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	Comentários sobre: «Sai daqui e volta com dinheiro»	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Bruno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91001/#comment-294055</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2015 15:45:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu fiz de tudo
para ser bom operário.
Veio a crise financeira,
eu perdi o meu salário.
Vou com o sol,
volto com a luz da lua.
Ó, mulher, não fique triste
dinheiro se ganha na rua.

Geraldo Filme em &quot;Mulher de Malandro&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fiz de tudo<br />
para ser bom operário.<br />
Veio a crise financeira,<br />
eu perdi o meu salário.<br />
Vou com o sol,<br />
volto com a luz da lua.<br />
Ó, mulher, não fique triste<br />
dinheiro se ganha na rua.</p>
<p>Geraldo Filme em &#8220;Mulher de Malandro&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bruno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91001/#comment-184833</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Feb 2014 19:20:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Talvez essa mudança de data na versão cantada por Julie London deva-se simplesmente ao fato de que o disco da atriz/cantora em que canta Why Don&#039;t You Do Right seja do ano de 1961 (Whatever Julie Wants é o nome do disco).
Porém, a pergunta do &quot;por que isso&quot; persiste.
Certamente que essa troca de data não apenas desvincula o causo retratado na canção dos eventos da crise dos anos 1930 contribuindo para a perda de memória (como na troca de dole por door), como também vincula a um elemento individual e ocasional... uma naturalização - pode ocorrer com qualquer um.
Atribuir a essa ferida na canção responsabilidade exclusiva a uma opção da intérprete (ou produtor, ou outro alguém) seria alienação - as famosas teorias de conspiração.
Mas interessante mesmo é a conexão de vida e obra. Quer dizer, o mesmo mecanismo que opera na obra, em que os processos sociais são reduzidos ao caso doméstico, na interpretação de Julie London também a grande crise é ocultada para dar lugar ao particular e ocasional, &quot;o momento que eu vivo&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez essa mudança de data na versão cantada por Julie London deva-se simplesmente ao fato de que o disco da atriz/cantora em que canta Why Don&#8217;t You Do Right seja do ano de 1961 (Whatever Julie Wants é o nome do disco).<br />
Porém, a pergunta do &#8220;por que isso&#8221; persiste.<br />
Certamente que essa troca de data não apenas desvincula o causo retratado na canção dos eventos da crise dos anos 1930 contribuindo para a perda de memória (como na troca de dole por door), como também vincula a um elemento individual e ocasional&#8230; uma naturalização &#8211; pode ocorrer com qualquer um.<br />
Atribuir a essa ferida na canção responsabilidade exclusiva a uma opção da intérprete (ou produtor, ou outro alguém) seria alienação &#8211; as famosas teorias de conspiração.<br />
Mas interessante mesmo é a conexão de vida e obra. Quer dizer, o mesmo mecanismo que opera na obra, em que os processos sociais são reduzidos ao caso doméstico, na interpretação de Julie London também a grande crise é ocultada para dar lugar ao particular e ocasional, &#8220;o momento que eu vivo&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91001/#comment-184758</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Feb 2014 12:53:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um leitor atento enviou-me uma mensagem dizendo que «em 1941, a guerra — que começou em 1939 e terminou em 1945 — ainda estava em curso. JB deve ter-se equivocado...».
Agradeço-lhe a observação, mas note que na interpretação de Julie London 1941 é o ponto de referência para o passado.&lt;em&gt;You had plenty money in nineteen-forty-one&lt;/em&gt;, diz ela, que era norte-americana, e foi esse o ano da entrada dos Estados Unidos na guerra. Ora, na altura em que Julie London canta o homem já perdera o dinheiro que havia tido e ela diz: &lt;em&gt;If you had prepared twenty years ago&lt;/em&gt;, ou seja, «se há vinte anos», decerto em 1941 ou talvez uns anos antes, «tu te tivesses precavido para o futuro», o que coloca o episódio no pós-guerra, possivelmente em 1961. E como as duas décadas desde o início da guerra até aos anos sessenta foram, nos Estados Unidos, de crescimento económico, o sentido originário da canção perde-se com esta cronologia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um leitor atento enviou-me uma mensagem dizendo que «em 1941, a guerra — que começou em 1939 e terminou em 1945 — ainda estava em curso. JB deve ter-se equivocado&#8230;».<br />
Agradeço-lhe a observação, mas note que na interpretação de Julie London 1941 é o ponto de referência para o passado.<em>You had plenty money in nineteen-forty-one</em>, diz ela, que era norte-americana, e foi esse o ano da entrada dos Estados Unidos na guerra. Ora, na altura em que Julie London canta o homem já perdera o dinheiro que havia tido e ela diz: <em>If you had prepared twenty years ago</em>, ou seja, «se há vinte anos», decerto em 1941 ou talvez uns anos antes, «tu te tivesses precavido para o futuro», o que coloca o episódio no pós-guerra, possivelmente em 1961. E como as duas décadas desde o início da guerra até aos anos sessenta foram, nos Estados Unidos, de crescimento económico, o sentido originário da canção perde-se com esta cronologia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91001/#comment-184419</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Feb 2014 16:06:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas,
Note que tanto na interpretação de Lil Green como na de Peggy Lee ouvimos «&lt;em&gt;from dole to dole&lt;/em&gt;». Não usei a versão de Julie London porque, sem que eu entenda porquê, ela passa para 1941 a data em que o homem estava cheio de dinheiro, o que transporta o episódio para o pós-guerra. Mas também ela canta «&lt;em&gt;dole&lt;/em&gt;» e não &lt;em&gt;door&lt;/em&gt;:
https://www.youtube.com/watch?v=P2f40eQcYXk 
Mesmo na versão do filme &lt;em&gt;Who Framed Roger Rabbit&lt;/em&gt; ouvimos «&lt;em&gt;from dole to dole&lt;/em&gt;»:
https://www.youtube.com/watch?v=yy5THitqPBw 
É nas transcrições do poema que se encontra «&lt;em&gt;door&lt;/em&gt;» em vez de «&lt;em&gt;dole&lt;/em&gt;», por exemplo: 
http://letras.mus.br/peggy-lee/425340/ 
http://www.metrolyrics.com/why-dont-you-do-right-lyrics-peggy-lee.html 
http://www.lyricsfreak.com/p/peggy+lee/i+why+dont+you+do+right_20342052.html 
http://www.allthelyrics.com/lyrics/jessica_rabbit/why_dont_you_do_right-lyrics-480262.html 
Paro aqui, mas a lista dos exemplos podia continuar. Não entendo qual possa ser o motivo desta discrepância.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
Note que tanto na interpretação de Lil Green como na de Peggy Lee ouvimos «<em>from dole to dole</em>». Não usei a versão de Julie London porque, sem que eu entenda porquê, ela passa para 1941 a data em que o homem estava cheio de dinheiro, o que transporta o episódio para o pós-guerra. Mas também ela canta «<em>dole</em>» e não <em>door</em>:<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=P2f40eQcYXk" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=P2f40eQcYXk</a><br />
Mesmo na versão do filme <em>Who Framed Roger Rabbit</em> ouvimos «<em>from dole to dole</em>»:<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=yy5THitqPBw" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=yy5THitqPBw</a><br />
É nas transcrições do poema que se encontra «<em>door</em>» em vez de «<em>dole</em>», por exemplo:<br />
<a href="http://letras.mus.br/peggy-lee/425340/" rel="nofollow ugc">http://letras.mus.br/peggy-lee/425340/</a><br />
<a href="http://www.metrolyrics.com/why-dont-you-do-right-lyrics-peggy-lee.html" rel="nofollow ugc">http://www.metrolyrics.com/why-dont-you-do-right-lyrics-peggy-lee.html</a><br />
<a href="http://www.lyricsfreak.com/p/peggy+lee/i+why+dont+you+do+right_20342052.html" rel="nofollow ugc">http://www.lyricsfreak.com/p/peggy+lee/i+why+dont+you+do+right_20342052.html</a><br />
<a href="http://www.allthelyrics.com/lyrics/jessica_rabbit/why_dont_you_do_right-lyrics-480262.html" rel="nofollow ugc">http://www.allthelyrics.com/lyrics/jessica_rabbit/why_dont_you_do_right-lyrics-480262.html</a><br />
Paro aqui, mas a lista dos exemplos podia continuar. Não entendo qual possa ser o motivo desta discrepância.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91001/#comment-184402</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Feb 2014 15:07:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[no sentido do que disse João Aguiar, creio que aqui realmente vale o nome &quot;degeneração&quot; para uma versão que troca &quot;dole&quot; por &quot;door&quot;, haja visto que num contexto se trata de uma sociedade que não consegue absorver mais força de trabalho, relegando esta classe social à pobreza generalizada; enquanto que na segunda versão se trata de um indivíduo incompetente que vai aos diversos locais de trabalho e não é capaz de conseguir um posto em nenhum deles por seus defeitos pessoais, passagem cristalina de um problema social para um problema individualizado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>no sentido do que disse João Aguiar, creio que aqui realmente vale o nome &#8220;degeneração&#8221; para uma versão que troca &#8220;dole&#8221; por &#8220;door&#8221;, haja visto que num contexto se trata de uma sociedade que não consegue absorver mais força de trabalho, relegando esta classe social à pobreza generalizada; enquanto que na segunda versão se trata de um indivíduo incompetente que vai aos diversos locais de trabalho e não é capaz de conseguir um posto em nenhum deles por seus defeitos pessoais, passagem cristalina de um problema social para um problema individualizado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91001/#comment-184133</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Feb 2014 21:35:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=91001#comment-184133</guid>

					<description><![CDATA[Que diferença de abordagem entre artigos como este, que captam a vida concreta das dificuldades das pessoas no capitalismo, e aqueles artigos que discutem na base da especulação e de conceitos puramente metafísicos. Enquanto a esquerda achar que se deve debater o capitalismo a partir da leitura filosofante e não a partir da dinâmica real e concreta, não haverá grelha crítica suficiente.

Sobre o artigo e uma breve nota de reflexão que me suscitou. A transformação de tragédias sociais em disputas domésticas lembra-me sempre, de uma maneira paralela, a difusão de fenómenos de culpabilização individual relativamente a algo que é intrinsecamente social: desemprego, pobreza, etc. Esse é também um dos mecanismos sociais que mais contribuem para a reprodução do capitalismo. Talvez esta forma se expresse mais visivelmente em situações a roçar a sobrevivência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que diferença de abordagem entre artigos como este, que captam a vida concreta das dificuldades das pessoas no capitalismo, e aqueles artigos que discutem na base da especulação e de conceitos puramente metafísicos. Enquanto a esquerda achar que se deve debater o capitalismo a partir da leitura filosofante e não a partir da dinâmica real e concreta, não haverá grelha crítica suficiente.</p>
<p>Sobre o artigo e uma breve nota de reflexão que me suscitou. A transformação de tragédias sociais em disputas domésticas lembra-me sempre, de uma maneira paralela, a difusão de fenómenos de culpabilização individual relativamente a algo que é intrinsecamente social: desemprego, pobreza, etc. Esse é também um dos mecanismos sociais que mais contribuem para a reprodução do capitalismo. Talvez esta forma se expresse mais visivelmente em situações a roçar a sobrevivência.</p>
]]></content:encoded>
		
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