<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: O dia em que Haddad soltou a polícia em cima de famílias no Grajaú	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2013/09/85210/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Sun, 10 Sep 2023 21:57:29 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Danilo - integrante do Mães de Maio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-137083</link>

		<dc:creator><![CDATA[Danilo - integrante do Mães de Maio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2013 15:04:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-137083</guid>

					<description><![CDATA[Caro Paulo e demais compas-leitores do PP,

Tudo firme?

Então, sempre penso mil vezes antes de esticar esse tipo de chiclete - nos termos que foram colocados aí em cima – entre companheir@s. Mas firmeza, vamos lá.

A questão que você levanta, Paulo, é bastante séria e importante (não é nenhuma bobagem, de fato). O coletivo que edita as nossas páginas, e eu como integrante dele, procuro/amos tomar todo o cuidado possível em relação a isto - contextualização das imagens que utilizamos, sobretudo quando relacionadas a denúncias de casos específicos de violência do estado e de resistência popular. Aliás, está na origem e continua marcando a prática de nosso movimento (com todos nossos limites) justamente resgatar a história específica de cada um dos mortos, desaparecidos, agredidos, e das respectivas famílias e amigos que resistem contra o terror colossal do estado democrático - tornados &quot;todos iguais&quot; pela invisibilidade completa das, no máximo, estatísticas oficiais. Mecanismo de apagamento de histórias, ademais, que marca toda série de massacres do país desde sempre. Para isso resgatamos fotos – sempre sob concordância das famílias, contextualizando-as; resituamos outras imagens já públicas; incentivamos a produção de textos, livros (já publicamos 2, e participamos de outros), vídeos (inúmeros já), músicas, postagens na internet etc, visando o fortalecimento crítico das memórias específicas, e do que consideramos as nossas verdades (dos trabalha-dores) sobre essas histórias frente as (não)versões oficiais. A parte que publicizamos é mínima, inclusive, se comparada ao acervo muito maior que temos em nossas várias mãos – mas que não publicamos exatamente por esta “discriminação”, respeito e cuidado com os envolvidos diretos. 

O caso específico desta imagem circulada pelas redes sociais – cuja responsabilidade pela publicação é minha - para ilustrar uma campanha de solidariedade urgente referindo-se ao despejo do Itajaí - e há outras situações semelhantes – são daquelas circunstâncias marcadas pelo calor limite da luta. No caso, contra um despejo superviolento (de consequências imprevisíveis para os lutadores reprimidos, no momento mesmo da repressão), e a urgente necessidade de reforçar a campanha imediata pela integridade e a libertação dos dois compas que estavam detidos/presos então. Entre os vários corres para este intuito urgente - corre político, jurídico, comunicação, telefonemas, sem-créditos etc, um dos importantes recursos disponíveis eram as redes sociais - e naquele momento, até por conta das câmeras confiscadas pela polícia (e toda dificuldade adicional de comunicação), não havia imagens disponíveis imediatamente lá da ocupação do Itajaí. Mas havia uma necessidade imediata de amplificar uma mensagem de solidariedade, visibilidade e autoproteção para lá. Por isso utilizei, em caráter ilustrativo, a imagem pública de outro despejo de 2011 que - embora de certo setor do MST em território mais &quot;rururbano&quot;, a nosso ver simbolizava bem a sensação (sim, a sensação!) revoltante de um despejo absurdo/violento nos moldes do que estava em pleno curso então. Situação que alguns dos integrantes de nosso coletivo de comunicação já passamos na pele algumas vezes, tanto no campo como na cidade.

Não se trata, portanto, de uma &quot;utilização indiscriminada&quot; de &quot;imagens de pessoas pobres&quot;. Essa utilização de imagens de outros lutadores e de outras lutas //para uma luta presente// é bastante discriminada – como é discriminada, noutros termos, o bloqueio de uma avenida ou o uso acalorado de um ônibus; ela é pensada e problematizada (os prós e contras dessa ou daquela forma de utilização) por nós, talvez sob critérios e circunstâncias distintas da sua - que nós respeitamos. A circunstância ali pedia reações num tempo curto, ampla mobilização imediata (sim, tb pra chamar a atenção, até pra tentar garantir/proteger a integridade física dos compas presos). A repressão tem sido cada vez mais imprevisível atualmente no país. Como deve saber, entre as grandes dificuldades enfrentadas pelas ocupações atuais do extremo sul, há o bloqueio midiático quase total de informação / cobertura jornalística sobre o quê ocorre nelas. Por isso não concordamos com os termos que você utilizou: &quot;[acho] um absurdo e um desrespeito com os próprios movimentos e pessoas envolvidas” etc etc. O quê é “absurdo” e “desrespeito” pra você? Não acho que desrespeitei/amos nem os movimentos e pessoas retratadas anteriormente; muito menos os movimentos e pessoas reprimidas anteontem. E a certa “confusão”, sim, ocasionada pela ampla visibilidade da imagem desviada no calor da luta, a meu ver é menos “desrespeitosa” do que a omissão. Preferi correr o risco de, na hipótese a meu ver menor da guerrêra fotografada pudesse se incomodar de ter sua imagem tornada símbolo de resistência e solidariedade à outra ocupação, chegarmos de alguma maneira nela e esclarecermos, até nos desculpar se preciso fosse. Não estava/mos, de maneira alguma, colocando-a em risco. Preferi correr a hipótese mais provável da guerrêra se sentir orgulhosa por sua imagem ter sido bem útil pra outros compas de classe em risco noutra circunstância, em prol da resistência do Itajaí, do que o risco de não incidir dessa (melhor) forma possível nesta ou naquela luta. Qual o preço ou o “desrespeito” mais caro a pagar?

Essa questão, como vê, não é tão simples como pode parecer, caro Paulo... Não seria absurdo e desrespeito maior, inclusive pros lutadores outrora fotografados, deixar de utilizar tais fotos públicas disponíveis - citando suas referências/fotógrafos/contextualizando-as sempre que possível - em solidariedade urgente a outros lutadores sociais em pleno perigo, ainda que noutro contexto? Na dúvida (que sempre nos acomete em momentos de decisão/ações como este, por mais que possa não parecer à distância), qual o &quot;absurdo e desrespeito&quot; maior: o risco da tomada de uma atitude (cheia de limites, como qualquer passagem da teoria ao ato) ou a compreensível prudência (mas possível omissão pelo excesso de abstração em “respeito aos pobres”)? Não é questão simples. Pois pode ter certeza, a força daquela foto de Americana e a sua sintonia com o quê estava ocorrendo então no Extremo Sul de SP, potencializou muito a circulação da imagem e das informações/campanha/mobilização necessárias mais do que nunca ali, que usaram tal foto como veículo de comunic-ação. Apenas numa das postagens que editamos foram mais de 100.000 visualizações ali quando era necessário isso. É sempre uma questão em aberto para nossa discriminação sobre a utilização de imagens de lutadores/movimentos, mas que via de regra optamos pela tomada de atitude (desde que a exposição específica não coloque em risco ninguém), assumindo todos os limites/consequências dessa utilização. Achamos tb que a maioria das pessoas e movimentos com os quais temos proximidade cotidiana preferem mais esta referência e identidade (de classe) recíproca, tornada mais pública, mesmo com possíveis confusões (que você chamou de “sensasionalista” e de nivelação “indistinta de pobres”), do que a historicamente planejada e discriminada invisibilidade de nossas lutas, de nossas irmãs e irmãos oprimidos-lutadores - pelos demais poderes estabelecidos. “Confusão sensasionalista dos ‘pobres’ tornados todos iguais” ou identidade recíproca / simpatia / solidariedade (de classe) entre trabalhadores em luta? A multiplicação da utilização daquela foto como símbolo da sensação vivida num despejo, e da solidariedade às famílias despejadas/reprimidas, por diversas páginas de outros movimentos (como da Favela do Moinho - https://www.facebook.com/photo.php?fbid=557065341027135&#038;set=a.521104751289861.1073741829.414133231987014&#038;type=1&#038;relevant_count=1), e até mesmo no clipe de um rap feito por ocasião do despejo (lá do próprio Extremo Sul - http://www.youtube.com/watch?v=ogb5mGWf5P0), enfim, são dados a considerar nessa análise sobre as “armas, noites, pedras e poemas” utilizados na luta... Mas isso depende caso a caso, e são as pessoas e movimentos diretamente citados que devem dizer o quê preferem, ou aquilo que acham “desrespeito” a si próprio.

É um questionamento e uma discussão que tem crescido entre nós: por exemplo, diante do aumento da visibilidade dos casos de violência policial e outras denúncias de violência / violações de DH, impulsionado pelos canais mais autônomos possíveis de comunicação de nosso movimento e nossa rede nacional de familiares e amigos, tem multiplicado questões (externa e internamente) deste tipo: não haveria um excesso indiscriminado de imagens/exposição das “vítimas”, flertando com o “sensacionalismo”? Não haveria uma “idealização”/“romantização” do “pobre” (como ouvimos recentemente tb sobre o caso do guerreiro Amarildo, a partir de certas imagens e poesias que foram feitas sobre sua história); não seria um grande problema tb, entre os nossos aliados artistas periféricos ou mesmo o papel de referência das mães periféricas e demais familiares de vítimas, o problema da “vaidade” e do “narcisismo” das “lideranças”? São todas questões relevantes, que devemos ter em vista e aprofundar sempre, mas sem deixar de balizar também a importância de: A - Em primeiro lugar, a quebra da invisibilidade total da grande maioria dessas centenas de milhares de casos (ampliação da discussão/reflexão sobre o assunto; da produção de material/texto/conhecimento sobre o tema outrora praticamente ignorado); B - A maior visibilidade, em alguns casos, pode ser tb o único recurso disponível pra nós aumentarmos o custo político de eventuais retaliações contra nossos movimentos – e nestes casos o quê você chamou de “confusão” e “imprecisões” pode ser positivo; C – Neste sentido, talvez seja preferível lidar com certa idealização/romantismo/sensacionalismo/confusão do que com a simples inexistência política do tema/pessoas: pelo menos viraram uma questão; D - O quê você chamou de “sensacionalismo”, por outro lado, é também uma espécie de legítimo reequilíbrio do terror das sensações terríveis do cotidiano da classe trabalhadora alvo preferencial de tal repressão (o famigerado “Notícias Populares” tinha a mesma pecha de “sensasionalista” junto à classe média à época de sua existência, porém - já discutimos muito isso, inclusive com dois jornalistas ex-NP - pelo menos ali os repórteres chegavam à ponta e os casos eram noticiados – e lidos - nas bancas populares); E - Por fim, talvez seja preferível também lidar com os desafios todos (e são muitos mesmo) colocados pela “vaidade” e o “narcisismo” de alguns (novos) protagonistas diretos, do que com os sem-número de problemas da frustração/depressão apassivadora, agravada pela burocratização dentro dos próprios movimentos, do ciclo anterior.

Por último, ainda sobre esta foto específica e outras semelhantes, se você reparar bem, Paulo, nós temos buscado resgatar e republicar uma série de fotos históricas ganhadoras de recentes Prêmios Vladimir Herzog, e de outros acervos iconográficos afins de DH, que a nosso ver têm uma atualidade imensa. Há uma identificação muito forte com as lutas atuais; rememoram e reativam as lutas antigas; e podem ser ferramentas muito importantes pras lutas de hoje – sobretudo no calor de algumas mobilizações necessárias, como foi o caso do Itajaí. Por isso que muitas vezes fazemos “desvios” tb, mais ou menos “sensacionalistas”, de forma propositada, geralmente acompanhando junto as fotos/imagens de agitação e propaganda poesias, letras de rap, textos convocatórios, vídeos de lutas, enfim... (alguns outros integrantes de nosso coletivo propõem, muitas vezes, fotos até muito mais pesadas / sensacionalista... utilizando-as em caráter pessoal; nós temos problematizado isso).

Lamentamos ao camarada “Sobre a foto” pelo comentário acima, e as consequências da passagem.

Abraço ao Paulo e a tod@s compas leitores do Passa Palavra! 

Tâmo juntão!

D]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Paulo e demais compas-leitores do PP,</p>
<p>Tudo firme?</p>
<p>Então, sempre penso mil vezes antes de esticar esse tipo de chiclete &#8211; nos termos que foram colocados aí em cima – entre companheir@s. Mas firmeza, vamos lá.</p>
<p>A questão que você levanta, Paulo, é bastante séria e importante (não é nenhuma bobagem, de fato). O coletivo que edita as nossas páginas, e eu como integrante dele, procuro/amos tomar todo o cuidado possível em relação a isto &#8211; contextualização das imagens que utilizamos, sobretudo quando relacionadas a denúncias de casos específicos de violência do estado e de resistência popular. Aliás, está na origem e continua marcando a prática de nosso movimento (com todos nossos limites) justamente resgatar a história específica de cada um dos mortos, desaparecidos, agredidos, e das respectivas famílias e amigos que resistem contra o terror colossal do estado democrático &#8211; tornados &#8220;todos iguais&#8221; pela invisibilidade completa das, no máximo, estatísticas oficiais. Mecanismo de apagamento de histórias, ademais, que marca toda série de massacres do país desde sempre. Para isso resgatamos fotos – sempre sob concordância das famílias, contextualizando-as; resituamos outras imagens já públicas; incentivamos a produção de textos, livros (já publicamos 2, e participamos de outros), vídeos (inúmeros já), músicas, postagens na internet etc, visando o fortalecimento crítico das memórias específicas, e do que consideramos as nossas verdades (dos trabalha-dores) sobre essas histórias frente as (não)versões oficiais. A parte que publicizamos é mínima, inclusive, se comparada ao acervo muito maior que temos em nossas várias mãos – mas que não publicamos exatamente por esta “discriminação”, respeito e cuidado com os envolvidos diretos. </p>
<p>O caso específico desta imagem circulada pelas redes sociais – cuja responsabilidade pela publicação é minha &#8211; para ilustrar uma campanha de solidariedade urgente referindo-se ao despejo do Itajaí &#8211; e há outras situações semelhantes – são daquelas circunstâncias marcadas pelo calor limite da luta. No caso, contra um despejo superviolento (de consequências imprevisíveis para os lutadores reprimidos, no momento mesmo da repressão), e a urgente necessidade de reforçar a campanha imediata pela integridade e a libertação dos dois compas que estavam detidos/presos então. Entre os vários corres para este intuito urgente &#8211; corre político, jurídico, comunicação, telefonemas, sem-créditos etc, um dos importantes recursos disponíveis eram as redes sociais &#8211; e naquele momento, até por conta das câmeras confiscadas pela polícia (e toda dificuldade adicional de comunicação), não havia imagens disponíveis imediatamente lá da ocupação do Itajaí. Mas havia uma necessidade imediata de amplificar uma mensagem de solidariedade, visibilidade e autoproteção para lá. Por isso utilizei, em caráter ilustrativo, a imagem pública de outro despejo de 2011 que &#8211; embora de certo setor do MST em território mais &#8220;rururbano&#8221;, a nosso ver simbolizava bem a sensação (sim, a sensação!) revoltante de um despejo absurdo/violento nos moldes do que estava em pleno curso então. Situação que alguns dos integrantes de nosso coletivo de comunicação já passamos na pele algumas vezes, tanto no campo como na cidade.</p>
<p>Não se trata, portanto, de uma &#8220;utilização indiscriminada&#8221; de &#8220;imagens de pessoas pobres&#8221;. Essa utilização de imagens de outros lutadores e de outras lutas //para uma luta presente// é bastante discriminada – como é discriminada, noutros termos, o bloqueio de uma avenida ou o uso acalorado de um ônibus; ela é pensada e problematizada (os prós e contras dessa ou daquela forma de utilização) por nós, talvez sob critérios e circunstâncias distintas da sua &#8211; que nós respeitamos. A circunstância ali pedia reações num tempo curto, ampla mobilização imediata (sim, tb pra chamar a atenção, até pra tentar garantir/proteger a integridade física dos compas presos). A repressão tem sido cada vez mais imprevisível atualmente no país. Como deve saber, entre as grandes dificuldades enfrentadas pelas ocupações atuais do extremo sul, há o bloqueio midiático quase total de informação / cobertura jornalística sobre o quê ocorre nelas. Por isso não concordamos com os termos que você utilizou: &#8220;[acho] um absurdo e um desrespeito com os próprios movimentos e pessoas envolvidas” etc etc. O quê é “absurdo” e “desrespeito” pra você? Não acho que desrespeitei/amos nem os movimentos e pessoas retratadas anteriormente; muito menos os movimentos e pessoas reprimidas anteontem. E a certa “confusão”, sim, ocasionada pela ampla visibilidade da imagem desviada no calor da luta, a meu ver é menos “desrespeitosa” do que a omissão. Preferi correr o risco de, na hipótese a meu ver menor da guerrêra fotografada pudesse se incomodar de ter sua imagem tornada símbolo de resistência e solidariedade à outra ocupação, chegarmos de alguma maneira nela e esclarecermos, até nos desculpar se preciso fosse. Não estava/mos, de maneira alguma, colocando-a em risco. Preferi correr a hipótese mais provável da guerrêra se sentir orgulhosa por sua imagem ter sido bem útil pra outros compas de classe em risco noutra circunstância, em prol da resistência do Itajaí, do que o risco de não incidir dessa (melhor) forma possível nesta ou naquela luta. Qual o preço ou o “desrespeito” mais caro a pagar?</p>
<p>Essa questão, como vê, não é tão simples como pode parecer, caro Paulo&#8230; Não seria absurdo e desrespeito maior, inclusive pros lutadores outrora fotografados, deixar de utilizar tais fotos públicas disponíveis &#8211; citando suas referências/fotógrafos/contextualizando-as sempre que possível &#8211; em solidariedade urgente a outros lutadores sociais em pleno perigo, ainda que noutro contexto? Na dúvida (que sempre nos acomete em momentos de decisão/ações como este, por mais que possa não parecer à distância), qual o &#8220;absurdo e desrespeito&#8221; maior: o risco da tomada de uma atitude (cheia de limites, como qualquer passagem da teoria ao ato) ou a compreensível prudência (mas possível omissão pelo excesso de abstração em “respeito aos pobres”)? Não é questão simples. Pois pode ter certeza, a força daquela foto de Americana e a sua sintonia com o quê estava ocorrendo então no Extremo Sul de SP, potencializou muito a circulação da imagem e das informações/campanha/mobilização necessárias mais do que nunca ali, que usaram tal foto como veículo de comunic-ação. Apenas numa das postagens que editamos foram mais de 100.000 visualizações ali quando era necessário isso. É sempre uma questão em aberto para nossa discriminação sobre a utilização de imagens de lutadores/movimentos, mas que via de regra optamos pela tomada de atitude (desde que a exposição específica não coloque em risco ninguém), assumindo todos os limites/consequências dessa utilização. Achamos tb que a maioria das pessoas e movimentos com os quais temos proximidade cotidiana preferem mais esta referência e identidade (de classe) recíproca, tornada mais pública, mesmo com possíveis confusões (que você chamou de “sensasionalista” e de nivelação “indistinta de pobres”), do que a historicamente planejada e discriminada invisibilidade de nossas lutas, de nossas irmãs e irmãos oprimidos-lutadores &#8211; pelos demais poderes estabelecidos. “Confusão sensasionalista dos ‘pobres’ tornados todos iguais” ou identidade recíproca / simpatia / solidariedade (de classe) entre trabalhadores em luta? A multiplicação da utilização daquela foto como símbolo da sensação vivida num despejo, e da solidariedade às famílias despejadas/reprimidas, por diversas páginas de outros movimentos (como da Favela do Moinho &#8211; <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=557065341027135&#038;set=a.521104751289861.1073741829.414133231987014&#038;type=1&#038;relevant_count=1" rel="nofollow ugc">https://www.facebook.com/photo.php?fbid=557065341027135&#038;set=a.521104751289861.1073741829.414133231987014&#038;type=1&#038;relevant_count=1</a>), e até mesmo no clipe de um rap feito por ocasião do despejo (lá do próprio Extremo Sul &#8211; <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ogb5mGWf5P0" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=ogb5mGWf5P0</a>), enfim, são dados a considerar nessa análise sobre as “armas, noites, pedras e poemas” utilizados na luta&#8230; Mas isso depende caso a caso, e são as pessoas e movimentos diretamente citados que devem dizer o quê preferem, ou aquilo que acham “desrespeito” a si próprio.</p>
<p>É um questionamento e uma discussão que tem crescido entre nós: por exemplo, diante do aumento da visibilidade dos casos de violência policial e outras denúncias de violência / violações de DH, impulsionado pelos canais mais autônomos possíveis de comunicação de nosso movimento e nossa rede nacional de familiares e amigos, tem multiplicado questões (externa e internamente) deste tipo: não haveria um excesso indiscriminado de imagens/exposição das “vítimas”, flertando com o “sensacionalismo”? Não haveria uma “idealização”/“romantização” do “pobre” (como ouvimos recentemente tb sobre o caso do guerreiro Amarildo, a partir de certas imagens e poesias que foram feitas sobre sua história); não seria um grande problema tb, entre os nossos aliados artistas periféricos ou mesmo o papel de referência das mães periféricas e demais familiares de vítimas, o problema da “vaidade” e do “narcisismo” das “lideranças”? São todas questões relevantes, que devemos ter em vista e aprofundar sempre, mas sem deixar de balizar também a importância de: A &#8211; Em primeiro lugar, a quebra da invisibilidade total da grande maioria dessas centenas de milhares de casos (ampliação da discussão/reflexão sobre o assunto; da produção de material/texto/conhecimento sobre o tema outrora praticamente ignorado); B &#8211; A maior visibilidade, em alguns casos, pode ser tb o único recurso disponível pra nós aumentarmos o custo político de eventuais retaliações contra nossos movimentos – e nestes casos o quê você chamou de “confusão” e “imprecisões” pode ser positivo; C – Neste sentido, talvez seja preferível lidar com certa idealização/romantismo/sensacionalismo/confusão do que com a simples inexistência política do tema/pessoas: pelo menos viraram uma questão; D &#8211; O quê você chamou de “sensacionalismo”, por outro lado, é também uma espécie de legítimo reequilíbrio do terror das sensações terríveis do cotidiano da classe trabalhadora alvo preferencial de tal repressão (o famigerado “Notícias Populares” tinha a mesma pecha de “sensasionalista” junto à classe média à época de sua existência, porém &#8211; já discutimos muito isso, inclusive com dois jornalistas ex-NP &#8211; pelo menos ali os repórteres chegavam à ponta e os casos eram noticiados – e lidos &#8211; nas bancas populares); E &#8211; Por fim, talvez seja preferível também lidar com os desafios todos (e são muitos mesmo) colocados pela “vaidade” e o “narcisismo” de alguns (novos) protagonistas diretos, do que com os sem-número de problemas da frustração/depressão apassivadora, agravada pela burocratização dentro dos próprios movimentos, do ciclo anterior.</p>
<p>Por último, ainda sobre esta foto específica e outras semelhantes, se você reparar bem, Paulo, nós temos buscado resgatar e republicar uma série de fotos históricas ganhadoras de recentes Prêmios Vladimir Herzog, e de outros acervos iconográficos afins de DH, que a nosso ver têm uma atualidade imensa. Há uma identificação muito forte com as lutas atuais; rememoram e reativam as lutas antigas; e podem ser ferramentas muito importantes pras lutas de hoje – sobretudo no calor de algumas mobilizações necessárias, como foi o caso do Itajaí. Por isso que muitas vezes fazemos “desvios” tb, mais ou menos “sensacionalistas”, de forma propositada, geralmente acompanhando junto as fotos/imagens de agitação e propaganda poesias, letras de rap, textos convocatórios, vídeos de lutas, enfim&#8230; (alguns outros integrantes de nosso coletivo propõem, muitas vezes, fotos até muito mais pesadas / sensacionalista&#8230; utilizando-as em caráter pessoal; nós temos problematizado isso).</p>
<p>Lamentamos ao camarada “Sobre a foto” pelo comentário acima, e as consequências da passagem.</p>
<p>Abraço ao Paulo e a tod@s compas leitores do Passa Palavra! </p>
<p>Tâmo juntão!</p>
<p>D</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-137015</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2013 03:42:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-137015</guid>

					<description><![CDATA[Não, não resta nada mesmo. Admitamos essa realidade brutal e sigamos nosso caminho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não resta nada mesmo. Admitamos essa realidade brutal e sigamos nosso caminho.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leonel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-136723</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leonel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 20:57:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-136723</guid>

					<description><![CDATA[Primeiro não negociou com o MPL-SP sendo intransigente no posicionamento da prefeitura ante as manifestações, agora ele próprio solicita a reintegração de posse agindo de forma cínica.

É, o PT mostrando que de ser o partidos dos trabalhadores resta(resta?) muito pouco.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro não negociou com o MPL-SP sendo intransigente no posicionamento da prefeitura ante as manifestações, agora ele próprio solicita a reintegração de posse agindo de forma cínica.</p>
<p>É, o PT mostrando que de ser o partidos dos trabalhadores resta(resta?) muito pouco.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-136715</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 19:23:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-136715</guid>

					<description><![CDATA[pergunta para quem está envolvido:
a solidariedade tem risco de virar consciência? Ouvi de gente envolvida que os ocupantes não relacionam muito essa onda recente de ocupações como uma continuidade de Junho. No entanto, se enchergaram talvez como uma onda de fato, partes de um movimento maior de ocupações ou algo do tipo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>pergunta para quem está envolvido:<br />
a solidariedade tem risco de virar consciência? Ouvi de gente envolvida que os ocupantes não relacionam muito essa onda recente de ocupações como uma continuidade de Junho. No entanto, se enchergaram talvez como uma onda de fato, partes de um movimento maior de ocupações ou algo do tipo?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-136710</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 18:24:39 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-136710</guid>

					<description><![CDATA[Paulo,
De fato foi cometido um lapso. Por conta de problemas em nossa plataforma de e-mail, fomos obrigados a coletar imagens nas redes sociais, onde a confusão já estava criada. Corrigimos e lamentamos pelo ocorrido.

Coletivo Passa Palavra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo,<br />
De fato foi cometido um lapso. Por conta de problemas em nossa plataforma de e-mail, fomos obrigados a coletar imagens nas redes sociais, onde a confusão já estava criada. Corrigimos e lamentamos pelo ocorrido.</p>
<p>Coletivo Passa Palavra</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Sobre a foto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-136699</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sobre a foto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 16:55:19 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-136699</guid>

					<description><![CDATA[Paulo, sobre a foto, foi então um engano mesmo.

Durante a desocupação pela manhã, estava publicando pelas páginas dos movimentos as notícias que vinham chegando da desocupação, informes dos detidos, etc. Vi essa foto sendo compartilhada inicialmente em um post das Mães de Maio sobre o despejo do Itajaí no facebook e na hora me pareceu evidente que fosse de lá. Acabei re-postando ela em canais de outros movimentos sem maior apuração, e é por isso que foi parar no Passa Palavra e na própria página da Rede.

Foi um engano mesmo - e concordo que bastante sério. Obrigado pelo aviso, vou entrar em contato com os canais para corrigir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo, sobre a foto, foi então um engano mesmo.</p>
<p>Durante a desocupação pela manhã, estava publicando pelas páginas dos movimentos as notícias que vinham chegando da desocupação, informes dos detidos, etc. Vi essa foto sendo compartilhada inicialmente em um post das Mães de Maio sobre o despejo do Itajaí no facebook e na hora me pareceu evidente que fosse de lá. Acabei re-postando ela em canais de outros movimentos sem maior apuração, e é por isso que foi parar no Passa Palavra e na própria página da Rede.</p>
<p>Foi um engano mesmo &#8211; e concordo que bastante sério. Obrigado pelo aviso, vou entrar em contato com os canais para corrigir.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Maura C. Parvatis		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-136692</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maura C. Parvatis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 16:17:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-136692</guid>

					<description><![CDATA[É revoltante saber que as famílias além de terem sido vítimas de uma ação extremamente violenta, foram roubadas pelos policiais...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É revoltante saber que as famílias além de terem sido vítimas de uma ação extremamente violenta, foram roubadas pelos policiais&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-136668</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 11:56:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-136668</guid>

					<description><![CDATA[Essa última imagem que ilustra a notícia e que tá correndo por aí nas redes sociais não é do Grajaú, é de uma desocupação de uns dois ou três anos atrás num acampamento do MST em Americana. Pode parecer bobagem, mas acho um absurdo e um desrespeito com os próprios movimentos e pessoas envolvidas a utilização indiscriminada de imagens de pessoas pobres (sem apuração) para &quot;valorizar&quot; com sensacionalismo novos fatos, no fundo é dizer que tudo é igual a tudo e que pobre não se distingue.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa última imagem que ilustra a notícia e que tá correndo por aí nas redes sociais não é do Grajaú, é de uma desocupação de uns dois ou três anos atrás num acampamento do MST em Americana. Pode parecer bobagem, mas acho um absurdo e um desrespeito com os próprios movimentos e pessoas envolvidas a utilização indiscriminada de imagens de pessoas pobres (sem apuração) para &#8220;valorizar&#8221; com sensacionalismo novos fatos, no fundo é dizer que tudo é igual a tudo e que pobre não se distingue.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/85210/#comment-136629</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 04:05:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=85210#comment-136629</guid>

					<description><![CDATA[Após descumprir acordo, gestão Haddad diz que &#039;ocupações prejudicam política habitacional&#039;

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/09/apos-descumprir-acordo-prefeitura-de-sp-afirma-que-ocupacoes-prejudicam-politica-habitacional-2370.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após descumprir acordo, gestão Haddad diz que &#8216;ocupações prejudicam política habitacional&#8217;</p>
<p><a href="http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/09/apos-descumprir-acordo-prefeitura-de-sp-afirma-que-ocupacoes-prejudicam-politica-habitacional-2370.html" rel="nofollow ugc">http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/09/apos-descumprir-acordo-prefeitura-de-sp-afirma-que-ocupacoes-prejudicam-politica-habitacional-2370.html</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
