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	Comentários sobre: Ainda não sabiam que eram fascistas. 5) Mussolini, o mais improvável dos fascistas	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Hugo Scabello		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-338474</link>

		<dc:creator><![CDATA[Hugo Scabello]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Sep 2018 13:17:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Boa coletânea de textos, nos traz bastante informação sobre o que foi o Sindicalismo Revolucionário - movimento o qual tive como referência durante boa parte do período em que reivindiquei e militei em organizações anarquistas. Admito que até hoje nutro grande respeito e admiração por Alceste de Ambris, e mesmo pelo polêmico Sorel. 

Todavia, discordo profundamente da tese central do texto - de que o Sindicalismo Revolucionário era fascista (ou protofascista, ou pré-fascista, o termo é o que menos importa), ainda que de maneira inconsciente. Gostaria de, brevemente, apresentar alguns argumentos (em formas de pontos) a fim de criticar esta tese, e defender a tese de que o nazi-fascismo clássico foi um movimento diretamente relacionado com um impulso imperialista por parte das burguesias nacionais de países da periferia do centro do capitalismo monopolista - países que já faziam parte do centro capitalista, entretanto, se encontravam neste de maneira marginalizada (como Itália e Alemanha, esta segunda especialmente após sua derrota na Primeira Guerra), e o que explica as oscilações e diversas coaptações de sindicalistas revolucionários (assim como de anarquistas não sindicalistas, e mesmo de socialistas de outras matizes) não é o fato da semente do imperialismo em sua face fascista já estar presente no Sindicalismo Revolucionário, mas sim a ausência de uma práxis a cerca da questão nacional e do nacionalismo a altura dos desafios daquele período histórico propriamente dito. Práxis a qual só encontra uma formulação coerente e superior inicialmente em Lenin, mas, sendo de fato melhor acabada por Stalin. 

1. Apoios, adesões e oscilações frente tanto às políticas imperialistas quanto ao movimento fascista propriamente dito, não são exclusividade dos socialistas do campo do sindicalismo revolucionário. Todos os campos do socialismo foram afetados; socialdemocratas, anarquistas (individualistas, anarco-comunistas etc).

2. Outro argumento evidente equivocado do autor é o de colocar a questão da soberania nacional - o nacionalismo - como algo exógeno às lutas proletárias, algo que foi trazido dos círculos reacionários para o seio do pensamento socialista através de teóricos do Sindicalismo Revolucionário. Basta pensar as diversas lutas de libertação nacional de povos eslavos - lutas as quais Bakunin se relacionou - ou mesmo a Comuna de Paris, que fora um levante popular nacionalista contra a invasão ao território soberano francês. O proletariado, em conjunto com outros setores da população parisiense, ao perceber que a burguesia e seus políticos seriam incapazes de deter o avanço dos invasores prussianos, aderem ao chamado das lideranças - hegemonicamente blanquistas - de pegar em armas e tomar o poder a fim de libertar Paris e a França da ameaça invasora. Vale ressaltar a estrategia que Bakunin esboçou, nas cartas que este trocou durante o período, a qual antecipa em grande medida a que Lenin formularia para Primeira Guerra - articular a luta de libertação nacional com a guerra popular revolucionária. 

3. Entretanto, ainda que o nacionalismo e suas questões estarem sempre mais ou menos presentes nas lutas sociais no capitalismo, as formulações a respeito desta sempre foram mais ou menos precárias e assim, se mostraram absolutamente insuficientes nas primeiras décadas do século XX - momento quando a questão nacional teve sem dúvidas importante destaque nas contradições sociais (penso aqui, inclusive, nas formulações de Mao Zedong a cerca das contradições). Acredito que esta precariedade frente a questão nacional esteja relacionada com a forte dose de idealismo messiânico e utopista presente no socialismo - especialmente no do século XIX. Crenças messiânicas do tipo do &quot;fim do Estado&quot; &quot;fim das nações&quot; &quot;fim do mercado&quot; e etc impregnavam o pensamento socialista da época - e, convenhamos, se o Estado e as nações vão todos acabar, e o paraíso na terra será em breve estabelecido, qual seria a necessidade de se debruçar com firmeza sobre tais temáticas que pretensamente se dissiparão no ar? Essa grave lacuna no pensamento socialista da época faz, por exemplo, que mesmo Marx tome posições explicitamente imperialistas em alguns de seus artigos - como observa de maneira crítica Domenico Losurdo.

4. Esta insuficiência se torna absolutamente explicita com o acirramento das tensões no começo do século XX. Neste sentido, é bastante compreensível o fato de diversos pensadores do Sindicalismo Revolucionário - que fora formado tanto por elementos oriundos do anarquismo, quanto dissidentes dos partidos socialistas - tentarem resolver este problema. 

5.  Contudo, uma formulação de fato mais adequada e a altura das exigências do momento histórico, só é de fato encontrada em Lenin (ex &quot;Imperialismo&quot;) e Stalin (ex &quot;marxismo e a questão nacional). Essa práxis superior de compreensão da questão nacional está diretamente vinculado com a vitória da revolução russa, assim como do sucesso da construção do socialismo na URSS - mas também, e não menos importante, serviu de pedal e inspiração para praticamente todas as revoluções socialistas de libertação nacional do século XX. O fato de Che Guevara ter pronunciado sua promessa de engajamento na luta revolucionária de frente para uma foto de Stalin, é mais do que uma mera curiosidade histórica.

Acho que fico por aqui, gostaria só de também fazer alguns comentários aleatórios:
- A questão nacional e nacionalista é cheia de nuances. Por exemplo, expulsar invasores no sentido de garantir a reunificação territorial e a soberania nacional é evidentemente diferente de expansionismo imperialista. O que torna complexa algumas questões envolvendo a italia da época.

- A Carta del Carnaro - projeto de constituição para a fugaz Republica de Carnaro redigida por Alceste de Ambris, mas revisada por Gabriel D&#039;annunzio, é um documento extremamente interessante e avançado para aquele momento. Sugiro a leitura - ela é facilmente encontrada na internet, entretanto em italiano.

Tenho a impressão de que me esqueci de algumas coisas, mas enfim...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Boa coletânea de textos, nos traz bastante informação sobre o que foi o Sindicalismo Revolucionário &#8211; movimento o qual tive como referência durante boa parte do período em que reivindiquei e militei em organizações anarquistas. Admito que até hoje nutro grande respeito e admiração por Alceste de Ambris, e mesmo pelo polêmico Sorel. </p>
<p>Todavia, discordo profundamente da tese central do texto &#8211; de que o Sindicalismo Revolucionário era fascista (ou protofascista, ou pré-fascista, o termo é o que menos importa), ainda que de maneira inconsciente. Gostaria de, brevemente, apresentar alguns argumentos (em formas de pontos) a fim de criticar esta tese, e defender a tese de que o nazi-fascismo clássico foi um movimento diretamente relacionado com um impulso imperialista por parte das burguesias nacionais de países da periferia do centro do capitalismo monopolista &#8211; países que já faziam parte do centro capitalista, entretanto, se encontravam neste de maneira marginalizada (como Itália e Alemanha, esta segunda especialmente após sua derrota na Primeira Guerra), e o que explica as oscilações e diversas coaptações de sindicalistas revolucionários (assim como de anarquistas não sindicalistas, e mesmo de socialistas de outras matizes) não é o fato da semente do imperialismo em sua face fascista já estar presente no Sindicalismo Revolucionário, mas sim a ausência de uma práxis a cerca da questão nacional e do nacionalismo a altura dos desafios daquele período histórico propriamente dito. Práxis a qual só encontra uma formulação coerente e superior inicialmente em Lenin, mas, sendo de fato melhor acabada por Stalin. </p>
<p>1. Apoios, adesões e oscilações frente tanto às políticas imperialistas quanto ao movimento fascista propriamente dito, não são exclusividade dos socialistas do campo do sindicalismo revolucionário. Todos os campos do socialismo foram afetados; socialdemocratas, anarquistas (individualistas, anarco-comunistas etc).</p>
<p>2. Outro argumento evidente equivocado do autor é o de colocar a questão da soberania nacional &#8211; o nacionalismo &#8211; como algo exógeno às lutas proletárias, algo que foi trazido dos círculos reacionários para o seio do pensamento socialista através de teóricos do Sindicalismo Revolucionário. Basta pensar as diversas lutas de libertação nacional de povos eslavos &#8211; lutas as quais Bakunin se relacionou &#8211; ou mesmo a Comuna de Paris, que fora um levante popular nacionalista contra a invasão ao território soberano francês. O proletariado, em conjunto com outros setores da população parisiense, ao perceber que a burguesia e seus políticos seriam incapazes de deter o avanço dos invasores prussianos, aderem ao chamado das lideranças &#8211; hegemonicamente blanquistas &#8211; de pegar em armas e tomar o poder a fim de libertar Paris e a França da ameaça invasora. Vale ressaltar a estrategia que Bakunin esboçou, nas cartas que este trocou durante o período, a qual antecipa em grande medida a que Lenin formularia para Primeira Guerra &#8211; articular a luta de libertação nacional com a guerra popular revolucionária. </p>
<p>3. Entretanto, ainda que o nacionalismo e suas questões estarem sempre mais ou menos presentes nas lutas sociais no capitalismo, as formulações a respeito desta sempre foram mais ou menos precárias e assim, se mostraram absolutamente insuficientes nas primeiras décadas do século XX &#8211; momento quando a questão nacional teve sem dúvidas importante destaque nas contradições sociais (penso aqui, inclusive, nas formulações de Mao Zedong a cerca das contradições). Acredito que esta precariedade frente a questão nacional esteja relacionada com a forte dose de idealismo messiânico e utopista presente no socialismo &#8211; especialmente no do século XIX. Crenças messiânicas do tipo do &#8220;fim do Estado&#8221; &#8220;fim das nações&#8221; &#8220;fim do mercado&#8221; e etc impregnavam o pensamento socialista da época &#8211; e, convenhamos, se o Estado e as nações vão todos acabar, e o paraíso na terra será em breve estabelecido, qual seria a necessidade de se debruçar com firmeza sobre tais temáticas que pretensamente se dissiparão no ar? Essa grave lacuna no pensamento socialista da época faz, por exemplo, que mesmo Marx tome posições explicitamente imperialistas em alguns de seus artigos &#8211; como observa de maneira crítica Domenico Losurdo.</p>
<p>4. Esta insuficiência se torna absolutamente explicita com o acirramento das tensões no começo do século XX. Neste sentido, é bastante compreensível o fato de diversos pensadores do Sindicalismo Revolucionário &#8211; que fora formado tanto por elementos oriundos do anarquismo, quanto dissidentes dos partidos socialistas &#8211; tentarem resolver este problema. </p>
<p>5.  Contudo, uma formulação de fato mais adequada e a altura das exigências do momento histórico, só é de fato encontrada em Lenin (ex &#8220;Imperialismo&#8221;) e Stalin (ex &#8220;marxismo e a questão nacional). Essa práxis superior de compreensão da questão nacional está diretamente vinculado com a vitória da revolução russa, assim como do sucesso da construção do socialismo na URSS &#8211; mas também, e não menos importante, serviu de pedal e inspiração para praticamente todas as revoluções socialistas de libertação nacional do século XX. O fato de Che Guevara ter pronunciado sua promessa de engajamento na luta revolucionária de frente para uma foto de Stalin, é mais do que uma mera curiosidade histórica.</p>
<p>Acho que fico por aqui, gostaria só de também fazer alguns comentários aleatórios:<br />
&#8211; A questão nacional e nacionalista é cheia de nuances. Por exemplo, expulsar invasores no sentido de garantir a reunificação territorial e a soberania nacional é evidentemente diferente de expansionismo imperialista. O que torna complexa algumas questões envolvendo a italia da época.</p>
<p>&#8211; A Carta del Carnaro &#8211; projeto de constituição para a fugaz Republica de Carnaro redigida por Alceste de Ambris, mas revisada por Gabriel D&#8217;annunzio, é um documento extremamente interessante e avançado para aquele momento. Sugiro a leitura &#8211; ela é facilmente encontrada na internet, entretanto em italiano.</p>
<p>Tenho a impressão de que me esqueci de algumas coisas, mas enfim&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Iniciativa Revolução Universal		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-312290</link>

		<dc:creator><![CDATA[Iniciativa Revolução Universal]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2017 01:03:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O mesmo será dito de Palmares. Nota-se a clara tentativa de amalgama entre anarquismo, violência proletária e fascismo. Mas não foi a própria mídia burguesa, fazendo companhia ao PT que entre 2013-2014 dizia que o Black Bloc era &quot;neonazista&quot;? Depois que a manobra não colou, passou a associar os Black Blocs ao PCC. O mesmo foi visto em outros artigos de Bernardo, um deles sobre a questão ecológica, fazendo a associação obrigatória entre preocupações ambientais e nazi-fascismo. Tática nazista bem conhecida: associar algo que se discorda a alguma coisa socialmente odiada (nazismo). É óbvio que a pesquisa e as fontes referenciais podem existir, mas o modo como são direcionadas dizem muito das intenções que subjazem ao texto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mesmo será dito de Palmares. Nota-se a clara tentativa de amalgama entre anarquismo, violência proletária e fascismo. Mas não foi a própria mídia burguesa, fazendo companhia ao PT que entre 2013-2014 dizia que o Black Bloc era &#8220;neonazista&#8221;? Depois que a manobra não colou, passou a associar os Black Blocs ao PCC. O mesmo foi visto em outros artigos de Bernardo, um deles sobre a questão ecológica, fazendo a associação obrigatória entre preocupações ambientais e nazi-fascismo. Tática nazista bem conhecida: associar algo que se discorda a alguma coisa socialmente odiada (nazismo). É óbvio que a pesquisa e as fontes referenciais podem existir, mas o modo como são direcionadas dizem muito das intenções que subjazem ao texto.</p>
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		<title>
		Por: Nantess0r		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-218952</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nantess0r]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Apr 2014 03:20:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em breve estarão a dizer que Canudos foi fascista, ou pré-fascista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em breve estarão a dizer que Canudos foi fascista, ou pré-fascista.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-213824</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Apr 2014 10:11:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas,
Sem dúvida, concordo. A minha observação pretendia somente incluir um caso e não excluir o outro.
Zeev Sternhell está certo quando afirma que os elementos componentes do movimento fascista haviam sido gerados já antes da primeira guerra mundial e mesmo articulados nos casos de Corradini e do cercle Proudhon e, acrescento eu, de Kita Ikki. Essa ansiedade deu o estilo ao manifesto com que Marinetti lançou o futurismo e foi de então em diante um dos elementos definidores dos outros manifestos futuristas, assim como se encontrava em Londres no grupo equivalente, os vorticistas. A guerra veio ampliar e generalizar o que antes haviam sido experiências intelectuais circunscritas e deu-lhes uma audiência e uma base de massas. Você mencionou também o desejo de novidade, que os fascistas formalizaram como uma apologia da juventude. Já Marinetti havia proclamado que os mais velhos entre os futuristas tinham trinta anos e nesta senda o fascismo apresentou-se sempre, em todos os países, como o movimento da juventude, o novo contra o velho. Ansiedade, novidade e um terceiro elemento, a raiva, entendida como rancor. Enquanto os comunistas concebiam a luta de classes os fascistas concebiam a raiva individual, e ninguém exprimiu melhor do que Céline um rancor que deu o tom a toda uma política. Foi por estas portas que um bom número de anarquistas individualistas aderiu ao fascismo, reforçando-lhe aquela violência de rua que era entendida como radicalismo de acção. Creio que na teia urdida entre estes três elementos pode inserir-se a vida intelectual e estética do fascismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
Sem dúvida, concordo. A minha observação pretendia somente incluir um caso e não excluir o outro.<br />
Zeev Sternhell está certo quando afirma que os elementos componentes do movimento fascista haviam sido gerados já antes da primeira guerra mundial e mesmo articulados nos casos de Corradini e do cercle Proudhon e, acrescento eu, de Kita Ikki. Essa ansiedade deu o estilo ao manifesto com que Marinetti lançou o futurismo e foi de então em diante um dos elementos definidores dos outros manifestos futuristas, assim como se encontrava em Londres no grupo equivalente, os vorticistas. A guerra veio ampliar e generalizar o que antes haviam sido experiências intelectuais circunscritas e deu-lhes uma audiência e uma base de massas. Você mencionou também o desejo de novidade, que os fascistas formalizaram como uma apologia da juventude. Já Marinetti havia proclamado que os mais velhos entre os futuristas tinham trinta anos e nesta senda o fascismo apresentou-se sempre, em todos os países, como o movimento da juventude, o novo contra o velho. Ansiedade, novidade e um terceiro elemento, a raiva, entendida como rancor. Enquanto os comunistas concebiam a luta de classes os fascistas concebiam a raiva individual, e ninguém exprimiu melhor do que Céline um rancor que deu o tom a toda uma política. Foi por estas portas que um bom número de anarquistas individualistas aderiu ao fascismo, reforçando-lhe aquela violência de rua que era entendida como radicalismo de acção. Creio que na teia urdida entre estes três elementos pode inserir-se a vida intelectual e estética do fascismo.</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-213628</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2014 22:24:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[mas em tua opinião aplica-se também para o período pré-fascista europeu ou não? poderíamos descrevê-lo como uma época de ansiedade?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>mas em tua opinião aplica-se também para o período pré-fascista europeu ou não? poderíamos descrevê-lo como uma época de ansiedade?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-213520</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2014 17:25:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas,
Mas o segundo parágrafo do seu comentário descreve tão exactamente a génese do peronismo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
Mas o segundo parágrafo do seu comentário descreve tão exactamente a génese do peronismo!</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-213517</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2014 17:14:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Marcelo,
Tratei a questão do fascismo e do racismo nas páginas 579-730 do &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (Porto: Afrontamento, 2003). Tratei também a questão do &lt;em&gt;continuum&lt;/em&gt; entre nacionalismo e imperialismo a respeito do sionismo no artigo &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/2010/06/24723&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt; «De perseguidos a perseguidores: a lição do sionismo»&lt;/a&gt;. Vou tentar aqui esboçar muito sumariamente o que julgo serem os aspectos centrais da questão.
Antes de mais, o racismo caracterizou todas as metrópoles coloniais dos séculos XIX e XX, independentemente do regime político, incluindo portanto as que se regiam pelos princípios da democracia parlamentar, como a Grã-Bretanha, a França ou Portugal, e a noção da existência de uma hierarquia biológica na humanidade permeou a ciência e sustentou a eugenia. Ao mesmo tempo, porém, esta noção difusa de racismo não impediu a formação e a expansão de uma cultura capitalista caracterizada pela absorção de contribuições provenientes de variadas culturas, tanto asiáticas como africanas e mesoamericanas. Contrariamente ao que se julga, a cultura capitalista não foi eurocêntrica e desde início foi mundial. Este paradoxo é só aparente, porque o racismo difuso que implicava a noção de hierarquias biológicas não implicou necessariamente a noção de hierarquias culturais.
Todavia, o racismo do nacional-socialismo germânico foi muito diferente, porque estabeleceu uma relação de tipo schellingiano entre biologia e cultura. Esta relação só pode ser entendida enquanto uma mística do sangue, entendido o &lt;em&gt;sangue&lt;/em&gt; na sua expressão corporal e a &lt;em&gt;mística&lt;/em&gt; no sentido mais forte do termo. Esta noção foi formulada primeiro nos escritos de Houston Stewart Chamberlain e Richard Wagner e depois pelos seus discípulos, especialmente Alfred Rosenberg, em &lt;em&gt;O Mito do Século XX&lt;/em&gt;, e pelos propagandistas SS. O racismo nacional-socialista tem sido tão desvirtuado pelos historiadores que a leitura destas obras é indispensável para o compreender. Não houve no nazismo um racismo alemão, mas um racismo nórdico, supranacional. Hitler insistiu vezes sem conta no facto de que, para ele, o princípio do nacionalismo, nascido com a Revolução Francesa, fora superado por um princípio superior, o racismo, que se definia num plano em que já não contavam as nações. Por isso eu estudei no &lt;em&gt;Labirintos&lt;/em&gt; a dialéctica racial do nacional-socialismo como uma articulação de três entidades, a raça dos senhores (nórdicos), a raça dos sub-homens (eslavos) e a anti-raça (judeus). O nazismo não foi nacionalista mas supranacional, a ponto de, nos 900.000 homens que passaram pelos Waffen SS, incluindo todas as baixas, menos de metade terem sido alemães originários do Reich. «É entre eles», considerou o fascista francês Lucien Rebatet a respeito dos jovens oficiais dos SS, «que encontro os nacionais-socialistas mais emancipados do pangermanismo, mais cônscios da missão europeia do fascismo».
Mas Rebatet foi, mesmo para a sua época, demasiado restrito, porque o fascismo não se restringiu à Europa e já se havia então desenvolvido o fascismo de Marcus Garvey, que marcou tão acentuadamente uma vertente do movimento negro e que conta hoje com numerosos continuadores. O fascismo de Garvey foi igualmente um racismo, a ponto de ter estabelecido uma aliança de polaridades com os racistas brancos norte-americanos. Assim como, fora da Europa, foram e são fascismos o peronismo e os seus continuadores, incluindo os actuais. E outro fascista francês, Maurice Bardèche, uma das principais figuras do fascismo do pós-guerra, classificou como fascismos o nasserismo e os seus epígonos no mundo árabe.
Tudo somado, a questão do racismo não é fundamental para definir um regime como fascista porque, por um lado, o racismo caracterizou igualmente regimes democráticos e, por outro, o tipo específico de racismo do nacional-socialismo alemão, se caracterizou por exemplo o fascismo de Codreanu, não exerceu influência sobre outros fascismos. No &lt;em&gt;Labirintos&lt;/em&gt; defini o fascismo por critérios diferentes (a conjugação do eixo endógeno que tinha como pólos o partido/milícias e os sindicatos/milícias e do eixo exógeno que tinha como pólos as Igrejas e o exército) e é esta a definição que continuo a usar.
O fascismo italiano, por exemplo, pôde ser filo-semita durante um longo período e tornar-se depois parcialmente anti-semita sem que isto alterasse minimamente a sua estrutura política. O mesmo se passou com o fascismo espanhol, que foi inicialmente filo-semita, tornou-se anti-semita durante a guerra civil por mero oportunismo, porque precisava do apoio nazi, e regressou em seguida ao filo-semitismo. Além disso, o tipo de anti-semitismo adoptado tardiamente por Mussolini não se confundia com o anti-semitismo vigente no Terceiro Reich nem obedecia aos critérios expressos nas leis de Nuremberga.
Finalmente, o fascismo nipónico foi racista acima de tudo para com os não asiáticos. A Esfera da Co-Prosperidade e o lema &lt;em&gt;A Ásia para os asiáticos&lt;/em&gt; implicou, é certo, uma hierarquia interna em que coube aos japoneses o lugar cimeiro, mas tratou-se de uma hierarquia de tipo paternalista, tanto assim que o fascismo japonês teve o papel decisivo na assunção da independência pela Indonésia, pelas Filipinas, pela Birmânia, pelo Vietname e mesmo pela índia. Cabia ao Japão, segundo os teóricos e os práticos do seu fascismo imperial, guiar com mão forte os demais povos asiáticos. Mas a clivagem racial marcava-se perante os não asiáticos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelo,<br />
Tratei a questão do fascismo e do racismo nas páginas 579-730 do <em>Labirintos do Fascismo</em> (Porto: Afrontamento, 2003). Tratei também a questão do <em>continuum</em> entre nacionalismo e imperialismo a respeito do sionismo no artigo <a href="http://passapalavra.info/2010/06/24723" rel="nofollow"> «De perseguidos a perseguidores: a lição do sionismo»</a>. Vou tentar aqui esboçar muito sumariamente o que julgo serem os aspectos centrais da questão.<br />
Antes de mais, o racismo caracterizou todas as metrópoles coloniais dos séculos XIX e XX, independentemente do regime político, incluindo portanto as que se regiam pelos princípios da democracia parlamentar, como a Grã-Bretanha, a França ou Portugal, e a noção da existência de uma hierarquia biológica na humanidade permeou a ciência e sustentou a eugenia. Ao mesmo tempo, porém, esta noção difusa de racismo não impediu a formação e a expansão de uma cultura capitalista caracterizada pela absorção de contribuições provenientes de variadas culturas, tanto asiáticas como africanas e mesoamericanas. Contrariamente ao que se julga, a cultura capitalista não foi eurocêntrica e desde início foi mundial. Este paradoxo é só aparente, porque o racismo difuso que implicava a noção de hierarquias biológicas não implicou necessariamente a noção de hierarquias culturais.<br />
Todavia, o racismo do nacional-socialismo germânico foi muito diferente, porque estabeleceu uma relação de tipo schellingiano entre biologia e cultura. Esta relação só pode ser entendida enquanto uma mística do sangue, entendido o <em>sangue</em> na sua expressão corporal e a <em>mística</em> no sentido mais forte do termo. Esta noção foi formulada primeiro nos escritos de Houston Stewart Chamberlain e Richard Wagner e depois pelos seus discípulos, especialmente Alfred Rosenberg, em <em>O Mito do Século XX</em>, e pelos propagandistas SS. O racismo nacional-socialista tem sido tão desvirtuado pelos historiadores que a leitura destas obras é indispensável para o compreender. Não houve no nazismo um racismo alemão, mas um racismo nórdico, supranacional. Hitler insistiu vezes sem conta no facto de que, para ele, o princípio do nacionalismo, nascido com a Revolução Francesa, fora superado por um princípio superior, o racismo, que se definia num plano em que já não contavam as nações. Por isso eu estudei no <em>Labirintos</em> a dialéctica racial do nacional-socialismo como uma articulação de três entidades, a raça dos senhores (nórdicos), a raça dos sub-homens (eslavos) e a anti-raça (judeus). O nazismo não foi nacionalista mas supranacional, a ponto de, nos 900.000 homens que passaram pelos Waffen SS, incluindo todas as baixas, menos de metade terem sido alemães originários do Reich. «É entre eles», considerou o fascista francês Lucien Rebatet a respeito dos jovens oficiais dos SS, «que encontro os nacionais-socialistas mais emancipados do pangermanismo, mais cônscios da missão europeia do fascismo».<br />
Mas Rebatet foi, mesmo para a sua época, demasiado restrito, porque o fascismo não se restringiu à Europa e já se havia então desenvolvido o fascismo de Marcus Garvey, que marcou tão acentuadamente uma vertente do movimento negro e que conta hoje com numerosos continuadores. O fascismo de Garvey foi igualmente um racismo, a ponto de ter estabelecido uma aliança de polaridades com os racistas brancos norte-americanos. Assim como, fora da Europa, foram e são fascismos o peronismo e os seus continuadores, incluindo os actuais. E outro fascista francês, Maurice Bardèche, uma das principais figuras do fascismo do pós-guerra, classificou como fascismos o nasserismo e os seus epígonos no mundo árabe.<br />
Tudo somado, a questão do racismo não é fundamental para definir um regime como fascista porque, por um lado, o racismo caracterizou igualmente regimes democráticos e, por outro, o tipo específico de racismo do nacional-socialismo alemão, se caracterizou por exemplo o fascismo de Codreanu, não exerceu influência sobre outros fascismos. No <em>Labirintos</em> defini o fascismo por critérios diferentes (a conjugação do eixo endógeno que tinha como pólos o partido/milícias e os sindicatos/milícias e do eixo exógeno que tinha como pólos as Igrejas e o exército) e é esta a definição que continuo a usar.<br />
O fascismo italiano, por exemplo, pôde ser filo-semita durante um longo período e tornar-se depois parcialmente anti-semita sem que isto alterasse minimamente a sua estrutura política. O mesmo se passou com o fascismo espanhol, que foi inicialmente filo-semita, tornou-se anti-semita durante a guerra civil por mero oportunismo, porque precisava do apoio nazi, e regressou em seguida ao filo-semitismo. Além disso, o tipo de anti-semitismo adoptado tardiamente por Mussolini não se confundia com o anti-semitismo vigente no Terceiro Reich nem obedecia aos critérios expressos nas leis de Nuremberga.<br />
Finalmente, o fascismo nipónico foi racista acima de tudo para com os não asiáticos. A Esfera da Co-Prosperidade e o lema <em>A Ásia para os asiáticos</em> implicou, é certo, uma hierarquia interna em que coube aos japoneses o lugar cimeiro, mas tratou-se de uma hierarquia de tipo paternalista, tanto assim que o fascismo japonês teve o papel decisivo na assunção da independência pela Indonésia, pelas Filipinas, pela Birmânia, pelo Vietname e mesmo pela índia. Cabia ao Japão, segundo os teóricos e os práticos do seu fascismo imperial, guiar com mão forte os demais povos asiáticos. Mas a clivagem racial marcava-se perante os não asiáticos.</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-213477</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2014 15:40:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[me chama a atenção o espírito ansioso destes pensadores do começo do século XX embrenhados no cenário político europeu.
Com os relatos aqui apresentados se forma uma imagem de movimentos intelectuais ávidos pela novidade e pelo fim de um &quot;establishment&quot;, meta a qual se podia chegar por meio de uma variada gama de opções e ferramentas políticas que estavam sendo criadas e debatidas no calor do momento, importando mais do que nada a capacidade de mobilização de massas para um &quot;novo projeto&quot; que enterrasse o velho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>me chama a atenção o espírito ansioso destes pensadores do começo do século XX embrenhados no cenário político europeu.<br />
Com os relatos aqui apresentados se forma uma imagem de movimentos intelectuais ávidos pela novidade e pelo fim de um &#8220;establishment&#8221;, meta a qual se podia chegar por meio de uma variada gama de opções e ferramentas políticas que estavam sendo criadas e debatidas no calor do momento, importando mais do que nada a capacidade de mobilização de massas para um &#8220;novo projeto&#8221; que enterrasse o velho.</p>
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		<title>
		Por: Marcelo Lopes de Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/92912/#comment-213458</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Lopes de Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2014 14:39:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João, tomo estas suas duas frases como ponto de partida para formular uma questão:

“Mas os paradoxos do nacionalismo ocasionam inevitavelmente uma armadilha prática, porque não existe qualquer linha divisória entre a edificação de uma pátria e a sua projecção imperial. Nacionalismo e expansionismo formam um continuum.”

Até que ponto seria, na sua opinião, lícito dizer, por analogia, que nacionalismo e racismo formam, também eles, um continuum, ao longo do qual podem ser observadas várias contradições e situações até curiosas?

Por um lado, a Alemanha nazista representou uma ilustração extrema dessa imbricação; por outro, até que ponto seria razoável imaginar que os diferentes fascismos nacionais, cada um ao seu modo, não alimentariam (ou mesmo pressuporiam?), também eles, uma depreciação dos nacionais de outros países, na base de uma construção mítica da nação e suas origens, sua história, seus costumes etc. que, ao fim e ao cabo, (re)afirmaria a crença da superioridade “racial” dos próprios habitantes (ou daqueles considerados “típicos”, “puros” ou o que seja)? O caso alemão é extremo por ter na base uma exigência que poderia ser formuladada como “admirem-nos, idolatrem-nos, mas percam qualquer esperança de ser como nós!”; contudo, o fato, por exemplo, de a Itália fascista (ou a Espanha franquista), e Mussolini em particular, ter chegado, no início dos anos 30, a fazer zombaria com o “arianismo” germânico e a recusar o “antissemitismo militante” típico do nazismo - ou o fato de a Itália fascista não ser “oficialmente” racista - configuraria uma diferença qualitativa em relação ao nazismo, ou meramente de grau? Para além das óbvias desvalorizações especificamente culturais (da língua, dos costumes, da história etc. dos Outros), me parece que o nacionalismo (e, em não poucos casos, também o regionalismo, que muitas vezes e em grande medida me parece atuar como um nacionalismo em miniatura), potencialmente conduz à desvalorização dos Outros em um sentido que busca identificar diferenças “raciais”, mesmo que, frequentemente, a partir de características simplesmente inventadas ou grotescamente caricaturadas. O racismo tão forte no Império Japonês (do qual tão pouco se fala no Ocidente, em comparação com o racismo nazista, mas que foi experimentado duramente por muitos asiáticos, apesar da ideologia japonesa da “Esfera da Coprosperidade”), as tiradas racistas de italianos contra os etíopes, e por aí vai: para além das características próprias do nazismo alemão, não promoveria o fascismo em geral, em sua dinâmica de conjunto e essencial, com maior ou menor facilidade, a passagem do nacionalismo ao racismo (e vice-versa), assim como o faz com o expansionismo?

Assistimos, hoje, a uma onda de revivescência de nacionalismos e separatismos pelo mundo afora; e, paralelamente, a uma onda de racismo renovado, em muitos lugares. E, em muitos casos, a relação funcional entre nacionalismo e racismo se torna bastante evidente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João, tomo estas suas duas frases como ponto de partida para formular uma questão:</p>
<p>“Mas os paradoxos do nacionalismo ocasionam inevitavelmente uma armadilha prática, porque não existe qualquer linha divisória entre a edificação de uma pátria e a sua projecção imperial. Nacionalismo e expansionismo formam um continuum.”</p>
<p>Até que ponto seria, na sua opinião, lícito dizer, por analogia, que nacionalismo e racismo formam, também eles, um continuum, ao longo do qual podem ser observadas várias contradições e situações até curiosas?</p>
<p>Por um lado, a Alemanha nazista representou uma ilustração extrema dessa imbricação; por outro, até que ponto seria razoável imaginar que os diferentes fascismos nacionais, cada um ao seu modo, não alimentariam (ou mesmo pressuporiam?), também eles, uma depreciação dos nacionais de outros países, na base de uma construção mítica da nação e suas origens, sua história, seus costumes etc. que, ao fim e ao cabo, (re)afirmaria a crença da superioridade “racial” dos próprios habitantes (ou daqueles considerados “típicos”, “puros” ou o que seja)? O caso alemão é extremo por ter na base uma exigência que poderia ser formuladada como “admirem-nos, idolatrem-nos, mas percam qualquer esperança de ser como nós!”; contudo, o fato, por exemplo, de a Itália fascista (ou a Espanha franquista), e Mussolini em particular, ter chegado, no início dos anos 30, a fazer zombaria com o “arianismo” germânico e a recusar o “antissemitismo militante” típico do nazismo &#8211; ou o fato de a Itália fascista não ser “oficialmente” racista &#8211; configuraria uma diferença qualitativa em relação ao nazismo, ou meramente de grau? Para além das óbvias desvalorizações especificamente culturais (da língua, dos costumes, da história etc. dos Outros), me parece que o nacionalismo (e, em não poucos casos, também o regionalismo, que muitas vezes e em grande medida me parece atuar como um nacionalismo em miniatura), potencialmente conduz à desvalorização dos Outros em um sentido que busca identificar diferenças “raciais”, mesmo que, frequentemente, a partir de características simplesmente inventadas ou grotescamente caricaturadas. O racismo tão forte no Império Japonês (do qual tão pouco se fala no Ocidente, em comparação com o racismo nazista, mas que foi experimentado duramente por muitos asiáticos, apesar da ideologia japonesa da “Esfera da Coprosperidade”), as tiradas racistas de italianos contra os etíopes, e por aí vai: para além das características próprias do nazismo alemão, não promoveria o fascismo em geral, em sua dinâmica de conjunto e essencial, com maior ou menor facilidade, a passagem do nacionalismo ao racismo (e vice-versa), assim como o faz com o expansionismo?</p>
<p>Assistimos, hoje, a uma onda de revivescência de nacionalismos e separatismos pelo mundo afora; e, paralelamente, a uma onda de racismo renovado, em muitos lugares. E, em muitos casos, a relação funcional entre nacionalismo e racismo se torna bastante evidente&#8230;</p>
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