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	Comentários sobre: Dialética	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/08/82845/#comment-133204</link>

		<dc:creator><![CDATA[João.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Aug 2013 17:54:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A dialéctica quer em Platão quer em Hegel, embora de modo diferente, tende a mostrar a diferença entre conhecimento e verdade, ou seja, que um enunciado explícito carece da inclusão da posição de enunciação que funciona aí como negatividade e até desordem emergentes.


Em Platão não nos devemos fascinar inteiramente pelas posições explícitas de Sócrates é preciso ainda olhar também para a forma em que essas posições se constituem e embora possamos chegar a suspeitar que Platão possa ter manipulado a forma da dialéctica através da invenção de diálogos ainda assim é importante considerar que talvez não houvesse melhor opção e &quot;fingir&quot; que os diálogos existiram mesmo para que possamos aceder à dimensão fundamental, mas mais fugidia, da dialéctica. 


O que eu quero dizer aqui é que Sócrates aparentemente não vai com uma tese que debita de um púlpito (com excepções, a maior das quais, em &quot;O Banquete&quot; onde se trata mais de uma colecção de discursos do que propriamente de um diálogo) mas vai antes na disponibilidade de escutar o interlocutor partindo do que ele diz para constituir a sua aproximaçáo ao tema em pauta - o que isto indica é que, formalmente, nem o interlocutor nem Sócrates saberiam no início do resultado a que chegaria o diálogo e que só no fim, uma vez estabelecida a tese final, se poderia retrospectivamente reconstituir o diálogo como um cujo fruto só poderia ser aquele que deu. 


Mas isto não deve esconder as duas dimensões formais em jogo, ou seja, que o diálogo é em primeiro lugar uma contingência cujo alcance não se percebe do início e em segunda instância é o que só poderia ter aquele fim quando todos os passos são revisados.


O conhecimento é ali o que explicitamente levamos connosco, uma tese sobre o belo ou a justiça, a verdade contudo não é só isso é também que essa tese só foi possível pressupondo o diálogo e que, portanto, só retrospectivamente é uma verdade valida por si mesma.


Em Hegel isto é muito mais explícito. Quem quiser pode ler a secção da Ciência da Lógica dedicada ao infinito verdadeiro: o movimento lá ilustra bem o que é a dialéctica, que o infinito verdadeiro (da razão especulativa) só é concebível a partir dos impasses entre o finito e o infinito espúrio (do entendimento), ou seja, que foi preciso o &#039;erro&#039; do entendimento para se constituir a verdade da razão.


O que a dialéctica deixa desde logo é a impossibilidade de uma qualquer tese poder conter-se dentro de si mesma até porque uma tese que se constitui aponta para si tanto quanto aponta para um &quot;lugar&quot; que só de fora da tese a pode recolher como um todo, como uma formulação de sentido - esse lugar de fora é fundamental para a constituição da tese, sem ele a tese não se fecha numa unidade mais ou menos complexa de sentido. Porque é &quot;de fora&quot; e é fundamental para a amarração da lógica interna da tese ocorre desde logo que este interior está minado com a necessidade de um ponto fora dele, de um ponto que para aquela amarração é cego.


Vemos esta lógica também na decisão, ou seja, eu posso estudar um problema até à exaustão mas há sempre uma diferença, um salto fenomenológico direi, à falta de melhor expressão, entre o estar em análise e o decidir baseado no que se analisou - a decisão tem a faculdade de amarrar a análise num todo, numa totalidade de sentido, cujo não acontece enquanto não se decide nada e só se analisa.


A decisão permite criar uma oposição entre o complexo da análise e o complexo formado depois da decisão, do que emerge uma nova possibilidade de retomar a análise mas agora com a experiência do complexo gerado da decisão.


Então, a dialéctica não é uma receita de previsibilidade mas pelo contrário é a certeza de que nada está garantido a não ser esta falta de garantia.


Muito basicamente o princípio da dialéctica é que só é possível começar a pensar sem que todos os dados e influências estejam presentes explicitamente e que, portanto, dada a diferença dentro do pensamento explícito entre o explícito e o implícito, só é possível começar a pensar errando e que é no erro que o que pensávamos se vai duplicar tornando-se objecto para um outro pensamento.  É também assim, por exemplo,  com o erro, o deslize, o acto falhado, embora não só, que, para Freud, a consciência acede ao insonsciente.


Vamos de erro em erro, ou, como dizia Che Guevara de derrota em derrota até à vitória final – indicando com isto que há no processo revolucionário uma diferença irredutível entre a luta e o seu resultado, ou seja, que nenhuma revolução consegue passar a instituição sem que alguma coisa específica à revolução desapareça irremediavelmente e outras coisas apareçam sem que tenham sido previstas. Ou seja, ninguém sabe durante a luta o que é que realmente significará a vitória, quer dizer, o ser humano vive constantemente em obras mas sem fechar para as ditas – está em obras e está estabelecido e aberto ao público ao mesmo tempo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A dialéctica quer em Platão quer em Hegel, embora de modo diferente, tende a mostrar a diferença entre conhecimento e verdade, ou seja, que um enunciado explícito carece da inclusão da posição de enunciação que funciona aí como negatividade e até desordem emergentes.</p>
<p>Em Platão não nos devemos fascinar inteiramente pelas posições explícitas de Sócrates é preciso ainda olhar também para a forma em que essas posições se constituem e embora possamos chegar a suspeitar que Platão possa ter manipulado a forma da dialéctica através da invenção de diálogos ainda assim é importante considerar que talvez não houvesse melhor opção e &#8220;fingir&#8221; que os diálogos existiram mesmo para que possamos aceder à dimensão fundamental, mas mais fugidia, da dialéctica. </p>
<p>O que eu quero dizer aqui é que Sócrates aparentemente não vai com uma tese que debita de um púlpito (com excepções, a maior das quais, em &#8220;O Banquete&#8221; onde se trata mais de uma colecção de discursos do que propriamente de um diálogo) mas vai antes na disponibilidade de escutar o interlocutor partindo do que ele diz para constituir a sua aproximaçáo ao tema em pauta &#8211; o que isto indica é que, formalmente, nem o interlocutor nem Sócrates saberiam no início do resultado a que chegaria o diálogo e que só no fim, uma vez estabelecida a tese final, se poderia retrospectivamente reconstituir o diálogo como um cujo fruto só poderia ser aquele que deu. </p>
<p>Mas isto não deve esconder as duas dimensões formais em jogo, ou seja, que o diálogo é em primeiro lugar uma contingência cujo alcance não se percebe do início e em segunda instância é o que só poderia ter aquele fim quando todos os passos são revisados.</p>
<p>O conhecimento é ali o que explicitamente levamos connosco, uma tese sobre o belo ou a justiça, a verdade contudo não é só isso é também que essa tese só foi possível pressupondo o diálogo e que, portanto, só retrospectivamente é uma verdade valida por si mesma.</p>
<p>Em Hegel isto é muito mais explícito. Quem quiser pode ler a secção da Ciência da Lógica dedicada ao infinito verdadeiro: o movimento lá ilustra bem o que é a dialéctica, que o infinito verdadeiro (da razão especulativa) só é concebível a partir dos impasses entre o finito e o infinito espúrio (do entendimento), ou seja, que foi preciso o &#8216;erro&#8217; do entendimento para se constituir a verdade da razão.</p>
<p>O que a dialéctica deixa desde logo é a impossibilidade de uma qualquer tese poder conter-se dentro de si mesma até porque uma tese que se constitui aponta para si tanto quanto aponta para um &#8220;lugar&#8221; que só de fora da tese a pode recolher como um todo, como uma formulação de sentido &#8211; esse lugar de fora é fundamental para a constituição da tese, sem ele a tese não se fecha numa unidade mais ou menos complexa de sentido. Porque é &#8220;de fora&#8221; e é fundamental para a amarração da lógica interna da tese ocorre desde logo que este interior está minado com a necessidade de um ponto fora dele, de um ponto que para aquela amarração é cego.</p>
<p>Vemos esta lógica também na decisão, ou seja, eu posso estudar um problema até à exaustão mas há sempre uma diferença, um salto fenomenológico direi, à falta de melhor expressão, entre o estar em análise e o decidir baseado no que se analisou &#8211; a decisão tem a faculdade de amarrar a análise num todo, numa totalidade de sentido, cujo não acontece enquanto não se decide nada e só se analisa.</p>
<p>A decisão permite criar uma oposição entre o complexo da análise e o complexo formado depois da decisão, do que emerge uma nova possibilidade de retomar a análise mas agora com a experiência do complexo gerado da decisão.</p>
<p>Então, a dialéctica não é uma receita de previsibilidade mas pelo contrário é a certeza de que nada está garantido a não ser esta falta de garantia.</p>
<p>Muito basicamente o princípio da dialéctica é que só é possível começar a pensar sem que todos os dados e influências estejam presentes explicitamente e que, portanto, dada a diferença dentro do pensamento explícito entre o explícito e o implícito, só é possível começar a pensar errando e que é no erro que o que pensávamos se vai duplicar tornando-se objecto para um outro pensamento.  É também assim, por exemplo,  com o erro, o deslize, o acto falhado, embora não só, que, para Freud, a consciência acede ao insonsciente.</p>
<p>Vamos de erro em erro, ou, como dizia Che Guevara de derrota em derrota até à vitória final – indicando com isto que há no processo revolucionário uma diferença irredutível entre a luta e o seu resultado, ou seja, que nenhuma revolução consegue passar a instituição sem que alguma coisa específica à revolução desapareça irremediavelmente e outras coisas apareçam sem que tenham sido previstas. Ou seja, ninguém sabe durante a luta o que é que realmente significará a vitória, quer dizer, o ser humano vive constantemente em obras mas sem fechar para as ditas – está em obras e está estabelecido e aberto ao público ao mesmo tempo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Vladimir		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/08/82845/#comment-133034</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vladimir]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2013 04:52:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dialética como análise e dialética como crítica. Deixou de funcionar apenas um dos dois aspectos ou a ausência de um necessariamente anula o outro? Me vejo levado a pensar se existe uma diferença substancial entre uma análise crítica e uma análise não crítica. O que comprova a crítica? O que nos garantia antes que havia uma força transformadora essencial na atividade da crítica, qual era essa fonte de autoridade que já não &quot;funciona&quot; mais, como nos indica a experiência enunciada como &quot;falência da crítica&quot;? O que ocorre hoje que não acontecia antes, essa promiscuidade superficial do conceito e do desejo, como que perdidos num shopping center, prontos para grudarem e desgrudarem rapidamente nas marcas e nas mercadorias. Diremos que a vigência da crítica antes impedia este tipo de subjetivação? 
Se pensamos que hoje a razão cínica funciona imune à crítica, queria poder comprender melhor como é que a crítica então surtia efeito em uma razão hegemônica e uma subjetivação, contra a qual se colocava como oposição. Que efeitos isso teve no mundo, como é que isso se traduz nas experiências sociais? Pois eu consigo ver o cinismo e a impotência da crítica hoje, mas quando tento pensar nesta luta da crítica contra &quot;algo&quot;, não entendo como isso funcionaria. 
Será a impossibilidade desta imagem o próprio sintoma desta falência? Insistir na crítica seria apenas uma tentativa de representar o Pai da horda primitiva, ou haveria aí escondida na crítica uma experiência prenhe de consequencias?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dialética como análise e dialética como crítica. Deixou de funcionar apenas um dos dois aspectos ou a ausência de um necessariamente anula o outro? Me vejo levado a pensar se existe uma diferença substancial entre uma análise crítica e uma análise não crítica. O que comprova a crítica? O que nos garantia antes que havia uma força transformadora essencial na atividade da crítica, qual era essa fonte de autoridade que já não &#8220;funciona&#8221; mais, como nos indica a experiência enunciada como &#8220;falência da crítica&#8221;? O que ocorre hoje que não acontecia antes, essa promiscuidade superficial do conceito e do desejo, como que perdidos num shopping center, prontos para grudarem e desgrudarem rapidamente nas marcas e nas mercadorias. Diremos que a vigência da crítica antes impedia este tipo de subjetivação?<br />
Se pensamos que hoje a razão cínica funciona imune à crítica, queria poder comprender melhor como é que a crítica então surtia efeito em uma razão hegemônica e uma subjetivação, contra a qual se colocava como oposição. Que efeitos isso teve no mundo, como é que isso se traduz nas experiências sociais? Pois eu consigo ver o cinismo e a impotência da crítica hoje, mas quando tento pensar nesta luta da crítica contra &#8220;algo&#8221;, não entendo como isso funcionaria.<br />
Será a impossibilidade desta imagem o próprio sintoma desta falência? Insistir na crítica seria apenas uma tentativa de representar o Pai da horda primitiva, ou haveria aí escondida na crítica uma experiência prenhe de consequencias?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lennon		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/08/82845/#comment-132961</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lennon]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Aug 2013 14:32:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=82845#comment-132961</guid>

					<description><![CDATA[não consegui entender]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>não consegui entender</p>
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			</item>
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