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	Comentários sobre: Pregar no deserto: 2) o nacionalismo é uma questão social e não nacional	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-221204</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 May 2014 11:19:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Num comentário à 1ª parte deste artigo C33 afirmou que «o capitalismo procura internacionalizar-se o mais possível» e, portanto, «é necessário que exista uma forte vertente nacionalista para combater isso». O raciocínio é de um primarismo atroz, mas, como é muito difundido, há que encará-lo. Precisamente nesta 2ª parte do artigo o &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; mostrou o significado económico de tal nacionalismo — a subordinação dos trabalhadores aos interesses das empresas mais retardatárias, aquelas em que predomina a mais-valia absoluta. Pergunto a mim mesmo se este comentário de C33 não foi simplesmente inventado, a tal ponto ele serve para ilustrar as teses expostas no artigo, empenhando-se em defender os interesses dos capitalistas mais arcaicos. Ainda por cima, é este mesmo C33 quem, no referido comentário à 1ª parte do artigo, invoca «a imigração descontrolada». Os trabalhadores portugueses ficariam subordinados aos interesses daqueles patrões portugueses que são incapazes de se modernizar tecnologicamente e por isso são adeptos dos baixos salários; e, para disfarçar, agitar-se-ia perante os trabalhadores portugueses o papão da «imigração descontrolada», ou seja, lançar-se-iam os trabalhadores uns contra os outros.
Aparecem sempre leitores a demonstrar, com o seu exemplo, que mesmo os piores diagnósticos são realistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num comentário à 1ª parte deste artigo C33 afirmou que «o capitalismo procura internacionalizar-se o mais possível» e, portanto, «é necessário que exista uma forte vertente nacionalista para combater isso». O raciocínio é de um primarismo atroz, mas, como é muito difundido, há que encará-lo. Precisamente nesta 2ª parte do artigo o <em>Passa Palavra</em> mostrou o significado económico de tal nacionalismo — a subordinação dos trabalhadores aos interesses das empresas mais retardatárias, aquelas em que predomina a mais-valia absoluta. Pergunto a mim mesmo se este comentário de C33 não foi simplesmente inventado, a tal ponto ele serve para ilustrar as teses expostas no artigo, empenhando-se em defender os interesses dos capitalistas mais arcaicos. Ainda por cima, é este mesmo C33 quem, no referido comentário à 1ª parte do artigo, invoca «a imigração descontrolada». Os trabalhadores portugueses ficariam subordinados aos interesses daqueles patrões portugueses que são incapazes de se modernizar tecnologicamente e por isso são adeptos dos baixos salários; e, para disfarçar, agitar-se-ia perante os trabalhadores portugueses o papão da «imigração descontrolada», ou seja, lançar-se-iam os trabalhadores uns contra os outros.<br />
Aparecem sempre leitores a demonstrar, com o seu exemplo, que mesmo os piores diagnósticos são realistas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: C33		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-221057</link>

		<dc:creator><![CDATA[C33]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 May 2014 00:41:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Adorei este texto. Nunca tinha visto alguem que se diz de esquerda a defender banqueiros, federalistas e a união bancária (a nao ser, claro, a malta do PS). Se os outros são nacionalistas de esquerda então voces sao capitalistas de esquerda. Eu nem sei o que vos leva a atacar o capitalismo, dado que, vendo bem as coisas, o capitalismo está a proporcionar-vos o contexto ideal para realizarem os vossos sonhos. Espera lá... deve ser por isso que so atacam anti-capitalistas...

Adiante... o texto até foi interessante mas, como seria de esperar, todos os facto que sao contra o vosso argumento foram &quot;esquecidos&quot;. Ainda escorregaram quando referiram os centros comerciais, cujo problema é importarem demasiado e constrangirem a produçao nacional, mas esqueceram-se de referir coisas como a UE pagar para nao produzirmos e por restriçoes a quantidade que podemos produzir de certos produtos, ou que, enquanto estivermos no euro, teremos que contraír sempre dívida para nos financiarmos, enquantos os alemaes adquirem euros a taxas de juro negativas. Enfim, os bonzinhos da UE ate tem feito tudo para que o nosso pais avance, o problema tem sido mesmo os «nacionalistas de esquerda».

O federalismo e a união bancária significam, na practica, sermos governados, não pela Alemanha, mas por um conjunto de interesses que nada tem a ver com os nossos, fazendo com que todos os povos fiquem impedidos de mudar o q quer q seja por si próprios e dificultando qualquer tipo de movimento anti-sistema, dado que a organizaçao percisaria de ser a um nível europeu em vez de meramente estatal, e poderíamos ser empurrados para conflitos com os quais nada temos a ver, meramente na moda dos EUA, em que todos os estados funcionam como um potencial económico e militar unificado, sem que nenhum deles tenha direito a dizer que quer ver as coisas feitas de maneira diferente. Certamente que Portugal nada tem a ganhar com isto e que os grandes capitalistas tem tudo a ganhar, mas isto é daquelas coisas que voces se recusam a ver.

Epa alistem-se no PSD, se funcionou para o Barroso também deve funcionar para vocês...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Adorei este texto. Nunca tinha visto alguem que se diz de esquerda a defender banqueiros, federalistas e a união bancária (a nao ser, claro, a malta do PS). Se os outros são nacionalistas de esquerda então voces sao capitalistas de esquerda. Eu nem sei o que vos leva a atacar o capitalismo, dado que, vendo bem as coisas, o capitalismo está a proporcionar-vos o contexto ideal para realizarem os vossos sonhos. Espera lá&#8230; deve ser por isso que so atacam anti-capitalistas&#8230;</p>
<p>Adiante&#8230; o texto até foi interessante mas, como seria de esperar, todos os facto que sao contra o vosso argumento foram &#8220;esquecidos&#8221;. Ainda escorregaram quando referiram os centros comerciais, cujo problema é importarem demasiado e constrangirem a produçao nacional, mas esqueceram-se de referir coisas como a UE pagar para nao produzirmos e por restriçoes a quantidade que podemos produzir de certos produtos, ou que, enquanto estivermos no euro, teremos que contraír sempre dívida para nos financiarmos, enquantos os alemaes adquirem euros a taxas de juro negativas. Enfim, os bonzinhos da UE ate tem feito tudo para que o nosso pais avance, o problema tem sido mesmo os «nacionalistas de esquerda».</p>
<p>O federalismo e a união bancária significam, na practica, sermos governados, não pela Alemanha, mas por um conjunto de interesses que nada tem a ver com os nossos, fazendo com que todos os povos fiquem impedidos de mudar o q quer q seja por si próprios e dificultando qualquer tipo de movimento anti-sistema, dado que a organizaçao percisaria de ser a um nível europeu em vez de meramente estatal, e poderíamos ser empurrados para conflitos com os quais nada temos a ver, meramente na moda dos EUA, em que todos os estados funcionam como um potencial económico e militar unificado, sem que nenhum deles tenha direito a dizer que quer ver as coisas feitas de maneira diferente. Certamente que Portugal nada tem a ganhar com isto e que os grandes capitalistas tem tudo a ganhar, mas isto é daquelas coisas que voces se recusam a ver.</p>
<p>Epa alistem-se no PSD, se funcionou para o Barroso também deve funcionar para vocês&#8230;</p>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-207486</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2014 19:38:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=92395#comment-207486</guid>

					<description><![CDATA[O comentário acima, de minha autoria, é de 25 de Março. Três dias depois, num texto dedicado à relação entre oportunismo/reformismo e fascismo, o senhor José Ferreira diz o seguinte: «a partir do momento em que o europeísmo se mostra comum ao “oportunismo” e ao fascismo», sendo que parte desta transcrição remete para um texto sobre a análise do Passa Palavra ao fenómeno fascista, nomeadamente o caso da Frente Nacional. Não serei eu a analisar as abordagens do Passa Palavra ao assunto, apesar de me rever em grande parte das mesmas. Aqui importa ver o que o senhor José Ferreira considera como europeísmo.
Segundo este autor, que responde indirecta e muito superficialmente ao que lhe foi colocado no comentário anterior, o fascismo hoje teria tanto de nacionalista como de europeísta. Se assim fosse, então também o leninismo seria sempre internacionalista, já que também contempla a libertação nacional de &quot;todos os povos oprimidos&quot;... Ora, e aqui volto ao final do meu comentário anterior. Juntar povos e nações numa qualquer Europa das nações não é mais do que agregar nacionalismos, e não criar um internacionalismo. Admira-me que alguém ligado ao PCP nem sequer contemple a obra de um historiador sobre o assunto. Em &quot;O nosso século é fascista&quot;, Manuel Loff defende uma inserção fascista do Estado Novo e do franquismo no fenómeno fascista mais global precisamente a partir da defesa transversal de uma Nova Ordem europeia, constituída precisamente a partir da construção de um Europa de nações dirigidas por regimes fascistas. Em suma, nos anos 30 era comum a todos os líderes fascistas a defesa da construção de uma Europa fascista, mas a partir do princípio que disse no final do comentário anterior: «uma colecção de nacionalismos, uma colecção de nações independentes, uma Europa das nações». Sobre este traço constitutivo do fascismo, o senhor José Ferreira nada diz.

Para terminar. O internacionalismo não é uma colecção de nações libertadas, mas sustenta-se num princípio que defende a unificação de processos nacionais de luta e, em última instância, a dissolução das fronteiras. Sobre isto a esquerda estatista nada diz. Pudera, se a manutenção de uma classe trabalhadora fragmentada pelas fronteiras nacionais é condição sine qua non para o seu sucesso político. Não é esta esquerda que defende que cada povo deve tratar dos seus assuntos e que o compromisso de cada Partidão é, sempre em primeira instância, para com o seu país? Deste patriotismo até ao nacionalismo fica difícil de ver qualquer tipo de barreira intransponível. Depois esta gente espanta-se com o deslizamento de trabalhadores da esquerda para formações de extrema-direita. Ainda por cima quando essa tem sido sempre a regra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comentário acima, de minha autoria, é de 25 de Março. Três dias depois, num texto dedicado à relação entre oportunismo/reformismo e fascismo, o senhor José Ferreira diz o seguinte: «a partir do momento em que o europeísmo se mostra comum ao “oportunismo” e ao fascismo», sendo que parte desta transcrição remete para um texto sobre a análise do Passa Palavra ao fenómeno fascista, nomeadamente o caso da Frente Nacional. Não serei eu a analisar as abordagens do Passa Palavra ao assunto, apesar de me rever em grande parte das mesmas. Aqui importa ver o que o senhor José Ferreira considera como europeísmo.<br />
Segundo este autor, que responde indirecta e muito superficialmente ao que lhe foi colocado no comentário anterior, o fascismo hoje teria tanto de nacionalista como de europeísta. Se assim fosse, então também o leninismo seria sempre internacionalista, já que também contempla a libertação nacional de &#8220;todos os povos oprimidos&#8221;&#8230; Ora, e aqui volto ao final do meu comentário anterior. Juntar povos e nações numa qualquer Europa das nações não é mais do que agregar nacionalismos, e não criar um internacionalismo. Admira-me que alguém ligado ao PCP nem sequer contemple a obra de um historiador sobre o assunto. Em &#8220;O nosso século é fascista&#8221;, Manuel Loff defende uma inserção fascista do Estado Novo e do franquismo no fenómeno fascista mais global precisamente a partir da defesa transversal de uma Nova Ordem europeia, constituída precisamente a partir da construção de um Europa de nações dirigidas por regimes fascistas. Em suma, nos anos 30 era comum a todos os líderes fascistas a defesa da construção de uma Europa fascista, mas a partir do princípio que disse no final do comentário anterior: «uma colecção de nacionalismos, uma colecção de nações independentes, uma Europa das nações». Sobre este traço constitutivo do fascismo, o senhor José Ferreira nada diz.</p>
<p>Para terminar. O internacionalismo não é uma colecção de nações libertadas, mas sustenta-se num princípio que defende a unificação de processos nacionais de luta e, em última instância, a dissolução das fronteiras. Sobre isto a esquerda estatista nada diz. Pudera, se a manutenção de uma classe trabalhadora fragmentada pelas fronteiras nacionais é condição sine qua non para o seu sucesso político. Não é esta esquerda que defende que cada povo deve tratar dos seus assuntos e que o compromisso de cada Partidão é, sempre em primeira instância, para com o seu país? Deste patriotismo até ao nacionalismo fica difícil de ver qualquer tipo de barreira intransponível. Depois esta gente espanta-se com o deslizamento de trabalhadores da esquerda para formações de extrema-direita. Ainda por cima quando essa tem sido sempre a regra.</p>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-203402</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Mar 2014 21:32:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quem como eu lê o Passa Palavra regularmente e vê as asneiradas e as ignorâncias completas sobre o que foi o fascismo e a sua expressão internacional, talvez valha a pena recuperar um comentário do João Bernardo (http://passapalavra.info/2014/01/90438#comments) sobre um assunto relativamente análogo ao que é referido por José Ferreira:

«Segui na internet algumas discussões acerca deste artigo, e num caso houve quem admitisse a existência de um «patriotismo internacionalista» e afirmasse que o «nacionalismo de esquerda» «tende a não ser exclusivista», enquanto o «nacionalismo de direita» «tende a ser exclusivista». Aqui lembrei-me de várias coisas, por exemplo do confronto militar entre a República Popular da China e a República Socialista do Vietname em Fevereiro e Março de 1979, dois nacionalismos de esquerda que, segundo aquela regra optimista, deveriam tender a não ser exclusivistas. Lembrei-me também de que, por iniciativa da Itália e na ausência do partido nacional-socialista alemão, se realizou em Dezembro de 1934 a conferência de Montreux, na Suíça, reunindo representantes dos movimentos fascistas de quinze países europeus, o que constitui um caso em que o nacionalismo de direita não se mostrou exclusivista. Aliás, a respeito da ausência dos nacionais-socialistas germânicos de Montreux convém saber que Hitler, sobretudo na sua roda de íntimos, se pronunciou várias vezes contra o nacionalismo, precisamente por considerá-lo demasiado exclusivista. Contra a divisão numa multiplicidade de nações Hitler e Himmler defendiam a união em grandes grupos raciais. Assim, dos 900 mil homens que até ao final da guerra haviam passado pelos Waffen SS, menos de metade eram alemães originários do Reich. Como fica, perante estes factos, a pretensa divisão entre o carácter exclusivista atribuído ao nacionalismo de direita e o carácter não exclusivista atribuído ao nacionalismo de esquerda? Esquerda e direita não servem para diferençar os nacionalismos; o nacionalismo é que serve para ligar a direita e a esquerda numa teia perversa.
É que a operação fundamental do nacionalismo não se dirige ao lado de fora das fronteiras, mas ao lado de dentro. O primeiro objectivo do nacionalismo é atrelar a classe trabalhadora de um país aos capitalistas desse país — mesmo que as suas empresas estejam inseridas nas redes internacionais do capital. O nacionalismo não se destina a preservar tradições e culturas, porque isso se faz dentro das unidades nacionais, tanto federadas como centralizadas. O objectivo do nacionalismo é, pura e simplemente, o reforço do poder de Estado. O nacionalismo é a via para o capitalismo de Estado. É para isto, e só para isto, que serve a junção do nacional ao social.
Ora, o eixo da crítica feita ao Guião Político por este artigo — e li com atenção ambos os documentos — parece-me ser o da inanidade das soluções económicas defendidas numa perspectiva nacionalista. O absurdo económico da saída de Portugal do euro, da adopção de uma moeda desvalorizada e do recurso à inflação explicam-se ao sabermos que o seu objectivo político é o reforço do capitalismo de Estado, assente numa extensão da mais-valia absoluta».

Por outro lado, o senhor José Ferreira ganhava alguma coisa em ler os textos do Sternhell e do João Bernardo que têm sido oportunamente publicados por este espaço. Pode ser que aprenda alguma coisa sobre o que constitui o fascismo no seu âmago: uma colecção de nacionalismos, uma colecção de nações independentes, uma Europa das nações. Precisamente a mesma coisa que a esquerda que o senhor José Ferreira defende.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem como eu lê o Passa Palavra regularmente e vê as asneiradas e as ignorâncias completas sobre o que foi o fascismo e a sua expressão internacional, talvez valha a pena recuperar um comentário do João Bernardo (<a href="http://passapalavra.info/2014/01/90438#comments" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/01/90438#comments</a>) sobre um assunto relativamente análogo ao que é referido por José Ferreira:</p>
<p>«Segui na internet algumas discussões acerca deste artigo, e num caso houve quem admitisse a existência de um «patriotismo internacionalista» e afirmasse que o «nacionalismo de esquerda» «tende a não ser exclusivista», enquanto o «nacionalismo de direita» «tende a ser exclusivista». Aqui lembrei-me de várias coisas, por exemplo do confronto militar entre a República Popular da China e a República Socialista do Vietname em Fevereiro e Março de 1979, dois nacionalismos de esquerda que, segundo aquela regra optimista, deveriam tender a não ser exclusivistas. Lembrei-me também de que, por iniciativa da Itália e na ausência do partido nacional-socialista alemão, se realizou em Dezembro de 1934 a conferência de Montreux, na Suíça, reunindo representantes dos movimentos fascistas de quinze países europeus, o que constitui um caso em que o nacionalismo de direita não se mostrou exclusivista. Aliás, a respeito da ausência dos nacionais-socialistas germânicos de Montreux convém saber que Hitler, sobretudo na sua roda de íntimos, se pronunciou várias vezes contra o nacionalismo, precisamente por considerá-lo demasiado exclusivista. Contra a divisão numa multiplicidade de nações Hitler e Himmler defendiam a união em grandes grupos raciais. Assim, dos 900 mil homens que até ao final da guerra haviam passado pelos Waffen SS, menos de metade eram alemães originários do Reich. Como fica, perante estes factos, a pretensa divisão entre o carácter exclusivista atribuído ao nacionalismo de direita e o carácter não exclusivista atribuído ao nacionalismo de esquerda? Esquerda e direita não servem para diferençar os nacionalismos; o nacionalismo é que serve para ligar a direita e a esquerda numa teia perversa.<br />
É que a operação fundamental do nacionalismo não se dirige ao lado de fora das fronteiras, mas ao lado de dentro. O primeiro objectivo do nacionalismo é atrelar a classe trabalhadora de um país aos capitalistas desse país — mesmo que as suas empresas estejam inseridas nas redes internacionais do capital. O nacionalismo não se destina a preservar tradições e culturas, porque isso se faz dentro das unidades nacionais, tanto federadas como centralizadas. O objectivo do nacionalismo é, pura e simplemente, o reforço do poder de Estado. O nacionalismo é a via para o capitalismo de Estado. É para isto, e só para isto, que serve a junção do nacional ao social.<br />
Ora, o eixo da crítica feita ao Guião Político por este artigo — e li com atenção ambos os documentos — parece-me ser o da inanidade das soluções económicas defendidas numa perspectiva nacionalista. O absurdo económico da saída de Portugal do euro, da adopção de uma moeda desvalorizada e do recurso à inflação explicam-se ao sabermos que o seu objectivo político é o reforço do capitalismo de Estado, assente numa extensão da mais-valia absoluta».</p>
<p>Por outro lado, o senhor José Ferreira ganhava alguma coisa em ler os textos do Sternhell e do João Bernardo que têm sido oportunamente publicados por este espaço. Pode ser que aprenda alguma coisa sobre o que constitui o fascismo no seu âmago: uma colecção de nacionalismos, uma colecção de nações independentes, uma Europa das nações. Precisamente a mesma coisa que a esquerda que o senhor José Ferreira defende.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Jose Ferreira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-203312</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jose Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Mar 2014 19:06:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Penso que o grande defeito das análise do Passa Palavra sobre esse assunto é não observar o quanto o fascismo hoje é mais europeísta que nacionalista. Isso observa-se 1) pela articulação internacional entre os partidos; 2) pelo caráter europeísta do fascismo ucraniano; 3) pela participação de emigrantes portugueses nas listas da Front National; etc. etc. etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Penso que o grande defeito das análise do Passa Palavra sobre esse assunto é não observar o quanto o fascismo hoje é mais europeísta que nacionalista. Isso observa-se 1) pela articulação internacional entre os partidos; 2) pelo caráter europeísta do fascismo ucraniano; 3) pela participação de emigrantes portugueses nas listas da Front National; etc. etc. etc.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-194587</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2014 15:48:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas,
Os links sobre o tema são estes:
«Patrões de esquerda, patrões de direita»
http://passapalavra.info/2013/03/74029 
«As vantagens de ser de esquerda»
http://passapalavra.info/2013/03/74082 
«Coerência»
http://passapalavra.info/2013/03/74227 
«Greve na Caros Amigos: quando a engrenagem sai do eixo»
http://passapalavra.info/2013/03/74136
«O anzol (48)»
http://passapalavra.info/2013/03/74215 
«Caros Amigos?» 
http://passapalavra.info/2013/03/74751 
«Caros Amigos chantageia demitidos» 
http://passapalavra.info/2013/03/74858]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
Os links sobre o tema são estes:<br />
«Patrões de esquerda, patrões de direita»<br />
<a href="http://passapalavra.info/2013/03/74029" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/03/74029</a><br />
«As vantagens de ser de esquerda»<br />
<a href="http://passapalavra.info/2013/03/74082" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/03/74082</a><br />
«Coerência»<br />
<a href="http://passapalavra.info/2013/03/74227" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/03/74227</a><br />
«Greve na Caros Amigos: quando a engrenagem sai do eixo»<br />
<a href="http://passapalavra.info/2013/03/74136" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/03/74136</a><br />
«O anzol (48)»<br />
<a href="http://passapalavra.info/2013/03/74215" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/03/74215</a><br />
«Caros Amigos?»<br />
<a href="http://passapalavra.info/2013/03/74751" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/03/74751</a><br />
«Caros Amigos chantageia demitidos»<br />
<a href="http://passapalavra.info/2013/03/74858" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/03/74858</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-194579</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2014 15:27:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[acho que um exemplo interessante de pequena empresa &quot;de esquerda&quot; que aposta no viés &quot;ideológico&quot; da mais-valia absoluta em solo brasileiro é a revista Caros Amigos, coisa que foi notoriamente revelado na greve de seus trabalhadores no ano passado.
(estou tentando botar os links das postagens do PP a respeito aqui mas o site não anda funcionando bem aqui para mim)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>acho que um exemplo interessante de pequena empresa &#8220;de esquerda&#8221; que aposta no viés &#8220;ideológico&#8221; da mais-valia absoluta em solo brasileiro é a revista Caros Amigos, coisa que foi notoriamente revelado na greve de seus trabalhadores no ano passado.<br />
(estou tentando botar os links das postagens do PP a respeito aqui mas o site não anda funcionando bem aqui para mim)</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-194564</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2014 14:24:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=92395#comment-194564</guid>

					<description><![CDATA[E no entanto houve outro português, a figura mais completa do século XX naquele país, e com simpatias ainda mais acentuadamente fascistas -- embora não salazaristas -- do que Pessoa, que teve a audácia de terminar o seu &lt;em&gt;Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX&lt;/em&gt;, lido em 1917, com a exclamação: «O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades  e todos os defeitos. Coragem, Portugueses, só vos faltam as qualidades».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E no entanto houve outro português, a figura mais completa do século XX naquele país, e com simpatias ainda mais acentuadamente fascistas &#8212; embora não salazaristas &#8212; do que Pessoa, que teve a audácia de terminar o seu <em>Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX</em>, lido em 1917, com a exclamação: «O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades  e todos os defeitos. Coragem, Portugueses, só vos faltam as qualidades».</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dom Sebastião		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92395/#comment-194549</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dom Sebastião]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2014 13:37:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No fundo, no fundo (mas bem no fundo mesmo, porque portugueses - com raríssimas exceções - não somos dados a encarar de frente os próprios fantasmas - e superá-los), se calhar, estamos à espera d&#039;El Rei Sebastião:

&quot;Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

&lt;i&gt;Valete, Frates.&lt;/i&gt;&quot;

(Descrição de um poeta português famoso - mas não isento de simpatias fascistas, ao que tudo indica - das brumas de onde surgirá - enfim! - o salvador Sebastião a resgatar as glórias lusitanas)

Desculpem se desvio do tema, mas cada vez que falam da tacanhez dos portugueses, não consigo deixar de os imaginar nas brumas à procura d&#039;El Rei...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No fundo, no fundo (mas bem no fundo mesmo, porque portugueses &#8211; com raríssimas exceções &#8211; não somos dados a encarar de frente os próprios fantasmas &#8211; e superá-los), se calhar, estamos à espera d&#8217;El Rei Sebastião:</p>
<p>&#8220;Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,<br />
Define com perfil e ser<br />
Este fulgor baço da terra<br />
Que é Portugal a entristecer —<br />
Brilho sem luz e sem arder,<br />
Como o que o fogo-fátuo encerra.</p>
<p>Ninguém sabe que coisa quer.<br />
Ninguém conhece que alma tem,<br />
Nem o que é mal nem o que é bem.<br />
(Que ânsia distante perto chora?)<br />
Tudo é incerto e derradeiro.<br />
Tudo é disperso, nada é inteiro.<br />
Ó Portugal, hoje és nevoeiro&#8230;</p>
<p>É a Hora!</p>
<p><i>Valete, Frates.</i>&#8221;</p>
<p>(Descrição de um poeta português famoso &#8211; mas não isento de simpatias fascistas, ao que tudo indica &#8211; das brumas de onde surgirá &#8211; enfim! &#8211; o salvador Sebastião a resgatar as glórias lusitanas)</p>
<p>Desculpem se desvio do tema, mas cada vez que falam da tacanhez dos portugueses, não consigo deixar de os imaginar nas brumas à procura d&#8217;El Rei&#8230;)</p>
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