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	Comentários sobre: Citando&#8230; Um anónimo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: ulisses		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Sep 2014 14:35:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[IDEOLOGIA, NEUROSE E REVOLUÇÃO SOCIAL

O pendor sacrificial do militante que pretende se tornar um &quot;herói da classe operária&quot; está fundado em alguns equívocos. Um deles, talvez o maior de todos, consiste em pensar que as massas não se revoltam por falta de informação acerca dos dispositivos econômicos e políticos do capitalismo. Comprovadamente, o discurso militante - isto é, todo aquele que pretende explicar aos proletários a injustiça e a irracionalidade do sistema capitalista - dirige-se a surdos.

De fato, aqueles que se levantam às cinco horas da manhã para trabalhar - e, além disso, passam duas ou mais horas por dia indo e voltando (de metrô, ônibus e/ou trem) de casa para o local de trabalho – têm de se adaptar, seja como for. Assim, se quiserem continuar suportando a vida de merda que levam, têm de afastar do pensamento toda e qualquer veleidade crítica.

Se, repentinamente, os proletários concluíssem que estão destruindo suas vidas a serviço de um sistema absurdo, enlouqueceriam ou cometeriam o suicídio. Para evitar essa angustiante consciência, racionalizam e recalcam tudo que poderia perturbá-los, engendrando uma estrutura de caráter adaptada (leia-se: neurótica) às condições mercantis. Conclui-se, pois, que tentar convencer os proletários de que eles são explorados é uma tarefa inútil. Simplesmente, porque eles tiveram que recalcar a consciência da exploração para torná-la suportável.

Mas os militantes se julgam revolucionários e querem provocar &quot;tomadas de consciência&quot;. A experiência mostra que raramente o conseguem. Por que? Porque se chocam contra todos os mecanismos de defesa inconscientes e todas as racionalizações que os proletários elaboram para não tomar consciência da exploração e do vazio de suas existências. O discurso militante, ainda que pareça revolucionário, escorrega sobre a couraça psíquica das massas proletárias, sem produzir qualquer efeito conscientizador, porque repercute ameaçadoramente tudo que elas tiveram de recalcar para suportar o cotidiano de embrutecimento e miséria em que sobrevivem.

(Esta discussão está apenas começando...)
 
Publicado em Rizoma Autonomia, ano 1, nº #0, Outubro de 2001]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>IDEOLOGIA, NEUROSE E REVOLUÇÃO SOCIAL</p>
<p>O pendor sacrificial do militante que pretende se tornar um &#8220;herói da classe operária&#8221; está fundado em alguns equívocos. Um deles, talvez o maior de todos, consiste em pensar que as massas não se revoltam por falta de informação acerca dos dispositivos econômicos e políticos do capitalismo. Comprovadamente, o discurso militante &#8211; isto é, todo aquele que pretende explicar aos proletários a injustiça e a irracionalidade do sistema capitalista &#8211; dirige-se a surdos.</p>
<p>De fato, aqueles que se levantam às cinco horas da manhã para trabalhar &#8211; e, além disso, passam duas ou mais horas por dia indo e voltando (de metrô, ônibus e/ou trem) de casa para o local de trabalho – têm de se adaptar, seja como for. Assim, se quiserem continuar suportando a vida de merda que levam, têm de afastar do pensamento toda e qualquer veleidade crítica.</p>
<p>Se, repentinamente, os proletários concluíssem que estão destruindo suas vidas a serviço de um sistema absurdo, enlouqueceriam ou cometeriam o suicídio. Para evitar essa angustiante consciência, racionalizam e recalcam tudo que poderia perturbá-los, engendrando uma estrutura de caráter adaptada (leia-se: neurótica) às condições mercantis. Conclui-se, pois, que tentar convencer os proletários de que eles são explorados é uma tarefa inútil. Simplesmente, porque eles tiveram que recalcar a consciência da exploração para torná-la suportável.</p>
<p>Mas os militantes se julgam revolucionários e querem provocar &#8220;tomadas de consciência&#8221;. A experiência mostra que raramente o conseguem. Por que? Porque se chocam contra todos os mecanismos de defesa inconscientes e todas as racionalizações que os proletários elaboram para não tomar consciência da exploração e do vazio de suas existências. O discurso militante, ainda que pareça revolucionário, escorrega sobre a couraça psíquica das massas proletárias, sem produzir qualquer efeito conscientizador, porque repercute ameaçadoramente tudo que elas tiveram de recalcar para suportar o cotidiano de embrutecimento e miséria em que sobrevivem.</p>
<p>(Esta discussão está apenas começando&#8230;)</p>
<p>Publicado em Rizoma Autonomia, ano 1, nº #0, Outubro de 2001</p>
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