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	Comentários sobre: Mário Pedrosa e o Golpe de 1964: 1) a aurora do imperialismo americano	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/09/99557/#comment-252992</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2014 12:22:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Expressões tais como &quot;países subdesenvolvidos&quot;, &quot;nações proletárias&quot;, &quot;terceiro mundo&quot; etc. eram e continuam sendo típicas do vocabulário tardojacobino dos fascismos vermelho &#038; marrom (ver Otto Ruhle). 
Esse patoá é o santo-e-senha da pequena burguesia radicalizada, sacerdotisa da contrarrevolução preventiva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Expressões tais como &#8220;países subdesenvolvidos&#8221;, &#8220;nações proletárias&#8221;, &#8220;terceiro mundo&#8221; etc. eram e continuam sendo típicas do vocabulário tardojacobino dos fascismos vermelho &amp; marrom (ver Otto Ruhle).<br />
Esse patoá é o santo-e-senha da pequena burguesia radicalizada, sacerdotisa da contrarrevolução preventiva.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/09/99557/#comment-252909</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2014 02:34:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Interessante notar que, muito embora nunca tenhamos vivenciado historicamente o federalismo, até a Carta Constitucional de 1967, imposta pelos militares golpistas, nossa &quot;razão social&quot; (nome oficial) era &quot;Estados Unidos do Brasil&quot;... 
Também é interessante notar que os mesmos militares que aboliram os Estados Unidos do Brasil e &quot;proclamaram&quot; a República Federativa do Brasil&quot; foram os mesmos que elegeram como lema &quot;O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil&quot;... 
Realmente nossas elites fizeram suas escolhas. Mas elites também são escolhidas, mediante pactos econômicos e políticos, para se tornarem elites ou se manterem enquanto elites pelo grande capital. 
Não há, num mundo de capitais internacionalizados, no meu entender, como se manter uma elite nacional de outra forma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante notar que, muito embora nunca tenhamos vivenciado historicamente o federalismo, até a Carta Constitucional de 1967, imposta pelos militares golpistas, nossa &#8220;razão social&#8221; (nome oficial) era &#8220;Estados Unidos do Brasil&#8221;&#8230;<br />
Também é interessante notar que os mesmos militares que aboliram os Estados Unidos do Brasil e &#8220;proclamaram&#8221; a República Federativa do Brasil&#8221; foram os mesmos que elegeram como lema &#8220;O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil&#8221;&#8230;<br />
Realmente nossas elites fizeram suas escolhas. Mas elites também são escolhidas, mediante pactos econômicos e políticos, para se tornarem elites ou se manterem enquanto elites pelo grande capital.<br />
Não há, num mundo de capitais internacionalizados, no meu entender, como se manter uma elite nacional de outra forma.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/09/99557/#comment-252877</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2014 22:16:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fagner,
O que me preocupou não foi tanto o que Mário Pedrosa escreveu mas a forma como é comum os leitores interpretarem esse tipo de textos. De qualquer modo, Mário Pedrosa não rompeu propriamente com o nacionalismo desenvolvimentista, a ponto de na pág. 309 ter proposto a palavra de ordem «Países subdesenvolvidos do mundo, uni-vos! Não tendes a perder senão vossas cadeias!». Nada disto impede que se trate de um livro notável. Escrevi várias vezes, e disse-o em aulas, que considero &lt;em&gt;A Opção Imperialista&lt;/em&gt; como um dos grandes clássicos do marxismo, que todos deviam ler com atenção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner,<br />
O que me preocupou não foi tanto o que Mário Pedrosa escreveu mas a forma como é comum os leitores interpretarem esse tipo de textos. De qualquer modo, Mário Pedrosa não rompeu propriamente com o nacionalismo desenvolvimentista, a ponto de na pág. 309 ter proposto a palavra de ordem «Países subdesenvolvidos do mundo, uni-vos! Não tendes a perder senão vossas cadeias!». Nada disto impede que se trate de um livro notável. Escrevi várias vezes, e disse-o em aulas, que considero <em>A Opção Imperialista</em> como um dos grandes clássicos do marxismo, que todos deviam ler com atenção.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/09/99557/#comment-252875</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2014 21:44:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A meu ver, o Mário Pedrosa não deixou de levar em conta a questão da acumulação interna, anterior à expansão para fora. Ele não aborda a questão detalhadamente, pois esse não é o foco central da obra, mas ele deixa claro que os Estados Unidos se converteram num grande imperialismo porque eles, em primeiro lugar, consolidaram a acumulação no plano interno. Ele evidencia, inclusive, que a exportação de capitais, durante muito tempo, não interessou aos &quot;homens de negócios&quot; americanos, que estavam mais interessados no desenvolvimento que se processava nos próprios Estados Unidos.

E mais: como se verá nos próximos artigos, o autor enfatiza que, a certa altura, os governos latino-americanos passaram a pedir, a barganhar, a exigir capitais vindos dos Estados Unidos, concedidos, sobretudo, pelo Estado americano, e destinados a industrializá-los e a modernizá-los (e, com eles, assistência técnica etc.): era dos Estados Unidos que pediam, com quem barganhavam e de quem exigiam, porque tinham, pela força ou de boa vontade, rompido, em maior ou menor medida, as suas relações tradicionais com a Europa.

Nesse sentido, é interessante perceber, por exemplo, que havia uma corrente do pensamento econômico desenvolvimentista brasileiro que não era nacionalista e que defendia, desde o início, uma parceria entre capitais públicos e privados, nacionais e estrangeiros.

O Mário Pedrosa parecia reconhecer que os capitais vindos dos Estados Unidos poderiam promover a industrialização e a modernização dos países latino-americanos, em parceria com os capitais nativos (públicos e privados), e só não o faziam porque os Estados Unidos, segundo ele, vacilavam entre assegurar o seu domínio no continente americano e conquistar e assegurar novas posições fora dele (chocavam-se suas ambições continentais e suas ambições globais) e, por conseguinte, interrompiam o fluxo de investimentos para a América Latina, deslocando-o para outros lugares: as Filipinas eram, para os Estados Unidos, segundo o Mário Pedrosa, a porta de entrada para a Ásia. Portanto, fazia-se necessário combater o alinhamento dos países latino-americanos aos Estados Unidos, para que a América Latina não ficasse, para sempre, à espera da boa vontade dos Estados Unidos.

Nisso ele se diferenciava, por exemplo, do Nelson W. Sodré, para quem o imperialismo em nada contribuía para a modernização do Brasil, sendo, ao contrário, uma &quot;bomba de sucção&quot;.

Por isso, eu acho que ele não defende a tese de que a culpa pelo atraso dos países latino-americanos se deve à sua exploração pelos Estados Unidos: se entendi bem, o problema, para ele, estava na economia agrário-exportadora e numa industrialização que dependia da disponibilidade dos capitais americanos, mas daí para afirmar que a culpa de tudo era dos Estados Unidos existe uma grande diferença, porque ele enfatiza que as elites brasileiras (uma uma parcela delas, a parcela vitoriosa), por exemplo, fizeram uma opção pelo alinhamento aos Estados Unidos.

Ele faz uma exposição das relações entre a América Latina e os Estados Unidos, desde a década de 1890, com o objetivo de explicar, a partir daí, a referida opção. Certamente, ele era um homem do seu tempo e, volta e meia, é possível verificar uma dose de anti-imperialismo terceiro-mundista na sua argumentação (a certa altura ele afirma que não é o &quot;hemisfério ocidental&quot; que se deve integrar mas o &quot;hemisfério sul&quot;, referindo-se, assim, aos países subdesenvolvidos da América Latina, da África, da Ásia etc.).

Mas, e já adiantando uma parte do conteúdo dos próximos artigos, ele parece especialmente interessado em enfatizar a ascensão política, nos Estados Unidos, desde o Presidente Eisenhower, de uma &quot;confraria&quot; de gestores vinculados às grandes companhias privadas, os quais se entendiam, e muito bem, com os dirigentes latino-americanos que decidiam pelo alinhamento aos Estados Unidos, pois, assim, estaria preservado, no &quot;hemisfério ocidental&quot;, o capitalismo privado, que estava a ser substituído, no oriente (União Soviética, China etc.) e nos países em que a modernização ficava a cargo, exclusivamente, do Estado, pelo capitalismo de Estado.

Daí resultava, segundo ele, o chamado &quot;neocapitalismo liberal&quot;, que partia de uma parceria entre o capitalismo de Estado e o capitalismo privado, e entre o imperialismo de Estado e o imperialismo privado, para conferir às grandes corporações privadas um crescente protagonismo social, que os grandes &quot;homens de negócios&quot; julgavam ser seu de direito.

A meu ver, uma boa parte do que o Mário Pedrosa escreveu pode até estar ultrapassada, mas tem muito de esclarecedor na sua obra. E eu julguei necessário reproduzir, acima, a argumentação do autor – relativa às relações Estados Unidos-América Latina no século XIX –, mesmo que ela esteja, em parte, incorreta, para que os argumentos subsequentes do autor sejam melhor compreendidos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A meu ver, o Mário Pedrosa não deixou de levar em conta a questão da acumulação interna, anterior à expansão para fora. Ele não aborda a questão detalhadamente, pois esse não é o foco central da obra, mas ele deixa claro que os Estados Unidos se converteram num grande imperialismo porque eles, em primeiro lugar, consolidaram a acumulação no plano interno. Ele evidencia, inclusive, que a exportação de capitais, durante muito tempo, não interessou aos &#8220;homens de negócios&#8221; americanos, que estavam mais interessados no desenvolvimento que se processava nos próprios Estados Unidos.</p>
<p>E mais: como se verá nos próximos artigos, o autor enfatiza que, a certa altura, os governos latino-americanos passaram a pedir, a barganhar, a exigir capitais vindos dos Estados Unidos, concedidos, sobretudo, pelo Estado americano, e destinados a industrializá-los e a modernizá-los (e, com eles, assistência técnica etc.): era dos Estados Unidos que pediam, com quem barganhavam e de quem exigiam, porque tinham, pela força ou de boa vontade, rompido, em maior ou menor medida, as suas relações tradicionais com a Europa.</p>
<p>Nesse sentido, é interessante perceber, por exemplo, que havia uma corrente do pensamento econômico desenvolvimentista brasileiro que não era nacionalista e que defendia, desde o início, uma parceria entre capitais públicos e privados, nacionais e estrangeiros.</p>
<p>O Mário Pedrosa parecia reconhecer que os capitais vindos dos Estados Unidos poderiam promover a industrialização e a modernização dos países latino-americanos, em parceria com os capitais nativos (públicos e privados), e só não o faziam porque os Estados Unidos, segundo ele, vacilavam entre assegurar o seu domínio no continente americano e conquistar e assegurar novas posições fora dele (chocavam-se suas ambições continentais e suas ambições globais) e, por conseguinte, interrompiam o fluxo de investimentos para a América Latina, deslocando-o para outros lugares: as Filipinas eram, para os Estados Unidos, segundo o Mário Pedrosa, a porta de entrada para a Ásia. Portanto, fazia-se necessário combater o alinhamento dos países latino-americanos aos Estados Unidos, para que a América Latina não ficasse, para sempre, à espera da boa vontade dos Estados Unidos.</p>
<p>Nisso ele se diferenciava, por exemplo, do Nelson W. Sodré, para quem o imperialismo em nada contribuía para a modernização do Brasil, sendo, ao contrário, uma &#8220;bomba de sucção&#8221;.</p>
<p>Por isso, eu acho que ele não defende a tese de que a culpa pelo atraso dos países latino-americanos se deve à sua exploração pelos Estados Unidos: se entendi bem, o problema, para ele, estava na economia agrário-exportadora e numa industrialização que dependia da disponibilidade dos capitais americanos, mas daí para afirmar que a culpa de tudo era dos Estados Unidos existe uma grande diferença, porque ele enfatiza que as elites brasileiras (uma uma parcela delas, a parcela vitoriosa), por exemplo, fizeram uma opção pelo alinhamento aos Estados Unidos.</p>
<p>Ele faz uma exposição das relações entre a América Latina e os Estados Unidos, desde a década de 1890, com o objetivo de explicar, a partir daí, a referida opção. Certamente, ele era um homem do seu tempo e, volta e meia, é possível verificar uma dose de anti-imperialismo terceiro-mundista na sua argumentação (a certa altura ele afirma que não é o &#8220;hemisfério ocidental&#8221; que se deve integrar mas o &#8220;hemisfério sul&#8221;, referindo-se, assim, aos países subdesenvolvidos da América Latina, da África, da Ásia etc.).</p>
<p>Mas, e já adiantando uma parte do conteúdo dos próximos artigos, ele parece especialmente interessado em enfatizar a ascensão política, nos Estados Unidos, desde o Presidente Eisenhower, de uma &#8220;confraria&#8221; de gestores vinculados às grandes companhias privadas, os quais se entendiam, e muito bem, com os dirigentes latino-americanos que decidiam pelo alinhamento aos Estados Unidos, pois, assim, estaria preservado, no &#8220;hemisfério ocidental&#8221;, o capitalismo privado, que estava a ser substituído, no oriente (União Soviética, China etc.) e nos países em que a modernização ficava a cargo, exclusivamente, do Estado, pelo capitalismo de Estado.</p>
<p>Daí resultava, segundo ele, o chamado &#8220;neocapitalismo liberal&#8221;, que partia de uma parceria entre o capitalismo de Estado e o capitalismo privado, e entre o imperialismo de Estado e o imperialismo privado, para conferir às grandes corporações privadas um crescente protagonismo social, que os grandes &#8220;homens de negócios&#8221; julgavam ser seu de direito.</p>
<p>A meu ver, uma boa parte do que o Mário Pedrosa escreveu pode até estar ultrapassada, mas tem muito de esclarecedor na sua obra. E eu julguei necessário reproduzir, acima, a argumentação do autor – relativa às relações Estados Unidos-América Latina no século XIX –, mesmo que ela esteja, em parte, incorreta, para que os argumentos subsequentes do autor sejam melhor compreendidos.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/09/99557/#comment-252812</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2014 12:57:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Raciocinemos como se deve raciocinar, do passado para o presente. O que eram os Estados Unidos no século XIX? Um país retardatário da periferia com o qual ninguém se importava. Os estados-maiores europeus nem sequer estudaram a guerra da secessão. Como pôde esse país converter-se num grande imperialismo? Porque saqueou os outros? Não, porque se dotou de uma estrutura social que lhe permitiu uma enorme acumulação interna de capital e daí é que passou para os outros países. Aliás, o &lt;em&gt;manifest destiny&lt;/em&gt; nem sequer teve como eixo principal a expansão para sudeste, para Cuba e para as Caraíbas. O &lt;em&gt;manifest destiny&lt;/em&gt; representava a expansão para oeste, ou seja, antes de mais a remodelação social e económica de todo o país de acordo com as condições capitalistas prevalecentes nos estados do nordeste. Esta &lt;em&gt;yankização&lt;/em&gt; do país era o &lt;em&gt;manifest destiny&lt;/em&gt;. Atingida a Califórnia, o &lt;em&gt;manifest destiny&lt;/em&gt; desdobrou-se na expansão para o Pacífico. A segunda guerra mundial, que para os Estados Unidos foi fundamentalmente a guerra no Pacífico, constituiu o resultado último do &lt;em&gt;manifest destiny&lt;/em&gt;.

O Brasil nisto tudo foi uma simples nota de rodapé, embora o papão norte-americano seja um pretexto muito útil para as velhas elites brasileiras e a sua intelectualidade arcaica justificarem um atraso que lhes é inerente a elas e não imposto pelos outros. O processo é sempre de dentro do país para fora e não o inverso. Trata-se aqui de capitalismo e não de mercantilismo, embora muita gente de esquerda, apesar de tudo o que Marx escreveu sobre o assunto, continue a pensar que ainda vivemos na época do mercantilismo.

Do mesmo modo, como pôde o Brasil dos últimos anos converter-se num neo-imperialismo na América Latina e em África? Porque foi primeiro espoliar os angolanos e os bolivianos? Não. Porque primeiro modernizou as condições sociais de exploração dentro do Brasil e modernizou decisivamente a composição das classes dominantes. Foi esta a grande missão histórica dos três governos do PT. E isto permitiu às classes dominantes brasileiras uma tal acumulação interna de capital e um tal dinamismo que essa acumulação interna se converteu em imperialismo externo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Raciocinemos como se deve raciocinar, do passado para o presente. O que eram os Estados Unidos no século XIX? Um país retardatário da periferia com o qual ninguém se importava. Os estados-maiores europeus nem sequer estudaram a guerra da secessão. Como pôde esse país converter-se num grande imperialismo? Porque saqueou os outros? Não, porque se dotou de uma estrutura social que lhe permitiu uma enorme acumulação interna de capital e daí é que passou para os outros países. Aliás, o <em>manifest destiny</em> nem sequer teve como eixo principal a expansão para sudeste, para Cuba e para as Caraíbas. O <em>manifest destiny</em> representava a expansão para oeste, ou seja, antes de mais a remodelação social e económica de todo o país de acordo com as condições capitalistas prevalecentes nos estados do nordeste. Esta <em>yankização</em> do país era o <em>manifest destiny</em>. Atingida a Califórnia, o <em>manifest destiny</em> desdobrou-se na expansão para o Pacífico. A segunda guerra mundial, que para os Estados Unidos foi fundamentalmente a guerra no Pacífico, constituiu o resultado último do <em>manifest destiny</em>.</p>
<p>O Brasil nisto tudo foi uma simples nota de rodapé, embora o papão norte-americano seja um pretexto muito útil para as velhas elites brasileiras e a sua intelectualidade arcaica justificarem um atraso que lhes é inerente a elas e não imposto pelos outros. O processo é sempre de dentro do país para fora e não o inverso. Trata-se aqui de capitalismo e não de mercantilismo, embora muita gente de esquerda, apesar de tudo o que Marx escreveu sobre o assunto, continue a pensar que ainda vivemos na época do mercantilismo.</p>
<p>Do mesmo modo, como pôde o Brasil dos últimos anos converter-se num neo-imperialismo na América Latina e em África? Porque foi primeiro espoliar os angolanos e os bolivianos? Não. Porque primeiro modernizou as condições sociais de exploração dentro do Brasil e modernizou decisivamente a composição das classes dominantes. Foi esta a grande missão histórica dos três governos do PT. E isto permitiu às classes dominantes brasileiras uma tal acumulação interna de capital e um tal dinamismo que essa acumulação interna se converteu em imperialismo externo.</p>
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