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	Comentários sobre: Biologia e esquerda: entre privilégios e opressões	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-278211</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2015 05:01:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-277523&quot;&gt;Um Militante&lt;/a&gt;.

Àquelas e àqueles que defendem que as mulheres necessitam de espaços exclusivos para que tenha lugar o “empoderamento” feminino, recomendo a leitura deste trecho da segunda parte do livro &lt;em&gt;O Segundo Sexo&lt;/em&gt;, de Simone de Beauvoir (disponível aqui: http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Beauvoir,%20Simone%20de/O%20Segundo%20Sexo%20-%20II.pdf):

&lt;em&gt;[...] a passividade que caracterizará essencialmente a mulher “feminina” é um traço que se desenvolve nela desde os primeiros anos. Mas é um erro pretender que se trata de um dado biológico: na verdade, é um destino que lhe é imposto por seus educadores e pela sociedade. A imensa possibilidade do menino está em que sua maneira de existir para outrem encoraja-o a pôr-se para si. Ele faz o aprendizado de sua existência como livre movimento para o mundo; rivaliza-se em rudeza e em independência com os outros meninos, despreza as meninas. Subindo nas árvores, brigando com colegas, enfrentando-os em jogos violentos, ele apreende seu corpo com um meio de dominar a natureza e um instrumento de luta; orgulha-se de seus músculos como de seu sexo; através de jogos, esportes, lutas, desafios, provas, encontra um emprego equilibrado para suas forças; ao mesmo tempo conhece as lições severas da violência; aprende a receber pancada, a desdenhar a dor, a recusar as lágrimas da primeira infância. Empreende, inventa, ousa. Sem dúvida, experimenta-se também como “para outrem”, põe em questão sua virilidade, do que decorrem, em relação aos adultos e a outros colegas, muitos problemas. Porém, o mais importante é que não há oposição fundamental entre a preocupação dessa figura objetiva, que é sua, e sua vontade de se afirmar em projetos concretos. É fazendo que ele se faz ser, num só movimento. Ao contrário, na mulher há, no início, um conflito entre sua existência autônoma e seu “ser-outro”; ensinam-lhe que para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto; ela deve, portanto, renunciar à sua autonomia. Tratam-na como uma boneca viva e recusam-lhe a liberdade; fecha-se assim um círculo vicioso, pois quanto menos exercer sua liberdade para compreender, apreender e descobrir o mundo que a cerca, menos encontrará nele recursos, menos ousará afirmar-se como sujeito; se a encorajassem a isso, ela poderia manifestar a mesma exuberância viva, a mesma curiosidade, o mesmo espírito de iniciativa, a mesma ousadia que um menino. É o que acontece, por vezes, quando lhe dão uma formação viril; muitos problemas então lhe são poupados. É interessante observar que é um gênero de educação que o pai de bom grado dá à filha; as mulheres educadas por um homem escapam, em grande parte, às taras, da feminilidade. Mas os costumes opõem-se a que as meninas sejam tratadas exatamente como meninos. [...] A não ser que levem uma vida muito solitária, mesmo quando os pais autorizam maneiras masculinas, os que cercam a menina, suas amigas, seus professores sentem-se chocados. Haverá sempre tias, avós, primas para contrabalançar a influência do pai. Normalmente, o papel deste em relação às filhas é secundário. Uma das maldições que pesam sobre a mulher — Michelet assinalou-a justamente — está em que, em sua infância, ela é abandonada às mãos das mulheres. O menino também é, a princípio, educado pela mãe; mas ela respeita a virilidade dele e ele lhe escapa desde logo; ao passo que ela almeja integrar a filha no mundo feminino. Ver-se-á adiante quanto são complexas as relações entre mãe e filha; a filha é para a mãe ao mesmo tempo um duplo e uma outra, ao mesmo tempo a mãe adora-a imperiosamente e lhe é hostil; impõe à criança seu próprio destino: é uma maneira de reivindicar orgulhosamente sua própria feminilidade e também uma maneira de se vingar desta. [...] as mulheres, quando se lhes confia uma menina, buscam, com um zelo em que a arrogância se mistura ao rancor, transformá-la em uma mulher semelhante a si próprias. E até uma mãe generosa que deseja sinceramente o bem da criança pensará em geral que é mais prudente fazer dela uma “mulher de verdade”, porquanto assim é que a sociedade a acolherá mais facilmente. Dão-lhe por amigas outras meninas, entregam-na a professoras, ela vive entre matronas como no tempo do gineceu, escolhem para ela livros e jogos que a iniciem em seu destino, insuflam-lhe tesouros de sabedoria feminina, propõem-lhe virtudes femininas, ensinam-lhe a cozinhar, a costurar, a cuidar da casa ao mesmo tempo que da toilette, da arte de seduzir, do pudor; vestem-na com roupas incômodas e preciosas de que precisa tratar, penteiam-na de maneira complicada, impõem-lhe regras de comportamento: “Endireita o corpo, não andes como uma pata”. Para ser graciosa, ela deverá reprimir seus movimentos espontâneos; pedem-lhe que não tome atitudes de menino, proíbem-lhe exercícios violentos, brigas: em suma, incitam-na a tornar-se, como as mais velhas, uma serva e um ídolo. Hoje, graças às conquistas do feminismo, torna-se dia a dia mais normal encorajá-la a estudar, a praticar esporte; mas perdoam-lhe mais do que ao menino o fato de malograr; tornam-lhe mais difícil o êxito, exigindo dela outro tipo de realização: querem, pelo menos, que ela seja também uma mulher, que não perca sua feminilidade (p. 21-23).&lt;/em&gt;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-277523">Um Militante</a>.</p>
<p>Àquelas e àqueles que defendem que as mulheres necessitam de espaços exclusivos para que tenha lugar o “empoderamento” feminino, recomendo a leitura deste trecho da segunda parte do livro <em>O Segundo Sexo</em>, de Simone de Beauvoir (disponível aqui: <a href="http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Beauvoir,%20Simone%20de/O%20Segundo%20Sexo%20-%20II.pdf" rel="nofollow ugc">http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Beauvoir,%20Simone%20de/O%20Segundo%20Sexo%20-%20II.pdf</a>):</p>
<p><em>[&#8230;] a passividade que caracterizará essencialmente a mulher “feminina” é um traço que se desenvolve nela desde os primeiros anos. Mas é um erro pretender que se trata de um dado biológico: na verdade, é um destino que lhe é imposto por seus educadores e pela sociedade. A imensa possibilidade do menino está em que sua maneira de existir para outrem encoraja-o a pôr-se para si. Ele faz o aprendizado de sua existência como livre movimento para o mundo; rivaliza-se em rudeza e em independência com os outros meninos, despreza as meninas. Subindo nas árvores, brigando com colegas, enfrentando-os em jogos violentos, ele apreende seu corpo com um meio de dominar a natureza e um instrumento de luta; orgulha-se de seus músculos como de seu sexo; através de jogos, esportes, lutas, desafios, provas, encontra um emprego equilibrado para suas forças; ao mesmo tempo conhece as lições severas da violência; aprende a receber pancada, a desdenhar a dor, a recusar as lágrimas da primeira infância. Empreende, inventa, ousa. Sem dúvida, experimenta-se também como “para outrem”, põe em questão sua virilidade, do que decorrem, em relação aos adultos e a outros colegas, muitos problemas. Porém, o mais importante é que não há oposição fundamental entre a preocupação dessa figura objetiva, que é sua, e sua vontade de se afirmar em projetos concretos. É fazendo que ele se faz ser, num só movimento. Ao contrário, na mulher há, no início, um conflito entre sua existência autônoma e seu “ser-outro”; ensinam-lhe que para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto; ela deve, portanto, renunciar à sua autonomia. Tratam-na como uma boneca viva e recusam-lhe a liberdade; fecha-se assim um círculo vicioso, pois quanto menos exercer sua liberdade para compreender, apreender e descobrir o mundo que a cerca, menos encontrará nele recursos, menos ousará afirmar-se como sujeito; se a encorajassem a isso, ela poderia manifestar a mesma exuberância viva, a mesma curiosidade, o mesmo espírito de iniciativa, a mesma ousadia que um menino. É o que acontece, por vezes, quando lhe dão uma formação viril; muitos problemas então lhe são poupados. É interessante observar que é um gênero de educação que o pai de bom grado dá à filha; as mulheres educadas por um homem escapam, em grande parte, às taras, da feminilidade. Mas os costumes opõem-se a que as meninas sejam tratadas exatamente como meninos. [&#8230;] A não ser que levem uma vida muito solitária, mesmo quando os pais autorizam maneiras masculinas, os que cercam a menina, suas amigas, seus professores sentem-se chocados. Haverá sempre tias, avós, primas para contrabalançar a influência do pai. Normalmente, o papel deste em relação às filhas é secundário. Uma das maldições que pesam sobre a mulher — Michelet assinalou-a justamente — está em que, em sua infância, ela é abandonada às mãos das mulheres. O menino também é, a princípio, educado pela mãe; mas ela respeita a virilidade dele e ele lhe escapa desde logo; ao passo que ela almeja integrar a filha no mundo feminino. Ver-se-á adiante quanto são complexas as relações entre mãe e filha; a filha é para a mãe ao mesmo tempo um duplo e uma outra, ao mesmo tempo a mãe adora-a imperiosamente e lhe é hostil; impõe à criança seu próprio destino: é uma maneira de reivindicar orgulhosamente sua própria feminilidade e também uma maneira de se vingar desta. [&#8230;] as mulheres, quando se lhes confia uma menina, buscam, com um zelo em que a arrogância se mistura ao rancor, transformá-la em uma mulher semelhante a si próprias. E até uma mãe generosa que deseja sinceramente o bem da criança pensará em geral que é mais prudente fazer dela uma “mulher de verdade”, porquanto assim é que a sociedade a acolherá mais facilmente. Dão-lhe por amigas outras meninas, entregam-na a professoras, ela vive entre matronas como no tempo do gineceu, escolhem para ela livros e jogos que a iniciem em seu destino, insuflam-lhe tesouros de sabedoria feminina, propõem-lhe virtudes femininas, ensinam-lhe a cozinhar, a costurar, a cuidar da casa ao mesmo tempo que da toilette, da arte de seduzir, do pudor; vestem-na com roupas incômodas e preciosas de que precisa tratar, penteiam-na de maneira complicada, impõem-lhe regras de comportamento: “Endireita o corpo, não andes como uma pata”. Para ser graciosa, ela deverá reprimir seus movimentos espontâneos; pedem-lhe que não tome atitudes de menino, proíbem-lhe exercícios violentos, brigas: em suma, incitam-na a tornar-se, como as mais velhas, uma serva e um ídolo. Hoje, graças às conquistas do feminismo, torna-se dia a dia mais normal encorajá-la a estudar, a praticar esporte; mas perdoam-lhe mais do que ao menino o fato de malograr; tornam-lhe mais difícil o êxito, exigindo dela outro tipo de realização: querem, pelo menos, que ela seja também uma mulher, que não perca sua feminilidade (p. 21-23).</em></p>
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		<title>
		Por: Um Militante		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-277523</link>

		<dc:creator><![CDATA[Um Militante]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2015 12:53:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Luiz,

Para uma primeira aproximação com o tema, posso recomendar-lhe este texto introdutório escrito por Boaventura de Sousa Santos e João Arriscado Nunes: http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/pdfs/IntrodMultiPort.pdf

Outros textos podem ser encontrados facilmente em várias línguas na internet. Como o multiculturalismo é atualmente hegemônico em graduações e pós-graduações, o acesso a textos de autores multiculturalistas não esbarra em dificuldades. Sem contar nos textos sobre o multiculturalismo, não necessariamente de autores multiculturalistas. Além do mais, os próprios multiculturalistas não deixam de disponibilizar suas próprias obras ou suas referências bibliográficas na internet - numa espécie de ativismo virtual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Luiz,</p>
<p>Para uma primeira aproximação com o tema, posso recomendar-lhe este texto introdutório escrito por Boaventura de Sousa Santos e João Arriscado Nunes: <a href="http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/pdfs/IntrodMultiPort.pdf" rel="nofollow ugc">http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/pdfs/IntrodMultiPort.pdf</a></p>
<p>Outros textos podem ser encontrados facilmente em várias línguas na internet. Como o multiculturalismo é atualmente hegemônico em graduações e pós-graduações, o acesso a textos de autores multiculturalistas não esbarra em dificuldades. Sem contar nos textos sobre o multiculturalismo, não necessariamente de autores multiculturalistas. Além do mais, os próprios multiculturalistas não deixam de disponibilizar suas próprias obras ou suas referências bibliográficas na internet &#8211; numa espécie de ativismo virtual.</p>
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		<title>
		Por: Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-277429</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2015 23:38:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já li vários artigos no passapalavra que tem uma forte crítica ao multiculturalismo, mas não conheço nenhum artigo fazendo uma apresentação mais aprofundada do que seria o tal multiculturalismo. Alguém pode, por favor, me indicar algum texto que cumpra este papel?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já li vários artigos no passapalavra que tem uma forte crítica ao multiculturalismo, mas não conheço nenhum artigo fazendo uma apresentação mais aprofundada do que seria o tal multiculturalismo. Alguém pode, por favor, me indicar algum texto que cumpra este papel?</p>
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		<title>
		Por: Bruno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-276876</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2015 20:48:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Então, o que tava definindo por especifico é aquilo que não atinge a todos, por tanto especifico de um setor, e não falava nem de tentar acabar com esse tipo de opressão dentro da esquerda mas voltado pra sociedade como um todo, até porque a expressões mais violentas dessas opressões geralmente não estão dentro da esquerda (ainda que haja exceções).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então, o que tava definindo por especifico é aquilo que não atinge a todos, por tanto especifico de um setor, e não falava nem de tentar acabar com esse tipo de opressão dentro da esquerda mas voltado pra sociedade como um todo, até porque a expressões mais violentas dessas opressões geralmente não estão dentro da esquerda (ainda que haja exceções).</p>
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		<title>
		Por: Um Militante		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-276837</link>

		<dc:creator><![CDATA[Um Militante]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2015 14:15:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Bruno,

Já que tocamos no assunto da atual conjuntura de lutas envolvendo o transporte coletivo, se pararmos para pensar, a luta pela tarifa zero, por exemplo, é uma luta &quot;específica&quot;, mas trata-se de uma luta &quot;específica&quot; capaz de unificar os trabalhadores em geral. É, portanto, uma luta com potencial para se massificar. Creio que, se em cada movimento houver um empenho em abolir desigualdades de raça, gênero etc., bem como de combater formas violentas de racismo, machismo etc., esses movimentos podem influenciar a classe trabalhadora em geral, contanto que se massifiquem: colocando a classe trabalhadora em luta contra os capitalistas e não contra si mesma, tais movimentos são capazes de influenciar os trabalhadores em geral, levando-os à reprodução de práticas igualitárias contrárias ao racismo, ao machismo, à homofobia etc. e à violência contra a mulher, contra pessoas negras, contra os homossexuais e assim por diante. Um movimento desse tipo é capaz de se tornar uma instituição difusora de práticas contrárias a tais desigualdades e violências. Mas, para que haja essa difusão, é preciso haver um empenho em massificar a luta, mais do que em prender o movimento a polêmicas e lutas fratricidas internas, que contribuem para a sua divisão ou desagregação e que servem para romper laços de confiança e solidariedade entre camaradas. Não digo que a luta contra tais formas de opressão por movimentos especificamente voltados para isso não seja válida, nem que não dê certos resultados positivos, mas me parece que a luta anticapitalista, que sempre parte de demandas &quot;específicas&quot; (luta pela terra, pela moradia, pela tarifa zero, movimentos grevistas etc.), se travada ao mesmo tempo em que tais desigualdades e violências são combatidas no interior dos próprios movimentos (por homens e mulheres, brancos e negros, homossexuais e heterossexuais etc.), tem um potencial muito maior para o combate das desigualdades e violências que acontecem fora dos movimentos. E aí é claro que as urgências devem ser tratadas, tanto da parte dos movimentos voltados especificamente para as opressões de gênero, raça etc. quanto da parte dos demais movimentos. Mas como tratá-las? O artigo critica algumas soluções apresentadas pela esquerda pós-moderna. Será preciso refletir sobre isso e encontrar alternativas, pensadas por homens e mulheres, brancos e negros, homossexuais e heterossexuais etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Bruno,</p>
<p>Já que tocamos no assunto da atual conjuntura de lutas envolvendo o transporte coletivo, se pararmos para pensar, a luta pela tarifa zero, por exemplo, é uma luta &#8220;específica&#8221;, mas trata-se de uma luta &#8220;específica&#8221; capaz de unificar os trabalhadores em geral. É, portanto, uma luta com potencial para se massificar. Creio que, se em cada movimento houver um empenho em abolir desigualdades de raça, gênero etc., bem como de combater formas violentas de racismo, machismo etc., esses movimentos podem influenciar a classe trabalhadora em geral, contanto que se massifiquem: colocando a classe trabalhadora em luta contra os capitalistas e não contra si mesma, tais movimentos são capazes de influenciar os trabalhadores em geral, levando-os à reprodução de práticas igualitárias contrárias ao racismo, ao machismo, à homofobia etc. e à violência contra a mulher, contra pessoas negras, contra os homossexuais e assim por diante. Um movimento desse tipo é capaz de se tornar uma instituição difusora de práticas contrárias a tais desigualdades e violências. Mas, para que haja essa difusão, é preciso haver um empenho em massificar a luta, mais do que em prender o movimento a polêmicas e lutas fratricidas internas, que contribuem para a sua divisão ou desagregação e que servem para romper laços de confiança e solidariedade entre camaradas. Não digo que a luta contra tais formas de opressão por movimentos especificamente voltados para isso não seja válida, nem que não dê certos resultados positivos, mas me parece que a luta anticapitalista, que sempre parte de demandas &#8220;específicas&#8221; (luta pela terra, pela moradia, pela tarifa zero, movimentos grevistas etc.), se travada ao mesmo tempo em que tais desigualdades e violências são combatidas no interior dos próprios movimentos (por homens e mulheres, brancos e negros, homossexuais e heterossexuais etc.), tem um potencial muito maior para o combate das desigualdades e violências que acontecem fora dos movimentos. E aí é claro que as urgências devem ser tratadas, tanto da parte dos movimentos voltados especificamente para as opressões de gênero, raça etc. quanto da parte dos demais movimentos. Mas como tratá-las? O artigo critica algumas soluções apresentadas pela esquerda pós-moderna. Será preciso refletir sobre isso e encontrar alternativas, pensadas por homens e mulheres, brancos e negros, homossexuais e heterossexuais etc.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bruno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-276786</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2015 04:18:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Entendo e concordo compa, porém uma das argumentações que eu acredito valida é que também existem questões &quot;especificas&quot; que são urgentes principalmente quando se trata das formas mais violentas de racismo (e etc), e sim acredito que elas devem apontar para que não haja uma divisão entre pautas universais, mas essa não é a realidade atual, sabemos que nem toda força que pode ser mobilizada hoje pela questão do passe por exemplo pode ser mobilizada automaticamente para essas outras questões, no mais estou de acordo não vejo como uma questão de etapas a serem queimadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entendo e concordo compa, porém uma das argumentações que eu acredito valida é que também existem questões &#8220;especificas&#8221; que são urgentes principalmente quando se trata das formas mais violentas de racismo (e etc), e sim acredito que elas devem apontar para que não haja uma divisão entre pautas universais, mas essa não é a realidade atual, sabemos que nem toda força que pode ser mobilizada hoje pela questão do passe por exemplo pode ser mobilizada automaticamente para essas outras questões, no mais estou de acordo não vejo como uma questão de etapas a serem queimadas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Um Militante		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-276776</link>

		<dc:creator><![CDATA[Um Militante]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2015 01:09:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bruno,

Existem pautas que são do interesses de todos os trabalhadores, sejam eles homens ou mulheres, pessoas brancas ou negras, homossexuais ou heterossexuais, e que são, portanto, &quot;universais&quot;. Estamos diante de um novo ciclo de lutas envolvendo o transporte coletivo em várias cidades do Brasil, como vem noticiando este site. Esse é um exemplo de pauta que interessa aos trabalhadores em geral. O problema da esquerda pós-moderna é que ela tende a simplesmente negar a possibilidade de homens e mulheres, pessoas brancas e negras, homossexuais e heterossexuais, lutarem por pautas universais como essa, ao mesmo tempo em que estabelecem relações igualitárias no interior dos movimentos. E, por causa disso, ela tende a se engajar numa cruzada contra os indivíduos ditos &quot;privilegiados&quot; e em favor do &quot;protagonismo&quot; e do &quot;empoderamento&quot; dos indivíduos ditos &quot;desprivilegiados&quot;, em detrimento da luta contra os capitalistas em organizações caracterizadas pela igualdade entre todos os militantes. Para mim, boa parte da esquerda percebeu corretamente que certas demandas estavam sendo ignoradas, que certas desigualdades não estavam sendo devidamente desafiadas. Mas a esquerda pós-moderna, quando considera lutar contra o capitalismo, afirma que, para tratar da luta contra o capitalismo, é preciso primeiro tratar das questões de gênero, das questões de raça etc. A coisa foi invertida, criando-se ainda uma dicotomia que não deveria existir, pois, se antes era preciso primeiro derrubar o capitalismo para só depois tratar dessas questões, agora é preciso primeiro abolir o racismo e o patriarcado, por exemplo, para só então tratar da luta contra o capitalismo. Os multiculturalistas podem até negar que seja dessa forma, mas na prática é o que se verifica. Os movimentos que lutam por pautas &quot;específicas&quot; podem encontrar, a meu ver, um ponto de convergência com aqueles que lutam por pautas &quot;universais&quot;. Para mim, na verdade, o objetivo deve ser justamente romper a cisão entre pautas &quot;específicas&quot; e pautas &quot;universais&quot;, mesmo porque todas as desigualdades sociais devem ser abolidas para a construção da sociedade com que sonhamos. A esquerda deve se tornar capaz de reelaborar essas pautas à luz da luta anticapitalista, à luz da luta de classes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bruno,</p>
<p>Existem pautas que são do interesses de todos os trabalhadores, sejam eles homens ou mulheres, pessoas brancas ou negras, homossexuais ou heterossexuais, e que são, portanto, &#8220;universais&#8221;. Estamos diante de um novo ciclo de lutas envolvendo o transporte coletivo em várias cidades do Brasil, como vem noticiando este site. Esse é um exemplo de pauta que interessa aos trabalhadores em geral. O problema da esquerda pós-moderna é que ela tende a simplesmente negar a possibilidade de homens e mulheres, pessoas brancas e negras, homossexuais e heterossexuais, lutarem por pautas universais como essa, ao mesmo tempo em que estabelecem relações igualitárias no interior dos movimentos. E, por causa disso, ela tende a se engajar numa cruzada contra os indivíduos ditos &#8220;privilegiados&#8221; e em favor do &#8220;protagonismo&#8221; e do &#8220;empoderamento&#8221; dos indivíduos ditos &#8220;desprivilegiados&#8221;, em detrimento da luta contra os capitalistas em organizações caracterizadas pela igualdade entre todos os militantes. Para mim, boa parte da esquerda percebeu corretamente que certas demandas estavam sendo ignoradas, que certas desigualdades não estavam sendo devidamente desafiadas. Mas a esquerda pós-moderna, quando considera lutar contra o capitalismo, afirma que, para tratar da luta contra o capitalismo, é preciso primeiro tratar das questões de gênero, das questões de raça etc. A coisa foi invertida, criando-se ainda uma dicotomia que não deveria existir, pois, se antes era preciso primeiro derrubar o capitalismo para só depois tratar dessas questões, agora é preciso primeiro abolir o racismo e o patriarcado, por exemplo, para só então tratar da luta contra o capitalismo. Os multiculturalistas podem até negar que seja dessa forma, mas na prática é o que se verifica. Os movimentos que lutam por pautas &#8220;específicas&#8221; podem encontrar, a meu ver, um ponto de convergência com aqueles que lutam por pautas &#8220;universais&#8221;. Para mim, na verdade, o objetivo deve ser justamente romper a cisão entre pautas &#8220;específicas&#8221; e pautas &#8220;universais&#8221;, mesmo porque todas as desigualdades sociais devem ser abolidas para a construção da sociedade com que sonhamos. A esquerda deve se tornar capaz de reelaborar essas pautas à luz da luta anticapitalista, à luz da luta de classes.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-276713</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2015 15:45:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=102033#comment-276713</guid>

					<description><![CDATA[Bruno, acredito que pautas universais são &quot;igualdade entre os gêneros&quot;, &quot;igualdade entre as cores de pele&quot;, etc.; aí está a diferença com relação a &quot;poder feminino&quot;, &quot;poder negro&quot;, etc.
Mas para conseguir encontrar a forma de se combater a falta de igualdade entre os gêneros na sociedade, faz falta identificar as estruturas sociais dessa desigualdade, e não apenas implicar com os usos linguísticos dos círculos militantes, ou então se focar na culpabilização e punição de pessoas que cometam faltas morais de comportamento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bruno, acredito que pautas universais são &#8220;igualdade entre os gêneros&#8221;, &#8220;igualdade entre as cores de pele&#8221;, etc.; aí está a diferença com relação a &#8220;poder feminino&#8221;, &#8220;poder negro&#8221;, etc.<br />
Mas para conseguir encontrar a forma de se combater a falta de igualdade entre os gêneros na sociedade, faz falta identificar as estruturas sociais dessa desigualdade, e não apenas implicar com os usos linguísticos dos círculos militantes, ou então se focar na culpabilização e punição de pessoas que cometam faltas morais de comportamento.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bruno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-276637</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2015 06:08:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Só uma dúvida, na passagem sobre a esquerda largar as lutas fratricidas (o que eu concordo) a exigência da esquerda se empenhar em pautas universais não acaba limitando grupos de esquerda que queiram tratar de pautas especificas? como mulheres,  gays e negros por exemplo, não para combater o machismo, a homofobia e o racismo dentro dos grupos da esquerda mas na sociedade como um todo, nem afirmo que essa seja a posição do autor mas essa passagem me deu essa impressão.

abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só uma dúvida, na passagem sobre a esquerda largar as lutas fratricidas (o que eu concordo) a exigência da esquerda se empenhar em pautas universais não acaba limitando grupos de esquerda que queiram tratar de pautas especificas? como mulheres,  gays e negros por exemplo, não para combater o machismo, a homofobia e o racismo dentro dos grupos da esquerda mas na sociedade como um todo, nem afirmo que essa seja a posição do autor mas essa passagem me deu essa impressão.</p>
<p>abraços</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/01/102033/#comment-276385</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2015 21:08:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ótimas reflexões, do autor e dos comentadores. Apenas discordo, num pequeno ponto, quanto à crítica ao multiculturalismo de ele ser na prática &quot;biologismo&quot;. Pode até ser mesmo isso (&quot;biologismo&quot;), mas na minha opinião isso é secundário, um epifenômeno. A meu ver, a crítica principal é que o multiculturalismo, por ver a sociedade e as opressões em termos de &quot;cultura&quot;, tem como único fundamento a ânsia patológica por estereótipos e bodes expiatórios (e portanto reforço do aparato repressivo). Afinal, em termos práticos, culturas são sempre estereótipos. Daí que os multiculturalistas vivem de criar e atacar bodes expiatórios. É realmente fascismo, como foi apontado pelo Operário Gay.

A meu ver só é libertária uma crítica em termos materiais: crítica das condições de existência em que os oprimidos são materialmente constrangidos a se sujeitar. Isso implica a luta pelo universalismo material chamado comunismo, que dissolve a estereotipização dos indivíduos, permitindo-os produzirem-se a si mesmos livremente em livre associação. E ao revés, é sempre reacionária e autoritária toda crítica que busca atacar sutilezas subjetivas como &quot;culturas&quot;, &quot;intenções da alma&quot;, &quot;ofensas&quot;, &quot;olhar enviesado&quot;, &quot;más vontades&quot;, porque tudo isso são bodes expiatórios.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ótimas reflexões, do autor e dos comentadores. Apenas discordo, num pequeno ponto, quanto à crítica ao multiculturalismo de ele ser na prática &#8220;biologismo&#8221;. Pode até ser mesmo isso (&#8220;biologismo&#8221;), mas na minha opinião isso é secundário, um epifenômeno. A meu ver, a crítica principal é que o multiculturalismo, por ver a sociedade e as opressões em termos de &#8220;cultura&#8221;, tem como único fundamento a ânsia patológica por estereótipos e bodes expiatórios (e portanto reforço do aparato repressivo). Afinal, em termos práticos, culturas são sempre estereótipos. Daí que os multiculturalistas vivem de criar e atacar bodes expiatórios. É realmente fascismo, como foi apontado pelo Operário Gay.</p>
<p>A meu ver só é libertária uma crítica em termos materiais: crítica das condições de existência em que os oprimidos são materialmente constrangidos a se sujeitar. Isso implica a luta pelo universalismo material chamado comunismo, que dissolve a estereotipização dos indivíduos, permitindo-os produzirem-se a si mesmos livremente em livre associação. E ao revés, é sempre reacionária e autoritária toda crítica que busca atacar sutilezas subjetivas como &#8220;culturas&#8221;, &#8220;intenções da alma&#8221;, &#8220;ofensas&#8221;, &#8220;olhar enviesado&#8221;, &#8220;más vontades&#8221;, porque tudo isso são bodes expiatórios.</p>
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