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	Comentários sobre: Correu, chutou é gol: Experiência de lutas em um museu	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Ex-trabalhador de museu		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/03/103359/#comment-283908</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ex-trabalhador de museu]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Mar 2015 00:41:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pablo,
As mudanças implementadas foram propostas, não exatamente em uma negociação formal, pelas pessoas que trabalhavam no museu, parte delas veio de pessoas que já tinham trabalhado em outros museus.

Quando a coordenadora foi demitida já estávamos bastante cansados da rotina de trabalho; devido a nossa inexperiência acreditavmos que o novo coordenador seria uma pessoa competente e por isso o trabalho seria melhor. Nesse sentido acho que no momento inicial ocorreu uma cooptação ideologica de nossa parte, minha inclusive.
 Em verdade ele se mostrou um mega controlador que vigiava o que as pessoas faziam no computador por cima do ombro delas, que exigia a produção de relatórios, que fechou parcerias de visitação que impunham uma nova rotina de trabalho. Que incentivou a divisão entre os trabalhadores expondo alguns menos competantes, fazendo os outros voltarem-se contra eles. Pouco tempo depois transformou alguns em supervisores dos outros.
Quando percebeu-se que a troca do gestor não nos seria proveitosa passamos a buscar alternativas individuais, com empregos melhor remunerados, que não trabalhássemos aos finais de semana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo,<br />
As mudanças implementadas foram propostas, não exatamente em uma negociação formal, pelas pessoas que trabalhavam no museu, parte delas veio de pessoas que já tinham trabalhado em outros museus.</p>
<p>Quando a coordenadora foi demitida já estávamos bastante cansados da rotina de trabalho; devido a nossa inexperiência acreditavmos que o novo coordenador seria uma pessoa competente e por isso o trabalho seria melhor. Nesse sentido acho que no momento inicial ocorreu uma cooptação ideologica de nossa parte, minha inclusive.<br />
 Em verdade ele se mostrou um mega controlador que vigiava o que as pessoas faziam no computador por cima do ombro delas, que exigia a produção de relatórios, que fechou parcerias de visitação que impunham uma nova rotina de trabalho. Que incentivou a divisão entre os trabalhadores expondo alguns menos competantes, fazendo os outros voltarem-se contra eles. Pouco tempo depois transformou alguns em supervisores dos outros.<br />
Quando percebeu-se que a troca do gestor não nos seria proveitosa passamos a buscar alternativas individuais, com empregos melhor remunerados, que não trabalhássemos aos finais de semana.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ex-Bancário		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/03/103359/#comment-283644</link>

		<dc:creator><![CDATA[ex-Bancário]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2015 18:23:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito interessante o relato.

Vários questionamentos/curiosidades apontados no comentário do Pablo também compartilho.

Vou ressaltar algo que aparece no texto e que me parece muito importante:

&quot;Foi central para essa ação coletiva funcionar e para o enfrentamento com a diretoria manter-se firme a participação de trabalhadores reconhecidos como competentes pelos colegas e pela instituição. Assim não se podia desclassificar a resistência como preguiça, ou incompetência individual, pois os melhores trabalhadores estavam a frente da mobilização.&quot;

Em geral, a menos que a identidade dos trabalhadores se baseie em valores de desengajamento e repúdio ao trabalho (o que não é tão frequente), o trabalhador competente, admirado profissionalmente, que faz seu trabalho bem feito se torna mais facilmente uma referência aos outros, e seu engajamento ou mesmo iniciativa nas lutas se torna muito importante, tanto para trazer confiança e fazer outros trabalhadores se engajarem, para trazer legitimidade (como aponta o texto) e também como forma de pressão ao patrão, tanto moral quanto econômica.

Por fim, creio que não é a forma de seleção do Museu que lembra um reality show, mas os reality shows que reproduzem as estruturas de seleção/eliminação do &quot;mundo do trabalho&quot; contemporâneo, como bem mostra Silvia Viana no livro &quot;Rituais de Sofrimento&quot;. Mas entendo que para efeitos de descrição de modo que o leitor captasse a forma do processo de seleção a analogia foi feita no sentido que foi feita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito interessante o relato.</p>
<p>Vários questionamentos/curiosidades apontados no comentário do Pablo também compartilho.</p>
<p>Vou ressaltar algo que aparece no texto e que me parece muito importante:</p>
<p>&#8220;Foi central para essa ação coletiva funcionar e para o enfrentamento com a diretoria manter-se firme a participação de trabalhadores reconhecidos como competentes pelos colegas e pela instituição. Assim não se podia desclassificar a resistência como preguiça, ou incompetência individual, pois os melhores trabalhadores estavam a frente da mobilização.&#8221;</p>
<p>Em geral, a menos que a identidade dos trabalhadores se baseie em valores de desengajamento e repúdio ao trabalho (o que não é tão frequente), o trabalhador competente, admirado profissionalmente, que faz seu trabalho bem feito se torna mais facilmente uma referência aos outros, e seu engajamento ou mesmo iniciativa nas lutas se torna muito importante, tanto para trazer confiança e fazer outros trabalhadores se engajarem, para trazer legitimidade (como aponta o texto) e também como forma de pressão ao patrão, tanto moral quanto econômica.</p>
<p>Por fim, creio que não é a forma de seleção do Museu que lembra um reality show, mas os reality shows que reproduzem as estruturas de seleção/eliminação do &#8220;mundo do trabalho&#8221; contemporâneo, como bem mostra Silvia Viana no livro &#8220;Rituais de Sofrimento&#8221;. Mas entendo que para efeitos de descrição de modo que o leitor captasse a forma do processo de seleção a analogia foi feita no sentido que foi feita.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/03/103359/#comment-283630</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2015 15:40:49 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=103359#comment-283630</guid>

					<description><![CDATA[Muito boa a iniciativa de contar as lutas, obrigado aos dois ex-trabalhadores. 
Gostaria de saber se as concessões dadas no Museu foram propostas pelos trabalhadores ou se a própria coordenação se antecipou, frente ao sinal de greve. 
Achei também que seria legal se o ex-trabalhador de Museu pudesse contar mais detalhes sobre o momento da &quot;virada&quot; (quando houve a troca da coordenação e passaram a ser submetidos a um maior controle do trabalho e assédio moral) e posterior enfraquecimento das mobilizações. Entendo se não for possível, por conta de que talvez acusaria a identidade do autor ou da experiência, ou algo assim. Só acho que seria muito bom se pudesse contar mais desse momento, afinal vinha de uma mobilização vitoriosa, não só pela demissão, mas pela melhoria de condições de trabalho, e a chegada de um gestor novo acabou aquietando os espíritos. Que medidas ele conseguiu impor sem resistência, já desde o princípio? O ex-trabalhador avalia que esse enfraquecimento se deu pela competência do novo gestor em controlar os trabalhadores com novas técnicas ou foi resultado mais da perda de fibra dos trabalhadores? (talvez medo de demissão? talvez cansaço de se rebelar? talvez cooptação ideológica e maior afinamento com a nova gestão? talvez erro tático dos trabalhadores em avaliar que a conjuntura tava mudando e que seriam prejudicados pelas novas regras que aceitavam?) Será que nessas experiências de luta em locais pequenos, com poucos trabalhadores, além do reconhecimento de pertencimento de classe o aspecto &quot;pessoal&quot; do adversário (de conhecer a intimidade do gestor ali no dia a dia) também fortalece e estimula os trabalhadores a dizerem não? E aí quando chega um sujeito novo acabam ficando com medo, ao invés de intensificarem ainda mais a ofensiva em busca de melhores condições? Será que a elipse descendente era inevitável pela própria forma como a luta (forma de organização e demandas) se deu, e bastará ao capital ou Estado trocar o gestor para apassivar temporariamente os trabalhadores resistentes?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito boa a iniciativa de contar as lutas, obrigado aos dois ex-trabalhadores.<br />
Gostaria de saber se as concessões dadas no Museu foram propostas pelos trabalhadores ou se a própria coordenação se antecipou, frente ao sinal de greve.<br />
Achei também que seria legal se o ex-trabalhador de Museu pudesse contar mais detalhes sobre o momento da &#8220;virada&#8221; (quando houve a troca da coordenação e passaram a ser submetidos a um maior controle do trabalho e assédio moral) e posterior enfraquecimento das mobilizações. Entendo se não for possível, por conta de que talvez acusaria a identidade do autor ou da experiência, ou algo assim. Só acho que seria muito bom se pudesse contar mais desse momento, afinal vinha de uma mobilização vitoriosa, não só pela demissão, mas pela melhoria de condições de trabalho, e a chegada de um gestor novo acabou aquietando os espíritos. Que medidas ele conseguiu impor sem resistência, já desde o princípio? O ex-trabalhador avalia que esse enfraquecimento se deu pela competência do novo gestor em controlar os trabalhadores com novas técnicas ou foi resultado mais da perda de fibra dos trabalhadores? (talvez medo de demissão? talvez cansaço de se rebelar? talvez cooptação ideológica e maior afinamento com a nova gestão? talvez erro tático dos trabalhadores em avaliar que a conjuntura tava mudando e que seriam prejudicados pelas novas regras que aceitavam?) Será que nessas experiências de luta em locais pequenos, com poucos trabalhadores, além do reconhecimento de pertencimento de classe o aspecto &#8220;pessoal&#8221; do adversário (de conhecer a intimidade do gestor ali no dia a dia) também fortalece e estimula os trabalhadores a dizerem não? E aí quando chega um sujeito novo acabam ficando com medo, ao invés de intensificarem ainda mais a ofensiva em busca de melhores condições? Será que a elipse descendente era inevitável pela própria forma como a luta (forma de organização e demandas) se deu, e bastará ao capital ou Estado trocar o gestor para apassivar temporariamente os trabalhadores resistentes?</p>
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