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	Comentários sobre: A via do proletário ao empreendedor: o trabalho, segundo André Gorz	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: JNM		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-278714</link>

		<dc:creator><![CDATA[JNM]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2015 21:53:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tem toda a razão Mariana. Vou corrigir o lapso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem toda a razão Mariana. Vou corrigir o lapso.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Mariana Albuquerque		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-278706</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mariana Albuquerque]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2015 20:44:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[olá!
gostaria apenas de fazer uma pequena correção; André Gorz ( pseudônimo de Gérard Horst ) na verdade nasceu em Viena,portanto,um austríaco. 
Embora tenha escrito a maioria dos seus textos em francês. 

Obrigada!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>olá!<br />
gostaria apenas de fazer uma pequena correção; André Gorz ( pseudônimo de Gérard Horst ) na verdade nasceu em Viena,portanto,um austríaco.<br />
Embora tenha escrito a maioria dos seus textos em francês. </p>
<p>Obrigada!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274819</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Jan 2015 12:22:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ATIVIDADE HUMANA CONTRA O TRABALHO
ver aqui : http://www.reocities.com/autonomiabvr/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ATIVIDADE HUMANA CONTRA O TRABALHO<br />
ver aqui : <a href="http://www.reocities.com/autonomiabvr/" rel="nofollow ugc">http://www.reocities.com/autonomiabvr/</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274709</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2015 20:21:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Será que o proletariado está finalmente &quot;integrado&quot;? Duvido...

Segundo o discurso ideológico do capital e do Estado, não há classes, todos são &quot;classe média&quot;, ou seja, vendedores e compradores livres, iguais, concorrentes, &quot;capitais humanos&quot;, com mais ou menos &quot;sucesso&quot; ou &quot;méritos recompensados&quot;, e com interesses mais ou menos &quot;corporativos&quot;, &quot;colaborativos&quot;. Quanto menos resistência a classe dominante enfrenta, mais essa utopia burguesa parece &quot;realidade&quot;... Porém, qualquer patrão conhece perfeitamente a realidade de que, por si mesmos, ou seja, sem ameaças nem recompensas, os trabalhadores não trabalham, e satisfazem suas paixões tomando tudo de graça... isto é, os patrões tem perfeita consciência de que todos os proletários do mundo formam uma classe, a classe dos que querem, saibam ou não, o comunismo pleno, luxuriante e universal.

É certo que o proletariado é &quot;ambíguo&quot;. Mas isso não é para se lamentar. Sem ambiguidade não haveria contradição e toda mudança seria impossível.

Então, que uns trabalhadores ganhem 10 mil e outros 1 real, ou que uns tenham uma cultura (ou estilo de vida, ou raça ou gênero...) e outros tenham outra &quot;oposta&quot;, esse é o status quo que importa à classe dominante estabelecer e estimular, para que seus escravos se massacrem por &quot;méritos&quot; e se sujeitem por &quot;livre e espontânea vontade&quot;. Então, o que importa? Na minha opinião, não holismos, espiritualidades, caridades, militâncias, autosacrifícios, culturas e identidades, sutilezas que só servem para definir estereótipos e culpar bodes expiatórios, mas exatamente o oposto: o materialismo egoísta e prático de resistir a se sacrificar por prêmios e chicoteamentos oferecidos pelos poderosos... egoísmo &quot;chão&quot; que é a única base da solidariedade de classe e único fundamento para uma livre associação universal dos indivíduos (comunismo) que possa superar o capital, a mercadoria, o trabalho e o Estado.

É contra o trabalho que o proletariado, enquanto classe, age, isto é, por uma sociedade em que a atividade humana não assuma mais a forma de &quot;trabalho&quot;, mas sim auto-realização material e auto-produção dos desejos, pensamentos e paixões de indivíduos livremente associados, graças ao fim da propriedade privada dos meios de vida. Isso é o que os proletários de todo o mundo e de todos os tempos querem. A realização desse desejo material é impedida apenas pela má correlação de forças com a classe dominante, situação que os força a aceitar instituições mediadoras (sindicatos, partidos políticos, ongs...), reduzir a luta e &quot;conversar&quot; com a burguesia, para ao menos trabalhar o mínimo possível pelo máximo possível de meios de consumo (reformismo). Mas o menor acidente pode virar essa correlação de forças de uma vez por todas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Será que o proletariado está finalmente &#8220;integrado&#8221;? Duvido&#8230;</p>
<p>Segundo o discurso ideológico do capital e do Estado, não há classes, todos são &#8220;classe média&#8221;, ou seja, vendedores e compradores livres, iguais, concorrentes, &#8220;capitais humanos&#8221;, com mais ou menos &#8220;sucesso&#8221; ou &#8220;méritos recompensados&#8221;, e com interesses mais ou menos &#8220;corporativos&#8221;, &#8220;colaborativos&#8221;. Quanto menos resistência a classe dominante enfrenta, mais essa utopia burguesa parece &#8220;realidade&#8221;&#8230; Porém, qualquer patrão conhece perfeitamente a realidade de que, por si mesmos, ou seja, sem ameaças nem recompensas, os trabalhadores não trabalham, e satisfazem suas paixões tomando tudo de graça&#8230; isto é, os patrões tem perfeita consciência de que todos os proletários do mundo formam uma classe, a classe dos que querem, saibam ou não, o comunismo pleno, luxuriante e universal.</p>
<p>É certo que o proletariado é &#8220;ambíguo&#8221;. Mas isso não é para se lamentar. Sem ambiguidade não haveria contradição e toda mudança seria impossível.</p>
<p>Então, que uns trabalhadores ganhem 10 mil e outros 1 real, ou que uns tenham uma cultura (ou estilo de vida, ou raça ou gênero&#8230;) e outros tenham outra &#8220;oposta&#8221;, esse é o status quo que importa à classe dominante estabelecer e estimular, para que seus escravos se massacrem por &#8220;méritos&#8221; e se sujeitem por &#8220;livre e espontânea vontade&#8221;. Então, o que importa? Na minha opinião, não holismos, espiritualidades, caridades, militâncias, autosacrifícios, culturas e identidades, sutilezas que só servem para definir estereótipos e culpar bodes expiatórios, mas exatamente o oposto: o materialismo egoísta e prático de resistir a se sacrificar por prêmios e chicoteamentos oferecidos pelos poderosos&#8230; egoísmo &#8220;chão&#8221; que é a única base da solidariedade de classe e único fundamento para uma livre associação universal dos indivíduos (comunismo) que possa superar o capital, a mercadoria, o trabalho e o Estado.</p>
<p>É contra o trabalho que o proletariado, enquanto classe, age, isto é, por uma sociedade em que a atividade humana não assuma mais a forma de &#8220;trabalho&#8221;, mas sim auto-realização material e auto-produção dos desejos, pensamentos e paixões de indivíduos livremente associados, graças ao fim da propriedade privada dos meios de vida. Isso é o que os proletários de todo o mundo e de todos os tempos querem. A realização desse desejo material é impedida apenas pela má correlação de forças com a classe dominante, situação que os força a aceitar instituições mediadoras (sindicatos, partidos políticos, ongs&#8230;), reduzir a luta e &#8220;conversar&#8221; com a burguesia, para ao menos trabalhar o mínimo possível pelo máximo possível de meios de consumo (reformismo). Mas o menor acidente pode virar essa correlação de forças de uma vez por todas&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274677</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2015 14:46:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[acredito que existem limites para os aspectos econômicos de qualquer luta proletária de postura revolucionária.
Não obstante, segundo a tradição do pensamento materialista dialético, qualquer horizonte revolucionário só poderá ser forjado no seio de uma dada classe econômica e em sua auto-organização.
Sem uma mobilização que tenha fundo econômico capitalista, os grupos revolucionários são apenas abstrações. Abdicando-se da verve revolucionária, as mobilizações comumente se reduzem a um entrincheiramento no próprio capitalismo.
Mas se queremos apresentar nossa proposta sem sermos &quot;dirigistas&quot;, ainda assim o aspecto ideológico depende das lutas econômicas, pois são o solo mais fértil para a crítica do capitalismo.

sobre a reflexão dos petistas trazida por Pablo, gosto de pensar no contexto da Argentina em 2001: uma massa de desempregados dificilmente lutará pelo fim do trabalho, pois antes do que pensar sobre a nova sociedade, eles pensarão na comida dos filhos. E isso faz muito sentido quando pensamos que a abundância capitalista vem dos processos de divisão do trabalho e coletivização do trabalho. A união dos trabalhadores também é resultado de uma união física, compartilhamento de um espaço comum (ainda que seja a fábrica, mas também a escola, o centro de saúde, etc).
Por estimo que, embora por vezes se mostre como um labirinto com muitos becos sem saída, a luta econômica ainda é capaz de buscar novos caminhos coletivos; mas a didática de nossas posições críticas não suporta atalhos -- as massas de trabalhadores não amarão a abolição do trabalho enquanto isso para eles representar de forma mais próxima a fome do que a libertação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>acredito que existem limites para os aspectos econômicos de qualquer luta proletária de postura revolucionária.<br />
Não obstante, segundo a tradição do pensamento materialista dialético, qualquer horizonte revolucionário só poderá ser forjado no seio de uma dada classe econômica e em sua auto-organização.<br />
Sem uma mobilização que tenha fundo econômico capitalista, os grupos revolucionários são apenas abstrações. Abdicando-se da verve revolucionária, as mobilizações comumente se reduzem a um entrincheiramento no próprio capitalismo.<br />
Mas se queremos apresentar nossa proposta sem sermos &#8220;dirigistas&#8221;, ainda assim o aspecto ideológico depende das lutas econômicas, pois são o solo mais fértil para a crítica do capitalismo.</p>
<p>sobre a reflexão dos petistas trazida por Pablo, gosto de pensar no contexto da Argentina em 2001: uma massa de desempregados dificilmente lutará pelo fim do trabalho, pois antes do que pensar sobre a nova sociedade, eles pensarão na comida dos filhos. E isso faz muito sentido quando pensamos que a abundância capitalista vem dos processos de divisão do trabalho e coletivização do trabalho. A união dos trabalhadores também é resultado de uma união física, compartilhamento de um espaço comum (ainda que seja a fábrica, mas também a escola, o centro de saúde, etc).<br />
Por estimo que, embora por vezes se mostre como um labirinto com muitos becos sem saída, a luta econômica ainda é capaz de buscar novos caminhos coletivos; mas a didática de nossas posições críticas não suporta atalhos &#8212; as massas de trabalhadores não amarão a abolição do trabalho enquanto isso para eles representar de forma mais próxima a fome do que a libertação.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Padaqui		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274623</link>

		<dc:creator><![CDATA[Padaqui]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2015 03:26:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros Taiguara e Pablo,

Em relação aos 50% dos impostos dos EUA destinados aos Militares, esta informação consta quase no início do documentário “The History of Stuff – A história das Coisas” (https://www.youtube.com/watch?v=zlaiQwZ2Bto), e assim como em relação aos 94% destinado à manutenção das hierarquias, reitero minha afirmação que, embora em não saiba se estes valores são exatos ou verdadeiros, para mim eles fazem sentido, não na idêntica medida com que são afirmados, mas em termos que de alguma forma expressam a realidade das grandes desigualdades inerentes ao sistema capitalista. 

Neste sentido, entendo que grande parte do que a classe trabalhadora consume é sim para manter as hierarquias, afinal do berço à morte, somos “produzidos” para um mercado de trabalho como mercadorias ou “recursos humanos”. Assim, quando passamos mais de vinte anos na escola, passamos não para nos educarmos (educar, do latim educere, ex (fora) + ducere (conduzir, levar), ou seja &#039;conduzir para fora&#039; de nós nossas potencialidades), mas para nos formar (por na fôrma-  ser formatado) segundo a demanda do mercado de trabalho. Aliás, se analisarmos atenciosa e friamente o quanto gastamos de nossos salários para que nos mantenhamos trabalhando, veremos que quase nada nos resta para utilizarmos segundo a nossa LIVRE vontade, nem mesmo no que nos deveria ser mais sagrado, o ócio:

“De início os trabalhadores gozavam o seu lazer num quadro económico exterior ao capitalismo ou que, pelo menos, não era directamente capitalista. Nessa fase os bens e serviços consumidos nas horas de folga eram produzidos no âmbito doméstico ou em pequenas empresas de carácter familiar. Hoje, porém, nos países e regiões economicamente mais desenvolvidos a reconstituição da força de trabalho e a produção de novos trabalhadores passou a fazer-se inteiramente, ou quase inteiramente, dentro da esfera do capitalismo. Por um lado, recorre-se para isso ao serviço de empresas, tais como escolas, restaurantes de fast food, centros comerciais, casas de jogos e muitíssimas outras. Trata-se ainda de um dos aspectos da extensão da proletarização, porque serviços que antes eram executados por membros de profissões liberais ou pela criadagem encontram agora um equivalente nos serviços prestados por empresas cujos trabalhadores obedecem em tudo aos critérios da proletarização. O capitalismo apoderou-se das grandes oportunidades de mercado oferecidas pelos ócios”. (João Bernardo – disponível em https://comunism0.wordpress.com/desemprego-ou-crescimento-doproletariado/)

E esta apropriação do ócio, custeada pelos próprios trabalhadores, se realiza até mesmo nas atividades consideradas as mais simples e inocentes:

“ (…) E foi assim que os lazeres ficaram convertidos numa oportunidade de qualificação da força de trabalho. A tecnologia electrónica fornece o exemplo mais flagrante, pois sem a difusão súbita e maciça de variadíssimos jogos electrónicos teria sido impossível formar num tão curto período toda uma enorme quantidade de jovens aptos a laborar com a nova tecnologia.” (João Bernardo – idem)

Estes apontamentos parciais  mostram, do meu ponto de vista,  que nem a integração maior de nós trabalhadores ao mercado de consumo no sentido amplo (alimento, vestuário, moradia, cultura, saúde, educação, etc) nem as conquistas de melhores condições de trabalho nos aproximaram de nossa real emancipação, ou barrarram a expansão da proletarização, ou impediram o estágio superior e inevitável à proletarização, a precarização. Isso não significa que eu penso que os direitos e melhorias conquistadas à duras penas por nós trabalhadores seja algo sem importância. Ao contrário, são vitais. Mas, insisto, muito dos valores pelos quais lutamos não representam nem nossas necessidades reais nem nossos anseios verdadeiros, muito embora a ideologia dominante nos leve a crer o contrário. 

Minha preocupação maior é que em nossas demandas e através de nossas lutas não sejamos levados à reforçar ainda mais as amarras que nos prende ao sistema capitalista, como muito comumente o aparato institucionalizado (mas não só ele) nos leva a fazer:

“Foi a classe operária que, com as suas lutas contra a mesquinhez e estreiteza de espírito da capacidade capitalista, contribuiu para estabelecer as condições de um capitalismo normal. Sem parar, deve bater-se para preservar este precário equilíbrio. Os sindicatos são os instrumentos destas lutas, por isso preenchem uma função indispensável no capitalismo. Alguns patrões menos espertos não compreendem isto, mas os seus chefes políticos, mais avisados, sabem muito bem que os sindicatos são um elemento essencial ao capitalismo, e que, sem esta força reguladora que são os sindicatos operários, o poder capitalista não seria completo. Finalmente, se bem que produzidos pelas lutas dos operários e mantidos vivos pelos seus esforços e sacrifícios, os sindicatos tornaram-se órgãos da sociedade capitalista” (Anton Pannekoek - http://guy-debord.blogspot.com.br/2009/06/anton-pannekoek-o-sindicalismo.html)

Abraços a todos, Padaqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros Taiguara e Pablo,</p>
<p>Em relação aos 50% dos impostos dos EUA destinados aos Militares, esta informação consta quase no início do documentário “The History of Stuff – A história das Coisas” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=zlaiQwZ2Bto" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=zlaiQwZ2Bto</a>), e assim como em relação aos 94% destinado à manutenção das hierarquias, reitero minha afirmação que, embora em não saiba se estes valores são exatos ou verdadeiros, para mim eles fazem sentido, não na idêntica medida com que são afirmados, mas em termos que de alguma forma expressam a realidade das grandes desigualdades inerentes ao sistema capitalista. </p>
<p>Neste sentido, entendo que grande parte do que a classe trabalhadora consume é sim para manter as hierarquias, afinal do berço à morte, somos “produzidos” para um mercado de trabalho como mercadorias ou “recursos humanos”. Assim, quando passamos mais de vinte anos na escola, passamos não para nos educarmos (educar, do latim educere, ex (fora) + ducere (conduzir, levar), ou seja &#8216;conduzir para fora&#8217; de nós nossas potencialidades), mas para nos formar (por na fôrma-  ser formatado) segundo a demanda do mercado de trabalho. Aliás, se analisarmos atenciosa e friamente o quanto gastamos de nossos salários para que nos mantenhamos trabalhando, veremos que quase nada nos resta para utilizarmos segundo a nossa LIVRE vontade, nem mesmo no que nos deveria ser mais sagrado, o ócio:</p>
<p>“De início os trabalhadores gozavam o seu lazer num quadro económico exterior ao capitalismo ou que, pelo menos, não era directamente capitalista. Nessa fase os bens e serviços consumidos nas horas de folga eram produzidos no âmbito doméstico ou em pequenas empresas de carácter familiar. Hoje, porém, nos países e regiões economicamente mais desenvolvidos a reconstituição da força de trabalho e a produção de novos trabalhadores passou a fazer-se inteiramente, ou quase inteiramente, dentro da esfera do capitalismo. Por um lado, recorre-se para isso ao serviço de empresas, tais como escolas, restaurantes de fast food, centros comerciais, casas de jogos e muitíssimas outras. Trata-se ainda de um dos aspectos da extensão da proletarização, porque serviços que antes eram executados por membros de profissões liberais ou pela criadagem encontram agora um equivalente nos serviços prestados por empresas cujos trabalhadores obedecem em tudo aos critérios da proletarização. O capitalismo apoderou-se das grandes oportunidades de mercado oferecidas pelos ócios”. (João Bernardo – disponível em <a href="https://comunism0.wordpress.com/desemprego-ou-crescimento-doproletariado/" rel="nofollow ugc">https://comunism0.wordpress.com/desemprego-ou-crescimento-doproletariado/</a>)</p>
<p>E esta apropriação do ócio, custeada pelos próprios trabalhadores, se realiza até mesmo nas atividades consideradas as mais simples e inocentes:</p>
<p>“ (…) E foi assim que os lazeres ficaram convertidos numa oportunidade de qualificação da força de trabalho. A tecnologia electrónica fornece o exemplo mais flagrante, pois sem a difusão súbita e maciça de variadíssimos jogos electrónicos teria sido impossível formar num tão curto período toda uma enorme quantidade de jovens aptos a laborar com a nova tecnologia.” (João Bernardo – idem)</p>
<p>Estes apontamentos parciais  mostram, do meu ponto de vista,  que nem a integração maior de nós trabalhadores ao mercado de consumo no sentido amplo (alimento, vestuário, moradia, cultura, saúde, educação, etc) nem as conquistas de melhores condições de trabalho nos aproximaram de nossa real emancipação, ou barrarram a expansão da proletarização, ou impediram o estágio superior e inevitável à proletarização, a precarização. Isso não significa que eu penso que os direitos e melhorias conquistadas à duras penas por nós trabalhadores seja algo sem importância. Ao contrário, são vitais. Mas, insisto, muito dos valores pelos quais lutamos não representam nem nossas necessidades reais nem nossos anseios verdadeiros, muito embora a ideologia dominante nos leve a crer o contrário. </p>
<p>Minha preocupação maior é que em nossas demandas e através de nossas lutas não sejamos levados à reforçar ainda mais as amarras que nos prende ao sistema capitalista, como muito comumente o aparato institucionalizado (mas não só ele) nos leva a fazer:</p>
<p>“Foi a classe operária que, com as suas lutas contra a mesquinhez e estreiteza de espírito da capacidade capitalista, contribuiu para estabelecer as condições de um capitalismo normal. Sem parar, deve bater-se para preservar este precário equilíbrio. Os sindicatos são os instrumentos destas lutas, por isso preenchem uma função indispensável no capitalismo. Alguns patrões menos espertos não compreendem isto, mas os seus chefes políticos, mais avisados, sabem muito bem que os sindicatos são um elemento essencial ao capitalismo, e que, sem esta força reguladora que são os sindicatos operários, o poder capitalista não seria completo. Finalmente, se bem que produzidos pelas lutas dos operários e mantidos vivos pelos seus esforços e sacrifícios, os sindicatos tornaram-se órgãos da sociedade capitalista” (Anton Pannekoek &#8211; <a href="http://guy-debord.blogspot.com.br/2009/06/anton-pannekoek-o-sindicalismo.html" rel="nofollow ugc">http://guy-debord.blogspot.com.br/2009/06/anton-pannekoek-o-sindicalismo.html</a>)</p>
<p>Abraços a todos, Padaqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274612</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jan 2015 23:56:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Camarada Padaqui, 
esse dado de 94% destinado à manutenção das hierarquias é um completo absurdo, a não ser que se considere que quase tudo que a classe trabalhadora consome é a ela permitido consumir para manter as hierarquias. Além disso, o gasto militar dos USA está longe de representar 50% do Orçamento estatal (mesmo se pensarmos nos gastos secretos) e quanto aos reconhecidos corresponde a &quot;apenas&quot; 3,9% do PIB. Elaborei uma tabelinha sobre o tema, se interessar a alguém: 

https://www.dropbox.com/s/xpbly98xahch2iy/Tabela%20dos%20gastos%20militares%20-%20pablo.docx?dl=0

No mais, reitero as perguntas do Taiguara. Inclusive, tendo a pensar o inverso da sua colocação &quot;Uma cangalha mais confortável tende a que produzamos mais e em melhores condições, ao mesmo tempo que ratifica nossa condição de mula…&quot;: a meu ver o aumento do nível de consumo, decorrente do aumento de produtividade e das concessões necessariamente feitas pelo capital via mecanismos de mais-valia relativa leva os trabalhadores a ampliarem cada vez mais suas demandas de consumo (sempre integrando o que ontem era luxo ao que hoje será &quot;básico&quot;), inclusive do ponto de vista cultural. Não dá pra dizer uma lei geral disso, até porque se fosse tão simples teríamos no Welfare State lutas cada vez mais radicais, o que não ocorreu, mas penso que de modo algum a gente pode interpretar isso como um processo em que os trabalhadores ratificam sua condição de mula. Alguns intérpretes de Junho, geralmente de base petista, ficaram abismados justamente com isso, e formularam a questão do seguinte modo: como um país que teoricamente estava em processo de melhoria permanente de sua estrutura social, redução de desigualdades, etc., acaba dando lugar a protestos e uma insatisfação popular tão grande?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Camarada Padaqui,<br />
esse dado de 94% destinado à manutenção das hierarquias é um completo absurdo, a não ser que se considere que quase tudo que a classe trabalhadora consome é a ela permitido consumir para manter as hierarquias. Além disso, o gasto militar dos USA está longe de representar 50% do Orçamento estatal (mesmo se pensarmos nos gastos secretos) e quanto aos reconhecidos corresponde a &#8220;apenas&#8221; 3,9% do PIB. Elaborei uma tabelinha sobre o tema, se interessar a alguém: </p>
<p><a href="https://www.dropbox.com/s/xpbly98xahch2iy/Tabela%20dos%20gastos%20militares%20-%20pablo.docx?dl=0" rel="nofollow ugc">https://www.dropbox.com/s/xpbly98xahch2iy/Tabela%20dos%20gastos%20militares%20-%20pablo.docx?dl=0</a></p>
<p>No mais, reitero as perguntas do Taiguara. Inclusive, tendo a pensar o inverso da sua colocação &#8220;Uma cangalha mais confortável tende a que produzamos mais e em melhores condições, ao mesmo tempo que ratifica nossa condição de mula…&#8221;: a meu ver o aumento do nível de consumo, decorrente do aumento de produtividade e das concessões necessariamente feitas pelo capital via mecanismos de mais-valia relativa leva os trabalhadores a ampliarem cada vez mais suas demandas de consumo (sempre integrando o que ontem era luxo ao que hoje será &#8220;básico&#8221;), inclusive do ponto de vista cultural. Não dá pra dizer uma lei geral disso, até porque se fosse tão simples teríamos no Welfare State lutas cada vez mais radicais, o que não ocorreu, mas penso que de modo algum a gente pode interpretar isso como um processo em que os trabalhadores ratificam sua condição de mula. Alguns intérpretes de Junho, geralmente de base petista, ficaram abismados justamente com isso, e formularam a questão do seguinte modo: como um país que teoricamente estava em processo de melhoria permanente de sua estrutura social, redução de desigualdades, etc., acaba dando lugar a protestos e uma insatisfação popular tão grande?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Taiguara		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274604</link>

		<dc:creator><![CDATA[Taiguara]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jan 2015 23:18:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=101569#comment-274604</guid>

					<description><![CDATA[Mas Padaqui,

Você fala de avanços tecnológicos, de alta capacidade criativa, como pressupostos e indícios históricos da possibilidade do socialismo da abundância. Teríamos chegado a essa compreensão sem as lutas reivindicatórias?

E inversamente, você acredita que a melhoria das condições de trabalho seja um fator inibidor dos impulsos revolucionários?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas Padaqui,</p>
<p>Você fala de avanços tecnológicos, de alta capacidade criativa, como pressupostos e indícios históricos da possibilidade do socialismo da abundância. Teríamos chegado a essa compreensão sem as lutas reivindicatórias?</p>
<p>E inversamente, você acredita que a melhoria das condições de trabalho seja um fator inibidor dos impulsos revolucionários?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: André		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274580</link>

		<dc:creator><![CDATA[André]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jan 2015 21:14:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=101569#comment-274580</guid>

					<description><![CDATA[A moral capitalista que unia e dava sentido último ao trabalho nas empresas americanas em que trabalhei por mais de 20 anos assemelha-se muito à descrição da moral socialista de Gorz: o amor à despersonalização, o sacrifício de si.
Só conseguia obter resultados – ou, em outras palavras, trabalhar bem – a equipe cujos membros soubessem transcender a sua subjetividade (e as neuroses decorrentes de subjetividades infladas) em prol das metas objetivas que lhes impunha a alta gerência, tendo por pano de fundo, as metas da empresa.
Creio que é deste lugar de validação moral que os capitalistas (e refiro-me aos operários que creem no capitalismo, que sustentam o capitalismo, que rejeitam o socialismo, que votam pela manutenção do capitalismo, que se recusam a falar em revolução, que rejeitam a condição de explorados, enfim, aos meus colegas de empresas americanas de ponta) retiram a força e a coesão, assim como provavelmente é dessa validação moral que os socialistas retiravam a sua.
O individualismo, quando entendido como egoísmo, também não tem vez numa empresa capitalista de ponta.
Talvez seja por isso que tentativas de demonização moral do capitalismo e dos capitalistas surtem tão pouco efeito nas massas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A moral capitalista que unia e dava sentido último ao trabalho nas empresas americanas em que trabalhei por mais de 20 anos assemelha-se muito à descrição da moral socialista de Gorz: o amor à despersonalização, o sacrifício de si.<br />
Só conseguia obter resultados – ou, em outras palavras, trabalhar bem – a equipe cujos membros soubessem transcender a sua subjetividade (e as neuroses decorrentes de subjetividades infladas) em prol das metas objetivas que lhes impunha a alta gerência, tendo por pano de fundo, as metas da empresa.<br />
Creio que é deste lugar de validação moral que os capitalistas (e refiro-me aos operários que creem no capitalismo, que sustentam o capitalismo, que rejeitam o socialismo, que votam pela manutenção do capitalismo, que se recusam a falar em revolução, que rejeitam a condição de explorados, enfim, aos meus colegas de empresas americanas de ponta) retiram a força e a coesão, assim como provavelmente é dessa validação moral que os socialistas retiravam a sua.<br />
O individualismo, quando entendido como egoísmo, também não tem vez numa empresa capitalista de ponta.<br />
Talvez seja por isso que tentativas de demonização moral do capitalismo e dos capitalistas surtem tão pouco efeito nas massas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Padaqui		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/101569/#comment-274433</link>

		<dc:creator><![CDATA[Padaqui]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jan 2015 16:19:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=101569#comment-274433</guid>

					<description><![CDATA[Caro Leo Vinicius,

também acompanho seus comentários e também os considero muito pertinentes. Do ponto de vista pragmático, você tem razão: as lutas dos trabalhadores sempre visaram atenuar as nefastas condições impostas pelo capitalismo. É justamente aí que reside uma das várias contradições das lutas dos trabalhadores. À medida que vão conquistando melhorias em suas condições de vida, o fazem mediante à lógica do sistema capitalista, e não sob a lógica da sua classe.  Conforme vão adquirindo bens e propriedades, sua tendência é se distanciar de seus pares, perpetuando a alienação e criando um estranhamento não só no âmbito do local de trabalho, mas fora dele também. Por exemplo, um trabalhador que às duras penas consegue adquirir a casa própria, estará numa situação material melhor, mas muito provavelmente verá com outros olhos aqueles que não têm casas. Seu olhar agora será de um detentor de propriedade privada, e, possivelmente, conservará e defenderá sua propriedade do mesmo modo que a defende o capitalista...

Não sei se consigo me expressar adequadamente, mas minha crítica se situa na direção em que as forças e energias dos trabalhadores são empregadas, por isso foi muito pertinente a indicação de leitura do Ulisses: “Portanto, o que se chama de &quot;trabalho socialmente útil&quot; é toda a atividade que mantém a sociedade capitalista e reforça suas estruturas hierárquicas” (O QUE É TRABALHO SOCIALMENTE ÚTIL? http://www.oocities.org/autonomiabvr/trabutil.html). E um importantíssimo dado do mesmo texto:  “noventa e quatro por cento de tudo o que a humanidade produz são usados para manter e perpetuar hierarquias” (ibidem). Não sei se a informação é exata ou verdadeira, mas faz todo o sentido, pois se mais de 1/4 de todos os recursos do planeta são utilizados somente pelos EUA (que usa metade dos impostos arrecadados com gastos militares); se 10% da população mundial detém 90% da riqueza mundial e os outros 90% dividem os 10% restantes da riqueza, então a realidade não deve estar muito longe deste dado. Assim, grosso modo, o trabalho se reduziria drasticamente à medida que os trabalhadores não mais canalizassem tanta força para produzir, reproduzir e ampliar o sistema capitalista. Uma cangalha mais confortável tende a que produzamos mais e em melhores condições, ao mesmo tempo que ratifica nossa condição de mula...

Se eu não estiver enganado, a práxis e a teoria devem caminhar juntas. Muito embora a realidade e a correlação de forças atuais não nos seja favorável, especialmente nessa fase tão “espetacular”, conforme Guy Debord denunciara há quase 50 anos, cabe a nós trabalhadores insistirmos não no socialismo da miséria, mas no socialismo da abundância, mas não da abundância dos moldes capitalistas ou tão somente dos moldes capitalistas: que abunde nossa emancipação e nosso poder criativo e criador! Já produzimos riquezas demais (as constantes crises do capital estão aí para confirmar esta realidade), mas reivindicamos o direito à preguiça de menos. Não basta só distribuir mais ou melhor a riqueza que produzimos. Não faz sentido que, com tantos avanços científicos e tecnológicos, ainda trabalhemos tanto, e, pior, lutemos para continuar trabalhando. Na verdade o trabalho só faz sentido dentro deste sistema capitalista que aliena o trabalhador e cria o estranhamento entre si, ou seja, a tal luta de todos contra todos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Leo Vinicius,</p>
<p>também acompanho seus comentários e também os considero muito pertinentes. Do ponto de vista pragmático, você tem razão: as lutas dos trabalhadores sempre visaram atenuar as nefastas condições impostas pelo capitalismo. É justamente aí que reside uma das várias contradições das lutas dos trabalhadores. À medida que vão conquistando melhorias em suas condições de vida, o fazem mediante à lógica do sistema capitalista, e não sob a lógica da sua classe.  Conforme vão adquirindo bens e propriedades, sua tendência é se distanciar de seus pares, perpetuando a alienação e criando um estranhamento não só no âmbito do local de trabalho, mas fora dele também. Por exemplo, um trabalhador que às duras penas consegue adquirir a casa própria, estará numa situação material melhor, mas muito provavelmente verá com outros olhos aqueles que não têm casas. Seu olhar agora será de um detentor de propriedade privada, e, possivelmente, conservará e defenderá sua propriedade do mesmo modo que a defende o capitalista&#8230;</p>
<p>Não sei se consigo me expressar adequadamente, mas minha crítica se situa na direção em que as forças e energias dos trabalhadores são empregadas, por isso foi muito pertinente a indicação de leitura do Ulisses: “Portanto, o que se chama de &#8220;trabalho socialmente útil&#8221; é toda a atividade que mantém a sociedade capitalista e reforça suas estruturas hierárquicas” (O QUE É TRABALHO SOCIALMENTE ÚTIL? <a href="http://www.oocities.org/autonomiabvr/trabutil.html" rel="nofollow ugc">http://www.oocities.org/autonomiabvr/trabutil.html</a>). E um importantíssimo dado do mesmo texto:  “noventa e quatro por cento de tudo o que a humanidade produz são usados para manter e perpetuar hierarquias” (ibidem). Não sei se a informação é exata ou verdadeira, mas faz todo o sentido, pois se mais de 1/4 de todos os recursos do planeta são utilizados somente pelos EUA (que usa metade dos impostos arrecadados com gastos militares); se 10% da população mundial detém 90% da riqueza mundial e os outros 90% dividem os 10% restantes da riqueza, então a realidade não deve estar muito longe deste dado. Assim, grosso modo, o trabalho se reduziria drasticamente à medida que os trabalhadores não mais canalizassem tanta força para produzir, reproduzir e ampliar o sistema capitalista. Uma cangalha mais confortável tende a que produzamos mais e em melhores condições, ao mesmo tempo que ratifica nossa condição de mula&#8230;</p>
<p>Se eu não estiver enganado, a práxis e a teoria devem caminhar juntas. Muito embora a realidade e a correlação de forças atuais não nos seja favorável, especialmente nessa fase tão “espetacular”, conforme Guy Debord denunciara há quase 50 anos, cabe a nós trabalhadores insistirmos não no socialismo da miséria, mas no socialismo da abundância, mas não da abundância dos moldes capitalistas ou tão somente dos moldes capitalistas: que abunde nossa emancipação e nosso poder criativo e criador! Já produzimos riquezas demais (as constantes crises do capital estão aí para confirmar esta realidade), mas reivindicamos o direito à preguiça de menos. Não basta só distribuir mais ou melhor a riqueza que produzimos. Não faz sentido que, com tantos avanços científicos e tecnológicos, ainda trabalhemos tanto, e, pior, lutemos para continuar trabalhando. Na verdade o trabalho só faz sentido dentro deste sistema capitalista que aliena o trabalhador e cria o estranhamento entre si, ou seja, a tal luta de todos contra todos&#8230;</p>
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