<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Teoria do caos	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2014/03/92961/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2014/03/92961/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Fri, 17 Aug 2018 19:35:46 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/03/92961/#comment-196112</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Mar 2014 02:41:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=92961#comment-196112</guid>

					<description><![CDATA[É interessante observar a razão instrumental a serviço do aparelho repressivo do Estado, cuja ação precisa ser refinada de modo a não acumular desaprovações da sociedade civil e, portanto, perdas políticas. A tendência, como se observa no artigo, é a de filtrar e, se possível, evitar o uso da violência policial contra multidões, valendo-se, para isso, do isolamento dos elementos &quot;radicais&quot; e o autopoliciamento das multidões (ao estilo &quot;sem vandalismo&quot; e coisas do gênero). Esse tipo de abordagem teórica não é ignorada pela polícia brasileira, ainda mais num momento de realização de alguns dos grandes eventos internacionais de maior visibilidade, e podemos constatar isso na prática através do cerco recente da PM de São Paulo aos manifestantes na rua Augusta.

Ao mesmo tempo, constata-se no artigo &quot;autodefesa em manifestações, para quê?&quot;, uma tendência, por parte de manifestantes considerados radicais pela ótica policial, a evitar o máximo possível o uso da força e da violência, restringindo-as a condições ótimas de comunicação com o grande público e/ou à preservação física dos manifestantes e manutenção dos objetivos políticos dos protestos. 

Se de ambos os lados do front - o da polícia e o dos manifestantes - há uma reflexão a orientar a restrição da ação violenta, por que ainda observamos nas grandes cidades brasileiras o contumaz emprego desproporcional da violência contra as multidões por parte da polícia? Suponho que o X da questão esteja no alvo desse tipo de ação policialesca, a opinião pública, intermediada, claro, pela nossa mídia corporativa, que em países como o Brasil são elementos quase orgânicos das relações públicas do Estado. Aqui, a missão não é conter as multidões sem ferir gravemente as &quot;liberdades democráticas&quot;, como alegam os teóricos da polícia britânica no presente artigo. O objetivo das nossas Polícias Militares, pelo contrário, é derrotar moralmente as manifestações e isolar os manifestantes (a princípio os &quot;baderneiros&quot;, mas, ao fim e ao cabo, todos) do resto da sociedade civil. E a maneira mais eficaz encontrada pela nossa polícia tem sido justamente a do emprego desproporcional da violência, de modo a gerar reações também violentas dos manifestantes e difundi-las fartamente na mídia, conseguindo, assim, minar a legitimidade dos protestos perante a opinião pública. Têm-no conseguido com vantagem.

Diante desse quadro, quais seriam as condições concretas da autodefesa não ser sistematicamente utilizada como uma arma contra a legitimidade das manifestações? Esse questionamento deve orientar nossas reflexões. Talvez constatemos, por essa via, que, de maneira aparentemente paradoxal, as táticas de desobediência civil e resistência pacífica que já haviam sido banalizadas pela mídia na Europa e nos EUA e, por essa razão, perdido a sua eficácia política por aquelas plagas; essas táticas possam representar, aqui no Brasil de hoje, a melhor maneira de virar novamente a opinião pública a nosso favor. 

Agora que se aproxima a Copa do Mundo, quando o cerco aos manifestantes será provavelmente massivo e muito estudado, um dos desafios centrais será romper o cerco policial e transmitir mundialmente a mensagem de protesto sem acumular perdas política para nós. A pergunta de um milhão de dólares é como consegui-lo - agora, na Copa e depois.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É interessante observar a razão instrumental a serviço do aparelho repressivo do Estado, cuja ação precisa ser refinada de modo a não acumular desaprovações da sociedade civil e, portanto, perdas políticas. A tendência, como se observa no artigo, é a de filtrar e, se possível, evitar o uso da violência policial contra multidões, valendo-se, para isso, do isolamento dos elementos &#8220;radicais&#8221; e o autopoliciamento das multidões (ao estilo &#8220;sem vandalismo&#8221; e coisas do gênero). Esse tipo de abordagem teórica não é ignorada pela polícia brasileira, ainda mais num momento de realização de alguns dos grandes eventos internacionais de maior visibilidade, e podemos constatar isso na prática através do cerco recente da PM de São Paulo aos manifestantes na rua Augusta.</p>
<p>Ao mesmo tempo, constata-se no artigo &#8220;autodefesa em manifestações, para quê?&#8221;, uma tendência, por parte de manifestantes considerados radicais pela ótica policial, a evitar o máximo possível o uso da força e da violência, restringindo-as a condições ótimas de comunicação com o grande público e/ou à preservação física dos manifestantes e manutenção dos objetivos políticos dos protestos. </p>
<p>Se de ambos os lados do front &#8211; o da polícia e o dos manifestantes &#8211; há uma reflexão a orientar a restrição da ação violenta, por que ainda observamos nas grandes cidades brasileiras o contumaz emprego desproporcional da violência contra as multidões por parte da polícia? Suponho que o X da questão esteja no alvo desse tipo de ação policialesca, a opinião pública, intermediada, claro, pela nossa mídia corporativa, que em países como o Brasil são elementos quase orgânicos das relações públicas do Estado. Aqui, a missão não é conter as multidões sem ferir gravemente as &#8220;liberdades democráticas&#8221;, como alegam os teóricos da polícia britânica no presente artigo. O objetivo das nossas Polícias Militares, pelo contrário, é derrotar moralmente as manifestações e isolar os manifestantes (a princípio os &#8220;baderneiros&#8221;, mas, ao fim e ao cabo, todos) do resto da sociedade civil. E a maneira mais eficaz encontrada pela nossa polícia tem sido justamente a do emprego desproporcional da violência, de modo a gerar reações também violentas dos manifestantes e difundi-las fartamente na mídia, conseguindo, assim, minar a legitimidade dos protestos perante a opinião pública. Têm-no conseguido com vantagem.</p>
<p>Diante desse quadro, quais seriam as condições concretas da autodefesa não ser sistematicamente utilizada como uma arma contra a legitimidade das manifestações? Esse questionamento deve orientar nossas reflexões. Talvez constatemos, por essa via, que, de maneira aparentemente paradoxal, as táticas de desobediência civil e resistência pacífica que já haviam sido banalizadas pela mídia na Europa e nos EUA e, por essa razão, perdido a sua eficácia política por aquelas plagas; essas táticas possam representar, aqui no Brasil de hoje, a melhor maneira de virar novamente a opinião pública a nosso favor. </p>
<p>Agora que se aproxima a Copa do Mundo, quando o cerco aos manifestantes será provavelmente massivo e muito estudado, um dos desafios centrais será romper o cerco policial e transmitir mundialmente a mensagem de protesto sem acumular perdas política para nós. A pergunta de um milhão de dólares é como consegui-lo &#8211; agora, na Copa e depois.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
