<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Notas sobre a luta autônoma em Salvador. 3ª parte	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2013/11/87947/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2013/11/87947/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Tue, 31 Oct 2023 23:48:57 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: matinho púrpura		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/87947/#comment-146460</link>

		<dc:creator><![CDATA[matinho púrpura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Nov 2013 13:19:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=87947#comment-146460</guid>

					<description><![CDATA[Contribuição com algumas reflexões sobre feminismo, a partir do acúmulo que tenho na luta feminista.
Nota  sobre o comentário: hoje, não estou organizada em nenhum coletivo exclusivo de mulheres e o fato de escrever esse comentário sozinha não é uma  ocasionalidade, é sintomático no sentido da dificuldade de nós mulheres  nos organizarmos para além dos grupos mistos permeados por divergências  táticas de movimento ou dos interesses individuais que pouco contribuem  para a superação de TODAS as relações hierárquicas de poder.
Nota sobre o comentário 2: Reconheço a discussão teórica sobre abandono do termo mulheres, sendo que, de  maneira quase geral, não nos encaixamos nos pressupostos hegemônicos do que é ser mulher. É tático nos chamar de mulheres, a partir da necessidade de demarcar posição política sobre a invisibilização de nós na própria política e movimentos socias.


O feminismo é o movimento de luta pela libertação da  mulher e dentro deste movimento existem uma série de perspectivas táticas diferenciadas. Apesar de eu ser uma mulher branca de classe média  acredito que a luta feminista para a emanciapação de nós mulheres deva  está atrelada a todas as outras lutas contra os sistemas opressivos de  poder (por fora dos ditames da democracia e justiça burguesas), caso contrário, não será emancipação de nós mulheres, mas sim a  liberação de uma mulher que está numa posição de privilégio com relação  às categorias classe social, raça/etnia, sexualidade, idade...
Burocratização da luta feminista:
O primeiro contato que tive com o feminismo foi através das pautas históricas do movimento, era discussão sobre o aborto - a discussão foi pautada com todo tipo de defesa: fazendo os devidos recortes de classe e raça. A questão é que os espaços onde estas pautas estavam sendo agitadas não contavam com a presença de ninguém que fugisse à regra: mulher branca ou mulher negra classe alta que compõe partido político e acadêmicas brancas. Qual seria a real intenção de se montar um espaço que não abre diálogo com o potencial revolucionário das mulheres que são atingidas pelos ditames do Estado e religião sobre nossos corpos? Tenho uma dificuldade em acreditar na premissa que existe feminista que milita dentro de partido político eleitoreiro: primeiro que nossas pautas ficam sempre em segundo plano em qualquer articulação mista, segundo que as pautas que conseguem ser abraçadas pelo partido são cada vez mais recuadas devido à serie de parcerias que tais organizações políticas fazem com setores conservadores, terceiro que nunca vi uma feminista que milita em organização eleitoreira não tender o debate para a representação em instâncias burocráticas ao invés de contribuir para a nossa autonomia. A partir destes três elementos podemos perceber uma &#039;primeira&#039; tática dentro do movimento feminista: ocupar espaços institucionais para que as pautas avancem paulatinamente. Um espaço de discussão na câmara de vereadorxs, por exemplo, é uma maneira que discutir entre a classe branca pequeno-burguesa o que podemos articular dentro do movimento para que mulheres assinem abaixo-assinados em apoio a uma pauta que tem dialogado muito pouco dentro de bairros periféricos e outros movimentos sociais, não posso excluir aqui os oportunismos de fabíolas, portugais, martas, dilces (me perdoem se esqueci de alguma) que ocupam estes espaços para se auto-promoverem e permanecerem na memória até a hora do voto. Esta não é surpresa, inclusive, os partidos políticos têm cada vez mais se apropriado das lutas específicas usando a identificação para angariar votos. São vários nomes em campanha de cor rosa ou púrpura esperando seu click no confirma da democracia burguesa.

Qual a conquista efetiva destas mulheres que dizem que estão se empoderando dentro do sistema político? em que pautas avançamos? na discussão sobre o aborto e a automia dos nossos corpos permanecemos invertebradas e inertes. Na lei maria da penha? que tem servido mais para fazer estimativa com relação às denúncias que na prevenção de situações de risco e superação da violência contra a mulher? 
A lei maria da penha no texto de apresentação e intenção pode até ser bonitinho, mas na prática, as agredidas não recebem a assistência social necessária (pois as mulheres agredidas tem medo de passar necessidades financeiras na lógica &#039;ruim com ele, pior sem ele&#039;, principalmente por que xs filhxs são responsabilidade dela de acordo com as definições de papéis sexuais impostos), não há atendimento com orientações específicas sobre o caso (ao contrário, constantemente denunciam as ridicularizações e a irrelevância como é tratado os casos nas DEAMs), apoio psicológico, nem há espaços onde estas mulheres compartilhem suas histórias marcadas pela violência física e psicológica com a finalidade de socializar e politizar suas relações de opressão. Contamos também que na maioria das vezes por falta de elementos para a condenação, a justiça libera o agressor e ele volta para se vingar. Pode parecer simples, porém mostra as deficiências da lei, onde não funciona o apoio financeiro à vítima, não possui um lugar para que ela e sua família estejam em segurança, não &#039;reeduca o agressor&#039;, ou seja, não só não funciona quanto ao que se propõe, como também, dentro combate à violência contra a mulher &#039;tapa o sol com a peneira&#039; agindo individualmente (a partir de quem denuncia), ou seja,  a lei é um paliativo apenas, ela não muda o sistema de sociedade que continuará  dando armas aos meninos e bonecas às meninas.
As mulheres dos partidos de esquerda que não são base/apoio do governo que estiver no poder fazem até as mesmas críticas ao que chamam de conquistas institucionais do movimento feminista, porém, usam as mesmas formas e metodologias para agitar uma pauta com a ressalva de que o problema não é a tática em si, mas sim um problema da direção, do governo em específico e seguem na mesma política de angariamento de votos como se não soubessem que precisam de outras bancadas para se passar uma pauta dentro do sistema político.
feministas em alguns grupos autônomos mistos: 
Depois de perceber o engessamento das pautas feministas dentro das instituições mediada por grupos /indivíduos oportunistas ou esperançosos fora da realidade, junta com outras companheiras buscamos pautar um feminismo autônomo dentro de um grupo misto de militância estudantil,  as perspectivas de tal grupo me encheram os olhos, a idéia era se lutar por um movimento estudantil que extrapolasse as grades de nossa universidade, que estivesse em diálogo com movimentos sociais (não, não era a consulta popular e suas dissidências para agregar gente). Bom, sobre feminismo autônomo dentro de um coletivo marxista só tenho a dizer que éramos estranguladas cada vez que a discussão era feita, nossas pautas eram tão transversais com os machões marxistas quanto com os partidos. E até hoje, nós feministas estamos com dificuldades de nos organizar, por que &#039;os próprios revolucionários&#039; fazem questão de atrapalhar nossa auto-organização, nos chamam de chatas, feminazis, dizem que somos excludentes, mas na real: como fazer &#039;trabalho de base feminista&#039; em quem não acredita na importância da luta invariavelmente? falo principalmente do caráter prático, das mudanças diárias de comportamento... dialogar como com quem defende que &#039;revolução é uma caixinha  de presentes com várias emancipações de brinde&#039;? temos que estar na luta de classes sim, para superarmos o capital, mas superando o capitalismo, não superamos o racismo ou o sexismo e o princípio de autoridade que o homem branco tem. A classe trabalhadora não é homogênea e o despertar para a transformação social, varia de indivíduo para indivíduo de acordo com suas experiências. A ideia é lutarmos para que este despertar seja cada vez menos repartido, afinal a luta é contra TODO O TIPO DE OPRESSÃO, todo mundo juntx e misturadx. A classe trabalhadora não é um ente abstrato descolado da realidade e das especifidades...a esquerda autônoma (marxista ou não), não percebe o potencial revolucionário que está sob as categorias que não são &#039;classe&#039;... Neste &#039;comer mosca&#039;, são os partidos que chegam primeiro. E depois reclamam que o movimento negro, por exemplo, é todo burocratizado nas políticas públicas.
Caminharemos juntxs, mas sem um grupo oprimir o outro dentro da luta verdadeiramente autônoma, sem patria, sem patrão, nem machão, nem racismo, sem elitismos teóricos...numa cultura organizacional não-burocratizada, horizontal, solidária com a luta de &#039;o outro&#039;...assim avançamos juntxs.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contribuição com algumas reflexões sobre feminismo, a partir do acúmulo que tenho na luta feminista.<br />
Nota  sobre o comentário: hoje, não estou organizada em nenhum coletivo exclusivo de mulheres e o fato de escrever esse comentário sozinha não é uma  ocasionalidade, é sintomático no sentido da dificuldade de nós mulheres  nos organizarmos para além dos grupos mistos permeados por divergências  táticas de movimento ou dos interesses individuais que pouco contribuem  para a superação de TODAS as relações hierárquicas de poder.<br />
Nota sobre o comentário 2: Reconheço a discussão teórica sobre abandono do termo mulheres, sendo que, de  maneira quase geral, não nos encaixamos nos pressupostos hegemônicos do que é ser mulher. É tático nos chamar de mulheres, a partir da necessidade de demarcar posição política sobre a invisibilização de nós na própria política e movimentos socias.</p>
<p>O feminismo é o movimento de luta pela libertação da  mulher e dentro deste movimento existem uma série de perspectivas táticas diferenciadas. Apesar de eu ser uma mulher branca de classe média  acredito que a luta feminista para a emanciapação de nós mulheres deva  está atrelada a todas as outras lutas contra os sistemas opressivos de  poder (por fora dos ditames da democracia e justiça burguesas), caso contrário, não será emancipação de nós mulheres, mas sim a  liberação de uma mulher que está numa posição de privilégio com relação  às categorias classe social, raça/etnia, sexualidade, idade&#8230;<br />
Burocratização da luta feminista:<br />
O primeiro contato que tive com o feminismo foi através das pautas históricas do movimento, era discussão sobre o aborto &#8211; a discussão foi pautada com todo tipo de defesa: fazendo os devidos recortes de classe e raça. A questão é que os espaços onde estas pautas estavam sendo agitadas não contavam com a presença de ninguém que fugisse à regra: mulher branca ou mulher negra classe alta que compõe partido político e acadêmicas brancas. Qual seria a real intenção de se montar um espaço que não abre diálogo com o potencial revolucionário das mulheres que são atingidas pelos ditames do Estado e religião sobre nossos corpos? Tenho uma dificuldade em acreditar na premissa que existe feminista que milita dentro de partido político eleitoreiro: primeiro que nossas pautas ficam sempre em segundo plano em qualquer articulação mista, segundo que as pautas que conseguem ser abraçadas pelo partido são cada vez mais recuadas devido à serie de parcerias que tais organizações políticas fazem com setores conservadores, terceiro que nunca vi uma feminista que milita em organização eleitoreira não tender o debate para a representação em instâncias burocráticas ao invés de contribuir para a nossa autonomia. A partir destes três elementos podemos perceber uma &#8216;primeira&#8217; tática dentro do movimento feminista: ocupar espaços institucionais para que as pautas avancem paulatinamente. Um espaço de discussão na câmara de vereadorxs, por exemplo, é uma maneira que discutir entre a classe branca pequeno-burguesa o que podemos articular dentro do movimento para que mulheres assinem abaixo-assinados em apoio a uma pauta que tem dialogado muito pouco dentro de bairros periféricos e outros movimentos sociais, não posso excluir aqui os oportunismos de fabíolas, portugais, martas, dilces (me perdoem se esqueci de alguma) que ocupam estes espaços para se auto-promoverem e permanecerem na memória até a hora do voto. Esta não é surpresa, inclusive, os partidos políticos têm cada vez mais se apropriado das lutas específicas usando a identificação para angariar votos. São vários nomes em campanha de cor rosa ou púrpura esperando seu click no confirma da democracia burguesa.</p>
<p>Qual a conquista efetiva destas mulheres que dizem que estão se empoderando dentro do sistema político? em que pautas avançamos? na discussão sobre o aborto e a automia dos nossos corpos permanecemos invertebradas e inertes. Na lei maria da penha? que tem servido mais para fazer estimativa com relação às denúncias que na prevenção de situações de risco e superação da violência contra a mulher?<br />
A lei maria da penha no texto de apresentação e intenção pode até ser bonitinho, mas na prática, as agredidas não recebem a assistência social necessária (pois as mulheres agredidas tem medo de passar necessidades financeiras na lógica &#8216;ruim com ele, pior sem ele&#8217;, principalmente por que xs filhxs são responsabilidade dela de acordo com as definições de papéis sexuais impostos), não há atendimento com orientações específicas sobre o caso (ao contrário, constantemente denunciam as ridicularizações e a irrelevância como é tratado os casos nas DEAMs), apoio psicológico, nem há espaços onde estas mulheres compartilhem suas histórias marcadas pela violência física e psicológica com a finalidade de socializar e politizar suas relações de opressão. Contamos também que na maioria das vezes por falta de elementos para a condenação, a justiça libera o agressor e ele volta para se vingar. Pode parecer simples, porém mostra as deficiências da lei, onde não funciona o apoio financeiro à vítima, não possui um lugar para que ela e sua família estejam em segurança, não &#8216;reeduca o agressor&#8217;, ou seja, não só não funciona quanto ao que se propõe, como também, dentro combate à violência contra a mulher &#8216;tapa o sol com a peneira&#8217; agindo individualmente (a partir de quem denuncia), ou seja,  a lei é um paliativo apenas, ela não muda o sistema de sociedade que continuará  dando armas aos meninos e bonecas às meninas.<br />
As mulheres dos partidos de esquerda que não são base/apoio do governo que estiver no poder fazem até as mesmas críticas ao que chamam de conquistas institucionais do movimento feminista, porém, usam as mesmas formas e metodologias para agitar uma pauta com a ressalva de que o problema não é a tática em si, mas sim um problema da direção, do governo em específico e seguem na mesma política de angariamento de votos como se não soubessem que precisam de outras bancadas para se passar uma pauta dentro do sistema político.<br />
feministas em alguns grupos autônomos mistos:<br />
Depois de perceber o engessamento das pautas feministas dentro das instituições mediada por grupos /indivíduos oportunistas ou esperançosos fora da realidade, junta com outras companheiras buscamos pautar um feminismo autônomo dentro de um grupo misto de militância estudantil,  as perspectivas de tal grupo me encheram os olhos, a idéia era se lutar por um movimento estudantil que extrapolasse as grades de nossa universidade, que estivesse em diálogo com movimentos sociais (não, não era a consulta popular e suas dissidências para agregar gente). Bom, sobre feminismo autônomo dentro de um coletivo marxista só tenho a dizer que éramos estranguladas cada vez que a discussão era feita, nossas pautas eram tão transversais com os machões marxistas quanto com os partidos. E até hoje, nós feministas estamos com dificuldades de nos organizar, por que &#8216;os próprios revolucionários&#8217; fazem questão de atrapalhar nossa auto-organização, nos chamam de chatas, feminazis, dizem que somos excludentes, mas na real: como fazer &#8216;trabalho de base feminista&#8217; em quem não acredita na importância da luta invariavelmente? falo principalmente do caráter prático, das mudanças diárias de comportamento&#8230; dialogar como com quem defende que &#8216;revolução é uma caixinha  de presentes com várias emancipações de brinde&#8217;? temos que estar na luta de classes sim, para superarmos o capital, mas superando o capitalismo, não superamos o racismo ou o sexismo e o princípio de autoridade que o homem branco tem. A classe trabalhadora não é homogênea e o despertar para a transformação social, varia de indivíduo para indivíduo de acordo com suas experiências. A ideia é lutarmos para que este despertar seja cada vez menos repartido, afinal a luta é contra TODO O TIPO DE OPRESSÃO, todo mundo juntx e misturadx. A classe trabalhadora não é um ente abstrato descolado da realidade e das especifidades&#8230;a esquerda autônoma (marxista ou não), não percebe o potencial revolucionário que está sob as categorias que não são &#8216;classe&#8217;&#8230; Neste &#8216;comer mosca&#8217;, são os partidos que chegam primeiro. E depois reclamam que o movimento negro, por exemplo, é todo burocratizado nas políticas públicas.<br />
Caminharemos juntxs, mas sem um grupo oprimir o outro dentro da luta verdadeiramente autônoma, sem patria, sem patrão, nem machão, nem racismo, sem elitismos teóricos&#8230;numa cultura organizacional não-burocratizada, horizontal, solidária com a luta de &#8216;o outro&#8217;&#8230;assim avançamos juntxs.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
