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	Comentários sobre: Pobreza urbana: o apartheid cotidiano	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Júlio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90708/#comment-180520</link>

		<dc:creator><![CDATA[Júlio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jan 2014 14:33:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ferrez mandou bem:

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/tudo-nosso-nada-nosso-2794.html

Brasil, um país de todos. Desde que fique cada um no seu quadrado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ferrez mandou bem:</p>
<p><a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/tudo-nosso-nada-nosso-2794.html" rel="nofollow ugc">http://www.cartacapital.com.br/sociedade/tudo-nosso-nada-nosso-2794.html</a></p>
<p>Brasil, um país de todos. Desde que fique cada um no seu quadrado.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90708/#comment-179416</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2014 04:32:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É preciso não ter uma visão moral do tal &quot;consumismo&quot;, como se fosse fruto de escolha individual e não uma determinação de estruturas ou instituições sociais.

Não conheço nada melhor antes ou depois do que foi escrito por Jean Baudrillard em fins dos anos 60 e início dos 70 sobre &quot;consumo&quot; nesse sentido, de um ponto de vista crítico, anticapitalista. Abaixo reproduzo um trecho de uma espécie de &quot;resumo&quot; ou fichamento de algumas passagens dos livros A Sociedade de Consumo e Por Uma Crítica da Economia Política do Signo, que fiz anos atrás. Acho que trazem elementos para pensar o que se discute aqui.

 “quando se fala de Produção e Consumo, trata-se de um só e idêntico processo lógico de reprodução amplificada das focas produtivas e do respectivo controle” (Baudrillard, 1995a, p.82). Estaríamos ainda dentro de um processo geral e de um sistema que permanece essencialmente inalterado. Necessidades e satisfações dos consumidores se apresentam como forças produtivas, forçadas e racionalizadas como outras (por exemplo, a força de trabalho). Assim o consumo revelaria-se como dimensão de coação, ao contrário da intenção da ideologia vivida, dominado ao mesmo tempo pelo constrangimento da significação e pelo constrangimento da produção.
Da mesma forma que a emergência da força de trabalho, a emergência das necessidades como força produtiva seria também origem de contradições sociais e de luta de classes – embora Baudrillard (1995b) ainda deixasse em aberto as contradições históricas que nos reservariam a emergência e exploração dessa nova força produtiva.

Consumo como estratégia de classe e mecanismo de poder

No artigo de 1969  A Gênese Ideológica das Necessidades, Baudrillard afirma que o consumo deveria ser definido “não só estruturalmente como sistema de troca e de signos, mas estrategicamente como mecanismo de poder” (Baudrillard, 1995b, p.77). No artigo Função-Signo e Lógica de Classe, também de 1969, o consumo é desvelado como estratégia de classe. Como já dissemos, as análises posteriores de Baudrillard sobre o consumo perdem ênfase nesse aspecto, talvez por ele achar o tema esgotado. Nesse artigo, porém, o consumo – dimensão da troca generalizada de signos – é visto como lugar de uma intensa manipulação política, e é analisado em termos de estratégia política de classe. Burguesia e proletariado, embora jamais tenham existido em estado puro, constituiriam um modelo antagônico segundo o qual a lógica e a estratégia de classe se definiriam e atuariam concretamente.
É-nos impossível reproduzir a riqueza, clareza e profundidade dessa análise de Baudrillard (1995b) sem reproduzir o referido artigo quase na íntegra. Resta-nos trazer um pequeno exemplo ilustrativo dessa estratégia de classe.
É mostrado, por exemplo, a partir de análise do objeto-TV, que “há aqueles para quem a TV é um objeto, e há aqueles para quem ela é um exercício cultural” (idem, p.43), e que nesse tipo de oposição radical fundaria-se “um privilégio cultural de classe que se inscreve num privilégio social de essência” (idem, p.43). Privilégio esse que seria mascarado através da posse comum da TV, por exemplo.
Tal lógica cultural de classe nunca seria manifesta; o consumo apresenta-se como função social democrática e como função das necessidades humanas, e por isso acabaria jogando como instituição de classe. Através do consumo – da troca generalizada de signos a partir de objetos de consumo – o país dos trusts se mascararia de país das salas de estar, das cilindradas, dos tênis de jogging etc. etc.
Enfim, toda uma nova concepção e estratégia de classe se organizaria em torno da posse de bens materiais e culturais: “simula-se que se universalizam os valores e os critérios de consumo apenas para destinar as classes “irresponsáveis” (sem poder de decisão) ao consumo, e desse modo preservar para as classes dirigentes o exclusivo dos seus poderes” (idem, p.48). Há aqueles para quem o prestígio do consumo seria de algum modo o usufruto de um privilégio fundamental (político e cultural) e há aqueles que são relegados ao consumo, e que devem se resignar a ele, tornando-se o próprio signo de sua relegação social. O consumo e a profusão de objetos para esses últimos marcaria o limite das possibilidades sociais. Para esses, “a responsabilidade social [poder de decisão] e de realização pessoal é reduzida a necessidades e absorvida nos objetos que as satisfazem” (idem, p.48). A profusão de objetos de consumo e a superioridade das “classes altas” em termos de equipamento eletrodoméstico, de alimentação de luxo, de marca, vem mascarar o fato “da sua proeminência não se fundar justamente nos signos do prestígio e da abundância, mas alhures, nas esferas reais de decisão, de gestão, de poder político e econômico, na manipulação dos signos e dos homens” (idem, p.49).
A adesão aos valores do consumo funcionaria assim como uma “nova moral para uso dos escravos” (idem, p.48). O consumo, longe de ser um sistema de valores universal, se constituiria em uma instituição e uma moral e, portanto, um elemento da estratégia de poder. Ele viria assim de certa forma substituir a religião e seus princípios morais, fazendo-se crer, como ela, possuir o mesmo sentido no topo e no fundo da escala social (idem).
Contra a objeção de que essas análises de Baudrillard (1995a; 1995b) são datadas e localizadas, isto é, que se referem essencialmente a uma sociedade européia em plena difusão de objetos de consumo e de poder de compra da população em geral, sob a proteção de um Estado de Bem-estar Social, e que portanto as teses sobre uma “sociedade de consumo” não fariam sentido na realidade brasileira do século XXI, é preciso afirmar que toda essa lógica do consumo e de “estratégia de classe” é tão presente nos centros urbanos latino-americanos de hoje, e de forma até mais cruel e profunda devido a toda desigualdade de poder (real) existente nesse continente, do que nos centros urbanos europeus na década de 60. É aqui que essas análises se tornam mais fáceis de  serem verificadas, justamente porque as disparidades sociais, de essência, são maiores. É em histórias como a relatada por Simone Bastos de Menezes , na qual um gerente de boca do Morro da Mangueira, de dezesseis anos, que com uma arma de cada lado da cintura chega ao asfalto e compra dez pares de tênis Nike brancos iguais por mil reais de uma mulher que revendia mercadorias roubadas – porque o garoto queria ser “igual ao playboy de Ipanema” (antes de pensar em levar dinheiro para casa ou para a comunidade) –, que podemos perceber mais claramente como a lógica do consumo perpassa o conjunto da sociedade e  a “estratégia de classe” que lhe é inerente assim se estabelece. Tal estratégia é tão mais eficiente quanto mais a lógica do consumo alcança as “classes” mais “irresponsáveis” (sem poder de direção, econômico e de decisão). É aqui que a “nova moral para uso dos escravos” aparece de forma mais clara; é aqui que é mais fácil percebermos como o privilégio do consumo e os signos são para alguns (o “playboy de Ipanema”) o usufruto de um privilégio fundamental baseado em outras esferas e para outros (o jovem da favela) é a marca da sua própria relegação social e dos limites de suas possibilidades sociais, onde seu poder de decisão e sua realização pessoal são reduzidos a necessidades e absorvidos em objetos/signos.

BAUDRILLARD, Jean. A Sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Elfos, 1995a.
BAUDRILLARD, Jean. Para Uma Crítica da Economia Política do Signo. Rio de Janeiro: Elfos, 1995b.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É preciso não ter uma visão moral do tal &#8220;consumismo&#8221;, como se fosse fruto de escolha individual e não uma determinação de estruturas ou instituições sociais.</p>
<p>Não conheço nada melhor antes ou depois do que foi escrito por Jean Baudrillard em fins dos anos 60 e início dos 70 sobre &#8220;consumo&#8221; nesse sentido, de um ponto de vista crítico, anticapitalista. Abaixo reproduzo um trecho de uma espécie de &#8220;resumo&#8221; ou fichamento de algumas passagens dos livros A Sociedade de Consumo e Por Uma Crítica da Economia Política do Signo, que fiz anos atrás. Acho que trazem elementos para pensar o que se discute aqui.</p>
<p> “quando se fala de Produção e Consumo, trata-se de um só e idêntico processo lógico de reprodução amplificada das focas produtivas e do respectivo controle” (Baudrillard, 1995a, p.82). Estaríamos ainda dentro de um processo geral e de um sistema que permanece essencialmente inalterado. Necessidades e satisfações dos consumidores se apresentam como forças produtivas, forçadas e racionalizadas como outras (por exemplo, a força de trabalho). Assim o consumo revelaria-se como dimensão de coação, ao contrário da intenção da ideologia vivida, dominado ao mesmo tempo pelo constrangimento da significação e pelo constrangimento da produção.<br />
Da mesma forma que a emergência da força de trabalho, a emergência das necessidades como força produtiva seria também origem de contradições sociais e de luta de classes – embora Baudrillard (1995b) ainda deixasse em aberto as contradições históricas que nos reservariam a emergência e exploração dessa nova força produtiva.</p>
<p>Consumo como estratégia de classe e mecanismo de poder</p>
<p>No artigo de 1969  A Gênese Ideológica das Necessidades, Baudrillard afirma que o consumo deveria ser definido “não só estruturalmente como sistema de troca e de signos, mas estrategicamente como mecanismo de poder” (Baudrillard, 1995b, p.77). No artigo Função-Signo e Lógica de Classe, também de 1969, o consumo é desvelado como estratégia de classe. Como já dissemos, as análises posteriores de Baudrillard sobre o consumo perdem ênfase nesse aspecto, talvez por ele achar o tema esgotado. Nesse artigo, porém, o consumo – dimensão da troca generalizada de signos – é visto como lugar de uma intensa manipulação política, e é analisado em termos de estratégia política de classe. Burguesia e proletariado, embora jamais tenham existido em estado puro, constituiriam um modelo antagônico segundo o qual a lógica e a estratégia de classe se definiriam e atuariam concretamente.<br />
É-nos impossível reproduzir a riqueza, clareza e profundidade dessa análise de Baudrillard (1995b) sem reproduzir o referido artigo quase na íntegra. Resta-nos trazer um pequeno exemplo ilustrativo dessa estratégia de classe.<br />
É mostrado, por exemplo, a partir de análise do objeto-TV, que “há aqueles para quem a TV é um objeto, e há aqueles para quem ela é um exercício cultural” (idem, p.43), e que nesse tipo de oposição radical fundaria-se “um privilégio cultural de classe que se inscreve num privilégio social de essência” (idem, p.43). Privilégio esse que seria mascarado através da posse comum da TV, por exemplo.<br />
Tal lógica cultural de classe nunca seria manifesta; o consumo apresenta-se como função social democrática e como função das necessidades humanas, e por isso acabaria jogando como instituição de classe. Através do consumo – da troca generalizada de signos a partir de objetos de consumo – o país dos trusts se mascararia de país das salas de estar, das cilindradas, dos tênis de jogging etc. etc.<br />
Enfim, toda uma nova concepção e estratégia de classe se organizaria em torno da posse de bens materiais e culturais: “simula-se que se universalizam os valores e os critérios de consumo apenas para destinar as classes “irresponsáveis” (sem poder de decisão) ao consumo, e desse modo preservar para as classes dirigentes o exclusivo dos seus poderes” (idem, p.48). Há aqueles para quem o prestígio do consumo seria de algum modo o usufruto de um privilégio fundamental (político e cultural) e há aqueles que são relegados ao consumo, e que devem se resignar a ele, tornando-se o próprio signo de sua relegação social. O consumo e a profusão de objetos para esses últimos marcaria o limite das possibilidades sociais. Para esses, “a responsabilidade social [poder de decisão] e de realização pessoal é reduzida a necessidades e absorvida nos objetos que as satisfazem” (idem, p.48). A profusão de objetos de consumo e a superioridade das “classes altas” em termos de equipamento eletrodoméstico, de alimentação de luxo, de marca, vem mascarar o fato “da sua proeminência não se fundar justamente nos signos do prestígio e da abundância, mas alhures, nas esferas reais de decisão, de gestão, de poder político e econômico, na manipulação dos signos e dos homens” (idem, p.49).<br />
A adesão aos valores do consumo funcionaria assim como uma “nova moral para uso dos escravos” (idem, p.48). O consumo, longe de ser um sistema de valores universal, se constituiria em uma instituição e uma moral e, portanto, um elemento da estratégia de poder. Ele viria assim de certa forma substituir a religião e seus princípios morais, fazendo-se crer, como ela, possuir o mesmo sentido no topo e no fundo da escala social (idem).<br />
Contra a objeção de que essas análises de Baudrillard (1995a; 1995b) são datadas e localizadas, isto é, que se referem essencialmente a uma sociedade européia em plena difusão de objetos de consumo e de poder de compra da população em geral, sob a proteção de um Estado de Bem-estar Social, e que portanto as teses sobre uma “sociedade de consumo” não fariam sentido na realidade brasileira do século XXI, é preciso afirmar que toda essa lógica do consumo e de “estratégia de classe” é tão presente nos centros urbanos latino-americanos de hoje, e de forma até mais cruel e profunda devido a toda desigualdade de poder (real) existente nesse continente, do que nos centros urbanos europeus na década de 60. É aqui que essas análises se tornam mais fáceis de  serem verificadas, justamente porque as disparidades sociais, de essência, são maiores. É em histórias como a relatada por Simone Bastos de Menezes , na qual um gerente de boca do Morro da Mangueira, de dezesseis anos, que com uma arma de cada lado da cintura chega ao asfalto e compra dez pares de tênis Nike brancos iguais por mil reais de uma mulher que revendia mercadorias roubadas – porque o garoto queria ser “igual ao playboy de Ipanema” (antes de pensar em levar dinheiro para casa ou para a comunidade) –, que podemos perceber mais claramente como a lógica do consumo perpassa o conjunto da sociedade e  a “estratégia de classe” que lhe é inerente assim se estabelece. Tal estratégia é tão mais eficiente quanto mais a lógica do consumo alcança as “classes” mais “irresponsáveis” (sem poder de direção, econômico e de decisão). É aqui que a “nova moral para uso dos escravos” aparece de forma mais clara; é aqui que é mais fácil percebermos como o privilégio do consumo e os signos são para alguns (o “playboy de Ipanema”) o usufruto de um privilégio fundamental baseado em outras esferas e para outros (o jovem da favela) é a marca da sua própria relegação social e dos limites de suas possibilidades sociais, onde seu poder de decisão e sua realização pessoal são reduzidos a necessidades e absorvidos em objetos/signos.</p>
<p>BAUDRILLARD, Jean. A Sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Elfos, 1995a.<br />
BAUDRILLARD, Jean. Para Uma Crítica da Economia Política do Signo. Rio de Janeiro: Elfos, 1995b.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leonardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90708/#comment-179366</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leonardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2014 00:02:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu adoraria escrever o que sinto, mas não posso. Esse artigo me fez pensar muito no meu modo de vida. Sou classe média, moro em Campo Grande, MS. Vejo que, apesar de não ter uma vida de luxo, vivo longe da realidade pobre (não gosto de usar muito esse, termo, mas é melhor do que escrever: &quot;A realidade da base da pirâmide&quot;, ou &quot;da maior parte da população brasileira&quot;). Não sei o que é ter que passar fome, o que se ver rodeado de injustiça e desatenção do governo. E vejo que ainda não sendo rico, levo uma vida consumista e desperdiçadora.

Não sei a realidade de São Paulo, portanto produzir uma opinião sobre a massa que faz os rolés. Quando homenagearam os 400 e tantos anos de SP na TV e vendo as pessoas entrevistas falando bem da cidade, fiquei pensado agora: &quot;Pô, eu não conheço a cidade! Porque estão fazendo uma reportagem sobre uma cidade que não conheço? Justamente por isso, para que eu possa conhecer! Mas, eles falaram apenas do lado bom, não do lado ruim, como a periferia descrita neste artigo. Estão querendo me vender a imagem de cidade perfeita, dos sonhos!&quot;. A reportagem fez uma rápida menção do lado *ruim* da cidade, com uma frase que minimizava o problema.

O artigo fala muito bem sobre a propriedade privada. É verdade, que por os shoppings serem áreas privadas, que indiretamente você está pagando para consumir lá, eles poderiam muito bem controlar a entrada de quem quer que fosse. Essa é minha opinião! E o artigo falou muito bem quando disse &quot;segregação&quot; do consumo, de que certo shopping só quer gente rica consumindo lá. E o rolé é uma forma de denúncia dessa realidade. Eu estou errado quando falo que o shopping é privado e que pode escolher quem entra? Não! Mas acho que esse é o ponto que me tocou. Não estou errado ao dizer e apoiar isso. Mas isso só mostra quanto problema existe. Por que eles não podem? A melhor resposta é &quot;porque são pobres, não vão consumir muito lá&quot;. A argumentação da violência que essa *massa* causa(porque são poucos indivíduos que se aproveitação da oportunidade), perde sentido diante desse artigo. Os rolés são uma crítica imensa á propriedade privada e ao capitalismo! Por que ter que ser eles segregados? Não são eles seres humanos, que tem sentimentos, e mesmos direitos, não são eles nossos irmãos? Isso mostra que o meu modo de vida, o meu pensamento, o nosso governo está errado.

Só não critico o consumismo. Apesar de não poder ter a mesma abrangência de uma pessoa numa posição econômica como a minha, encontramos jovens dessa massa dos rolés que são consumistas, que tem um boné de marca (ou mesmo falsificado), um celular &quot;Iphone&quot; ou Android (ou um Xing Ling), mostra que eles querem coisas caras, querem consumir. Eu acho muito precoce formular uma opinião de que eles querem ridicularizar o consumo, as coisas caras, ou se eles querem justamente por serem caras e tendo isso demonstrar um grau de superioridade no grupo. Vejo que questão de ser consumista não é coisa de classe social. A classe só define quem realmente TEM poder de consumir. Mas a realidade da pessoa não muda a mentalidade dela de querem ter o bom e o melhor! Apesar de que em cada classe social, o contexto de ser tornar um seja diferente, no final é a mesma coisa. Mas não estou generalizando dizendo que todos que fazem parte dessa massa dos rolés são consumistas, ok? E para finalizar, sei que na massa, o fato dele ter um boné de marca não significará que ele terá um celular bom, um videogame bom, um computador bom.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu adoraria escrever o que sinto, mas não posso. Esse artigo me fez pensar muito no meu modo de vida. Sou classe média, moro em Campo Grande, MS. Vejo que, apesar de não ter uma vida de luxo, vivo longe da realidade pobre (não gosto de usar muito esse, termo, mas é melhor do que escrever: &#8220;A realidade da base da pirâmide&#8221;, ou &#8220;da maior parte da população brasileira&#8221;). Não sei o que é ter que passar fome, o que se ver rodeado de injustiça e desatenção do governo. E vejo que ainda não sendo rico, levo uma vida consumista e desperdiçadora.</p>
<p>Não sei a realidade de São Paulo, portanto produzir uma opinião sobre a massa que faz os rolés. Quando homenagearam os 400 e tantos anos de SP na TV e vendo as pessoas entrevistas falando bem da cidade, fiquei pensado agora: &#8220;Pô, eu não conheço a cidade! Porque estão fazendo uma reportagem sobre uma cidade que não conheço? Justamente por isso, para que eu possa conhecer! Mas, eles falaram apenas do lado bom, não do lado ruim, como a periferia descrita neste artigo. Estão querendo me vender a imagem de cidade perfeita, dos sonhos!&#8221;. A reportagem fez uma rápida menção do lado *ruim* da cidade, com uma frase que minimizava o problema.</p>
<p>O artigo fala muito bem sobre a propriedade privada. É verdade, que por os shoppings serem áreas privadas, que indiretamente você está pagando para consumir lá, eles poderiam muito bem controlar a entrada de quem quer que fosse. Essa é minha opinião! E o artigo falou muito bem quando disse &#8220;segregação&#8221; do consumo, de que certo shopping só quer gente rica consumindo lá. E o rolé é uma forma de denúncia dessa realidade. Eu estou errado quando falo que o shopping é privado e que pode escolher quem entra? Não! Mas acho que esse é o ponto que me tocou. Não estou errado ao dizer e apoiar isso. Mas isso só mostra quanto problema existe. Por que eles não podem? A melhor resposta é &#8220;porque são pobres, não vão consumir muito lá&#8221;. A argumentação da violência que essa *massa* causa(porque são poucos indivíduos que se aproveitação da oportunidade), perde sentido diante desse artigo. Os rolés são uma crítica imensa á propriedade privada e ao capitalismo! Por que ter que ser eles segregados? Não são eles seres humanos, que tem sentimentos, e mesmos direitos, não são eles nossos irmãos? Isso mostra que o meu modo de vida, o meu pensamento, o nosso governo está errado.</p>
<p>Só não critico o consumismo. Apesar de não poder ter a mesma abrangência de uma pessoa numa posição econômica como a minha, encontramos jovens dessa massa dos rolés que são consumistas, que tem um boné de marca (ou mesmo falsificado), um celular &#8220;Iphone&#8221; ou Android (ou um Xing Ling), mostra que eles querem coisas caras, querem consumir. Eu acho muito precoce formular uma opinião de que eles querem ridicularizar o consumo, as coisas caras, ou se eles querem justamente por serem caras e tendo isso demonstrar um grau de superioridade no grupo. Vejo que questão de ser consumista não é coisa de classe social. A classe só define quem realmente TEM poder de consumir. Mas a realidade da pessoa não muda a mentalidade dela de querem ter o bom e o melhor! Apesar de que em cada classe social, o contexto de ser tornar um seja diferente, no final é a mesma coisa. Mas não estou generalizando dizendo que todos que fazem parte dessa massa dos rolés são consumistas, ok? E para finalizar, sei que na massa, o fato dele ter um boné de marca não significará que ele terá um celular bom, um videogame bom, um computador bom.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Forçou?		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90708/#comment-178790</link>

		<dc:creator><![CDATA[Forçou?]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jan 2014 13:23:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=90708#comment-178790</guid>

					<description><![CDATA[&quot;Se consumir faz-nos sujeitos: queremos sê-lo. &quot; Isso é subversivo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Se consumir faz-nos sujeitos: queremos sê-lo. &#8221; Isso é subversivo?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/01/90708/#comment-177868</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jan 2014 13:54:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[li por aí que os jovens que foram barrados e reprimidos nos primeiros rolezinhos de fato frequentavam estes mesmos espaços sem grandes problemas quando o faziam individualmente.
Me pergunto então se, mais além dos racismos e segregações que de fato existem na cidade e muitas vezes de forma institucional, como nos clubes onde babás são obrigadas a usar uniformes, se então o que marca a diferença nos eventos que vimos nas últimas semanas não seria a forma da multidão.
O shopping Eldorado não tinha medo da multidão de estudantes da USP com seus cantos bestas, mas todos sabemos que não se trata de algo descontrolado nem muito menos autoconvocado, há uma estrutura hierárquica e até uma periodicidade que marcam o evento. 

Agora, quando os jovens negros da periferia se juntam numa data aleatória sem nenhum motivo claro, sem nenhum líder, creio que isso é o que amedronta, a indefinição da multidão, o poder que ela tem. Só o fato dela existir assim amorfa já se coloca como uma ameaça ao monopólio e ao mando da PM. Nesse sentido eu não vejo como dissociar estes eventos dos eventos de Junho, embora ideologicamente sejam bastante distintos. Creio, no entanto, que há uma experimentação das massas amorfas, as pessoas (espero!) estão começando a entender (e muitas a temer) o poder que uma multidão tem. Agora, o que fará esta ou aquela massa, bem, isto é bastante difícil saber. Nos EUA elas invadem as lojas para comprar com preços em desconto (convocadas pelas lojas, fato). Na Argentina os saques recentes foram convocados pela polícia em greve para forçar um aumento de salário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>li por aí que os jovens que foram barrados e reprimidos nos primeiros rolezinhos de fato frequentavam estes mesmos espaços sem grandes problemas quando o faziam individualmente.<br />
Me pergunto então se, mais além dos racismos e segregações que de fato existem na cidade e muitas vezes de forma institucional, como nos clubes onde babás são obrigadas a usar uniformes, se então o que marca a diferença nos eventos que vimos nas últimas semanas não seria a forma da multidão.<br />
O shopping Eldorado não tinha medo da multidão de estudantes da USP com seus cantos bestas, mas todos sabemos que não se trata de algo descontrolado nem muito menos autoconvocado, há uma estrutura hierárquica e até uma periodicidade que marcam o evento. </p>
<p>Agora, quando os jovens negros da periferia se juntam numa data aleatória sem nenhum motivo claro, sem nenhum líder, creio que isso é o que amedronta, a indefinição da multidão, o poder que ela tem. Só o fato dela existir assim amorfa já se coloca como uma ameaça ao monopólio e ao mando da PM. Nesse sentido eu não vejo como dissociar estes eventos dos eventos de Junho, embora ideologicamente sejam bastante distintos. Creio, no entanto, que há uma experimentação das massas amorfas, as pessoas (espero!) estão começando a entender (e muitas a temer) o poder que uma multidão tem. Agora, o que fará esta ou aquela massa, bem, isto é bastante difícil saber. Nos EUA elas invadem as lojas para comprar com preços em desconto (convocadas pelas lojas, fato). Na Argentina os saques recentes foram convocados pela polícia em greve para forçar um aumento de salário.</p>
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