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	Comentários sobre: Apropriação do poder político e superação do Estado na transição socialista. 2) Engels e a posse dos meios de produção previamente centralizados no Estado	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-238865</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 21:12:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[JJ,
Além do artigo citado pelo Pablo há, por exemplo, &lt;a href=&quot;https://www.marxists.org/archive/riazanov/1928/xx/blanqui.htm&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;este brevíssimo artigo&lt;/a&gt; de Riazanov, um dos mais profundos conhecedores da obra de Marx e Engels, e que aliás pagou com a vida por isso. Mas o que eu pretendia no meu comentário era estimular os leitores a prosseguirem eles mesmos essa pesquisa. Os textos que hoje se encontram disponíveis na internet e os mecanismos de busca permitem que se façam rápida e facilmente pesquisas que, há não muito tempo atrás, demorariam meses ou anos e implicariam deslocações até cidades ou países onde houvesse bibliotecas com a documentação necessária. Mas infelizmente — e este é um desabafo em geral e não dirigido especificamente a alguém — aquelas facilidades, em vez de estimularem a investigação, parece terem estimulado mais o &lt;em&gt;copy &amp; paste&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JJ,<br />
Além do artigo citado pelo Pablo há, por exemplo, <a href="https://www.marxists.org/archive/riazanov/1928/xx/blanqui.htm" rel="nofollow">este brevíssimo artigo</a> de Riazanov, um dos mais profundos conhecedores da obra de Marx e Engels, e que aliás pagou com a vida por isso. Mas o que eu pretendia no meu comentário era estimular os leitores a prosseguirem eles mesmos essa pesquisa. Os textos que hoje se encontram disponíveis na internet e os mecanismos de busca permitem que se façam rápida e facilmente pesquisas que, há não muito tempo atrás, demorariam meses ou anos e implicariam deslocações até cidades ou países onde houvesse bibliotecas com a documentação necessária. Mas infelizmente — e este é um desabafo em geral e não dirigido especificamente a alguém — aquelas facilidades, em vez de estimularem a investigação, parece terem estimulado mais o <em>copy &#038; paste</em>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-238857</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 19:40:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Colega, encontrará boas referências neste texto:

https://www.marxists.org/archive/johnstone/1983/xx/majority.htm

abç]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Colega, encontrará boas referências neste texto:</p>
<p><a href="https://www.marxists.org/archive/johnstone/1983/xx/majority.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/archive/johnstone/1983/xx/majority.htm</a></p>
<p>abç</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: JJ		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-238827</link>

		<dc:creator><![CDATA[JJ]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 14:07:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá,

João B. quais escritos de Marx e Engels onde posso encontrar a &quot;evolução das suas opiniões acerca de Blanqui&quot;?

Grato]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>João B. quais escritos de Marx e Engels onde posso encontrar a &#8220;evolução das suas opiniões acerca de Blanqui&#8221;?</p>
<p>Grato</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-216089</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Apr 2014 18:09:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Valente,
Excelente teu comentário, que me havia passado despercebido. Me recordou um trecho do livro &quot;Anarquismo e Comunismo&quot; de Evgueni Preobrazhenski em que ele, tratando dos fundamentos econômicos da transição - e logo depois de dizer que socialização É nacionalização - diz que faz-se necessário um controle ainda mais rígido da força de trabalho. Fiquei a pensar a quem se referia o &quot;ainda mais&quot;. Um controle dos trabalhadores, pelo Estado &quot;proletário&quot;, &quot;ainda mais rígido&quot; do que no Capitalismo? Pouco atraente, no mínimo. Mas os bolcheviques julgavam que sua posição de vanguarda da classe significava legitimidade para dirigir a transição, de modo a justificar que estaria tudo bem explorar a classe, &quot;pelo bem da classe&quot; e &quot;pelo bem&quot; da estratégia transicional de longo prazo. O livro é de 21...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Valente,<br />
Excelente teu comentário, que me havia passado despercebido. Me recordou um trecho do livro &#8220;Anarquismo e Comunismo&#8221; de Evgueni Preobrazhenski em que ele, tratando dos fundamentos econômicos da transição &#8211; e logo depois de dizer que socialização É nacionalização &#8211; diz que faz-se necessário um controle ainda mais rígido da força de trabalho. Fiquei a pensar a quem se referia o &#8220;ainda mais&#8221;. Um controle dos trabalhadores, pelo Estado &#8220;proletário&#8221;, &#8220;ainda mais rígido&#8221; do que no Capitalismo? Pouco atraente, no mínimo. Mas os bolcheviques julgavam que sua posição de vanguarda da classe significava legitimidade para dirigir a transição, de modo a justificar que estaria tudo bem explorar a classe, &#8220;pelo bem da classe&#8221; e &#8220;pelo bem&#8221; da estratégia transicional de longo prazo. O livro é de 21&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Epicuro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-216084</link>

		<dc:creator><![CDATA[Epicuro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Apr 2014 17:52:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O negócio é separar o miolo do filé mignon. E enlatar se preciso for, a fim de garantir a degustação e os pitacos de aspirantes a cozinheiros de temperos elegantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O negócio é separar o miolo do filé mignon. E enlatar se preciso for, a fim de garantir a degustação e os pitacos de aspirantes a cozinheiros de temperos elegantes.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Xenófanes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-216066</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xenófanes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Apr 2014 16:37:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oxe, Heráclito! deixe de besteira! Se hoje em dia os modernos te conhecem (e olhe lá) apenas por citações em citações.

Além de que, para quem quer falar em argumentação as tuas duas linhas deixam muito a desejar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oxe, Heráclito! deixe de besteira! Se hoje em dia os modernos te conhecem (e olhe lá) apenas por citações em citações.</p>
<p>Além de que, para quem quer falar em argumentação as tuas duas linhas deixam muito a desejar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Heráclito		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-215726</link>

		<dc:creator><![CDATA[Heráclito]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Apr 2014 23:39:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Costuma desconsiderar diálogos retirados de outros diálogos.
A arte da retórica esta na argumentação não na exposição de textos enlatados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Costuma desconsiderar diálogos retirados de outros diálogos.<br />
A arte da retórica esta na argumentação não na exposição de textos enlatados.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-210259</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2014 10:47:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Metendo-me no debate acrescento apenas que o que aqui tem sido discutido foi aplicado ipsis verbis no processo 1917-18 na Rússia Soviética. Deixo aqui dois excertos de um texto que escrevi sobre o assunto:

«Segundo Lénine, como o desenvolvimento da dinâmica de base seria incipiente, haveria que reforçar o Estado para educar os trabalhadores: disciplina para educar as massas: &quot;dedicai-vos à autodisciplina, submetei-vos a todo o custo, para que haja uma ordem exemplar, para que os operários (…) aprendam a lutar&quot; (idem: 509). De facto, é bizarro que no momento em que mais era necessário promover a expansão do controlo e da gestão operária pela base, os bolcheviques tivessem multiplicado acções e comunicados tendo como meta direccionar o processo no sentido contrário. A estatização da economia não é supletiva da auto-organização da base mas é o aríete que permite utilizar as palavras de ordem socialistas e autonomistas para criar instituições controladas por uma nova classe exploradora.»

«Num contexto em que existiam milhares e milhares de comités de fábrica e onde participavam nas assembleias de base centenas de milhares de operários, a posição dos bolcheviques foi nítida. No lugar de ajudar a estender essa democracia de base, o objectivo político foi sempre de caracterizar o controlo operário como provisório e a subordinar-se à tarefa de erigir uma nova estrutura estatal.

Foi neste contexto político de afrontamento aos organismos de base – subreptício nos discursos e violento na prática – que o novo governo proibirá a convocação de um congresso nacional de comités de fábrica (Brinton 1975: 19) e sob o pretexto das empresas de importância nacional e da manutenção de uma disciplina de ferro – a tal &quot;rigorosa ordem e disciplina&quot; de que falava Lénine – o controlo operário nos caminhos-de-ferro foi proibido em Março de 1918».

Ora, hoje a generalidade da esquerda continua a partilhar como princípio político este oxímoro de aspirar ao reforço do aparelho de Estado e manter organismos de base... Ou seja, a &quot;eterna&quot; solução que a maioria da esquerda europeia apresenta para as dificuldades de coordenação entre as unidades produtivas tem sido sistematicamente atirada para o Estado... Mesmo a esquerda que se diz basista e dos movimentos sociais europeus - e que utiliza massivamente as redes sociais e essas coisas - chora sempre por um Estado sem corrupção... O recorrente paradoxo de quererem &quot;democracia directa&quot; e um Estado mais forte (já que um combate à corrupção eficaz é sinal de um Estado central coeso). No fundo, iniciativas folclóricas na base para que no centro o poder se expanda.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Metendo-me no debate acrescento apenas que o que aqui tem sido discutido foi aplicado ipsis verbis no processo 1917-18 na Rússia Soviética. Deixo aqui dois excertos de um texto que escrevi sobre o assunto:</p>
<p>«Segundo Lénine, como o desenvolvimento da dinâmica de base seria incipiente, haveria que reforçar o Estado para educar os trabalhadores: disciplina para educar as massas: &#8220;dedicai-vos à autodisciplina, submetei-vos a todo o custo, para que haja uma ordem exemplar, para que os operários (…) aprendam a lutar&#8221; (idem: 509). De facto, é bizarro que no momento em que mais era necessário promover a expansão do controlo e da gestão operária pela base, os bolcheviques tivessem multiplicado acções e comunicados tendo como meta direccionar o processo no sentido contrário. A estatização da economia não é supletiva da auto-organização da base mas é o aríete que permite utilizar as palavras de ordem socialistas e autonomistas para criar instituições controladas por uma nova classe exploradora.»</p>
<p>«Num contexto em que existiam milhares e milhares de comités de fábrica e onde participavam nas assembleias de base centenas de milhares de operários, a posição dos bolcheviques foi nítida. No lugar de ajudar a estender essa democracia de base, o objectivo político foi sempre de caracterizar o controlo operário como provisório e a subordinar-se à tarefa de erigir uma nova estrutura estatal.</p>
<p>Foi neste contexto político de afrontamento aos organismos de base – subreptício nos discursos e violento na prática – que o novo governo proibirá a convocação de um congresso nacional de comités de fábrica (Brinton 1975: 19) e sob o pretexto das empresas de importância nacional e da manutenção de uma disciplina de ferro – a tal &#8220;rigorosa ordem e disciplina&#8221; de que falava Lénine – o controlo operário nos caminhos-de-ferro foi proibido em Março de 1918».</p>
<p>Ora, hoje a generalidade da esquerda continua a partilhar como princípio político este oxímoro de aspirar ao reforço do aparelho de Estado e manter organismos de base&#8230; Ou seja, a &#8220;eterna&#8221; solução que a maioria da esquerda europeia apresenta para as dificuldades de coordenação entre as unidades produtivas tem sido sistematicamente atirada para o Estado&#8230; Mesmo a esquerda que se diz basista e dos movimentos sociais europeus &#8211; e que utiliza massivamente as redes sociais e essas coisas &#8211; chora sempre por um Estado sem corrupção&#8230; O recorrente paradoxo de quererem &#8220;democracia directa&#8221; e um Estado mais forte (já que um combate à corrupção eficaz é sinal de um Estado central coeso). No fundo, iniciativas folclóricas na base para que no centro o poder se expanda.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-210227</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2014 09:09:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pablo e Diego,
A frase chave para este debate parece-me ser a de que «a única organização que o proletariado triunfante encontra pré-construída é precisamente o Estado». Se Engels tivesse escrito isto antes de 1871 seria uma coisa. Mas outra coisa muito diferente foi escrevê-lo em 1883, depois da experiência da Comuna e da constituição de cooperativas, para mais em plena vigência do Estado de Bismarck e precisamente quando ele instituía a primeira versão do que depois haveria de se chamar &lt;em&gt;Welfare State&lt;/em&gt;. Nessa data existiam já experiências históricas reveladoras de que o proletariado durante a sua luta era também construtor de instituições. Ora, talvez o debate se possa clarificar um pouco se introduzirmos a figura de Blanqui, que era o mais célebre dos defensores da utilização ditatorial do Estado na fase pós-revolucionária, a ditadura pedagógica de um pequeno e seleccionado grupo de vanguarda. Marx e Engels, ou Bakunin, eram personagens obscuros perante a enorme popularidade de que Blanqui gozava nos meios populares revolucionários. Aliás, teria sido ele o principal dirigente da Comuna se não estivesse preso nessa ocasião (Blanqui passou em prisões mais de metade da sua vida adulta) e os comunardos tentaram tudo para o libertar, mas o lugar onde ele estava detido era um segredo de Estado muito bem guardado. Assim, o que Marx e Engels pensaram, juntos ou cada um por seu lado, acerca do problema do Estado na desejada fase de transição para o socialismo poderá talvez ser avaliado pela evolução das suas opiniões acerca de Blanqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo e Diego,<br />
A frase chave para este debate parece-me ser a de que «a única organização que o proletariado triunfante encontra pré-construída é precisamente o Estado». Se Engels tivesse escrito isto antes de 1871 seria uma coisa. Mas outra coisa muito diferente foi escrevê-lo em 1883, depois da experiência da Comuna e da constituição de cooperativas, para mais em plena vigência do Estado de Bismarck e precisamente quando ele instituía a primeira versão do que depois haveria de se chamar <em>Welfare State</em>. Nessa data existiam já experiências históricas reveladoras de que o proletariado durante a sua luta era também construtor de instituições. Ora, talvez o debate se possa clarificar um pouco se introduzirmos a figura de Blanqui, que era o mais célebre dos defensores da utilização ditatorial do Estado na fase pós-revolucionária, a ditadura pedagógica de um pequeno e seleccionado grupo de vanguarda. Marx e Engels, ou Bakunin, eram personagens obscuros perante a enorme popularidade de que Blanqui gozava nos meios populares revolucionários. Aliás, teria sido ele o principal dirigente da Comuna se não estivesse preso nessa ocasião (Blanqui passou em prisões mais de metade da sua vida adulta) e os comunardos tentaram tudo para o libertar, mas o lugar onde ele estava detido era um segredo de Estado muito bem guardado. Assim, o que Marx e Engels pensaram, juntos ou cada um por seu lado, acerca do problema do Estado na desejada fase de transição para o socialismo poderá talvez ser avaliado pela evolução das suas opiniões acerca de Blanqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/11/88431/#comment-210057</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Apr 2014 23:08:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A ideia básica, então, é essa: o Estado capitalista, apossado e transformado em Estado socialista ou &quot;Ditadura do proletariado&quot;, é a única organização política com força suficiente pra assegurar o poder nas mãos do proletariado, sob pena da contra-revolução triunfar.
Quer dizer que o proletariado pode até ter força pra criar órgãos de poder popular, sovietes, conselhos operários etc., capazes de oferecer uma alternativa ao controle do capital sobre o sociometabolismo, mas embora tais órgãos tenham essa força e consigam levar a classe organizada à tomada do poder estatal, tal força é (sempre?) insuficiente pra manter a revolução quando a contra-revolução vier? Algo como: &quot;até aqui vocês tem poder de criar seus órgãos alternativos ao capital, mas a partir daqui (tomada do poder político) vocês precisam usar os órgãos forjados pelo capital contra o capital&quot;. 
A meu ver esse ponto de vista supervaloriza a força restauradora da contra-revolução, subvaloriza a capacidade da classe trabalhadora de criar seus órgãos de defesa alternativos aos órgãos capitalistas, e por último mas o mais importante de tudo: essa visão legitima o uso e fortalecimento do órgão político do capital, o Estado, enquanto órgão de transição. Mas o Estado não deve crescer e sim definhar. Se não definhar, não há revolução. E não é usando o Estado como mediação revolucionária que ele vai definhar &quot;no longo prazo&quot;, pela boa vontade dos dirigentes e o beneplácito da revolução internacional. Já não bastam as experiências de transição interrompida que tivemos ao longo do século XX, as quais cometeram justamente esse erro de reforçar o Estado, e estrangular a revolução ao transformar os órgãos de poder popular em órgãos estatais? Não basta a URSS usando a Internacional Comunista para desarticular e destruir as tentativas de revolução em outros países, com o intuito de fortalecer o Estado soviético? Pensar que se pode usar o Estado e confiar que o Partido dirigente do Estado irá assegurar o definhamento do Estado no longo prazo é pura inocência; é subestimar a força das mediações alienadas do capital, as quais estão enraizadas no sociometabolismo e forçam o Estado a se autopreservar e a se autoreproduzir enquanto Estado, independentemente das boas intenções dos dirigentes. O modo de assegurar a revolução e o definhamento do Estado é fortalecendo os órgãos de poder popular externos ao Estado, e não o próprio Estado &quot;proletário&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ideia básica, então, é essa: o Estado capitalista, apossado e transformado em Estado socialista ou &#8220;Ditadura do proletariado&#8221;, é a única organização política com força suficiente pra assegurar o poder nas mãos do proletariado, sob pena da contra-revolução triunfar.<br />
Quer dizer que o proletariado pode até ter força pra criar órgãos de poder popular, sovietes, conselhos operários etc., capazes de oferecer uma alternativa ao controle do capital sobre o sociometabolismo, mas embora tais órgãos tenham essa força e consigam levar a classe organizada à tomada do poder estatal, tal força é (sempre?) insuficiente pra manter a revolução quando a contra-revolução vier? Algo como: &#8220;até aqui vocês tem poder de criar seus órgãos alternativos ao capital, mas a partir daqui (tomada do poder político) vocês precisam usar os órgãos forjados pelo capital contra o capital&#8221;.<br />
A meu ver esse ponto de vista supervaloriza a força restauradora da contra-revolução, subvaloriza a capacidade da classe trabalhadora de criar seus órgãos de defesa alternativos aos órgãos capitalistas, e por último mas o mais importante de tudo: essa visão legitima o uso e fortalecimento do órgão político do capital, o Estado, enquanto órgão de transição. Mas o Estado não deve crescer e sim definhar. Se não definhar, não há revolução. E não é usando o Estado como mediação revolucionária que ele vai definhar &#8220;no longo prazo&#8221;, pela boa vontade dos dirigentes e o beneplácito da revolução internacional. Já não bastam as experiências de transição interrompida que tivemos ao longo do século XX, as quais cometeram justamente esse erro de reforçar o Estado, e estrangular a revolução ao transformar os órgãos de poder popular em órgãos estatais? Não basta a URSS usando a Internacional Comunista para desarticular e destruir as tentativas de revolução em outros países, com o intuito de fortalecer o Estado soviético? Pensar que se pode usar o Estado e confiar que o Partido dirigente do Estado irá assegurar o definhamento do Estado no longo prazo é pura inocência; é subestimar a força das mediações alienadas do capital, as quais estão enraizadas no sociometabolismo e forçam o Estado a se autopreservar e a se autoreproduzir enquanto Estado, independentemente das boas intenções dos dirigentes. O modo de assegurar a revolução e o definhamento do Estado é fortalecendo os órgãos de poder popular externos ao Estado, e não o próprio Estado &#8220;proletário&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
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