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	Comentários sobre: O nascimento da ideologia fascista (1ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-191678</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Mar 2014 22:38:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rodrigo Fonseca,
Gostaria de escrever alguma coisa na sequência do seu comentário, mas será que vou ser inteligível sem me alongar demasiado?
Mais do que como marxista, como spinozista, incomoda-me a forma como é correntemente usada a noção de &lt;em&gt;determinismo&lt;/em&gt;, a um tal ponto que adiantariam muito se lessem os filósofos escolásticos medievais e as discussões a que eles procederam sobre o livre arbítrio. Também adiantariam se lessem Spinoza, claro. Mas, para me restringir a épocas mais modernas, ao menos deveria haver uma reflexão sobre a base matemática do funcionamento das companhias de seguros. Aliás, sem o determinismo probabilístico seriam impossíveis não só a ciência económica como qualquer abordagem sociológica que não fosse meramente descritiva. A história comparada seria inútil também. Não por acaso Trotsky, que recebera uma formação matemática, observou numa das suas obras que as correntes de pensamento que mais defendiam o determinismo — nomeadamente o calvinismo e o marxismo — eram também as que procediam a uma maior apologia da vontade. Transita-se aqui do determinismo probabilístico, de grandes números, para as actuações individuais, e a este respeito seria conveniente recordar o modelo de interpretação do &lt;em&gt;acaso&lt;/em&gt; que o matemático francês Antoine Cournot expôs numa obra publicada em 1843. Muito se avançou em seguida, mas nos meios esquerdistas continuam a perorar acerca do determinismo em ignorância de toda essa problemática.
Quanto ao outro aspecto que você abordou, o primeiro movimento reaccionário de massas, o &lt;em&gt;boulangisme&lt;/em&gt;, em torno do general Boulanger, ocorreu ainda em vida de Engels, que não o soube interpretar. Raramente os primeiros indícios são bem interpretados. Mas o fascismo deveria ter esclarecido as coisas, e só não as esclareceu para quem não quer ser esclarecido. O &lt;em&gt;boulangisme&lt;/em&gt; foi o primeiro gérmen do que mais tarde viria a desenvolver-se como fascsimo, por isso Sternhell está absolutamente correcto quando situa a origem dos movimentos fascistas antes da primeira guerra mundial e quando a localiza em França. Depois, o fenómeno conhecido por nacional-bolchevismo mais ainda mostrou, a quem queira ver, a amplitude tomada por movimentos de massa em que convergem a extrema-direita e certa extrema-esquerda — escrevi &lt;em&gt;certa&lt;/em&gt; e não &lt;em&gt;toda&lt;/em&gt; — sempre em benefício de programas de extrema-direita. Para não ver estas coisas é preciso desnaturar a própria noção de fascismo, reservando o termo para insultar regimes repressivos que não contam com o apoio de massas, geralmente regimes militares, ou seja, regimes autoritários que precisamente &lt;em&gt;não são&lt;/em&gt; fascistas.
Se você ou qualquer outro leitor quiser um exemplo vivo — fresquinho, como diríamos em Portugal — desse cruzamento da extrema-direita e de certa esquerda num movimento que pretende mobilizar massas, aconselho a leitura de um artigo em vias de publicação neste site http://passapalavra.info/2014/03/92349 em que se analisa o significado da conjugação do &lt;em&gt;nacional&lt;/em&gt; com o &lt;em&gt;social&lt;/em&gt;. Os portugueses, que desde 1640 parecem fadados para a desgraça e para o atraso histórico, podem assim apreciar ao vivo e em directo a repetição daqueles processos analisados por Sternhell e que ocorreram há um século.
Se o fascismo fosse simplesmente repressivo era pouco perigoso. Ele é perigoso porque tem a vocação de ser um movimento de massas, ou seja, porque apresenta a revolta como substituto da revolução.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rodrigo Fonseca,<br />
Gostaria de escrever alguma coisa na sequência do seu comentário, mas será que vou ser inteligível sem me alongar demasiado?<br />
Mais do que como marxista, como spinozista, incomoda-me a forma como é correntemente usada a noção de <em>determinismo</em>, a um tal ponto que adiantariam muito se lessem os filósofos escolásticos medievais e as discussões a que eles procederam sobre o livre arbítrio. Também adiantariam se lessem Spinoza, claro. Mas, para me restringir a épocas mais modernas, ao menos deveria haver uma reflexão sobre a base matemática do funcionamento das companhias de seguros. Aliás, sem o determinismo probabilístico seriam impossíveis não só a ciência económica como qualquer abordagem sociológica que não fosse meramente descritiva. A história comparada seria inútil também. Não por acaso Trotsky, que recebera uma formação matemática, observou numa das suas obras que as correntes de pensamento que mais defendiam o determinismo — nomeadamente o calvinismo e o marxismo — eram também as que procediam a uma maior apologia da vontade. Transita-se aqui do determinismo probabilístico, de grandes números, para as actuações individuais, e a este respeito seria conveniente recordar o modelo de interpretação do <em>acaso</em> que o matemático francês Antoine Cournot expôs numa obra publicada em 1843. Muito se avançou em seguida, mas nos meios esquerdistas continuam a perorar acerca do determinismo em ignorância de toda essa problemática.<br />
Quanto ao outro aspecto que você abordou, o primeiro movimento reaccionário de massas, o <em>boulangisme</em>, em torno do general Boulanger, ocorreu ainda em vida de Engels, que não o soube interpretar. Raramente os primeiros indícios são bem interpretados. Mas o fascismo deveria ter esclarecido as coisas, e só não as esclareceu para quem não quer ser esclarecido. O <em>boulangisme</em> foi o primeiro gérmen do que mais tarde viria a desenvolver-se como fascsimo, por isso Sternhell está absolutamente correcto quando situa a origem dos movimentos fascistas antes da primeira guerra mundial e quando a localiza em França. Depois, o fenómeno conhecido por nacional-bolchevismo mais ainda mostrou, a quem queira ver, a amplitude tomada por movimentos de massa em que convergem a extrema-direita e certa extrema-esquerda — escrevi <em>certa</em> e não <em>toda</em> — sempre em benefício de programas de extrema-direita. Para não ver estas coisas é preciso desnaturar a própria noção de fascismo, reservando o termo para insultar regimes repressivos que não contam com o apoio de massas, geralmente regimes militares, ou seja, regimes autoritários que precisamente <em>não são</em> fascistas.<br />
Se você ou qualquer outro leitor quiser um exemplo vivo — fresquinho, como diríamos em Portugal — desse cruzamento da extrema-direita e de certa esquerda num movimento que pretende mobilizar massas, aconselho a leitura de um artigo em vias de publicação neste site <a href="http://passapalavra.info/2014/03/92349" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/03/92349</a> em que se analisa o significado da conjugação do <em>nacional</em> com o <em>social</em>. Os portugueses, que desde 1640 parecem fadados para a desgraça e para o atraso histórico, podem assim apreciar ao vivo e em directo a repetição daqueles processos analisados por Sternhell e que ocorreram há um século.<br />
Se o fascismo fosse simplesmente repressivo era pouco perigoso. Ele é perigoso porque tem a vocação de ser um movimento de massas, ou seja, porque apresenta a revolta como substituto da revolução.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo O. Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-191616</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Mar 2014 19:43:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=91613#comment-191616</guid>

					<description><![CDATA[Duas pontuações sobre um dos desentendimentos / divergências do Leo Vinícius: a crítica ao determinismo marxista (como sinônimo de crítica ao racionalismo).

Temos visto, repetidamente até na atual conjuntura, como esse determinismo obscurece a compreensão e a conceituação dos movimentos de massa na Ucrânia, Síria, Venezuela,... Identifica-se &quot;revolução&quot; a um conteúdo muito preciso e obrigatório: proletário e progressista. Ou seja, se não é de esquerda, só pode ser golpe, jamais revolução.

O jovem Marx falava da diferença entre revolução política e revolução social, mas também aí existe um problema, dado que as demandas impraticáveis em meio aos arranjos político-estatais também podem assumir dimensão política ou, no mínimo, serem incorporadas em um novo arranjo político-estatal, num alargamento da sociedade política, sob novas lealdades, etc.

O problema candente, o 2o ponto, é que, em meio a movimentos oposicionistas de massas, grupos de extrema-direita, milícias fundamentalistas, integristas, etc., podem eventualmente encontrar-se com a extrema-esquerda... isso está acontecendo.

Assustados com o ovo da serpente, os partidos e coletivos da extrema-esquerda ficam tentados a recuar. (Exemplo banal é a indicação de voto em Dilma e Lula dada pelo PCBrasileiro em 2os turnos, que erroneamente se refere ao PSDB e à direita clássica como expoentes fascistas)

Em que medida poderão recuperar a fórmula leninista do mal menor, aquela pela qual devemos atirar sob os ombros de Kerensky para aniquilar Kornilov? Recuperação essa a meu ver despropositada, dado que Yakunovich, Assad etc, talvez não tenham absolutamente nada de Kerensky. A Revolução Russa não é parâmetro e não ajuda a entender e a se movimentar no cenário atual. E talvez também não o seja o fracasso da Revolução Alemã, ainda que possamos extrair sempre muitas lições.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas pontuações sobre um dos desentendimentos / divergências do Leo Vinícius: a crítica ao determinismo marxista (como sinônimo de crítica ao racionalismo).</p>
<p>Temos visto, repetidamente até na atual conjuntura, como esse determinismo obscurece a compreensão e a conceituação dos movimentos de massa na Ucrânia, Síria, Venezuela,&#8230; Identifica-se &#8220;revolução&#8221; a um conteúdo muito preciso e obrigatório: proletário e progressista. Ou seja, se não é de esquerda, só pode ser golpe, jamais revolução.</p>
<p>O jovem Marx falava da diferença entre revolução política e revolução social, mas também aí existe um problema, dado que as demandas impraticáveis em meio aos arranjos político-estatais também podem assumir dimensão política ou, no mínimo, serem incorporadas em um novo arranjo político-estatal, num alargamento da sociedade política, sob novas lealdades, etc.</p>
<p>O problema candente, o 2o ponto, é que, em meio a movimentos oposicionistas de massas, grupos de extrema-direita, milícias fundamentalistas, integristas, etc., podem eventualmente encontrar-se com a extrema-esquerda&#8230; isso está acontecendo.</p>
<p>Assustados com o ovo da serpente, os partidos e coletivos da extrema-esquerda ficam tentados a recuar. (Exemplo banal é a indicação de voto em Dilma e Lula dada pelo PCBrasileiro em 2os turnos, que erroneamente se refere ao PSDB e à direita clássica como expoentes fascistas)</p>
<p>Em que medida poderão recuperar a fórmula leninista do mal menor, aquela pela qual devemos atirar sob os ombros de Kerensky para aniquilar Kornilov? Recuperação essa a meu ver despropositada, dado que Yakunovich, Assad etc, talvez não tenham absolutamente nada de Kerensky. A Revolução Russa não é parâmetro e não ajuda a entender e a se movimentar no cenário atual. E talvez também não o seja o fracasso da Revolução Alemã, ainda que possamos extrair sempre muitas lições.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-191596</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Mar 2014 18:18:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ainda a respeito da perspectiva trazida pelo Ricardo, talvez seja interessante mencionar que Sternhell foi vítima de um atentado a bomba, em 2008, provocado pela extrema-direita sionista.
O motivo? Sternhell apóia o movimento &lt;i&gt;Peace Now&lt;/i&gt;, de esquerda, e contra os assentamentos israelenses na Palestina ocupada.
Os panfletos encontrados perto da sua residência - local em que ocorreu o atentado - ofereciam 1,1 milhão de shekels (300.000 dólares) a quem assassinasse um líder do &lt;i&gt;Peace Now&lt;/i&gt;, e eram assinados pelo grupo &lt;i&gt;Exército dos Libertadores&lt;/i&gt;.
Referências:
1 - &lt;a href=&quot;http://www.richardsilverstein.com/2008/09/25/israeli-rightists-wound-zeev-sternhell-in-bomb-attack/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.richardsilverstein.com/2008/09/25/israeli-rightists-wound-zeev-sternhell-in-bomb-attack/&lt;/a&gt;
2 - &lt;a href=&quot;http://www.counterpunch.org/2008/09/30/the-attack-on-zeev-sternhell/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.counterpunch.org/2008/09/30/the-attack-on-zeev-sternhell/&lt;/a&gt;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda a respeito da perspectiva trazida pelo Ricardo, talvez seja interessante mencionar que Sternhell foi vítima de um atentado a bomba, em 2008, provocado pela extrema-direita sionista.<br />
O motivo? Sternhell apóia o movimento <i>Peace Now</i>, de esquerda, e contra os assentamentos israelenses na Palestina ocupada.<br />
Os panfletos encontrados perto da sua residência &#8211; local em que ocorreu o atentado &#8211; ofereciam 1,1 milhão de shekels (300.000 dólares) a quem assassinasse um líder do <i>Peace Now</i>, e eram assinados pelo grupo <i>Exército dos Libertadores</i>.<br />
Referências:<br />
1 &#8211; <a href="http://www.richardsilverstein.com/2008/09/25/israeli-rightists-wound-zeev-sternhell-in-bomb-attack/" rel="nofollow">http://www.richardsilverstein.com/2008/09/25/israeli-rightists-wound-zeev-sternhell-in-bomb-attack/</a><br />
2 &#8211; <a href="http://www.counterpunch.org/2008/09/30/the-attack-on-zeev-sternhell/" rel="nofollow">http://www.counterpunch.org/2008/09/30/the-attack-on-zeev-sternhell/</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-191370</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Mar 2014 09:07:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sobre a questão levantada por Ricardo, o &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; publicou em Junho de 2010 um artigo que analisa as relações do sionismo com o fascismo e o fascismo sionista:
http://passapalavra.info/2010/06/24723]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre a questão levantada por Ricardo, o <em>Passa Palavra</em> publicou em Junho de 2010 um artigo que analisa as relações do sionismo com o fascismo e o fascismo sionista:<br />
<a href="http://passapalavra.info/2010/06/24723" rel="ugc">http://passapalavra.info/2010/06/24723</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ricardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-191272</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ricardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Mar 2014 05:34:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Interessantíssimo. Gostaria apenas que Sternhell tivesse sido um pouco mais honesto ao avaliar o sionismo e o fascismo sionista dos revisionistas. Infelizmente, quando analisa Israel, seu país, ele não aplica as próprias teorias. O sionismo, seja qual for a variante, cabe muito bem na definição que ele dá de fascismo. Edward Said qualificou muito bem de &quot;esquizofrênica&quot; a posição de Sternhell, que ataca com toda a força os nacionalismos europeus e defende fervorosamente o nacionalismo judaico e a supremacia étnica em Israel, declarando-se recentemente a favor de um Israel majoritariamente judaico e contrário ao retorno de refugiados palestinos. Chega ao ponto de justificar &quot;moralmente&quot; a Nakba palestina e declara-se um &quot;Super-Sionista&quot;. O que naturalmente não lhe retira o talento como historiador do fascismo, mas apenas põe algumas coisas em perspectiva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interessantíssimo. Gostaria apenas que Sternhell tivesse sido um pouco mais honesto ao avaliar o sionismo e o fascismo sionista dos revisionistas. Infelizmente, quando analisa Israel, seu país, ele não aplica as próprias teorias. O sionismo, seja qual for a variante, cabe muito bem na definição que ele dá de fascismo. Edward Said qualificou muito bem de &#8220;esquizofrênica&#8221; a posição de Sternhell, que ataca com toda a força os nacionalismos europeus e defende fervorosamente o nacionalismo judaico e a supremacia étnica em Israel, declarando-se recentemente a favor de um Israel majoritariamente judaico e contrário ao retorno de refugiados palestinos. Chega ao ponto de justificar &#8220;moralmente&#8221; a Nakba palestina e declara-se um &#8220;Super-Sionista&#8221;. O que naturalmente não lhe retira o talento como historiador do fascismo, mas apenas põe algumas coisas em perspectiva.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-189654</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2014 22:36:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Luiz,
Houve várias tendências de esquerda, tanto entre os anarquistas como entre os comunistas e os socialistas, que lutaram sempre contra o fascismo e, antes disso, contra aquele tipo de nacionalismo que veio a confluir na formação do movimento fascista. Mas creio que o objectivo de Sternhell foi exclusivamente o de analisar aquelas tendências que participaram nessa formação e não as que não participaram. Um dos seus grandes méritos foi o de ter estudado mais atentamente do que muitos outros historiadores a acção dos sindicalistas-revolucionários italianos.
Quanto aos anarquistas italianos naquela época, pelo que conheço tiveram um papel histórico muito reduzido. Camillo Berneri escreveu coisas muito interessantes, mas parece-me um personagem muito isolado. E o ano final da ascensão dos fascistas os Arditi del Popolo tiveram uma postura muito combativa e lúcida, mas não eram compostos exclusivamente por anarquistas.
Outra coisa. O &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; que existe na internet é uma tese de doutorado na Unicamp, disponibilizada por essa universidade. O livro é bastante maior, embora por outro lado lhe tivesse cortado certos assuntos que tratei na tese, como as torcidas de futebol e os concertos de rock. De qualquer modo, a perspectiva é a mesma na tese e no livro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz,<br />
Houve várias tendências de esquerda, tanto entre os anarquistas como entre os comunistas e os socialistas, que lutaram sempre contra o fascismo e, antes disso, contra aquele tipo de nacionalismo que veio a confluir na formação do movimento fascista. Mas creio que o objectivo de Sternhell foi exclusivamente o de analisar aquelas tendências que participaram nessa formação e não as que não participaram. Um dos seus grandes méritos foi o de ter estudado mais atentamente do que muitos outros historiadores a acção dos sindicalistas-revolucionários italianos.<br />
Quanto aos anarquistas italianos naquela época, pelo que conheço tiveram um papel histórico muito reduzido. Camillo Berneri escreveu coisas muito interessantes, mas parece-me um personagem muito isolado. E o ano final da ascensão dos fascistas os Arditi del Popolo tiveram uma postura muito combativa e lúcida, mas não eram compostos exclusivamente por anarquistas.<br />
Outra coisa. O <em>Labirintos do Fascismo</em> que existe na internet é uma tese de doutorado na Unicamp, disponibilizada por essa universidade. O livro é bastante maior, embora por outro lado lhe tivesse cortado certos assuntos que tratei na tese, como as torcidas de futebol e os concertos de rock. De qualquer modo, a perspectiva é a mesma na tese e no livro.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-189608</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2014 18:52:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Então fico no aguardo do restante do texto e agradeço a atenção dispensada.
Só aproveito o ensejo para manifestar um certo desconforto nesta leitura com uma aparente homogeneização do movimento italiano ao redor do sindicalismo revolucionário. Não existiam militantes italianos que faziam um contraponto ao sindicalismo revolucionário, como: Malatesta, Cafiero, Fabbri (só para ficar nos mais conhecidos no Brasil)? 
Sei que novamente devo estar exigindo mais do que o texto discute, mas gostaria de aproveitar para perguntar a tua opinião, mesmo que sumária, sobre o anarco-comunismo italiano.
A propósito, comecei a ler o teu &quot;Labirintos&quot; num PDF que encontrei na web, mas não pude concluir a leitura por conta de um problema no arquivo. Contudo, a passagem que você me indicou está incólume. O quanto antes farei a leitura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então fico no aguardo do restante do texto e agradeço a atenção dispensada.<br />
Só aproveito o ensejo para manifestar um certo desconforto nesta leitura com uma aparente homogeneização do movimento italiano ao redor do sindicalismo revolucionário. Não existiam militantes italianos que faziam um contraponto ao sindicalismo revolucionário, como: Malatesta, Cafiero, Fabbri (só para ficar nos mais conhecidos no Brasil)?<br />
Sei que novamente devo estar exigindo mais do que o texto discute, mas gostaria de aproveitar para perguntar a tua opinião, mesmo que sumária, sobre o anarco-comunismo italiano.<br />
A propósito, comecei a ler o teu &#8220;Labirintos&#8221; num PDF que encontrei na web, mas não pude concluir a leitura por conta de um problema no arquivo. Contudo, a passagem que você me indicou está incólume. O quanto antes farei a leitura.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-189490</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2014 09:18:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Luiz,
Mas o autor é o Sternhell, não sou eu. Na continuação do texto, tanto na terceira como na quarta parte, será desenvolvida a questão do sindicalismo revolucionário italiano e da evolução que o levou a ser uma das correntes formadoras do fascismo. Mas como se trata da introdução a um livro, a exposição de Sternhell será obrigatoriamente sumária; é no corpo do livro que ele esmiuça a questão. O meu propósito naquele comentário foi apenas chamar a atenção para a necessidade de estudar uma série de problemas em vez de os arrumar apressadamente de lado. Quando Rolão Preto — chefe do fascismo populista português, o nacional-sindicalismo, que procurou sem êxito derrubar ou empurrar o fascismo clerical e conservador de Salazar — declarou mais tarde «Sorel é para mim o grande mestre. Foi ele que fez talvez tudo», temos colocado um problema ao qual deveria ser impossível voltar as costas. Mas para o aprofundar é necessario ler uma bibliografia que na maior parte está em italiano, em inglês e em francês, o que torna a situação mais difícil para os brasileiros. Eu tratei deste assunto num livro que se pode encontrar no Brasil em bibliotecas, &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta&lt;/em&gt; (Porto: Afrontamento, 2003), nas págs. 390-413.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz,<br />
Mas o autor é o Sternhell, não sou eu. Na continuação do texto, tanto na terceira como na quarta parte, será desenvolvida a questão do sindicalismo revolucionário italiano e da evolução que o levou a ser uma das correntes formadoras do fascismo. Mas como se trata da introdução a um livro, a exposição de Sternhell será obrigatoriamente sumária; é no corpo do livro que ele esmiuça a questão. O meu propósito naquele comentário foi apenas chamar a atenção para a necessidade de estudar uma série de problemas em vez de os arrumar apressadamente de lado. Quando Rolão Preto — chefe do fascismo populista português, o nacional-sindicalismo, que procurou sem êxito derrubar ou empurrar o fascismo clerical e conservador de Salazar — declarou mais tarde «Sorel é para mim o grande mestre. Foi ele que fez talvez tudo», temos colocado um problema ao qual deveria ser impossível voltar as costas. Mas para o aprofundar é necessario ler uma bibliografia que na maior parte está em italiano, em inglês e em francês, o que torna a situação mais difícil para os brasileiros. Eu tratei deste assunto num livro que se pode encontrar no Brasil em bibliotecas, <em>Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta</em> (Porto: Afrontamento, 2003), nas págs. 390-413.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-189421</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2014 01:55:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=91613#comment-189421</guid>

					<description><![CDATA[O JB preparou a discussão, instigou o leitor (pelo menos a mim), mas não desenvolveu.
&quot;O que sucede é que os sindicalistas revolucionários fizeram uma dada crítica ao determinismo marxista, e trata-se de ver quais as características que teve essa crítica, de que maneira se inseriu no pensamento da época, quais as suas relações e filiações, e que consequências ideológicas e políticas essa crítica veio a ter. É um exercício de história concreta, que exige conhecimentos e com o qual todos nós devemos aprender.&quot; 
Não seria possível dar continuação à discussão? Sinceramente não tenho esse debate, mas nutro um profundo interesse por ele...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O JB preparou a discussão, instigou o leitor (pelo menos a mim), mas não desenvolveu.<br />
&#8220;O que sucede é que os sindicalistas revolucionários fizeram uma dada crítica ao determinismo marxista, e trata-se de ver quais as características que teve essa crítica, de que maneira se inseriu no pensamento da época, quais as suas relações e filiações, e que consequências ideológicas e políticas essa crítica veio a ter. É um exercício de história concreta, que exige conhecimentos e com o qual todos nós devemos aprender.&#8221;<br />
Não seria possível dar continuação à discussão? Sinceramente não tenho esse debate, mas nutro um profundo interesse por ele&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/02/91613/#comment-186338</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Feb 2014 10:23:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leo,
Não se trata de ler o livro todo nem a obra toda de Sternhell. Aliás, aconselho-lhe vivamente a leitura de outro livro dele, &lt;em&gt;La Droite Révolutionnaire, 1885-1914. Les Origines Françaises du Fascisme&lt;/em&gt; (Paris: Seuil, 1978), isto a propósito de uma discussão que já aqui tivemos sobre a utilização dada pela extrema-direita às ideias de Proudhon. Trata-se de não esquecer que este texto de Sternhell foi dividido em quatro partes e aqui está somente a primeira.
Não entendo por que lhe causa tanta indignação a noção de que o socialismo derivou de Marx. Na época a que Sternehell está a referir-se, da gestação do movimento fascista na última década do século XIX e na primeira década e meia do século XX, o socialismo era a Segunda Internacional, e a na Segunda Internacional todos os debates giraram em torno dos escritos de Marx. Mesmo na Itália, onde a presença anarquista havia sido muito forte, a maioria dos anarquistas acabou por se integrar no Partido Socialista e por aceitar as disputas eleitorais. Aliás, este facto foi importante para a formação do jovem Mussolini, visto que o pai dele foi um desses anarquistas integrados no Partido Socialista. Se algum defeito posso encontrar naquela rápida afirmação de Sternhell é que ele devia ter escrito «como aconteceu com o socialismo &lt;em&gt;continental&lt;/em&gt;», já que na Grã-Bretanha o socialismo trabalhista foi mais um herdeiro das dissidências protestantes do que do marxismo.
A outra passagem de Zeev Sternhell que o indigna é a seguinte: «[...] o antimaterialismo, por volta de 1900, também representava a rejeição dos principais postulados da economia marxista e um ataque aos fundamentos racionalistas do pensamento de Marx. Foram os sindicalistas revolucionários, dissidentes da esquerda, que, por meio da crítica ao determinismo marxista, criaram os primeiros elementos da síntese fascista na primeira década do nosso século». Você argumenta que pode rejeitar-se o determinismo marxista sem ser irracionalista. Ora, o fundamental é que se trata de uma análise histórica e não das possíveis acrobacias do pensamento, que pode sempre juntar tudo e de todas as maneiras. Castoriadis, que você evocou a despropósito, não é para aqui chamado porque viveu noutra época e noutro contexto. A questão central é analisar «o antimaterialismo, por volta de 1900» e a este respeito seria importante você meditar um pouco na última das questões que lhe coloquei, da relação entre as teses de Sorel e a filosofia de Bergson. Sternhell também não afirma que a crítica ao determinismo marxista fosse feita apenas pelos sindicalistas revolucionários. É um homem que dedicou toda a sua vida ao estudo destas questões e desta época, não cometeria erros tão grosseiros. O que sucede é que os sindicalistas revolucionários fizeram uma dada crítica ao determinismo marxista, e trata-se de ver quais as características que teve essa crítica, de que maneira se inseriu no pensamento da época, quais as suas relações e filiações, e que consequências ideológicas e políticas essa crítica veio a ter. É um exercício de história concreta, que exige conhecimentos e com o qual todos nós devemos aprender.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo,<br />
Não se trata de ler o livro todo nem a obra toda de Sternhell. Aliás, aconselho-lhe vivamente a leitura de outro livro dele, <em>La Droite Révolutionnaire, 1885-1914. Les Origines Françaises du Fascisme</em> (Paris: Seuil, 1978), isto a propósito de uma discussão que já aqui tivemos sobre a utilização dada pela extrema-direita às ideias de Proudhon. Trata-se de não esquecer que este texto de Sternhell foi dividido em quatro partes e aqui está somente a primeira.<br />
Não entendo por que lhe causa tanta indignação a noção de que o socialismo derivou de Marx. Na época a que Sternehell está a referir-se, da gestação do movimento fascista na última década do século XIX e na primeira década e meia do século XX, o socialismo era a Segunda Internacional, e a na Segunda Internacional todos os debates giraram em torno dos escritos de Marx. Mesmo na Itália, onde a presença anarquista havia sido muito forte, a maioria dos anarquistas acabou por se integrar no Partido Socialista e por aceitar as disputas eleitorais. Aliás, este facto foi importante para a formação do jovem Mussolini, visto que o pai dele foi um desses anarquistas integrados no Partido Socialista. Se algum defeito posso encontrar naquela rápida afirmação de Sternhell é que ele devia ter escrito «como aconteceu com o socialismo <em>continental</em>», já que na Grã-Bretanha o socialismo trabalhista foi mais um herdeiro das dissidências protestantes do que do marxismo.<br />
A outra passagem de Zeev Sternhell que o indigna é a seguinte: «[&#8230;] o antimaterialismo, por volta de 1900, também representava a rejeição dos principais postulados da economia marxista e um ataque aos fundamentos racionalistas do pensamento de Marx. Foram os sindicalistas revolucionários, dissidentes da esquerda, que, por meio da crítica ao determinismo marxista, criaram os primeiros elementos da síntese fascista na primeira década do nosso século». Você argumenta que pode rejeitar-se o determinismo marxista sem ser irracionalista. Ora, o fundamental é que se trata de uma análise histórica e não das possíveis acrobacias do pensamento, que pode sempre juntar tudo e de todas as maneiras. Castoriadis, que você evocou a despropósito, não é para aqui chamado porque viveu noutra época e noutro contexto. A questão central é analisar «o antimaterialismo, por volta de 1900» e a este respeito seria importante você meditar um pouco na última das questões que lhe coloquei, da relação entre as teses de Sorel e a filosofia de Bergson. Sternhell também não afirma que a crítica ao determinismo marxista fosse feita apenas pelos sindicalistas revolucionários. É um homem que dedicou toda a sua vida ao estudo destas questões e desta época, não cometeria erros tão grosseiros. O que sucede é que os sindicalistas revolucionários fizeram uma dada crítica ao determinismo marxista, e trata-se de ver quais as características que teve essa crítica, de que maneira se inseriu no pensamento da época, quais as suas relações e filiações, e que consequências ideológicas e políticas essa crítica veio a ter. É um exercício de história concreta, que exige conhecimentos e com o qual todos nós devemos aprender.</p>
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