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	Comentários sobre: Pouco a acrescentar: as manifestações de Outubro e a luta contra a austeridade	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: André Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/10/87399/#comment-144504</link>

		<dc:creator><![CDATA[André Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2013 17:31:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O comentário acima toca num ponto interessante. Apesar de alguns limites e contradições, mas que são e devem ser amplamente debatidas, há algumas práticas no Brasil que em Portugal não são tão comuns - ou pelo menos as informações não chegam. 
Em Portugal uma fala do Passos Coelho foi interrompida na AR com um &quot;Grândola, Vila Morena&quot; surpresa. Foi realmente uma bonita cena, mas a guarda mandou e os manifestantes calaram-se e retiraram-se. Enquanto isso, aqui no Brasil, e repito que com limites e contradições, várias câmaras municipais foram ocupadas. Em Portugal e no Brasil os sindicatos e as centrais ainda são grandes instituições de controle da classe trabalhadora. Ainda não vi notícia sobre caso parecido em Portugal, mas no Brasil já há sindicatos com a alcunha de &quot;traidores&quot; e até mesmo algumas greves já foram deflagradas sem o apoio (e à revelia e até mesmo contra) desses sindicatos. Daí acabam surgindo ou uma nova onda burocratizante por novos sindicatos e associações, ou a descrença nessa organização institucional e verticalizada, seja pelos velhos ou novos sindicatos, da consciência de que os trabalhadores organizados e autônomos alcançam melhores resultados.
As lutas contra o aumento das tarifas do autocarro no Brasil existem há décadas, mas neste ano sacudiram. Delas saíram também o descrédito de sindicatos e partidos, e também uma frequência de lutas que de tão intensas criou-se um perigoso fetiche (que também deve ser debatido constantemente) da &quot;combatividade&quot;. Perigoso não porque sou contra o vandalismo e as porradas na polícia, mas porque essa tal &quot;combatividade&quot; é requerida por setores mais autoritários de esquerda (maoístas e stalinistas do &quot;centralismo democrático&quot; e da &quot;nova democracia&quot; contra o &quot;velho Estado&quot;)... que querem se consolidar justamente em oposição a uma grande novidade deste ano: o fortalecimento de lutas autônomas com organização horizontal e de caráter libertário, como é exemplo dos MPLs.
Em Portugal, quando estive há um ano e inclusive presenciando manifes, greves e o 14N, o que mais me surpreendeu foi a mitologia criada em cima da Revolução dos Cravos - mas de tão centrada no MFA que as posteriores ocupações de fábrica e outras lutas autônomas são seletivamente esquecidas. Ué, pelo tanto que se orgulha e se referencia desse episódio em comparação às práticas políticas de luta em pleno século XXI, vou começar a duvidar de que houve de facto um 25 de Abril em Portugal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comentário acima toca num ponto interessante. Apesar de alguns limites e contradições, mas que são e devem ser amplamente debatidas, há algumas práticas no Brasil que em Portugal não são tão comuns &#8211; ou pelo menos as informações não chegam.<br />
Em Portugal uma fala do Passos Coelho foi interrompida na AR com um &#8220;Grândola, Vila Morena&#8221; surpresa. Foi realmente uma bonita cena, mas a guarda mandou e os manifestantes calaram-se e retiraram-se. Enquanto isso, aqui no Brasil, e repito que com limites e contradições, várias câmaras municipais foram ocupadas. Em Portugal e no Brasil os sindicatos e as centrais ainda são grandes instituições de controle da classe trabalhadora. Ainda não vi notícia sobre caso parecido em Portugal, mas no Brasil já há sindicatos com a alcunha de &#8220;traidores&#8221; e até mesmo algumas greves já foram deflagradas sem o apoio (e à revelia e até mesmo contra) desses sindicatos. Daí acabam surgindo ou uma nova onda burocratizante por novos sindicatos e associações, ou a descrença nessa organização institucional e verticalizada, seja pelos velhos ou novos sindicatos, da consciência de que os trabalhadores organizados e autônomos alcançam melhores resultados.<br />
As lutas contra o aumento das tarifas do autocarro no Brasil existem há décadas, mas neste ano sacudiram. Delas saíram também o descrédito de sindicatos e partidos, e também uma frequência de lutas que de tão intensas criou-se um perigoso fetiche (que também deve ser debatido constantemente) da &#8220;combatividade&#8221;. Perigoso não porque sou contra o vandalismo e as porradas na polícia, mas porque essa tal &#8220;combatividade&#8221; é requerida por setores mais autoritários de esquerda (maoístas e stalinistas do &#8220;centralismo democrático&#8221; e da &#8220;nova democracia&#8221; contra o &#8220;velho Estado&#8221;)&#8230; que querem se consolidar justamente em oposição a uma grande novidade deste ano: o fortalecimento de lutas autônomas com organização horizontal e de caráter libertário, como é exemplo dos MPLs.<br />
Em Portugal, quando estive há um ano e inclusive presenciando manifes, greves e o 14N, o que mais me surpreendeu foi a mitologia criada em cima da Revolução dos Cravos &#8211; mas de tão centrada no MFA que as posteriores ocupações de fábrica e outras lutas autônomas são seletivamente esquecidas. Ué, pelo tanto que se orgulha e se referencia desse episódio em comparação às práticas políticas de luta em pleno século XXI, vou começar a duvidar de que houve de facto um 25 de Abril em Portugal.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/10/87399/#comment-144487</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2013 15:14:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pode fazer-se um teste curioso. O &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; é um site luso-brasileiro, a tal ponto que para facilitar a leitura recíproca incluiu um glossário nos artigos que o necessitam. Ninguém pode dizer que não entendeu. Apesar disto, embora seja frequente leitores brasileiros comentarem artigos portugueses, é muito raro que portugueses insiram comentários em artigos brasileiros.
E é pena, porque os portugueses aprenderiam bastante com os brasileiros a respeito da organização de lutas.
Aprenderiam, por exemplo, que manifestações que podem paralisar avenidas ou agitar um bairro ou uma cidade ou até, como aconteceu em Junho, todo o país não se limitam a ser convocadas; resultam de um trabalho preparatório feito ao longo de vários anos junto à população e no meio das comunidades locais, o trabalho da «velha toupeira», como diizia o das barbas.
Aprenderiam que as manifestações aqui no Brasil nunca se fazem sem ser acompanhadas por advogados, prontos a intervir, de maneira a diminuir o mais possível o tempo de detenção dos militantes e activistas.
Aprenderiam que as manifestações no Brasil, se são mais do que uma procissão triste de gente repetindo em uníssono palavras de ordem, não o devem só à propensão melódica e rítmica da população. Devem-no ao facto de o trabalho da «velha toupeira» ter incluído nos bairros pequenas bandas informais ou grupos de amigos que sabem bater um pandeiro. Mas deve-se também ao facto de haver, como lhes chamar?, militantes musicais organizados, por exemplo a fanfarra do Movimento Autónomo Libertário, e gostava de saber quantos instrumentos a polícia já lhes partiu. Deve-se também ao facto de grupos de teatro irem para a rua e fazerem animações com os manifestantes. Até ser possível, no que aqui se chama um &lt;em&gt;jogral&lt;/em&gt;, converter toda a manifestação num coro teatral.
Em suma, uma manifestação aqui no Brasil não é uma reunião episódica de pessoas dispersas. É apenas a parte visível de uma infra-estrutura social subjacente, de relações que ao longo de anos se foram tecendo nas comunidades e que a própria manifestação contribui para consolidar e ampliar.
Conta-se que quando se preparava o 5 de Outubro (para os brasileiros: é o 15 de novembro dos portugueses) um dos conspiradores levantou o problema de fazer a revolução na província. E alguém, talvez Afonso Costa, explicou: «A revolução faz-se em Lisboa. Na província faz-se pelo telefone». Parece que hoje a esquerda portuguesa foi ainda mais longe por este caminho e até em Lisboa pretende fazer a revolução pelo telefone. Com estes resultados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode fazer-se um teste curioso. O <em>Passa Palavra</em> é um site luso-brasileiro, a tal ponto que para facilitar a leitura recíproca incluiu um glossário nos artigos que o necessitam. Ninguém pode dizer que não entendeu. Apesar disto, embora seja frequente leitores brasileiros comentarem artigos portugueses, é muito raro que portugueses insiram comentários em artigos brasileiros.<br />
E é pena, porque os portugueses aprenderiam bastante com os brasileiros a respeito da organização de lutas.<br />
Aprenderiam, por exemplo, que manifestações que podem paralisar avenidas ou agitar um bairro ou uma cidade ou até, como aconteceu em Junho, todo o país não se limitam a ser convocadas; resultam de um trabalho preparatório feito ao longo de vários anos junto à população e no meio das comunidades locais, o trabalho da «velha toupeira», como diizia o das barbas.<br />
Aprenderiam que as manifestações aqui no Brasil nunca se fazem sem ser acompanhadas por advogados, prontos a intervir, de maneira a diminuir o mais possível o tempo de detenção dos militantes e activistas.<br />
Aprenderiam que as manifestações no Brasil, se são mais do que uma procissão triste de gente repetindo em uníssono palavras de ordem, não o devem só à propensão melódica e rítmica da população. Devem-no ao facto de o trabalho da «velha toupeira» ter incluído nos bairros pequenas bandas informais ou grupos de amigos que sabem bater um pandeiro. Mas deve-se também ao facto de haver, como lhes chamar?, militantes musicais organizados, por exemplo a fanfarra do Movimento Autónomo Libertário, e gostava de saber quantos instrumentos a polícia já lhes partiu. Deve-se também ao facto de grupos de teatro irem para a rua e fazerem animações com os manifestantes. Até ser possível, no que aqui se chama um <em>jogral</em>, converter toda a manifestação num coro teatral.<br />
Em suma, uma manifestação aqui no Brasil não é uma reunião episódica de pessoas dispersas. É apenas a parte visível de uma infra-estrutura social subjacente, de relações que ao longo de anos se foram tecendo nas comunidades e que a própria manifestação contribui para consolidar e ampliar.<br />
Conta-se que quando se preparava o 5 de Outubro (para os brasileiros: é o 15 de novembro dos portugueses) um dos conspiradores levantou o problema de fazer a revolução na província. E alguém, talvez Afonso Costa, explicou: «A revolução faz-se em Lisboa. Na província faz-se pelo telefone». Parece que hoje a esquerda portuguesa foi ainda mais longe por este caminho e até em Lisboa pretende fazer a revolução pelo telefone. Com estes resultados.</p>
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