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	Comentários sobre: Depois de junho	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: a.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/84110/#comment-135181</link>

		<dc:creator><![CDATA[a.]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Sep 2013 23:29:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Enquanto isso, no Rio de Janeiro...

Acho que tem faltado, em várias análises publicadas aqui no passapalavra ou em outros meios (oficiais ou alternativos) uma perspectiva mais clara do que tem acontecido no Rio de Janeiro, que parece diferente do que está acontecendo em São Paulo ou outras cidades. 

No Rio de Janeiro, não houve o fim das mobilizações, nem a sua tomada pelos &#039;coxinhas&#039; (aliás, expressão que nem existe no Rio), nem a hegemonia dos partidos políticos tradicionais, e nem a mídia ninja (do fora do eixo) tem tal protagonismo. Ao contrário, o protagonismo, a firmeza e a determinação na luta tem sido dada pelos movimentos populares e autônomos, que tem garantido o caráter popular e radical, além de sua continuidade até esse fim de inverno.

É claro que não são mais os 300.000 ou 1 milhão de junho, mas são milhares de pessoas que vão às ruas todas as semanas, mesmo com a repressão brutal, as prisões arbitrárias (sempre às dezenas), as campanhas da globo e a intransigência do governo do estado e prefeitura, mesmo cedendo em poucos pontos (veja o &#039;balanço&#039; feito pelo globo.com: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/09/cem-dias-de-protesto-no-rj-governo-recua-mas-insatisfacao-persiste.html - eles não citam, por exemplo, o recuo da prefeitura sobre a remoção da Vila Autódromo). E se em junho, também no Rio houve a ameaça da tomada das manifestações com as pautas dos &#039;coxinhas&#039;, de fato eles saíram das ruas e as manifestações tem pautas populares e de esquerda: abrir a &#039;caixa preta&#039; das empresas de ônibus, mas não pelos parlamentares financiados por elas e que faria tudo terminar em pizza; a desmilitarização da polícia militar; a solução e o fim dos casos de desaparecimentos e chacinas nas favelas e subúrbios do Rio; o fim das remoções nas favelas; a denúncia das mentiras contadas pela rede globo, que teve mesmo que se justificar em um editorial porque apoiou a ditadura em 64; além das palavras contra o capitalismo, o Estado, a burguesia, e a favor da organização popular. Se soma a isso ainda a greve dos professores, que ganhou nas ruas manifestações de um tamanho que há muito tempo não se viam.

Os partidos políticos de esquerda, marcando presença na maior parte das manifestações, não conseguem hegemonizar e ditar o ritmo e as pautas das mobilizações, e em boa parte das vezes suas declarações ficam a reboque do que acontece nas ruas. O mídia ninja (do fora do eixo), mesmo tendo se destacado, principalmente depois da prisão de alguns deles em uma manifestação, parece na verdade mais tentar correr atrás (às vezes literalmente) da dinâmica colocada pelas mobilizações. O movimento segue seu caminho, e parece, agora, que o mídia ninja apenas acompanha, lateralmente. E se a transmissão ao vivo tem um impacto e uma importância de denúncia da repressão, a falta de análise e a incompreensão do que é o movimento deixa clara a distância do mídia ninja e do que tem acontecido nas ruas. As andanças de um lado pro outro do black block os deixam perdidos, sem entender e literalmente correndo atrás do movimento. Ainda assim, é de se ressaltar que eles permaneceram muitas vezes em meio às balas de borracha, e bombas de &#039;efeito moral&#039; e gás lacrimogêneo, para transmitir o que acontecia.

Quanto ao black bloc, que tem se destacado e dado mais trabalho ao governador, ao prefeito e à polícia militar, se engana quem pensa que é composto de filhos da classe média. Muito ao contrário. É um grupo popular. E se não é exclusivamente de filhos da periferia, é muito mais popular do que a ideia de filhos da classe média. Não é a toa que nas manifestações amplas estão juntos dos movimentos de favela e organizações populares. Assim, sem dúvida, aconteceu no Rio um salto de organização, mobilização e consciência popular, que pelo menos menos tem sido capaz de incomodar o poder, de baixo pra cima e contra a ordem. 

No dia 7 de setembro, não só o desfile militar organizado pelo Estado já seria 40% menor do que em outros anos, como também 400 pessoas  conseguiram furar o bloqueio da tropa de choque e efetivamente atrapalhar o desfile de manhã cedo, gritando palavras contra o governador Sérgio Cabral, contra a violência policial. A polícia jogou bombas indiscriminadamente, atingindo inclusive aqueles que foram assistir o desfile, numa repressão brutal, que prendeu mais de 20 pessoas. Depois as manifestações continuaram. Perto do meio dia, a manifestação do grito dos excluídos, tradicional há muitos anos, tinha mais gente do que o público do desfile militar da manhã. Ao longo da tarde, muita gente se concentrou nas escadarias da câmara municipal, e no fim da tarde se dirigiram à manifestação marcada para ir até a sede do governo do estado, onde foi recebida com outra repressão brutal, com quase 80 pessoas presas e muitas feridas.

As dimensões e a persistência das mobilizações são surpreendentes, e sem dúvida são surpreendentes diante da pasmaceira e da aparente falta de perspectiva que vivia o Rio. Mas são ainda mais para quem não ligava para o trabalho cotidiano de muitos grupos de ocupações, favelas, escolas, ruas, aldeias, e outros lugares, que ajudaram a construir a resistência ativa que acontece nos últimos meses no Rio de Janeiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto isso, no Rio de Janeiro&#8230;</p>
<p>Acho que tem faltado, em várias análises publicadas aqui no passapalavra ou em outros meios (oficiais ou alternativos) uma perspectiva mais clara do que tem acontecido no Rio de Janeiro, que parece diferente do que está acontecendo em São Paulo ou outras cidades. </p>
<p>No Rio de Janeiro, não houve o fim das mobilizações, nem a sua tomada pelos &#8216;coxinhas&#8217; (aliás, expressão que nem existe no Rio), nem a hegemonia dos partidos políticos tradicionais, e nem a mídia ninja (do fora do eixo) tem tal protagonismo. Ao contrário, o protagonismo, a firmeza e a determinação na luta tem sido dada pelos movimentos populares e autônomos, que tem garantido o caráter popular e radical, além de sua continuidade até esse fim de inverno.</p>
<p>É claro que não são mais os 300.000 ou 1 milhão de junho, mas são milhares de pessoas que vão às ruas todas as semanas, mesmo com a repressão brutal, as prisões arbitrárias (sempre às dezenas), as campanhas da globo e a intransigência do governo do estado e prefeitura, mesmo cedendo em poucos pontos (veja o &#8216;balanço&#8217; feito pelo globo.com: <a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/09/cem-dias-de-protesto-no-rj-governo-recua-mas-insatisfacao-persiste.html" rel="nofollow ugc">http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/09/cem-dias-de-protesto-no-rj-governo-recua-mas-insatisfacao-persiste.html</a> &#8211; eles não citam, por exemplo, o recuo da prefeitura sobre a remoção da Vila Autódromo). E se em junho, também no Rio houve a ameaça da tomada das manifestações com as pautas dos &#8216;coxinhas&#8217;, de fato eles saíram das ruas e as manifestações tem pautas populares e de esquerda: abrir a &#8216;caixa preta&#8217; das empresas de ônibus, mas não pelos parlamentares financiados por elas e que faria tudo terminar em pizza; a desmilitarização da polícia militar; a solução e o fim dos casos de desaparecimentos e chacinas nas favelas e subúrbios do Rio; o fim das remoções nas favelas; a denúncia das mentiras contadas pela rede globo, que teve mesmo que se justificar em um editorial porque apoiou a ditadura em 64; além das palavras contra o capitalismo, o Estado, a burguesia, e a favor da organização popular. Se soma a isso ainda a greve dos professores, que ganhou nas ruas manifestações de um tamanho que há muito tempo não se viam.</p>
<p>Os partidos políticos de esquerda, marcando presença na maior parte das manifestações, não conseguem hegemonizar e ditar o ritmo e as pautas das mobilizações, e em boa parte das vezes suas declarações ficam a reboque do que acontece nas ruas. O mídia ninja (do fora do eixo), mesmo tendo se destacado, principalmente depois da prisão de alguns deles em uma manifestação, parece na verdade mais tentar correr atrás (às vezes literalmente) da dinâmica colocada pelas mobilizações. O movimento segue seu caminho, e parece, agora, que o mídia ninja apenas acompanha, lateralmente. E se a transmissão ao vivo tem um impacto e uma importância de denúncia da repressão, a falta de análise e a incompreensão do que é o movimento deixa clara a distância do mídia ninja e do que tem acontecido nas ruas. As andanças de um lado pro outro do black block os deixam perdidos, sem entender e literalmente correndo atrás do movimento. Ainda assim, é de se ressaltar que eles permaneceram muitas vezes em meio às balas de borracha, e bombas de &#8216;efeito moral&#8217; e gás lacrimogêneo, para transmitir o que acontecia.</p>
<p>Quanto ao black bloc, que tem se destacado e dado mais trabalho ao governador, ao prefeito e à polícia militar, se engana quem pensa que é composto de filhos da classe média. Muito ao contrário. É um grupo popular. E se não é exclusivamente de filhos da periferia, é muito mais popular do que a ideia de filhos da classe média. Não é a toa que nas manifestações amplas estão juntos dos movimentos de favela e organizações populares. Assim, sem dúvida, aconteceu no Rio um salto de organização, mobilização e consciência popular, que pelo menos menos tem sido capaz de incomodar o poder, de baixo pra cima e contra a ordem. </p>
<p>No dia 7 de setembro, não só o desfile militar organizado pelo Estado já seria 40% menor do que em outros anos, como também 400 pessoas  conseguiram furar o bloqueio da tropa de choque e efetivamente atrapalhar o desfile de manhã cedo, gritando palavras contra o governador Sérgio Cabral, contra a violência policial. A polícia jogou bombas indiscriminadamente, atingindo inclusive aqueles que foram assistir o desfile, numa repressão brutal, que prendeu mais de 20 pessoas. Depois as manifestações continuaram. Perto do meio dia, a manifestação do grito dos excluídos, tradicional há muitos anos, tinha mais gente do que o público do desfile militar da manhã. Ao longo da tarde, muita gente se concentrou nas escadarias da câmara municipal, e no fim da tarde se dirigiram à manifestação marcada para ir até a sede do governo do estado, onde foi recebida com outra repressão brutal, com quase 80 pessoas presas e muitas feridas.</p>
<p>As dimensões e a persistência das mobilizações são surpreendentes, e sem dúvida são surpreendentes diante da pasmaceira e da aparente falta de perspectiva que vivia o Rio. Mas são ainda mais para quem não ligava para o trabalho cotidiano de muitos grupos de ocupações, favelas, escolas, ruas, aldeias, e outros lugares, que ajudaram a construir a resistência ativa que acontece nos últimos meses no Rio de Janeiro.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Marcos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/84110/#comment-135016</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Sep 2013 16:24:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A propósito, observei que as manifestações de junho deram origem a uma série de produções no campo da arte e da cultura em geral - isso daria até um artigo. Produziram músicas de vários tipos, poemas, grafites, camisetas, peças de teatro, filmagens várias, textos e tem gente vendendo, além destas coisas, palestras pra todo lado. Não por acaso, os situacionistas diziam que a cultura é a mercadoria por excelência. Depois de junho....uma oportunidade de negócios. 

Mas queria chamar a atenção para um caso específico: a Boitempo, editora cara que publica livros de esquerda, foi a primeira a reunir uma dúzia de intelectuais e publicar um livro sobre o assunto. Será que alguma parte dos lucros obtidos com a venda deste livro será destinada a pagar fianças e gastos processuais das pessoas presas nas manifestações? Será que alguns dos leitores destes livros terão a coragem de fazer esse questionamento diante das palestras que virão?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A propósito, observei que as manifestações de junho deram origem a uma série de produções no campo da arte e da cultura em geral &#8211; isso daria até um artigo. Produziram músicas de vários tipos, poemas, grafites, camisetas, peças de teatro, filmagens várias, textos e tem gente vendendo, além destas coisas, palestras pra todo lado. Não por acaso, os situacionistas diziam que a cultura é a mercadoria por excelência. Depois de junho&#8230;.uma oportunidade de negócios. </p>
<p>Mas queria chamar a atenção para um caso específico: a Boitempo, editora cara que publica livros de esquerda, foi a primeira a reunir uma dúzia de intelectuais e publicar um livro sobre o assunto. Será que alguma parte dos lucros obtidos com a venda deste livro será destinada a pagar fianças e gastos processuais das pessoas presas nas manifestações? Será que alguns dos leitores destes livros terão a coragem de fazer esse questionamento diante das palestras que virão?</p>
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		<title>
		Por: Aquiles		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/84110/#comment-134846</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aquiles]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Sep 2013 10:00:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ainda que o caso Amarildo tenha ganho notoriedade e esteja sendo o centro de demandas e açoes de uma parte consideravel da esquerda e de setores médios, fico preocupado com o relativo silêncio no que diz respeito às ocupaçoes por moradia em Sao Paulo. 
Penso que etes primeiros começaram a se articular em torno de grupos e organizaçoes que vinham crescendo em visibilidade ha algum tempo entre os setores médios da sociedade. Ao meu ver, este processo (que adensou-se a partir da desocupaçao de pinheirinho e da &quot;limpeza&quot; da crakolandia) ganhou força com as jornadas de junho que, cabe lembrar, começaram com uma grande marcha contra a truculência policial. 
Em contra partida, diferentemente do caso Amarildo onde a luta é essencialmente politica (pois contra a instituiçao policial e a violência que lhe é inerente) cabe ressaltar que os participantes das ocupaçoes estao se contrapondo diretamente ao capital, travando sua luta na arena economica e nao apenas politica; além do que, segundo vejo pela internet o estao fazendo &quot;espontaneamente&quot;, experimentando formas de auto-organizaçao que podem vir a ser o preludio para algo mais interessante.
Aqui, mais uma vez, o silêncio de boa parte da esquerda é anuncio de falta (nao necessariamente consciente) de critica direta ao capital. Cabe lembrar que mesmo com relaçao à desocupaçao de pinheirinho o que mais chamou a atençao da esquerda em geral foi a violência com a qual a policia de Sao Paulo agiu e nao o carater essencialmente economico desta desapropriaçao e de como ela se articula com a importancia da especulaçao imobiliaria no Brasil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda que o caso Amarildo tenha ganho notoriedade e esteja sendo o centro de demandas e açoes de uma parte consideravel da esquerda e de setores médios, fico preocupado com o relativo silêncio no que diz respeito às ocupaçoes por moradia em Sao Paulo.<br />
Penso que etes primeiros começaram a se articular em torno de grupos e organizaçoes que vinham crescendo em visibilidade ha algum tempo entre os setores médios da sociedade. Ao meu ver, este processo (que adensou-se a partir da desocupaçao de pinheirinho e da &#8220;limpeza&#8221; da crakolandia) ganhou força com as jornadas de junho que, cabe lembrar, começaram com uma grande marcha contra a truculência policial.<br />
Em contra partida, diferentemente do caso Amarildo onde a luta é essencialmente politica (pois contra a instituiçao policial e a violência que lhe é inerente) cabe ressaltar que os participantes das ocupaçoes estao se contrapondo diretamente ao capital, travando sua luta na arena economica e nao apenas politica; além do que, segundo vejo pela internet o estao fazendo &#8220;espontaneamente&#8221;, experimentando formas de auto-organizaçao que podem vir a ser o preludio para algo mais interessante.<br />
Aqui, mais uma vez, o silêncio de boa parte da esquerda é anuncio de falta (nao necessariamente consciente) de critica direta ao capital. Cabe lembrar que mesmo com relaçao à desocupaçao de pinheirinho o que mais chamou a atençao da esquerda em geral foi a violência com a qual a policia de Sao Paulo agiu e nao o carater essencialmente economico desta desapropriaçao e de como ela se articula com a importancia da especulaçao imobiliaria no Brasil.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/84110/#comment-134720</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2013 14:51:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas,

Em Campinas, a prefeitura basicamente dobrou o dinheiro repassado às empresas por conta do cancelamento do aumento. De 36 milhões irá para 71 milhões em 2014. O povo não paga 30 centavos a mais, lá era 3.30, mas os empresários não perderam nada. Se formos fazer as contas, eles saíram ganhando. Há vários mecanismos para as prefeituras encherem os bolsos das empresas e isso deve estar ocorrendo pra todo lado. 

Sendo assim o saldo positivo maior fica em outro aspecto. Eu contaria dois ganhos centrais. As mobilizações de junho, embora todos os problemas, deixou o campo mais fácil para as mobilizações da quebrada. Houve uma afirmação massiva do direito e necessidade de protestar e isso facilita o campo para quem não tem outra alternativa se não a luta para ter uma casa, comida, ou não ser morto pela PM. 

E tem o caso Amarildo, que não salvou a vida dele mas evita a morte de vários na medida em que criou uma sensibilização inédita em torno da ideia de que pobres sem leitura também são gente. Ainda hoje a esquerda só gosta de falar da morte e da tortura daqueles que haviam sido criados para ser elite e foram abatidos. É muito importante que, enfim, tenha surgido alguma solidariedade com os que vivem sob o horror imposto pelas polícias nas quebradas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,</p>
<p>Em Campinas, a prefeitura basicamente dobrou o dinheiro repassado às empresas por conta do cancelamento do aumento. De 36 milhões irá para 71 milhões em 2014. O povo não paga 30 centavos a mais, lá era 3.30, mas os empresários não perderam nada. Se formos fazer as contas, eles saíram ganhando. Há vários mecanismos para as prefeituras encherem os bolsos das empresas e isso deve estar ocorrendo pra todo lado. </p>
<p>Sendo assim o saldo positivo maior fica em outro aspecto. Eu contaria dois ganhos centrais. As mobilizações de junho, embora todos os problemas, deixou o campo mais fácil para as mobilizações da quebrada. Houve uma afirmação massiva do direito e necessidade de protestar e isso facilita o campo para quem não tem outra alternativa se não a luta para ter uma casa, comida, ou não ser morto pela PM. </p>
<p>E tem o caso Amarildo, que não salvou a vida dele mas evita a morte de vários na medida em que criou uma sensibilização inédita em torno da ideia de que pobres sem leitura também são gente. Ainda hoje a esquerda só gosta de falar da morte e da tortura daqueles que haviam sido criados para ser elite e foram abatidos. É muito importante que, enfim, tenha surgido alguma solidariedade com os que vivem sob o horror imposto pelas polícias nas quebradas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/84110/#comment-134701</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2013 12:00:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Marcos,
barrar o aumento do transporte público foi uma vitória de fato. O caso do Amarildo ainda não está resolvido e pessoalmente não vejo um desfecho de vitória no caso. Sem tirar o mérito de que o assunto tenha criado interesse em outros setores da sociedade com relação às mazelas da população que habita as favelas, fato é que o povo dobrou os governantes no que diz respeito ao aumento, não podemos dizer, ainda, o mesmo sobre o caso Amarildo. O dia que Cabral renunciar antes de seu mandato terminar, aí poderemos avaliar se a mobilização em torno da morte de Amarildo teve saldo positivo ou não (e a análise terá de ser honesta, tendo em vista que este não é o único motivo da fragilidade atual do governador).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcos,<br />
barrar o aumento do transporte público foi uma vitória de fato. O caso do Amarildo ainda não está resolvido e pessoalmente não vejo um desfecho de vitória no caso. Sem tirar o mérito de que o assunto tenha criado interesse em outros setores da sociedade com relação às mazelas da população que habita as favelas, fato é que o povo dobrou os governantes no que diz respeito ao aumento, não podemos dizer, ainda, o mesmo sobre o caso Amarildo. O dia que Cabral renunciar antes de seu mandato terminar, aí poderemos avaliar se a mobilização em torno da morte de Amarildo teve saldo positivo ou não (e a análise terá de ser honesta, tendo em vista que este não é o único motivo da fragilidade atual do governador).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/84110/#comment-134541</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Sep 2013 15:21:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aquiles,

As jornadas de junho, num sentido amplo, não foram obra dos setores mais precarizados da sociedade e, no geral, esteve descolada do núcleo de problemas por eles enfrentados. A gloriosa exceção ficou por conta do caso Amarildo. Pela primeira vez vimos a classe média levar a sério um protesto contra o cotidiano de chacinas e horror que os pobres enfrentam nas favelas, quebradas, bairros dormitórios. O caso Amarildo é, inclusive, mais importante que o cancelamento dos vinte centavos e foi a grande vitória no processo. Eu diria até que apresenta uma linha tática.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aquiles,</p>
<p>As jornadas de junho, num sentido amplo, não foram obra dos setores mais precarizados da sociedade e, no geral, esteve descolada do núcleo de problemas por eles enfrentados. A gloriosa exceção ficou por conta do caso Amarildo. Pela primeira vez vimos a classe média levar a sério um protesto contra o cotidiano de chacinas e horror que os pobres enfrentam nas favelas, quebradas, bairros dormitórios. O caso Amarildo é, inclusive, mais importante que o cancelamento dos vinte centavos e foi a grande vitória no processo. Eu diria até que apresenta uma linha tática.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Aquiles		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/84110/#comment-134478</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aquiles]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Sep 2013 09:10:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=84110#comment-134478</guid>

					<description><![CDATA[Ainda que o refluxo pareça forte, caberia se perguntar sobre eventuais avanços no que diz respeito à capacidade de organizaçao de setores que nao os trabalhadores qualificados. Penso, notadamente, as ocupaçoes na zona sul de Sao Paulo ou ainda as manifestaçoes em torno da violência policial no Rio de Janeiro. Pessoalmente nao tenho como acompanhar in loco tais desenvolvimentos visto que nao moro no Brasil. Entretanto, coloco a pergunta àqueles e àquelas que acompanham de perto.

P.S.: Peço desculpas pelos eventuais erros de ortografia. O teclado nao aceita uma série de sinais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda que o refluxo pareça forte, caberia se perguntar sobre eventuais avanços no que diz respeito à capacidade de organizaçao de setores que nao os trabalhadores qualificados. Penso, notadamente, as ocupaçoes na zona sul de Sao Paulo ou ainda as manifestaçoes em torno da violência policial no Rio de Janeiro. Pessoalmente nao tenho como acompanhar in loco tais desenvolvimentos visto que nao moro no Brasil. Entretanto, coloco a pergunta àqueles e àquelas que acompanham de perto.</p>
<p>P.S.: Peço desculpas pelos eventuais erros de ortografia. O teclado nao aceita uma série de sinais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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