. 

Percebe-se portanto uma efervescência política, efervescência que pode (e deve) arrefecer, mas que pode também muito bem ter como resultado a ampliação de uma massa crítica de ativistas e a reorganização de uma esquerda comprometida com o trabalho de base e com a criação de espaços de autodeterminação política e gestação de relações contra-hegemônicas. Não acho que as grandes conquistas estejam na ordem do dia, mas sim a rearticulação dessa parte da esquerda, o que já seria em si uma tremenda vitória se se toma como parâmetro as perspectivas que tínhamos há algumas semanas. É claro que tal rearticulação exigirá muita reflexão para que possamos retomar a dimensão estratégica na luta anti-capitalista, e, sobretudo, um trabalho de base de fôlego. A reflexão que você faz nesse texto é de grande valia para isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Marcelo, parabéns pelo texto, que é de uma ponderação e precisão analítica que costumam fazer falta em momentos como esse, em que se costuma agir e pensar no calor. Quero me ater à reflexão acerca das questões de fundo que você coloca (a saber: &#8220;o que fica, então, como resultado? Ou, desdobrando e formulando de outras maneiras: que tipo e que intensidade de acúmulo sociopolítico (material, político-pedagógico, estratégico, cultural-simbólico…) deriva de tal ou qual movimentação/luta social? Que consequências advirão? E, lembrando uma crucial interrogação de Castoriadis: as lutas e os avanços futuros serão facilitados ou dificultados pelos resultados das lutas de hoje?&#8221;.</p>
<p>Creio que a onda de protestos urbanos que varreu o país inteiro (de cidades pequenas às grandes metrópoles) tende a representar, no mínimo, uma mudança no sentido das ações coletivas de protesto perante o imaginário de grande parte da população brasileira. Até um mês atrás &#8211; em função das derrotas e descaminhos da esquerda e do peso da ideologia neoliberal ultra-individualista -, ir às ruas em protesto era visto como algo de pouca utilidade, quando não claramente um estorvo e um crime. Agora ficarão por um bom tempo com a pulga atrás da orelha pensando se a mobilização realmente não é o veículo mais seguro de se alcançarem conquistas.</p>
<p>Essa mudança de sentido tende também a atrair pessoas (e sobretudo os jovens) para formas de mobilização política mais duradouras e orgânicas, e não me parece que os partidos de esquerda serão os principais beneficiados em meio à desconfiança generalizada vertida contra eles; mas, antes, os ativismos urbanos. Passadas as manifestações milionárias, o que tenho presenciado é a reaproximação de uma miríade de ativistas, grupos e organizações dos ativismos sociais desejosos de compartilhar análises de conjuntura e pensar táticas de atuação conjunta, a criação de fóruns políticos por temas e assembleias territorialmente referenciadas, além de uma busca por engajamento político por parte de &#8220;marinheiros de primeira viajem&#8221; e, ainda, a volta à ativa de &#8220;velhos lobos do mar&#8221; que antes estavam distantes da luta. </p>
<p>Percebe-se portanto uma efervescência política, efervescência que pode (e deve) arrefecer, mas que pode também muito bem ter como resultado a ampliação de uma massa crítica de ativistas e a reorganização de uma esquerda comprometida com o trabalho de base e com a criação de espaços de autodeterminação política e gestação de relações contra-hegemônicas. Não acho que as grandes conquistas estejam na ordem do dia, mas sim a rearticulação dessa parte da esquerda, o que já seria em si uma tremenda vitória se se toma como parâmetro as perspectivas que tínhamos há algumas semanas. É claro que tal rearticulação exigirá muita reflexão para que possamos retomar a dimensão estratégica na luta anti-capitalista, e, sobretudo, um trabalho de base de fôlego. A reflexão que você faz nesse texto é de grande valia para isso.</p>
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