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	Comentários sobre: Reflexões sobre a autonomia (2): lutas no trabalho	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-285009</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2015 03:43:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Humanaesfera,

Disse Walter Benjamin que &quot;convencer é infrutífero&quot;. A isso uma pessoa de ideias radicalmente opostas às suas e aos que estão aqui criticando as lutas realmente existentes a partir de parâmetros lógicos (e transhistóricos) em torno do que elas &quot;deveriam&quot; ser e não são, comentou certa vez:

&quot;A frase do W.B. faz pensar.
Juntei velhas idéias do barbudo:
A consciência não é senão o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo real de vida. Não basta que o pensamento busque a realidade, é preciso que a realidade busque o pensamento. E o que é a vida senão atividade?
A lógica é o dinheiro do espírito.&quot; (a frase encontra-se nos comentários de: http://passapalavra.info/2013/01/71616)

Abraço
Pablo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Humanaesfera,</p>
<p>Disse Walter Benjamin que &#8220;convencer é infrutífero&#8221;. A isso uma pessoa de ideias radicalmente opostas às suas e aos que estão aqui criticando as lutas realmente existentes a partir de parâmetros lógicos (e transhistóricos) em torno do que elas &#8220;deveriam&#8221; ser e não são, comentou certa vez:</p>
<p>&#8220;A frase do W.B. faz pensar.<br />
Juntei velhas idéias do barbudo:<br />
A consciência não é senão o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo real de vida. Não basta que o pensamento busque a realidade, é preciso que a realidade busque o pensamento. E o que é a vida senão atividade?<br />
A lógica é o dinheiro do espírito.&#8221; (a frase encontra-se nos comentários de: <a href="http://passapalavra.info/2013/01/71616" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/01/71616</a>)</p>
<p>Abraço<br />
Pablo</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-285005</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 22:13:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[* quem está demandando que, como &quot;Novidade&quot; realizemos trabalhos de base com escala transnacional deveria voltar vinte anos no tempo e acompanhar o chamado &quot;movimento antiglobalização&quot;. 

* quem está falando em dissociação e vanguardização pela realização do trabalho de base poderia relatar as experiências de trabalho de base que tem realizado.

* ainda é tempo de traduzir este outro texto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>* quem está demandando que, como &#8220;Novidade&#8221; realizemos trabalhos de base com escala transnacional deveria voltar vinte anos no tempo e acompanhar o chamado &#8220;movimento antiglobalização&#8221;. </p>
<p>* quem está falando em dissociação e vanguardização pela realização do trabalho de base poderia relatar as experiências de trabalho de base que tem realizado.</p>
<p>* ainda é tempo de traduzir este outro texto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284984</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 05:16:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=103563#comment-284984</guid>

					<description><![CDATA[Quando traduzi a primeira vez o Give up Activism acho que esse outro texto em resposta nem existia ainda, mas não tenho certeza, precisaria ver as datas. Há bastante tempo eu gosto mais da resposta também. Uma dialética muito bem explicitada.

De qualquer modo, obviamente o &quot;Abandone o Ativismo&quot; não é uma apologia de não se fazer nada. Ainda mais se se toma como autocrítica produzida num movimento de &#039;ativistas&#039;. A crítica incide mais num papel de ativismo que distancia esses grupos das pessoas comuns e não enxerga o que existe de potencialmente transformador no fazer delas. E acho que no todo foi a leitura que prevaleceu no Brasil também.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando traduzi a primeira vez o Give up Activism acho que esse outro texto em resposta nem existia ainda, mas não tenho certeza, precisaria ver as datas. Há bastante tempo eu gosto mais da resposta também. Uma dialética muito bem explicitada.</p>
<p>De qualquer modo, obviamente o &#8220;Abandone o Ativismo&#8221; não é uma apologia de não se fazer nada. Ainda mais se se toma como autocrítica produzida num movimento de &#8216;ativistas&#8217;. A crítica incide mais num papel de ativismo que distancia esses grupos das pessoas comuns e não enxerga o que existe de potencialmente transformador no fazer delas. E acho que no todo foi a leitura que prevaleceu no Brasil também.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284982</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 05:05:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284978&quot;&gt;humanaesfera&lt;/a&gt;.

Acho que todas essas questões são irrelevantes, não pertinentes e imaginárias. E que o anti-ativismo é tão prejudicial à luta de classes que Leo Vinicius deveria arder no mármore do inferno por ter traduzido &quot;Give up activism&quot; sem ter traduzido junto &quot;The necessity and impossibility of anti-activism&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284978">humanaesfera</a>.</p>
<p>Acho que todas essas questões são irrelevantes, não pertinentes e imaginárias. E que o anti-ativismo é tão prejudicial à luta de classes que Leo Vinicius deveria arder no mármore do inferno por ter traduzido &#8220;Give up activism&#8221; sem ter traduzido junto &#8220;The necessity and impossibility of anti-activism&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284978</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 02:36:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=103563#comment-284978</guid>

					<description><![CDATA[Manolo e demais, falei em relaxar obviamente me referindo às lutas no trabalho (o texto não é sobre isso?), como oposição ao trabalho e como premissa primária da luta autônoma (no trabalho e além). Ao contrário de defender o relaxamento como panaceia, tive de falar dele para criticar o militantismo (crítica que aliás é também um desdobramento das ideias do texto que o sábio Ulisses colou acima). Então vou esclarecer melhor essa crítica.

O militante parte do princípio de que &quot;ele age&quot; e que existe ou possa existir alguém que &quot;não faz nada&quot;. Mas, pelo contrário, se existimos, agimos. Não é preciso esperar uma panelinha de militantes para agir, a não ser numa luta heterônima. O que é preciso então? Agir como se é (um proletário), isto é, como igual. Primeiro apresentando opiniões e propostas (quanto aos meios e aos fins) tal e qual os outros iguais apresentam as opiniões e propostas deles. As propostas podem ser aceitas ou rejeitadas, adaptadas por outros ou não, difundidas ou não, e num &quot;raro&quot; momento sim e noutros momentos &quot;normais&quot; não. E o que uma assembleia decidir cada um pode concordar ou não, cumprir ou não. Isso não depende de apelos morais (por exemplo, criticar o &quot;individualismo&quot; como ideologia burguesa), mas de se a decisão coletiva é compreendida ou não como aumentando a capacidade de agir e pensar dos próprio proletários contra aquilo que os submete e/ou lhes causa sofrimento (pois há decisões coletivas boas ou ruim; por exemplo, suicidas). Como igual, posso apresentar meus desejos comunistas libertários e internacionalistas como um objetivo que me move. Pelo contrário, se chega alguém fazendo &quot;trabalho de base&quot;, já começa feio,  porque pressupõe que &quot;ninguém age&quot; e que &quot;ele age&quot;. Fica mais feio ainda quando o militante alega &quot;não ter objetivos&quot; mas só &quot;servir&quot;. O que os proletários não deixam de perceber é que o militante age em nome de uma panelinha, buscando usar gente como instrumento assim como os patrões já usam. 

Há também o efeito clássico do militantismo que é destruir a luta autônoma submetendo a luta de classes à polarização intra-capitalista entre duas classe dominantes concorrentes: burocratas (esquerda) e empresários (direita). A militância costuma falar em &quot;a esquerda isso&quot;, &quot;a esquerda aquilo&quot;, como se essa metade do capital fosse um agente da história ao invés da classe.

Se estamos falando de luta autônoma, vocês realmente acham que todas essas questões são irrelevantes, não pertinentes, imaginárias? 

Diego Polese, concordo com tuas colocações sobre agirmos de forma lúcida sobre a necessidade de uma perspectiva de classe global. Se alguns proletários (numa &quot;fissura&quot;, numa &quot;rede produtiva alternativa&quot;, numa &quot;empresa autogerida&quot;, num país, numa região...) adquirem propriedade dos meios de vida, no mínimo eles próprios passam à classe proprietária explorando os demais proletários. Para o proletariado, se há saída, a saída é lúcida. Lucidamente ela só pode ser concebida como simultânea e universal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo e demais, falei em relaxar obviamente me referindo às lutas no trabalho (o texto não é sobre isso?), como oposição ao trabalho e como premissa primária da luta autônoma (no trabalho e além). Ao contrário de defender o relaxamento como panaceia, tive de falar dele para criticar o militantismo (crítica que aliás é também um desdobramento das ideias do texto que o sábio Ulisses colou acima). Então vou esclarecer melhor essa crítica.</p>
<p>O militante parte do princípio de que &#8220;ele age&#8221; e que existe ou possa existir alguém que &#8220;não faz nada&#8221;. Mas, pelo contrário, se existimos, agimos. Não é preciso esperar uma panelinha de militantes para agir, a não ser numa luta heterônima. O que é preciso então? Agir como se é (um proletário), isto é, como igual. Primeiro apresentando opiniões e propostas (quanto aos meios e aos fins) tal e qual os outros iguais apresentam as opiniões e propostas deles. As propostas podem ser aceitas ou rejeitadas, adaptadas por outros ou não, difundidas ou não, e num &#8220;raro&#8221; momento sim e noutros momentos &#8220;normais&#8221; não. E o que uma assembleia decidir cada um pode concordar ou não, cumprir ou não. Isso não depende de apelos morais (por exemplo, criticar o &#8220;individualismo&#8221; como ideologia burguesa), mas de se a decisão coletiva é compreendida ou não como aumentando a capacidade de agir e pensar dos próprio proletários contra aquilo que os submete e/ou lhes causa sofrimento (pois há decisões coletivas boas ou ruim; por exemplo, suicidas). Como igual, posso apresentar meus desejos comunistas libertários e internacionalistas como um objetivo que me move. Pelo contrário, se chega alguém fazendo &#8220;trabalho de base&#8221;, já começa feio,  porque pressupõe que &#8220;ninguém age&#8221; e que &#8220;ele age&#8221;. Fica mais feio ainda quando o militante alega &#8220;não ter objetivos&#8221; mas só &#8220;servir&#8221;. O que os proletários não deixam de perceber é que o militante age em nome de uma panelinha, buscando usar gente como instrumento assim como os patrões já usam. </p>
<p>Há também o efeito clássico do militantismo que é destruir a luta autônoma submetendo a luta de classes à polarização intra-capitalista entre duas classe dominantes concorrentes: burocratas (esquerda) e empresários (direita). A militância costuma falar em &#8220;a esquerda isso&#8221;, &#8220;a esquerda aquilo&#8221;, como se essa metade do capital fosse um agente da história ao invés da classe.</p>
<p>Se estamos falando de luta autônoma, vocês realmente acham que todas essas questões são irrelevantes, não pertinentes, imaginárias? </p>
<p>Diego Polese, concordo com tuas colocações sobre agirmos de forma lúcida sobre a necessidade de uma perspectiva de classe global. Se alguns proletários (numa &#8220;fissura&#8221;, numa &#8220;rede produtiva alternativa&#8221;, numa &#8220;empresa autogerida&#8221;, num país, numa região&#8230;) adquirem propriedade dos meios de vida, no mínimo eles próprios passam à classe proprietária explorando os demais proletários. Para o proletariado, se há saída, a saída é lúcida. Lucidamente ela só pode ser concebida como simultânea e universal.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284928</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2015 11:59:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=103563#comment-284928</guid>

					<description><![CDATA[AÇÃO DIRETA OU MILITANTISMO? (*) e (**)

Ao longo de sua história, o proletariado sempre contrapôs a ação direta às manobras da social-democracia, instituição burguesa de contenção e enquadramento da luta de classes, cuja estratégia se baseia na representação e na mediação, por meio dos sindicatos e partidos. Ação direta, ou seja, sem intermediários, nem representantes, e protagonizada por todos: nas greves e manifestações, ocupando as ruas, na violência das insurreições etc. Ação direta, também, porque recusando mediações e delegações, combate sem tréguas a impostura democrática, representativa e cidadã.

Em Davos, Seattle, Praga, Bolonha... grupelhos militantes vociferavam, mastigando o cadáver da ação direta, que confundem (?) com a violência das manifestações. Mas a violência, por necessária que seja, não é suficiente para caracterizar a ação direta. O proletariado contrapõe sua ação direta ao parlamento, aos sindicatos, às eleições..., lutando autonomamente, de modo reproduzível e generalizável em todos os lugares. Esta ação direta - além de ser violenta e rechaçar qualquer tipo de mediação ou representação - é realizável pelos proletários onde quer que estejam, desde que lutem enquanto classe autônoma. Portanto, o que acontece nesses eventos, por mais sincera e corajosa que seja a atitude dos manifestantes, nada tem a ver com ação direta.

Certamente, o que acontece nesses eventos é parte da ação (heterônoma, segmentada e espetacular) do proletariado. Além disso, as organizações presentes não impulsionam as lutas cotidianas, o aqui-agora da resistência proletária em todos os lugares (pois o capital está em todos os lugares), mas enaltecem o próprio ativismo, essa caricatura frenética da ação direta que apresentam como a mais válida de todas.

O cúmulo da mistificação ocorre quando tentam atribuir a tais eventos um caráter pré-insurrecional que eles não têm. O que poderia haver de efetivamente anticapitalista nessas manifestações que ocorrem em lugares determinados pelo calendário dos encontros da burguesia mundial? Pois é isso que chamam de ação direta contra o capitalismo mundial.

Quem defende a realização desses eventos antiglobalização ignora ou esquece que, com exceção dos proletários que lá vivem e que saem (?) às ruas para se manifestar, somente um punhado de militantes, pretensos representantes e dirigentes do proletariado de diferentes países, comparecem. O fato de que sejam abnegados e combativos, lancem pedras ou coquetéis molotov contra o aparato repressivo da burguesia etc., em nada muda seu caráter de &#039;representantes&#039; de um proletariado cuja maioria os ignora.

Muito diferente seria se os proletários de cada país onde se realizam essas farras capitalistas ocupassem as ruas e tentassem impedir sua realização, e que proletários de outros países atuassem na coordenação e centralização dessas lutas em outros locais.

O que afirmamos é que a maioria dos proletários simplesmente não pode - se é que lhe interessa... - ir aos lugares em que tais eventos ocorrem. Quem comparece é uma pequena minoria, que tem condições de trabalho privilegiadas em termos de remuneração e de tempo livre para se deslocar. Em alguns casos, grupos de revolucionários fazem um imenso esforço para enviar uns poucos militantes a esses eventos. Mas é óbvio que, em geral, só os dirigentes dos sindicatos e dos partidos, que funcionam por representação e são fundamentais para a dominação democrática do proletariado, têm recursos para se deslocar permanentemente. Nada menos estranho, portanto, do que a predominância, nessas manifestações, dos mandarins políticos e sindicais, dos serviços secretos de vários países e a indefectível polícia.

A ação direta proletária é a de todos os dias, nas lutas autônomas contra os patrões, contra a burguesia que está diante de nós, contra os partidos e os sindicatos que querem perpetuar a escravidão assalariada. Sim, é preciso generalizar a luta, radicalizá-la e torná-la mundial, coordená-la; estimular o intercâmbio militante entre os proletários revolucionários de todos os países e combater o capital em todos os lugares. Mas é contraproducente e nocivo acreditar que os proletários do mundo se manifestarão, de forma cada vez mais massiva, num determinado lugar e hora, contra esses eventos, até liquidar o capitalismo.

Ainda que pudéssemos e quiséssemos, seria absurdo concentrar a luta do proletariado de todos os países num só lugar, porque não se trata de destruir a mercadoria em tal ou qual cidade ou mesmo país. Nossa ação direta, nossa luta como revolucionários proletários e internacionalistas, é para destruir o poder do capital. Em todos os lugares, no mundo inteiro. 

(*)Publicado em outubro de 2001 (http://www.oocities.org/autonomiabvr/ars0.html) em Amigos da Revolução Social # 0.
(**) Para Diego Lennon Polese e Pablo McCartney Polese - beAMONGtween others passapalavrantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>AÇÃO DIRETA OU MILITANTISMO? (*) e (**)</p>
<p>Ao longo de sua história, o proletariado sempre contrapôs a ação direta às manobras da social-democracia, instituição burguesa de contenção e enquadramento da luta de classes, cuja estratégia se baseia na representação e na mediação, por meio dos sindicatos e partidos. Ação direta, ou seja, sem intermediários, nem representantes, e protagonizada por todos: nas greves e manifestações, ocupando as ruas, na violência das insurreições etc. Ação direta, também, porque recusando mediações e delegações, combate sem tréguas a impostura democrática, representativa e cidadã.</p>
<p>Em Davos, Seattle, Praga, Bolonha&#8230; grupelhos militantes vociferavam, mastigando o cadáver da ação direta, que confundem (?) com a violência das manifestações. Mas a violência, por necessária que seja, não é suficiente para caracterizar a ação direta. O proletariado contrapõe sua ação direta ao parlamento, aos sindicatos, às eleições&#8230;, lutando autonomamente, de modo reproduzível e generalizável em todos os lugares. Esta ação direta &#8211; além de ser violenta e rechaçar qualquer tipo de mediação ou representação &#8211; é realizável pelos proletários onde quer que estejam, desde que lutem enquanto classe autônoma. Portanto, o que acontece nesses eventos, por mais sincera e corajosa que seja a atitude dos manifestantes, nada tem a ver com ação direta.</p>
<p>Certamente, o que acontece nesses eventos é parte da ação (heterônoma, segmentada e espetacular) do proletariado. Além disso, as organizações presentes não impulsionam as lutas cotidianas, o aqui-agora da resistência proletária em todos os lugares (pois o capital está em todos os lugares), mas enaltecem o próprio ativismo, essa caricatura frenética da ação direta que apresentam como a mais válida de todas.</p>
<p>O cúmulo da mistificação ocorre quando tentam atribuir a tais eventos um caráter pré-insurrecional que eles não têm. O que poderia haver de efetivamente anticapitalista nessas manifestações que ocorrem em lugares determinados pelo calendário dos encontros da burguesia mundial? Pois é isso que chamam de ação direta contra o capitalismo mundial.</p>
<p>Quem defende a realização desses eventos antiglobalização ignora ou esquece que, com exceção dos proletários que lá vivem e que saem (?) às ruas para se manifestar, somente um punhado de militantes, pretensos representantes e dirigentes do proletariado de diferentes países, comparecem. O fato de que sejam abnegados e combativos, lancem pedras ou coquetéis molotov contra o aparato repressivo da burguesia etc., em nada muda seu caráter de &#8216;representantes&#8217; de um proletariado cuja maioria os ignora.</p>
<p>Muito diferente seria se os proletários de cada país onde se realizam essas farras capitalistas ocupassem as ruas e tentassem impedir sua realização, e que proletários de outros países atuassem na coordenação e centralização dessas lutas em outros locais.</p>
<p>O que afirmamos é que a maioria dos proletários simplesmente não pode &#8211; se é que lhe interessa&#8230; &#8211; ir aos lugares em que tais eventos ocorrem. Quem comparece é uma pequena minoria, que tem condições de trabalho privilegiadas em termos de remuneração e de tempo livre para se deslocar. Em alguns casos, grupos de revolucionários fazem um imenso esforço para enviar uns poucos militantes a esses eventos. Mas é óbvio que, em geral, só os dirigentes dos sindicatos e dos partidos, que funcionam por representação e são fundamentais para a dominação democrática do proletariado, têm recursos para se deslocar permanentemente. Nada menos estranho, portanto, do que a predominância, nessas manifestações, dos mandarins políticos e sindicais, dos serviços secretos de vários países e a indefectível polícia.</p>
<p>A ação direta proletária é a de todos os dias, nas lutas autônomas contra os patrões, contra a burguesia que está diante de nós, contra os partidos e os sindicatos que querem perpetuar a escravidão assalariada. Sim, é preciso generalizar a luta, radicalizá-la e torná-la mundial, coordená-la; estimular o intercâmbio militante entre os proletários revolucionários de todos os países e combater o capital em todos os lugares. Mas é contraproducente e nocivo acreditar que os proletários do mundo se manifestarão, de forma cada vez mais massiva, num determinado lugar e hora, contra esses eventos, até liquidar o capitalismo.</p>
<p>Ainda que pudéssemos e quiséssemos, seria absurdo concentrar a luta do proletariado de todos os países num só lugar, porque não se trata de destruir a mercadoria em tal ou qual cidade ou mesmo país. Nossa ação direta, nossa luta como revolucionários proletários e internacionalistas, é para destruir o poder do capital. Em todos os lugares, no mundo inteiro. </p>
<p>(*)Publicado em outubro de 2001 (<a href="http://www.oocities.org/autonomiabvr/ars0.html" rel="nofollow ugc">http://www.oocities.org/autonomiabvr/ars0.html</a>) em Amigos da Revolução Social # 0.<br />
(**) Para Diego Lennon Polese e Pablo McCartney Polese &#8211; beAMONGtween others passapalavrantes.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284909</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2015 03:18:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=103563#comment-284909</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284902&quot;&gt;Diego Polese&lt;/a&gt;.

Surpreende-me muito que no debate inteiro, ao invés de usar-se a lógica para compreender o sentido da ação política, seja a própria ação política a ser tratada procusticamente nos moldes de uma função lógica. Daí à inação é um pulo, pois a lógica, como se sabe, é fatal em sua formalidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284902">Diego Polese</a>.</p>
<p>Surpreende-me muito que no debate inteiro, ao invés de usar-se a lógica para compreender o sentido da ação política, seja a própria ação política a ser tratada procusticamente nos moldes de uma função lógica. Daí à inação é um pulo, pois a lógica, como se sabe, é fatal em sua formalidade.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284908</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2015 03:11:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=103563#comment-284908</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284702&quot;&gt;humanaesfera&lt;/a&gt;.

Trabalhei durante alguns anos num bairro onde as ruas não tinham CEP, e onde só as ruas principais tinham asfalto. Dá para conseguir estas duas coisas relaxando?

Trabalho num bairro onde as pessoas temem a cada chuva que tudo lhes caia sobre a cabeça, pois o bairro inteiro é uma encosta. Dá para melhorar as condições de vida aí relaxando?

Trabalhei numa empresa onde um supervisor costumava ligar câmeras de vigilância nos sanitários femininos para se masturbar. Dá para botar fim nessa história relaxando?

Trabalhei noutra empresa onde as reclamações trabalhistas eram respondidas, todas, com a mesma petição, mudando apenas o nome dos trabalhadores, porque a empresa já tinha vários juízes e desembargadores &quot;na mão&quot; para os casos mais drásticos, e confiava, nos casos mais simples, que o peão não ia resistir a ver os R$ 2.000,00 (valores de 1999) rotineiramente oferecidos pela empresa nas audiências de conciliação -- quando às vezes tinham direito a indenizações por acidentes, por horas extras, multas etc. que batiam nos R$ 5.000,00 ou R$ 10.000,00. Dá para melhorar isso relaxando?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284702">humanaesfera</a>.</p>
<p>Trabalhei durante alguns anos num bairro onde as ruas não tinham CEP, e onde só as ruas principais tinham asfalto. Dá para conseguir estas duas coisas relaxando?</p>
<p>Trabalho num bairro onde as pessoas temem a cada chuva que tudo lhes caia sobre a cabeça, pois o bairro inteiro é uma encosta. Dá para melhorar as condições de vida aí relaxando?</p>
<p>Trabalhei numa empresa onde um supervisor costumava ligar câmeras de vigilância nos sanitários femininos para se masturbar. Dá para botar fim nessa história relaxando?</p>
<p>Trabalhei noutra empresa onde as reclamações trabalhistas eram respondidas, todas, com a mesma petição, mudando apenas o nome dos trabalhadores, porque a empresa já tinha vários juízes e desembargadores &#8220;na mão&#8221; para os casos mais drásticos, e confiava, nos casos mais simples, que o peão não ia resistir a ver os R$ 2.000,00 (valores de 1999) rotineiramente oferecidos pela empresa nas audiências de conciliação &#8212; quando às vezes tinham direito a indenizações por acidentes, por horas extras, multas etc. que batiam nos R$ 5.000,00 ou R$ 10.000,00. Dá para melhorar isso relaxando?</p>
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		<title>
		Por: Diego Polese		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284902</link>

		<dc:creator><![CDATA[Diego Polese]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2015 00:52:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caio, concordo com todas suas observações. A tendência de terminar em burocracia (ser assimilada-recuperada em favor da exploração capitalista) sem dúvida alguma é a regra geral para qualquer tipo de luta social no sistema do capital. 
O que eu estou querendo colocar em questão para discussão é que o trabalho de base assentado inicialmente em condições meramente locais seria a meu ver muito mais propenso em terminar por criar-reforçar castas burocráticas do que uma ação que tivesse desde o início cunho transnacional. A referida autonomia já nasceria com um defeito heteronômico. Não estou dizendo que devemos abdicar de lutar ou assumir os riscos da ação coletiva e vivê-la em suas contradições, mas sim que se a classe trabalhadora é uma classe global, devíamos construir nossos organismos para que o caráter fragmentário da ação da classe pudesse ser extrapolado desde o início. Só assim construiríamos uma teia de solidariedade e não um conjunto de unidades individualizadas. A meu ver, as mediações para rompimento da ordem devem ser construídas nesse sentido.  
Sobre a questão de que a premissa de toda ação autônoma (isto é, contágio revolucionário, solidariedade proletária) seria relaxar, também discordo completamente. Relaxar só serviria como mecanismo de recuperação da força de trabalho (reforçando o desenvolvimento da mais-valia relativa: o fator dinâmico do desenvolvimento do capitalismo). Ora, o trabalhador ‘relaxar’ é também parte indispensável para a reprodução do processo exploratório do capital. Seria uma forma passiva de luta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caio, concordo com todas suas observações. A tendência de terminar em burocracia (ser assimilada-recuperada em favor da exploração capitalista) sem dúvida alguma é a regra geral para qualquer tipo de luta social no sistema do capital.<br />
O que eu estou querendo colocar em questão para discussão é que o trabalho de base assentado inicialmente em condições meramente locais seria a meu ver muito mais propenso em terminar por criar-reforçar castas burocráticas do que uma ação que tivesse desde o início cunho transnacional. A referida autonomia já nasceria com um defeito heteronômico. Não estou dizendo que devemos abdicar de lutar ou assumir os riscos da ação coletiva e vivê-la em suas contradições, mas sim que se a classe trabalhadora é uma classe global, devíamos construir nossos organismos para que o caráter fragmentário da ação da classe pudesse ser extrapolado desde o início. Só assim construiríamos uma teia de solidariedade e não um conjunto de unidades individualizadas. A meu ver, as mediações para rompimento da ordem devem ser construídas nesse sentido.<br />
Sobre a questão de que a premissa de toda ação autônoma (isto é, contágio revolucionário, solidariedade proletária) seria relaxar, também discordo completamente. Relaxar só serviria como mecanismo de recuperação da força de trabalho (reforçando o desenvolvimento da mais-valia relativa: o fator dinâmico do desenvolvimento do capitalismo). Ora, o trabalhador ‘relaxar’ é também parte indispensável para a reprodução do processo exploratório do capital. Seria uma forma passiva de luta.</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103563/#comment-284899</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2015 23:56:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[a defesa do individualismo como uma entidade existencial imune de ideologia é um obstáculo para qualquer debate marxista sério. O indivíduo é uma abstração. Tampouco o capitalismo é uma substância que contamina tudo e a todos que entram em contato com ele. 
Se queremos ver a superação do capitalismo como um processo que se dê &quot;naturalmente&quot;, sem intencionalidades, então comecemos jogando toda a obra de Marx no lixo.
Não faça trabalho de base quem não quer, mas equiparar o trabalho dos que sim o vêm como algo importante com o trabalho dos burocratas, isso me parece uma postura reacionária.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>a defesa do individualismo como uma entidade existencial imune de ideologia é um obstáculo para qualquer debate marxista sério. O indivíduo é uma abstração. Tampouco o capitalismo é uma substância que contamina tudo e a todos que entram em contato com ele.<br />
Se queremos ver a superação do capitalismo como um processo que se dê &#8220;naturalmente&#8221;, sem intencionalidades, então comecemos jogando toda a obra de Marx no lixo.<br />
Não faça trabalho de base quem não quer, mas equiparar o trabalho dos que sim o vêm como algo importante com o trabalho dos burocratas, isso me parece uma postura reacionária.</p>
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