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	Comentários sobre: A periferia europeia como laboratório político	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Jun 2014 13:01:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Kapital&#038;Estado são a doença. O resto é pretexto para lucrar, vendendo pseudo-soluções para falsos problemas e remédios que matam o doente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Kapital&amp;Estado são a doença. O resto é pretexto para lucrar, vendendo pseudo-soluções para falsos problemas e remédios que matam o doente&#8230;</p>
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		<title>
		Por: e soares		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-237714</link>

		<dc:creator><![CDATA[e soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jun 2014 17:34:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma análise social-democrata isolada do contexto histórico e mundial: a) a crise geral do modo de produção capitalista que na sua fase monopolista e imperialista deixa para trás o bem estar das pessoas e tudo faz pela acumulação dos lucros, mais fácil nos movimentos financeiros especulativos e na baixa dos rendimentos do factor trabalho (prestações sociais incluidas); b) emergência de zonas de desenvolvimento económico concorrentes com o ocidente e dispostas a politicamente não se submeterem ao &quot;ocidente&quot; e a pensarem as relações sociais dum modo não-capitalista;c)a &quot;nova ordem&quot; estadunidense começa a ser uma velha ordem que países com a maioria da população e do pib mundial não estão dispostas a aceitar. O capitalismo tem uma última hipótese de ajustamento antes de ter de se transformar radicalmente passando a um modo de produção humano e a favor de todos os cidadãos.
O cenário europeu é o campo p/ onde os eeuu exportaram a sua guerra contra paises desenvolvidos e com estados em estádio superior ao seu, para porem a europa sem capacidade política (como se viu e vê no caso da ucrânia) e com um desenvolvimento económico que washington sempre vigiará.
Mas sempre se tem de referir a crise capitalista actual que os estados burgueses fazem pagar aos cidadãos, como reflexo da sua actuação dictatorial em defesa do capital transnacional monopolista, bárbaro e profundamente não-humanista e contra a natureza.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma análise social-democrata isolada do contexto histórico e mundial: a) a crise geral do modo de produção capitalista que na sua fase monopolista e imperialista deixa para trás o bem estar das pessoas e tudo faz pela acumulação dos lucros, mais fácil nos movimentos financeiros especulativos e na baixa dos rendimentos do factor trabalho (prestações sociais incluidas); b) emergência de zonas de desenvolvimento económico concorrentes com o ocidente e dispostas a politicamente não se submeterem ao &#8220;ocidente&#8221; e a pensarem as relações sociais dum modo não-capitalista;c)a &#8220;nova ordem&#8221; estadunidense começa a ser uma velha ordem que países com a maioria da população e do pib mundial não estão dispostas a aceitar. O capitalismo tem uma última hipótese de ajustamento antes de ter de se transformar radicalmente passando a um modo de produção humano e a favor de todos os cidadãos.<br />
O cenário europeu é o campo p/ onde os eeuu exportaram a sua guerra contra paises desenvolvidos e com estados em estádio superior ao seu, para porem a europa sem capacidade política (como se viu e vê no caso da ucrânia) e com um desenvolvimento económico que washington sempre vigiará.<br />
Mas sempre se tem de referir a crise capitalista actual que os estados burgueses fazem pagar aos cidadãos, como reflexo da sua actuação dictatorial em defesa do capital transnacional monopolista, bárbaro e profundamente não-humanista e contra a natureza.</p>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-181366</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Feb 2014 18:05:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto é muito bom e descreve com total acerto o desafio que está em cima da mesa: «Numa situação de desemprego maciço e de precariedade, o desenvolvimento em curso de tácticas de luta de classes eficazes, como bloqueios, ocupações, greves espontâneas, sabotagens, expropriações e motins, pode aproveitar-se da vulnerabilidade do sistema para espalhar a ilegalidade, servindo de pólo para a reconstituição política da classe trabalhadora, ultrapassando a sua fragmentação e retirando a iniciativa à classe dominante».

Enquanto este artigo tem a lucidez de lembrar que quem continua a deter a iniciativa no actual contexto europeu é a classe dominante, ainda há muita gente que se digna a dizer que o capitalismo estaria ligado à máquina, perto do colapso, etc. Existem fragilidades, como o artigo aponta, mas elas são, neste momento, mais resultado de algumas dificuldades e desavenças dos dominantes do que propriamente produto da acção das lutas sociais. E existem fragilidades mas também existem forças. E o facto de o capitalismo estar a conseguir impor um maciço programa de austeridade sem ter o seu poder em perigo, só demonstra que é a classe dominante que detém a iniciativa.

E isto leva-me para outra questão que me parece ser pouco discutida à esquerda. Se grande parte da esquerda rejeita, e bem, o neoliberalismo, também é verdade que a crítica da esmagadora maioria da esquerda ao neoliberalismo é feita unicamente a partir de uma visão proteccionista, defensora da mais-valia absoluta e estatizante (e aqui não me refiro aos serviços públicos de saúde e educação mas à noção de que o Estado pode financiar défices indefinidamente com uma política monetária à la venezuelana, relançar o proteccionismo, etc.).

É da minha opinião que o sucesso futuro das lutas sociais passará tanto pela derrota dos actuais dominantes como pela crítica das noções que de dentro da esquerda mais não são do que formas de fragmentação política e ideológica dos trabalhadores. Ora, se o futuro das lutas sociais terá de ir «contra a nação e para além da Europa» neoliberal, então a crítica terá de ser feita simultaneamente aos capitalistas e às organizações da esquerda que mais não farão do que levar a cabo formas de «cooptação e integração como identidade radical», onde o nacionalismo surge como o cimento ideológico que cola a rebeldia dos trabalhadores a intenções de reconstrução de modalidades capitalistas ainda mais miseráveis do que as neoliberais.

Em suma, e aqui não me refiro necessariamente a este artigo mas a uma atitude geral de pessoas de esquerda que até se consideram simpáticas com um projecto supranacional, de que serve criticar apenas um dos lados da equação e deixar praticamente incólume o estatismo e o proteccionismo da maioria da esquerda. Concepções que tanto permeiam  partidos herdeiros da linha soviética, trotsquistas de todos os  matizes, sindicatos de todo o tipo, movimentos de indignados, movimentos sociais, mesmo alguns agrupamentos anarquistas, etc.

Se porventura se alargarem as fragilidades do capitalismo neoliberal, temo que quem ganhará com isso será ou a extrema-direita ou a esquerda nacionalista em geral. A europa das nações livres e soberanas é o tema que une numa mesma teia nacionalismos de diferentes proveniências políticas. E se a soma de nações livres e soberanas é o internacionalismo da actual esquerda, em termos de concorrência política entre nacionalismos, dificilmente a esquerda que diz à boca cheia querer competir com a extrema-direita pelos temas da nação e do social (http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/01/depois-queixem-se.html) poderá pensar bater os fascistas no seu próprio terreno. Além de politicamente nacionalista, essa esquerda não apenas está a formar uma nova geração de activistas que mais não fazem do que reproduzir o esquema das nações proletárias contra as nações plutocráticas. Além disto, esta esquerda consegue ainda ser politicamente inconsciente se pensa que pode disputar a bandeira da nação. Essa é uma bandeira que rola sempre para situações como as dos trabalhadores britânicos que há uns anos queriam expulsar e bater em trabalhadores portugueses e italianos. Quando a esquerda quer que cada povo tome conta de si mesmo é também da multiplicação de situações como a que descrevi que estamos a falar. Se essa esquerda e/ou a extrema-direita tomassem o poder, a situação muito bem descrita no artigo de que «a crescente mobilidade do trabalho, juntamente com as viagens de avião de baixo preço e todo o tipo de meios de comunicação fornecidos pela internet, podem ajudar-nos a forjar um novo internacionalismo»  seria de todo impossível. Seja em que forma for, a vitória do nacionalismo só impediria que os actuais rudimentos de internacionalismo existentes se esfumassem e ficassem numa situação objectiva muito mais complicada de se poder desenvolver. Este nacionalismo expandirá exponencialmente a «economia do medo» descrita no artigo.

Em suma, quando se fala de neoliberalismo e das alternativas mais sonantes na maioria da esquerda, é de todo um mesmo paradigma que estamos a falar, de pólos de um mesmo campo, e não de projectos políticos antagónicos. Termino, por isso, com a questão que iniciei esta discussão, porque a esquerda apenas oferece um projecto tão ou mais tenebroso do que a miséria na qual vivemos hoje?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto é muito bom e descreve com total acerto o desafio que está em cima da mesa: «Numa situação de desemprego maciço e de precariedade, o desenvolvimento em curso de tácticas de luta de classes eficazes, como bloqueios, ocupações, greves espontâneas, sabotagens, expropriações e motins, pode aproveitar-se da vulnerabilidade do sistema para espalhar a ilegalidade, servindo de pólo para a reconstituição política da classe trabalhadora, ultrapassando a sua fragmentação e retirando a iniciativa à classe dominante».</p>
<p>Enquanto este artigo tem a lucidez de lembrar que quem continua a deter a iniciativa no actual contexto europeu é a classe dominante, ainda há muita gente que se digna a dizer que o capitalismo estaria ligado à máquina, perto do colapso, etc. Existem fragilidades, como o artigo aponta, mas elas são, neste momento, mais resultado de algumas dificuldades e desavenças dos dominantes do que propriamente produto da acção das lutas sociais. E existem fragilidades mas também existem forças. E o facto de o capitalismo estar a conseguir impor um maciço programa de austeridade sem ter o seu poder em perigo, só demonstra que é a classe dominante que detém a iniciativa.</p>
<p>E isto leva-me para outra questão que me parece ser pouco discutida à esquerda. Se grande parte da esquerda rejeita, e bem, o neoliberalismo, também é verdade que a crítica da esmagadora maioria da esquerda ao neoliberalismo é feita unicamente a partir de uma visão proteccionista, defensora da mais-valia absoluta e estatizante (e aqui não me refiro aos serviços públicos de saúde e educação mas à noção de que o Estado pode financiar défices indefinidamente com uma política monetária à la venezuelana, relançar o proteccionismo, etc.).</p>
<p>É da minha opinião que o sucesso futuro das lutas sociais passará tanto pela derrota dos actuais dominantes como pela crítica das noções que de dentro da esquerda mais não são do que formas de fragmentação política e ideológica dos trabalhadores. Ora, se o futuro das lutas sociais terá de ir «contra a nação e para além da Europa» neoliberal, então a crítica terá de ser feita simultaneamente aos capitalistas e às organizações da esquerda que mais não farão do que levar a cabo formas de «cooptação e integração como identidade radical», onde o nacionalismo surge como o cimento ideológico que cola a rebeldia dos trabalhadores a intenções de reconstrução de modalidades capitalistas ainda mais miseráveis do que as neoliberais.</p>
<p>Em suma, e aqui não me refiro necessariamente a este artigo mas a uma atitude geral de pessoas de esquerda que até se consideram simpáticas com um projecto supranacional, de que serve criticar apenas um dos lados da equação e deixar praticamente incólume o estatismo e o proteccionismo da maioria da esquerda. Concepções que tanto permeiam  partidos herdeiros da linha soviética, trotsquistas de todos os  matizes, sindicatos de todo o tipo, movimentos de indignados, movimentos sociais, mesmo alguns agrupamentos anarquistas, etc.</p>
<p>Se porventura se alargarem as fragilidades do capitalismo neoliberal, temo que quem ganhará com isso será ou a extrema-direita ou a esquerda nacionalista em geral. A europa das nações livres e soberanas é o tema que une numa mesma teia nacionalismos de diferentes proveniências políticas. E se a soma de nações livres e soberanas é o internacionalismo da actual esquerda, em termos de concorrência política entre nacionalismos, dificilmente a esquerda que diz à boca cheia querer competir com a extrema-direita pelos temas da nação e do social (<a href="http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/01/depois-queixem-se.html" rel="nofollow ugc">http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/01/depois-queixem-se.html</a>) poderá pensar bater os fascistas no seu próprio terreno. Além de politicamente nacionalista, essa esquerda não apenas está a formar uma nova geração de activistas que mais não fazem do que reproduzir o esquema das nações proletárias contra as nações plutocráticas. Além disto, esta esquerda consegue ainda ser politicamente inconsciente se pensa que pode disputar a bandeira da nação. Essa é uma bandeira que rola sempre para situações como as dos trabalhadores britânicos que há uns anos queriam expulsar e bater em trabalhadores portugueses e italianos. Quando a esquerda quer que cada povo tome conta de si mesmo é também da multiplicação de situações como a que descrevi que estamos a falar. Se essa esquerda e/ou a extrema-direita tomassem o poder, a situação muito bem descrita no artigo de que «a crescente mobilidade do trabalho, juntamente com as viagens de avião de baixo preço e todo o tipo de meios de comunicação fornecidos pela internet, podem ajudar-nos a forjar um novo internacionalismo»  seria de todo impossível. Seja em que forma for, a vitória do nacionalismo só impediria que os actuais rudimentos de internacionalismo existentes se esfumassem e ficassem numa situação objectiva muito mais complicada de se poder desenvolver. Este nacionalismo expandirá exponencialmente a «economia do medo» descrita no artigo.</p>
<p>Em suma, quando se fala de neoliberalismo e das alternativas mais sonantes na maioria da esquerda, é de todo um mesmo paradigma que estamos a falar, de pólos de um mesmo campo, e não de projectos políticos antagónicos. Termino, por isso, com a questão que iniciei esta discussão, porque a esquerda apenas oferece um projecto tão ou mais tenebroso do que a miséria na qual vivemos hoje?</p>
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		<title>
		Por: Campos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-180934</link>

		<dc:creator><![CDATA[Campos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jan 2014 00:46:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Paulo, não me parece que seja essa a visão de Wallerstein, a de que a periferia seria atrasada por não aceitar o liberalismo avançado do centro. Esses são termos seus. 
Precisamente, a obra de Foucault que cita demonstra que o neoliberalismo não é um retorno ao liberalismo clássico, mas uma refundação do mesmo no contexto do capitalismo tardio. 
Mas há muito mais bibliografia recente que vai nesse sentido e desenvolve as hipóteses desse livro. Eu tenho-me entretido com este, que está longe de esgotar o assunto, mas que recomendo vivamente. http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674033184
Quanto à ideia de que as periferias devem investir na sua capacidade concorrecial produtiva face ao centro, parece-me uma afirmação de inspiração neoliberal. O neoliberalismo não é uma continuação do imperialismo por outros meios, mas algo muito mais complexo e refinado. Acabo de o identificar nas suas palavras, embora presuma que não seja essa a sua intenção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Paulo, não me parece que seja essa a visão de Wallerstein, a de que a periferia seria atrasada por não aceitar o liberalismo avançado do centro. Esses são termos seus.<br />
Precisamente, a obra de Foucault que cita demonstra que o neoliberalismo não é um retorno ao liberalismo clássico, mas uma refundação do mesmo no contexto do capitalismo tardio.<br />
Mas há muito mais bibliografia recente que vai nesse sentido e desenvolve as hipóteses desse livro. Eu tenho-me entretido com este, que está longe de esgotar o assunto, mas que recomendo vivamente. <a href="http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674033184" rel="nofollow ugc">http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674033184</a><br />
Quanto à ideia de que as periferias devem investir na sua capacidade concorrecial produtiva face ao centro, parece-me uma afirmação de inspiração neoliberal. O neoliberalismo não é uma continuação do imperialismo por outros meios, mas algo muito mais complexo e refinado. Acabo de o identificar nas suas palavras, embora presuma que não seja essa a sua intenção.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Henrique Schlickmann		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-179871</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique Schlickmann]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2014 12:37:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Prezado Campos, gostei do seu artigo, considero-o fundamentado e elucidativo. Entretanto corroboro relativamente com o Gustavo, apesar de entender que seu artigo trata especificamente do atual estágio de desenvolvimento do capitalismo europeu, não do século XIX, como seu crítico tenta resgatar. Apesar disso fica minha ressalva sobre sua chave de leitura “sistema-mundo” do Wallerstain, que é uma visão do centro “imposta” à periferia, ou seja, a periferia é atrasada por não aceitar o “liberalismo avançado do centro”. Escrevo isso com profundo repúdio ao conceito “sistema mundo”. Hoje o centro não impõe um liberalismo mais avançado, nem reluta ao atraso da periferia, trata-se de outro viés. Em O Nascimento da Biopolítica, Foucault demonstrou que esse movimento é iniciado na década de 70 e é chamado NEOLIBERALISMO e que tem como pano de fundo a ampliação da concorrência em todos os níveis da vida humana, seja econômico, político ou social. Nesse sentido eu proponho que o centro capitalista, vinha perdendo competitividade produtiva diante a periferia, nos últimos 30 anos, então promove uma reação financeira que ampliará sua capacidade concorrencial diante a mesma periferia (arrocho salarial, reestruturação, financeirização extremada, etc.). Dessa forma, vejo que o sistema mundo, pouco tem de sistema, mas sim é neoliberal concorrencial, caso as periferias não invistam na sua capacidade concorrencial produtiva frente ao neoliberalismo avançado do centro, permanecermos subjulgados a ele. Isso envolve poder, luta de classes, desenvolvimento econômico e combate ao atraso tecno produtivo e financeiro (que o centro vem impondo) por parte da periferia. Ou seja, não se trata de periferia atrasada em todos os aspectos, mas, sobretudo no aspecto financeiro, no aparelhamento financeirista sobre o desenvolvimento produtivo. Já o liberalismo não passa de aparato ideológico, assim como o humanismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado Campos, gostei do seu artigo, considero-o fundamentado e elucidativo. Entretanto corroboro relativamente com o Gustavo, apesar de entender que seu artigo trata especificamente do atual estágio de desenvolvimento do capitalismo europeu, não do século XIX, como seu crítico tenta resgatar. Apesar disso fica minha ressalva sobre sua chave de leitura “sistema-mundo” do Wallerstain, que é uma visão do centro “imposta” à periferia, ou seja, a periferia é atrasada por não aceitar o “liberalismo avançado do centro”. Escrevo isso com profundo repúdio ao conceito “sistema mundo”. Hoje o centro não impõe um liberalismo mais avançado, nem reluta ao atraso da periferia, trata-se de outro viés. Em O Nascimento da Biopolítica, Foucault demonstrou que esse movimento é iniciado na década de 70 e é chamado NEOLIBERALISMO e que tem como pano de fundo a ampliação da concorrência em todos os níveis da vida humana, seja econômico, político ou social. Nesse sentido eu proponho que o centro capitalista, vinha perdendo competitividade produtiva diante a periferia, nos últimos 30 anos, então promove uma reação financeira que ampliará sua capacidade concorrencial diante a mesma periferia (arrocho salarial, reestruturação, financeirização extremada, etc.). Dessa forma, vejo que o sistema mundo, pouco tem de sistema, mas sim é neoliberal concorrencial, caso as periferias não invistam na sua capacidade concorrencial produtiva frente ao neoliberalismo avançado do centro, permanecermos subjulgados a ele. Isso envolve poder, luta de classes, desenvolvimento econômico e combate ao atraso tecno produtivo e financeiro (que o centro vem impondo) por parte da periferia. Ou seja, não se trata de periferia atrasada em todos os aspectos, mas, sobretudo no aspecto financeiro, no aparelhamento financeirista sobre o desenvolvimento produtivo. Já o liberalismo não passa de aparato ideológico, assim como o humanismo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-179829</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2014 10:26:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois da leitura do trecho desse volume que está disponível no sítio indicado por você, destaco a definição de liberalismo enquanto ideologia (em oposição ao liberalismo enquanto filosofia política) - ou seja, enquanto programa político, enquanto estratégia, para dar conta das demandas de soberania popular. Nesse sentido, o liberalismo propunha a &quot;&lt;i&gt;necessidade de empreender reformas conscientes e inteligentes, de forma contínua&lt;/i&gt;&quot;.
De acordo com essa leitura, penso que é a partir deste liberalismo ideológico que uma Inglaterra aceita sem muita reclamação &quot;perder&quot; todas as colônias que havia conquistado até então em África e na Ásia (se não me engano, o maior Império colonial de todos), e que os Estados Unidos apoiam, por exemplo, movimentos de libertação das colônias portuguesas no início da década de 60, ao mesmo tempo que têm em Portugal um aliado (aliado de pouco peso, mas estratégico do ponto de vista geopolítico, como importante base operacional da OTAN).
Já o Portugal salazarista (o regime que se volta, com força, à exploração das colônias africanas, até então esquecidas depois do fim da escravidão), de acordo com a a leitura de Wallerstein, estaria no campo da ideologia conservadora, na sua rejeição aos valores modernos, o que explica a enorme resistência que colocou à libertação das suas colônias em África - &quot;&lt;a href=&quot;http://www.ipri.pt/investigadores/artigo.php?idi=8&#038;ida=140&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Orgulhosamente sós!&lt;/a&gt; &quot;.
Enfim, isto para recolocar as questões que eu trouxe - e que de fato não têm nada a ver com o seu texto - sob a ótica de Wallerstein.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois da leitura do trecho desse volume que está disponível no sítio indicado por você, destaco a definição de liberalismo enquanto ideologia (em oposição ao liberalismo enquanto filosofia política) &#8211; ou seja, enquanto programa político, enquanto estratégia, para dar conta das demandas de soberania popular. Nesse sentido, o liberalismo propunha a &#8220;<i>necessidade de empreender reformas conscientes e inteligentes, de forma contínua</i>&#8220;.<br />
De acordo com essa leitura, penso que é a partir deste liberalismo ideológico que uma Inglaterra aceita sem muita reclamação &#8220;perder&#8221; todas as colônias que havia conquistado até então em África e na Ásia (se não me engano, o maior Império colonial de todos), e que os Estados Unidos apoiam, por exemplo, movimentos de libertação das colônias portuguesas no início da década de 60, ao mesmo tempo que têm em Portugal um aliado (aliado de pouco peso, mas estratégico do ponto de vista geopolítico, como importante base operacional da OTAN).<br />
Já o Portugal salazarista (o regime que se volta, com força, à exploração das colônias africanas, até então esquecidas depois do fim da escravidão), de acordo com a a leitura de Wallerstein, estaria no campo da ideologia conservadora, na sua rejeição aos valores modernos, o que explica a enorme resistência que colocou à libertação das suas colônias em África &#8211; &#8220;<a href="http://www.ipri.pt/investigadores/artigo.php?idi=8&amp;ida=140" rel="nofollow">Orgulhosamente sós!</a> &#8220;.<br />
Enfim, isto para recolocar as questões que eu trouxe &#8211; e que de fato não têm nada a ver com o seu texto &#8211; sob a ótica de Wallerstein.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-179801</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2014 08:46:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Obrigado]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Campos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-179612</link>

		<dc:creator><![CDATA[Campos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2014 18:55:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Penso que não. O livro sobre o liberalismo é o IV volume da obra, abarcando o século XIX. O livro que menciona corresponderá a um resumo dos dois primeiros volumes, sobre a formação do sistema-mundo moderno (esta tradução literal do termo original fica um bocado estranha)a partir do século XVI. Tratam da acumulação primitiva, enquanto o IV Volume abarca um período de consolidação da ordem capitalista por via da construção do Estado moderno na Europa e o seu impacto sucessivo no resto do planeta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Penso que não. O livro sobre o liberalismo é o IV volume da obra, abarcando o século XIX. O livro que menciona corresponderá a um resumo dos dois primeiros volumes, sobre a formação do sistema-mundo moderno (esta tradução literal do termo original fica um bocado estranha)a partir do século XVI. Tratam da acumulação primitiva, enquanto o IV Volume abarca um período de consolidação da ordem capitalista por via da construção do Estado moderno na Europa e o seu impacto sucessivo no resto do planeta.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-178383</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2014 18:12:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É verdade, fiz confusão, obrigado pelo esclarecimento e pela paciência.

Na impossibilidade momentânea de adquirir e ler obra tão monumental, acha que este livro do Wallerstein, &lt;a href=&quot;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&#038;pid=S1981-77462003000100013&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;CAPITALISMO HISTORICO E CIVILIZAÇAO CAPITALISTA&lt;/a&gt;, pode servir de substituto para um melhor entendimento dessa perspectiva sobre a ideologia do liberalismo? De acordo com a descrição dele, pretende ser um resumo dessa obra que você recomendou...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É verdade, fiz confusão, obrigado pelo esclarecimento e pela paciência.</p>
<p>Na impossibilidade momentânea de adquirir e ler obra tão monumental, acha que este livro do Wallerstein, <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1981-77462003000100013" rel="nofollow">CAPITALISMO HISTORICO E CIVILIZAÇAO CAPITALISTA</a>, pode servir de substituto para um melhor entendimento dessa perspectiva sobre a ideologia do liberalismo? De acordo com a descrição dele, pretende ser um resumo dessa obra que você recomendou&#8230;</p>
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		Por: Campos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90675/#comment-178349</link>

		<dc:creator><![CDATA[Campos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2014 16:53:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mas Gustavo, a sua preocupação, perfeitamente legítima e assente em factos relativamente aos quais estamos de acordo, radica num equívoco. 
É que eu falo de &#039;liberalismo clássico desenvolvido na Europa desde o século XIX&#039;, ou seja, uma cultura política e jurídica com determinadas implicações na esfera económica. E o Gustavo responde-me que é impossível falar no &#039;capitalismo europeu desde o século XIX&#039; sem dar conta das suas incursões coloniais, o que, sendo verdade, não tem nada que ver com aquilo de que trata o texto. O liberalismo e o capitalismo não são sinónimos, mesmo que a relação entre os dois tenha sido muito íntima ao longo da história. Para esclarecer um pouco, eu estou sobretudo a pensar naquilo que Wallerstein desenvolveu recentemente no IV Volume da sua obra sobre a economia-mundo capitalista (http://www.ucpress.edu/book.php?isbn=9780520267619). 
As questões que me coloca, e que teriam necessariamente que ser respondidas no âmbito de outro artigo especificamente dedicado ao tema (e para o qual me falta justamente a disponibilidade neste momento) são justas e pertinentes, simplesmente não estão relacionadas com este texto.
Mas adianto que a experiência colonial foi constitutiva do modo de produção capitalista desde a sua origem, pela escravatura, pelas diversas formas de acumulação primitiva, pela economia da plantação e pela exploração intensiva dos recursos naturais e da força de trabalho das populações do mundo inteiro pelo colonialismo europeu. E  certas práticas de controlo, disciplinamento, reclusão, repressão, etc, foram experimentadas na periferia antes de serem importadas para o centro. 
Acabo por dizer que teria todo o gosto em ler um texto seu sobre esse assunto aqui mesmo no Passa Palavra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas Gustavo, a sua preocupação, perfeitamente legítima e assente em factos relativamente aos quais estamos de acordo, radica num equívoco.<br />
É que eu falo de &#8216;liberalismo clássico desenvolvido na Europa desde o século XIX&#8217;, ou seja, uma cultura política e jurídica com determinadas implicações na esfera económica. E o Gustavo responde-me que é impossível falar no &#8216;capitalismo europeu desde o século XIX&#8217; sem dar conta das suas incursões coloniais, o que, sendo verdade, não tem nada que ver com aquilo de que trata o texto. O liberalismo e o capitalismo não são sinónimos, mesmo que a relação entre os dois tenha sido muito íntima ao longo da história. Para esclarecer um pouco, eu estou sobretudo a pensar naquilo que Wallerstein desenvolveu recentemente no IV Volume da sua obra sobre a economia-mundo capitalista (<a href="http://www.ucpress.edu/book.php?isbn=9780520267619" rel="nofollow ugc">http://www.ucpress.edu/book.php?isbn=9780520267619</a>).<br />
As questões que me coloca, e que teriam necessariamente que ser respondidas no âmbito de outro artigo especificamente dedicado ao tema (e para o qual me falta justamente a disponibilidade neste momento) são justas e pertinentes, simplesmente não estão relacionadas com este texto.<br />
Mas adianto que a experiência colonial foi constitutiva do modo de produção capitalista desde a sua origem, pela escravatura, pelas diversas formas de acumulação primitiva, pela economia da plantação e pela exploração intensiva dos recursos naturais e da força de trabalho das populações do mundo inteiro pelo colonialismo europeu. E  certas práticas de controlo, disciplinamento, reclusão, repressão, etc, foram experimentadas na periferia antes de serem importadas para o centro.<br />
Acabo por dizer que teria todo o gosto em ler um texto seu sobre esse assunto aqui mesmo no Passa Palavra.</p>
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