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	Comentários sobre: 7&#215;1 + 3&#215;0 = histeria nacionalista	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Arnon		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-242370</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arnon]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2014 22:50:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Está muito certo, Mr. Buster.
Mas me diga uma coisa, muito sinceramente:
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo, Mr. Buster?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está muito certo, Mr. Buster.<br />
Mas me diga uma coisa, muito sinceramente:<br />
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo, Mr. Buster?</p>
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		<title>
		Por: Mirto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241998</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mirto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jul 2014 16:50:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[De todas as vezes que já toquei neste assunto (entre amigos ou não) raros são aqueles capazes de discutir sem se apegar em demasia aos &quot;elementos simbólicos do nacionalismo&quot;. O que não passa de um balaio, fruto transgênico da confusão criada pelas próprias forças opressoras. É uma memória distante no orgulho de uma infância descabida, algo que ainda não sofreu um despertar de consciência, não para um &quot;real&quot; pois à isso não cabe a ninguém ditar, mas para aquela chaga que foi tirada de dentro do corpo e agora se olha em detalhes, estupefato.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De todas as vezes que já toquei neste assunto (entre amigos ou não) raros são aqueles capazes de discutir sem se apegar em demasia aos &#8220;elementos simbólicos do nacionalismo&#8221;. O que não passa de um balaio, fruto transgênico da confusão criada pelas próprias forças opressoras. É uma memória distante no orgulho de uma infância descabida, algo que ainda não sofreu um despertar de consciência, não para um &#8220;real&#8221; pois à isso não cabe a ninguém ditar, mas para aquela chaga que foi tirada de dentro do corpo e agora se olha em detalhes, estupefato.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: José		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241975</link>

		<dc:creator><![CDATA[José]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jul 2014 14:19:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Me parece que o texto poderia ter sido escrito antes da copa... É uma leitura a priori feita dos acontecimentos. 

Para começo de conversa gostaria de saber quais foram os casos concretos de histeria nacionalista...

Que as câmeras fotográficas e de TV vão se voltar àqueles que querem 5 minutos de fama (mesmo que seja chorando) não surpreende aos que acompanham minimamente o futebol (e não apenas durante as copas do mundo). É um jeito de transmitir o que acontece como nas fotos que ilustram esse texto. Imagens mais do que controladas.

Essa é talvez a versão midiática dos acontecimentos. Que o Galvão Bueno é histérico todo mundo já sabia, mas mesmo os mais &quot;apaixonados&quot; torcedores tem suas críticas a ele e outros narradores, comentaristas, jornalistas...

Sim houve dentro dos estádios quem chorasse pela seleção. Mas que parcela da sociedade eles representam? Houve também quem chorasse pela seleção fora dali, mas será que eles não conseguiram ir ao trabalho no dia seguinte? Não transformem o choro por uma derrota em histeria nacionalista... Há muita coisa no meio do caminho...

Quem diz que futebol é uma futilidade assume sua crítica apriori dos acontecimentos. A crítica de que precisamos é do que fizeram com o futebol. Esta copa foi mais um duro golpe ao cidadãos pobres que gostam de futebol e tinham nos estádios um momento de diversão (na falta de uma melhor palavra) para lá de legítimo. Esse cidadão está acostumado com as derrotas de seu time e sabe muito bem lidar com elas...

Nossa sociedade parece sim ser fácil de governar, mas não acredito que seja pelo fato de viver &quot;a tal ponto no plano simbólico&quot;. 

Beijo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me parece que o texto poderia ter sido escrito antes da copa&#8230; É uma leitura a priori feita dos acontecimentos. </p>
<p>Para começo de conversa gostaria de saber quais foram os casos concretos de histeria nacionalista&#8230;</p>
<p>Que as câmeras fotográficas e de TV vão se voltar àqueles que querem 5 minutos de fama (mesmo que seja chorando) não surpreende aos que acompanham minimamente o futebol (e não apenas durante as copas do mundo). É um jeito de transmitir o que acontece como nas fotos que ilustram esse texto. Imagens mais do que controladas.</p>
<p>Essa é talvez a versão midiática dos acontecimentos. Que o Galvão Bueno é histérico todo mundo já sabia, mas mesmo os mais &#8220;apaixonados&#8221; torcedores tem suas críticas a ele e outros narradores, comentaristas, jornalistas&#8230;</p>
<p>Sim houve dentro dos estádios quem chorasse pela seleção. Mas que parcela da sociedade eles representam? Houve também quem chorasse pela seleção fora dali, mas será que eles não conseguiram ir ao trabalho no dia seguinte? Não transformem o choro por uma derrota em histeria nacionalista&#8230; Há muita coisa no meio do caminho&#8230;</p>
<p>Quem diz que futebol é uma futilidade assume sua crítica apriori dos acontecimentos. A crítica de que precisamos é do que fizeram com o futebol. Esta copa foi mais um duro golpe ao cidadãos pobres que gostam de futebol e tinham nos estádios um momento de diversão (na falta de uma melhor palavra) para lá de legítimo. Esse cidadão está acostumado com as derrotas de seu time e sabe muito bem lidar com elas&#8230;</p>
<p>Nossa sociedade parece sim ser fácil de governar, mas não acredito que seja pelo fato de viver &#8220;a tal ponto no plano simbólico&#8221;. </p>
<p>Beijo</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241771</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2014 19:55:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=97602#comment-241771</guid>

					<description><![CDATA[Taiguara,
Referi-me especificamente à sua afirmação de que a construção identitária do trabalhador, hoje, resultaria numa identidade heterogênea (oriunda de vários espaços de sociabilidade, como você acrescentou).
O que eu perguntei é como definir, hoje, a identidade burguesa, já que o seu antagonista, o operário, deixa de ser homogêneo.
Em outras palavras, se se admite a heterogeneidade identitária do operário, parece que ainda se continua a falar num burguês que remete àquele contemporâneo de Marx, que detinha, de fato, todos os meios de produção, e que impunha aos seus operários um regime de semi-escravidão e condições indignas de existência, sem o menor pudor.
(A este respeito, penso nos fundos de pensão dos trabalhadores dos países ricos: indiretamente, é como se os trabalhadores dos países ricos &quot;explorassem&quot; a mais valia dos trabalhadores de empresas localizadas em países mais pobres, empresas essas cujos donos são, exatamente, esses fundos de pensão)
E, por último, partindo da premissa que se admita também múltiplos planos identitários do burguês, como descrever, de acordo com a teoria marxista, a interação entre essas duas identidades agora heterogêneas: mantêm-se inalterados os conceitos de exploração, mais valia, capital, etc, ou a redefinição de operário e burguês exigem a redefinição (ou atualização) da teoria marxista?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Taiguara,<br />
Referi-me especificamente à sua afirmação de que a construção identitária do trabalhador, hoje, resultaria numa identidade heterogênea (oriunda de vários espaços de sociabilidade, como você acrescentou).<br />
O que eu perguntei é como definir, hoje, a identidade burguesa, já que o seu antagonista, o operário, deixa de ser homogêneo.<br />
Em outras palavras, se se admite a heterogeneidade identitária do operário, parece que ainda se continua a falar num burguês que remete àquele contemporâneo de Marx, que detinha, de fato, todos os meios de produção, e que impunha aos seus operários um regime de semi-escravidão e condições indignas de existência, sem o menor pudor.<br />
(A este respeito, penso nos fundos de pensão dos trabalhadores dos países ricos: indiretamente, é como se os trabalhadores dos países ricos &#8220;explorassem&#8221; a mais valia dos trabalhadores de empresas localizadas em países mais pobres, empresas essas cujos donos são, exatamente, esses fundos de pensão)<br />
E, por último, partindo da premissa que se admita também múltiplos planos identitários do burguês, como descrever, de acordo com a teoria marxista, a interação entre essas duas identidades agora heterogêneas: mantêm-se inalterados os conceitos de exploração, mais valia, capital, etc, ou a redefinição de operário e burguês exigem a redefinição (ou atualização) da teoria marxista?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Taiguara		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241713</link>

		<dc:creator><![CDATA[Taiguara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2014 15:22:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gustavo,

O que eu quis dizer é que, como a vida das pessoas é sempre dividida em variados espaços de sociabilidade, o fato de haver uma laço mais amplo em torno de uma experiência comum, como o lugar que elas ocupam na produção, não leva necessariamente à eliminação de componentes identitários originados sobre outros fatores (geracionais, de gênero, étnico, nacional, religioso etc). Por isso falar em identidades sobrepostas.

Se bem entendi sua pergunta, o esforço da construção burguesa é precisamente o de anular ou reduzir ao máximo a importância  daquele campo institucional onde a sua prática se opõe à do operário, para reconstituí-la em campos onde ambas podem coexistir harmoniosamente, como o nacional, dos times de futebol etc.

É claro que as transformações das últimas décadas no universo da produção bagunçaram o coreto, e é esse o mar de lama em que nos encontramos hoje. Mas me parece que coisinhas bobas como &quot;meios de produção&quot; ainda não deixaram de existir, aos quais apenas uma parte ínfima da humanidade tem acesso ou detém o controle. E é sobre essa diferença fundamental  que deveria incidir o trabalho da esquerda anticapitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gustavo,</p>
<p>O que eu quis dizer é que, como a vida das pessoas é sempre dividida em variados espaços de sociabilidade, o fato de haver uma laço mais amplo em torno de uma experiência comum, como o lugar que elas ocupam na produção, não leva necessariamente à eliminação de componentes identitários originados sobre outros fatores (geracionais, de gênero, étnico, nacional, religioso etc). Por isso falar em identidades sobrepostas.</p>
<p>Se bem entendi sua pergunta, o esforço da construção burguesa é precisamente o de anular ou reduzir ao máximo a importância  daquele campo institucional onde a sua prática se opõe à do operário, para reconstituí-la em campos onde ambas podem coexistir harmoniosamente, como o nacional, dos times de futebol etc.</p>
<p>É claro que as transformações das últimas décadas no universo da produção bagunçaram o coreto, e é esse o mar de lama em que nos encontramos hoje. Mas me parece que coisinhas bobas como &#8220;meios de produção&#8221; ainda não deixaram de existir, aos quais apenas uma parte ínfima da humanidade tem acesso ou detém o controle. E é sobre essa diferença fundamental  que deveria incidir o trabalho da esquerda anticapitalista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241699</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2014 12:35:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Taiguara,
Você está sugerindo que é possível a construção de UMA identidade trabalhadora HETEROGÊNEA?
E que implicações essa construção acarreta para a (antiga?) identidade burguesa, a que se opõe à (antiga?) identidade operária?
E como essas &quot;heterogeneidades&quot; operam entre si?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Taiguara,<br />
Você está sugerindo que é possível a construção de UMA identidade trabalhadora HETEROGÊNEA?<br />
E que implicações essa construção acarreta para a (antiga?) identidade burguesa, a que se opõe à (antiga?) identidade operária?<br />
E como essas &#8220;heterogeneidades&#8221; operam entre si?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Taiguara		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241657</link>

		<dc:creator><![CDATA[Taiguara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2014 04:30:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Exílio Punk,

Pergunto a você se acaso o fato de existir todas essas outras esferas de convívio social faz com que a do trabalho deixe de existir. Não só continua existindo como toma grande parte das horas diárias dessas pessoas.  Especialmente no caso que você citou, é de se supor que o nosso evangélico, por mais fervoroso que seja, não consume mais tempo de sua vida no culto do que na batalha diária pela sobrevivência. Dentro disso, o trabalho é - para usar os seus termos - um &quot;campo vívido e real&quot;, por que não? 

Tenho para mim que as pessoas não constroem a sua identidade com base numa única instituição em que existem, formando identidades puras. As identidades podem ser sobrepostas, híbridas etc, em função dos diferentes campos em que a vida da pessoa se divide. 

Nesse balaio todo o trabalho é, talvez, um campo transversal, um denominador comum que está na base de todas essas outras dimensões que você levantou. Tanto o é que o pastor da igreja evangélica sabe disso e não pode deixar de lado essa compreensão se quiser elaborar um discurso que faça algum sentido para os fiéis. 

A conformação dessas identidades, então, a forma que se hierarquizam e relacionam os elementos que compõem a representação que cada um faz de si mesmo, não obedece apenas a critérios dados pela realidade, mas a critérios políticos, embates de força. Isso quer dizer que sua construção é sempre um processo em disputa constante.

Você tem razão ao dizer que, hoje, é muito mais provável que o fulano se assuma muito mais enquanto evangélico e não como trabalhador. E não que haja problema no fato de ele ser evangélico, mas isso nem sempre foi assim. Sinal dos tempos em que afirmação dos particularismos se sobrepõe a qualquer possibilidade de formas mais amplas de autorreconhecimento. Para a esquerda, o problema é apresentar isso como resposta, algo dado, enquanto é justamente o que está para ser explicado.

Retomar a possibilidade de construção de uma identidade trabalhadora (ainda que ela não se apresente com esse nome) é toda o tarefa da esquerda. E pode ficar sossegado que isso não implicaria nenhum tipo de homogenização. 
Abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exílio Punk,</p>
<p>Pergunto a você se acaso o fato de existir todas essas outras esferas de convívio social faz com que a do trabalho deixe de existir. Não só continua existindo como toma grande parte das horas diárias dessas pessoas.  Especialmente no caso que você citou, é de se supor que o nosso evangélico, por mais fervoroso que seja, não consume mais tempo de sua vida no culto do que na batalha diária pela sobrevivência. Dentro disso, o trabalho é &#8211; para usar os seus termos &#8211; um &#8220;campo vívido e real&#8221;, por que não? </p>
<p>Tenho para mim que as pessoas não constroem a sua identidade com base numa única instituição em que existem, formando identidades puras. As identidades podem ser sobrepostas, híbridas etc, em função dos diferentes campos em que a vida da pessoa se divide. </p>
<p>Nesse balaio todo o trabalho é, talvez, um campo transversal, um denominador comum que está na base de todas essas outras dimensões que você levantou. Tanto o é que o pastor da igreja evangélica sabe disso e não pode deixar de lado essa compreensão se quiser elaborar um discurso que faça algum sentido para os fiéis. </p>
<p>A conformação dessas identidades, então, a forma que se hierarquizam e relacionam os elementos que compõem a representação que cada um faz de si mesmo, não obedece apenas a critérios dados pela realidade, mas a critérios políticos, embates de força. Isso quer dizer que sua construção é sempre um processo em disputa constante.</p>
<p>Você tem razão ao dizer que, hoje, é muito mais provável que o fulano se assuma muito mais enquanto evangélico e não como trabalhador. E não que haja problema no fato de ele ser evangélico, mas isso nem sempre foi assim. Sinal dos tempos em que afirmação dos particularismos se sobrepõe a qualquer possibilidade de formas mais amplas de autorreconhecimento. Para a esquerda, o problema é apresentar isso como resposta, algo dado, enquanto é justamente o que está para ser explicado.</p>
<p>Retomar a possibilidade de construção de uma identidade trabalhadora (ainda que ela não se apresente com esse nome) é toda o tarefa da esquerda. E pode ficar sossegado que isso não implicaria nenhum tipo de homogenização.<br />
Abraços</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Exílio Punk		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241645</link>

		<dc:creator><![CDATA[Exílio Punk]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2014 01:06:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=97602#comment-241645</guid>

					<description><![CDATA[Essa coisa de querer que as pessoas construam a sua identidade tendo como base apenas aquilo que faz durante as horas de trabalho parece muita loucura. Pensar a homogeneização sob uma &quot;cultura da classe trabalhadora&quot; é mais complicado ainda. Vou citar um exemplo: 

Imaginem um nordestino que veio para SP sem absolutamente nada. O sujeito arruma um emprego na construção civil, vai morar em pensionatos e dai encara o mundo. Certamente, não será em associações críticas, de esquerda ou revolucionárias que encontrará algum apoio moral e econômico. Não vai ser acolhido por grupos de alunos da USP nem escritores de livros marxistas. Muito provavelmente, seguindo as estatísticas, será numa igreja evangélica que esse cara, sozinho, rústico, sem lar, encontrará uma rede de apoio moral, coleguismo, algum apoio econômico, uma namorada. Pra ele, toda a esquerda é pura nuvem e o mundo do trabalho sinônimo de labuta, mas poderá encontrar na igreja um espaço aprazível, de valorização e engrandecimento. Esse cara vai viver muito mais como evangélico, se assumir como tal, do que como operário - e isso na mesma intensidade com que os universitários expõem as camisetas dos cursos. O mesmo processo ocorre com os gays, com os negros, com outros mais. Não vejo nenhuma possibilidade de união coletiva que despreze o campo vívido e real das identidades várias que compõem o nosso mundo. As precisam sobreviver no real e não nas nuvens. E o real é a igrejinha aberta, não a metafísica dos costumes de um sempre inacabado marxismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa coisa de querer que as pessoas construam a sua identidade tendo como base apenas aquilo que faz durante as horas de trabalho parece muita loucura. Pensar a homogeneização sob uma &#8220;cultura da classe trabalhadora&#8221; é mais complicado ainda. Vou citar um exemplo: </p>
<p>Imaginem um nordestino que veio para SP sem absolutamente nada. O sujeito arruma um emprego na construção civil, vai morar em pensionatos e dai encara o mundo. Certamente, não será em associações críticas, de esquerda ou revolucionárias que encontrará algum apoio moral e econômico. Não vai ser acolhido por grupos de alunos da USP nem escritores de livros marxistas. Muito provavelmente, seguindo as estatísticas, será numa igreja evangélica que esse cara, sozinho, rústico, sem lar, encontrará uma rede de apoio moral, coleguismo, algum apoio econômico, uma namorada. Pra ele, toda a esquerda é pura nuvem e o mundo do trabalho sinônimo de labuta, mas poderá encontrar na igreja um espaço aprazível, de valorização e engrandecimento. Esse cara vai viver muito mais como evangélico, se assumir como tal, do que como operário &#8211; e isso na mesma intensidade com que os universitários expõem as camisetas dos cursos. O mesmo processo ocorre com os gays, com os negros, com outros mais. Não vejo nenhuma possibilidade de união coletiva que despreze o campo vívido e real das identidades várias que compõem o nosso mundo. As precisam sobreviver no real e não nas nuvens. E o real é a igrejinha aberta, não a metafísica dos costumes de um sempre inacabado marxismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241569</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2014 16:03:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=97602#comment-241569</guid>

					<description><![CDATA[Não tencionava intervir em tão sábia discussão, mas não me parece que este curto manifesto do &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; justifique essas críticas, antes de mais porque certamente não aspirou ao estatuto de um tratado de semiologia. Mais rasteiramente, devemos distinguir entre o plano simbólico indispensável à humanidade para raciocinar e agir, centrado na dupla articulação da linguagem, e o plano simbólico enquanto um dos objectivos da acção. Sem símbolos não se pode viver, o que inclui organizar instituições sociais, produzir bens, andar de um lado para o outro, dar saltos ou escrever num computador, além de muitas outras coisas. O problema consiste em saber se com os símbolos só se podem produzir outros símbolos ou se se pode chegar a outros níveis, mais profundos, da realidade. Que o futebol tenha uma faceta simbólica é indubitável. Todos os gestos têm uma faceta simbólica, por isso constituem material de estudo para a semiologia. Mas o futebol é igualmente um grande empreendimento económico de carácter transnacional, que move uma força de trabalho altamente internacionalizada. Ora, o histérico desespero nacionalista motivado pelo resultado de um jogo concentrou-se exclusivamente no plano simbólico e esqueceu ou ignorou as implicações sócio-económicas do futebol. Enquanto as lutas sociais se concentrarem no simbólico, os capitalistas continuarão a explorar e os governos a governar. E enquanto a perspectiva pós-modernista e multiculturalista prevalecer, as lutas sociais continuarão a concentrar-se no simbólico. É precisamente para isto, aliás, que o pós-modernismo e o multiculturalismo servem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tencionava intervir em tão sábia discussão, mas não me parece que este curto manifesto do <em>Passa Palavra</em> justifique essas críticas, antes de mais porque certamente não aspirou ao estatuto de um tratado de semiologia. Mais rasteiramente, devemos distinguir entre o plano simbólico indispensável à humanidade para raciocinar e agir, centrado na dupla articulação da linguagem, e o plano simbólico enquanto um dos objectivos da acção. Sem símbolos não se pode viver, o que inclui organizar instituições sociais, produzir bens, andar de um lado para o outro, dar saltos ou escrever num computador, além de muitas outras coisas. O problema consiste em saber se com os símbolos só se podem produzir outros símbolos ou se se pode chegar a outros níveis, mais profundos, da realidade. Que o futebol tenha uma faceta simbólica é indubitável. Todos os gestos têm uma faceta simbólica, por isso constituem material de estudo para a semiologia. Mas o futebol é igualmente um grande empreendimento económico de carácter transnacional, que move uma força de trabalho altamente internacionalizada. Ora, o histérico desespero nacionalista motivado pelo resultado de um jogo concentrou-se exclusivamente no plano simbólico e esqueceu ou ignorou as implicações sócio-económicas do futebol. Enquanto as lutas sociais se concentrarem no simbólico, os capitalistas continuarão a explorar e os governos a governar. E enquanto a perspectiva pós-modernista e multiculturalista prevalecer, as lutas sociais continuarão a concentrar-se no simbólico. É precisamente para isto, aliás, que o pós-modernismo e o multiculturalismo servem.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97602/#comment-241566</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2014 15:36:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=97602#comment-241566</guid>

					<description><![CDATA[Justiça seja feita, o texto começa por reconhecer a debilidade da análise das expressões culturais coletivas no campo marxista.
Mas concordo, é reducionista, como se o referido plano simbólico devesse a todo custo ser eliminado, substituído pelo único possível, o real. 
Como se um real despido do plano simbólico fosse possível de ser alcançado - e o que é pior, desejável.
Até prova em contrário, esse real sem símbolos são as formigas a que me referi anteriormente, é o meu cachorro mijando na rua.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Justiça seja feita, o texto começa por reconhecer a debilidade da análise das expressões culturais coletivas no campo marxista.<br />
Mas concordo, é reducionista, como se o referido plano simbólico devesse a todo custo ser eliminado, substituído pelo único possível, o real.<br />
Como se um real despido do plano simbólico fosse possível de ser alcançado &#8211; e o que é pior, desejável.<br />
Até prova em contrário, esse real sem símbolos são as formigas a que me referi anteriormente, é o meu cachorro mijando na rua.</p>
]]></content:encoded>
		
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