<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: @s títeres pervers@s de uma luta antimachista	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2014/08/98495/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 10 Jul 2017 20:36:37 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-245023</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Aug 2014 14:51:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-245023</guid>

					<description><![CDATA[ADENDO [ao comentário de 7 de agosto de 2014 08:54] 

GIDE [o bicho da seda]
&quot;A fé move montanhas; sim: montanhas de absurdos. Não oponho à fé a dúvida, mas a afirmação: o que não saberia ser não é.
Portanto, eu me recusarei a considerar a finalidade na natureza. Segundo o conselho dos melhores, substituirei sempre, sistematicamente, o porquê pelo como.  Por exemplo: sei (pelo menos, disseram-me) que o bicho da seda, fabricando seu casulo, descarrega uma substância que o envenenaria caso não o fizesse.  É para salvar-se que ele se evacua. Isso não impede que o casulo, que ele está obrigado a formar sob pena de morte, e que ele não saberia nem poderia elaborar diferentemente, proteja a metamorfose da lagarta; mas esta não se tornará borboleta se não expelir o veneno sedoso... Sou forçado, também, a admirar quanto o ‘como’ junta-se aqui ao ‘porquê’, confunde-se com ele de íntima maneira em um nó tão apertado que não se pode distinguir um do outro.
O mesmo para o molusco e sua concha. O mesmo sem cessar e por toda parte; na natureza, a solução não se separa do problema. Ou melhor, não há problema; só há soluções.&quot;  Gide, A. – Feuillets d’automne PP 260/1 

FOUCAULT [&#039;souci de soi&#039;] 
&quot;A preocupação pela liberdade foi um problema essencial, permanente, durante os oito grandes séculos da cultura clássica. Existiu, então, toda uma ética que girou em torno do cuidado de si, o que proporciona para a ética clássica sua forma tão particular. Não pretendo afirmar com isto que a ética seja o cuidado de si, mas que, na Antiguidade, a ética, enquanto prática reflexiva da liberdade, girou em torno deste imperativo fundamental: &#039;cuida de ti mesmo&#039;.&quot;

RUBEL [autopraxis proletária] 
&quot;... a emancipação do homem, mediante a abolição do capital e do Estado, e a criação da comunidade mundial &#039;autogerida&#039; passando por uma fase de domínio ditatorial marcada por alguns estigmas da era burguesa. Esta é a natureza da transformação material e espiritual que Marx expressa com o conceito de autoemancipação...&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ADENDO [ao comentário de 7 de agosto de 2014 08:54] </p>
<p>GIDE [o bicho da seda]<br />
&#8220;A fé move montanhas; sim: montanhas de absurdos. Não oponho à fé a dúvida, mas a afirmação: o que não saberia ser não é.<br />
Portanto, eu me recusarei a considerar a finalidade na natureza. Segundo o conselho dos melhores, substituirei sempre, sistematicamente, o porquê pelo como.  Por exemplo: sei (pelo menos, disseram-me) que o bicho da seda, fabricando seu casulo, descarrega uma substância que o envenenaria caso não o fizesse.  É para salvar-se que ele se evacua. Isso não impede que o casulo, que ele está obrigado a formar sob pena de morte, e que ele não saberia nem poderia elaborar diferentemente, proteja a metamorfose da lagarta; mas esta não se tornará borboleta se não expelir o veneno sedoso&#8230; Sou forçado, também, a admirar quanto o ‘como’ junta-se aqui ao ‘porquê’, confunde-se com ele de íntima maneira em um nó tão apertado que não se pode distinguir um do outro.<br />
O mesmo para o molusco e sua concha. O mesmo sem cessar e por toda parte; na natureza, a solução não se separa do problema. Ou melhor, não há problema; só há soluções.&#8221;  Gide, A. – Feuillets d’automne PP 260/1 </p>
<p>FOUCAULT [&#8216;souci de soi&#8217;]<br />
&#8220;A preocupação pela liberdade foi um problema essencial, permanente, durante os oito grandes séculos da cultura clássica. Existiu, então, toda uma ética que girou em torno do cuidado de si, o que proporciona para a ética clássica sua forma tão particular. Não pretendo afirmar com isto que a ética seja o cuidado de si, mas que, na Antiguidade, a ética, enquanto prática reflexiva da liberdade, girou em torno deste imperativo fundamental: &#8216;cuida de ti mesmo&#8217;.&#8221;</p>
<p>RUBEL [autopraxis proletária]<br />
&#8220;&#8230; a emancipação do homem, mediante a abolição do capital e do Estado, e a criação da comunidade mundial &#8216;autogerida&#8217; passando por uma fase de domínio ditatorial marcada por alguns estigmas da era burguesa. Esta é a natureza da transformação material e espiritual que Marx expressa com o conceito de autoemancipação&#8230;&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Frederico		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244683</link>

		<dc:creator><![CDATA[Frederico]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2014 03:35:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244683</guid>

					<description><![CDATA[A crítica quanto a questão do turismo é muito válida, apesar dessa postura não ser restrita aos estudantes de ciências sociais. Também entendo as críticas quanto a questão da burocracia. E justamente por saber da importância de ambas as críticas, avalio que é de suma importância que elas aparecem dentro dos espaços articulados que já existem, pelo contrário vamos ficar criando polarizações dentro do movimento estudantil que são desnecessárias. A nossa luta é maior.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crítica quanto a questão do turismo é muito válida, apesar dessa postura não ser restrita aos estudantes de ciências sociais. Também entendo as críticas quanto a questão da burocracia. E justamente por saber da importância de ambas as críticas, avalio que é de suma importância que elas aparecem dentro dos espaços articulados que já existem, pelo contrário vamos ficar criando polarizações dentro do movimento estudantil que são desnecessárias. A nossa luta é maior.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Operário gay		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244669</link>

		<dc:creator><![CDATA[Operário gay]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2014 00:20:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244669</guid>

					<description><![CDATA[No comentário/relato acima, de Karina O., o que me chamou atenção foi principalmente essa parte:

&quot;As pessoas ali presentees, homens e mulheres da ANECS ou não, realmente acreditavam no que diziam, o que dominava o espaço era as emoções, a irracionalidade.&quot;

Às vezes nos perguntamos como num país tão ilustrado como a Alemanha, com a importância que tinha suas universidades, seus filósofos para a cultura mundial, pôde florescer o irracional nazismo. Guardada as proporções, o fenômeno tem suas similitudes.
Esse irracionalismo feminista começa a trazer seus frutos podres aos olhos de todos minando movimentos que poderiam trazer alguma forma de contestação social progressista.
Teremos uma esquerda pre-iluminista em breve, a depender desse feminismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No comentário/relato acima, de Karina O., o que me chamou atenção foi principalmente essa parte:</p>
<p>&#8220;As pessoas ali presentees, homens e mulheres da ANECS ou não, realmente acreditavam no que diziam, o que dominava o espaço era as emoções, a irracionalidade.&#8221;</p>
<p>Às vezes nos perguntamos como num país tão ilustrado como a Alemanha, com a importância que tinha suas universidades, seus filósofos para a cultura mundial, pôde florescer o irracional nazismo. Guardada as proporções, o fenômeno tem suas similitudes.<br />
Esse irracionalismo feminista começa a trazer seus frutos podres aos olhos de todos minando movimentos que poderiam trazer alguma forma de contestação social progressista.<br />
Teremos uma esquerda pre-iluminista em breve, a depender desse feminismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Karina O.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244652</link>

		<dc:creator><![CDATA[Karina O.]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2014 22:22:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244652</guid>

					<description><![CDATA[Fui quem falou na plenária exclusiva sobre a desproporcionalidade que as ações estavam tomando, sobre como algumas acusações tal como o chamado de pelegagem e o roubo dos cartões eram questões políticas, não machistas, que portanto, deveriam estar separadas das outras questões e não podiam servir como base para qualquer punição sob a acusação de machismo. Falei tbm que o desejo de saber o ato da acusação e o autor dela é completamente normal, que o convite para o espaço auto-organizado alegando que ele era misto, era real, já que as próprias mulheres da UNILA assumiram que o fizeram e que então só sobrava o deboche, que embora sim, pode ser opressor e machista não era motivo suficiente pra uma expulsão. Tentei argumentar também que o único critério de análise não poderia ser a subjetividade e que a negação de um direito de resposta além de antidemocrático, partia de uma falsa noção de uma universalidade feminina, que nos coloca automaticamente como companheiras, negando-se as práticas espúrias comuns na militâncias. Como resposta recebi deboche, inúmeras interrupções durante minha fala, agressividade e um notório &quot;tive vontade de vomitar na sua fala&quot;. Vi claramente que a tal sororidade defendida por grande parte do feminismo, conceito do qual discordo é seletiva e que os espaços auto-organizados, que por sua vez eu concordo que devem existir, podem reproduzir tudo aquilo que criticam e ser um espaço também de silenciamento, além de uma instrumentalização política. Por tudo isso é de supor que estaria de pleno acordo com o texto, mas alguns questões me incomodaram. E como eu fiquei loucamente fritando com tudo que aconteceu, minhas questões são muitas, então peço calma e já antecipo minhas desculpas pelo tamanho do comentário. 

Vocês dão uma centralidade a ANECS que pelo que eu vi, ela não possui. Colocam todo o problema do encontro à ANECS, como se houvesse uma prévia idealização de maneiras de esvaziar e burocratizar o espaço. O que pra mim, após vivenciar 2 encontros de psicologia e 2 de diversidade sexual, além do enecs é uma posição equívocada. Esse esvaziamento e despolitização da militância de área é um fenômeno geral, quantas executivas atuantes de curso vcs conhecem? Os encontros se tornaram um fim em si mesmo,isso é claro, tanto que alguns nem fazem plenária, assumem que o encontro serve mesmo é pra vivência, mas isso é algo exclusivamente da CS ou tá ligado a um contexto mais geral um tanto mais complexo do que vcs colocaram? Algumas questões básicas que foram responsáveis pela desorganização do evento diz respeito a falta de informação, atrasos dos materiais, falta de prévia divulgação das atividades e locais, isso cabe a comissão organizadora, não a nacional. O que eu to querendo dizer não é que a ANECS não é burocrática ou sei lá o que, meu ponto é que vcs dão um poder que a ANECS ao estar separada da base, não tem. Colocam ela como responsável pelo interesse do turismo dxs estudantes, sério mesmo? Isso não perpassa pela politização dos alunxs, pela programação, pela comissão organizadora, por questões individuais, pelos atrativos da cidade? Claro que a desorganização instiga mais ou menos o nível de interesse do turismo, mas esse é o único motivo? E a crítica que fazem as festas diárias e ao dia ao turismo partem de uma visão limitada de vivência universitária, colocando como únicos pontos importantes as apresentações de trabalho e as discussões políticas. Uma festa não pode ser política? O lazer não é parte fundamental da existência humana e justamente não é esse escape que nos possibilita enfrentar as tensões cotidiana, principalmente vindas da militância? As trocas de experiências informais, possível libertação do corpo, constituição de laços, trocas de culturas não possuem valor e devem ser excluídos do encontro? E o conhecimento do local onde se está não gera um acúmulo cultural, conhecimento do cotidiano das pessoas, da própria desigualdade? Devemos ficar presxs a um cronograma previamente pensado? Pra mim essa crítica ao turismo e as festas é bastante rasa e se relaciona como uma lógica congressista, em que se consome o evento e restringe a vivência acadêmica a (re)produção de conhecimentos. O problema está nisso em si ou no modo que isso é feito?  

Me incomoda também algumas omissões, eu não estava nos três momentos mais tensos(no espaço auto-organizado, na expulsão da plenária e nas trocas de gritos). Mas por meio de relatos fiquei sabendo que o deboche no espaço auto-organizado foi real, o próprio acusado disse que fez piadinhas, saindo do espaço fingindo-se de gay, além de depois o mesmo ter trocado gritos com uma menina.E sobre o espaço misto, foi sim deliberado que haveria um no outro dia, mas não aconteceu. Essas questões são relevantes e me soam bem problemáticas ao serem omitidas.

E pensando sobre os espaços mistos, porque será que eles não existem? Será que há uma real demanda da maioria dos homens em discutir feminismo? Sei que em um ENEP teve, desde então acontece paralelamente os espaços auto-organizados e os GT&#039;s. Então esse espaço misto não existe porque meramente há uma cúpula que quer excluir certas pessoas do debate ou porque isso não se mostra ou não se mostrou até então como uma demanda? E se havia esse interesse pela discussão porque não propor pro conta própria um espaço de discussão sobre o tema? 

Discordo também da análise feita sobre a instrumentalização da questão. As questões levantadas por vocês não são novas, tampouco, fortes o suficiente para causar algum dano na estrutura do encontro e na ANECS. Alguns gatos pingados de duas universidades não são inimigos políticos forte o bastante pra criação intencional de um fato político. Até porque quem comprou a briga não foram só membros da ANECS, ao ser negada a defesa não houve pronuncias em defesa de vcs, após os gritos de &quot;tribunal da inquisição&quot;, não foi uma ou outra pessoa ir lá brigar com vocês, foi quase a plenária inteira. Pra mim o evento foi mais sobre uma concepção autoritária e revanchista de feminismo e a criação de uma histeria coletiva. As pessoas ali presentees, homens e mulheres da ANECS ou não, realmente acreditavam no que diziam, o que dominava o espaço era as emoções, a irracionalidade. 

Alega-se que homem trans e homossexual foram impedidos de entrar no espaço auto-organizado. Ora, porque não seriam? Um homem trans é um homem, assim como um homossexual, gênero e sexualidade são coisas distintas.

Há duas coisas que achei bem curiosas, a questão colocada que na explusão do caso do som, foi-se questionado se seria autoritarismo e não machismo, pra mim ficou subentendido que era o posicionamento de vcs já que era uma informação não relevante pra sentença. Ora, algo não pode ser autoritário e machista ao mesmo tempo? Não se apropria de uma desigualdade de gênero para impor ainda mais uma força? Nas relações entre as pessoas, autoritárias ou não, quando as questões de gênero não estão postas? Outra coisa foi a questão do uso de X, conheço a escrita de alguns dxs autorxs e o uso da linguagem inclusiva não faz parte dela, inclusive há críticas a mesma, fiquei me perguntado, ela teria sido usada porque outrxs autorxs do texto acham relevante tal escrita, porque é um texto sobre questões de gênero então pra evitar tensões quanto a isto optou por usá-la ou pq a linguagem inclusiva parece  interessante quando é pra focar as críticas em alvos femininos, mas não quando pra incluí-las em questões que não tocam diretamente no gênero ou em críticas?

Me pareceu leviana a acusação da UFF e UFU como espaços dominados por partidos, sobre a ufu havia sido colocada por uma pessoa da delegação de gyn q ela era sim dominada pelo PSOL e as relações de forças ali presentes meio que confirmaram isso, mas e qnto a UFF, essa afirmação parte do que? As relações com reitoria e blabla, podem dizer sobre o movimento burocratizado, mas não necessariamente partidário. Me pareceu leviano também o modo como colocam sobre a questão da mulher trans ser impedida de usar o banheiro, foi uma insinuação de um suposto feminismo transfobico da organização, mas isso foi colocado nos espaços? A organização sabia disso? Me parece informações relevantes de serem colocadas. 

Me pareceu problemática também dizer que a centralidade do evento estava nas articulações regionais, isso não é real. Teve um ou dois espaços pra isso, no máximo 3. O resto era GD&#039;s, espaços auto-organizados, apresnetação de trabalho, mesas. Problemático também dizuer que a delegação de goiania decidiu se retirar da plenária quando só uma parte dela o fez.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fui quem falou na plenária exclusiva sobre a desproporcionalidade que as ações estavam tomando, sobre como algumas acusações tal como o chamado de pelegagem e o roubo dos cartões eram questões políticas, não machistas, que portanto, deveriam estar separadas das outras questões e não podiam servir como base para qualquer punição sob a acusação de machismo. Falei tbm que o desejo de saber o ato da acusação e o autor dela é completamente normal, que o convite para o espaço auto-organizado alegando que ele era misto, era real, já que as próprias mulheres da UNILA assumiram que o fizeram e que então só sobrava o deboche, que embora sim, pode ser opressor e machista não era motivo suficiente pra uma expulsão. Tentei argumentar também que o único critério de análise não poderia ser a subjetividade e que a negação de um direito de resposta além de antidemocrático, partia de uma falsa noção de uma universalidade feminina, que nos coloca automaticamente como companheiras, negando-se as práticas espúrias comuns na militâncias. Como resposta recebi deboche, inúmeras interrupções durante minha fala, agressividade e um notório &#8220;tive vontade de vomitar na sua fala&#8221;. Vi claramente que a tal sororidade defendida por grande parte do feminismo, conceito do qual discordo é seletiva e que os espaços auto-organizados, que por sua vez eu concordo que devem existir, podem reproduzir tudo aquilo que criticam e ser um espaço também de silenciamento, além de uma instrumentalização política. Por tudo isso é de supor que estaria de pleno acordo com o texto, mas alguns questões me incomodaram. E como eu fiquei loucamente fritando com tudo que aconteceu, minhas questões são muitas, então peço calma e já antecipo minhas desculpas pelo tamanho do comentário. </p>
<p>Vocês dão uma centralidade a ANECS que pelo que eu vi, ela não possui. Colocam todo o problema do encontro à ANECS, como se houvesse uma prévia idealização de maneiras de esvaziar e burocratizar o espaço. O que pra mim, após vivenciar 2 encontros de psicologia e 2 de diversidade sexual, além do enecs é uma posição equívocada. Esse esvaziamento e despolitização da militância de área é um fenômeno geral, quantas executivas atuantes de curso vcs conhecem? Os encontros se tornaram um fim em si mesmo,isso é claro, tanto que alguns nem fazem plenária, assumem que o encontro serve mesmo é pra vivência, mas isso é algo exclusivamente da CS ou tá ligado a um contexto mais geral um tanto mais complexo do que vcs colocaram? Algumas questões básicas que foram responsáveis pela desorganização do evento diz respeito a falta de informação, atrasos dos materiais, falta de prévia divulgação das atividades e locais, isso cabe a comissão organizadora, não a nacional. O que eu to querendo dizer não é que a ANECS não é burocrática ou sei lá o que, meu ponto é que vcs dão um poder que a ANECS ao estar separada da base, não tem. Colocam ela como responsável pelo interesse do turismo dxs estudantes, sério mesmo? Isso não perpassa pela politização dos alunxs, pela programação, pela comissão organizadora, por questões individuais, pelos atrativos da cidade? Claro que a desorganização instiga mais ou menos o nível de interesse do turismo, mas esse é o único motivo? E a crítica que fazem as festas diárias e ao dia ao turismo partem de uma visão limitada de vivência universitária, colocando como únicos pontos importantes as apresentações de trabalho e as discussões políticas. Uma festa não pode ser política? O lazer não é parte fundamental da existência humana e justamente não é esse escape que nos possibilita enfrentar as tensões cotidiana, principalmente vindas da militância? As trocas de experiências informais, possível libertação do corpo, constituição de laços, trocas de culturas não possuem valor e devem ser excluídos do encontro? E o conhecimento do local onde se está não gera um acúmulo cultural, conhecimento do cotidiano das pessoas, da própria desigualdade? Devemos ficar presxs a um cronograma previamente pensado? Pra mim essa crítica ao turismo e as festas é bastante rasa e se relaciona como uma lógica congressista, em que se consome o evento e restringe a vivência acadêmica a (re)produção de conhecimentos. O problema está nisso em si ou no modo que isso é feito?  </p>
<p>Me incomoda também algumas omissões, eu não estava nos três momentos mais tensos(no espaço auto-organizado, na expulsão da plenária e nas trocas de gritos). Mas por meio de relatos fiquei sabendo que o deboche no espaço auto-organizado foi real, o próprio acusado disse que fez piadinhas, saindo do espaço fingindo-se de gay, além de depois o mesmo ter trocado gritos com uma menina.E sobre o espaço misto, foi sim deliberado que haveria um no outro dia, mas não aconteceu. Essas questões são relevantes e me soam bem problemáticas ao serem omitidas.</p>
<p>E pensando sobre os espaços mistos, porque será que eles não existem? Será que há uma real demanda da maioria dos homens em discutir feminismo? Sei que em um ENEP teve, desde então acontece paralelamente os espaços auto-organizados e os GT&#8217;s. Então esse espaço misto não existe porque meramente há uma cúpula que quer excluir certas pessoas do debate ou porque isso não se mostra ou não se mostrou até então como uma demanda? E se havia esse interesse pela discussão porque não propor pro conta própria um espaço de discussão sobre o tema? </p>
<p>Discordo também da análise feita sobre a instrumentalização da questão. As questões levantadas por vocês não são novas, tampouco, fortes o suficiente para causar algum dano na estrutura do encontro e na ANECS. Alguns gatos pingados de duas universidades não são inimigos políticos forte o bastante pra criação intencional de um fato político. Até porque quem comprou a briga não foram só membros da ANECS, ao ser negada a defesa não houve pronuncias em defesa de vcs, após os gritos de &#8220;tribunal da inquisição&#8221;, não foi uma ou outra pessoa ir lá brigar com vocês, foi quase a plenária inteira. Pra mim o evento foi mais sobre uma concepção autoritária e revanchista de feminismo e a criação de uma histeria coletiva. As pessoas ali presentees, homens e mulheres da ANECS ou não, realmente acreditavam no que diziam, o que dominava o espaço era as emoções, a irracionalidade. </p>
<p>Alega-se que homem trans e homossexual foram impedidos de entrar no espaço auto-organizado. Ora, porque não seriam? Um homem trans é um homem, assim como um homossexual, gênero e sexualidade são coisas distintas.</p>
<p>Há duas coisas que achei bem curiosas, a questão colocada que na explusão do caso do som, foi-se questionado se seria autoritarismo e não machismo, pra mim ficou subentendido que era o posicionamento de vcs já que era uma informação não relevante pra sentença. Ora, algo não pode ser autoritário e machista ao mesmo tempo? Não se apropria de uma desigualdade de gênero para impor ainda mais uma força? Nas relações entre as pessoas, autoritárias ou não, quando as questões de gênero não estão postas? Outra coisa foi a questão do uso de X, conheço a escrita de alguns dxs autorxs e o uso da linguagem inclusiva não faz parte dela, inclusive há críticas a mesma, fiquei me perguntado, ela teria sido usada porque outrxs autorxs do texto acham relevante tal escrita, porque é um texto sobre questões de gênero então pra evitar tensões quanto a isto optou por usá-la ou pq a linguagem inclusiva parece  interessante quando é pra focar as críticas em alvos femininos, mas não quando pra incluí-las em questões que não tocam diretamente no gênero ou em críticas?</p>
<p>Me pareceu leviana a acusação da UFF e UFU como espaços dominados por partidos, sobre a ufu havia sido colocada por uma pessoa da delegação de gyn q ela era sim dominada pelo PSOL e as relações de forças ali presentes meio que confirmaram isso, mas e qnto a UFF, essa afirmação parte do que? As relações com reitoria e blabla, podem dizer sobre o movimento burocratizado, mas não necessariamente partidário. Me pareceu leviano também o modo como colocam sobre a questão da mulher trans ser impedida de usar o banheiro, foi uma insinuação de um suposto feminismo transfobico da organização, mas isso foi colocado nos espaços? A organização sabia disso? Me parece informações relevantes de serem colocadas. </p>
<p>Me pareceu problemática também dizer que a centralidade do evento estava nas articulações regionais, isso não é real. Teve um ou dois espaços pra isso, no máximo 3. O resto era GD&#8217;s, espaços auto-organizados, apresnetação de trabalho, mesas. Problemático também dizuer que a delegação de goiania decidiu se retirar da plenária quando só uma parte dela o fez.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: N.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244638</link>

		<dc:creator><![CDATA[N.]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2014 19:47:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244638</guid>

					<description><![CDATA[Curioso constatar o tom (em função dos atuais acontecimentos) profético daquele texto do PP (resgatado pelo Dokonal) sobre o feminismo excludente.

Lendo os comentários daquele texto (e prevendo os que aqui surgirão em instantes) não posso deixar de pensar que o ocorrido no ENECS é justamente aquele discurso (dos comentários) posto em prática. 


Ao que parece, qualquer questionamento às práticas organizativas e ao discurso adotado por alguns feminismos (sobretudo se as questões forem levantadas por homens) são interpretados como negação da opressão de gênero, como relativização da luta das mulheres e, em última instância, como machismo (na esquerda estudantil atual, a qualificação de machista é pior que a figura do &#039;pelego&#039; ou do &#039;estalinista&#039;).

Chega-se, assim, a um feminismo tautológico, de si para si próprio, refratário a qualquer tipo de crítica (que rejeita mesmo críticas sobre pontos acessórios), auto-suficiente e que, em última instância, promove uma sutil  biologização da cultura (penso ser esperado o nervosismo de qualquer pessoa -homem ou mulher- submetida a uma situação &#039;delicada&#039; como essa. O nervosismo não advém do fato do sujeito ser homem).

Como resultado imediato dessas práticas, já se constata que camaradas do ME (homens e mulheres) com alguma crítica a qualquer particularidade do feminismo (ou de suas organizações) preferem permanecer calados nas plenárias por medo de escrachos ou do isolamento social/político (sobretudo.

Ao fim e ao cabo, promove-se mais uma cisão no interior das lutas sociais, semeando os elementos do terror e do policialesco (o politicamente incorreto cá está) no seio das lutas.
Todo companheiro, a partir de agora, torna-se um inimigo em potencial.

Por fim, quero salientar que expulsar camaradas de uma plenária sem lhes conceder direito de defesa, sem especificar as acusações, sob o escracho do platéia sedenta é prática das mais torpes (resquício do estalinismo? forma de eliminar oposições?).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Curioso constatar o tom (em função dos atuais acontecimentos) profético daquele texto do PP (resgatado pelo Dokonal) sobre o feminismo excludente.</p>
<p>Lendo os comentários daquele texto (e prevendo os que aqui surgirão em instantes) não posso deixar de pensar que o ocorrido no ENECS é justamente aquele discurso (dos comentários) posto em prática. </p>
<p>Ao que parece, qualquer questionamento às práticas organizativas e ao discurso adotado por alguns feminismos (sobretudo se as questões forem levantadas por homens) são interpretados como negação da opressão de gênero, como relativização da luta das mulheres e, em última instância, como machismo (na esquerda estudantil atual, a qualificação de machista é pior que a figura do &#8216;pelego&#8217; ou do &#8216;estalinista&#8217;).</p>
<p>Chega-se, assim, a um feminismo tautológico, de si para si próprio, refratário a qualquer tipo de crítica (que rejeita mesmo críticas sobre pontos acessórios), auto-suficiente e que, em última instância, promove uma sutil  biologização da cultura (penso ser esperado o nervosismo de qualquer pessoa -homem ou mulher- submetida a uma situação &#8216;delicada&#8217; como essa. O nervosismo não advém do fato do sujeito ser homem).</p>
<p>Como resultado imediato dessas práticas, já se constata que camaradas do ME (homens e mulheres) com alguma crítica a qualquer particularidade do feminismo (ou de suas organizações) preferem permanecer calados nas plenárias por medo de escrachos ou do isolamento social/político (sobretudo.</p>
<p>Ao fim e ao cabo, promove-se mais uma cisão no interior das lutas sociais, semeando os elementos do terror e do policialesco (o politicamente incorreto cá está) no seio das lutas.<br />
Todo companheiro, a partir de agora, torna-se um inimigo em potencial.</p>
<p>Por fim, quero salientar que expulsar camaradas de uma plenária sem lhes conceder direito de defesa, sem especificar as acusações, sob o escracho do platéia sedenta é prática das mais torpes (resquício do estalinismo? forma de eliminar oposições?).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Humor Escrachado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244629</link>

		<dc:creator><![CDATA[Humor Escrachado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2014 18:09:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244629</guid>

					<description><![CDATA[A quem interesse, segue a nota aprovada com as acusações. As inquisidoras feministas aprenderam a lição com as polícias civis do país: não individualizam conduta, atribuem coisas vagas, consideram a resistência por si só como evidência de crime e mentem, mentem e mentem. Segue a nota para quem se interessar:

&quot;Nota das Mulheres da ANECS sobre o machismo ocorrido na Plenária final do XXIX ENECS

Para nós, mulheres, a escrita também é uma forma de empoderamento, considerando que historicamente a escrita era praticada apenas por homens. 
Infelizmente, hoje utilizamos da escrita para relatar um caso de machismo ocorrido no XXIX ENECS (Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais). Durante este evento que foi construído coletivamente pelas regionais que compõem a Articulação Nacional de Estudantes de Ciências Sociais e pela Comissão Organizadora do ENECS – São Luís, algumas mulheres foram vítimas de machismo.
No dia 01 de agosto de 2014 no ENECS ocorreu o espaço autogestionado de mulheres, espaço este construído por mulheres e voltado apenas para a participação de mulheres. Acreditamos que os espaços públicos foram por muito tempo acessíveis apenas para homens, e por isso, é importante existir um espaço voltado para que as mulheres pudessem se empoderar, praticar a sororidade e compartilhar experiências vividas.
Durante este espaço ficou evidente que nem todas as mulheres concordavam com este tipo de organização, sendo assim foi estabelecido o debate sobre a necessidade de construção de espaços mistos, espaços exclusivos para mulheres, espaços de diversidade sexual e espaços livres para discussão do feminismo, machismo e patriarcado.

Algumas mulheres não concordando com espaço de empoderamento exclusivo para mulheres e com o impedimento dos homens de participarem do espaço se retiram do debate. Poucas mulheres contrárias ficaram para fazer o debate e acumular junto conosco. 
Durante espaço, houveram alguns homens que entram na tentativa de participar afirmando que foram informados que se tratava de um espaço misto. Logo ao entrarem foram comunicados que este era um espaço autogestionado de mulheres. E que portanto, precisariam se retirar. 

Dentre esses homens que pedimos para se retiram, três tiveram uma atitude desrespeitosa com o espaço. Estes estudantes que são alunos da Universidade Federal de Goiás, 2 de ciências sociais e 1 de jornalismo. Ao serem informados que não poderiam ficar no espaço um dos estudantes de ciências sociais, comentou em tom de deboche que aquele era um “espaço de mulherzinha”. Durante o espaço essa fala foi problematizada por uma das participantes, para que pudéssemos fazer a crítica do porque o espaço deveria ser apenas para mulheres. 
No outro dia, 2 de agosto de 2014, no período vespertino tivemos no ENECS a plenária final. No momento em que as escolas deveriam apresentar suas candidaturas para sediar o próximo ENECS, dois estudantes envolvidos no ocorrido anterior, procuraram o resto da delegação da UFG Goiânia, para discutir se levaríamos o XXX ENECS para Goiânia. Duas companheiras se mostraram contrárias, porque uma das funções do encontro é acumular debate para questões tais como machismo, homofobia e racismo. E havia sido constatado que a UFG-Goiânia ainda não tinha debate suficiente para tocar essas bandeiras. 
Ao expor suas posições e contar que haviam se sentindo desrespeitadas com o ocorrido as companheiras foram questionadas de forma agressiva: “O que aconteceu?” “Quem foi machista?” “Fala quem foi?”, ao ponto do estudante de jornalismo apontar o dedo para a companheira que não quis contar quem havia “sido debochado”. Ao serem acusados de machistas, se retiram da plenária. E não voltaram. 
Pouco depois, uma das companheiras foi conversar com um estudante de Ciências Sociais que estava com cartões de votação (dos três votos que tínhamos, 2 estavam com eles). Ao chegar perto do estudante que estava junto com os estudantes que haviam sido agressivos na plenária, houve outro deboche por parte do estudante de jornalismo que disse “Vamos cantar a música do pelego?”. Fazendo uma clara referência ao fato de a companheira se organizar em um partido. 

A companheira, foi informada pelo estudante de Ciências Sociais que este havia perdido os cartões e voltou para plenária, para relatar o caso a comissão organizadora do evento. As duas estudantes ao relatar para comissão organizadora, foram informadas que poderiam denunciá-los na plenária e juntas decidiram que essa atitude seria cabível. 
Por não estarem em condições de relatarem pediram a duas testemunhas que pudessem relatar. E ainda, pediram que os estudantes acusados fossem convidados a ouvir a denuncia. Coube a comissão organizadora comunicá-los.

Ao fazer saberem que estavam sendo acusados de machismo os estudantes foram extremamente agressivos com as duas mulheres da Comissão Organizadora que foram comunicá-los. Foi dado o tempo pra que eles pudessem ir até a plenária, o que não aconteceu e o relato foi feito. 
Logo após, terminar o relato os estudantes chegaram a plenária e pediram para saber porque estavam sendo acusados. Ao serem informados que não cabia espaço para defesa e que a acusação já havia sido feita, os estudantes começaram em tom agressivo a dizer que queriam saber do que estavam sendo acusados. Novamente, as duas testemunhas foram fazer o relato, mas foram atropeladas pelo dois estudantes que gritavam: “Você viu?” “Mentirosa!!” 

Na medida em que outras mulheres pegavam o microfone a agressividade se tornava mais visível. Quando foi solicitado que eles se retirassem da plenária o estudante de jornalismo saiu gritando que se sentia “oprimido pelo feminismo.” Poucos minutos depois, o estudante autor do deboche do espaço, visivelmente bêbado, discutiu com uma integrante da comissão organizadora e inclusive, tentou agredi-la. Sendo necessário chamar outras pessoas para segurá-lo, como também a ajuda da guarda para conte-lo. 

Com isso, foi decido que a plenária não poderia mais continuar e que era necessário que os homens dessem espaço para que as mulheres pudessem decidir o que fazer naquele momento. Durante o espaço tivemos várias posições sobre o que fazer, todas as mulheres (inclusive aquelas que não eram do curso) foram ouvidas e puderem colocar suas posições acerca de suas concepções. Então, as mulheres presentes decidiram que os estudantes estão expulsos de todos os encontros, conselhos e espaços da Articulação Nacional de Estudantes de Ciências Sociais por um ano. 

Acreditamos que nós mulheres não devemos mais aceitar esse tipo de comportamento de homens que se dizem acusados sem saber o porque e que se mostram cada vez mais satisfeitos com os privilégios de uma sociedade machista, racista, classista e patriarcal.

“Feminismo é a idéia radical de que mulheres são gente!”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A quem interesse, segue a nota aprovada com as acusações. As inquisidoras feministas aprenderam a lição com as polícias civis do país: não individualizam conduta, atribuem coisas vagas, consideram a resistência por si só como evidência de crime e mentem, mentem e mentem. Segue a nota para quem se interessar:</p>
<p>&#8220;Nota das Mulheres da ANECS sobre o machismo ocorrido na Plenária final do XXIX ENECS</p>
<p>Para nós, mulheres, a escrita também é uma forma de empoderamento, considerando que historicamente a escrita era praticada apenas por homens.<br />
Infelizmente, hoje utilizamos da escrita para relatar um caso de machismo ocorrido no XXIX ENECS (Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais). Durante este evento que foi construído coletivamente pelas regionais que compõem a Articulação Nacional de Estudantes de Ciências Sociais e pela Comissão Organizadora do ENECS – São Luís, algumas mulheres foram vítimas de machismo.<br />
No dia 01 de agosto de 2014 no ENECS ocorreu o espaço autogestionado de mulheres, espaço este construído por mulheres e voltado apenas para a participação de mulheres. Acreditamos que os espaços públicos foram por muito tempo acessíveis apenas para homens, e por isso, é importante existir um espaço voltado para que as mulheres pudessem se empoderar, praticar a sororidade e compartilhar experiências vividas.<br />
Durante este espaço ficou evidente que nem todas as mulheres concordavam com este tipo de organização, sendo assim foi estabelecido o debate sobre a necessidade de construção de espaços mistos, espaços exclusivos para mulheres, espaços de diversidade sexual e espaços livres para discussão do feminismo, machismo e patriarcado.</p>
<p>Algumas mulheres não concordando com espaço de empoderamento exclusivo para mulheres e com o impedimento dos homens de participarem do espaço se retiram do debate. Poucas mulheres contrárias ficaram para fazer o debate e acumular junto conosco.<br />
Durante espaço, houveram alguns homens que entram na tentativa de participar afirmando que foram informados que se tratava de um espaço misto. Logo ao entrarem foram comunicados que este era um espaço autogestionado de mulheres. E que portanto, precisariam se retirar. </p>
<p>Dentre esses homens que pedimos para se retiram, três tiveram uma atitude desrespeitosa com o espaço. Estes estudantes que são alunos da Universidade Federal de Goiás, 2 de ciências sociais e 1 de jornalismo. Ao serem informados que não poderiam ficar no espaço um dos estudantes de ciências sociais, comentou em tom de deboche que aquele era um “espaço de mulherzinha”. Durante o espaço essa fala foi problematizada por uma das participantes, para que pudéssemos fazer a crítica do porque o espaço deveria ser apenas para mulheres.<br />
No outro dia, 2 de agosto de 2014, no período vespertino tivemos no ENECS a plenária final. No momento em que as escolas deveriam apresentar suas candidaturas para sediar o próximo ENECS, dois estudantes envolvidos no ocorrido anterior, procuraram o resto da delegação da UFG Goiânia, para discutir se levaríamos o XXX ENECS para Goiânia. Duas companheiras se mostraram contrárias, porque uma das funções do encontro é acumular debate para questões tais como machismo, homofobia e racismo. E havia sido constatado que a UFG-Goiânia ainda não tinha debate suficiente para tocar essas bandeiras.<br />
Ao expor suas posições e contar que haviam se sentindo desrespeitadas com o ocorrido as companheiras foram questionadas de forma agressiva: “O que aconteceu?” “Quem foi machista?” “Fala quem foi?”, ao ponto do estudante de jornalismo apontar o dedo para a companheira que não quis contar quem havia “sido debochado”. Ao serem acusados de machistas, se retiram da plenária. E não voltaram.<br />
Pouco depois, uma das companheiras foi conversar com um estudante de Ciências Sociais que estava com cartões de votação (dos três votos que tínhamos, 2 estavam com eles). Ao chegar perto do estudante que estava junto com os estudantes que haviam sido agressivos na plenária, houve outro deboche por parte do estudante de jornalismo que disse “Vamos cantar a música do pelego?”. Fazendo uma clara referência ao fato de a companheira se organizar em um partido. </p>
<p>A companheira, foi informada pelo estudante de Ciências Sociais que este havia perdido os cartões e voltou para plenária, para relatar o caso a comissão organizadora do evento. As duas estudantes ao relatar para comissão organizadora, foram informadas que poderiam denunciá-los na plenária e juntas decidiram que essa atitude seria cabível.<br />
Por não estarem em condições de relatarem pediram a duas testemunhas que pudessem relatar. E ainda, pediram que os estudantes acusados fossem convidados a ouvir a denuncia. Coube a comissão organizadora comunicá-los.</p>
<p>Ao fazer saberem que estavam sendo acusados de machismo os estudantes foram extremamente agressivos com as duas mulheres da Comissão Organizadora que foram comunicá-los. Foi dado o tempo pra que eles pudessem ir até a plenária, o que não aconteceu e o relato foi feito.<br />
Logo após, terminar o relato os estudantes chegaram a plenária e pediram para saber porque estavam sendo acusados. Ao serem informados que não cabia espaço para defesa e que a acusação já havia sido feita, os estudantes começaram em tom agressivo a dizer que queriam saber do que estavam sendo acusados. Novamente, as duas testemunhas foram fazer o relato, mas foram atropeladas pelo dois estudantes que gritavam: “Você viu?” “Mentirosa!!” </p>
<p>Na medida em que outras mulheres pegavam o microfone a agressividade se tornava mais visível. Quando foi solicitado que eles se retirassem da plenária o estudante de jornalismo saiu gritando que se sentia “oprimido pelo feminismo.” Poucos minutos depois, o estudante autor do deboche do espaço, visivelmente bêbado, discutiu com uma integrante da comissão organizadora e inclusive, tentou agredi-la. Sendo necessário chamar outras pessoas para segurá-lo, como também a ajuda da guarda para conte-lo. </p>
<p>Com isso, foi decido que a plenária não poderia mais continuar e que era necessário que os homens dessem espaço para que as mulheres pudessem decidir o que fazer naquele momento. Durante o espaço tivemos várias posições sobre o que fazer, todas as mulheres (inclusive aquelas que não eram do curso) foram ouvidas e puderem colocar suas posições acerca de suas concepções. Então, as mulheres presentes decidiram que os estudantes estão expulsos de todos os encontros, conselhos e espaços da Articulação Nacional de Estudantes de Ciências Sociais por um ano. </p>
<p>Acreditamos que nós mulheres não devemos mais aceitar esse tipo de comportamento de homens que se dizem acusados sem saber o porque e que se mostram cada vez mais satisfeitos com os privilégios de uma sociedade machista, racista, classista e patriarcal.</p>
<p>“Feminismo é a idéia radical de que mulheres são gente!”</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244570</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2014 11:54:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244570</guid>

					<description><![CDATA[OVO DA SERPENTE (e outros bichos escrotos...)
Examinar a relação metabolismo &#062;existência&#060; metanoia: o gideano bicho da seda, o &#039;souci de soi&#039; de Foucault e a autopraxis proletária de Rubel reelaborados como insumos de uma produção [universal concreto(?)] que é o fazer&#038;agir crítico-criativo ou contra-efetuação das paixões tristes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>OVO DA SERPENTE (e outros bichos escrotos&#8230;)<br />
Examinar a relação metabolismo &gt;existência&lt; metanoia: o gideano bicho da seda, o &#039;souci de soi&#039; de Foucault e a autopraxis proletária de Rubel reelaborados como insumos de uma produção [universal concreto(?)] que é o fazer&amp;agir crítico-criativo ou contra-efetuação das paixões tristes.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Observadora		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244502</link>

		<dc:creator><![CDATA[Observadora]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2014 22:52:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244502</guid>

					<description><![CDATA[Sou mulher e sofro diariamente com o machismo em alto e baixo nível e conheço outras mulheres vítimas sérias que abala toda sua vida até hoje.
Analisando historicamente, o feminismo teve avanços na luta de forma séria e decisiva.. por isso, é lamentável que o machismo e a luta das mulheres comecem a ser usado de forma meramente oportunista. Tal movimento se tornando excludente, incoerente, como se fosse um tipo de seita pequeno burguesa, acaba dando brecha para casos como este se tornar tão normal, lamentável.
Só há uma coisa que deveria ser deixada mais clara ao texto e que foi o estopim de todo o escracho e histeria na plenária final: a mudança de local do próximo ENECS.
Uma coisa bastante importante de ser analisada é isso. Como apenas duas estudantes podem decidir que em Goiás não tem como ser feito o ENECS por não haver &quot;discussão de genero no local&quot; e porque &quot;o povo de lá é tudo machista&quot;, não acho um argumento plausível de se passar assim. Só não é, como é inaceitável este passar, quando todo o resto dos estudantes de goiás discordam dessa posição e querem que seja lá. Ora, se a base discorda, de onde foi tirado então esta posição? Tem que ver isso, né?
Vale lembrar também, o que foi muito bem apresentado no texto: objetivo final de como tem sido o ENECS, que também explica o que occoreu mais uma vez,uma das estudantes que disse que não tinha como ser em Goiás é também militante do PSTU, aonde seja coincidência ou não, tal partido não tem uma base forte, assim como o PSOL, e a grande maioria dos estudantes de CS são mais independentes e autônomos,bem oportuno então que se mude o local, não? 
E o argumento de serem machistas e .... &quot;olha lá, acaba de surgir uma denuncia contra esses mesmos estudantes que estão cobrando o motivo de mudar o local do encontro de terem tentado entrar no espaço exclusivo das mulheres&quot; - ve que este se torna inquestionável pela forma que tem sido lidado a luta contra o machismo. Pavoroso pensar que não é questionado o real motivo para mudar o local pelo simples fato destas mulheres chorarem e acusarem de machista e que estavam a oprimindo ao perguntar.
Pois bem, como mulher, quero estar na linha de frente na luta com meus companheiros, logo, sendo mulher ou não entendo que : espaço político é espaço político e não é nesse espaço que vou usar a &quot;fragilidade feminina&quot; que tento quebrar ao meu favor. Apresente argumentos, provas, debate, é assim que deve ser... falam tanto do homem usar seu &quot;privilégio como tal&quot;, mas acabam caindo no erro de fazer parte de um gênero oprimido para fuga do debate.
Mais bizarro ainda é a forma de exclusão destes estudantes sem terem ao menos direito de defesa, não vejo este espaço como nem um pouco democrático. Mesmo que seja uma mulher que o acuse de machismo não quer dizer que esta seja pura e não esteja sujeita a erros, tal denuncia deve ser apurada como qualquer outra.
Essa reflexão é crucial para avançarmos na luta contra qualquer forma de opressão e para luta de classes, ou vamos retroceder, ou vamos perder... ou todos nós vamos nos matar mesmo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou mulher e sofro diariamente com o machismo em alto e baixo nível e conheço outras mulheres vítimas sérias que abala toda sua vida até hoje.<br />
Analisando historicamente, o feminismo teve avanços na luta de forma séria e decisiva.. por isso, é lamentável que o machismo e a luta das mulheres comecem a ser usado de forma meramente oportunista. Tal movimento se tornando excludente, incoerente, como se fosse um tipo de seita pequeno burguesa, acaba dando brecha para casos como este se tornar tão normal, lamentável.<br />
Só há uma coisa que deveria ser deixada mais clara ao texto e que foi o estopim de todo o escracho e histeria na plenária final: a mudança de local do próximo ENECS.<br />
Uma coisa bastante importante de ser analisada é isso. Como apenas duas estudantes podem decidir que em Goiás não tem como ser feito o ENECS por não haver &#8220;discussão de genero no local&#8221; e porque &#8220;o povo de lá é tudo machista&#8221;, não acho um argumento plausível de se passar assim. Só não é, como é inaceitável este passar, quando todo o resto dos estudantes de goiás discordam dessa posição e querem que seja lá. Ora, se a base discorda, de onde foi tirado então esta posição? Tem que ver isso, né?<br />
Vale lembrar também, o que foi muito bem apresentado no texto: objetivo final de como tem sido o ENECS, que também explica o que occoreu mais uma vez,uma das estudantes que disse que não tinha como ser em Goiás é também militante do PSTU, aonde seja coincidência ou não, tal partido não tem uma base forte, assim como o PSOL, e a grande maioria dos estudantes de CS são mais independentes e autônomos,bem oportuno então que se mude o local, não?<br />
E o argumento de serem machistas e &#8230;. &#8220;olha lá, acaba de surgir uma denuncia contra esses mesmos estudantes que estão cobrando o motivo de mudar o local do encontro de terem tentado entrar no espaço exclusivo das mulheres&#8221; &#8211; ve que este se torna inquestionável pela forma que tem sido lidado a luta contra o machismo. Pavoroso pensar que não é questionado o real motivo para mudar o local pelo simples fato destas mulheres chorarem e acusarem de machista e que estavam a oprimindo ao perguntar.<br />
Pois bem, como mulher, quero estar na linha de frente na luta com meus companheiros, logo, sendo mulher ou não entendo que : espaço político é espaço político e não é nesse espaço que vou usar a &#8220;fragilidade feminina&#8221; que tento quebrar ao meu favor. Apresente argumentos, provas, debate, é assim que deve ser&#8230; falam tanto do homem usar seu &#8220;privilégio como tal&#8221;, mas acabam caindo no erro de fazer parte de um gênero oprimido para fuga do debate.<br />
Mais bizarro ainda é a forma de exclusão destes estudantes sem terem ao menos direito de defesa, não vejo este espaço como nem um pouco democrático. Mesmo que seja uma mulher que o acuse de machismo não quer dizer que esta seja pura e não esteja sujeita a erros, tal denuncia deve ser apurada como qualquer outra.<br />
Essa reflexão é crucial para avançarmos na luta contra qualquer forma de opressão e para luta de classes, ou vamos retroceder, ou vamos perder&#8230; ou todos nós vamos nos matar mesmo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Tania		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244498</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tania]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2014 22:23:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244498</guid>

					<description><![CDATA[Assinam tambem: Delegação UNILA - ENECS 2014;
                Coletivo KALHO - Foz do Iguaçu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assinam tambem: Delegação UNILA &#8211; ENECS 2014;<br />
                Coletivo KALHO &#8211; Foz do Iguaçu.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fausto Atti		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/08/98495/#comment-244495</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fausto Atti]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2014 22:07:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=98495#comment-244495</guid>

					<description><![CDATA[O tipo de militância descrito no texto é endêmico a assembleias de centros acadêmicos, DCEs e demais organizações (teoricamente) representativas dos estudantes. Escondendo-se atrás de pautas genuínas, alguns usam o &quot;sentir-se oprimido&quot; para calar críticos e o debate. Discordar, questionar, torna-se &quot;silenciar&quot;. Como basta a acusação - o réu não tem direito à defesa -, tais artimanhas rapidamente provam sua eficácia. E qual será o membro de coletivo, ou mesmo o indivíduo, que colocar-se-á à mercê dos escrachos? O primeiro é suicídio político; o segundo, social. Escolhem atacar o enunciador, não a substância de seu argumento.

Curiosamente, o silenciador, supostamente machista, está sempre em outros coletivos/partidos/etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tipo de militância descrito no texto é endêmico a assembleias de centros acadêmicos, DCEs e demais organizações (teoricamente) representativas dos estudantes. Escondendo-se atrás de pautas genuínas, alguns usam o &#8220;sentir-se oprimido&#8221; para calar críticos e o debate. Discordar, questionar, torna-se &#8220;silenciar&#8221;. Como basta a acusação &#8211; o réu não tem direito à defesa -, tais artimanhas rapidamente provam sua eficácia. E qual será o membro de coletivo, ou mesmo o indivíduo, que colocar-se-á à mercê dos escrachos? O primeiro é suicídio político; o segundo, social. Escolhem atacar o enunciador, não a substância de seu argumento.</p>
<p>Curiosamente, o silenciador, supostamente machista, está sempre em outros coletivos/partidos/etc.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
