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	Comentários sobre: A economia das lutas do transporte	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-244059</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2014 03:55:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Lucas,

Antes de mais nada,gostaria de dizer que espaços como esse são fundamentais para pessoas que, como eu, possuem mais dúvidas do que certezas. Dentre aquilo que tenho como certo é que o capitalismo é um &quot;inimigo&quot; comum, fundamentado nas mais diversas &quot;alienações&quot; e concebido para ser a &quot;não realização&quot; de todas as pontencialidades humanas, que entendo eu, só são possíveis de serem realizadas dentro do &quot;socialismo da abundância&quot;.

Porém, com você bem lembrou, nós, trabalhadores, vivemos em busca do &quot;pão de cada dia&quot;, mas sempre sem a certeza se iremos conseguir levá-lo à mesa ou não. 

Meu primeiro comentário nesta matéria eu disse que existem necessidades imediatas e mediatas. Claro que se do ponto de vista imediato medidas como a redução de tarifa ou mesmo a melhoria dos transportes representam um alívio na &quot;cruz&quot; cotidiana de todo o trabalhador, podendo até evoluir numa ampliação de direitos, isto não significa, obrigatoriamente, uma vitória em definitivo. Numa pergunta que fiz ao João Bernardo (http://passapalavra.info/2014/05/93844) ele respondeu que &quot;Os trabalhadores hoje lutam de uma dada maneira contra o perfil actual do capitalismo e, consoante o resultado desta luta, o capitalismo apresentará amanhã um perfil diferente, contra o qual os trabalhadores hão-de lutar de outra forma, e assim sucessivamente&quot;.

É neste sentido que compreendo aquilo que você chamou de &quot;soma zero&quot;, só que numa escala muito maior. Por exemplo, a questão do aumento do consumo. O que representa para a classe trabalhadora como um todo (internacionalmente falando) consumir mais quinquilharias e bugigangas feitas por trabalhadores chineses ou roupas feitas por trabalhadores bolivianos? Ou, ainda, o tal do &quot;home office&quot;, onde aparentemente o trabalhador pode ter mais &quot;qualidade&quot; de vida mas, ao mesmo tempo, tem sua esfera mais íntima e privada definitivamente ocupada pelo capital (ou seja, o trabalhador não vai mais precisar enfrentar e perder tempo no trânsito, mas vai ceder gratuitamente seu espaço para o capital, será lucro ou prejuízo para ele?). Um capitalismo melhor ou pior, selvagem ou civilizado, não muda sua essência, continua sendo capitalismo...

Enfim, caro Lucas, não creio que a luta de classe deva se desenvolver só no campo político, mas meu receio é que as nossas conquistas possam trazer mais desvantagens que vantagens e que este &quot;capitalismo da abundância&quot; nos ponha cada vez mais distantes do socialismo da abundância...

Valeu o papo!

Abraços fraternais,

Beto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Lucas,</p>
<p>Antes de mais nada,gostaria de dizer que espaços como esse são fundamentais para pessoas que, como eu, possuem mais dúvidas do que certezas. Dentre aquilo que tenho como certo é que o capitalismo é um &#8220;inimigo&#8221; comum, fundamentado nas mais diversas &#8220;alienações&#8221; e concebido para ser a &#8220;não realização&#8221; de todas as pontencialidades humanas, que entendo eu, só são possíveis de serem realizadas dentro do &#8220;socialismo da abundância&#8221;.</p>
<p>Porém, com você bem lembrou, nós, trabalhadores, vivemos em busca do &#8220;pão de cada dia&#8221;, mas sempre sem a certeza se iremos conseguir levá-lo à mesa ou não. </p>
<p>Meu primeiro comentário nesta matéria eu disse que existem necessidades imediatas e mediatas. Claro que se do ponto de vista imediato medidas como a redução de tarifa ou mesmo a melhoria dos transportes representam um alívio na &#8220;cruz&#8221; cotidiana de todo o trabalhador, podendo até evoluir numa ampliação de direitos, isto não significa, obrigatoriamente, uma vitória em definitivo. Numa pergunta que fiz ao João Bernardo (<a href="http://passapalavra.info/2014/05/93844" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/05/93844</a>) ele respondeu que &#8220;Os trabalhadores hoje lutam de uma dada maneira contra o perfil actual do capitalismo e, consoante o resultado desta luta, o capitalismo apresentará amanhã um perfil diferente, contra o qual os trabalhadores hão-de lutar de outra forma, e assim sucessivamente&#8221;.</p>
<p>É neste sentido que compreendo aquilo que você chamou de &#8220;soma zero&#8221;, só que numa escala muito maior. Por exemplo, a questão do aumento do consumo. O que representa para a classe trabalhadora como um todo (internacionalmente falando) consumir mais quinquilharias e bugigangas feitas por trabalhadores chineses ou roupas feitas por trabalhadores bolivianos? Ou, ainda, o tal do &#8220;home office&#8221;, onde aparentemente o trabalhador pode ter mais &#8220;qualidade&#8221; de vida mas, ao mesmo tempo, tem sua esfera mais íntima e privada definitivamente ocupada pelo capital (ou seja, o trabalhador não vai mais precisar enfrentar e perder tempo no trânsito, mas vai ceder gratuitamente seu espaço para o capital, será lucro ou prejuízo para ele?). Um capitalismo melhor ou pior, selvagem ou civilizado, não muda sua essência, continua sendo capitalismo&#8230;</p>
<p>Enfim, caro Lucas, não creio que a luta de classe deva se desenvolver só no campo político, mas meu receio é que as nossas conquistas possam trazer mais desvantagens que vantagens e que este &#8220;capitalismo da abundância&#8221; nos ponha cada vez mais distantes do socialismo da abundância&#8230;</p>
<p>Valeu o papo!</p>
<p>Abraços fraternais,</p>
<p>Beto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-244001</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Aug 2014 19:21:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=95372#comment-244001</guid>

					<description><![CDATA[Caro Beto,
com meus estudos bastante introdutórios sobre economia, entendo que o aumento do poder aquisitivo só existe se de fato houver aumento na produtividade, como você aponta. Uma questão primordial hoje em dia é justamente então o problema do trabalho não-produtivo, uma forma de se manter os trabalhadores em seus regimes de produção sem que eles aproveitem um aumento na qualidade de vida. Além do trabalho não-produtivo, está o trabalho em regime de mais-valia absoluta, que mantém o trabalhador num regime intenso de trabalho sem que isso signifique viver melhor.

Passando agora para a questão da luta de classes em si, vejamos o exemplo argentino de 2001: uma economia em crise completa e uma massa de desempregados. Todas as instâncias de organização da classe trabalhadora neste cenário são urgentemente direcionadas não para a organização de uma nova sociedade, mas para botar comida no prato: um trabalhador muito antes de se mobilizar para combater o capital se mobiliza para alimentar os filhos. As assembleias de bairro, que na ideia tanto se assemelhavam às instâncias democráticas de períodos revolucionários, serviam muito mais para colocar os vizinhos em contato e resolver precariedades comuns [um corte de cabelo em troca de um saco de arroz] do que para organizar os próximos passos de uma ruptura revolucionária. As organizações de trabalhadores desempregados logo se desfazem quando os trabalhadores conseguem seus postos de trabalho estáveis.

Digo isso para argumentar que os cenários são muito diferentes no próprio processo de organização da classe quando o regime de trabalho está baseado num tipo de mais valia e não no  outro. Se os capitalistas lucram de ambos jeitos, oras, não importa. As pressões econômicas que a classe trabalhadora impõe por meio de greves e ações diretas são inclusive demonstração da autonomia da classe no que diz respeito à esfera econômica, ao invés de relegar o correto funcionamento à uma equipe de expertos.
Do contrário o que resta, na sua opinião? Que a luta de classes se dê apenas no campo político, responsável por organizar a economia?

abraço!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Beto,<br />
com meus estudos bastante introdutórios sobre economia, entendo que o aumento do poder aquisitivo só existe se de fato houver aumento na produtividade, como você aponta. Uma questão primordial hoje em dia é justamente então o problema do trabalho não-produtivo, uma forma de se manter os trabalhadores em seus regimes de produção sem que eles aproveitem um aumento na qualidade de vida. Além do trabalho não-produtivo, está o trabalho em regime de mais-valia absoluta, que mantém o trabalhador num regime intenso de trabalho sem que isso signifique viver melhor.</p>
<p>Passando agora para a questão da luta de classes em si, vejamos o exemplo argentino de 2001: uma economia em crise completa e uma massa de desempregados. Todas as instâncias de organização da classe trabalhadora neste cenário são urgentemente direcionadas não para a organização de uma nova sociedade, mas para botar comida no prato: um trabalhador muito antes de se mobilizar para combater o capital se mobiliza para alimentar os filhos. As assembleias de bairro, que na ideia tanto se assemelhavam às instâncias democráticas de períodos revolucionários, serviam muito mais para colocar os vizinhos em contato e resolver precariedades comuns [um corte de cabelo em troca de um saco de arroz] do que para organizar os próximos passos de uma ruptura revolucionária. As organizações de trabalhadores desempregados logo se desfazem quando os trabalhadores conseguem seus postos de trabalho estáveis.</p>
<p>Digo isso para argumentar que os cenários são muito diferentes no próprio processo de organização da classe quando o regime de trabalho está baseado num tipo de mais valia e não no  outro. Se os capitalistas lucram de ambos jeitos, oras, não importa. As pressões econômicas que a classe trabalhadora impõe por meio de greves e ações diretas são inclusive demonstração da autonomia da classe no que diz respeito à esfera econômica, ao invés de relegar o correto funcionamento à uma equipe de expertos.<br />
Do contrário o que resta, na sua opinião? Que a luta de classes se dê apenas no campo político, responsável por organizar a economia?</p>
<p>abraço!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-243884</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Aug 2014 19:58:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=95372#comment-243884</guid>

					<description><![CDATA[Caro Lucas, 

O aumento do poder aquisitivo não gera apenas o aumento de preços devido aos impostos, mas, e talvez principalmente, gera o aumento de preço das mercadorias. Um bom exemplo é a alta &quot;ESPETACULAR&quot; do preço dos imóveis que se seguiu ao plano &quot;minha casa minha vida&quot;. Se é fato que o poder aquisitivo dos brasileiros aumentou, também é fato que houve uma alta generalizada de preços. Se se consome mais é porque produz-se mais e mais barato, mas, contraditoriamente, com uma margem de lucro ainda maior para o capitalista, como bem lembrou Humanaesfera. 
No meu pensamento, talvez cego como você apontou, eu não consigo vislumbrar, dentro de uma estrutura capitalista, onde tanto os meios quantos os fins estão sob o controle totalitário dos expropriadores, possa haver, de fato (dentro da lógica do capital, e não dos trabalhadores) um jogo que não seja de cartas marcadas. É nesse sentido que venho encaminhando minha dúvida, ou seja, menos tempo &quot;perdido&quot; no transporte&quot; significa trabalhador mais descansado, produzindo mais e melhor para seu algoz?
Até o &quot;tempo perdido&quot; favorece o capital! Menos tempo para o trabalhador pensar e se organizar, menos tempo para conscientizar de sua realidade, menos força para lutar contra o sistema até o ponto que só reste força e tempo para trabalhar (incluindo aí o tempo cada vez maior que ele tem que estudar para se inserir e manter no mercado de trabalho) e não morrer de fome é o que não só deseja, mas conspira o capital...

Abraços fraternais,

Beto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Lucas, </p>
<p>O aumento do poder aquisitivo não gera apenas o aumento de preços devido aos impostos, mas, e talvez principalmente, gera o aumento de preço das mercadorias. Um bom exemplo é a alta &#8220;ESPETACULAR&#8221; do preço dos imóveis que se seguiu ao plano &#8220;minha casa minha vida&#8221;. Se é fato que o poder aquisitivo dos brasileiros aumentou, também é fato que houve uma alta generalizada de preços. Se se consome mais é porque produz-se mais e mais barato, mas, contraditoriamente, com uma margem de lucro ainda maior para o capitalista, como bem lembrou Humanaesfera.<br />
No meu pensamento, talvez cego como você apontou, eu não consigo vislumbrar, dentro de uma estrutura capitalista, onde tanto os meios quantos os fins estão sob o controle totalitário dos expropriadores, possa haver, de fato (dentro da lógica do capital, e não dos trabalhadores) um jogo que não seja de cartas marcadas. É nesse sentido que venho encaminhando minha dúvida, ou seja, menos tempo &#8220;perdido&#8221; no transporte&#8221; significa trabalhador mais descansado, produzindo mais e melhor para seu algoz?<br />
Até o &#8220;tempo perdido&#8221; favorece o capital! Menos tempo para o trabalhador pensar e se organizar, menos tempo para conscientizar de sua realidade, menos força para lutar contra o sistema até o ponto que só reste força e tempo para trabalhar (incluindo aí o tempo cada vez maior que ele tem que estudar para se inserir e manter no mercado de trabalho) e não morrer de fome é o que não só deseja, mas conspira o capital&#8230;</p>
<p>Abraços fraternais,</p>
<p>Beto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-243853</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Aug 2014 13:16:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=95372#comment-243853</guid>

					<description><![CDATA[O texo chama a atenção a aspectos importantes mas geralmente inconscientes da prática relacionada aos transportes. Porém, tendo a concordar com as colocações de Beto. Em um debate anterior (http://passapalavra.info/2014/05/93844), usei a expressão &quot;fetichismo da mais-valia relativa&quot;, talvez com um pouco de espalhafato. O argumento, é esse:

&quot;O único mecanismo contratendencial da queda da taxa de lucros que existe é a relação diferencial (e simultânea) entre regiões/empresas de mais-valia relativa e regiões/empresas de mais-valia absoluta. 

A competição entre empresas é a competição por reduzir os custos de produção (sobretudo capital variável, ou seja, menos tempo de trabalho cristalizado), mas obviamente o objetivo não é reduzir na mesma proporção o preço daquilo que vendem. Pelo contrário, o objetivo sempre é obter um lucro extraordinário (ou superlucro), isto é, acima do valor que ela mesma cria (pois todo aumento de produtividade leva na realidade a uma redução do valor criado comparado ao custo, devido à proporção sempre maior do capital constante, que não cria valor, apenas transfere, em comparação ao variável). E elas conseguem. Esses superlucros não são &quot;mágica&quot;, são trabalho não pago. Mas trabalho não pago de quem? Dos proletários das empresas concorrentes que possuem composição orgânica menor (proporção entre capit. constant e capt. variável desfavorável) e são forçados a trabalhar mais por menos, já que a ameaça de perder seus empregos se intensifica, ao mesmo tempo que os seus empregadores vendem a mercadoria com mais valor cristalizado (isto é, mais trabalho) mas a um preço abaixo, única maneira de não serem engolido pela concorrência e não falir. 

A medida que a composição orgânica mais alta (proporção sempre maior do capital constante em comparação ao variável) se difunde igualmente por todas as empresas, a base para os superlucros daquelas empresas &quot;pioneiras&quot; desaparece. Porém, como as empresas/regiões &quot;pioneiras&quot; já absorveram antes dessa difusão uma massa de superlucros imensa, elas sempre tem mais dinheiro para P&#038;D (pesquisa e desenvolvimento) e portanto, são capazes de desenvolver &quot;pioneiramente&quot; novos meios de produção, formas de organização produtiva, novos produtos, e nova qualificação da força de trabalho, que lhes permitem uma nova rodada de superlucros. 

Resumindo: a busca e efetuação da mais-valia relativa existe sempre e unicamente em função da mais-valia absoluta (intensificada e expandida) que pode ser absorvida (como superlucros) do restante das empresas/regiões. Este é o único mecanismo contratendencial da queda da taxa de lucros.

Portanto, se ficamos felizes pelo desenvolvimento - redução da mortalidade, melhora da qualidade de vida, da expectativa de vida, preços mais acessíveis de mercadorias aos trabalhadores etc. - não é de modo nenhum porque ele se baseie numa idílica mais-valia relativa que pudesse existir sem a absoluta, e nem porque haja uma evolução da história caracterizada por uma fase de mais-valia absoluta ser sucedida por uma fase de mais-valia relativa (a primeira supostamente mais &quot;autoritária&quot; e a outra mais &quot;libertária&quot;).&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texo chama a atenção a aspectos importantes mas geralmente inconscientes da prática relacionada aos transportes. Porém, tendo a concordar com as colocações de Beto. Em um debate anterior (<a href="http://passapalavra.info/2014/05/93844" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/05/93844</a>), usei a expressão &#8220;fetichismo da mais-valia relativa&#8221;, talvez com um pouco de espalhafato. O argumento, é esse:</p>
<p>&#8220;O único mecanismo contratendencial da queda da taxa de lucros que existe é a relação diferencial (e simultânea) entre regiões/empresas de mais-valia relativa e regiões/empresas de mais-valia absoluta. </p>
<p>A competição entre empresas é a competição por reduzir os custos de produção (sobretudo capital variável, ou seja, menos tempo de trabalho cristalizado), mas obviamente o objetivo não é reduzir na mesma proporção o preço daquilo que vendem. Pelo contrário, o objetivo sempre é obter um lucro extraordinário (ou superlucro), isto é, acima do valor que ela mesma cria (pois todo aumento de produtividade leva na realidade a uma redução do valor criado comparado ao custo, devido à proporção sempre maior do capital constante, que não cria valor, apenas transfere, em comparação ao variável). E elas conseguem. Esses superlucros não são &#8220;mágica&#8221;, são trabalho não pago. Mas trabalho não pago de quem? Dos proletários das empresas concorrentes que possuem composição orgânica menor (proporção entre capit. constant e capt. variável desfavorável) e são forçados a trabalhar mais por menos, já que a ameaça de perder seus empregos se intensifica, ao mesmo tempo que os seus empregadores vendem a mercadoria com mais valor cristalizado (isto é, mais trabalho) mas a um preço abaixo, única maneira de não serem engolido pela concorrência e não falir. </p>
<p>A medida que a composição orgânica mais alta (proporção sempre maior do capital constante em comparação ao variável) se difunde igualmente por todas as empresas, a base para os superlucros daquelas empresas &#8220;pioneiras&#8221; desaparece. Porém, como as empresas/regiões &#8220;pioneiras&#8221; já absorveram antes dessa difusão uma massa de superlucros imensa, elas sempre tem mais dinheiro para P&amp;D (pesquisa e desenvolvimento) e portanto, são capazes de desenvolver &#8220;pioneiramente&#8221; novos meios de produção, formas de organização produtiva, novos produtos, e nova qualificação da força de trabalho, que lhes permitem uma nova rodada de superlucros. </p>
<p>Resumindo: a busca e efetuação da mais-valia relativa existe sempre e unicamente em função da mais-valia absoluta (intensificada e expandida) que pode ser absorvida (como superlucros) do restante das empresas/regiões. Este é o único mecanismo contratendencial da queda da taxa de lucros.</p>
<p>Portanto, se ficamos felizes pelo desenvolvimento &#8211; redução da mortalidade, melhora da qualidade de vida, da expectativa de vida, preços mais acessíveis de mercadorias aos trabalhadores etc. &#8211; não é de modo nenhum porque ele se baseie numa idílica mais-valia relativa que pudesse existir sem a absoluta, e nem porque haja uma evolução da história caracterizada por uma fase de mais-valia absoluta ser sucedida por uma fase de mais-valia relativa (a primeira supostamente mais &#8220;autoritária&#8221; e a outra mais &#8220;libertária&#8221;).&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-243780</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Aug 2014 03:44:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[intervenção breve:
Beto, considerando a diminuição de horas sem diminuição do salário, penso que fica claro que a luta não é pelo salário num sentido formal, mas no sentido de poder aquisitivo. Se os preços gerais subirem devido aos impostos, o salário terá que seguir a correção. O tempo livre conseguido pode se tornar também o posto de trabalho de mais gente em economias de sobreprodução. Creio que o seu pensamento está viciado a uma ideia de soma zero, cego para a capacidade de pequenas alterações econômicas gestadas na própria luta de classes que podem ir abrindo espaços e disputas na estrutura.
Bom debate! abraço.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>intervenção breve:<br />
Beto, considerando a diminuição de horas sem diminuição do salário, penso que fica claro que a luta não é pelo salário num sentido formal, mas no sentido de poder aquisitivo. Se os preços gerais subirem devido aos impostos, o salário terá que seguir a correção. O tempo livre conseguido pode se tornar também o posto de trabalho de mais gente em economias de sobreprodução. Creio que o seu pensamento está viciado a uma ideia de soma zero, cego para a capacidade de pequenas alterações econômicas gestadas na própria luta de classes que podem ir abrindo espaços e disputas na estrutura.<br />
Bom debate! abraço.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-243746</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2014 22:52:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=95372#comment-243746</guid>

					<description><![CDATA[Caro Dokonal,

Creio que embora o capitalismo seja em suas formas uma “mutatis mutandi”, o que lhe revela um cárater, de certa forma, revolucionário, sua essência será sempre a mesma, por isso a expressão “inexorável”. Já com relação à linearidade tentei expressar a condição temporal oposta ao tempo cíclico que caraterizava os sistemas de produção anteriores, ou seja, sistemas baseados e dependentes dos ritmos e condições naturais. No sistema capitalista a produção ocorre de dia ou de noite, no inverno ou no verão, faça frio ou calor e assim por diante, portanto é linear neste sentido.

Minha preocupação se encontra no sentido do alerta que Karl Marx fazia ao dizer que “todo modo de produção deve ser também um modo de reprodução”. Deste modo, aquilo que, premidos pela necessidade (muitas delas cirurgicamente introduzidas no conjunto dos trabalhadores), consideramos socialmente um ganho ou um avanço pode impor consequências nefastas ao trabalhador. Por isso o mesmo Marx dizia “as causas das evoluções sociais encontram-se na estrutura ecônomica, no modo de produção e da troca, que preside a distribuição das riquezas e, por conseguinte, a formação das classes e a hierarquia. Quando essas evoluções se efetuam, não é porque obedeçam a um ideal de justiça, mas sim porque se ajustam à ordem econômica do momento” (também o injusto obedece à ordem econômica). Não há soma zero! A soma é constante sempre em favor do capital. Quem fica no “zero a zero” não é o capitalista, mas o trabalhador, isto quando o placar não lhe é negativo e de goleada!

Em relação à periferização, Henri Léfèvbre  chamava a atenção para um estratagema sutil e perigoso de classe, no caso a estratégia da classe dominante: “Não se propunham desmoralizar a classe operária mas sim, pelo contrário, moralizá-la. (…) Assim, imaginaram com o habitat, à ascensão à propriedade” (Henri Léfèvbre – O direito à cidade – pág. 16).  É neste sentido que entendo que as pautas dos trabalhadores devem ater a atenção para justamente não reforçar as amarras que lhe prendem ao “desígnios” do capital e, insistindo um pouco mais sobre a questão aparentemente caótica que os aspectos urbanos em seus mais variados setores (moradia, transporte, educação, saúde, etc) se apresentam: “A desordem suburbana oculta uma ordem: (…). Esta oposição tende a constituir um sistema de significações, ainda urbano mesmo na desurbanização (Henri Léfèvbre – O direito à cidade – pág. 20).

Penso ser importante, para compreender um pouco mais como a questão do “urbano” e, consequentemente, da periferização, relembrar Debord: “O urbanismo é a concretização moderna da tarefa ininterrupta que salvaguarda o poder de classe: a manutenção da atomização dos trabalhadores que as condições urbanas de produção tinham perigosamente reunido (...)  «Com os meios de comunicação de massa a grande distância, o isolamento da população verificou-se ser um meio de controlo muito mais eficaz» (…)  Mas o movimento geral do isolamento, que é a realidade do urbanismo, deve também conter uma reintegração controlada dos trabalhadores, segundo as necessidades planificáveis da produção e do consumo. A integração no sistema deve apoderar-se dos indivíduos isolados em conjunto: as fábricas como as casas da cultura, as aldeias de férias como os «grandes conjuntos habitacionais», são especialmente organizados para os fins desta pseudocolectividade que acompanha também o indivíduo isolado na célula familiar (…). (Guy Debourd- A sociedade do Espetáculo – Tese 172).

Na minha opinião, talvez, o aspecto mais preocupante seja a questão fetichista. Da mesma forma que existem movimentos sociais que podem vir a sectarizar a luta de classe, a questão do consumo posta nos molde de uma economia capitalista, nos afasta da nossa emancipação.Por exemplo, se o trabalhador de trinta anos atrás não tinha condições econômicas  para comprar uma TV e hoje tem, não significa que ele ficou mais rico. Significa apenas que seu potencial de consumo hoje se enquadra dentro das necessidades do capital de hoje, podendo ele estar inclusive proporcionalmente mais pobre. Da mesma forma, ter uma jornada reduzida de trabalho não significa rabalhar menos e, talvez, nem ganhar mais, como bem nos ensina o João Bernardo: “A redução formal do horário de trabalho tem correspondido a um aumento real do tempo de trabalho despendido durante esse período. Mas por que razão ocorre este processo, aparentemente contraditório, de redução dos limites e de aumento em profundidade? O mecanismo motor são as lutas sociais. A classe trabalhadora impôs sucessivas reduções da jornada de trabalho, que os capitalistas de cada vez recuperaram, aumentando a complexidade das tarefas executadas no interior do novo horário.
Este processo adquire, por sua vez, uma dinâmica própria, na medida em que o aumento das qualificações e a capacidade de laborar com maior intensidade exigem uma formação cada vez mais demorada. Para que a qualificação e a intensidade do trabalho possam aumentar, têm de se multiplicar também as horas dedicadas à instrução e à preparação da força de trabalho. Por isso, o acréscimo do período passado pelo trabalhador fora da empresa, em vez de representar qualquer redução do peso do trabalho na sociedade, decorre directamente das próprias necessidades do processo de trabalho” (João Bernardo – Transnacionalização do capital e fragmentação dos trabalhadores - Pág 64)

Sem querer me alongar mais do que já me alonguei, mas ante o exposto é por isso que penso que, por exemplo, a redução de jornada pode não surtitr os efeitos almejados, quer porque os custos deste benefícios serão rateados, na realidade entre os trabalhadores através de outros impostos ou taxas, ou porque o tempo livre conseguido pode vir a se tornar um tempo a mais para o capital, quer produzindo mais (e enriquecendo ainda mais o capitalista), quer se tornando mais qualificado não para si, mais para o “mercado.”

Obrigado pela atenção. Valeu!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Dokonal,</p>
<p>Creio que embora o capitalismo seja em suas formas uma “mutatis mutandi”, o que lhe revela um cárater, de certa forma, revolucionário, sua essência será sempre a mesma, por isso a expressão “inexorável”. Já com relação à linearidade tentei expressar a condição temporal oposta ao tempo cíclico que caraterizava os sistemas de produção anteriores, ou seja, sistemas baseados e dependentes dos ritmos e condições naturais. No sistema capitalista a produção ocorre de dia ou de noite, no inverno ou no verão, faça frio ou calor e assim por diante, portanto é linear neste sentido.</p>
<p>Minha preocupação se encontra no sentido do alerta que Karl Marx fazia ao dizer que “todo modo de produção deve ser também um modo de reprodução”. Deste modo, aquilo que, premidos pela necessidade (muitas delas cirurgicamente introduzidas no conjunto dos trabalhadores), consideramos socialmente um ganho ou um avanço pode impor consequências nefastas ao trabalhador. Por isso o mesmo Marx dizia “as causas das evoluções sociais encontram-se na estrutura ecônomica, no modo de produção e da troca, que preside a distribuição das riquezas e, por conseguinte, a formação das classes e a hierarquia. Quando essas evoluções se efetuam, não é porque obedeçam a um ideal de justiça, mas sim porque se ajustam à ordem econômica do momento” (também o injusto obedece à ordem econômica). Não há soma zero! A soma é constante sempre em favor do capital. Quem fica no “zero a zero” não é o capitalista, mas o trabalhador, isto quando o placar não lhe é negativo e de goleada!</p>
<p>Em relação à periferização, Henri Léfèvbre  chamava a atenção para um estratagema sutil e perigoso de classe, no caso a estratégia da classe dominante: “Não se propunham desmoralizar a classe operária mas sim, pelo contrário, moralizá-la. (…) Assim, imaginaram com o habitat, à ascensão à propriedade” (Henri Léfèvbre – O direito à cidade – pág. 16).  É neste sentido que entendo que as pautas dos trabalhadores devem ater a atenção para justamente não reforçar as amarras que lhe prendem ao “desígnios” do capital e, insistindo um pouco mais sobre a questão aparentemente caótica que os aspectos urbanos em seus mais variados setores (moradia, transporte, educação, saúde, etc) se apresentam: “A desordem suburbana oculta uma ordem: (…). Esta oposição tende a constituir um sistema de significações, ainda urbano mesmo na desurbanização (Henri Léfèvbre – O direito à cidade – pág. 20).</p>
<p>Penso ser importante, para compreender um pouco mais como a questão do “urbano” e, consequentemente, da periferização, relembrar Debord: “O urbanismo é a concretização moderna da tarefa ininterrupta que salvaguarda o poder de classe: a manutenção da atomização dos trabalhadores que as condições urbanas de produção tinham perigosamente reunido (&#8230;)  «Com os meios de comunicação de massa a grande distância, o isolamento da população verificou-se ser um meio de controlo muito mais eficaz» (…)  Mas o movimento geral do isolamento, que é a realidade do urbanismo, deve também conter uma reintegração controlada dos trabalhadores, segundo as necessidades planificáveis da produção e do consumo. A integração no sistema deve apoderar-se dos indivíduos isolados em conjunto: as fábricas como as casas da cultura, as aldeias de férias como os «grandes conjuntos habitacionais», são especialmente organizados para os fins desta pseudocolectividade que acompanha também o indivíduo isolado na célula familiar (…). (Guy Debourd- A sociedade do Espetáculo – Tese 172).</p>
<p>Na minha opinião, talvez, o aspecto mais preocupante seja a questão fetichista. Da mesma forma que existem movimentos sociais que podem vir a sectarizar a luta de classe, a questão do consumo posta nos molde de uma economia capitalista, nos afasta da nossa emancipação.Por exemplo, se o trabalhador de trinta anos atrás não tinha condições econômicas  para comprar uma TV e hoje tem, não significa que ele ficou mais rico. Significa apenas que seu potencial de consumo hoje se enquadra dentro das necessidades do capital de hoje, podendo ele estar inclusive proporcionalmente mais pobre. Da mesma forma, ter uma jornada reduzida de trabalho não significa rabalhar menos e, talvez, nem ganhar mais, como bem nos ensina o João Bernardo: “A redução formal do horário de trabalho tem correspondido a um aumento real do tempo de trabalho despendido durante esse período. Mas por que razão ocorre este processo, aparentemente contraditório, de redução dos limites e de aumento em profundidade? O mecanismo motor são as lutas sociais. A classe trabalhadora impôs sucessivas reduções da jornada de trabalho, que os capitalistas de cada vez recuperaram, aumentando a complexidade das tarefas executadas no interior do novo horário.<br />
Este processo adquire, por sua vez, uma dinâmica própria, na medida em que o aumento das qualificações e a capacidade de laborar com maior intensidade exigem uma formação cada vez mais demorada. Para que a qualificação e a intensidade do trabalho possam aumentar, têm de se multiplicar também as horas dedicadas à instrução e à preparação da força de trabalho. Por isso, o acréscimo do período passado pelo trabalhador fora da empresa, em vez de representar qualquer redução do peso do trabalho na sociedade, decorre directamente das próprias necessidades do processo de trabalho” (João Bernardo – Transnacionalização do capital e fragmentação dos trabalhadores &#8211; Pág 64)</p>
<p>Sem querer me alongar mais do que já me alonguei, mas ante o exposto é por isso que penso que, por exemplo, a redução de jornada pode não surtitr os efeitos almejados, quer porque os custos deste benefícios serão rateados, na realidade entre os trabalhadores através de outros impostos ou taxas, ou porque o tempo livre conseguido pode vir a se tornar um tempo a mais para o capital, quer produzindo mais (e enriquecendo ainda mais o capitalista), quer se tornando mais qualificado não para si, mais para o “mercado.”</p>
<p>Obrigado pela atenção. Valeu!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dokonal		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-243656</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dokonal]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2014 14:13:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Beto,

Temos visões bastante diferentes sobre o funcionamento do capitalismo. Não consigo ver, por exemplo, a periferização urbana ou a precarização das relações de trabalho enquanto consequências inexoráveis do desenvolvimento capitalista. Elas foram resultado de uma dada configuração das relações sociais num certo momento. Mas isso não é inexorável. Inexorável é uma palavra muito forte para ser usada na qualificação de um modo de produção cuja regra geral é a instabilidade social.

Tampouco vejo o capitalismo como um sistema linear de soma zero, como você parece indicar em algumas passagens do comentário. Nem a redução da jornada de trabalho nem o aumento salarial são simples trade-offs que se anulam reciprocamente. A razão para isso é a própria capacidade de criação de valor que os trabalhadores têm. Os regimes de exploração caracterizados pelo predomínio da mais-valia relativa, aliás, são a materialização da não-linearidade do capitalismo.

A respeito de redução de tarifa e do acréscimo salarial, parece-me que você está confundindo o fato de os trabalhadores serem os produtores da riqueza social com a remuneração que eles recebem para produzir essa riqueza. Ora, o salário determina a capacidade de consumo de bens e serviços dos trabalhadores. Um acréscimo no salário ou uma redução nos preços de bens e serviços faz aumentar essa capacidade de consumo. E se esse aumento vir a ser coberto por meio de um acréscimo geral de produtividade, então a coisa pode prosseguir no regime de mais-valia relativa citado no parágrafo anterior.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Beto,</p>
<p>Temos visões bastante diferentes sobre o funcionamento do capitalismo. Não consigo ver, por exemplo, a periferização urbana ou a precarização das relações de trabalho enquanto consequências inexoráveis do desenvolvimento capitalista. Elas foram resultado de uma dada configuração das relações sociais num certo momento. Mas isso não é inexorável. Inexorável é uma palavra muito forte para ser usada na qualificação de um modo de produção cuja regra geral é a instabilidade social.</p>
<p>Tampouco vejo o capitalismo como um sistema linear de soma zero, como você parece indicar em algumas passagens do comentário. Nem a redução da jornada de trabalho nem o aumento salarial são simples trade-offs que se anulam reciprocamente. A razão para isso é a própria capacidade de criação de valor que os trabalhadores têm. Os regimes de exploração caracterizados pelo predomínio da mais-valia relativa, aliás, são a materialização da não-linearidade do capitalismo.</p>
<p>A respeito de redução de tarifa e do acréscimo salarial, parece-me que você está confundindo o fato de os trabalhadores serem os produtores da riqueza social com a remuneração que eles recebem para produzir essa riqueza. Ora, o salário determina a capacidade de consumo de bens e serviços dos trabalhadores. Um acréscimo no salário ou uma redução nos preços de bens e serviços faz aumentar essa capacidade de consumo. E se esse aumento vir a ser coberto por meio de um acréscimo geral de produtividade, então a coisa pode prosseguir no regime de mais-valia relativa citado no parágrafo anterior.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-243200</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jul 2014 21:42:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostaria de propor, amigavelmente, algumas reflexões que considero pertinentes.

O capitalismo cria dificuldades para vender facilidades...

O capital não é irracional. Mesmo o mais cruel estado de miséria está inserido dentro da racionalidade capitalista. A periferização urbana ou precarização das relações de trabalho são consequências inexoráveis do desenvolvimento capitalista.  Os ganhos dos trabalhadores muitas vezes são efêmeros ou ilusórios. Se a jornada formal de trabalho hoje é menor que a do início da revolução industrial, o tempo que se demanda para a preparação da vasta mão-de-obra para o “mercado de trabalho” é infinitamente maior. O sistema capitalista impõe-se não só sobre o tempo do trabalho, mas, também, sobre o tempo do não trabalho.  Quanto mais se desenvolve o capitalismo, mais necessidades técnicas se impõem, porém sobre um tempo que continua sendo linear e que, certamente, será subtraído do lado mais frágil da luta de classes.

Para cada ganho dos trabalhadores, há uma contrapartida aos capitalistas. Por exemplo, diminui-se a jornada de trabalho aumentando o ritmo da produção. O capitalista nunca arca, e nunca arcará com os custos da produção; é sempre o produtor, o trabalhador que arca com esses custos. Assim, é uma grande mentira quando os capitalistas dizem que pagam impostos, porque eles são embutidos no preço da mercadoria, que mais cedo ou mais tarde será pago pelo trabalhador. Da mesma forma os custos sociais não são divididos por toda a sociedade, mas apenas àqueles que produzem e não podem repassar estes custos a outrem, de novo os trabalhadores. Portanto seria difícil entender a redução ou mesmo a extinção da tarifa enquanto acréscimo salarial. O trabalhador deixará de arcar com a tarifa e arcará de alguma outra forma com os custos desse &quot;ganho&quot;.

A tentativa de ruptura a este estado de coisas existe e é necessária. Mas devemos prestar atenção em posições ou ações que ao invés de aproximar nós, os trabalhadores, de nosso ideal de emancipação de classe, nos aprisionam ainda mais aos grilhões do capital. Aumentar a produtividade é condição sine qua non para a reprodução do capitalismo e, talvez, certas pautas e reinvidicações estejam justamente colaborando, ou pelo menos corroborando, neste sentido.
Existem, é fato, questões de ordem imediata e de ordem mediata. As questões de ordem imediata, como o próprio termo indica, exigem soluções emergenciais, mas devemos ter claro que dependendo da solução, o futuro fica comprometido. É bom termos em mente, que todo o sistema é preparado para enfraquecer o trabalhador e fortalecer o capital. As agruras do dia a dia servem para reproduzir o capital e também para minar as forças do trabalhador, que num mundo extramente individualista e competitivo, luta com unhas e dentes para ganhar o pão de cada dia, por isso, muitas vezes ele vê seu trabalho como “sagrado”. Nem devemos nos esquecer que pode ser que numa “sociedade do espetáculo” nem sempre o que se ouve ou que se lê é para romper com o sistema, especialmente em tempos do “Templo de Salomão” ou &quot;funk ostentação&quot;...

Abraços fraternais,

Beto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de propor, amigavelmente, algumas reflexões que considero pertinentes.</p>
<p>O capitalismo cria dificuldades para vender facilidades&#8230;</p>
<p>O capital não é irracional. Mesmo o mais cruel estado de miséria está inserido dentro da racionalidade capitalista. A periferização urbana ou precarização das relações de trabalho são consequências inexoráveis do desenvolvimento capitalista.  Os ganhos dos trabalhadores muitas vezes são efêmeros ou ilusórios. Se a jornada formal de trabalho hoje é menor que a do início da revolução industrial, o tempo que se demanda para a preparação da vasta mão-de-obra para o “mercado de trabalho” é infinitamente maior. O sistema capitalista impõe-se não só sobre o tempo do trabalho, mas, também, sobre o tempo do não trabalho.  Quanto mais se desenvolve o capitalismo, mais necessidades técnicas se impõem, porém sobre um tempo que continua sendo linear e que, certamente, será subtraído do lado mais frágil da luta de classes.</p>
<p>Para cada ganho dos trabalhadores, há uma contrapartida aos capitalistas. Por exemplo, diminui-se a jornada de trabalho aumentando o ritmo da produção. O capitalista nunca arca, e nunca arcará com os custos da produção; é sempre o produtor, o trabalhador que arca com esses custos. Assim, é uma grande mentira quando os capitalistas dizem que pagam impostos, porque eles são embutidos no preço da mercadoria, que mais cedo ou mais tarde será pago pelo trabalhador. Da mesma forma os custos sociais não são divididos por toda a sociedade, mas apenas àqueles que produzem e não podem repassar estes custos a outrem, de novo os trabalhadores. Portanto seria difícil entender a redução ou mesmo a extinção da tarifa enquanto acréscimo salarial. O trabalhador deixará de arcar com a tarifa e arcará de alguma outra forma com os custos desse &#8220;ganho&#8221;.</p>
<p>A tentativa de ruptura a este estado de coisas existe e é necessária. Mas devemos prestar atenção em posições ou ações que ao invés de aproximar nós, os trabalhadores, de nosso ideal de emancipação de classe, nos aprisionam ainda mais aos grilhões do capital. Aumentar a produtividade é condição sine qua non para a reprodução do capitalismo e, talvez, certas pautas e reinvidicações estejam justamente colaborando, ou pelo menos corroborando, neste sentido.<br />
Existem, é fato, questões de ordem imediata e de ordem mediata. As questões de ordem imediata, como o próprio termo indica, exigem soluções emergenciais, mas devemos ter claro que dependendo da solução, o futuro fica comprometido. É bom termos em mente, que todo o sistema é preparado para enfraquecer o trabalhador e fortalecer o capital. As agruras do dia a dia servem para reproduzir o capital e também para minar as forças do trabalhador, que num mundo extramente individualista e competitivo, luta com unhas e dentes para ganhar o pão de cada dia, por isso, muitas vezes ele vê seu trabalho como “sagrado”. Nem devemos nos esquecer que pode ser que numa “sociedade do espetáculo” nem sempre o que se ouve ou que se lê é para romper com o sistema, especialmente em tempos do “Templo de Salomão” ou &#8220;funk ostentação&#8221;&#8230;</p>
<p>Abraços fraternais,</p>
<p>Beto.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dokonal		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-243047</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dokonal]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2014 19:06:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) acabou de publicar um estudo intitulado &quot;Os custos da (i)mobilidade nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo”, disponível aqui http://migre.me/kG5bb e comentado aqui http://www.firjan.org.br/data/pages/2C908CEC475A6EB101477D37239150E6.htm.

O custo de R$98,4 bi ao ano para as duas regiões metropolitanas foi calculado segundo a metodologia do custo de oportunidade, isto é, considerando-se aquilo que é renunciado com uma dada escolha. O custo de oportunidade é sempre um produto potencial. No caso em questão, as pessoas que estão presas no trânsito poderiam utilizar esse tempo para trabalhar ou consumir.

Escrevi na segunda parte deste artigo que o mecanismo da mais-valia relativa consistia em agravar a exploração mediante a assimilação dos conflitos. Entretanto a execução desse tipo de estratégia demanda investimento e planejamento consideráveis. Foi por isso que mencionei também a incompetência daqueles capitalistas que não conseguem sair da mais-valia absoluta.

O custo de oportunidade é o cálculo que os capitalistas fazem para analisar a viabilidade da execução desse tipo de estratégia (a mais-valia relativa).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) acabou de publicar um estudo intitulado &#8220;Os custos da (i)mobilidade nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo”, disponível aqui <a href="http://migre.me/kG5bb" rel="nofollow ugc">http://migre.me/kG5bb</a> e comentado aqui <a href="http://www.firjan.org.br/data/pages/2C908CEC475A6EB101477D37239150E6.htm" rel="nofollow ugc">http://www.firjan.org.br/data/pages/2C908CEC475A6EB101477D37239150E6.htm</a>.</p>
<p>O custo de R$98,4 bi ao ano para as duas regiões metropolitanas foi calculado segundo a metodologia do custo de oportunidade, isto é, considerando-se aquilo que é renunciado com uma dada escolha. O custo de oportunidade é sempre um produto potencial. No caso em questão, as pessoas que estão presas no trânsito poderiam utilizar esse tempo para trabalhar ou consumir.</p>
<p>Escrevi na segunda parte deste artigo que o mecanismo da mais-valia relativa consistia em agravar a exploração mediante a assimilação dos conflitos. Entretanto a execução desse tipo de estratégia demanda investimento e planejamento consideráveis. Foi por isso que mencionei também a incompetência daqueles capitalistas que não conseguem sair da mais-valia absoluta.</p>
<p>O custo de oportunidade é o cálculo que os capitalistas fazem para analisar a viabilidade da execução desse tipo de estratégia (a mais-valia relativa).</p>
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		<item>
		<title>
		Por: d.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/05/95372/#comment-242947</link>

		<dc:creator><![CDATA[d.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2014 00:57:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=95372#comment-242947</guid>

					<description><![CDATA[De Caminho para Wigan Pier, de George Orwell

“O que quero destacar é o seguinte: falamos desse negócio terrível de ter que andar abaixado no trajeto de ida e volta, o que para uma pessoa normal já é uma tarefa duríssima, e, no entanto ele não é considerado parte do trabalho do mineiro, em absoluto; é apenas um extra, tal como a viagem diária de metrô de um funcionário da City de Londres. O mineiro vai e vem dessa maneira, e entre a ida e a volta há sete horas e meia de trabalho bruto, feroz. Nunca percorri muito mais que um quilômetro e meio até chegar ao veio de carvão, mas muitas vezes são quase cinco quilômetros, e nesse caso eu e a maioria das pessoas que não são mineiros de carvão jamais conseguiríamos chegar até lá. Quando se pensa em uma mina de carvão, se pensa na profundidade, no calor, na escuridão, em figuras enegrecidas escavando a parede da rocha com suas picaretas, mas não se pensa, necessariamente, nesses quilômetros de trajeto que é preciso percorrer agachado. Há também a questão do tempo. O turno de trabalho de um mineiro, de sete horas e meia, não parece muito longo, mas é preciso acrescentar pelo menos uma hora para o trajeto subterrâneo ­– com freqüência duas horas e às vezes até três. É claro que o trajeto não é, tecnicamente, trabalho, e o mineiro não é pago pelo tempo assim gasto; mas é como se fosse um trabalho.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De Caminho para Wigan Pier, de George Orwell</p>
<p>“O que quero destacar é o seguinte: falamos desse negócio terrível de ter que andar abaixado no trajeto de ida e volta, o que para uma pessoa normal já é uma tarefa duríssima, e, no entanto ele não é considerado parte do trabalho do mineiro, em absoluto; é apenas um extra, tal como a viagem diária de metrô de um funcionário da City de Londres. O mineiro vai e vem dessa maneira, e entre a ida e a volta há sete horas e meia de trabalho bruto, feroz. Nunca percorri muito mais que um quilômetro e meio até chegar ao veio de carvão, mas muitas vezes são quase cinco quilômetros, e nesse caso eu e a maioria das pessoas que não são mineiros de carvão jamais conseguiríamos chegar até lá. Quando se pensa em uma mina de carvão, se pensa na profundidade, no calor, na escuridão, em figuras enegrecidas escavando a parede da rocha com suas picaretas, mas não se pensa, necessariamente, nesses quilômetros de trajeto que é preciso percorrer agachado. Há também a questão do tempo. O turno de trabalho de um mineiro, de sete horas e meia, não parece muito longo, mas é preciso acrescentar pelo menos uma hora para o trajeto subterrâneo ­– com freqüência duas horas e às vezes até três. É claro que o trajeto não é, tecnicamente, trabalho, e o mineiro não é pago pelo tempo assim gasto; mas é como se fosse um trabalho.”</p>
]]></content:encoded>
		
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