<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Cantariam eles «A Internacional»? Territórios dissidentes, práticas insurgentes e as contradições do “hiperprecariado” (1ª parte)	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2014/04/93927/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Nov 2017 18:11:43 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Rodrigo O. Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-217058</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2014 21:13:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-217058</guid>

					<description><![CDATA[Será uma peça publicitária do hiperprecariado? 

https://scontent-a-mia.xx.fbcdn.net/hphotos-ash3/t1.0-9/10171199_689215524469456_2426693911430804671_n.jpg]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Será uma peça publicitária do hiperprecariado? </p>
<p><a href="https://scontent-a-mia.xx.fbcdn.net/hphotos-ash3/t1.0-9/10171199_689215524469456_2426693911430804671_n.jpg" rel="nofollow ugc">https://scontent-a-mia.xx.fbcdn.net/hphotos-ash3/t1.0-9/10171199_689215524469456_2426693911430804671_n.jpg</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-216604</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2014 20:34:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-216604</guid>

					<description><![CDATA[Marcelo, tudo bem.

Pablo e Marcelo, sobre a questão da mais-valia absoluta e relativa e o setor de serviços, embora seja um  assunto &quot;colateral&quot;, colo abaixo um trecho muito interessante, e que parece colocar de pernas para o ar a questão:

&quot;[...]Se, como temos argumentado, a reprodução ampliada gera crescimento dinâmico quando o aumento da produtividade libera de alguns ramos capital e trabalhadores que então são recombinados em indústrias novas ou em expansão, então isto tem consequências importantes para a compreensão do crescimento do setor de serviços.  Quase por definição,  os serviços são atividades cujo aumento de produtividade é difícil de atingir exceto numa margem. A única maneira conhecida de melhorar drasticamente a eficiência dos serviços é transformá-los em produtos e depois produzir esses produtos em processos industriais, que se tornam mais eficientes com o tempo. Muitos bens são de fato antigos serviços - por exemplo, havia antigamente criados que  lavavam as roupas nas casas dos ricos; hoje em dia, as máquinas de lavar roupa executam esse serviço de forma mais eficiente e são elas mesmas produzidas com cada vez menos  trabalho. As atividades  que permanecem serviços tendem a ser precisamente as que até agora tem se mostrado impossíveis de serem substituídas por produtos fabricados. 

É claro que o conceito burguês de &quot;serviços&quot; é notoriamente impreciso, incluindo tudo, desde os chamados &quot;serviços financeiros&quot; até o trabalho de escritório e o pessoal de limpeza de hotéis , e até mesmo alguns empregos industriais terceirizados. Muitos marxistas tentaram assimilar a categoria de serviços ao de trabalho improdutivo, mas se refletirmos sobre a caracterização acima, fica claro que ela está mais próxima do conceito de &quot; subsunção formal&quot; de Marx. Marx havia criticado Smith por ele ter um entendimento metafísico do trabalho produtivo e improdutivo – aquele produzindo bens e este não – e ele o substituiu por uma distinção técnica entre o trabalho realizado como parte de um processo de valorização do capital e trabalho realizado fora desse processo para o consumidor imediato. Em “Os Resultados do Processo de Produção Imediato”, Marx argumenta que, teoricamente, todo o trabalho improdutivo pode se tornar produtivo, pois isso apenas significa que ele foi formalmente subsumido ao processo capitalista de valorização. No entanto, as atividades formalmente subsumidas são produtivas apenas de mais-valia absoluta. Para ser produtiva de mais-valia relativa é necessário transformar o processo material de produção para que seja passível de rápidos aumentos de produtividade (cooperação, manufatura, grande indústria e maquinário) - ou seja, passível de subsunção real. Quando economistas burgueses como Rowthorn falam de &quot;serviços tecnologicamente estagnados&quot;, eles sem perceber se remetem ao conceito de Marx de um processo de trabalho que foi apenas formalmente subsumido, mas não realmente subsumido.

Assim, quando a economia cresce, a produção real de &quot;serviços&quot; tende a crescer, mas apenas pela adição de mais empregados ou intensificando o trabalho dos trabalhadores existentes, isto é, por meio de produção  de mais-valia  absoluta, em vez de mais-valia relativa. Na maioria desses setores os salários formam a quase totalidade dos custos, de modo que os salários têm de ser mantidos baixos para que os serviços permaneçam bancáveis e lucrativos, especialmente quando as próprias pessoas que lhes pagam são pobres: assim é o McDonald´s e o Wal-Mart nos EUA – e também o grande proletariado informal na Índia e China.&quot;

Trecho de Misery and debt  (2010) por Endnotes  ( http://endnotes.org.uk/articles/1)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelo, tudo bem.</p>
<p>Pablo e Marcelo, sobre a questão da mais-valia absoluta e relativa e o setor de serviços, embora seja um  assunto &#8220;colateral&#8221;, colo abaixo um trecho muito interessante, e que parece colocar de pernas para o ar a questão:</p>
<p>&#8220;[&#8230;]Se, como temos argumentado, a reprodução ampliada gera crescimento dinâmico quando o aumento da produtividade libera de alguns ramos capital e trabalhadores que então são recombinados em indústrias novas ou em expansão, então isto tem consequências importantes para a compreensão do crescimento do setor de serviços.  Quase por definição,  os serviços são atividades cujo aumento de produtividade é difícil de atingir exceto numa margem. A única maneira conhecida de melhorar drasticamente a eficiência dos serviços é transformá-los em produtos e depois produzir esses produtos em processos industriais, que se tornam mais eficientes com o tempo. Muitos bens são de fato antigos serviços &#8211; por exemplo, havia antigamente criados que  lavavam as roupas nas casas dos ricos; hoje em dia, as máquinas de lavar roupa executam esse serviço de forma mais eficiente e são elas mesmas produzidas com cada vez menos  trabalho. As atividades  que permanecem serviços tendem a ser precisamente as que até agora tem se mostrado impossíveis de serem substituídas por produtos fabricados. </p>
<p>É claro que o conceito burguês de &#8220;serviços&#8221; é notoriamente impreciso, incluindo tudo, desde os chamados &#8220;serviços financeiros&#8221; até o trabalho de escritório e o pessoal de limpeza de hotéis , e até mesmo alguns empregos industriais terceirizados. Muitos marxistas tentaram assimilar a categoria de serviços ao de trabalho improdutivo, mas se refletirmos sobre a caracterização acima, fica claro que ela está mais próxima do conceito de &#8221; subsunção formal&#8221; de Marx. Marx havia criticado Smith por ele ter um entendimento metafísico do trabalho produtivo e improdutivo – aquele produzindo bens e este não – e ele o substituiu por uma distinção técnica entre o trabalho realizado como parte de um processo de valorização do capital e trabalho realizado fora desse processo para o consumidor imediato. Em “Os Resultados do Processo de Produção Imediato”, Marx argumenta que, teoricamente, todo o trabalho improdutivo pode se tornar produtivo, pois isso apenas significa que ele foi formalmente subsumido ao processo capitalista de valorização. No entanto, as atividades formalmente subsumidas são produtivas apenas de mais-valia absoluta. Para ser produtiva de mais-valia relativa é necessário transformar o processo material de produção para que seja passível de rápidos aumentos de produtividade (cooperação, manufatura, grande indústria e maquinário) &#8211; ou seja, passível de subsunção real. Quando economistas burgueses como Rowthorn falam de &#8220;serviços tecnologicamente estagnados&#8221;, eles sem perceber se remetem ao conceito de Marx de um processo de trabalho que foi apenas formalmente subsumido, mas não realmente subsumido.</p>
<p>Assim, quando a economia cresce, a produção real de &#8220;serviços&#8221; tende a crescer, mas apenas pela adição de mais empregados ou intensificando o trabalho dos trabalhadores existentes, isto é, por meio de produção  de mais-valia  absoluta, em vez de mais-valia relativa. Na maioria desses setores os salários formam a quase totalidade dos custos, de modo que os salários têm de ser mantidos baixos para que os serviços permaneçam bancáveis e lucrativos, especialmente quando as próprias pessoas que lhes pagam são pobres: assim é o McDonald´s e o Wal-Mart nos EUA – e também o grande proletariado informal na Índia e China.&#8221;</p>
<p>Trecho de Misery and debt  (2010) por Endnotes  ( <a href="http://endnotes.org.uk/articles/1" rel="nofollow ugc">http://endnotes.org.uk/articles/1</a>)</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo Lopes de Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-216486</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Lopes de Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2014 14:45:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-216486</guid>

					<description><![CDATA[Caros... 

... Ralf e humanaesfera (e Exílio Mondrian): de fato, a &quot;quebra&quot; dos artigos cria, muitas vezes, dificuldades, mas a &quot;falta de paciência&quot; diagnosticada por Exílio Mondrian é um problema de base. Lamento se um pequeno e desnecessário atrito acabou ocorrendo, mas, de fato, a forma vaga dos comentários cobrou um preço. Me permitam um comentário mais geral, para além deste caso específico: o interessante de uma intervenção por escrito, diferentemente da intervenção oral, é justamente a possibilidade de reduzir o improviso e aumentar a chance de uma reflexão mais calma - por parte de quem age e de quem reage. Por outro lado, reconheço que é difícil resistir à tentação de &quot;esperar até o final para ver onde vai dar&quot;, pois, em se tratando de um artigo em várias partes, isso significaria deixar tudo em suspenso por semanas, o que tampouco seria razoável. Me parece que o melhor, diante da inevitabilidade de artigos longos serem subdivididos (a opção do Passa palavra é totalmente sensata, caso contrário, hoje em dia, talvez poucos lessem), é procurar ater-se ao que está ali, diante dos nossos olhos, e dar ao menos um certo &quot;benefício da dúvida&quot;. É o que busco fazer ao comentar os artigos, e é o que Pablo fez. 

... Pablo: 
1) Sim, eu abordarei o problema da heterogeneidade do &quot;hiperprecariado&quot; (mais para o final do artigo); contudo, creio ter mais questões que respostas - me perdoe o chavão, que soa como desculpa ou imunização antecipada. Mas acho que há algumas indagações que podem, no mínimo, funcionar como pistas. Depois de mais de vinte anos observando e pensando sobre essas questões, comparando sistematicamente as respostas e interpretações disponíveis, posso dizer claramente o que me parece inadequado (insuficiente, anacrônico ou politicamente perigoso) nelas, mas acredito que construir uma alternativa não é algo que passe apenas por um esforço intelectual e individual, mas sim por um esforço coletivo (intelectual e prático). Me parece que, nesse sentido, esboços de alternativas já vêm surgindo e têm surgido, aqui e ali; mas há muita neblina e muita complexidade, o que, para além de todos os outros desafios, cria também grandes desafios de comunicação e diálogo. 
2) Sim, concordo com suas ponderações que vêm imediatamente em seguida: a despeito das diferenciações internas, um certo potencial revolucionário”, se assim podemos dizer, é quase ubiquitário. Na última seção do artigo (que, creio, sairá publicada como “quarta parte”), comento o seguinte: “Se, como diz Castoriadis, é justamente quando parece menos evidente quem é sujeito da mudança revolucionária que a questão da mudança radical assume um sentido mais profundo e universal (e, certamente, menos óbvio e mais desafiador), analisar a interpenetração de interesses “objetivos” e (des-re)construções ideológicas e a heterogeneidade material e política que se abriga no universo dos trabalhadores pobres (para não dizer dos “assalariados” em geral) se impõe como esforço a ser feito constantemente, adaptado à imensa variedade de espaços sociais concretos (com suas particularidades) e, ainda assim, orientado pela busca de regularidades, comunalidades, dinâmicas e perspectivas generalizáveis.” 
3) Agradeço-lhe pelo comentário a respeito do “trabalho produtivo/improdutivo”. O exemplo do pianista é, como você sabe, fornecido pelo próprio Marx; me ative apenas a ele, e de passagem, porque não desejei me alongar sobre o assunto (espinhoso e polêmico), pois iria afastar-me (e ao leitor) daquilo que eu queria destacar. No entanto, a questão do trabalho produtivo/improdutivo me parece, concordando com Castoriadis, problemática, a começar pelas implicações políticas. Apesar disso, é claro que o problema da “tangibilidade” não se associa de forma simplista à extração da mais-valia (lembro-me, a propósito, de uma observação bem-humorada do João Bernardo em que ele se refere às mercadorias que “obedecem à lei da gravidade”); se a forma ligeira como eu me expressei deu a entender isso, peço desculpas, pois não foi minha intenção. (Quanto a parecer pedante... claro que não, Pablo! Na verdade, acredito que qualquer um que escreva um artigo deseja receber críticas e sugestões no estilo atento, construtivo e camarada que é o seu.)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros&#8230; </p>
<p>&#8230; Ralf e humanaesfera (e Exílio Mondrian): de fato, a &#8220;quebra&#8221; dos artigos cria, muitas vezes, dificuldades, mas a &#8220;falta de paciência&#8221; diagnosticada por Exílio Mondrian é um problema de base. Lamento se um pequeno e desnecessário atrito acabou ocorrendo, mas, de fato, a forma vaga dos comentários cobrou um preço. Me permitam um comentário mais geral, para além deste caso específico: o interessante de uma intervenção por escrito, diferentemente da intervenção oral, é justamente a possibilidade de reduzir o improviso e aumentar a chance de uma reflexão mais calma &#8211; por parte de quem age e de quem reage. Por outro lado, reconheço que é difícil resistir à tentação de &#8220;esperar até o final para ver onde vai dar&#8221;, pois, em se tratando de um artigo em várias partes, isso significaria deixar tudo em suspenso por semanas, o que tampouco seria razoável. Me parece que o melhor, diante da inevitabilidade de artigos longos serem subdivididos (a opção do Passa palavra é totalmente sensata, caso contrário, hoje em dia, talvez poucos lessem), é procurar ater-se ao que está ali, diante dos nossos olhos, e dar ao menos um certo &#8220;benefício da dúvida&#8221;. É o que busco fazer ao comentar os artigos, e é o que Pablo fez. </p>
<p>&#8230; Pablo:<br />
1) Sim, eu abordarei o problema da heterogeneidade do &#8220;hiperprecariado&#8221; (mais para o final do artigo); contudo, creio ter mais questões que respostas &#8211; me perdoe o chavão, que soa como desculpa ou imunização antecipada. Mas acho que há algumas indagações que podem, no mínimo, funcionar como pistas. Depois de mais de vinte anos observando e pensando sobre essas questões, comparando sistematicamente as respostas e interpretações disponíveis, posso dizer claramente o que me parece inadequado (insuficiente, anacrônico ou politicamente perigoso) nelas, mas acredito que construir uma alternativa não é algo que passe apenas por um esforço intelectual e individual, mas sim por um esforço coletivo (intelectual e prático). Me parece que, nesse sentido, esboços de alternativas já vêm surgindo e têm surgido, aqui e ali; mas há muita neblina e muita complexidade, o que, para além de todos os outros desafios, cria também grandes desafios de comunicação e diálogo.<br />
2) Sim, concordo com suas ponderações que vêm imediatamente em seguida: a despeito das diferenciações internas, um certo potencial revolucionário”, se assim podemos dizer, é quase ubiquitário. Na última seção do artigo (que, creio, sairá publicada como “quarta parte”), comento o seguinte: “Se, como diz Castoriadis, é justamente quando parece menos evidente quem é sujeito da mudança revolucionária que a questão da mudança radical assume um sentido mais profundo e universal (e, certamente, menos óbvio e mais desafiador), analisar a interpenetração de interesses “objetivos” e (des-re)construções ideológicas e a heterogeneidade material e política que se abriga no universo dos trabalhadores pobres (para não dizer dos “assalariados” em geral) se impõe como esforço a ser feito constantemente, adaptado à imensa variedade de espaços sociais concretos (com suas particularidades) e, ainda assim, orientado pela busca de regularidades, comunalidades, dinâmicas e perspectivas generalizáveis.”<br />
3) Agradeço-lhe pelo comentário a respeito do “trabalho produtivo/improdutivo”. O exemplo do pianista é, como você sabe, fornecido pelo próprio Marx; me ative apenas a ele, e de passagem, porque não desejei me alongar sobre o assunto (espinhoso e polêmico), pois iria afastar-me (e ao leitor) daquilo que eu queria destacar. No entanto, a questão do trabalho produtivo/improdutivo me parece, concordando com Castoriadis, problemática, a começar pelas implicações políticas. Apesar disso, é claro que o problema da “tangibilidade” não se associa de forma simplista à extração da mais-valia (lembro-me, a propósito, de uma observação bem-humorada do João Bernardo em que ele se refere às mercadorias que “obedecem à lei da gravidade”); se a forma ligeira como eu me expressei deu a entender isso, peço desculpas, pois não foi minha intenção. (Quanto a parecer pedante&#8230; claro que não, Pablo! Na verdade, acredito que qualquer um que escreva um artigo deseja receber críticas e sugestões no estilo atento, construtivo e camarada que é o seu.)</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-214419</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 21:38:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-214419</guid>

					<description><![CDATA[Lucas,
interessante a questão. Precisaríamos saber se com essa articulação entre produção e distribuição no mercado capitalista visando inicialmente apenas a autonomia financeira as experiências de comunas rurais-urbanas da Venezuela não estão em verdade a caminhar pro mesmo abismo da acomodação ao sistema enquanto sócios menores com nichos de produção específicos, &quot;sustentáveis&quot;, &quot;verdes&quot; e &quot;orgânicos&quot;... tal como o MST por aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
interessante a questão. Precisaríamos saber se com essa articulação entre produção e distribuição no mercado capitalista visando inicialmente apenas a autonomia financeira as experiências de comunas rurais-urbanas da Venezuela não estão em verdade a caminhar pro mesmo abismo da acomodação ao sistema enquanto sócios menores com nichos de produção específicos, &#8220;sustentáveis&#8221;, &#8220;verdes&#8221; e &#8220;orgânicos&#8221;&#8230; tal como o MST por aqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ralf		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-214399</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ralf]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 20:46:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-214399</guid>

					<description><![CDATA[Em nenhum momento fiz juízo a respeito do texto em si ou do autor. Só levantei uma reflexão inspirada nas questões levantadas no texto a respeito do meu cotidiano como militante.

Alias, quando se lê parte 1 no título espera-se que tenha uma parte 2 e 3 e etc e fazer um juízo adiantado realmente soa como soa os críticos de &quot;garganta&quot;.

Aguardo pacientemente a continuação da série, pois tenho profunda admiração pelo Marcelo Lopes de Souza e inclusive, levo em consideração a sua advertência.

Quanto à Exílio Mondrian: não me lembro de ter colocado informações suficientes sobre minha pessoa para ser catalogado de forma tão rude. Sua generalização me causou riso, visto que faço o completo oposto do que foi insinuado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em nenhum momento fiz juízo a respeito do texto em si ou do autor. Só levantei uma reflexão inspirada nas questões levantadas no texto a respeito do meu cotidiano como militante.</p>
<p>Alias, quando se lê parte 1 no título espera-se que tenha uma parte 2 e 3 e etc e fazer um juízo adiantado realmente soa como soa os críticos de &#8220;garganta&#8221;.</p>
<p>Aguardo pacientemente a continuação da série, pois tenho profunda admiração pelo Marcelo Lopes de Souza e inclusive, levo em consideração a sua advertência.</p>
<p>Quanto à Exílio Mondrian: não me lembro de ter colocado informações suficientes sobre minha pessoa para ser catalogado de forma tão rude. Sua generalização me causou riso, visto que faço o completo oposto do que foi insinuado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanisfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-214285</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanisfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 13:40:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-214285</guid>

					<description><![CDATA[Minha crítica foi apenas a alguns aspectos do texto (a partir de um  problemática global que talvez pareça arrogante, &quot;o proletariado&quot;, do modo como tentei explicar) tal como o encontrei, e não uma crítica a quem o escreveu. Então pra mim houve apenas engano na maioria das respostas seguintes. Mas desta vez só quero fazer uma pergunta: afinal, quais as razões que Marx dá para desprezar o lumpenproletariado? Alguém tem citações ou os locais onde isso é dito? O lumpenproletariado de Marx pode realmente ser identificado com algo semelhante que existe no presente?

Tenho a impressão (não tenho e menor certeza) de que o lumpenproletariado de Marx seria o que Foucault descreve nos trechos abaixo:

&quot;Relançado sem cessar pela literatura policial, pelos jornais, pelos filmes, atualmente, o apelo ao medo do delinquente, toda a formidável mitologia aparentemente glorificante, mas, de fato, atemorizante, essa enorme mitologia construída em torno do personagem do delinquente, em torno do grande criminoso tornou natural, naturalizou, de algum modo, a presença da polícia no meio da população. A polícia, da qual não se deve esquecer tratar-se de uma invenção igualmente recente, do final do século XVIII e começo do século XIX. Esse grupo de delinquentes assim constituído e profissionalizado é utilizável pelo poder, para muitos fins, utilizável para tarefas de vigilância. É entre esses delinquentes que se recrutarão os delatores, espiões etc. É utilizável também para uma quantidade de ilegalismos vantajosos para a classe no poder. Os tráficos ilegais que a própria burguesia não quer fazer por si, pois bem, ela os fará muito naturalmente por meio de seus delinquentes. Portanto, vocês veem, com efeito, muitos lucros econômicos, políticos, e, sobretudo, a canalização e a codificação estreita da delinquência encontraram seu instrumento na constituição de uma delinquência profissional. Tratava-se, então, de recrutar delinquentes, tratava-se de fixar pessoas à profissão e ao status de delinquente. E qual era o meio para recrutar os delinquentes, mantê-los na delinquência e continuar a vigiá-los indefinidamente em sua atividade de delinquente? Pois bem, esse instrumento era, bem entendido, a prisão.&quot; (Pontos de Vista, conferência proferida em 1976 )

&quot;De fato, rapidamente percebemos que, longe de reformá-los, a prisão apenas os constituía [os delinquentes] em um meio: aquele em que a delinquência é o único modo de existência. Percebemos que essa delinquência, fechada sobre si mesma, controlada, infiltrada, poderia se tornar um instrumento económico e político precioso na sociedade: é uma das grandes características da organização da delinquência em nossa sociedade, por intermédio do sistema penal e da prisão. A delinquência se tornou um corpo social estrangeiro ao corpo social; perfeitamente homogénea, vigiada, fichada pela polícia, penetrada de delatores e de &quot;dedos-duros&quot;, utilizaram-na imediatamente para dois fins. Econômico: retirada do lucro do prazer sexual, organização da prostituição no século XIX e, por fim, transformação da delinquência em agente fiscal da sexualidade. Político: foi com tropas de choque recrutadas entre os malfeitores que Napoleão III organizou, e foi o primeiro, as infiltrações nos movimentos operários.&quot;  (Na Berlinda, 1975)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha crítica foi apenas a alguns aspectos do texto (a partir de um  problemática global que talvez pareça arrogante, &#8220;o proletariado&#8221;, do modo como tentei explicar) tal como o encontrei, e não uma crítica a quem o escreveu. Então pra mim houve apenas engano na maioria das respostas seguintes. Mas desta vez só quero fazer uma pergunta: afinal, quais as razões que Marx dá para desprezar o lumpenproletariado? Alguém tem citações ou os locais onde isso é dito? O lumpenproletariado de Marx pode realmente ser identificado com algo semelhante que existe no presente?</p>
<p>Tenho a impressão (não tenho e menor certeza) de que o lumpenproletariado de Marx seria o que Foucault descreve nos trechos abaixo:</p>
<p>&#8220;Relançado sem cessar pela literatura policial, pelos jornais, pelos filmes, atualmente, o apelo ao medo do delinquente, toda a formidável mitologia aparentemente glorificante, mas, de fato, atemorizante, essa enorme mitologia construída em torno do personagem do delinquente, em torno do grande criminoso tornou natural, naturalizou, de algum modo, a presença da polícia no meio da população. A polícia, da qual não se deve esquecer tratar-se de uma invenção igualmente recente, do final do século XVIII e começo do século XIX. Esse grupo de delinquentes assim constituído e profissionalizado é utilizável pelo poder, para muitos fins, utilizável para tarefas de vigilância. É entre esses delinquentes que se recrutarão os delatores, espiões etc. É utilizável também para uma quantidade de ilegalismos vantajosos para a classe no poder. Os tráficos ilegais que a própria burguesia não quer fazer por si, pois bem, ela os fará muito naturalmente por meio de seus delinquentes. Portanto, vocês veem, com efeito, muitos lucros econômicos, políticos, e, sobretudo, a canalização e a codificação estreita da delinquência encontraram seu instrumento na constituição de uma delinquência profissional. Tratava-se, então, de recrutar delinquentes, tratava-se de fixar pessoas à profissão e ao status de delinquente. E qual era o meio para recrutar os delinquentes, mantê-los na delinquência e continuar a vigiá-los indefinidamente em sua atividade de delinquente? Pois bem, esse instrumento era, bem entendido, a prisão.&#8221; (Pontos de Vista, conferência proferida em 1976 )</p>
<p>&#8220;De fato, rapidamente percebemos que, longe de reformá-los, a prisão apenas os constituía [os delinquentes] em um meio: aquele em que a delinquência é o único modo de existência. Percebemos que essa delinquência, fechada sobre si mesma, controlada, infiltrada, poderia se tornar um instrumento económico e político precioso na sociedade: é uma das grandes características da organização da delinquência em nossa sociedade, por intermédio do sistema penal e da prisão. A delinquência se tornou um corpo social estrangeiro ao corpo social; perfeitamente homogénea, vigiada, fichada pela polícia, penetrada de delatores e de &#8220;dedos-duros&#8221;, utilizaram-na imediatamente para dois fins. Econômico: retirada do lucro do prazer sexual, organização da prostituição no século XIX e, por fim, transformação da delinquência em agente fiscal da sexualidade. Político: foi com tropas de choque recrutadas entre os malfeitores que Napoleão III organizou, e foi o primeiro, as infiltrações nos movimentos operários.&#8221;  (Na Berlinda, 1975)</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-214283</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 13:36:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-214283</guid>

					<description><![CDATA[pois é Aquiles, acho que em realidade nada foi feito de tão problemático, segue o jogo!

Pablo, no primeiro trecho de seu comentário, naquele a respeito de como setores marginalizados da cadeia de produção propriamente dita participam a seu modo desta cadeia, muitas vezes por meio do comércio informal, do transporte, etc, me fez lembrar que na Venezuela, pelo que pude ler e acompanhar ANTES destes eventos recentes, as comunas urbanas que estavam sendo criadas viam como opção produtiva para a sua autonomia financeira justamente funcionar como apoio e distribuição dos produtos trabalhados nas comunas rurais, que em realidade são a grande maioria das unidades de produção comunais venezuelanas atualmente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>pois é Aquiles, acho que em realidade nada foi feito de tão problemático, segue o jogo!</p>
<p>Pablo, no primeiro trecho de seu comentário, naquele a respeito de como setores marginalizados da cadeia de produção propriamente dita participam a seu modo desta cadeia, muitas vezes por meio do comércio informal, do transporte, etc, me fez lembrar que na Venezuela, pelo que pude ler e acompanhar ANTES destes eventos recentes, as comunas urbanas que estavam sendo criadas viam como opção produtiva para a sua autonomia financeira justamente funcionar como apoio e distribuição dos produtos trabalhados nas comunas rurais, que em realidade são a grande maioria das unidades de produção comunais venezuelanas atualmente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Aquiles		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-214192</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aquiles]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 08:33:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-214192</guid>

					<description><![CDATA[A &quot;culpa&quot; pela impaciência dos leitores que fizeram os dois primeiros comentarios é, em parte, do proprio site visto que &quot;por razoes editoriais&quot; desmembra textos de maior folego. Ao fazer desta forma, abre-se a situaçoes deste tipo e coloca-se (ao menos em parte) de acordo com este imperativo da velocidade. Vejam bem, nao estou a criticar especificamente a escolha do passapalavra em publicar os textos em partes (o que penso ser o mais adequado para este tipo de midia), mas sobretudo acho lamentavel uma certa arrogância de fundo nas respostas dadas aos dois primeiros comentarios: ao invés de responder algumas questoes levantadas (concordo que tais questoes sao um tanto quanto &quot;vagas&quot; e, ao meu ver, mal colocadas) as respostas decidem simplesmente rebaixar os comentaristas, dizendo que estes nem como leitor se qualificam. Fica a pergunta: quem é mais problematico aqui, quem nao esperou o texto da semana que vem antes de tecer comentarios ou aquele que procura normatizar a leitura de outros (pecado do qual meu comentario compartilha igualmente)?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A &#8220;culpa&#8221; pela impaciência dos leitores que fizeram os dois primeiros comentarios é, em parte, do proprio site visto que &#8220;por razoes editoriais&#8221; desmembra textos de maior folego. Ao fazer desta forma, abre-se a situaçoes deste tipo e coloca-se (ao menos em parte) de acordo com este imperativo da velocidade. Vejam bem, nao estou a criticar especificamente a escolha do passapalavra em publicar os textos em partes (o que penso ser o mais adequado para este tipo de midia), mas sobretudo acho lamentavel uma certa arrogância de fundo nas respostas dadas aos dois primeiros comentarios: ao invés de responder algumas questoes levantadas (concordo que tais questoes sao um tanto quanto &#8220;vagas&#8221; e, ao meu ver, mal colocadas) as respostas decidem simplesmente rebaixar os comentaristas, dizendo que estes nem como leitor se qualificam. Fica a pergunta: quem é mais problematico aqui, quem nao esperou o texto da semana que vem antes de tecer comentarios ou aquele que procura normatizar a leitura de outros (pecado do qual meu comentario compartilha igualmente)?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-213998</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Apr 2014 22:15:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-213998</guid>

					<description><![CDATA[Caro Marcelo, a primeira parte traz indagações muito pertinentes, especialmente se pensarmos que os órgãos de luta clássicos - partidos e sindicatos - concentram sobremaneira suas ações políticas nas camadas assalariadas do proletariado fabril, justamente por adotarem irreflexivamente a tese de que a revolução &quot;precisa&quot; ou, nos casos mais dogmáticos, &quot;só poderá&quot; ser feita por essa camada da classe trabalhadora. Gostaria de saber se as demais partes do seu texto problematizarão as implicações organizacionais que a composição classista (fragmentária? heterogênea? e daí?) do lumpem traz, ou seja, as dificuldades de criação de órgãos de luta e mesmo o equacionamento não só das formas de luta e organização mas até mesmo dos objetivos imediatos e, quando existirem, estratégicos de longo prazo. Me parece problemático atribuir ontologicamente ao lumpem (Bakunin lido dogmaticamente?) ou ao proletariado clássico (Marx lido dogmaticamente?) o status de classe revolucionária mais ou menos radical &quot;por natureza&quot;. Por outro lado me parece que a composição física (mais ou menos precária, anômica, mais ou menos &quot;civilizada&quot; e &quot;despolitizada&quot;) e histórica (com acúmulo de lutas e órgãos etc) desses extratos da classe traz sim (será?) uma diferenciação quanto às possibilidades políticas de radicalização num sentido de superação do sistema, o que acaba levando o debate para a questão da espontaneidade/organização. Ademais, uma das justificativas, digamos, &quot;econômica&quot;, do caráter inerentemente/potencialmente revolucionário do proletariado fabril reside no fato de que &quot;é ele quem produz o valor&quot;. Ora, o valor gerado tem que se realizar, do contrário apodrece dentro da fábrica, então as camadas da classe envolvidas na distribuição das mercadorias, no comércio e nos serviços, também exercem, do ponto de vista do &quot;capital social total&quot; uma função imprescindível para o sistema e a realização do valor. Por isso, então, &quot;potencialmente&quot; toda camada envolvida no ciclo total do capital é revolucionária, no sentido de que seu cruzar os braços significa uma interrupção (incômoda e inadmissível, a depender das reservas materiais e políticas do capital etc) no processo total de produção e reprodução do valor e, portanto, da relação-capital. Uma ideia decorrente daqui seria a de que mesmo as camadas não imediatamente envolvidas no ciclo total do capital, como por exemplo os desempregados, estão mediatamente envolvidas, já que precisam existir para que o sistema possa rebaixar os salários etc etc e garantir os lucros e até mesmo o consumo (já que os desempregados tbm consomem, não importando se a receita vem de roubo ou ajuda familiar ou políticas públicas e assistencialismo estatal).
Por fim, gostaria apenas de fazer uma pequena &quot;correção&quot; (na verdade, &quot;precisão&quot;) quanto ao termo trabalho produtivo em Marx. Você citou o exemplo do fabricante do piano e do pianista. Ocorre que o pianista também é trabalhador produtivo, a não ser que se trate de um pianista que toca em casa e para os amigos, ou seja, gratuitamente. O pianista que grava CD e faz shows com ingresso cobrado, é trabalhador produtivo. Isso porque ao longo dos processos de subsunção formal e real do trabalho ao capital o capital subverte a categoria trabalho produtivo, de modo a que ela signifique produção de valor e produção-reprodução da relação capital trabalho. Seguindo o método expositivo de Hegel, de desenvolvimento conceitual gradual, Marx expõe a categoria trabalho produtivo em 4 níveis: 1) produção de valores de uso (o que não implica necessariamente, portanto, domínio do capital sobre o trabalho)
2) processo de trabalho sob controle do capitalista, proprietário ou gestor dos meios de produção. Já estamos diante do momento histórico em que a força de trabalho foi convertida em mercadoria. Esse segundo nível fica claro nessa passagem de Marx: &quot;Do ponto de vista do processo de trabalho em geral, apresentava-se-nos como produtivo aquele trabalho que se realizava num produto, mais concretamente numa mercadoria. Do ponto de vista do processo capitalista de produção, junta-se uma determinação mais precisa: é produtivo aquele trabalho que valoriza diretamente o capital, o que produz mais-valia, ou seja, que se realiza - sem equivalente para o operário, para o executante - numa mais-valia.&quot; Ainda nesse segundo nível, noutro lugar Marx afirma a produção capitalista não é apenas produção de mercadorias mas sim produção de mais-valia, depois Marx conclui que só é produtivo aquele trabalhador que produz mais-valia para o capital e que, portanto, serve à autovalorização do capital - portanto, que seja consumido no processo de produção.
3) o modo de produção capitalista deixa de ser visto apenas como produtor de mais-valia e passa a ser visto como &quot;a forma geral, socialmente dominante, do processo de produção&quot;, o que significa a incorporação, à análise (e ao conceito de trabalho produtivo), do trabalho imaterial, ou seja, aquela produção de valor que não se cristalizará em mercadorias palpáveis, tangíveis, e sim em serviços. Marx fala em &quot;forma geral&quot; se referindo à subsunção real do trabalho ao capital: &quot;Como método particular para a produção de mais-valia relativa, atua ainda somente, primeiro, na medida em que se apodera de indústrias até então apenas formalmente subordinadas ao capital, portanto em sua propagação. Segundo, ao serem revolucionadas continuamente as indústrias que já se encontram em seu poder, mediante a mudança dos métodos de produção&quot;. Nesse terceiro nível temos que para trabalhar produtivamente basta fazer parte da força de trabalho socialmente combinada dentro da qual muitos trabalhos cooperam entre si e formam a &quot;máquina produtiva total&quot;: &quot;um trabalha mais com as mãos, outro mais com a cabeça, este como diretor, engenheiro, técnico, etc., aquele como capataz, aquele outro como operário manual ou até como simples servente&quot; (Marx). A função específica do trabalhador individual deixa de importar, pois o central passa a residir no trabalhador coletivo e na produção do produto total: &quot;é absolutamente indiferente que a função deste ou daquele trabalhador, mero elo deste trabalhador coletivo, esteja mais próxima ou mais distante do trabalho manual direto&quot; (Marx).
4) o capitalismo é determinado enquanto produção e reprodução das relações sociais de capital-trabalho. Com tal determinação sistêmica e de ênfase na totalidade, percebe-se que a categoria trabalho produtivo já foi totalmente subvertida e ressignificada (na prática social capitalista) em acordo aos imperativos do sistema do capital e a primazia do valor de troca em detrimento do valor de uso. 
Apenas nos primeiros dois níveis o conceito de trabalho produtivo aparece umbilicalmente ligado à produção de bens tangíveis. No terceiro nível incorpora-se o trabalho imaterial, e no quarto nível temos a intensificação do olhar para a totalidade do processo capitalista de produção e reprodução social.
As passagens citadas de Marx são do Capítulo sexto inédito de O capital, e a ideia dos 4 níveis tirei do livro de Vinicius Oliveira Santos &quot;Trabalho imaterial e teoria do valor em Marx&quot;, onde Vinícius desenvolve os três primeiros níveis. O quarto nível é um acréscimo meu.
Peço desculpas pelo tamanho do comentário, e espero não ser interpretado como pedante. Me permiti comentar tão demoradamente porque acompanho teus textos e notei que o rigor conceitual lhe é um tema caro.
Aguardo o restante o artigo. Abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Marcelo, a primeira parte traz indagações muito pertinentes, especialmente se pensarmos que os órgãos de luta clássicos &#8211; partidos e sindicatos &#8211; concentram sobremaneira suas ações políticas nas camadas assalariadas do proletariado fabril, justamente por adotarem irreflexivamente a tese de que a revolução &#8220;precisa&#8221; ou, nos casos mais dogmáticos, &#8220;só poderá&#8221; ser feita por essa camada da classe trabalhadora. Gostaria de saber se as demais partes do seu texto problematizarão as implicações organizacionais que a composição classista (fragmentária? heterogênea? e daí?) do lumpem traz, ou seja, as dificuldades de criação de órgãos de luta e mesmo o equacionamento não só das formas de luta e organização mas até mesmo dos objetivos imediatos e, quando existirem, estratégicos de longo prazo. Me parece problemático atribuir ontologicamente ao lumpem (Bakunin lido dogmaticamente?) ou ao proletariado clássico (Marx lido dogmaticamente?) o status de classe revolucionária mais ou menos radical &#8220;por natureza&#8221;. Por outro lado me parece que a composição física (mais ou menos precária, anômica, mais ou menos &#8220;civilizada&#8221; e &#8220;despolitizada&#8221;) e histórica (com acúmulo de lutas e órgãos etc) desses extratos da classe traz sim (será?) uma diferenciação quanto às possibilidades políticas de radicalização num sentido de superação do sistema, o que acaba levando o debate para a questão da espontaneidade/organização. Ademais, uma das justificativas, digamos, &#8220;econômica&#8221;, do caráter inerentemente/potencialmente revolucionário do proletariado fabril reside no fato de que &#8220;é ele quem produz o valor&#8221;. Ora, o valor gerado tem que se realizar, do contrário apodrece dentro da fábrica, então as camadas da classe envolvidas na distribuição das mercadorias, no comércio e nos serviços, também exercem, do ponto de vista do &#8220;capital social total&#8221; uma função imprescindível para o sistema e a realização do valor. Por isso, então, &#8220;potencialmente&#8221; toda camada envolvida no ciclo total do capital é revolucionária, no sentido de que seu cruzar os braços significa uma interrupção (incômoda e inadmissível, a depender das reservas materiais e políticas do capital etc) no processo total de produção e reprodução do valor e, portanto, da relação-capital. Uma ideia decorrente daqui seria a de que mesmo as camadas não imediatamente envolvidas no ciclo total do capital, como por exemplo os desempregados, estão mediatamente envolvidas, já que precisam existir para que o sistema possa rebaixar os salários etc etc e garantir os lucros e até mesmo o consumo (já que os desempregados tbm consomem, não importando se a receita vem de roubo ou ajuda familiar ou políticas públicas e assistencialismo estatal).<br />
Por fim, gostaria apenas de fazer uma pequena &#8220;correção&#8221; (na verdade, &#8220;precisão&#8221;) quanto ao termo trabalho produtivo em Marx. Você citou o exemplo do fabricante do piano e do pianista. Ocorre que o pianista também é trabalhador produtivo, a não ser que se trate de um pianista que toca em casa e para os amigos, ou seja, gratuitamente. O pianista que grava CD e faz shows com ingresso cobrado, é trabalhador produtivo. Isso porque ao longo dos processos de subsunção formal e real do trabalho ao capital o capital subverte a categoria trabalho produtivo, de modo a que ela signifique produção de valor e produção-reprodução da relação capital trabalho. Seguindo o método expositivo de Hegel, de desenvolvimento conceitual gradual, Marx expõe a categoria trabalho produtivo em 4 níveis: 1) produção de valores de uso (o que não implica necessariamente, portanto, domínio do capital sobre o trabalho)<br />
2) processo de trabalho sob controle do capitalista, proprietário ou gestor dos meios de produção. Já estamos diante do momento histórico em que a força de trabalho foi convertida em mercadoria. Esse segundo nível fica claro nessa passagem de Marx: &#8220;Do ponto de vista do processo de trabalho em geral, apresentava-se-nos como produtivo aquele trabalho que se realizava num produto, mais concretamente numa mercadoria. Do ponto de vista do processo capitalista de produção, junta-se uma determinação mais precisa: é produtivo aquele trabalho que valoriza diretamente o capital, o que produz mais-valia, ou seja, que se realiza &#8211; sem equivalente para o operário, para o executante &#8211; numa mais-valia.&#8221; Ainda nesse segundo nível, noutro lugar Marx afirma a produção capitalista não é apenas produção de mercadorias mas sim produção de mais-valia, depois Marx conclui que só é produtivo aquele trabalhador que produz mais-valia para o capital e que, portanto, serve à autovalorização do capital &#8211; portanto, que seja consumido no processo de produção.<br />
3) o modo de produção capitalista deixa de ser visto apenas como produtor de mais-valia e passa a ser visto como &#8220;a forma geral, socialmente dominante, do processo de produção&#8221;, o que significa a incorporação, à análise (e ao conceito de trabalho produtivo), do trabalho imaterial, ou seja, aquela produção de valor que não se cristalizará em mercadorias palpáveis, tangíveis, e sim em serviços. Marx fala em &#8220;forma geral&#8221; se referindo à subsunção real do trabalho ao capital: &#8220;Como método particular para a produção de mais-valia relativa, atua ainda somente, primeiro, na medida em que se apodera de indústrias até então apenas formalmente subordinadas ao capital, portanto em sua propagação. Segundo, ao serem revolucionadas continuamente as indústrias que já se encontram em seu poder, mediante a mudança dos métodos de produção&#8221;. Nesse terceiro nível temos que para trabalhar produtivamente basta fazer parte da força de trabalho socialmente combinada dentro da qual muitos trabalhos cooperam entre si e formam a &#8220;máquina produtiva total&#8221;: &#8220;um trabalha mais com as mãos, outro mais com a cabeça, este como diretor, engenheiro, técnico, etc., aquele como capataz, aquele outro como operário manual ou até como simples servente&#8221; (Marx). A função específica do trabalhador individual deixa de importar, pois o central passa a residir no trabalhador coletivo e na produção do produto total: &#8220;é absolutamente indiferente que a função deste ou daquele trabalhador, mero elo deste trabalhador coletivo, esteja mais próxima ou mais distante do trabalho manual direto&#8221; (Marx).<br />
4) o capitalismo é determinado enquanto produção e reprodução das relações sociais de capital-trabalho. Com tal determinação sistêmica e de ênfase na totalidade, percebe-se que a categoria trabalho produtivo já foi totalmente subvertida e ressignificada (na prática social capitalista) em acordo aos imperativos do sistema do capital e a primazia do valor de troca em detrimento do valor de uso.<br />
Apenas nos primeiros dois níveis o conceito de trabalho produtivo aparece umbilicalmente ligado à produção de bens tangíveis. No terceiro nível incorpora-se o trabalho imaterial, e no quarto nível temos a intensificação do olhar para a totalidade do processo capitalista de produção e reprodução social.<br />
As passagens citadas de Marx são do Capítulo sexto inédito de O capital, e a ideia dos 4 níveis tirei do livro de Vinicius Oliveira Santos &#8220;Trabalho imaterial e teoria do valor em Marx&#8221;, onde Vinícius desenvolve os três primeiros níveis. O quarto nível é um acréscimo meu.<br />
Peço desculpas pelo tamanho do comentário, e espero não ser interpretado como pedante. Me permiti comentar tão demoradamente porque acompanho teus textos e notei que o rigor conceitual lhe é um tema caro.<br />
Aguardo o restante o artigo. Abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Exílio Mondrian		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/04/93927/#comment-213588</link>

		<dc:creator><![CDATA[Exílio Mondrian]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2014 20:16:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=93927#comment-213588</guid>

					<description><![CDATA[Os dois primeiros comentários aqui apresentados evidenciam, para quem quiser enxergar com os olhos bem abertos, umas das principais dificuldades que encaramos hoje em qualquer debate político ou discussão democrática: não existe a mínima paciência em esperar o desenvolvimento do raciocínio de um autor ou de qualquer pessoa que está realizando uma reflexão. 

Mesmo não sendo esse o caso, assim imagino ou torço, dos dois primeiros comentaristas, não custa tentar arriscar um palpite sobre os motivos desse comportamento geral: são tempos rápidos esse - os livros são considerados grandes demais, e melhor mesmo é passar horas em redes sociais, compartilhando breves textos e imagens/montagens chocantes sobre a desigualdade social ou a corrupção no país. Daí ser cada vez mais comum a enxurrada de dissertações e teses (sem se referir aos milhares de trabalhos de graduação) que já iniciam sua pesquisa (sobre Reforma Agrária, luta por moradia, o que seja) com todas as respostas prontas e conclusões já elaboradas - ficando pendente, assim, apenas rechear o produto acadêmico com as citações de praxe demandadas pelos avaliadores das agências de fomento. E tem muita gente de esquerda que, no fim das contas, pensa que isso contribui para o avanço da análise do capitalismo e para as lutas sociais. Lamentável.

De resto, e mesmo sabendo que essa é só a primeira parte, muitas questões aqui levantadas merecem sim a nossa boa vontade e consideração - como até bem disse humanaesfera (só que logo depois desancou a tirar conclusões precipitadas sobre as ideias ou propostas do autor).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dois primeiros comentários aqui apresentados evidenciam, para quem quiser enxergar com os olhos bem abertos, umas das principais dificuldades que encaramos hoje em qualquer debate político ou discussão democrática: não existe a mínima paciência em esperar o desenvolvimento do raciocínio de um autor ou de qualquer pessoa que está realizando uma reflexão. </p>
<p>Mesmo não sendo esse o caso, assim imagino ou torço, dos dois primeiros comentaristas, não custa tentar arriscar um palpite sobre os motivos desse comportamento geral: são tempos rápidos esse &#8211; os livros são considerados grandes demais, e melhor mesmo é passar horas em redes sociais, compartilhando breves textos e imagens/montagens chocantes sobre a desigualdade social ou a corrupção no país. Daí ser cada vez mais comum a enxurrada de dissertações e teses (sem se referir aos milhares de trabalhos de graduação) que já iniciam sua pesquisa (sobre Reforma Agrária, luta por moradia, o que seja) com todas as respostas prontas e conclusões já elaboradas &#8211; ficando pendente, assim, apenas rechear o produto acadêmico com as citações de praxe demandadas pelos avaliadores das agências de fomento. E tem muita gente de esquerda que, no fim das contas, pensa que isso contribui para o avanço da análise do capitalismo e para as lutas sociais. Lamentável.</p>
<p>De resto, e mesmo sabendo que essa é só a primeira parte, muitas questões aqui levantadas merecem sim a nossa boa vontade e consideração &#8211; como até bem disse humanaesfera (só que logo depois desancou a tirar conclusões precipitadas sobre as ideias ou propostas do autor).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
