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	Comentários sobre: A navalha de Mackie	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Mauro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-317738</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mauro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Aug 2017 13:38:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bom dia,
adicionem esse vídeo https://www.youtube.com/watch?v=iGDzwKJW4ZQ no trecho de &quot;Robbie Williams cantou Mackie Messer&quot; que o link está quebrado. Não achei o original que JB tinha colocado, mas é o mesmo músico cantando a mesma interpretação da mesma música. Acho que vale entrar lá com uma nota de ressalva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom dia,<br />
adicionem esse vídeo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=iGDzwKJW4ZQ" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=iGDzwKJW4ZQ</a> no trecho de &#8220;Robbie Williams cantou Mackie Messer&#8221; que o link está quebrado. Não achei o original que JB tinha colocado, mas é o mesmo músico cantando a mesma interpretação da mesma música. Acho que vale entrar lá com uma nota de ressalva.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rogério		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-177095</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rogério]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2014 23:54:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Conheço a Teresa Stratas, mas só aquele em &quot;Sings Weill&quot;, que talvez tenha sido o único disco dela lançado no Brasil. Mas não entendo nada de ópera. Então já salvei aqui teu link da Lulu para ouvir com calma.
Aliás, o disco do qual faz parte essa gravação do Johansen também tem a Lotte Lenya.
Muito obrigado, mais uma vez, pelos toques.
Um abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Conheço a Teresa Stratas, mas só aquele em &#8220;Sings Weill&#8221;, que talvez tenha sido o único disco dela lançado no Brasil. Mas não entendo nada de ópera. Então já salvei aqui teu link da Lulu para ouvir com calma.<br />
Aliás, o disco do qual faz parte essa gravação do Johansen também tem a Lotte Lenya.<br />
Muito obrigado, mais uma vez, pelos toques.<br />
Um abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Heloisa Flores		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-175292</link>

		<dc:creator><![CDATA[Heloisa Flores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2014 16:34:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[estou em choque.

não sei o que é pior,

Sinatra mafioso, cantando como se fosse comparsa de Mackie.

as bandeirinhas!!! as bandeirinhas britânicas, o público idiotizado. o Robbie Williams bonachão de terno de grife extremamente asseado.

ou o Liberace num salão Luís XV (merecia guilhotina só por essa) usando uma &#039;nobre&#039; e de mau gosto PUFFY SHIRT.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>estou em choque.</p>
<p>não sei o que é pior,</p>
<p>Sinatra mafioso, cantando como se fosse comparsa de Mackie.</p>
<p>as bandeirinhas!!! as bandeirinhas britânicas, o público idiotizado. o Robbie Williams bonachão de terno de grife extremamente asseado.</p>
<p>ou o Liberace num salão Luís XV (merecia guilhotina só por essa) usando uma &#8216;nobre&#8217; e de mau gosto PUFFY SHIRT.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-170895</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2014 22:42:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Paulo,
Não posso responder-lhe cabalmente porque da &lt;em&gt;Ópera do Malandro&lt;/em&gt; só conheço um ou outro fragmento. No entanto, como se trata de um &lt;em&gt;remake&lt;/em&gt;, não creio poder falar-se de desvirtuação, até porque os contextos sociais eram muito diferentes. No Brasil da época da ditadura militar o bandido era, se não me engano, considerado por uma certa esquerda numa óptica positiva, e recordo a força do último verso do &lt;em&gt;Nêga Dina&lt;/em&gt;, de Zé Keti: «sou um marginal brasileiro». Na Alemanha da República de Weimar, pelo contrário, o bandido representava para a esquerda a principal mão-de-obra, ou uma das principais, das milícias de extrema-direita, desde os Corpos Francos durante a revolução dos conselhos até ao domínio das ruas pelas SA. O &lt;em&gt;Berlin Alexanderplatz&lt;/em&gt;, de Alfred Döblin, um dos grandes romances da República de Weimar, ajuda a compreender o ambiente que sustentou a balada &lt;em&gt;Mackie Messer&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Paulo,<br />
Não posso responder-lhe cabalmente porque da <em>Ópera do Malandro</em> só conheço um ou outro fragmento. No entanto, como se trata de um <em>remake</em>, não creio poder falar-se de desvirtuação, até porque os contextos sociais eram muito diferentes. No Brasil da época da ditadura militar o bandido era, se não me engano, considerado por uma certa esquerda numa óptica positiva, e recordo a força do último verso do <em>Nêga Dina</em>, de Zé Keti: «sou um marginal brasileiro». Na Alemanha da República de Weimar, pelo contrário, o bandido representava para a esquerda a principal mão-de-obra, ou uma das principais, das milícias de extrema-direita, desde os Corpos Francos durante a revolução dos conselhos até ao domínio das ruas pelas SA. O <em>Berlin Alexanderplatz</em>, de Alfred Döblin, um dos grandes romances da República de Weimar, ajuda a compreender o ambiente que sustentou a balada <em>Mackie Messer</em>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-170838</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2014 19:44:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Joao Bernardo
Que acha do aproveitamento da Opera dos Três Vinténs na Opera do Malandro, de Chico Buarque? Conhece? Considera isso mais um desvirtuamento? Não ha um elogio implícito ao malandro ofuscando a condição real dos trabalhadores? Poder-se-ia dizer algo parecido da obra de Brecht?
Parabéns pelo artigo!
Abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Joao Bernardo<br />
Que acha do aproveitamento da Opera dos Três Vinténs na Opera do Malandro, de Chico Buarque? Conhece? Considera isso mais um desvirtuamento? Não ha um elogio implícito ao malandro ofuscando a condição real dos trabalhadores? Poder-se-ia dizer algo parecido da obra de Brecht?<br />
Parabéns pelo artigo!<br />
Abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-170311</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2014 18:32:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Rogério,
Você deve ter observado que não incluí nenhuma versão de jazz de &lt;em&gt;Mackie Messer&lt;/em&gt;, apesar de haver muitas e algumas excelentes. Mas o jazz tem problemas próprios de interpretação e de variações, enquanto neste artigo eu pretendi apenas ilustrar a desnaturação de uma obra. Nas outras obras de Weill &#038; Brecht acho que essa desnaturação nunca chegou aos extremos que atingiu com &lt;em&gt;Mackie Messer&lt;/em&gt;, não sei porquê. Por exemplo, você escolheu uma versão de &lt;em&gt;Alabama Song&lt;/em&gt; que moderniza as referências musicais mas em nada desvirtua a obra. Aliás, nessa versão o tipo de interpretação musical está em perfeito acordo com a interpretação teatral. Aparentemente noutro pólo, posso evocar uma grande cantora de ópera, Teresa Stratas, interpretando a mesma obra:
http://www.youtube.com/watch?v=JeozviowUGo 
Teresa Stratas foi uma excelente intérprete da música da primeira metade do século XX e deve-se a ela uma colossal versão da &lt;em&gt;Lulu&lt;/em&gt;, de Alban Berg, sob a direcção de Pierre Boulez. Não sei se você se interessa por ópera, mas a audição da &lt;em&gt;Lulu&lt;/em&gt; permite escutar a música de Kurt Weill com outros ouvidos.
https://www.youtube.com/watch?v=DDSHpPnqrGE
Também me parece inevitável ouvir a versão de referência, com Lotte Lenya, que sabia, evidentemente, o que Brecht e Weill pretendiam.
http://www.youtube.com/watch?v=EGUjGPrfA6U 
Note como nesta versão original os aspectos melódicos aparecem mais líricos, estabelecendo o contraste não no seio da música, como sucede na versão que você indicou e em parte na de Teresa Stratas, com as dissonâncias, mas entre a música, por um lado, e, por outro, o poema indicando a vida daquelas mulheres. Acho que não exagero se disser que na versão com Lotte Lenya a melodia surge como falsa consciência.
Escrevi há pouco que &lt;em&gt;Mackie Messer&lt;/em&gt; foi a obra mais desvirtuada de Weill &#038; Brecht, mas isto não significa que a desnaturação não tivesse atingido também &lt;em&gt;Alabama Song&lt;/em&gt;. Esta versão de David Bowie parece-me um exemplo, precipitando-se no kitsch.
http://www.youtube.com/watch?v=kNCEURBYEGo 
Um dia, quem sabe se ainda escrevo qualquer coisa sobre &lt;em&gt;Surabaya Johnny&lt;/em&gt;, que de todas as obras de Brecht &#038; Weill é a que acho mais pungente, pelo poema e pela música, aquela em que é mais exposta a condição humana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Rogério,<br />
Você deve ter observado que não incluí nenhuma versão de jazz de <em>Mackie Messer</em>, apesar de haver muitas e algumas excelentes. Mas o jazz tem problemas próprios de interpretação e de variações, enquanto neste artigo eu pretendi apenas ilustrar a desnaturação de uma obra. Nas outras obras de Weill &amp; Brecht acho que essa desnaturação nunca chegou aos extremos que atingiu com <em>Mackie Messer</em>, não sei porquê. Por exemplo, você escolheu uma versão de <em>Alabama Song</em> que moderniza as referências musicais mas em nada desvirtua a obra. Aliás, nessa versão o tipo de interpretação musical está em perfeito acordo com a interpretação teatral. Aparentemente noutro pólo, posso evocar uma grande cantora de ópera, Teresa Stratas, interpretando a mesma obra:<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=JeozviowUGo" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=JeozviowUGo</a><br />
Teresa Stratas foi uma excelente intérprete da música da primeira metade do século XX e deve-se a ela uma colossal versão da <em>Lulu</em>, de Alban Berg, sob a direcção de Pierre Boulez. Não sei se você se interessa por ópera, mas a audição da <em>Lulu</em> permite escutar a música de Kurt Weill com outros ouvidos.<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=DDSHpPnqrGE" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=DDSHpPnqrGE</a><br />
Também me parece inevitável ouvir a versão de referência, com Lotte Lenya, que sabia, evidentemente, o que Brecht e Weill pretendiam.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=EGUjGPrfA6U" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=EGUjGPrfA6U</a><br />
Note como nesta versão original os aspectos melódicos aparecem mais líricos, estabelecendo o contraste não no seio da música, como sucede na versão que você indicou e em parte na de Teresa Stratas, com as dissonâncias, mas entre a música, por um lado, e, por outro, o poema indicando a vida daquelas mulheres. Acho que não exagero se disser que na versão com Lotte Lenya a melodia surge como falsa consciência.<br />
Escrevi há pouco que <em>Mackie Messer</em> foi a obra mais desvirtuada de Weill &amp; Brecht, mas isto não significa que a desnaturação não tivesse atingido também <em>Alabama Song</em>. Esta versão de David Bowie parece-me um exemplo, precipitando-se no kitsch.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=kNCEURBYEGo" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=kNCEURBYEGo</a><br />
Um dia, quem sabe se ainda escrevo qualquer coisa sobre <em>Surabaya Johnny</em>, que de todas as obras de Brecht &amp; Weill é a que acho mais pungente, pelo poema e pela música, aquela em que é mais exposta a condição humana.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rogério		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-170250</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rogério]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2014 14:58:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,
Muito bom! De fato, a versão da Ute Lemper até cansa. Mas acho que a versão do Frank Sinatra tem um humor involuntário interessante, tão falsa que acaba até dizendo a verdade.
E o que acha dessa versão de &quot;Alabama Song&quot; com David Johansen, Ellen Shipley e Ralph Schuckett, pianista criador da trilha sonora do desenho animado do Pokemon?
http://www.youtube.com/watch?v=NLMp50iK0G0]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,<br />
Muito bom! De fato, a versão da Ute Lemper até cansa. Mas acho que a versão do Frank Sinatra tem um humor involuntário interessante, tão falsa que acaba até dizendo a verdade.<br />
E o que acha dessa versão de &#8220;Alabama Song&#8221; com David Johansen, Ellen Shipley e Ralph Schuckett, pianista criador da trilha sonora do desenho animado do Pokemon?<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=NLMp50iK0G0" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=NLMp50iK0G0</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-168093</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jan 2014 12:52:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É que fico pensando, João, se concordo em nomear o processo de &quot;desnaturação&quot;, o que estaria sendo desnaturado nesse processo. A versão é algo que sempre esteve à mão dos setores populares que produzem arte, e se a industria cultural se utiliza disso não é apenas para extrair seus excedentes, mas também porque esta é uma linguagem a qual a população está acostumada. Me parece, no entanto, que aquilo para o que você chama atenção é o encontro feliz entre os setores proletários e um coletivo de artistas que propunha uma produção estética profunda e erudita.
De fato estamos um pouco distantes de um tal encontro, quando as pessoas que se dizem de esquerda afirmam que entre Michel Teló e Mozart há apenas as preferências e gostos individuais e que respeitar isso é ter uma visão igualitária da sociedade.

Me prendi ao aspecto da enunciação e do enunciado do exemplo usado no texto pois creio que faz parte da dificuldade de aproximação, ao menos nas grandes cidades do Brasil, entre artistas engajados e classe trabalhadora. É uma decorrência direta daquilo que você comentou sobre a industria cultural o fato de que esta industria captura os artistas que surgem no meio da classe trabalhadora, se aproveita do &quot;dialeto&quot; e da comunicação facilitada entre este artista e a sua própria classe para então vendê-lo como produto para este novo mercado. Aqui o intermediário é a própria industria e não o intérprete, que poderia, supostamente, subir no caixote e cantar nas ruas do próprio bairro a vida vivida ali. Mas no mundo de hoje subir num caixote para cantar alto é melhor traduzido por entrar na internet.

Este CD feito por um conjunto argentino é muito bem feito e traz versões lindas de músicas de resistência. Mas é inegável o verniz de coisa do passado: quantos trabalhadores hoje em dia realmente se identificam com essas músicas? Resgatar a importância da história é uma das tarefas, a outra seria aprender a construir juntos as novas músicas de resistência por meio dos novos dialetos da classe trabalhadora.

http://grooveshark.com/album/Rojo+Y+Negro/5251338]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É que fico pensando, João, se concordo em nomear o processo de &#8220;desnaturação&#8221;, o que estaria sendo desnaturado nesse processo. A versão é algo que sempre esteve à mão dos setores populares que produzem arte, e se a industria cultural se utiliza disso não é apenas para extrair seus excedentes, mas também porque esta é uma linguagem a qual a população está acostumada. Me parece, no entanto, que aquilo para o que você chama atenção é o encontro feliz entre os setores proletários e um coletivo de artistas que propunha uma produção estética profunda e erudita.<br />
De fato estamos um pouco distantes de um tal encontro, quando as pessoas que se dizem de esquerda afirmam que entre Michel Teló e Mozart há apenas as preferências e gostos individuais e que respeitar isso é ter uma visão igualitária da sociedade.</p>
<p>Me prendi ao aspecto da enunciação e do enunciado do exemplo usado no texto pois creio que faz parte da dificuldade de aproximação, ao menos nas grandes cidades do Brasil, entre artistas engajados e classe trabalhadora. É uma decorrência direta daquilo que você comentou sobre a industria cultural o fato de que esta industria captura os artistas que surgem no meio da classe trabalhadora, se aproveita do &#8220;dialeto&#8221; e da comunicação facilitada entre este artista e a sua própria classe para então vendê-lo como produto para este novo mercado. Aqui o intermediário é a própria industria e não o intérprete, que poderia, supostamente, subir no caixote e cantar nas ruas do próprio bairro a vida vivida ali. Mas no mundo de hoje subir num caixote para cantar alto é melhor traduzido por entrar na internet.</p>
<p>Este CD feito por um conjunto argentino é muito bem feito e traz versões lindas de músicas de resistência. Mas é inegável o verniz de coisa do passado: quantos trabalhadores hoje em dia realmente se identificam com essas músicas? Resgatar a importância da história é uma das tarefas, a outra seria aprender a construir juntos as novas músicas de resistência por meio dos novos dialetos da classe trabalhadora.</p>
<p><a href="http://grooveshark.com/album/Rojo+Y+Negro/5251338" rel="nofollow ugc">http://grooveshark.com/album/Rojo+Y+Negro/5251338</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcos Antônio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-167749</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos Antônio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jan 2014 17:54:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O &quot;submundo&quot; do crime organizado ajudou a oferecer um dique de contenção às experiências do operariado que ajudavam a instrumentalizá-lo na luta política e social. A crueldade deste submundo foi absorvida e usada pelo fascismo. E a transformação de um grito de indignação, através da arte, que é a obra aqui analisada, num kitsch tocado até em cerimônia da nobreza, revela uma incrível (e infeliz) capacidade que o capitalismo tem de tudo transformar em mercadoria consumível. Para ser consumível, tem de perder a &quot;aura&quot;, tem de ser exposição de vitrine, e não experiência significativa. Gostei da análise.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O &#8220;submundo&#8221; do crime organizado ajudou a oferecer um dique de contenção às experiências do operariado que ajudavam a instrumentalizá-lo na luta política e social. A crueldade deste submundo foi absorvida e usada pelo fascismo. E a transformação de um grito de indignação, através da arte, que é a obra aqui analisada, num kitsch tocado até em cerimônia da nobreza, revela uma incrível (e infeliz) capacidade que o capitalismo tem de tudo transformar em mercadoria consumível. Para ser consumível, tem de perder a &#8220;aura&#8221;, tem de ser exposição de vitrine, e não experiência significativa. Gostei da análise.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Simone		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/12/87654/#comment-167725</link>

		<dc:creator><![CDATA[Simone]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jan 2014 16:32:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=87654#comment-167725</guid>

					<description><![CDATA[Parabéns ao autor pelo texto e ao PP pela postagem!
 
Oxalá que este tema volte a ser assumido pela Esquerda com a ternura e com a profundidade da reflexão realizada pelos comentadores acima. Um excelente e interessante debate para o ano que se inicia...

Abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns ao autor pelo texto e ao PP pela postagem!</p>
<p>Oxalá que este tema volte a ser assumido pela Esquerda com a ternura e com a profundidade da reflexão realizada pelos comentadores acima. Um excelente e interessante debate para o ano que se inicia&#8230;</p>
<p>Abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
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