<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Apropriação do poder político e superação do Estado na transição socialista. 1) superação do Estado, o problema	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2013/11/88246/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 13 Nov 2023 23:40:23 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-154353</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2013 03:23:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-154353</guid>

					<description><![CDATA[Caro Rodrigo,
o ponto em que nos afastamos é de suma importância para minha abordagem do problema. Trata-se da concepção negativa da política, que estou convencido que seja a concepção de Marx, e seus limites. Peço-lhe que atente para os artigos 6 e 7 da série. Teremos muito que conversar.
Um abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Rodrigo,<br />
o ponto em que nos afastamos é de suma importância para minha abordagem do problema. Trata-se da concepção negativa da política, que estou convencido que seja a concepção de Marx, e seus limites. Peço-lhe que atente para os artigos 6 e 7 da série. Teremos muito que conversar.<br />
Um abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo O. Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-153833</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2013 19:25:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-153833</guid>

					<description><![CDATA[Pablo, parabéns pelo texto! Você desenvolve com muito mais propriedade vários pontos que no meu texto aparecem de modo  impressionista, a despeito de algumas diferenças conceituais e de perspectivas - por exemplo, nos afastamos bastante quando você escreve: &quot;Marx mostrou ter plena consciência das dificuldades que adviriam e ressaltou inúmeras vezes, com realismo, que os problemas relativos à reestruturação da sociedade seriam grandes demais para serem “resolvidos” por decreto, ou seja, pela via exclusivamente política&quot;.

Uma das problemáticas que não foi destrinchada no meu texto é justamente essa da prática política, que me parece o próprio fundamento para realizarmos a luta de classes proletária em outro patamar, em meio aos processos de eliminação ou &quot;fenecimento&quot; do Estado e da sociedade de classes. Penso mesmo que os erros de Marx e da tradição que ele fundou transparecem em grande medida nessa concepção da política como prática de decretar e administrar, manifestação de um intelecto gestorial.

Os embaraços com a prática política aparecem no próprio cotidiano de nossas organizações classistas, e isso não é gratuito, sinalizando novos e velhos problemas no porvir da luta de classes...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo, parabéns pelo texto! Você desenvolve com muito mais propriedade vários pontos que no meu texto aparecem de modo  impressionista, a despeito de algumas diferenças conceituais e de perspectivas &#8211; por exemplo, nos afastamos bastante quando você escreve: &#8220;Marx mostrou ter plena consciência das dificuldades que adviriam e ressaltou inúmeras vezes, com realismo, que os problemas relativos à reestruturação da sociedade seriam grandes demais para serem “resolvidos” por decreto, ou seja, pela via exclusivamente política&#8221;.</p>
<p>Uma das problemáticas que não foi destrinchada no meu texto é justamente essa da prática política, que me parece o próprio fundamento para realizarmos a luta de classes proletária em outro patamar, em meio aos processos de eliminação ou &#8220;fenecimento&#8221; do Estado e da sociedade de classes. Penso mesmo que os erros de Marx e da tradição que ele fundou transparecem em grande medida nessa concepção da política como prática de decretar e administrar, manifestação de um intelecto gestorial.</p>
<p>Os embaraços com a prática política aparecem no próprio cotidiano de nossas organizações classistas, e isso não é gratuito, sinalizando novos e velhos problemas no porvir da luta de classes&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Araújo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-151970</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Nov 2013 22:41:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-151970</guid>

					<description><![CDATA[Caro Pablo,

Decretou uma polarização em minha perspectiva que não corresponde ao que eu disse. Na verdade, me parece impossível compreender as tecnologias exteriormente ao modo de produção que as gesta. E aqui não estou falando de técnicas, que extrapolam espaços e tempos como conhecimentos sistematizados e aplicados (embora com funções distintas em distintos modos de produção), mas da tecnologia, ou seja, a organização para que as práticas de exploração se realizem. As tecnologias se transformam no tempo e em função da dinâmica da luta de classes. Poderia citar como exemplo o contexto revolucionário do início do século XX que abriu espaço a instituição do taylorismo ou as lutas das décadas de 1960-1970 que abriram espaço ao toyotismo (diferentes tecnologias de exploração direcionadas a diferentes situações da luta de classes). Tomar a consequência pela causa neste caso pra mim continua significando uma adesão à uma perspectiva tecnocrática, como se fossem os tecnocratas a instituírem a realidade social independentemente das tensões sociais que a compõem. 
Por outro lado, da forma que você coloca se &quot;Valor é trabalho socialmente necessário e mais-valor é trabalho excedente expropriado sem remuneração&quot; fica bastante difícil explicar como há acumulação capitalista, pq seguindo a lógica desta sua afirmação o excedente expropriado sem remuneração não valeria nada, já que não seria socialmente necessário. Ao contrário, até onde eu entendo, o trabalho socialmente necessário serve para mensurar o valor tanto da parte do trabalho necessário à reprodução da força de trabalho quanto para a parte que serve à acumulação capitalista, sendo por isso impossível qualificar a mais-valia como simples excedente. Inclusive quando se produz menos mais-valia isso implica em menor acumulação para o capitalista, sem por isso o sistema se tornar menos &quot;predatório&quot;. Na verdade o que ocorre é exatamente ao contrário, pois quanto menor a capacidade de acumulação, maior se torna a sanha dos capitalistas em dilapidar a própria força de trabalho, utilizando para isso regimes de exploração baseados em mais-valia absoluta.
Sobre as limitações da expansão do sistema, basta olhar para produtos comercializados hoje (muitos deles baseados em tecnologia intensiva) e aos de ontem. Será que o gênio e a capacidade humana de se reinventar e criar novas necessidades sociais serão um dia um limite à expansão do capitalismo? Até agora acredito que a resposta para esta questão seja negativa, pois o homem não se limita a explorar espaços previamente existentes, mas também atua na criação de novos espaços....

De qualquer modo, obrigado pelas respostas. Sigamos na série.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Pablo,</p>
<p>Decretou uma polarização em minha perspectiva que não corresponde ao que eu disse. Na verdade, me parece impossível compreender as tecnologias exteriormente ao modo de produção que as gesta. E aqui não estou falando de técnicas, que extrapolam espaços e tempos como conhecimentos sistematizados e aplicados (embora com funções distintas em distintos modos de produção), mas da tecnologia, ou seja, a organização para que as práticas de exploração se realizem. As tecnologias se transformam no tempo e em função da dinâmica da luta de classes. Poderia citar como exemplo o contexto revolucionário do início do século XX que abriu espaço a instituição do taylorismo ou as lutas das décadas de 1960-1970 que abriram espaço ao toyotismo (diferentes tecnologias de exploração direcionadas a diferentes situações da luta de classes). Tomar a consequência pela causa neste caso pra mim continua significando uma adesão à uma perspectiva tecnocrática, como se fossem os tecnocratas a instituírem a realidade social independentemente das tensões sociais que a compõem.<br />
Por outro lado, da forma que você coloca se &#8220;Valor é trabalho socialmente necessário e mais-valor é trabalho excedente expropriado sem remuneração&#8221; fica bastante difícil explicar como há acumulação capitalista, pq seguindo a lógica desta sua afirmação o excedente expropriado sem remuneração não valeria nada, já que não seria socialmente necessário. Ao contrário, até onde eu entendo, o trabalho socialmente necessário serve para mensurar o valor tanto da parte do trabalho necessário à reprodução da força de trabalho quanto para a parte que serve à acumulação capitalista, sendo por isso impossível qualificar a mais-valia como simples excedente. Inclusive quando se produz menos mais-valia isso implica em menor acumulação para o capitalista, sem por isso o sistema se tornar menos &#8220;predatório&#8221;. Na verdade o que ocorre é exatamente ao contrário, pois quanto menor a capacidade de acumulação, maior se torna a sanha dos capitalistas em dilapidar a própria força de trabalho, utilizando para isso regimes de exploração baseados em mais-valia absoluta.<br />
Sobre as limitações da expansão do sistema, basta olhar para produtos comercializados hoje (muitos deles baseados em tecnologia intensiva) e aos de ontem. Será que o gênio e a capacidade humana de se reinventar e criar novas necessidades sociais serão um dia um limite à expansão do capitalismo? Até agora acredito que a resposta para esta questão seja negativa, pois o homem não se limita a explorar espaços previamente existentes, mas também atua na criação de novos espaços&#8230;.</p>
<p>De qualquer modo, obrigado pelas respostas. Sigamos na série.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-150303</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2013 02:58:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-150303</guid>

					<description><![CDATA[Lucas, obrigado pelo link. Estou na correria, então ainda não li, mas assim que possível lerei.

Rodrigo, o que do pondo de vista do capital toma o nome de mais valia, é, do ponto de vista da classe trabalhadora, trabalho excedente. Valor é trabalho socialmente necessário e mais-valor é trabalho excedente expropriado sem remuneração. Assim, embora tenha surgido, como vc diz, na economia clássica (eu diria inclusive que é anterior, mas enfim...), a noção de excedente está em Marx e não poderia deixar de estar, já que expressa o objetivo maior de toda produção de capital. Claro, localizar tal excedente como fruto único do progresso técnico é loucura, mas a meu ver você não toma o cuidado necessário e acaba desqualificando a problemática da técnica como se fosse algo alheio às relações sociais. As mudanças tecnológicas são um dos elementos principais usados pelos capitalistas como contratendência a algumas das mais sérias contradições internas do capital, como por exemplo aquela que expulsa trabalho vivo do processo produtivo, o tal aumento da composição orgânica do capital. Além disso, me parece que essa desqualificação da temática da técnica em pró da observância das &quot;relações sociais&quot; faz com que você tenha uma visão estreita sobre os mecanismos do imperialismo. Você diz que o capital &quot;tende sempre a se lançar em empreitadas expansionistas, na busca por produzir em quantidade crescente&quot;. Ora, para além do fato de que seria necessário precisar esse termo &quot;quantidade crescente&quot;, há que observar que com a instituição do capital em todo o globo, não haveria uma saturação dessa capacidade do capital se expandir infinitamente buscando ampliar o círculo de consumo? A Rosa Luxemburgo foi uma das primeiras a tratar dessa questão. As saídas que o capital ensaia para tais limites são muitas, como por exemplo intensificar a produção e consumo em determinadas áreas, aumentar a rotação do capital, aumentar o ritmo de desvalorização/depreciação do valor, obsolescência programada, etc. Na maioria dos casos, as saídas capitalistas para tais limites, ou seja, as respostas capitalistas visando manter as relações sociais capitalistas, provém da técnica. É o desenvolvimento tecnológico um dos mais poderosos elementos que proporciona ao capital fôlegos a mais por meio da reorganização da produção capitalista num sentido que contrarreste a tendência à queda da taxa de lucro e ao aumento da composição de valor do capital. O João Bernardo, que tenho certeza que você conhece melhor que eu, também sempre ressalta a importância de termos em mente as &quot;relações sociais&quot;; mas me parece que ele não desqualifica a problemática da tecnologia, pelo contrário, tem uma teoria muito interessante sobre como esse desenvolvimento tecnológico e essas saídas capitalistas provém da capacidade do capital de sistematicamente assimilar as lutas da classe trabalhadora e os frutos/inovações organizacionais, etc criativamente criados por essa classe em suas lutas.

Eu não disse que é possível prever &quot;um processo social desta magnitude&quot;. O que eu digo implicitamente (na série) é que embora não possamos prever os desdobramentos futuros da luta de classes, podemos apontar, por meio da análise crítica do sistema do capital e suas características estruturais, quais são os elementos dessa estrutura que devem ser superados e quais são as formas de levar a cabo tal superação ou, ao menos, quais são as formas que não deram e não darão certo (aí entra a questão dos instrumentos forjados em outro contexto se mostrarem, muitas vezes, inadequados frente às tarefas).

Camaradas, obrigado pelos comentários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, obrigado pelo link. Estou na correria, então ainda não li, mas assim que possível lerei.</p>
<p>Rodrigo, o que do pondo de vista do capital toma o nome de mais valia, é, do ponto de vista da classe trabalhadora, trabalho excedente. Valor é trabalho socialmente necessário e mais-valor é trabalho excedente expropriado sem remuneração. Assim, embora tenha surgido, como vc diz, na economia clássica (eu diria inclusive que é anterior, mas enfim&#8230;), a noção de excedente está em Marx e não poderia deixar de estar, já que expressa o objetivo maior de toda produção de capital. Claro, localizar tal excedente como fruto único do progresso técnico é loucura, mas a meu ver você não toma o cuidado necessário e acaba desqualificando a problemática da técnica como se fosse algo alheio às relações sociais. As mudanças tecnológicas são um dos elementos principais usados pelos capitalistas como contratendência a algumas das mais sérias contradições internas do capital, como por exemplo aquela que expulsa trabalho vivo do processo produtivo, o tal aumento da composição orgânica do capital. Além disso, me parece que essa desqualificação da temática da técnica em pró da observância das &#8220;relações sociais&#8221; faz com que você tenha uma visão estreita sobre os mecanismos do imperialismo. Você diz que o capital &#8220;tende sempre a se lançar em empreitadas expansionistas, na busca por produzir em quantidade crescente&#8221;. Ora, para além do fato de que seria necessário precisar esse termo &#8220;quantidade crescente&#8221;, há que observar que com a instituição do capital em todo o globo, não haveria uma saturação dessa capacidade do capital se expandir infinitamente buscando ampliar o círculo de consumo? A Rosa Luxemburgo foi uma das primeiras a tratar dessa questão. As saídas que o capital ensaia para tais limites são muitas, como por exemplo intensificar a produção e consumo em determinadas áreas, aumentar a rotação do capital, aumentar o ritmo de desvalorização/depreciação do valor, obsolescência programada, etc. Na maioria dos casos, as saídas capitalistas para tais limites, ou seja, as respostas capitalistas visando manter as relações sociais capitalistas, provém da técnica. É o desenvolvimento tecnológico um dos mais poderosos elementos que proporciona ao capital fôlegos a mais por meio da reorganização da produção capitalista num sentido que contrarreste a tendência à queda da taxa de lucro e ao aumento da composição de valor do capital. O João Bernardo, que tenho certeza que você conhece melhor que eu, também sempre ressalta a importância de termos em mente as &#8220;relações sociais&#8221;; mas me parece que ele não desqualifica a problemática da tecnologia, pelo contrário, tem uma teoria muito interessante sobre como esse desenvolvimento tecnológico e essas saídas capitalistas provém da capacidade do capital de sistematicamente assimilar as lutas da classe trabalhadora e os frutos/inovações organizacionais, etc criativamente criados por essa classe em suas lutas.</p>
<p>Eu não disse que é possível prever &#8220;um processo social desta magnitude&#8221;. O que eu digo implicitamente (na série) é que embora não possamos prever os desdobramentos futuros da luta de classes, podemos apontar, por meio da análise crítica do sistema do capital e suas características estruturais, quais são os elementos dessa estrutura que devem ser superados e quais são as formas de levar a cabo tal superação ou, ao menos, quais são as formas que não deram e não darão certo (aí entra a questão dos instrumentos forjados em outro contexto se mostrarem, muitas vezes, inadequados frente às tarefas).</p>
<p>Camaradas, obrigado pelos comentários.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Araújo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-150273</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2013 01:44:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-150273</guid>

					<description><![CDATA[Pablo,
Referia-me sim ao Marini. Para ele a superexploração se trata de um conjunto de três mecanismos – a intensificação do trabalho, a prolongação da jornada de trabalho e a expropriação do excedente produzido pelo trabalhador. Ocorre que a noção de excedente tem origem na economia clássica, onde o progresso tecnológico - e não da exploração da mão-de-obra, diferente, portanto, da mais-valia de Marx - seria a pedra de toque da geração de valor. Das relações sociais passamos analisar a sociedade a partir das tecnologias que ela mesma produziu. Mas vejamos onde a série irá nos levar.
Minha alusão ao imperialismo teve objetivo contrário ao do que questiona, tendo em vista que me referia à dinâmica interna do processo de exploração do trabalho, que em função da necessidade de acumulação constante tende sempre a se lançar em empreitadas expansionistas, na busca por produzir em quantidade crescente.
Por fim, eu tenderia a colocar a questão sobre a reação dos capitalistas em outros termos, pois se &quot;o sistema do capital&quot; é composto por relações sociais e se no processo de transformação social estiverem ocorrendo transformações nestas relações, me parece que isto também teria alguma influência sobre a própria dinâmica da contra ofensiva dos capitalistas, o que não deixaria de ter sérias implicações sobre a dinâmica da instituição de um novo modo de produção. Assim o que é tido por certeza eu coloco como dúvida: como é possível prever um processo social desta magnitude? Será que instrumentos forjados em outro contexto seriam mesmo capazes de dar respostas à dinâmica social atual?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo,<br />
Referia-me sim ao Marini. Para ele a superexploração se trata de um conjunto de três mecanismos – a intensificação do trabalho, a prolongação da jornada de trabalho e a expropriação do excedente produzido pelo trabalhador. Ocorre que a noção de excedente tem origem na economia clássica, onde o progresso tecnológico &#8211; e não da exploração da mão-de-obra, diferente, portanto, da mais-valia de Marx &#8211; seria a pedra de toque da geração de valor. Das relações sociais passamos analisar a sociedade a partir das tecnologias que ela mesma produziu. Mas vejamos onde a série irá nos levar.<br />
Minha alusão ao imperialismo teve objetivo contrário ao do que questiona, tendo em vista que me referia à dinâmica interna do processo de exploração do trabalho, que em função da necessidade de acumulação constante tende sempre a se lançar em empreitadas expansionistas, na busca por produzir em quantidade crescente.<br />
Por fim, eu tenderia a colocar a questão sobre a reação dos capitalistas em outros termos, pois se &#8220;o sistema do capital&#8221; é composto por relações sociais e se no processo de transformação social estiverem ocorrendo transformações nestas relações, me parece que isto também teria alguma influência sobre a própria dinâmica da contra ofensiva dos capitalistas, o que não deixaria de ter sérias implicações sobre a dinâmica da instituição de um novo modo de produção. Assim o que é tido por certeza eu coloco como dúvida: como é possível prever um processo social desta magnitude? Será que instrumentos forjados em outro contexto seriam mesmo capazes de dar respostas à dinâmica social atual?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-150075</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Nov 2013 15:00:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-150075</guid>

					<description><![CDATA[apenas uma contribuição para o tema que estava sendo debatido com a Amiga, sobre a produção feita sob controle dos trabalhadores e o vínculo com o Estado. Vale a pena conferir este pequeno relato jornalístico-romântico de uma Comuna venezuelana (em espanhol. Supostamente será uma série de relatos quinzenais deste portal, esta é a primeira):
http://www.marcha.org.ar/1/index.php/cultura/135-relatos/4678-piritu-becerra-una-comuna-que-produce-vida-y-organizacion]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>apenas uma contribuição para o tema que estava sendo debatido com a Amiga, sobre a produção feita sob controle dos trabalhadores e o vínculo com o Estado. Vale a pena conferir este pequeno relato jornalístico-romântico de uma Comuna venezuelana (em espanhol. Supostamente será uma série de relatos quinzenais deste portal, esta é a primeira):<br />
<a href="http://www.marcha.org.ar/1/index.php/cultura/135-relatos/4678-piritu-becerra-una-comuna-que-produce-vida-y-organizacion" rel="nofollow ugc">http://www.marcha.org.ar/1/index.php/cultura/135-relatos/4678-piritu-becerra-una-comuna-que-produce-vida-y-organizacion</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-149453</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Nov 2013 21:11:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-149453</guid>

					<description><![CDATA[Caro Rodrigo Araújo, 

As “mediações de primeira ordem” são sob o capital organizadas e subjugadas pelas “mediações de segunda ordem”, visando a produção de valor, por meio da divisão estrutural-hierárquica do trabalho. Tal forma de controlar e direcionar a produção em acordo com os imperativos de expansão/acumulação do capital é sempre hierárquico, mas nem sempre centralizado, e isso se deve a que a centralização do capital e as tendências monopolistas do sistema com o tempo mostraram que a organização centralizada da produção trazia algumas desvantagens no que tange ao imperativo de que a rotação do capital seja sempre a mais rápida possível e com a menor porosidade e gastos inúteis no circuito do capital total (produção, circulação, troca e consumo). Com o tempo as corporações perceberam que uma organização descentralizada trazia vantagens relativas, entre outras coisas, porque inseria a competição dentro da própria estrutura produtiva em menor escala, permitindo um controle mais rigoroso do processo produtivo, às vezes terceirizado, por exemplo. Com tal descentralização, atuante enquanto contratendência à centralização de capitais, o capital se tornou capaz de intensificar a exploração do trabalho e “superar” alguns dos gastos desnecessários que uma estrutura centralizada não era capaz sequer de localizar. De todo modo, atualmente as tecnologias de comunicação, etc., permitem um controle rigoroso dos processos produtivos e distributivo, e tal controle ainda é, e não pode deixar de ser, bastante centralizado.

A acusação ligeira ao anarquismo foi dirigida a toda e qualquer grupo/tendência anarquista cujo projeto não problematize adequadamente a simultânea necessidade de superar o Estado e impossibilidade de fazer isso de imediato ou rapidamente. 

Sobre a questão da “presunção tecnocrática” e que “não ocorre ao autor se colocar a questão sobre a capacidade das lutas em seus processos de enfrentamento de gestarem”. Me parece que houve algum desentendimento, talvez por ser apenas a primeira parte da série; pois minha intenção é justamente a de defender que as lutas da classe trabalhadora organizada são as únicas capazes de “gestar seus próprios mecanismos para superarem a forma Estado de dominação”. Entretanto não sei se estamos de acordo com o significado dessa “capacidade de gestar seus próprios mecanismos”, já que na frase seguinte você desdobra que fica “evidente” que não defendo isso quando recuso o par conceitual centro-periferia, que você, em certo sentido corretamente, desdobrou pra uma recusa do legado de Ruy Mauro Marini. Em todo caso, a categoria superexploração me agrada, e a uso despojada de seus elementos “nacionais”, priorizando o caráter transnacional do capital que superexplora seja na “periferia” ou “centro”. Não entendi se quando você disse “o problema dessa teorização me parece” você se referia ao meu texto ou à teoria do Marini. Me parece que foi uma crítica ao Marini, critica com a qual concordo em partes. O segundo ponto que você aponta, sobre o capital ser impelido a dinâmicas imperialistas, você aponta tal imperialismo como caracterizado pela dinâmica entre países, nacionalidades, capitais ancorados em nacionalidades?

Sobre a questão de se seria possível vislumbrar as mediações de primeira ordem “articulando diferentes ramos e setores produtivos a partir de uma perspectiva política revolucionária, onde a forma capitalista de exploração do trabalho (que se estendem às relações de troca) seja substituída por práticas revolucionárias (não capitalistas, portanto, não exploratórias)”. Sim, é claro que é possível, mas como fazer isso frente a um poderoso sistema do capital armado com um aparato estatal repressivo/coercitivo e estruturado em mediações de segunda ordem que, arraigadas na base econômica da sociedade, exercem uma força autoreprodutiva aparentemente insuperável? Ou seja, que fazer com o Estado e com a luta de classes enquanto se dá os primeiros passos na criação dessa nova forma de vislumbrar as mediações de primeira ordem? O sistema do capital não vai ficar parado apenas olhando de longe a criação de um modo alternativo de controle e estruturação do metabolismo social. Também não se trata de tomar o poder político e aí então começar a criação desse modo alternativo de mediação. Daí a importância de se pensar, entre outras coisas, a superação do Estado na transição e os órgãos políticos (das lutas sociais) necessários pra tal, sempre tendo em mente que a luta é agora e não no futuro distante, e que a construção da autonomia das lutas e a construção do poder popular não é um meio para a revolução e sim a própria revolução in flux, sendo a tomada do poder político um coroamento e aprofundamento da transição e não o começo ou final dela.

Sobre a questão final, de que se por um lado podemos questionar 
1) a eficácia das instituições mais próximas ao anarquismo, 2) nenhum Estado organizado consoante os preceitos marxistas conseguiu solucionar a questão. 
Bem, aí é que entra a contribuição do texto e a necessidade do debate. Isso porque, primeiro, os Estados organizados consoante os princípios marxistas, leia-se a URSS e seu círculo de influência, a meu ver NÃO estavam organizados segundo os preceitos de Marx (daí essa série acaba tendo um tom de “fazer justiça a Marx”) e sim segundo a leitura leninista de Marx. O trágico é que não se trata de um erro de interpretação de Lenin, e sim de uma opção política do Partido Bolchevique, recheada de justificativas “históricas”. Quando Lenin torna os sovietes órgãos estatais ele tinha plena consciência de que estava a fortalecer o Estado e a enfraquecer os órgãos de poder popular. Ora, para ele, tratava-se de uma “necessária” opção, por conta da complexidade envolvida nas lutas internas da URSS, da força da contra-revolução, do estado econômico do país, etc., enfim, por conta do “contexto” e das “tarefas” da revolução. Eu ainda não tenho colhões pra dizer que ele “errou”, mesmo porque o fracasso da transição já mostrou que eles, o Partido e a classe trabalhadora soviética, erraram. O que importa é que a transição do futuro não pode nem chegar nessa situação de “ter” que enfraquecer os órgãos de poder popular a fim de fortalecer o Estado a ser superado, não importando se tal Estado esteja sob direção do mais revolucionário dos Partidos, pois o mais revolucionário dos Partidos não pode jamais desmantelar os órgãos de poder popular. Os órgãos de poder popular tem que ter força pra não permitir isso, não importa o contexto, pois tais órgãos da revolução são a revolução. 

As experiências históricas e a bagagem analítica/crítica de tais experiências permitem elencar alguns “princípios” que devem ser seguidos pra se poder superar o capital. Infelizmente o poder da teoria da transição antes da transição estar em curso avançado para por aí. Mas não é pouco. O debate é necessário não só pra arrumar as arestas desses “princípios” como também pra nos permitir uma orientação mais realista quando da construção dos órgãos da revolução durante nossas lutas.

Muito obrigado pelo comentário. Espero que sigamos o debate neste e nos próximos artigos da série.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Rodrigo Araújo, </p>
<p>As “mediações de primeira ordem” são sob o capital organizadas e subjugadas pelas “mediações de segunda ordem”, visando a produção de valor, por meio da divisão estrutural-hierárquica do trabalho. Tal forma de controlar e direcionar a produção em acordo com os imperativos de expansão/acumulação do capital é sempre hierárquico, mas nem sempre centralizado, e isso se deve a que a centralização do capital e as tendências monopolistas do sistema com o tempo mostraram que a organização centralizada da produção trazia algumas desvantagens no que tange ao imperativo de que a rotação do capital seja sempre a mais rápida possível e com a menor porosidade e gastos inúteis no circuito do capital total (produção, circulação, troca e consumo). Com o tempo as corporações perceberam que uma organização descentralizada trazia vantagens relativas, entre outras coisas, porque inseria a competição dentro da própria estrutura produtiva em menor escala, permitindo um controle mais rigoroso do processo produtivo, às vezes terceirizado, por exemplo. Com tal descentralização, atuante enquanto contratendência à centralização de capitais, o capital se tornou capaz de intensificar a exploração do trabalho e “superar” alguns dos gastos desnecessários que uma estrutura centralizada não era capaz sequer de localizar. De todo modo, atualmente as tecnologias de comunicação, etc., permitem um controle rigoroso dos processos produtivos e distributivo, e tal controle ainda é, e não pode deixar de ser, bastante centralizado.</p>
<p>A acusação ligeira ao anarquismo foi dirigida a toda e qualquer grupo/tendência anarquista cujo projeto não problematize adequadamente a simultânea necessidade de superar o Estado e impossibilidade de fazer isso de imediato ou rapidamente. </p>
<p>Sobre a questão da “presunção tecnocrática” e que “não ocorre ao autor se colocar a questão sobre a capacidade das lutas em seus processos de enfrentamento de gestarem”. Me parece que houve algum desentendimento, talvez por ser apenas a primeira parte da série; pois minha intenção é justamente a de defender que as lutas da classe trabalhadora organizada são as únicas capazes de “gestar seus próprios mecanismos para superarem a forma Estado de dominação”. Entretanto não sei se estamos de acordo com o significado dessa “capacidade de gestar seus próprios mecanismos”, já que na frase seguinte você desdobra que fica “evidente” que não defendo isso quando recuso o par conceitual centro-periferia, que você, em certo sentido corretamente, desdobrou pra uma recusa do legado de Ruy Mauro Marini. Em todo caso, a categoria superexploração me agrada, e a uso despojada de seus elementos “nacionais”, priorizando o caráter transnacional do capital que superexplora seja na “periferia” ou “centro”. Não entendi se quando você disse “o problema dessa teorização me parece” você se referia ao meu texto ou à teoria do Marini. Me parece que foi uma crítica ao Marini, critica com a qual concordo em partes. O segundo ponto que você aponta, sobre o capital ser impelido a dinâmicas imperialistas, você aponta tal imperialismo como caracterizado pela dinâmica entre países, nacionalidades, capitais ancorados em nacionalidades?</p>
<p>Sobre a questão de se seria possível vislumbrar as mediações de primeira ordem “articulando diferentes ramos e setores produtivos a partir de uma perspectiva política revolucionária, onde a forma capitalista de exploração do trabalho (que se estendem às relações de troca) seja substituída por práticas revolucionárias (não capitalistas, portanto, não exploratórias)”. Sim, é claro que é possível, mas como fazer isso frente a um poderoso sistema do capital armado com um aparato estatal repressivo/coercitivo e estruturado em mediações de segunda ordem que, arraigadas na base econômica da sociedade, exercem uma força autoreprodutiva aparentemente insuperável? Ou seja, que fazer com o Estado e com a luta de classes enquanto se dá os primeiros passos na criação dessa nova forma de vislumbrar as mediações de primeira ordem? O sistema do capital não vai ficar parado apenas olhando de longe a criação de um modo alternativo de controle e estruturação do metabolismo social. Também não se trata de tomar o poder político e aí então começar a criação desse modo alternativo de mediação. Daí a importância de se pensar, entre outras coisas, a superação do Estado na transição e os órgãos políticos (das lutas sociais) necessários pra tal, sempre tendo em mente que a luta é agora e não no futuro distante, e que a construção da autonomia das lutas e a construção do poder popular não é um meio para a revolução e sim a própria revolução in flux, sendo a tomada do poder político um coroamento e aprofundamento da transição e não o começo ou final dela.</p>
<p>Sobre a questão final, de que se por um lado podemos questionar<br />
1) a eficácia das instituições mais próximas ao anarquismo, 2) nenhum Estado organizado consoante os preceitos marxistas conseguiu solucionar a questão.<br />
Bem, aí é que entra a contribuição do texto e a necessidade do debate. Isso porque, primeiro, os Estados organizados consoante os princípios marxistas, leia-se a URSS e seu círculo de influência, a meu ver NÃO estavam organizados segundo os preceitos de Marx (daí essa série acaba tendo um tom de “fazer justiça a Marx”) e sim segundo a leitura leninista de Marx. O trágico é que não se trata de um erro de interpretação de Lenin, e sim de uma opção política do Partido Bolchevique, recheada de justificativas “históricas”. Quando Lenin torna os sovietes órgãos estatais ele tinha plena consciência de que estava a fortalecer o Estado e a enfraquecer os órgãos de poder popular. Ora, para ele, tratava-se de uma “necessária” opção, por conta da complexidade envolvida nas lutas internas da URSS, da força da contra-revolução, do estado econômico do país, etc., enfim, por conta do “contexto” e das “tarefas” da revolução. Eu ainda não tenho colhões pra dizer que ele “errou”, mesmo porque o fracasso da transição já mostrou que eles, o Partido e a classe trabalhadora soviética, erraram. O que importa é que a transição do futuro não pode nem chegar nessa situação de “ter” que enfraquecer os órgãos de poder popular a fim de fortalecer o Estado a ser superado, não importando se tal Estado esteja sob direção do mais revolucionário dos Partidos, pois o mais revolucionário dos Partidos não pode jamais desmantelar os órgãos de poder popular. Os órgãos de poder popular tem que ter força pra não permitir isso, não importa o contexto, pois tais órgãos da revolução são a revolução. </p>
<p>As experiências históricas e a bagagem analítica/crítica de tais experiências permitem elencar alguns “princípios” que devem ser seguidos pra se poder superar o capital. Infelizmente o poder da teoria da transição antes da transição estar em curso avançado para por aí. Mas não é pouco. O debate é necessário não só pra arrumar as arestas desses “princípios” como também pra nos permitir uma orientação mais realista quando da construção dos órgãos da revolução durante nossas lutas.</p>
<p>Muito obrigado pelo comentário. Espero que sigamos o debate neste e nos próximos artigos da série.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Araújo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-149395</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Nov 2013 18:10:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-149395</guid>

					<description><![CDATA[Indo ao que me parece o cerne da questão apresentada na primeira parte desta série, a pergunta que me fica é: porque a tensão subjacente à articulação entre os diversos aspectos da reprodução da vida social representadas pelo autor através da categoria de &quot;mediações de primeira ordem&quot; são organizadas exclusivamente do ponto de vista de um controle centralizado e hierárquico?
Sob a acusação um tanto ligeira e parcialmente infundada ao conjunto dos anarquistas  - afinal de que anarquismo se fala? de quais anarquistas? sofreriam todos neste ponto deste “voluntarismo desavergonhado”? – por supostamente não terem um projeto, onde de fato eles existem (quem estuda a minimamente a história do anarquismo sabe disso), embora acredite que seja plenamente possível questionar a eficácia das suas instituições e práticas, neste ponto há uma reprodução pura e simples da forma capitalista de organizar e conceber a política, que me soa como uma presunção tecnocrática, já que não ocorre ao autor se colocar a questão sobre a capacidade das lutas em seus processos de enfrentamento de gestarem seus próprios mecanismos para superarem a forma Estado de dominação. 
Isto me parece ainda mais evidente quando vislumbramos o recuso à fórmula mariniana do &quot;subimperialismo&quot; e seu par conceitual a “superexploração”, objetivando explicar a dinâmica internacional de organização do sistema capitalista. O problema desta teorização me parece: 1º considerar a exploração do trabalho como simples expropriação, enquanto que a extração de mais-valia é um processo que ocorre dentro de um conjunto de relações sociais específicas entre classes sociais historicamente determinadas (não podendo ser confundida com a relação entre Estados e países, onde todas elas possuem seus próprios capitalistas); 2º desconsiderar que pela própria dinâmica de funcionamento das relações capitalistas, todo e qualquer negócio capitalista que tenha alguma importância é impelido a uma dinâmica imperialista para sua própria sobrevivência, já que a competição entre empresas se dá na expansão e controle de umas sobre as outras.
Com algum esforço comparativo é muito fácil aproximar esta fórmula com as teorizações de autores corporativistas como Mihail Manoilescu, que procurava explicar os mecanismos econômicos da dominação de um país sobre outro, ou mesmo as teses limite de autores que estão na gênese do fascismo, como Enrico Corradini, em sua conceituação sobre as nações proletárias, já que todo imperialismo pressupõe um imperializado.
De todo modo, me inquieta algumas outras coisas. Será que a própria história do capitalismo não mostra planos e projetos de racionalização arquitetados e executados de forma descentralizada? Afinal estamos falando da ação de classes sociais e não de indivíduos. Por outro lado, não seria possível vislumbrar estas &quot;mediações&quot; articulando diferentes ramos e setores produtivos a partir de uma perspectiva política revolucionária, onde a forma capitalista de exploração do trabalho (que se estendem às relações de troca) seja substituída por práticas revolucionárias (não capitalistas, portanto, não exploratórias)? 
Evidentemente aqui não se busca cair no mesmo erro que o autor acusa aos anarquistas (embora não me considere anarquista). Desta maneira, mesmo considerando que a colocação da questão é muito válida e me parecendo ainda mais oportuna que este debate seja travado no espaço deste site (já que esta é uma de suas missões), rogo para que o autor no correr da série proceda um salto para além dos postulados meramente teóricos e promova alguma apreciação dos processos revolucionários de um ponto de vista historiográfico, mesmo que (ou oportunamente) de forma crítica. 
Mesmo assim a questão ainda permanece e se por um lado possamos questionar a eficácia das instituições mais próximas ao anarquismo sobre este ponto (e também de outras linhas do movimento operário que não tinham preocupação explícita em se vincular estreitamente com esta ou aquela corrente teórica), também é fato que nenhum Estado organizado consoante os preceitos marxistas conseguiu solucionar a questão de um ponto de vista revolucionário, de ruptura efetiva com a exploração do trabalho, sendo este precisamente o motivo porque estamos aqui debatendo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Indo ao que me parece o cerne da questão apresentada na primeira parte desta série, a pergunta que me fica é: porque a tensão subjacente à articulação entre os diversos aspectos da reprodução da vida social representadas pelo autor através da categoria de &#8220;mediações de primeira ordem&#8221; são organizadas exclusivamente do ponto de vista de um controle centralizado e hierárquico?<br />
Sob a acusação um tanto ligeira e parcialmente infundada ao conjunto dos anarquistas  &#8211; afinal de que anarquismo se fala? de quais anarquistas? sofreriam todos neste ponto deste “voluntarismo desavergonhado”? – por supostamente não terem um projeto, onde de fato eles existem (quem estuda a minimamente a história do anarquismo sabe disso), embora acredite que seja plenamente possível questionar a eficácia das suas instituições e práticas, neste ponto há uma reprodução pura e simples da forma capitalista de organizar e conceber a política, que me soa como uma presunção tecnocrática, já que não ocorre ao autor se colocar a questão sobre a capacidade das lutas em seus processos de enfrentamento de gestarem seus próprios mecanismos para superarem a forma Estado de dominação.<br />
Isto me parece ainda mais evidente quando vislumbramos o recuso à fórmula mariniana do &#8220;subimperialismo&#8221; e seu par conceitual a “superexploração”, objetivando explicar a dinâmica internacional de organização do sistema capitalista. O problema desta teorização me parece: 1º considerar a exploração do trabalho como simples expropriação, enquanto que a extração de mais-valia é um processo que ocorre dentro de um conjunto de relações sociais específicas entre classes sociais historicamente determinadas (não podendo ser confundida com a relação entre Estados e países, onde todas elas possuem seus próprios capitalistas); 2º desconsiderar que pela própria dinâmica de funcionamento das relações capitalistas, todo e qualquer negócio capitalista que tenha alguma importância é impelido a uma dinâmica imperialista para sua própria sobrevivência, já que a competição entre empresas se dá na expansão e controle de umas sobre as outras.<br />
Com algum esforço comparativo é muito fácil aproximar esta fórmula com as teorizações de autores corporativistas como Mihail Manoilescu, que procurava explicar os mecanismos econômicos da dominação de um país sobre outro, ou mesmo as teses limite de autores que estão na gênese do fascismo, como Enrico Corradini, em sua conceituação sobre as nações proletárias, já que todo imperialismo pressupõe um imperializado.<br />
De todo modo, me inquieta algumas outras coisas. Será que a própria história do capitalismo não mostra planos e projetos de racionalização arquitetados e executados de forma descentralizada? Afinal estamos falando da ação de classes sociais e não de indivíduos. Por outro lado, não seria possível vislumbrar estas &#8220;mediações&#8221; articulando diferentes ramos e setores produtivos a partir de uma perspectiva política revolucionária, onde a forma capitalista de exploração do trabalho (que se estendem às relações de troca) seja substituída por práticas revolucionárias (não capitalistas, portanto, não exploratórias)?<br />
Evidentemente aqui não se busca cair no mesmo erro que o autor acusa aos anarquistas (embora não me considere anarquista). Desta maneira, mesmo considerando que a colocação da questão é muito válida e me parecendo ainda mais oportuna que este debate seja travado no espaço deste site (já que esta é uma de suas missões), rogo para que o autor no correr da série proceda um salto para além dos postulados meramente teóricos e promova alguma apreciação dos processos revolucionários de um ponto de vista historiográfico, mesmo que (ou oportunamente) de forma crítica.<br />
Mesmo assim a questão ainda permanece e se por um lado possamos questionar a eficácia das instituições mais próximas ao anarquismo sobre este ponto (e também de outras linhas do movimento operário que não tinham preocupação explícita em se vincular estreitamente com esta ou aquela corrente teórica), também é fato que nenhum Estado organizado consoante os preceitos marxistas conseguiu solucionar a questão de um ponto de vista revolucionário, de ruptura efetiva com a exploração do trabalho, sendo este precisamente o motivo porque estamos aqui debatendo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Amiga e Pablo (autor do texto)		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88246/#comment-148346</link>

		<dc:creator><![CDATA[Amiga e Pablo (autor do texto)]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Nov 2013 21:33:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=88246#comment-148346</guid>

					<description><![CDATA[Uma amiga leu esse texto hoje e via internet me colocou algumas questões, que gostaria de socializá-las para pensarmos juntos, pois me pareceram muito pertinentes. 
Vou reproduzir a conversa tal como se deu, pois me parece melhor do que reescrever as questões:

Amiga: Oi Pablo. Li seu texto. Uma coisa que fiquei pensando a partir do que você diz é no processo venezuelano. A questão é que a gente age, mas sempre tem o outro lado agindo também, na luta de classes. Está o Estado, os Conselhos Comunais, e as milícias. São 3 coisas, três tipos de órgãos de poder. A limpeza das forças armadas e as milícias passaram pelas &quot;leis habilitantes&quot; depois da tentativa de golpe de 2002. Eram medidas tomadas por uma questão de sobrevivência. Serviram para adiar o conflito. Ganhou-se tempo. Mas, como funcionam as milícias? A população tem acesso às armas, no bairro. Essa é a milícia. E tem certa autonomia de ação, só que sob comando técnico de um militar retirado. Ante um golpe de Estado por algum setor do exército profissional, ou uma invasão estrangeira, funciona. Assim como os Comitês de Defesa em Cuba. Mas em caso de um conflito interno mais complexo... não sabemos como será o comportamento, porque não responde às decisões políticas do Conselho Comunal, associado aos espaços de produção. Essa coisa de unir produção, poder político e poder militar para garantir o poder popular... A autonomia das milícias é também autonomia dos conselhos. Então, num conflito entre os Conselhos Comunais e o Estado... como vão reagir? Então, esse primeiro passo que você fala, para a superação do Estado, envolve esses problemas &quot;prático-políticos&quot;. 
Outra questão é da propriedade social convivendo com uma economia (como aconteceu em Cuba) voltada para exportação. E que cresce nesse setor a passos gigantes. O capital chinês investe fortemente em Venezuela. 

Pablo: a ligação entre comites de bairro, conselhos comunais, milicias e comites de fábrica tem que ser muito organica, e tem q ser muito clara a localização do aparato estatal como possível inimigo ainda que com formatação &quot;chavista&quot;...

Amiga: Claro! Outra coisa da qual se fala muito pouco é sobre a alienação no trabalho nos países exportadores. A alienação, na periferia, tem outra componente de efeito fatal para a subjetividade: Toda ou o grosso da produção está destinada ao mercado externo. Inclusive Cuba e as ex-colônias africanas tinham essa relação com a URSS. O produtor não é consumidor.

Pablo: sim, lembrei do dilema cubano sobre construir ou nao uma fábrica/usina de aço

Amiga: O distanciamento com o resultado do trabalho é ainda maior que nos países centrais. A comuna chinesa tinha uma coisa interessantíssima, próxima ao que hoje chamamos perma-cultura. Tudo isso acabou. Esse dilema está sendo vivido, mesmo na propriedade social em Venezuela, e não apenas no ramo do petróleo. O capital chinês está instalando, na Venezuela, fábricas, que levanta em 8 meses, com uma cidade ao redor. Nisso lembra o imperialismo inglês. Uma grande planta, uma cidade com toda a infra-estrutura, hospitais, escolas, creches, serviços..

Pablo: bom, mas aí eu acho que o aspecto da alienação de &quot;reconhecer-se&quot; ou nao no fruto do trabalho acaba indo pra segundo plano, frente ao fato de eles terem ou não controle sobre a produção e o processo de trabalho. Além disso o balanço de pagamentos e todas essas coisas relacionadas ao mercado mundial teriam que ter um órgão radicalmente democrático decidindo em detalhes os termos da exportação-importação, e não poderia ser um órgão centralizado tal qual o da URSS...

Amiga: Com a anuência do Estado. O Estado &quot;chavista&quot;. Os chavistas dizem que China pode fazer frente a EUA.

Pablo: q bobagem, só trocam os tentáculos ocidentais do capital pelos tentáculos orientais

Amiga: Em grande parte da propriedade social há controle da produção pelos trabalhadores

Pablo: mesmo do capital chinês? mas deve ter alguns termos imposto pelo Estado venezuelano, nao?

Amiga: Da propriedade social. O capital chinês, é chinês. Como uma transnacional, mas chinesa, e apoiada pelo Estado, o Estado chavista e o Estado chinês. Sim, as condições são mais vantajosas, mas é capital. Num cálculo geopolítico: &quot;que lo marines se metam co&#039;s chino, que van a ver lo que pasa... lo chino tienen bomba atómica...&quot;

Pablo: então, aí entra o poder heurístico daquela distinção entre Capital e Capitalismo, que o Mészáros mostra que há em Marx. Sim sim, mas nessa reflexão ainda estamos diante de políticas de Estado, enquanto tais ligadas ao capital e à manutenção do poder político. Isso tudo tem mais a ver com o Estado venezuelano se fortalecendo frente a uma nova tentativa de golpe dos EUS do que propriamente com a transição socialista

Amiga: Exatamente. Há capitalismo nas empresas privadas (nacionais ou não). Há capital em todas, mesmo naquelas que tem controle da produção pelos trabalhadores.

Pablo: nao é pra menos, já que a Venezuela tá cercada de bases norte-americanas

Amiga: Sim, completamente explicável. E mesmo compas que querem construir o poder popular se vem nesse problema: os chineses armaram Venezuela até os dentes. Caças, artilharia anti-aérea...

Pablo: Um pepino implícito nessas problemática é que simultaneamente se vê que o Estado não é o órgão adequado e ao mesmo tempo vemos que sem um Estado poderoso e interligado a outros Estados, a política internacional (imperialista) foge a qualquer possibilidade dos pequenos órgãos de poder popular em construção, que ficariam à merce do poderoso sistema do capital e seus órgãos repressivos imperialistas

Amiga: É isso aí. uma sinuca de bico. Ao mesmo tempo há um outro problema. É o do controle dos trabalhadores e como se dá no contexto venezuelano. Primeiro: o PSUV não é um partido para construir o socialismo. É um partido pra concorrer nas eleições e para articular politicamente nas regiões com interesses locais, pra surfar nas tensões.

Pablo: Sim, típico da forma-partido...

Amiga: nem sempre

Pablo: hehehe boa. (concordo)

Amiga: Se armou como uma aliança de diferentes partidos alguns partidos regionais, fisiológicos. se encheu de gente que quer cargos no Estado. Então, não esperemos um &quot;partido educador para o socialismo&quot; que amplie o horizonte da experiência local. Você tem uma fábrica de agrotóxicos com controle operário da produção. Esses operários acham muito bom produzir e controlar a produção. Mas não vem a função social da planta. Porque essa planta fazia parte das cadeias de produção do capital. É preciso acabar com essa matriz produtiva, reestruturar. Parar de produzir agrotóxicos. Os trabalhadores dessa planta. não querem. E ainda concorrem com outra planta também de propriedade social. Então o Estado vai e intervém: manda um burocrata e acaba com o controle dos trabalhadores. A iniciativa veio da direção chavista, essa do controle dos trabalhadores. Mas não é uma direção política que se dispõe à educação socialista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma amiga leu esse texto hoje e via internet me colocou algumas questões, que gostaria de socializá-las para pensarmos juntos, pois me pareceram muito pertinentes.<br />
Vou reproduzir a conversa tal como se deu, pois me parece melhor do que reescrever as questões:</p>
<p>Amiga: Oi Pablo. Li seu texto. Uma coisa que fiquei pensando a partir do que você diz é no processo venezuelano. A questão é que a gente age, mas sempre tem o outro lado agindo também, na luta de classes. Está o Estado, os Conselhos Comunais, e as milícias. São 3 coisas, três tipos de órgãos de poder. A limpeza das forças armadas e as milícias passaram pelas &#8220;leis habilitantes&#8221; depois da tentativa de golpe de 2002. Eram medidas tomadas por uma questão de sobrevivência. Serviram para adiar o conflito. Ganhou-se tempo. Mas, como funcionam as milícias? A população tem acesso às armas, no bairro. Essa é a milícia. E tem certa autonomia de ação, só que sob comando técnico de um militar retirado. Ante um golpe de Estado por algum setor do exército profissional, ou uma invasão estrangeira, funciona. Assim como os Comitês de Defesa em Cuba. Mas em caso de um conflito interno mais complexo&#8230; não sabemos como será o comportamento, porque não responde às decisões políticas do Conselho Comunal, associado aos espaços de produção. Essa coisa de unir produção, poder político e poder militar para garantir o poder popular&#8230; A autonomia das milícias é também autonomia dos conselhos. Então, num conflito entre os Conselhos Comunais e o Estado&#8230; como vão reagir? Então, esse primeiro passo que você fala, para a superação do Estado, envolve esses problemas &#8220;prático-políticos&#8221;.<br />
Outra questão é da propriedade social convivendo com uma economia (como aconteceu em Cuba) voltada para exportação. E que cresce nesse setor a passos gigantes. O capital chinês investe fortemente em Venezuela. </p>
<p>Pablo: a ligação entre comites de bairro, conselhos comunais, milicias e comites de fábrica tem que ser muito organica, e tem q ser muito clara a localização do aparato estatal como possível inimigo ainda que com formatação &#8220;chavista&#8221;&#8230;</p>
<p>Amiga: Claro! Outra coisa da qual se fala muito pouco é sobre a alienação no trabalho nos países exportadores. A alienação, na periferia, tem outra componente de efeito fatal para a subjetividade: Toda ou o grosso da produção está destinada ao mercado externo. Inclusive Cuba e as ex-colônias africanas tinham essa relação com a URSS. O produtor não é consumidor.</p>
<p>Pablo: sim, lembrei do dilema cubano sobre construir ou nao uma fábrica/usina de aço</p>
<p>Amiga: O distanciamento com o resultado do trabalho é ainda maior que nos países centrais. A comuna chinesa tinha uma coisa interessantíssima, próxima ao que hoje chamamos perma-cultura. Tudo isso acabou. Esse dilema está sendo vivido, mesmo na propriedade social em Venezuela, e não apenas no ramo do petróleo. O capital chinês está instalando, na Venezuela, fábricas, que levanta em 8 meses, com uma cidade ao redor. Nisso lembra o imperialismo inglês. Uma grande planta, uma cidade com toda a infra-estrutura, hospitais, escolas, creches, serviços..</p>
<p>Pablo: bom, mas aí eu acho que o aspecto da alienação de &#8220;reconhecer-se&#8221; ou nao no fruto do trabalho acaba indo pra segundo plano, frente ao fato de eles terem ou não controle sobre a produção e o processo de trabalho. Além disso o balanço de pagamentos e todas essas coisas relacionadas ao mercado mundial teriam que ter um órgão radicalmente democrático decidindo em detalhes os termos da exportação-importação, e não poderia ser um órgão centralizado tal qual o da URSS&#8230;</p>
<p>Amiga: Com a anuência do Estado. O Estado &#8220;chavista&#8221;. Os chavistas dizem que China pode fazer frente a EUA.</p>
<p>Pablo: q bobagem, só trocam os tentáculos ocidentais do capital pelos tentáculos orientais</p>
<p>Amiga: Em grande parte da propriedade social há controle da produção pelos trabalhadores</p>
<p>Pablo: mesmo do capital chinês? mas deve ter alguns termos imposto pelo Estado venezuelano, nao?</p>
<p>Amiga: Da propriedade social. O capital chinês, é chinês. Como uma transnacional, mas chinesa, e apoiada pelo Estado, o Estado chavista e o Estado chinês. Sim, as condições são mais vantajosas, mas é capital. Num cálculo geopolítico: &#8220;que lo marines se metam co&#8217;s chino, que van a ver lo que pasa&#8230; lo chino tienen bomba atómica&#8230;&#8221;</p>
<p>Pablo: então, aí entra o poder heurístico daquela distinção entre Capital e Capitalismo, que o Mészáros mostra que há em Marx. Sim sim, mas nessa reflexão ainda estamos diante de políticas de Estado, enquanto tais ligadas ao capital e à manutenção do poder político. Isso tudo tem mais a ver com o Estado venezuelano se fortalecendo frente a uma nova tentativa de golpe dos EUS do que propriamente com a transição socialista</p>
<p>Amiga: Exatamente. Há capitalismo nas empresas privadas (nacionais ou não). Há capital em todas, mesmo naquelas que tem controle da produção pelos trabalhadores.</p>
<p>Pablo: nao é pra menos, já que a Venezuela tá cercada de bases norte-americanas</p>
<p>Amiga: Sim, completamente explicável. E mesmo compas que querem construir o poder popular se vem nesse problema: os chineses armaram Venezuela até os dentes. Caças, artilharia anti-aérea&#8230;</p>
<p>Pablo: Um pepino implícito nessas problemática é que simultaneamente se vê que o Estado não é o órgão adequado e ao mesmo tempo vemos que sem um Estado poderoso e interligado a outros Estados, a política internacional (imperialista) foge a qualquer possibilidade dos pequenos órgãos de poder popular em construção, que ficariam à merce do poderoso sistema do capital e seus órgãos repressivos imperialistas</p>
<p>Amiga: É isso aí. uma sinuca de bico. Ao mesmo tempo há um outro problema. É o do controle dos trabalhadores e como se dá no contexto venezuelano. Primeiro: o PSUV não é um partido para construir o socialismo. É um partido pra concorrer nas eleições e para articular politicamente nas regiões com interesses locais, pra surfar nas tensões.</p>
<p>Pablo: Sim, típico da forma-partido&#8230;</p>
<p>Amiga: nem sempre</p>
<p>Pablo: hehehe boa. (concordo)</p>
<p>Amiga: Se armou como uma aliança de diferentes partidos alguns partidos regionais, fisiológicos. se encheu de gente que quer cargos no Estado. Então, não esperemos um &#8220;partido educador para o socialismo&#8221; que amplie o horizonte da experiência local. Você tem uma fábrica de agrotóxicos com controle operário da produção. Esses operários acham muito bom produzir e controlar a produção. Mas não vem a função social da planta. Porque essa planta fazia parte das cadeias de produção do capital. É preciso acabar com essa matriz produtiva, reestruturar. Parar de produzir agrotóxicos. Os trabalhadores dessa planta. não querem. E ainda concorrem com outra planta também de propriedade social. Então o Estado vai e intervém: manda um burocrata e acaba com o controle dos trabalhadores. A iniciativa veio da direção chavista, essa do controle dos trabalhadores. Mas não é uma direção política que se dispõe à educação socialista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
