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	Comentários sobre: Apropriação do poder político e superação do Estado na transição socialista. 8) superar o Estado, só pela autogestão	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Edi Augusto Benini		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/88965/#comment-168107</link>

		<dc:creator><![CDATA[Edi Augusto Benini]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jan 2014 13:16:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estimado Pablo

Estava esperando ansiosamente por este ultimo artigo da sua série para tecer alguns comentários. Genial!

Primeiro queria explicitar minha satisfação de ler um conteúdo tão bem articulado e com questões de extrema relevância, na perspectiva das lutas emancipatórias.


Nessa perspectiva, se me permite, gostaria que você (como também o PP e seus leitores), conhecessem nossa modesta iniciativa (pequeno grupo), advindos do campo do trabalho associado e das tentativas de autogestão (situados inicialmente na economia solidária e na reforma agrária), porém analisando criticamente e dialeticamente tais movimentos, a luz das problemáticas, apontadas por Mészáros (igualmente como tu colocaste de forma brilhante), da reversão e superação do capital (ou mais especificamente, das suas mediações de segunda ordem por novas mediações, adequadas ontologicamente a um projeto efetivamente libertário), e o principal obstáculo para isso, à alienação sobre o trabalho. 

Essa iniciativa, que está formando um coletivo de luta, chamamos Via SOT (http://viasot.wix.com/autogestao).

Em síntese vemos, talvez, uma possibilidade histórica de iniciar a construção de novas mediações e instituições societais, nas próprias tentativas atuais de autogestão do trabalho associado, nesses dois elementos potenciais de transformação: de negar a alienação sobre o trabalho (inclusive o Estado), e afirmar um novo sistema sociometabólico que aponte o horizonte libertário de um sistema comunal dos trabalhadores livremente associados, numa processualidade densamente “qualitativa” (novas mediações como ponto inicial de luta), e do ponto de vista de transição, “quantitativa” (no sentido de inúmeras lutas pela re-apropriação de recursos e meios de produção, e, principalmente, da “associação” dos trabalhadores, antes dependentes de formas alienadas – assalariadas de trabalho, desde um ou vários pontos iniciais de ruptura ou primeiras comunas até um sistema comunal global). 

Claro que é uma proposta em construção, uma alternativa a ser (ou não) colocada em movimento, uma opção de luta conforme as condições históricas e o engajamento concreto dos trabalhadores. Trata-se de um projeto, mas um projeto alicerçado nas múltiplas problemáticas de transição, aonde simultaneamente haja o fenecimento do Estado, e a superação das mediações de segunda ordem do capital.

Se eu entendi bem, creio que as questões que a proposta da Via SOT esta colocando convergem perfeitamente com o que me parece ser a tese central que defendeu nessa séria, a de que o Estado deve ser, simultaneamente, enfrentado e enfraquecido pela luta política (negação do capital), mas pari passu a tal enfrentamento, é necessário  promover ou viabilizar a sua substituição por um outro sistema sociometabólico (afirmação do trabalho associado). 

Sem dúvida ambos os movimentos então (ou precisam estar) intimamente relacionados. Ou como Mészáros enfatiza, trata-se de múltiplos e combinados ataques. A chave que destacamos é entendermos porque, até o presente momento, as tentativas de autogestão não lograram um processo histórico de efetiva ampliação e aprofundamento da sua materialização societal, e essa chave, reforçando o que colocaste, está justamente nas mediações de segunda ordem do capital. Como Mészáros insiste em vários momentos da sua produção teórica, é necessário constituir novas mediações e instituições que suportem um processo concreto de transformação societal. É justamente aqui que argumentamos que a armadilha das atuais tentativas do trabalho associado é que o mesmo ainda está “capenga” dessa sustentação ontológica, continuando a reproduzir o intercâmbio mercantil (e a lei do valor), bem como a propriedade privada (disfarçada de propriedade social de grupos), logo, toda a ambiguidade de ideologias e práticas capitalistas, típica da alienação capitalista ou do capital. Se não me engano, João Bernardo também ressalta essa ambiguidade de lutas políticas tendo como base material produtiva o trabalho assalariado, logo, uma luta por parcelas de mais valia, e não pela superação da própria sociabilidade capitalista.

Nossa proposta inicial, posta para o debate (do coletivo Via SOT) é justamente a de substituir a propriedade de grupos para uma forma orgânica e universal de propriedade social, ou seja, a instituição de uma “propriedade orgânica” para o trabalho associado, e reverter de imediato à dinâmica mercantil e a lei do valor pela instituição da mediação chamada “renda sistêmica” - uma indexação direta e autorregulada entre produto global e necessidades globais dos trabalhadores livremente (e organicamente) associados. E, advogamos, já temos elementos suficientes hoje para iniciar tal processo, desde que pelo menos alguns trabalhadores, “proprietários” coletivos de alguns meios de produção, queiram se livrar desses grilhões envenenados (mediações do capital)...

Bom, são apenas pequenas contribuições a este importantíssimo debate que o Pablo nos brinda. Perdão se foi muito extenso. Grato.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estimado Pablo</p>
<p>Estava esperando ansiosamente por este ultimo artigo da sua série para tecer alguns comentários. Genial!</p>
<p>Primeiro queria explicitar minha satisfação de ler um conteúdo tão bem articulado e com questões de extrema relevância, na perspectiva das lutas emancipatórias.</p>
<p>Nessa perspectiva, se me permite, gostaria que você (como também o PP e seus leitores), conhecessem nossa modesta iniciativa (pequeno grupo), advindos do campo do trabalho associado e das tentativas de autogestão (situados inicialmente na economia solidária e na reforma agrária), porém analisando criticamente e dialeticamente tais movimentos, a luz das problemáticas, apontadas por Mészáros (igualmente como tu colocaste de forma brilhante), da reversão e superação do capital (ou mais especificamente, das suas mediações de segunda ordem por novas mediações, adequadas ontologicamente a um projeto efetivamente libertário), e o principal obstáculo para isso, à alienação sobre o trabalho. </p>
<p>Essa iniciativa, que está formando um coletivo de luta, chamamos Via SOT (<a href="http://viasot.wix.com/autogestao" rel="nofollow ugc">http://viasot.wix.com/autogestao</a>).</p>
<p>Em síntese vemos, talvez, uma possibilidade histórica de iniciar a construção de novas mediações e instituições societais, nas próprias tentativas atuais de autogestão do trabalho associado, nesses dois elementos potenciais de transformação: de negar a alienação sobre o trabalho (inclusive o Estado), e afirmar um novo sistema sociometabólico que aponte o horizonte libertário de um sistema comunal dos trabalhadores livremente associados, numa processualidade densamente “qualitativa” (novas mediações como ponto inicial de luta), e do ponto de vista de transição, “quantitativa” (no sentido de inúmeras lutas pela re-apropriação de recursos e meios de produção, e, principalmente, da “associação” dos trabalhadores, antes dependentes de formas alienadas – assalariadas de trabalho, desde um ou vários pontos iniciais de ruptura ou primeiras comunas até um sistema comunal global). </p>
<p>Claro que é uma proposta em construção, uma alternativa a ser (ou não) colocada em movimento, uma opção de luta conforme as condições históricas e o engajamento concreto dos trabalhadores. Trata-se de um projeto, mas um projeto alicerçado nas múltiplas problemáticas de transição, aonde simultaneamente haja o fenecimento do Estado, e a superação das mediações de segunda ordem do capital.</p>
<p>Se eu entendi bem, creio que as questões que a proposta da Via SOT esta colocando convergem perfeitamente com o que me parece ser a tese central que defendeu nessa séria, a de que o Estado deve ser, simultaneamente, enfrentado e enfraquecido pela luta política (negação do capital), mas pari passu a tal enfrentamento, é necessário  promover ou viabilizar a sua substituição por um outro sistema sociometabólico (afirmação do trabalho associado). </p>
<p>Sem dúvida ambos os movimentos então (ou precisam estar) intimamente relacionados. Ou como Mészáros enfatiza, trata-se de múltiplos e combinados ataques. A chave que destacamos é entendermos porque, até o presente momento, as tentativas de autogestão não lograram um processo histórico de efetiva ampliação e aprofundamento da sua materialização societal, e essa chave, reforçando o que colocaste, está justamente nas mediações de segunda ordem do capital. Como Mészáros insiste em vários momentos da sua produção teórica, é necessário constituir novas mediações e instituições que suportem um processo concreto de transformação societal. É justamente aqui que argumentamos que a armadilha das atuais tentativas do trabalho associado é que o mesmo ainda está “capenga” dessa sustentação ontológica, continuando a reproduzir o intercâmbio mercantil (e a lei do valor), bem como a propriedade privada (disfarçada de propriedade social de grupos), logo, toda a ambiguidade de ideologias e práticas capitalistas, típica da alienação capitalista ou do capital. Se não me engano, João Bernardo também ressalta essa ambiguidade de lutas políticas tendo como base material produtiva o trabalho assalariado, logo, uma luta por parcelas de mais valia, e não pela superação da própria sociabilidade capitalista.</p>
<p>Nossa proposta inicial, posta para o debate (do coletivo Via SOT) é justamente a de substituir a propriedade de grupos para uma forma orgânica e universal de propriedade social, ou seja, a instituição de uma “propriedade orgânica” para o trabalho associado, e reverter de imediato à dinâmica mercantil e a lei do valor pela instituição da mediação chamada “renda sistêmica” &#8211; uma indexação direta e autorregulada entre produto global e necessidades globais dos trabalhadores livremente (e organicamente) associados. E, advogamos, já temos elementos suficientes hoje para iniciar tal processo, desde que pelo menos alguns trabalhadores, “proprietários” coletivos de alguns meios de produção, queiram se livrar desses grilhões envenenados (mediações do capital)&#8230;</p>
<p>Bom, são apenas pequenas contribuições a este importantíssimo debate que o Pablo nos brinda. Perdão se foi muito extenso. Grato.</p>
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