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	Comentários sobre: Revolta/revolução	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Entendi nada		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-234943</link>

		<dc:creator><![CDATA[Entendi nada]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2014 01:56:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu me referia ao comentário do outro &quot;João&quot; (e não ao texto), logo acima do meu, daí a confusão. O João sem sobrenome.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu me referia ao comentário do outro &#8220;João&#8221; (e não ao texto), logo acima do meu, daí a confusão. O João sem sobrenome.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Phil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-209573</link>

		<dc:creator><![CDATA[Phil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Apr 2014 05:33:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;É hoje ponto assente que os telemóveis e as redes sociais fizeram a Primavera Árabe, o Verão Turco e o Inverno Brasileiro. Mas o que é que desfez esses movimentos, belos e luminosos como bolhas de sabão?&quot;

Parte da resposta deve-se ao elemento &quot;política externa norte-americana&quot;, isto é, a utilização de redes sociais para desestabilização política de regimes não alinhados (golpe suave). Um exemplo recente disso:

http://bigstory.ap.org/article/us-secretly-created-cuban-twitter-stir-unrest

É exatamente uma bolha. Infla-se e na hora que o país explode em caos, coloca-se um governo favorável ao Ocidente.

Toda tecnologia é produzida a partir de uma visão de mundo. O Facebook é a catequese de uma ideologia de ação individual, de mínimo esforço, de individualidades dispersas numa multidão e imediata. Transformações radicais são exatamente o oposto: coletivamente organizadas, de muito trabalho e demoradas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;É hoje ponto assente que os telemóveis e as redes sociais fizeram a Primavera Árabe, o Verão Turco e o Inverno Brasileiro. Mas o que é que desfez esses movimentos, belos e luminosos como bolhas de sabão?&#8221;</p>
<p>Parte da resposta deve-se ao elemento &#8220;política externa norte-americana&#8221;, isto é, a utilização de redes sociais para desestabilização política de regimes não alinhados (golpe suave). Um exemplo recente disso:</p>
<p><a href="http://bigstory.ap.org/article/us-secretly-created-cuban-twitter-stir-unrest" rel="nofollow ugc">http://bigstory.ap.org/article/us-secretly-created-cuban-twitter-stir-unrest</a></p>
<p>É exatamente uma bolha. Infla-se e na hora que o país explode em caos, coloca-se um governo favorável ao Ocidente.</p>
<p>Toda tecnologia é produzida a partir de uma visão de mundo. O Facebook é a catequese de uma ideologia de ação individual, de mínimo esforço, de individualidades dispersas numa multidão e imediata. Transformações radicais são exatamente o oposto: coletivamente organizadas, de muito trabalho e demoradas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fernanda de Paula		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-135466</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernanda de Paula]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Sep 2013 07:22:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=81647#comment-135466</guid>

					<description><![CDATA[Ahh! Ler e silênciar. Não como o “último suspiro dos que se sentem impotentes”, mas justamente porque é preciso digerir com paciência, se alimentando de fontes e afinidades, pra se sentir mais forte (e um tanto desencantada...), mais convencida de que os idealismos que nos consolam da bruta realidade só acabam por consolidar essa mesma realidade.

Confesso: há alguns poucos anos atrás eu repudiária este texto, porque no auge do movimentismo que se aprende na universidade, reza a cartilha que toda forma de luta é louvável: 
Pedras, 
noites 
e poemas.

Os movimentismos são ótimos para o ego.Mesmo quando a gente não se dá conta, eles servem pra fabular que “se está contribuindo muito com sua parte para o nosso belo quadro social”. Pra se iludir que a revolução virá, tweetada e com data marcada no facebook, proclamada em Brasilia (?), Autenticada em cartório, em 3 vias...

Agora, estou tentando exercitar meu materialismo e assim, não posso mais concordar que a mera vontade, é suficiente para a revolução. Não é mais possivel ser condescendente com as armadilhas da social democracia, fazendo-nos lutar por projetos, pec&#039;s, consessões e migalhas, apenas arranhando as superficies da Superficie, nos foras-politico-corrupto-genérico, abaixo emissora-fantoche tal, sem nunca tocarmos, mesmo que de leve na real Estrutura do poder. Invertendo-se a ordem dos fatores e também o resultado: Não é o Estado que dá forma ao Capital, mas o Capital que produz o Estado, na forma que melhor o sustentar. (E sim, é dialético...)  
Talvez uma das coisas mais perigosas seja a ilusão de que se acaba com o capitalismo, reformando-o. E pra esquerda, mesmo a mais bem intencionada, de que as lutas do projeto popular democrático, pela passagem, pelas árvores, as marchas das vadias, maconha e o fim da corrupção, sejam lutas da classe trabalhadora, e por isso, de cunho revolucionário. O capital pode conceder passe – livre, se isso tornar possivel que continue se alimentando das mesmas relações de trabalho que sugam o trabalhador que produz o carro da classe média. Assim como pode tolerar o fim machismo, uma vez que se substitua essas relações por outras mais fetichistas e exploratórias. É assim no Capital. Tudo é tragado e transformado em motor para essa teia que complexifica todas as relações da vida e as tornam aparentemente invenciveis. Mas só aparentemente.

Mas é isso, valeu pelo texto, e vamos lá porque só o que permanece é o movimento. 

Fernanda]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ahh! Ler e silênciar. Não como o “último suspiro dos que se sentem impotentes”, mas justamente porque é preciso digerir com paciência, se alimentando de fontes e afinidades, pra se sentir mais forte (e um tanto desencantada&#8230;), mais convencida de que os idealismos que nos consolam da bruta realidade só acabam por consolidar essa mesma realidade.</p>
<p>Confesso: há alguns poucos anos atrás eu repudiária este texto, porque no auge do movimentismo que se aprende na universidade, reza a cartilha que toda forma de luta é louvável:<br />
Pedras,<br />
noites<br />
e poemas.</p>
<p>Os movimentismos são ótimos para o ego.Mesmo quando a gente não se dá conta, eles servem pra fabular que “se está contribuindo muito com sua parte para o nosso belo quadro social”. Pra se iludir que a revolução virá, tweetada e com data marcada no facebook, proclamada em Brasilia (?), Autenticada em cartório, em 3 vias&#8230;</p>
<p>Agora, estou tentando exercitar meu materialismo e assim, não posso mais concordar que a mera vontade, é suficiente para a revolução. Não é mais possivel ser condescendente com as armadilhas da social democracia, fazendo-nos lutar por projetos, pec&#8217;s, consessões e migalhas, apenas arranhando as superficies da Superficie, nos foras-politico-corrupto-genérico, abaixo emissora-fantoche tal, sem nunca tocarmos, mesmo que de leve na real Estrutura do poder. Invertendo-se a ordem dos fatores e também o resultado: Não é o Estado que dá forma ao Capital, mas o Capital que produz o Estado, na forma que melhor o sustentar. (E sim, é dialético&#8230;)<br />
Talvez uma das coisas mais perigosas seja a ilusão de que se acaba com o capitalismo, reformando-o. E pra esquerda, mesmo a mais bem intencionada, de que as lutas do projeto popular democrático, pela passagem, pelas árvores, as marchas das vadias, maconha e o fim da corrupção, sejam lutas da classe trabalhadora, e por isso, de cunho revolucionário. O capital pode conceder passe – livre, se isso tornar possivel que continue se alimentando das mesmas relações de trabalho que sugam o trabalhador que produz o carro da classe média. Assim como pode tolerar o fim machismo, uma vez que se substitua essas relações por outras mais fetichistas e exploratórias. É assim no Capital. Tudo é tragado e transformado em motor para essa teia que complexifica todas as relações da vida e as tornam aparentemente invenciveis. Mas só aparentemente.</p>
<p>Mas é isso, valeu pelo texto, e vamos lá porque só o que permanece é o movimento. </p>
<p>Fernanda</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-132002</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2013 15:13:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma observação:

Não é completamente exata a afirmação de que não existam lutas que coloquem em causa as relações sociais mediante as quais se produz conhecimento na universidade. Ao contrário, existem dados conhecimentos que só são produzidos porque existem lutas que alteram as hierarquias. E, de todo modo, uma série de lutas apresentam um formato igualitário onde funcionários, alunos e professores possuem o mesmo espaço para voz, mesmo poder de voto e há rotatividade nas funções. Isso é totalmente contrário ao modelo hierárquico predominante. 

Não só essas lutas existem como elas são intensivamente combatidas. São inúmeros os casos de processo, expulsões e tentativas de expulsão, perseguições. No entanto, o mais importante é o uso daquilo que Tragtenberg chamou &quot;currículo informal&quot;. Os estudantes que recusam apenas discutir as ideias e queiram a militância prática têm as suas possibilidades de carreira bloqueadas. É assim que se forma um professorado avesso a transformações práticas. Os estudantes contestadores vão sendo isolados, combatidos e perseguidos. Depois bloqueiam suas possibilidades de carreira. Assim, forma-se um professorado dócil porque já de antes a universidade foi botando pra fora os radicais e tornando professores os que se encaixam nas hierarquias. 

Seria necessário tirar dos departamentos o poder de seleção e torná-lo externo, como os concursos normais, para que se evitasse esse clientelismo que premia os alunos servis. Ou, numa linha mais radical, lutar para que os estudantes tivessem poder de decidir, também, quem é ou não contratado. Tanto uma ou outra coisa só viria com luta porque vai contra o esquemão clientelista predominante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma observação:</p>
<p>Não é completamente exata a afirmação de que não existam lutas que coloquem em causa as relações sociais mediante as quais se produz conhecimento na universidade. Ao contrário, existem dados conhecimentos que só são produzidos porque existem lutas que alteram as hierarquias. E, de todo modo, uma série de lutas apresentam um formato igualitário onde funcionários, alunos e professores possuem o mesmo espaço para voz, mesmo poder de voto e há rotatividade nas funções. Isso é totalmente contrário ao modelo hierárquico predominante. </p>
<p>Não só essas lutas existem como elas são intensivamente combatidas. São inúmeros os casos de processo, expulsões e tentativas de expulsão, perseguições. No entanto, o mais importante é o uso daquilo que Tragtenberg chamou &#8220;currículo informal&#8221;. Os estudantes que recusam apenas discutir as ideias e queiram a militância prática têm as suas possibilidades de carreira bloqueadas. É assim que se forma um professorado avesso a transformações práticas. Os estudantes contestadores vão sendo isolados, combatidos e perseguidos. Depois bloqueiam suas possibilidades de carreira. Assim, forma-se um professorado dócil porque já de antes a universidade foi botando pra fora os radicais e tornando professores os que se encaixam nas hierarquias. </p>
<p>Seria necessário tirar dos departamentos o poder de seleção e torná-lo externo, como os concursos normais, para que se evitasse esse clientelismo que premia os alunos servis. Ou, numa linha mais radical, lutar para que os estudantes tivessem poder de decidir, também, quem é ou não contratado. Tanto uma ou outra coisa só viria com luta porque vai contra o esquemão clientelista predominante.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-129997</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2013 12:02:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo, 

fico contente que tenha retomado a publicação dos textos, mais ainda porque este texto me lembrou muito um que é recorrente nas formações políticas que fazemos, &quot;A autogestão da sociedade prepara-se na autogestão das lutas&quot;.

Acredito que a análise que você fez sobre o MPL, ressaltando a forma de luta, parece ser a grande contribuição para a esquerda brasileira. O passe livre seria uma pauta &quot;imediata&quot;, e talvez reformista, se sua conquista fosse obra de uma &quot;organização clássica&quot;, na qual a divisão do trabalho se reproduz na divisão entre base e direção. Assim, o &quot;passe livre&quot; viria para amenizar as mazelas do capitalismo e colocar um freio na revolta social; tal como aconteceu com o &quot;estado de bem-estar social&quot; na Europa, que, mais do que nada, foi uma resposta do capital ao perigo do &quot;espectro do comunismo&quot; que rondava o cenário. Assim, a possibilidade da revolução se extender a outros países da Europa, fez com que o capital precisasse melhorar as condições de vida da classe trabalhadora, a fim de evitar um dano maior. 

Quero apenas afirmar que há ganhos políticos imediatos e a longo prazo com o modo de organização do &quot;passe livre&quot; (e também outras organizações autônomas, como p.ex. as fábricas ocupadas na argentina). Não cabe aqui o debate entre &quot;reforma e revolução&quot;, justamente pelo fato de que não é um conjunto de melhorias que proporcionaria a transformação social, nem tão-pouco uma mudança radial imediata, como se as relações de dominação fossem chip&#039;s que, ao serem substituídos, mudariam assim todos os nossos hábitos e costumes (local em que se reprodução - e se produz - as relações de dominação). Cabe lembrar que o capital precisou ritualizar o consumo para transformar as sociedades (há outros fatores, mas este é um ponto interessante que teve início a partir da década de 50). 

Resumo da ópera, o debate entre &quot;a reforma e a revolução&quot; não cabe mais aqui, justamente pela fronteira tênue que separa a conquista  imediata da conquista a longo prazo, desse modo, se &quot;a autogestão das sociedades se prepara na autogestão das lutas&quot;, então pode-se dizer que essa forma de organização se contrapõe a outras na medida em que trabalha sobre o cotidiano com uma perspectiva revolucionária, assim não basta &quot;tomar os meios de produção para modificar as relações de dominação&quot;, a revolução só será &quot;completa&quot; se cortarmos os laços que ainda nos prender ao &quot;ancien régime&quot;, e isso não se resume na queda da bastilha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, </p>
<p>fico contente que tenha retomado a publicação dos textos, mais ainda porque este texto me lembrou muito um que é recorrente nas formações políticas que fazemos, &#8220;A autogestão da sociedade prepara-se na autogestão das lutas&#8221;.</p>
<p>Acredito que a análise que você fez sobre o MPL, ressaltando a forma de luta, parece ser a grande contribuição para a esquerda brasileira. O passe livre seria uma pauta &#8220;imediata&#8221;, e talvez reformista, se sua conquista fosse obra de uma &#8220;organização clássica&#8221;, na qual a divisão do trabalho se reproduz na divisão entre base e direção. Assim, o &#8220;passe livre&#8221; viria para amenizar as mazelas do capitalismo e colocar um freio na revolta social; tal como aconteceu com o &#8220;estado de bem-estar social&#8221; na Europa, que, mais do que nada, foi uma resposta do capital ao perigo do &#8220;espectro do comunismo&#8221; que rondava o cenário. Assim, a possibilidade da revolução se extender a outros países da Europa, fez com que o capital precisasse melhorar as condições de vida da classe trabalhadora, a fim de evitar um dano maior. </p>
<p>Quero apenas afirmar que há ganhos políticos imediatos e a longo prazo com o modo de organização do &#8220;passe livre&#8221; (e também outras organizações autônomas, como p.ex. as fábricas ocupadas na argentina). Não cabe aqui o debate entre &#8220;reforma e revolução&#8221;, justamente pelo fato de que não é um conjunto de melhorias que proporcionaria a transformação social, nem tão-pouco uma mudança radial imediata, como se as relações de dominação fossem chip&#8217;s que, ao serem substituídos, mudariam assim todos os nossos hábitos e costumes (local em que se reprodução &#8211; e se produz &#8211; as relações de dominação). Cabe lembrar que o capital precisou ritualizar o consumo para transformar as sociedades (há outros fatores, mas este é um ponto interessante que teve início a partir da década de 50). </p>
<p>Resumo da ópera, o debate entre &#8220;a reforma e a revolução&#8221; não cabe mais aqui, justamente pela fronteira tênue que separa a conquista  imediata da conquista a longo prazo, desse modo, se &#8220;a autogestão das sociedades se prepara na autogestão das lutas&#8221;, então pode-se dizer que essa forma de organização se contrapõe a outras na medida em que trabalha sobre o cotidiano com uma perspectiva revolucionária, assim não basta &#8220;tomar os meios de produção para modificar as relações de dominação&#8221;, a revolução só será &#8220;completa&#8221; se cortarmos os laços que ainda nos prender ao &#8220;ancien régime&#8221;, e isso não se resume na queda da bastilha.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-129939</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2013 03:54:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[é importante sim saber como eram as coisas nas versões 1.0, beta, alfa, etc.
Mas hoje talvez também valha a pena trabalhar duro para tentar fazer com que a 3.0 seja mais parecida com que o que queremos, do que abandonar o barco das massas e se enclausurar na nostalgia. Como indivíduos podemos sim recusar estas formas paranóicas de comunicação. Mas como coletivos temos que fazer o esforço de ocupá-las com o oportunismo de que fala Virno.

A revolução capaz que não será twittada, mas considerando a relevância que isso tem hoje em dia tanto para o trabalho quanto para o capital, parece-me que o ideal é pensarmos novas formas de se formular a relação entre os sujeitos e a comunicação, que transcenda o fetiche da tecnologia, pois se isso não for feito aí sim não teremos chance.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>é importante sim saber como eram as coisas nas versões 1.0, beta, alfa, etc.<br />
Mas hoje talvez também valha a pena trabalhar duro para tentar fazer com que a 3.0 seja mais parecida com que o que queremos, do que abandonar o barco das massas e se enclausurar na nostalgia. Como indivíduos podemos sim recusar estas formas paranóicas de comunicação. Mas como coletivos temos que fazer o esforço de ocupá-las com o oportunismo de que fala Virno.</p>
<p>A revolução capaz que não será twittada, mas considerando a relevância que isso tem hoje em dia tanto para o trabalho quanto para o capital, parece-me que o ideal é pensarmos novas formas de se formular a relação entre os sujeitos e a comunicação, que transcenda o fetiche da tecnologia, pois se isso não for feito aí sim não teremos chance.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-129921</link>

		<dc:creator><![CDATA[irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2013 00:58:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em um debate, certa vez, ao se falar das &quot;revoluções 2.0&quot; referenciando a Primavera Árabe, etc., perguntei porque hoje os livros de história não tratam as antigas revoluções - aquelas onde as formas de comunicação eram por carta e outros meios &quot;arcaicos&quot; -, de &quot;revoluções postais&quot;...

Curioso vivermos na &quot;era da informação&quot;, da &quot;comunicação&quot; e não sabermos mais a diferença entre meios e fins, conteúdo e forma...

João Bernardo, sou avesso a adulações, mas o texto está muito bom. Coerente com a citação de Lao-Tsé. Quem o lê e não sente nenhum incômodo, ou é imune ao lugar-comum, ou é imune à crítica. Não me encontro em nenhum dos casos.

Saudações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em um debate, certa vez, ao se falar das &#8220;revoluções 2.0&#8221; referenciando a Primavera Árabe, etc., perguntei porque hoje os livros de história não tratam as antigas revoluções &#8211; aquelas onde as formas de comunicação eram por carta e outros meios &#8220;arcaicos&#8221; -, de &#8220;revoluções postais&#8221;&#8230;</p>
<p>Curioso vivermos na &#8220;era da informação&#8221;, da &#8220;comunicação&#8221; e não sabermos mais a diferença entre meios e fins, conteúdo e forma&#8230;</p>
<p>João Bernardo, sou avesso a adulações, mas o texto está muito bom. Coerente com a citação de Lao-Tsé. Quem o lê e não sente nenhum incômodo, ou é imune ao lugar-comum, ou é imune à crítica. Não me encontro em nenhum dos casos.</p>
<p>Saudações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-129841</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2013 17:57:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Miguel e João,
Vocês conhecem certamente esta canção do Yves Montand:
https://www.youtube.com/watch?v=94q1FGlxKrM 
O sujeito é operário na Citroën, vive sozinho, num daqueles hotéis para trabalhadores de que há tantos em Paris, não tem dinheiro para ir todas as noites ao cinema e o seu maior prazer é passear na rua, ver, observar. Os franceses têm uma palavra especial para isso: &lt;em&gt;flâner&lt;/em&gt;. Também há um conto de Hemingway de que gosto muito, &lt;em&gt;A Clean Well-Lighted Place&lt;/em&gt;, em que um empregado de restaurante, que vinhe sozinho, terminado o serviço, gosta de se sentar num café, pedir uma bebida e ficar a ver quem passa. Ambos vivem no silêncio interior, mas esse silêncio não os torna solitários. É graças a esse silêncio, usando-o como instrumento, que eles conseguem apreciar criticamente o mundo.
Agora digam-me. Seria isto possível se o operário da Citroën e o empregado de restaurante tivessem telemóveis, celulares? É hoje ponto assente que os telemóveis e as redes sociais fizeram a Primavera Árabe, o Verão Turco e o Inverno Brasileiro. Mas o que é que desfez esses movimentos, belos e luminosos como bolhas de sabão?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Miguel e João,<br />
Vocês conhecem certamente esta canção do Yves Montand:<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=94q1FGlxKrM" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=94q1FGlxKrM</a><br />
O sujeito é operário na Citroën, vive sozinho, num daqueles hotéis para trabalhadores de que há tantos em Paris, não tem dinheiro para ir todas as noites ao cinema e o seu maior prazer é passear na rua, ver, observar. Os franceses têm uma palavra especial para isso: <em>flâner</em>. Também há um conto de Hemingway de que gosto muito, <em>A Clean Well-Lighted Place</em>, em que um empregado de restaurante, que vinhe sozinho, terminado o serviço, gosta de se sentar num café, pedir uma bebida e ficar a ver quem passa. Ambos vivem no silêncio interior, mas esse silêncio não os torna solitários. É graças a esse silêncio, usando-o como instrumento, que eles conseguem apreciar criticamente o mundo.<br />
Agora digam-me. Seria isto possível se o operário da Citroën e o empregado de restaurante tivessem telemóveis, celulares? É hoje ponto assente que os telemóveis e as redes sociais fizeram a Primavera Árabe, o Verão Turco e o Inverno Brasileiro. Mas o que é que desfez esses movimentos, belos e luminosos como bolhas de sabão?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-129838</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2013 13:12:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=81647#comment-129838</guid>

					<description><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca,
Há uma passagem de &lt;em&gt;O Homem Sem Qualidades&lt;/em&gt;, de Musil, em que um dos personagens diz mais ou menos que inventamos tácticas e estratégias só como pretexto para adiarmos o ataque. Cito de memória porque agora estou longe dos meus livros. Mas há muitos anos que ando a dar voltas a esta ideia, e com ela em mente observei uma coisa na ópera &lt;em&gt;Siegfried&lt;/em&gt;, de Wagner. Quando Siegfried se decide a matar o dragão Fafner, Mime dá-lhe conselhos, que ele deve fazer assim e assado, ir por um lado e não por outro, e o medo é, explicitamente, um dos elementos presentes nesta obsessão de Mime pela estratégia. Mas Siegfried aproxima-se do dragão e simplesmente lhe enterra a espada. É um dos momentos cruciais da Tetralogia, mas nada na música acentua a importância desse gesto, porque Siegfried age &lt;em&gt;naturalmente&lt;/em&gt;, sem se preocupar com tácticas e estratégias. É esta a candura de Siegfried, a sua inocência, tantas vezes sublinhada. Pergunto a mim mesmo se Musil não estaria a pensar na ópera &lt;em&gt;Siegfried&lt;/em&gt; quando escreveu aquela frase. Tudo isto a propósito do «revolucionarismo». Não creio que o pensamento estratégico seja inútil, muito pelo contrário. Mas também penso que Siegfried e o personagem de Musil têm razão. Como conjugar as duas coisas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rodrigo O. Fonseca,<br />
Há uma passagem de <em>O Homem Sem Qualidades</em>, de Musil, em que um dos personagens diz mais ou menos que inventamos tácticas e estratégias só como pretexto para adiarmos o ataque. Cito de memória porque agora estou longe dos meus livros. Mas há muitos anos que ando a dar voltas a esta ideia, e com ela em mente observei uma coisa na ópera <em>Siegfried</em>, de Wagner. Quando Siegfried se decide a matar o dragão Fafner, Mime dá-lhe conselhos, que ele deve fazer assim e assado, ir por um lado e não por outro, e o medo é, explicitamente, um dos elementos presentes nesta obsessão de Mime pela estratégia. Mas Siegfried aproxima-se do dragão e simplesmente lhe enterra a espada. É um dos momentos cruciais da Tetralogia, mas nada na música acentua a importância desse gesto, porque Siegfried age <em>naturalmente</em>, sem se preocupar com tácticas e estratégias. É esta a candura de Siegfried, a sua inocência, tantas vezes sublinhada. Pergunto a mim mesmo se Musil não estaria a pensar na ópera <em>Siegfried</em> quando escreveu aquela frase. Tudo isto a propósito do «revolucionarismo». Não creio que o pensamento estratégico seja inútil, muito pelo contrário. Mas também penso que Siegfried e o personagem de Musil têm razão. Como conjugar as duas coisas?</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/07/81647/#comment-129835</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2013 13:06:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Foi muito por acaso que li depois de mais de 6 anos o comentário que me fez sugerir ao João Bernardo escrever sobre o tema. Pois eu também não tinha mais a mínima recordação dele. Diante dos acontecimentos de junho de 2013 no Brasil, acho que ele seria melhor assimilado (inclusive por mim) hoje em dia, no que diz respeito principalmente à relação entre revolta da juventude e fascismo. Minha geração e os que vieram depois, ao menos no Brasil, nunca tinham tido a experiência de ver uma mobilização que servisse de base para a extrema-direita, como foi na semana de 17 de junho. O fato é que sempre agimos como se as ruas, as mobilizações ou mesmo a ‘ação direta’, o ‘apartidarismo’, a ‘horizontalidade’ carregassem sempre um sentido libertário ou de esquerda, até porque nunca fomos forçados a pensar de outra forma.

Uma das questões que eu me coloquei (antes de reler o referido comentário do JB) era ‘o que havia de rebeldia nos chamados “coxinhas”’. Havia de fato uma revolta nos coxinhas? Poder-se-ia chamar aquilo de rebeldia ou de revolta? Havia rebeldia quando todo os status quo estava favorável a se ir às ruas e a polícia não estava mais ali para reprimir mas parar tirar fotos com eles? É possível se perguntar o que há de autônomo e heterônomo nesse movimento dos coxinhas? Faz sentido usar esses termos? Serve de algo prático pensar nesses termos?

Depois de décadas (não sei quantas) as ruas no Brasil foram reabertas como lócus de poder. E esse poder foi logo disputado. E será disputado por todos: da extrema-direita à extrema-esquerda, passando pela ala do PT mais voltada ao jogo eleitoral-estatal, na tentativa de agregar os próprios movimentos autônomos dentro do pacto social que junta partidos de direita como o PSD à CUT e movimentos sociais como o MST (vide: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-07-31/apos-protestos-ala-majoritaria-do-pt-defende-guinada-as-origens-e-tarifa-zero.html ).

A discussão pautada nacionalmente pelo MPL sobre a Tarifa Zero e pelo transporte como direito social, sem dúvida foi uma vitória de uma visão estratégica para além dos lugares-comuns. Mas o movimento terá que saber trabalhar também, como aliás é de praxe, a partir de alguns lugares-comuns, como quem sabe, por exemplo, a questão da corrupção. É possível a partir de um tema moralista e de tendência à direita avançar numa construção à esquerda? Possível eu diria que sim, a probabilidade de sucesso é outra discussão.

Não quero e não posso me alongar agora. Tenho muitas questões em aberto em relação à fonte do poder do MPL, da juventude, de qual poderiam ser os 20 centavos dos trabalhadores nos sentido mais clássico da expressão, se é que faz sentido pensar nesses termos. Mas no momento lanço só uma: para além da conquista da Tarifa Zero e do exemplo de luta de forma de organização, o que é possível o MPL construir no caminho dessa luta, no sentido de aproximação a uma sociedade socialista (termo surrado mas é isso mesmo)?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi muito por acaso que li depois de mais de 6 anos o comentário que me fez sugerir ao João Bernardo escrever sobre o tema. Pois eu também não tinha mais a mínima recordação dele. Diante dos acontecimentos de junho de 2013 no Brasil, acho que ele seria melhor assimilado (inclusive por mim) hoje em dia, no que diz respeito principalmente à relação entre revolta da juventude e fascismo. Minha geração e os que vieram depois, ao menos no Brasil, nunca tinham tido a experiência de ver uma mobilização que servisse de base para a extrema-direita, como foi na semana de 17 de junho. O fato é que sempre agimos como se as ruas, as mobilizações ou mesmo a ‘ação direta’, o ‘apartidarismo’, a ‘horizontalidade’ carregassem sempre um sentido libertário ou de esquerda, até porque nunca fomos forçados a pensar de outra forma.</p>
<p>Uma das questões que eu me coloquei (antes de reler o referido comentário do JB) era ‘o que havia de rebeldia nos chamados “coxinhas”’. Havia de fato uma revolta nos coxinhas? Poder-se-ia chamar aquilo de rebeldia ou de revolta? Havia rebeldia quando todo os status quo estava favorável a se ir às ruas e a polícia não estava mais ali para reprimir mas parar tirar fotos com eles? É possível se perguntar o que há de autônomo e heterônomo nesse movimento dos coxinhas? Faz sentido usar esses termos? Serve de algo prático pensar nesses termos?</p>
<p>Depois de décadas (não sei quantas) as ruas no Brasil foram reabertas como lócus de poder. E esse poder foi logo disputado. E será disputado por todos: da extrema-direita à extrema-esquerda, passando pela ala do PT mais voltada ao jogo eleitoral-estatal, na tentativa de agregar os próprios movimentos autônomos dentro do pacto social que junta partidos de direita como o PSD à CUT e movimentos sociais como o MST (vide: <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-07-31/apos-protestos-ala-majoritaria-do-pt-defende-guinada-as-origens-e-tarifa-zero.html" rel="nofollow ugc">http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-07-31/apos-protestos-ala-majoritaria-do-pt-defende-guinada-as-origens-e-tarifa-zero.html</a> ).</p>
<p>A discussão pautada nacionalmente pelo MPL sobre a Tarifa Zero e pelo transporte como direito social, sem dúvida foi uma vitória de uma visão estratégica para além dos lugares-comuns. Mas o movimento terá que saber trabalhar também, como aliás é de praxe, a partir de alguns lugares-comuns, como quem sabe, por exemplo, a questão da corrupção. É possível a partir de um tema moralista e de tendência à direita avançar numa construção à esquerda? Possível eu diria que sim, a probabilidade de sucesso é outra discussão.</p>
<p>Não quero e não posso me alongar agora. Tenho muitas questões em aberto em relação à fonte do poder do MPL, da juventude, de qual poderiam ser os 20 centavos dos trabalhadores nos sentido mais clássico da expressão, se é que faz sentido pensar nesses termos. Mas no momento lanço só uma: para além da conquista da Tarifa Zero e do exemplo de luta de forma de organização, o que é possível o MPL construir no caminho dessa luta, no sentido de aproximação a uma sociedade socialista (termo surrado mas é isso mesmo)?</p>
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