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	Comentários sobre: Das ondas de “racionalização” do Estado ao tsunami da “racionalização”: a invasão das teorias gerencialistas nas escolas e universidades estaduais paulistas	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: um professor		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[um professor]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jul 2014 14:47:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostaria de narrar uma situação que mostra que a situação da UNESP não é a mais grave, por pior que seja...

Leciono num curso superior de uma instituição do sistema IF (Institutos Federais de Educação Profissional e Tenológica, os antigos CEFET&#039;s), em algum lugar do Brasil. Ali, o empreendedorismo está no Plano Político-Pedagógico do IF, assim como no Projeto Curricular do meu curso. O atual diretor do centro, considerado de esquerda por muitos, devido a um passado sindical, fez sua Tese de Doutorado sobre o Benchmarking aplicado na avaliação de cursos superiores. No meu curso, os TCC&#039;s são obrigatoriamente realizados em parceria com empresas, assim como muitos projetos feitos em sala de aula. Com isso, professores e alunos são obrigados a prestar serviço para estas empresas. Além disto, as empresas têm direito a um assento nas bancas de avaliação dos TCC&#039;s. Alguns desses trabalhos ocorrem em parcerias com empresas de professores e dos próprios alunos. Quando se estabelece parceria com uma empresa para um projeto curricular semestral, toda a estrutura pedagógica do módulo se adapta às necessidades e cronograma da mesma. Até a equipe de professores é escalada ideologicamente, entre os que defendem abertamente este sistema, para evitar constrangimentos para a empresa e discursos contrários em sala de aula. A apologia durante as aulas beira à lavagem cerebral.

Enquanto uma minoria percebe o tamanho do problema, a discussão chega no máximo a uma crítica contábil, no sentido de que a empresa está ganhando mais do que os royalties pagos à instituição. Também temos uma Empresa JR. Nossa pedagogia é por competências e por projetos. Avaliamos os alunos por competências técnicas e comportamentais (criatividade, autonomia, liderança, etc.). O utilitarismo e o pragmatismo já tomou conta de tudo e de todos (quase todos...). Inovação é a palavra de ordem. Tudo se tornou negócio, ou quer se tornar. Quem faz discursos antiempresa é perseguido ou desqualificado. Na realidade, no âmbito daquele curso especificamente, sou o único professor que se posiciona abertamente contra tudo isto. Enquanto isto, o sindicato está muito preocupado em combater o &quot;governo neoliberal da Dilma&quot;, enquanto as relações sociais de produção capitalistas dominam nosso cotidiano laboral.

A terceirização também tomou conta dos serviços básicos. Além de não termos nem restaurante universitário (só uma cantina privada), nem moradia estudantil.

Além disto, existe uma tendência a tornar obrigatório alguma titulação gestorial (especialização, MBA, Mestrado, Doutorado, etc) para ocupar cargos eletivos e comissionados, como diretor, pró-reitor, etc. Mas isto ainda tem certa polêmica.

Bem, de cabeça foram os aspectos que me lembrei, mas já não é pouca coisa...

Meus esforços têm sido no sentido de disseminar uma discussão entre os estudantes do curso, que tem tido algum retorno, mas a coisa ainda está um pouco desorganizada. Mas a luta continua...

Saudações!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de narrar uma situação que mostra que a situação da UNESP não é a mais grave, por pior que seja&#8230;</p>
<p>Leciono num curso superior de uma instituição do sistema IF (Institutos Federais de Educação Profissional e Tenológica, os antigos CEFET&#8217;s), em algum lugar do Brasil. Ali, o empreendedorismo está no Plano Político-Pedagógico do IF, assim como no Projeto Curricular do meu curso. O atual diretor do centro, considerado de esquerda por muitos, devido a um passado sindical, fez sua Tese de Doutorado sobre o Benchmarking aplicado na avaliação de cursos superiores. No meu curso, os TCC&#8217;s são obrigatoriamente realizados em parceria com empresas, assim como muitos projetos feitos em sala de aula. Com isso, professores e alunos são obrigados a prestar serviço para estas empresas. Além disto, as empresas têm direito a um assento nas bancas de avaliação dos TCC&#8217;s. Alguns desses trabalhos ocorrem em parcerias com empresas de professores e dos próprios alunos. Quando se estabelece parceria com uma empresa para um projeto curricular semestral, toda a estrutura pedagógica do módulo se adapta às necessidades e cronograma da mesma. Até a equipe de professores é escalada ideologicamente, entre os que defendem abertamente este sistema, para evitar constrangimentos para a empresa e discursos contrários em sala de aula. A apologia durante as aulas beira à lavagem cerebral.</p>
<p>Enquanto uma minoria percebe o tamanho do problema, a discussão chega no máximo a uma crítica contábil, no sentido de que a empresa está ganhando mais do que os royalties pagos à instituição. Também temos uma Empresa JR. Nossa pedagogia é por competências e por projetos. Avaliamos os alunos por competências técnicas e comportamentais (criatividade, autonomia, liderança, etc.). O utilitarismo e o pragmatismo já tomou conta de tudo e de todos (quase todos&#8230;). Inovação é a palavra de ordem. Tudo se tornou negócio, ou quer se tornar. Quem faz discursos antiempresa é perseguido ou desqualificado. Na realidade, no âmbito daquele curso especificamente, sou o único professor que se posiciona abertamente contra tudo isto. Enquanto isto, o sindicato está muito preocupado em combater o &#8220;governo neoliberal da Dilma&#8221;, enquanto as relações sociais de produção capitalistas dominam nosso cotidiano laboral.</p>
<p>A terceirização também tomou conta dos serviços básicos. Além de não termos nem restaurante universitário (só uma cantina privada), nem moradia estudantil.</p>
<p>Além disto, existe uma tendência a tornar obrigatório alguma titulação gestorial (especialização, MBA, Mestrado, Doutorado, etc) para ocupar cargos eletivos e comissionados, como diretor, pró-reitor, etc. Mas isto ainda tem certa polêmica.</p>
<p>Bem, de cabeça foram os aspectos que me lembrei, mas já não é pouca coisa&#8230;</p>
<p>Meus esforços têm sido no sentido de disseminar uma discussão entre os estudantes do curso, que tem tido algum retorno, mas a coisa ainda está um pouco desorganizada. Mas a luta continua&#8230;</p>
<p>Saudações!</p>
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