<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: ABC Cooperativa: empresa de ônibus gerida por seus trabalhadores	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2014/10/99976/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Sat, 15 Jan 2022 19:03:36 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-268152</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Dec 2014 20:06:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-268152</guid>

					<description><![CDATA[Capitais não são coisas, mas relações sociais (trabalho assalariado e capital). Aliás, o Chile de Allende foi a prova cabal de que os capitais não são coisas, assim como o Estado não é coisa. O capital não pode ser utilizado pelo proletariado sem que este entregue as armas que só seus inimigos podem manejar. No caso do Chile, armas até no sentido literal da palavra. A disputa entre burocratas e proprietários particulares, entre esquerda e direita, não é luta de classes, mas sua destruição pelo enquadramento na competição inter-capitalista.

Mas concordo contigo que o mais preocupante seria a repressão. Isso só poderia ser evitado se o movimento for tão rápido e generalizado que os poderosos não terão por onde começar e nem como seus subordinados verem sentido em continuar obedecendo. Antes de tudo, deve-se aplicar a lição do Chile: não acumular o capital &quot;de esquerda&quot; e nem armar o Estado &quot;de esquerda&quot;. Capital e estado não são coisas, não são instrumentos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Capitais não são coisas, mas relações sociais (trabalho assalariado e capital). Aliás, o Chile de Allende foi a prova cabal de que os capitais não são coisas, assim como o Estado não é coisa. O capital não pode ser utilizado pelo proletariado sem que este entregue as armas que só seus inimigos podem manejar. No caso do Chile, armas até no sentido literal da palavra. A disputa entre burocratas e proprietários particulares, entre esquerda e direita, não é luta de classes, mas sua destruição pelo enquadramento na competição inter-capitalista.</p>
<p>Mas concordo contigo que o mais preocupante seria a repressão. Isso só poderia ser evitado se o movimento for tão rápido e generalizado que os poderosos não terão por onde começar e nem como seus subordinados verem sentido em continuar obedecendo. Antes de tudo, deve-se aplicar a lição do Chile: não acumular o capital &#8220;de esquerda&#8221; e nem armar o Estado &#8220;de esquerda&#8221;. Capital e estado não são coisas, não são instrumentos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-268097</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Dec 2014 03:42:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-268097</guid>

					<description><![CDATA[humanaesfera,
teu pensamento tem lá sua beleza estruturalista; mas o curso da história não corrobora as teses.
Exemplo recente foi a greve dos garis, que ganhou amplo apoio social e inspirou muitos setores da classe trabalhadora.

Outro problema é que esse bonito contágio da alegria produtiva proletária não demora muito em ser confrontada pelos donos dos capitais, que sangram na carne para não perder o braço. Isso pudemos ver no Chile, quando os trabalhadores organizados e autogestionados buscavam aumentar ao máximo a produtividade e impedir uma crise econômica dirigida pela direita que teria por objetivo deter a marcha da organização proletária. Ou seja, essa livre-produção não se torna exponencial apenas por livre contágio, principalmente em épocas de capitais tão móveis: de fato, não devemos esquecer que os capitais são coisas, podem ser manuseadas e utilizadas. Podem ser usadas contra os trabalhadores e também a favor.
https://www.youtube.com/watch?v=l9lmgGflBnY]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>humanaesfera,<br />
teu pensamento tem lá sua beleza estruturalista; mas o curso da história não corrobora as teses.<br />
Exemplo recente foi a greve dos garis, que ganhou amplo apoio social e inspirou muitos setores da classe trabalhadora.</p>
<p>Outro problema é que esse bonito contágio da alegria produtiva proletária não demora muito em ser confrontada pelos donos dos capitais, que sangram na carne para não perder o braço. Isso pudemos ver no Chile, quando os trabalhadores organizados e autogestionados buscavam aumentar ao máximo a produtividade e impedir uma crise econômica dirigida pela direita que teria por objetivo deter a marcha da organização proletária. Ou seja, essa livre-produção não se torna exponencial apenas por livre contágio, principalmente em épocas de capitais tão móveis: de fato, não devemos esquecer que os capitais são coisas, podem ser manuseadas e utilizadas. Podem ser usadas contra os trabalhadores e também a favor.<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=l9lmgGflBnY" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=l9lmgGflBnY</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-267963</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2014 20:10:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-267963</guid>

					<description><![CDATA[Abaixo, o resultado de algumas reflexões/proposições sobre o assunto greve e produção livre discutido nos comentários:

http://humanaesfera.blogspot.com.br/2014/11/greve-e-producao-livre.html

&quot;Dado que: 

a) as greves nos serviços deixam mais em apuros o resto do proletariado do que os próprios patrões. Por exemplo, na saúde, nos transportes (de cargas e passageiros), supermercados, etc.

b) isso acarreta que o resto do proletariado tende a considerar estas greves não como afirmações de sua classe, mas de interesses corporativos, pequeno-burgueses, mesquinhos. (Apenas muito indiretamente, por uma longa e tortuosa cadeia de raciocínios, alguns proletários chegam à conclusão de que os apuros são efeito colateral de uma luta que pode beneficiar a todos.) 

c) a greve, além disso, é, há cem anos, um método de luta mais do que domesticado pelos patrões e pelo Estado, através dos sindicatos. E mesmo contra os sindicatos (greves selvagens), as reivindicações das greves, se atendidas, são logo ultrapassadas, por exemplo pela inflação, e por incessantes e permanentes represálias patronais, etc.

Frente a tudo isso, defendemos:

1) a superação da greve pela tática da produção livre, gratuita;

2) a abertura dos meios de produção para a população da cidade, chamando-a para decidir o que fazer e participar da produção (tornando sem significado as palavras &quot;emprego&quot;, &quot;desemprego&quot; e &quot;empresa&quot;). Isso, num único ato, reduz a jornada de trabalho e alivia o resto do proletariado dos apuros impostos pelos proprietários (desemprego, necessidades insatisfeitas e o terror empreendedorista);

3) produções que se revelarem escassas serão submetidas à decisão democrática da população. Porque a escassez causa conflitos (mesquinhez, propriedade privada) que precisam ser resolvidos - por exemplo, é preciso decidir se é justo que uma produção deva atender primeiro os necessitados, ou se ela deve atender a população mediante outros critérios considerado justos (por ex., vouchers pela proporção do trabalho feito, esforço...);

4) produções que se revelarem abundantes, serão desfrutadas à maneira comunista: &quot;Ninguém vota; nunca a maioria e nem a minoria fazem a lei. Se esta ou aquela proposta reúne um número suficiente para executá-la, quer seja a maioria ou a minoria, então a proposta será executada, se for esta a vontade daqueles que aderem a ela.&quot; (A Humanisfera, 1857). Com isso, supera-se, juntamente com o consumo espetacular, o próprio trabalho enquanto tal.

Dinâmica:

Estes pontos podem ser compreendidos como etapas condicionadas à difusão exponencial da luta. Se, ao efetuar o ponto 1, se perceber uma adesão crescente do resto proletariado à mesma tática de produção livre contra os patrões, passa-se ao 2º, 3º e 4º pontos. Simultaneamente, há a necessidade de espalhar  (quebrando o &quot;segredo industrial&quot;) o conhecimento do modo como a produção e os fluxos materiais são interligados e interdependentes mundialmente. Com base nisso, mostra-se a necessidade de que o resto do proletariado de outras cidades e outros continentes passe a adotar a mesma tática. O proletariado se constitui como classe quando ultrapassa todas as fronteiras  (nacionais e empresariais) inventadas como &quot;fatos naturais&quot; pelos patrões e privilegiados, numa luta internacionalista contra eles (capaz, ademais, de acabar com todas as guerras).

Objetivo:

A finalidade da produção livre é a solidariedade imediata do resto do proletariado, favorecendo que se adote a mesma tática por toda parte. O proletariado, ao constituir-se como classe autônoma, força, por si só, que a classe dominante e os políticos (de esquerda ou direita, é indiferente) concedam muito mais do que se pode imaginar agora. Além disso, se se tornar uma situação sem retorno, permanente e generalizada, é, por si mesmo, um novo modo de produção no qual os desejos, as necessidades e as capacidades humanas determinam, em livre associação, a produção. Um modo de produção que consiste na auto-realização e auto-satisfação dos indivíduos livremente associados sem fronteiras torna completamente obsoleto o mercado de trabalho (e, consequentemente,  torna obsoleto o capitalismo, seja particular, como dos EUA, ou estatal, como Cuba). Ou seja,  desaparecem as condições materiais que forçavam a população a aceitar se arrastar por salários em troca da alienação de suas capacidades - de pensar, sentir e agir - ao comando e arbítrio dos donos do dinheiro (os capitalistas: burocratas, empresários, políticos...). 

Humanaesfera, novembro de 2014&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abaixo, o resultado de algumas reflexões/proposições sobre o assunto greve e produção livre discutido nos comentários:</p>
<p><a href="http://humanaesfera.blogspot.com.br/2014/11/greve-e-producao-livre.html" rel="nofollow ugc">http://humanaesfera.blogspot.com.br/2014/11/greve-e-producao-livre.html</a></p>
<p>&#8220;Dado que: </p>
<p>a) as greves nos serviços deixam mais em apuros o resto do proletariado do que os próprios patrões. Por exemplo, na saúde, nos transportes (de cargas e passageiros), supermercados, etc.</p>
<p>b) isso acarreta que o resto do proletariado tende a considerar estas greves não como afirmações de sua classe, mas de interesses corporativos, pequeno-burgueses, mesquinhos. (Apenas muito indiretamente, por uma longa e tortuosa cadeia de raciocínios, alguns proletários chegam à conclusão de que os apuros são efeito colateral de uma luta que pode beneficiar a todos.) </p>
<p>c) a greve, além disso, é, há cem anos, um método de luta mais do que domesticado pelos patrões e pelo Estado, através dos sindicatos. E mesmo contra os sindicatos (greves selvagens), as reivindicações das greves, se atendidas, são logo ultrapassadas, por exemplo pela inflação, e por incessantes e permanentes represálias patronais, etc.</p>
<p>Frente a tudo isso, defendemos:</p>
<p>1) a superação da greve pela tática da produção livre, gratuita;</p>
<p>2) a abertura dos meios de produção para a população da cidade, chamando-a para decidir o que fazer e participar da produção (tornando sem significado as palavras &#8220;emprego&#8221;, &#8220;desemprego&#8221; e &#8220;empresa&#8221;). Isso, num único ato, reduz a jornada de trabalho e alivia o resto do proletariado dos apuros impostos pelos proprietários (desemprego, necessidades insatisfeitas e o terror empreendedorista);</p>
<p>3) produções que se revelarem escassas serão submetidas à decisão democrática da população. Porque a escassez causa conflitos (mesquinhez, propriedade privada) que precisam ser resolvidos &#8211; por exemplo, é preciso decidir se é justo que uma produção deva atender primeiro os necessitados, ou se ela deve atender a população mediante outros critérios considerado justos (por ex., vouchers pela proporção do trabalho feito, esforço&#8230;);</p>
<p>4) produções que se revelarem abundantes, serão desfrutadas à maneira comunista: &#8220;Ninguém vota; nunca a maioria e nem a minoria fazem a lei. Se esta ou aquela proposta reúne um número suficiente para executá-la, quer seja a maioria ou a minoria, então a proposta será executada, se for esta a vontade daqueles que aderem a ela.&#8221; (A Humanisfera, 1857). Com isso, supera-se, juntamente com o consumo espetacular, o próprio trabalho enquanto tal.</p>
<p>Dinâmica:</p>
<p>Estes pontos podem ser compreendidos como etapas condicionadas à difusão exponencial da luta. Se, ao efetuar o ponto 1, se perceber uma adesão crescente do resto proletariado à mesma tática de produção livre contra os patrões, passa-se ao 2º, 3º e 4º pontos. Simultaneamente, há a necessidade de espalhar  (quebrando o &#8220;segredo industrial&#8221;) o conhecimento do modo como a produção e os fluxos materiais são interligados e interdependentes mundialmente. Com base nisso, mostra-se a necessidade de que o resto do proletariado de outras cidades e outros continentes passe a adotar a mesma tática. O proletariado se constitui como classe quando ultrapassa todas as fronteiras  (nacionais e empresariais) inventadas como &#8220;fatos naturais&#8221; pelos patrões e privilegiados, numa luta internacionalista contra eles (capaz, ademais, de acabar com todas as guerras).</p>
<p>Objetivo:</p>
<p>A finalidade da produção livre é a solidariedade imediata do resto do proletariado, favorecendo que se adote a mesma tática por toda parte. O proletariado, ao constituir-se como classe autônoma, força, por si só, que a classe dominante e os políticos (de esquerda ou direita, é indiferente) concedam muito mais do que se pode imaginar agora. Além disso, se se tornar uma situação sem retorno, permanente e generalizada, é, por si mesmo, um novo modo de produção no qual os desejos, as necessidades e as capacidades humanas determinam, em livre associação, a produção. Um modo de produção que consiste na auto-realização e auto-satisfação dos indivíduos livremente associados sem fronteiras torna completamente obsoleto o mercado de trabalho (e, consequentemente,  torna obsoleto o capitalismo, seja particular, como dos EUA, ou estatal, como Cuba). Ou seja,  desaparecem as condições materiais que forçavam a população a aceitar se arrastar por salários em troca da alienação de suas capacidades &#8211; de pensar, sentir e agir &#8211; ao comando e arbítrio dos donos do dinheiro (os capitalistas: burocratas, empresários, políticos&#8230;). </p>
<p>Humanaesfera, novembro de 2014&#8243;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: marcelo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-266387</link>

		<dc:creator><![CDATA[marcelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2014 01:35:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-266387</guid>

					<description><![CDATA[Perguntar não ofende: daria certo no Brasil? Porque são duas realidades diferentes, carga de impostos completamente diferentes, valores completamente diferentes.
E usam uns ônibus cuja produção foi encerrada há VINTE ANOS. Aqui vejo gente dizer que ônibus com 5 anos já esta velho, essa gente andaria em museus como esses aí?
E se cobram dos empresários que os onibus sejam limpos modernos e seguros essas cooperativas tem que oferecer este mesmo serviço, os sindicatos e as esquerdas tem que oferecer isso. Certamente não vão oferecer e vão dar um monte de desculpas para tal. Num país como nosso cheio de encargos e com tudo caro, quem não souber trabalhar com transportes vai a falência, quem ficar com linha de pouca demanda e retorno vai quebrar a cara. Moro em santos que já teve governo de esquerda e eles conseguiram falir a empresa de transportes. A esquerda é boa para apontar os erros dos outros mas péssima para gerenciar as coisas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Perguntar não ofende: daria certo no Brasil? Porque são duas realidades diferentes, carga de impostos completamente diferentes, valores completamente diferentes.<br />
E usam uns ônibus cuja produção foi encerrada há VINTE ANOS. Aqui vejo gente dizer que ônibus com 5 anos já esta velho, essa gente andaria em museus como esses aí?<br />
E se cobram dos empresários que os onibus sejam limpos modernos e seguros essas cooperativas tem que oferecer este mesmo serviço, os sindicatos e as esquerdas tem que oferecer isso. Certamente não vão oferecer e vão dar um monte de desculpas para tal. Num país como nosso cheio de encargos e com tudo caro, quem não souber trabalhar com transportes vai a falência, quem ficar com linha de pouca demanda e retorno vai quebrar a cara. Moro em santos que já teve governo de esquerda e eles conseguiram falir a empresa de transportes. A esquerda é boa para apontar os erros dos outros mas péssima para gerenciar as coisas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leonardo Cordeiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-258974</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2014 18:37:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-258974</guid>

					<description><![CDATA[Creio que d. tocou em algumas questões concretas cruciais do ponto de vista econômico e trabalhista, mas, sobretudo, do ponto de vista do usuário de transportes. Como apontou Leo Vinícius, existe larga discussão sobre os limites das cooperativas e da autogestão dentro do capitalismo. A tarefa da crítica é mesmo apontar as contradições das lutas anticapitalistas, embora a própria crítica se engesse quando busca apresentar um receituário ou um regimento das “práticas puras” aos trabalhadores. Aliás, existem práticas puras?

Já a discussão de uma cooperativa de ônibus da perspectiva dos usuários, que abarque as questões políticas e econômicas específicas do transporte urbano, é algo novo e interessante. Gostaria de contribuir com mais questões.

Extrapolar a experiência descrita pelo artigo para um sistema “utópico” de transportes sem nenhuma mediação é mera retórica. Mas ela com certeza guarda lições úteis para um projeto mais amplo de transporte.

Será que essa experiência Uruguai não aponta para a possibilidade de estabelecimento uma consciência de classe comum aos trabalhadores empregados no transporte e aos trabalhadores que o utilizam? Aí não seria tão fortuita a obstrução de qualquer aumento na tarifa pela ABC. Alguma coisa nesse mesmo sentido talvez tenha despontado na última greve dos metroviários de São Paulo e aparece sempre que essa categoria, em cidades como Buenos Aires, libera as catracas como forma de mobilização (seja esta uma mobilização da categoria ou outra mais ampla, como já ocorreu na Grécia).

Uma linha autogestionada tarifada, como a que existe em Colônia do Sacramento, talvez avance pouco em direção a um transporte visto como direito ou (como prefiro sair do discurso jurídico, que tem um pé – ou os dois – na ideologia), um transporte que não seja orientado pela acumulação e que promova a reapropriação da cidade por aqueles que a constroem. Por outro lado, o quanto pode avançar nisso um sistema de transporte sem tarifa que ainda seja gerido pelo Estado?

É preciso pensar também nos limites e contradições dessa reivindicação. Sabemos que a tarifa não é a única catraca do deslocamento urbano, mas toda estrutura do sistema de transportes, intimamente associada à organização espacial e temporal da cidade controla e reduz o movimento dos trabalhadores. Assim, sem alterações na racionalidade (capitalista) que ordena os deslocamentos na cidade (e aqui não estou falando simplesmente da organização das linhas de ônibus), será que os trabalhadores teriam mais poder sobre seus movimentos? Ou será que apenas circulariam como objetos-mercadorias (força de trabalho) de forma mais eficiente?

Mudar a forma de remuneração das empresas ou estatizar a frota são caminhos que transferem mais poder para o Estado, mas, mais do que as empresas, hoje é o Estado o grande representante da racionalidade capitalista e segregadora que orienta o planejamento do transporte. Como garantir que essa transferência se converta em “controle público”? Rendendo-se à cooptação da gestão participativa e seus conselhos?

Se reivindicar a tarifa zero é reivindicar uma política pública, isso não significa mais controle e racionalização da vida social? Não seria justamente quem já tem mais liberdade de movimento – ou seja, aqueles que já moram no centro e cujo tempo vale muito mais – que ganhariam ainda mais liberdade? Será que um aumento da mobilidade dos trabalhadores não conduziria diretamente a um aumento das distâncias que já o separam da “mais-valia retirada cotidianamente no processo de trabalho e materializada nas estruturas urbanas” (como disse o Legume)? Ou seja, será que com um sistema de transportes extremamente acessível e eficiente não ampliaria as margens da cidade, expulsando moradores da periferia para ainda mais longe e disponibilizando como reserva de mão-de-obra para esse centro urbano cidades satélites cada vez mais distantes?

Por fim, será que hipermobilidade é sinônimo de apropriação da cidade? E de poder sobre sua própria vida? E, ainda, será que a “perversão central” do transporte é a tarifa ou será que ela é apenas o dispositivo monetário de uma estrutura mais complexa?

Para mim, todas essas dúvidas colocam em evidência a centralidade do problema da gestão no debate anticapitalista sobre um outro transporte, um transporte fora da lógica da mercadoria, como o defendido pelo Movimento Passe Livre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Creio que d. tocou em algumas questões concretas cruciais do ponto de vista econômico e trabalhista, mas, sobretudo, do ponto de vista do usuário de transportes. Como apontou Leo Vinícius, existe larga discussão sobre os limites das cooperativas e da autogestão dentro do capitalismo. A tarefa da crítica é mesmo apontar as contradições das lutas anticapitalistas, embora a própria crítica se engesse quando busca apresentar um receituário ou um regimento das “práticas puras” aos trabalhadores. Aliás, existem práticas puras?</p>
<p>Já a discussão de uma cooperativa de ônibus da perspectiva dos usuários, que abarque as questões políticas e econômicas específicas do transporte urbano, é algo novo e interessante. Gostaria de contribuir com mais questões.</p>
<p>Extrapolar a experiência descrita pelo artigo para um sistema “utópico” de transportes sem nenhuma mediação é mera retórica. Mas ela com certeza guarda lições úteis para um projeto mais amplo de transporte.</p>
<p>Será que essa experiência Uruguai não aponta para a possibilidade de estabelecimento uma consciência de classe comum aos trabalhadores empregados no transporte e aos trabalhadores que o utilizam? Aí não seria tão fortuita a obstrução de qualquer aumento na tarifa pela ABC. Alguma coisa nesse mesmo sentido talvez tenha despontado na última greve dos metroviários de São Paulo e aparece sempre que essa categoria, em cidades como Buenos Aires, libera as catracas como forma de mobilização (seja esta uma mobilização da categoria ou outra mais ampla, como já ocorreu na Grécia).</p>
<p>Uma linha autogestionada tarifada, como a que existe em Colônia do Sacramento, talvez avance pouco em direção a um transporte visto como direito ou (como prefiro sair do discurso jurídico, que tem um pé – ou os dois – na ideologia), um transporte que não seja orientado pela acumulação e que promova a reapropriação da cidade por aqueles que a constroem. Por outro lado, o quanto pode avançar nisso um sistema de transporte sem tarifa que ainda seja gerido pelo Estado?</p>
<p>É preciso pensar também nos limites e contradições dessa reivindicação. Sabemos que a tarifa não é a única catraca do deslocamento urbano, mas toda estrutura do sistema de transportes, intimamente associada à organização espacial e temporal da cidade controla e reduz o movimento dos trabalhadores. Assim, sem alterações na racionalidade (capitalista) que ordena os deslocamentos na cidade (e aqui não estou falando simplesmente da organização das linhas de ônibus), será que os trabalhadores teriam mais poder sobre seus movimentos? Ou será que apenas circulariam como objetos-mercadorias (força de trabalho) de forma mais eficiente?</p>
<p>Mudar a forma de remuneração das empresas ou estatizar a frota são caminhos que transferem mais poder para o Estado, mas, mais do que as empresas, hoje é o Estado o grande representante da racionalidade capitalista e segregadora que orienta o planejamento do transporte. Como garantir que essa transferência se converta em “controle público”? Rendendo-se à cooptação da gestão participativa e seus conselhos?</p>
<p>Se reivindicar a tarifa zero é reivindicar uma política pública, isso não significa mais controle e racionalização da vida social? Não seria justamente quem já tem mais liberdade de movimento – ou seja, aqueles que já moram no centro e cujo tempo vale muito mais – que ganhariam ainda mais liberdade? Será que um aumento da mobilidade dos trabalhadores não conduziria diretamente a um aumento das distâncias que já o separam da “mais-valia retirada cotidianamente no processo de trabalho e materializada nas estruturas urbanas” (como disse o Legume)? Ou seja, será que com um sistema de transportes extremamente acessível e eficiente não ampliaria as margens da cidade, expulsando moradores da periferia para ainda mais longe e disponibilizando como reserva de mão-de-obra para esse centro urbano cidades satélites cada vez mais distantes?</p>
<p>Por fim, será que hipermobilidade é sinônimo de apropriação da cidade? E de poder sobre sua própria vida? E, ainda, será que a “perversão central” do transporte é a tarifa ou será que ela é apenas o dispositivo monetário de uma estrutura mais complexa?</p>
<p>Para mim, todas essas dúvidas colocam em evidência a centralidade do problema da gestão no debate anticapitalista sobre um outro transporte, um transporte fora da lógica da mercadoria, como o defendido pelo Movimento Passe Livre.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-258650</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2014 11:54:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-258650</guid>

					<description><![CDATA[Beto
O mesmo sítio, além do &quot;DOSSIÊ: COMUNISMO DE CONSELHOS&quot;, tem outros dossiês e textos avulsos interessantíssimos - inclusive, sobre autonomia operária...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Beto<br />
O mesmo sítio, além do &#8220;DOSSIÊ: COMUNISMO DE CONSELHOS&#8221;, tem outros dossiês e textos avulsos interessantíssimos &#8211; inclusive, sobre autonomia operária&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-258449</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Oct 2014 15:31:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-258449</guid>

					<description><![CDATA[Ulisses, excelente e clareadora indicação de leitura. Obrigado!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ulisses, excelente e clareadora indicação de leitura. Obrigado!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-258434</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Oct 2014 13:15:38 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-258434</guid>

					<description><![CDATA[Lucas, os exemplos não são meus. A crítica ao ativismo é que a militância simplesmente não pode senão se colocar por cima da classe, só podendo desaguar nas piores coisas. Até mesmo o suposto realismo &quot;sem objetivos&quot; da militância, pretensamente autonomista, mostra essa exterioridade, esse jacobinismo. A pseudo-praxis do militante, a solicitação incessante a um &quot;árduo trabalho de base&quot;, é completamente oca e, com a repetição da solicitação, insuportável. Contra o ativismo, a única coisa a fazer hoje é, primeiro, falar tranquilamente como proletário de igual para igual com os outros proletários, e, se houver oportunidade, apresentar e debater com clareza nossas finalidades e os meios de alcancá-las e melhorá-las.  Simplesmente de igual para igual, nos ônibus, no trabalho, no trem, na internet, na rua. Abertamente, como tendência comunista do proletariado contra outras tendências dele. Práticas, como greves, ou mijar no chão como no exemplo do Kamunist Kranti, ou manifestações etc (ou, o que defendemos que é superar a greve pela produção livre) etc., são as práticas da classe que são por si mesmas nossa prática. E as práticas da classe, só podemos influenciá-las debatendo-as e apresentando claramente nossas críticas, idéias, e finalidades, que podem ser mais ou menos adotadas ou não, ser difundidas pelos outros ou não. Se o chato do militante ou do ativista aparece, ele se coloca imediatamente fora do plano material, de classe, e enxerga tudo de um plano platônico, espetacular, ideológico, jacobino, missionário, auto-sacrificial, pretensamente realista. A militância se organiza, e a medida que sua organização se perpetua, pelo simples fato de se formar sobre uma base não-material (acima da classe), ela vai desembocar inevitavelmente (por razões materiais) na gangue, no bando, na máfia, no sacerdócio, quando não numa nova classe dominante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, os exemplos não são meus. A crítica ao ativismo é que a militância simplesmente não pode senão se colocar por cima da classe, só podendo desaguar nas piores coisas. Até mesmo o suposto realismo &#8220;sem objetivos&#8221; da militância, pretensamente autonomista, mostra essa exterioridade, esse jacobinismo. A pseudo-praxis do militante, a solicitação incessante a um &#8220;árduo trabalho de base&#8221;, é completamente oca e, com a repetição da solicitação, insuportável. Contra o ativismo, a única coisa a fazer hoje é, primeiro, falar tranquilamente como proletário de igual para igual com os outros proletários, e, se houver oportunidade, apresentar e debater com clareza nossas finalidades e os meios de alcancá-las e melhorá-las.  Simplesmente de igual para igual, nos ônibus, no trabalho, no trem, na internet, na rua. Abertamente, como tendência comunista do proletariado contra outras tendências dele. Práticas, como greves, ou mijar no chão como no exemplo do Kamunist Kranti, ou manifestações etc (ou, o que defendemos que é superar a greve pela produção livre) etc., são as práticas da classe que são por si mesmas nossa prática. E as práticas da classe, só podemos influenciá-las debatendo-as e apresentando claramente nossas críticas, idéias, e finalidades, que podem ser mais ou menos adotadas ou não, ser difundidas pelos outros ou não. Se o chato do militante ou do ativista aparece, ele se coloca imediatamente fora do plano material, de classe, e enxerga tudo de um plano platônico, espetacular, ideológico, jacobino, missionário, auto-sacrificial, pretensamente realista. A militância se organiza, e a medida que sua organização se perpetua, pelo simples fato de se formar sobre uma base não-material (acima da classe), ela vai desembocar inevitavelmente (por razões materiais) na gangue, no bando, na máfia, no sacerdócio, quando não numa nova classe dominante.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-258428</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Oct 2014 12:12:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-258428</guid>

					<description><![CDATA[A Impotência do Grupo Revolucionário

http://www.reocities.com/autonomiabvr/moss.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Impotência do Grupo Revolucionário</p>
<p><a href="http://www.reocities.com/autonomiabvr/moss.html" rel="nofollow ugc">http://www.reocities.com/autonomiabvr/moss.html</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/10/99976/#comment-258299</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2014 22:41:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=99976#comment-258299</guid>

					<description><![CDATA[Caro Lucas, boa pergunta!

Mas não sei te dizer qual a resposta. O João Bernardo diz &quot;Os trabalhadores hoje lutam de uma dada maneira contra o perfil actual do capitalismo e, consoante o resultado desta luta, o capitalismo apresentará amanhã um perfil diferente, contra o qual os trabalhadores hão-de lutar de outra forma, e assim sucessivamente. Portanto, o comunismo que pudéssemos construir hoje seria forçosamente diferente daquele que poderíamos construir amanhã, e este do que poderíamos construir no dia seguinte&quot; ( http://passapalavra.info/2014/05/93844#comments ), o que concordo em número, gênero e grau.  O dia seguinte será, inexoravelmente, uma consequência do dia anterior e assim por diante, como já o é hoje, dialética.

Hoje, acredito eu, estamos sob perspectivas de lutas que embora tenham um potencial para conscientização de classe, pouco ou nada nos encaminham para nossa emancipação. Noutras palavras, dá-se um boi, para se ganhar uma galinha... Também posso estar enganado, mas a greve geral seria dar esse boi para ganhar não sabemos exatamente o quê, muito embora saibamos o que queremos. 

Mas confesso que, talvez ingênua ou utopicamente, eu esperaria sim, que o dia seguinte fosse &quot;basicamente uma preparação para a tomada de poder guerrilheira&quot;...

Abraços fraternais, 
Beto]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Lucas, boa pergunta!</p>
<p>Mas não sei te dizer qual a resposta. O João Bernardo diz &#8220;Os trabalhadores hoje lutam de uma dada maneira contra o perfil actual do capitalismo e, consoante o resultado desta luta, o capitalismo apresentará amanhã um perfil diferente, contra o qual os trabalhadores hão-de lutar de outra forma, e assim sucessivamente. Portanto, o comunismo que pudéssemos construir hoje seria forçosamente diferente daquele que poderíamos construir amanhã, e este do que poderíamos construir no dia seguinte&#8221; ( <a href="http://passapalavra.info/2014/05/93844#comments" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/05/93844#comments</a> ), o que concordo em número, gênero e grau.  O dia seguinte será, inexoravelmente, uma consequência do dia anterior e assim por diante, como já o é hoje, dialética.</p>
<p>Hoje, acredito eu, estamos sob perspectivas de lutas que embora tenham um potencial para conscientização de classe, pouco ou nada nos encaminham para nossa emancipação. Noutras palavras, dá-se um boi, para se ganhar uma galinha&#8230; Também posso estar enganado, mas a greve geral seria dar esse boi para ganhar não sabemos exatamente o quê, muito embora saibamos o que queremos. </p>
<p>Mas confesso que, talvez ingênua ou utopicamente, eu esperaria sim, que o dia seguinte fosse &#8220;basicamente uma preparação para a tomada de poder guerrilheira&#8221;&#8230;</p>
<p>Abraços fraternais,<br />
Beto</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
