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	Comentários sobre: 03 JUNHO 2015 (BR) Respostas às denúncias veiculadas pelo Coletivo Maria Bonita/RJ	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Aos que hesitam		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-290697</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aos que hesitam]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2015 05:52:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Você diz:
Nossa causa vai mal.
A escuridão aumenta. As forças diminuem.
Agora, depois que trabalhamos por tanto tempo
Estamos em situação pior que no início.
 
Mas o inimigo está aí, mais forte do que nunca.
Sua força parece ter crescido. Ficou com aparência de invencível.
Mas nós cometemos erros, não há como negar.
Nosso número se reduz. Nossas palavras de ordem
Estão em desordem. O inimigo
Distorceu muitas de nossas palavras
Até ficarem irreconhecíveis.
 
Daquilo que dissemos, o que é agora falso:
Tudo ou alguma coisa?
Com quem contamos ainda? Somos o que restou, lançados fora
Da corrente viva? Ficaremos para trás
Por ninguém compreendidos e a ninguém compreendendo?
 
Precisamos ter sorte?

BB]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você diz:<br />
Nossa causa vai mal.<br />
A escuridão aumenta. As forças diminuem.<br />
Agora, depois que trabalhamos por tanto tempo<br />
Estamos em situação pior que no início.</p>
<p>Mas o inimigo está aí, mais forte do que nunca.<br />
Sua força parece ter crescido. Ficou com aparência de invencível.<br />
Mas nós cometemos erros, não há como negar.<br />
Nosso número se reduz. Nossas palavras de ordem<br />
Estão em desordem. O inimigo<br />
Distorceu muitas de nossas palavras<br />
Até ficarem irreconhecíveis.</p>
<p>Daquilo que dissemos, o que é agora falso:<br />
Tudo ou alguma coisa?<br />
Com quem contamos ainda? Somos o que restou, lançados fora<br />
Da corrente viva? Ficaremos para trás<br />
Por ninguém compreendidos e a ninguém compreendendo?</p>
<p>Precisamos ter sorte?</p>
<p>BB</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-290232</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2015 13:47:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=104632#comment-290232</guid>

					<description><![CDATA[Muito bons os comentários contra o punitivismo e contra o identitarismo. Com relação ao que fazer concretamente no caso de agressões, compartilho algumas reflexões que acredito que podem ser úteis:

http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/06/autonomia-conflitos-e-apelo-classe.html 

AUTONOMIA, ESPIRAL DE VIOLÊNCIAS E APELO À FORÇA (I.E, À CLASSE DOMINANTE)

&quot;Frente a uma violência, é natural, compreensível, humano, que os agredidos ou vítimas reajam com ódio. Emocionados, o agredido e/ou os que se compadecem com a vítima tendem a reagir recorrendo a uma violência igual ou maior (a deles mesmos, a de uma gangue, de um gerente, da polícia, do direito ou mesmo a de um monarca cósmico absoluto imaginário). Isso pode iniciar uma espiral de represálias recíprocas que multiplica a violência e foge ao controle de todos. Até o ponto de ninguém mais se lembrar do motivo inicial, tornado irrelevante pelas sucessivas violências mútuas que se agravam cada vez mais. Tentar reparar um dano com outro dano multiplica os danos e, em última instância, faz de cada um o causador dos danos feitos a si mesmo mediante os outros, numa corrida armamentista que escraviza a todos.

Há quem argumente que, para interromper esse ciclo, é preciso &quot;compaixão&quot; ou &quot;empatia&quot;: nos compadecer com a dor do agressor porque na verdade ele teria sido antes vítima de outro agressor e assim sucessivamente, ad infinitum. Porém quem diz isso esquece que a empatia é a própria causa da espiral de violência (sob a forma de indignação). O erro do argumento da empatia é que &quot;empatia de amor&quot; e a &quot;empatia de ódio&quot; são igualmente emoções -  e emoções são reações espontâneas (se não forem, são falsas emoções), ou seja, não dependem de nenhum argumento.

Sem dúvida, a paixão é o que nos move e não há como escapar disso. O que fazer então? Uma possível resposta é dada pelos filósofos ultra-iluministas Benedito de Espinoza e Jean Meslier: entre as paixões humanas está a paixão pela liberdade - a razão. A razão é ação, e não reação (todas as demais emoções não passam de reações), porque ela busca modificar as causas, não reagir aos efeitos; busca transformar as condições de existência, e não escolher entre caminhos pré-estabelecidos; busca subverter o status quo, o tabuleiro, não mover mais uma vez as peças de um jogo suicida e escravizador. A questão é: a paixão pela liberdade, pela autonomia, é capaz de superar as outras emoções?  E como agir, isto é, como criar um ambiente onde as emoções possam se expressar da maneira mais enriquecedora e feliz possível?

Seja como for, quando ocorre uma violência, se queremos evitar o surgimento de uma espiral de violências - que só serve para suprimir a autonomia e LEGITIMAR O PODER DA CLASSE DOMINANTE, ou seja, a adesão à falsa garantia dada por ALGUMA VIOLÊNCIA AINDA MAIS AMEAÇADORA, tal como a gangue, o gerente, a polícia, o direito, as forças armadas e o Estado -, só nos resta abandonar toda e qualquer ideia de punição (e recompensa), porque, como vimos, ela não tem o menor fundamento, é pura irracionalidade. * 

É preciso ao menos que saibamos ser concretos: 

- Quem agrediu pode agredir outra vez? Em outros termos: a agressão dele é um hábito? E se é um hábito - um vício -, ele poderia (ter liberdade para) não agredir da próxima vez? 

- Mas se ele teve liberdade para escolher agredir, que razão o motivou a fazer isso? A agressão foi motivada por algo transitório, improvável de se repetir? Ou motivada por algo constante ou repetível? Como atacar esse motivo?

- Se a agressão dele é um hábito, o que fazer? Isolá-lo, para que não voltemos a sofrer agressões dele? Mas como ajudá-lo a se libertar do hábito de agredir que o escraviza? 

- E o agredido, como tratá-lo?

Em suma, questões materialistas práticas básicas.


humanaesfera, junho de 2015

* Falar em &quot;Livre arbítrio&quot;, &quot;intenção&quot;, &quot;vontade&quot;, &quot;falta de vontade&quot;,  não só é perfeitamente inútil e oco mas extremamente nocivo. O apelo à vontade serve apenas para atribuir culpa, causando ainda mais raiva e ressentimento. Quando buscamos parar de fumar, por exemplo, a vontade não é nada &quot;em si&quot;, porque o que determina essa vontade é, não ela mesma, mas as paixões de parar de fumar (que pode ser uma paixão pela autonomia que parar de fumar trará) frente às paixões cada vez mais tristes (servis) de continuar fumando (prováveis doenças, interrupção constante das atividades para suprir o vício, mau cheiro nas interações sociais etc.). Se a vontade é algo, ela não passa do hábito - que é uma paixão &quot;animal&quot;, pavlovianamente adestrada - de se focalizar para alcançar qualquer fim, seja ele qual for. Enquanto os fins sempre são formados pelas livres interações, combinações ou associações das paixões, nunca pela &quot;bestial&quot; vontade &quot;em si&quot;.

Bibliografia:
- Reflexões sobre as causas da liberdade e da opressão Social - Simone Weil
- Ética - Benedito de Espinoza
- Ateismo e revolta: os manuscritos do padre Jean Meslier - Paulo Jonas de Lima Piva&quot;


Já quanto à lutas identitárias:
A AUTONOMIA É FAVORECIDA PELAS LUTAS IDENTITÁRIAS? http://humanaesfera.blogspot.com.br/2014/12/breve-opiniao-sobre-lutas-identitarias.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bons os comentários contra o punitivismo e contra o identitarismo. Com relação ao que fazer concretamente no caso de agressões, compartilho algumas reflexões que acredito que podem ser úteis:</p>
<p><a href="http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/06/autonomia-conflitos-e-apelo-classe.html" rel="nofollow ugc">http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/06/autonomia-conflitos-e-apelo-classe.html</a> </p>
<p>AUTONOMIA, ESPIRAL DE VIOLÊNCIAS E APELO À FORÇA (I.E, À CLASSE DOMINANTE)</p>
<p>&#8220;Frente a uma violência, é natural, compreensível, humano, que os agredidos ou vítimas reajam com ódio. Emocionados, o agredido e/ou os que se compadecem com a vítima tendem a reagir recorrendo a uma violência igual ou maior (a deles mesmos, a de uma gangue, de um gerente, da polícia, do direito ou mesmo a de um monarca cósmico absoluto imaginário). Isso pode iniciar uma espiral de represálias recíprocas que multiplica a violência e foge ao controle de todos. Até o ponto de ninguém mais se lembrar do motivo inicial, tornado irrelevante pelas sucessivas violências mútuas que se agravam cada vez mais. Tentar reparar um dano com outro dano multiplica os danos e, em última instância, faz de cada um o causador dos danos feitos a si mesmo mediante os outros, numa corrida armamentista que escraviza a todos.</p>
<p>Há quem argumente que, para interromper esse ciclo, é preciso &#8220;compaixão&#8221; ou &#8220;empatia&#8221;: nos compadecer com a dor do agressor porque na verdade ele teria sido antes vítima de outro agressor e assim sucessivamente, ad infinitum. Porém quem diz isso esquece que a empatia é a própria causa da espiral de violência (sob a forma de indignação). O erro do argumento da empatia é que &#8220;empatia de amor&#8221; e a &#8220;empatia de ódio&#8221; são igualmente emoções &#8211;  e emoções são reações espontâneas (se não forem, são falsas emoções), ou seja, não dependem de nenhum argumento.</p>
<p>Sem dúvida, a paixão é o que nos move e não há como escapar disso. O que fazer então? Uma possível resposta é dada pelos filósofos ultra-iluministas Benedito de Espinoza e Jean Meslier: entre as paixões humanas está a paixão pela liberdade &#8211; a razão. A razão é ação, e não reação (todas as demais emoções não passam de reações), porque ela busca modificar as causas, não reagir aos efeitos; busca transformar as condições de existência, e não escolher entre caminhos pré-estabelecidos; busca subverter o status quo, o tabuleiro, não mover mais uma vez as peças de um jogo suicida e escravizador. A questão é: a paixão pela liberdade, pela autonomia, é capaz de superar as outras emoções?  E como agir, isto é, como criar um ambiente onde as emoções possam se expressar da maneira mais enriquecedora e feliz possível?</p>
<p>Seja como for, quando ocorre uma violência, se queremos evitar o surgimento de uma espiral de violências &#8211; que só serve para suprimir a autonomia e LEGITIMAR O PODER DA CLASSE DOMINANTE, ou seja, a adesão à falsa garantia dada por ALGUMA VIOLÊNCIA AINDA MAIS AMEAÇADORA, tal como a gangue, o gerente, a polícia, o direito, as forças armadas e o Estado -, só nos resta abandonar toda e qualquer ideia de punição (e recompensa), porque, como vimos, ela não tem o menor fundamento, é pura irracionalidade. * </p>
<p>É preciso ao menos que saibamos ser concretos: </p>
<p>&#8211; Quem agrediu pode agredir outra vez? Em outros termos: a agressão dele é um hábito? E se é um hábito &#8211; um vício -, ele poderia (ter liberdade para) não agredir da próxima vez? </p>
<p>&#8211; Mas se ele teve liberdade para escolher agredir, que razão o motivou a fazer isso? A agressão foi motivada por algo transitório, improvável de se repetir? Ou motivada por algo constante ou repetível? Como atacar esse motivo?</p>
<p>&#8211; Se a agressão dele é um hábito, o que fazer? Isolá-lo, para que não voltemos a sofrer agressões dele? Mas como ajudá-lo a se libertar do hábito de agredir que o escraviza? </p>
<p>&#8211; E o agredido, como tratá-lo?</p>
<p>Em suma, questões materialistas práticas básicas.</p>
<p>humanaesfera, junho de 2015</p>
<p>* Falar em &#8220;Livre arbítrio&#8221;, &#8220;intenção&#8221;, &#8220;vontade&#8221;, &#8220;falta de vontade&#8221;,  não só é perfeitamente inútil e oco mas extremamente nocivo. O apelo à vontade serve apenas para atribuir culpa, causando ainda mais raiva e ressentimento. Quando buscamos parar de fumar, por exemplo, a vontade não é nada &#8220;em si&#8221;, porque o que determina essa vontade é, não ela mesma, mas as paixões de parar de fumar (que pode ser uma paixão pela autonomia que parar de fumar trará) frente às paixões cada vez mais tristes (servis) de continuar fumando (prováveis doenças, interrupção constante das atividades para suprir o vício, mau cheiro nas interações sociais etc.). Se a vontade é algo, ela não passa do hábito &#8211; que é uma paixão &#8220;animal&#8221;, pavlovianamente adestrada &#8211; de se focalizar para alcançar qualquer fim, seja ele qual for. Enquanto os fins sempre são formados pelas livres interações, combinações ou associações das paixões, nunca pela &#8220;bestial&#8221; vontade &#8220;em si&#8221;.</p>
<p>Bibliografia:<br />
&#8211; Reflexões sobre as causas da liberdade e da opressão Social &#8211; Simone Weil<br />
&#8211; Ética &#8211; Benedito de Espinoza<br />
&#8211; Ateismo e revolta: os manuscritos do padre Jean Meslier &#8211; Paulo Jonas de Lima Piva&#8221;</p>
<p>Já quanto à lutas identitárias:<br />
A AUTONOMIA É FAVORECIDA PELAS LUTAS IDENTITÁRIAS? <a href="http://humanaesfera.blogspot.com.br/2014/12/breve-opiniao-sobre-lutas-identitarias.html" rel="nofollow ugc">http://humanaesfera.blogspot.com.br/2014/12/breve-opiniao-sobre-lutas-identitarias.html</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-290113</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2015 03:49:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O problema é que para as feministas excludentes e para os feministas excludentes há uma prática institucionalizada chamada machismo que molda as atitudes de todos os homens a toda hora, e todo caso de agressão serve para confirmar a existência dessa prática institucionalizada, e confirmá-la moldando as atitudes de todos os homens a toda hora. Recorre-se arbitrariamente a um esquema que explica qualquer agressão pelo machismo. Um homem agrediu uma mulher: machismo.

Mas, embora seja necessário admitir a existência do machismo (e combatê-lo), não é uma prática institucionalizada chamada machismo que gera todas as agressões deste mundo. É preciso analisar as relações concretas (muitas vezes mutuamente violentas e essencialmente doentias) estabelecidas entre as pessoas. Caso contrário chega-se à conclusão - fácil e conveniente, pelo menos para algumas pessoas - de que a agressão x aconteceu porque o homem x &quot;é machista&quot;.

A própria noção de &quot;homem machista&quot; ou &quot;pessoa machista&quot; deve ser encarada com reservas e cuidado, já que um indivíduo não se define por um tipo de prática apenas, e sim por vários fragmentos de práticas por vezes antagônicas. Um indivíduo se define na prática por um percurso por diversas práticas por vezes antagônicas. O indivíduo não é uni-centrado, é pluri-centrado.

Sendo assim, havendo agressões numa relação entre dois indivíduos, não basta evocar a cultura machista para explicá-la, sendo preciso analisar a convergência ou não da cultura machista com o caráter da relação concreta entre ambos. O que a nota do coletivo - ou da &quot;coletiva&quot; - Maria Bonita faz é reduzir a existência prática do acusado, apresentando-a como uma existência definida unicamente pelo machismo e anulando qualquer outro traço de trajetória prática.

Para definir categoricamente um indivíduo como machista é necessário analisar a convergência entre práticas neste indivíduo, enfatizando quais delas são predominantes, e perceber como ele unifica tudo num discurso que visa à coerência, tentando justificar-se a si mesmo.

O mesmo princípio deve ser aplicado na análise do feminismo excludente. Não é possível definir as feministas ou os feministas excludentes como moldadas ou moldados a toda hora por práticas institucionalizadas de extrema-direita, o punitivismo e o segregacionismo, pois não é verdade. Elas e eles também agem consoante práticas genuinamente de esquerda, nem que seja apenas ao nível do discurso (reduzir a atuação prática à emissão de discursos é comum entre as esquerdas). E é aí que está o problema, pois é aí que emerge o fascismo, na fronteira e na indefinição entre extrema-direita e extrema-esquerda.

Portanto, tal como no caso do machismo, é preciso analisar a convergência entre práticas, enfatizando quais delas são predominantes, e perceber como o indivíduo unifica tudo num discurso que visa à coerência, tentando justificar-se a si mesmo, para definir o que ele realmente é.

Avançando nesse ponto, a esquerda autônoma deixará de destruir-se a si mesma e começará a esboçar procedimentos adequados para lidar com casos de agressão. E as classes capitalistas poderão temê-la novamente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O problema é que para as feministas excludentes e para os feministas excludentes há uma prática institucionalizada chamada machismo que molda as atitudes de todos os homens a toda hora, e todo caso de agressão serve para confirmar a existência dessa prática institucionalizada, e confirmá-la moldando as atitudes de todos os homens a toda hora. Recorre-se arbitrariamente a um esquema que explica qualquer agressão pelo machismo. Um homem agrediu uma mulher: machismo.</p>
<p>Mas, embora seja necessário admitir a existência do machismo (e combatê-lo), não é uma prática institucionalizada chamada machismo que gera todas as agressões deste mundo. É preciso analisar as relações concretas (muitas vezes mutuamente violentas e essencialmente doentias) estabelecidas entre as pessoas. Caso contrário chega-se à conclusão &#8211; fácil e conveniente, pelo menos para algumas pessoas &#8211; de que a agressão x aconteceu porque o homem x &#8220;é machista&#8221;.</p>
<p>A própria noção de &#8220;homem machista&#8221; ou &#8220;pessoa machista&#8221; deve ser encarada com reservas e cuidado, já que um indivíduo não se define por um tipo de prática apenas, e sim por vários fragmentos de práticas por vezes antagônicas. Um indivíduo se define na prática por um percurso por diversas práticas por vezes antagônicas. O indivíduo não é uni-centrado, é pluri-centrado.</p>
<p>Sendo assim, havendo agressões numa relação entre dois indivíduos, não basta evocar a cultura machista para explicá-la, sendo preciso analisar a convergência ou não da cultura machista com o caráter da relação concreta entre ambos. O que a nota do coletivo &#8211; ou da &#8220;coletiva&#8221; &#8211; Maria Bonita faz é reduzir a existência prática do acusado, apresentando-a como uma existência definida unicamente pelo machismo e anulando qualquer outro traço de trajetória prática.</p>
<p>Para definir categoricamente um indivíduo como machista é necessário analisar a convergência entre práticas neste indivíduo, enfatizando quais delas são predominantes, e perceber como ele unifica tudo num discurso que visa à coerência, tentando justificar-se a si mesmo.</p>
<p>O mesmo princípio deve ser aplicado na análise do feminismo excludente. Não é possível definir as feministas ou os feministas excludentes como moldadas ou moldados a toda hora por práticas institucionalizadas de extrema-direita, o punitivismo e o segregacionismo, pois não é verdade. Elas e eles também agem consoante práticas genuinamente de esquerda, nem que seja apenas ao nível do discurso (reduzir a atuação prática à emissão de discursos é comum entre as esquerdas). E é aí que está o problema, pois é aí que emerge o fascismo, na fronteira e na indefinição entre extrema-direita e extrema-esquerda.</p>
<p>Portanto, tal como no caso do machismo, é preciso analisar a convergência entre práticas, enfatizando quais delas são predominantes, e perceber como o indivíduo unifica tudo num discurso que visa à coerência, tentando justificar-se a si mesmo, para definir o que ele realmente é.</p>
<p>Avançando nesse ponto, a esquerda autônoma deixará de destruir-se a si mesma e começará a esboçar procedimentos adequados para lidar com casos de agressão. E as classes capitalistas poderão temê-la novamente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Madinbu		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-290097</link>

		<dc:creator><![CDATA[Madinbu]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2015 22:45:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Goku inverteu a questão: quem não quer diálogo são as feministas excludentes, e o que Goku presenciou, a superação das concepções de mundo pela via dos diálogo entre companheiras E companheiros, é justamente o que elas negam, inviabilizam, e trabalham contra, ao operar a clivagem de gênero a partir de um parâmetro biológico. Além disso, quem não queria dar direito de defesa ao acusado eram e são elas, então mais uma vez são elas que recusam diálogo e se julgam acima do debate. E se a publicação se tornou um recuo ou se favoreceu as separações e a lógica de seitas, a culpa não é do Passa Palavra e sim de quem quer ser seita, ou seja, essa linha política do feminismo excludente. E essa linha que inviabiliza o diálogo e inviabiliza a construção coletiva de alternativas, deve ser combatida enquanto o câncer que é.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Goku inverteu a questão: quem não quer diálogo são as feministas excludentes, e o que Goku presenciou, a superação das concepções de mundo pela via dos diálogo entre companheiras E companheiros, é justamente o que elas negam, inviabilizam, e trabalham contra, ao operar a clivagem de gênero a partir de um parâmetro biológico. Além disso, quem não queria dar direito de defesa ao acusado eram e são elas, então mais uma vez são elas que recusam diálogo e se julgam acima do debate. E se a publicação se tornou um recuo ou se favoreceu as separações e a lógica de seitas, a culpa não é do Passa Palavra e sim de quem quer ser seita, ou seja, essa linha política do feminismo excludente. E essa linha que inviabiliza o diálogo e inviabiliza a construção coletiva de alternativas, deve ser combatida enquanto o câncer que é.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Goku		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-290089</link>

		<dc:creator><![CDATA[Goku]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2015 21:37:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=104632#comment-290089</guid>

					<description><![CDATA[Me contempla o comentário do Nome (ou pseudônimo). O espírito de seita também assombra o Passa Palvra, que com a publicação do artigo não contribuiu em nada para a superação do punitivismo dentro das organizações autônomas. Dentro dessas organizações hoje, não existe nenhum tipo de prática que dispute a consciência dos indivíduos em relação às práticas punitivistas, biologicistas e multiculturalistas que se fazem presentes. A tática da publicação foi puramente idealista, e se transforma agora num verdadeiro recuo dentro dessas ditas organizações. 
Não se trata de relativizar o dito &quot;feminismo excludente&quot;, se trata de entender que apenas é possível superá-lo com diálogo e ações práticas alternativas ao que se tem hoje. Foi através do dialogo e algum tempo passado que presenciei companheiras e companheiros de luta superando essas concepções de mundo. De nenhuma maneira será uma tarefa fácil, dará enxaquecas sim, mas quem não é capaz de aceitar essa missão que tome uma aspirina e se contente em ser apenas um comentador das lutas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me contempla o comentário do Nome (ou pseudônimo). O espírito de seita também assombra o Passa Palvra, que com a publicação do artigo não contribuiu em nada para a superação do punitivismo dentro das organizações autônomas. Dentro dessas organizações hoje, não existe nenhum tipo de prática que dispute a consciência dos indivíduos em relação às práticas punitivistas, biologicistas e multiculturalistas que se fazem presentes. A tática da publicação foi puramente idealista, e se transforma agora num verdadeiro recuo dentro dessas ditas organizações.<br />
Não se trata de relativizar o dito &#8220;feminismo excludente&#8221;, se trata de entender que apenas é possível superá-lo com diálogo e ações práticas alternativas ao que se tem hoje. Foi através do dialogo e algum tempo passado que presenciei companheiras e companheiros de luta superando essas concepções de mundo. De nenhuma maneira será uma tarefa fácil, dará enxaquecas sim, mas quem não é capaz de aceitar essa missão que tome uma aspirina e se contente em ser apenas um comentador das lutas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dokonal		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-289999</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dokonal]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2015 02:54:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=104632#comment-289999</guid>

					<description><![CDATA[Caro Nome (ou pseudônimo),

Você fala que, para si, &quot;pouco importa se esse feminismo é fascista ou não&quot; e logo depois afirma que o que importa é que &quot;esse feminismo está em flagrante contradição com uma organização de massas&quot;. Ocorre que não há contradição entre fascismo e organização de massas. É só olhar o que foi o corporativismo nos regimes fascistas ou qualquer vídeo das marchas fascistas que existem no Youtube. O problema de opor seita à organização de massas é que essa oposição pouco esclarece as coisas, antes coloca-as todas num balaio só.

E organizações diametralmente opostas. Opostas pela prática. Isso me parece a questão fundamental.

Em 2009 houve um artigo publicado aqui a respeito do linchamento moral daquela aluna da Uniban. Aqui o texto: http://passapalavra.info/2009/11/14389 . Perseguiram-na aos gritos de &quot;Puta! Puta!&quot; e o Passa Palavra escreveu à época:

&quot;A fúria que levara outrora a queimar as bruxas, que levara a exterminar judeus durante a segunda guerra mundial, que levara até há poucas décadas atrás a linchar negros no sul dos Estados Unidos é a mesma que levou agora aquela multidão de jovens a pretender a aniquilação moral de uma colega.&quot; 

Além de denunciar aquela histeria machista, o referido artigo se encerra com a seguinte frase: &quot;São reações destas que o fascismo mobilizou e mobilizará de novo se não soubermos liquidá-las logo que ousam surgir.&quot;

Pois bem, quase 6 anos depois e o Passa Palavra ousa publicar a resposta do sujeito que tem sua foto estampada num site que o acusa de &quot;Agressor machista!&quot;. Antes o linchamento moral machista, agora o linchamento moral feminista. Aliás, não me surpreenderia de forma alguma se o sujeito fosse também perseguido por uma turba com outros gritos. 

Quase seis anos se passaram e não apenas não soubemos liquidar essas práticas abjetas, como passamos a relativizá-las e a aceitá-las dentro dos coletivos que militamos. 

E se não demarcarmos claramente as práticas, varrendo-as da esquerda (como essas praticadas pelas feministas excludentes) logo estaremos organizando movimentos de massas para escrachar quem quer que seja.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Nome (ou pseudônimo),</p>
<p>Você fala que, para si, &#8220;pouco importa se esse feminismo é fascista ou não&#8221; e logo depois afirma que o que importa é que &#8220;esse feminismo está em flagrante contradição com uma organização de massas&#8221;. Ocorre que não há contradição entre fascismo e organização de massas. É só olhar o que foi o corporativismo nos regimes fascistas ou qualquer vídeo das marchas fascistas que existem no Youtube. O problema de opor seita à organização de massas é que essa oposição pouco esclarece as coisas, antes coloca-as todas num balaio só.</p>
<p>E organizações diametralmente opostas. Opostas pela prática. Isso me parece a questão fundamental.</p>
<p>Em 2009 houve um artigo publicado aqui a respeito do linchamento moral daquela aluna da Uniban. Aqui o texto: <a href="http://passapalavra.info/2009/11/14389" rel="ugc">http://passapalavra.info/2009/11/14389</a> . Perseguiram-na aos gritos de &#8220;Puta! Puta!&#8221; e o Passa Palavra escreveu à época:</p>
<p>&#8220;A fúria que levara outrora a queimar as bruxas, que levara a exterminar judeus durante a segunda guerra mundial, que levara até há poucas décadas atrás a linchar negros no sul dos Estados Unidos é a mesma que levou agora aquela multidão de jovens a pretender a aniquilação moral de uma colega.&#8221; </p>
<p>Além de denunciar aquela histeria machista, o referido artigo se encerra com a seguinte frase: &#8220;São reações destas que o fascismo mobilizou e mobilizará de novo se não soubermos liquidá-las logo que ousam surgir.&#8221;</p>
<p>Pois bem, quase 6 anos depois e o Passa Palavra ousa publicar a resposta do sujeito que tem sua foto estampada num site que o acusa de &#8220;Agressor machista!&#8221;. Antes o linchamento moral machista, agora o linchamento moral feminista. Aliás, não me surpreenderia de forma alguma se o sujeito fosse também perseguido por uma turba com outros gritos. </p>
<p>Quase seis anos se passaram e não apenas não soubemos liquidar essas práticas abjetas, como passamos a relativizá-las e a aceitá-las dentro dos coletivos que militamos. </p>
<p>E se não demarcarmos claramente as práticas, varrendo-as da esquerda (como essas praticadas pelas feministas excludentes) logo estaremos organizando movimentos de massas para escrachar quem quer que seja.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Nome (ou pseudônimo)		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-289980</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nome (ou pseudônimo)]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2015 21:22:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=104632#comment-289980</guid>

					<description><![CDATA[Na minha opinião, todo esse debate foge do essencial: que tipo de organização estamos construindo?
Ao contrário do que tem dito o Passa Palavra, o grande &quot;câncer&quot; que aflige a extrema esquerda não é o feminismo excludente (o próprio termo é equivocado), mas antes o fato de que atualmente na extrema esquerda predominam os pequenos clubes e seitas, que substituíram as grandes organizações de massa de outrora. Advirto que aqui o termo seita é utilizado para caracterizar unicamente a estrutura interna da organização, e não seu relacionamento com outras organizações. Assim, o feminismo excludente é apenas um sintoma dessa mudança no plano organizativo.
Ora, assim como as seitas blanquistas e bakuninistas do século XIX chegavam até ao absurdo de impor o ateísmo como regra para todos os simpatizantes, as seitas atuais da extrema esquerda também possuem seu código de conduta, e o feminismo excludente é uma dessas exigências. Tanto é assim, que não precisa ser um agressor para sofrer retaliações - basta discordar desse princípio. E não há nada de contraditório nisso. O princípio é perfeitamente aplicável às seitas, visto que o objetivo supremo de todas elas é reunir apenas &quot;os melhores, os mais convictos&quot;. A expulsão enquanto método também surge aqui como consequência lógica. Por isso não faz sentido falar de &quot;instrumentalização&quot; do feminismo para determinado projeto político. Não se trata de instrumentalização, trata-se de levar às últimas consequências o projeto político das seitas. Feminismo excludente e organização de seitas são um todo perfeitamente harmônico.
Agora vejamos a crítica do Passa Palavra. Também ela está imbuída do espírito da seita quando tenta provar a todo custo que o feminismo excludente é fascista, o que leva o João Bernardo a afirmar categoricamente que essas feministas devem ser &quot;expulsas da esquerda&quot;. Ou seja, tenta-se apelar para o mesmo recurso que as feministas: identificar qual princípio da seita foi transgredido; e a punição também é a mesma: a expulsão. Aqui também se permanece no mesmo horizonte organizativo, o debate é apenas - qual seita é melhor? que princípio é mais útil à seita?
O debate que pretendo fazer aqui é outro, a saber, o tipo de organização que construímos.
Se combato o feminismo excludente é unicamente porque ele é um princípio constitutivo das seitas, ao passo que o que exige o movimento popular é justamente sua massificação. Por isso, pra mim pouco importa se esse feminismo é fascista ou não. Vamos supor que as feministas consigam provar por a+b que não são fascistas - o que isso muda no fato de que esse feminismo está em flagrante contradição com uma organização de massas? Nada. E é justamente por isso que minha crítica se dirige também ao Passa Palavra. Ao se colocar no mesmo terreno que o inimigo pretende combater, o site acabou por enfraquecer aqueles que dentro dos movimentos travavam o combate contra o espírito de seita que reina na esquerda. Prestou um desserviço ao feminismo e à própria luta de classes.
O sectarismo, os pequenos clubes de afinidades, eis o verdadeiro câncer da esquerda.

&quot;O desenvolvimento do sistema de seitas socialista e o desenvolvimento do movimento operário real estão sempre na relação inversa. Enquanto as seitas se justificarem (historicamente), a classe operária está ainda imatura para um movimento histórico autônomo. Logo que ela atingir essa maturidade, todas as seitas serão essencialmente reacionárias.&quot; Carta de K. Marx a F. Bolte, 23 de Novembro de 1871.

Adendo: Se se quiser mais uma evidência de que a questão é organizativa, é só constatar que os escrachos e expulsões dizem respeito majoritariamente às organizações de esquerda. Não se tem a pretensão de combater o machismo com essas práticas, mas somente &quot;purificar&quot; as organizações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na minha opinião, todo esse debate foge do essencial: que tipo de organização estamos construindo?<br />
Ao contrário do que tem dito o Passa Palavra, o grande &#8220;câncer&#8221; que aflige a extrema esquerda não é o feminismo excludente (o próprio termo é equivocado), mas antes o fato de que atualmente na extrema esquerda predominam os pequenos clubes e seitas, que substituíram as grandes organizações de massa de outrora. Advirto que aqui o termo seita é utilizado para caracterizar unicamente a estrutura interna da organização, e não seu relacionamento com outras organizações. Assim, o feminismo excludente é apenas um sintoma dessa mudança no plano organizativo.<br />
Ora, assim como as seitas blanquistas e bakuninistas do século XIX chegavam até ao absurdo de impor o ateísmo como regra para todos os simpatizantes, as seitas atuais da extrema esquerda também possuem seu código de conduta, e o feminismo excludente é uma dessas exigências. Tanto é assim, que não precisa ser um agressor para sofrer retaliações &#8211; basta discordar desse princípio. E não há nada de contraditório nisso. O princípio é perfeitamente aplicável às seitas, visto que o objetivo supremo de todas elas é reunir apenas &#8220;os melhores, os mais convictos&#8221;. A expulsão enquanto método também surge aqui como consequência lógica. Por isso não faz sentido falar de &#8220;instrumentalização&#8221; do feminismo para determinado projeto político. Não se trata de instrumentalização, trata-se de levar às últimas consequências o projeto político das seitas. Feminismo excludente e organização de seitas são um todo perfeitamente harmônico.<br />
Agora vejamos a crítica do Passa Palavra. Também ela está imbuída do espírito da seita quando tenta provar a todo custo que o feminismo excludente é fascista, o que leva o João Bernardo a afirmar categoricamente que essas feministas devem ser &#8220;expulsas da esquerda&#8221;. Ou seja, tenta-se apelar para o mesmo recurso que as feministas: identificar qual princípio da seita foi transgredido; e a punição também é a mesma: a expulsão. Aqui também se permanece no mesmo horizonte organizativo, o debate é apenas &#8211; qual seita é melhor? que princípio é mais útil à seita?<br />
O debate que pretendo fazer aqui é outro, a saber, o tipo de organização que construímos.<br />
Se combato o feminismo excludente é unicamente porque ele é um princípio constitutivo das seitas, ao passo que o que exige o movimento popular é justamente sua massificação. Por isso, pra mim pouco importa se esse feminismo é fascista ou não. Vamos supor que as feministas consigam provar por a+b que não são fascistas &#8211; o que isso muda no fato de que esse feminismo está em flagrante contradição com uma organização de massas? Nada. E é justamente por isso que minha crítica se dirige também ao Passa Palavra. Ao se colocar no mesmo terreno que o inimigo pretende combater, o site acabou por enfraquecer aqueles que dentro dos movimentos travavam o combate contra o espírito de seita que reina na esquerda. Prestou um desserviço ao feminismo e à própria luta de classes.<br />
O sectarismo, os pequenos clubes de afinidades, eis o verdadeiro câncer da esquerda.</p>
<p>&#8220;O desenvolvimento do sistema de seitas socialista e o desenvolvimento do movimento operário real estão sempre na relação inversa. Enquanto as seitas se justificarem (historicamente), a classe operária está ainda imatura para um movimento histórico autônomo. Logo que ela atingir essa maturidade, todas as seitas serão essencialmente reacionárias.&#8221; Carta de K. Marx a F. Bolte, 23 de Novembro de 1871.</p>
<p>Adendo: Se se quiser mais uma evidência de que a questão é organizativa, é só constatar que os escrachos e expulsões dizem respeito majoritariamente às organizações de esquerda. Não se tem a pretensão de combater o machismo com essas práticas, mas somente &#8220;purificar&#8221; as organizações.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Marcia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-289950</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2015 16:25:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As feministas excludentes não me representam! Radfems: Nunca vi voces ajudarem mulheres que são agredidas por maridos na quebrada. Parem de encher o saco da esquerda, e vão de uma vez por todas para a Assembléia de Deus, que é o lugar de vocês, onde poderão organizar sua Liga Anti-Sexo à vontade, fazer movimento contra pornografia e prostituição e etc. E parem de parasitar o movimento social.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As feministas excludentes não me representam! Radfems: Nunca vi voces ajudarem mulheres que são agredidas por maridos na quebrada. Parem de encher o saco da esquerda, e vão de uma vez por todas para a Assembléia de Deus, que é o lugar de vocês, onde poderão organizar sua Liga Anti-Sexo à vontade, fazer movimento contra pornografia e prostituição e etc. E parem de parasitar o movimento social.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: feminet		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-289861</link>

		<dc:creator><![CDATA[feminet]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2015 15:22:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=104632#comment-289861</guid>

					<description><![CDATA[esse último coment foi xeque mate, esse feminismo intransigente é microscópio, não representa quase nada, só tem incidência na internet e em alguns grupelhos de amigos, amigas ,namoradas, namorados e ativistas, muitas vezes excessivamente confundidos e misturados no dia a dia. perguntem a qualquer ser humano na rua, homem, mulher, l, g, b ou t, se eles sabem o que é escracho, feminismo radical, etc. isso só existe na internet, e nas nossas time lines. o machismo sim, todo mundo ta ligado, e vejo inúmeras iniciativas sérias e de sucesso que o combatem desde baixo. nunca vi nada disso partir desse setor sangue nos óio e dedo na cara, mas aí pode ser ignorância, adoraria conhecer. pra ver e saber, que criticar é pecado capital, incrível que em 2015 ainda exista esse PAVOR da discordância e da troca de ideias.

sobre direito de resposta, é o estado que sequestra a voz da vítima e do acusado, o crime passa ser visto como agressão a sociedade. pra superar isso é preciso superar essa lógica de que há algo ou alguém que pode falar pelos outros. sugiro leitura do texto sobre justiça popular do foucault no livro microfísica do poder, em que ele discute sobre justiça popular com um maoísta, que lembra mto algum desses comentários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>esse último coment foi xeque mate, esse feminismo intransigente é microscópio, não representa quase nada, só tem incidência na internet e em alguns grupelhos de amigos, amigas ,namoradas, namorados e ativistas, muitas vezes excessivamente confundidos e misturados no dia a dia. perguntem a qualquer ser humano na rua, homem, mulher, l, g, b ou t, se eles sabem o que é escracho, feminismo radical, etc. isso só existe na internet, e nas nossas time lines. o machismo sim, todo mundo ta ligado, e vejo inúmeras iniciativas sérias e de sucesso que o combatem desde baixo. nunca vi nada disso partir desse setor sangue nos óio e dedo na cara, mas aí pode ser ignorância, adoraria conhecer. pra ver e saber, que criticar é pecado capital, incrível que em 2015 ainda exista esse PAVOR da discordância e da troca de ideias.</p>
<p>sobre direito de resposta, é o estado que sequestra a voz da vítima e do acusado, o crime passa ser visto como agressão a sociedade. pra superar isso é preciso superar essa lógica de que há algo ou alguém que pode falar pelos outros. sugiro leitura do texto sobre justiça popular do foucault no livro microfísica do poder, em que ele discute sobre justiça popular com um maoísta, que lembra mto algum desses comentários.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: cristina		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104632/#comment-289710</link>

		<dc:creator><![CDATA[cristina]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2015 20:35:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=104632#comment-289710</guid>

					<description><![CDATA[Compas Dany e Simone, concordo inteiramente com vocês, sinto-me muito confortada e contemplada por seu posicionamento. Acho também que a advertência de João Bernardo é fundamental, me parece que não há retorno, é preciso combater o mal que se apresenta. 
É imprescindível ressaltar, no entanto, que o feminismo excludente é apenas uma pequena parcela do feminismo. Quanto à maioria dele, é preciso não superestimar nossas diferenças em relação à forma de oposição ao machismo, que estão apoiadas igualmente em valores emancipadores. Pode-se discordar do modo como o Passa Palavra se posicionou, mas ainda assim esse eventual equívoco não seria digno de simpatia e tolerância como tentativa de oposição ao retrocesso representado por todos os princípios que sustentam o escracho? Em que lado desta polêmica encontra o legítimo feminismo o seu ponto de afinidade? Certamente ele não reside em rótulos, “feminista”, em contraposição a “não feminista”, mas não pode deixar de recusar a violência e a injustiça que são as causas mesmas do machismo. Falar em nome das mulheres não é necessariamente defendê-las, invocar o feminismo não é necessariamente ser feminista, como já foi dito aqui, pode ser ideologia, machismo, ainda que involuntariamente. É preciso deixar claro nesta polêmica que ambas as partes falam em nome do feminismo e que, portanto, não se trata de decidir entre quem defende e quem ataca o feminismo e, sim, onde está verdadeiramente o interesse feminista. Lutar contra uma forma falaciosa de feminismo é lutar contra o machismo. Lutar contra o machismo é um compromisso de todo o companheiro e companheira sérios, não há a menor dúvida disso. Aqui é preciso contextualizar o debate no interior de um movimento político, de onde ele surgiu, para reinserir o nosso poder de discernimento na realidade material à qual ele pertence. Tendo isso em mente, podemos dizer: todos aqueles que estão apoiados em princípios efetivamente libertários concordam na importância do combate ao machismo, agora, se discordarmos quanto à forma de travá-lo, por que isso haveria de ser fundamental? Na militância não só se tem nas relações diretas muitos outros mecanismos para comprovar o compromisso político de companheiros e companheiras, no diálogo direto, na realização de tarefas, na divisão dos espaços, como também o caráter essencial da atuação prática, na realidade das periferias, na superação dos riscos e das dificuldades, segundo as exigências de organização do movimento, se encarregará de fazer avançar esta reflexão, descartando as racionalizações e produzindo os acordos decisivos a partir dos quais superar divergências específicas e prosseguir na luta. Como a polêmica em torno do feminismo se tornou muito acirrada e angustiante é fundamental que recuperemos o distanciamento crítico para não perder de vista o seu verdadeiro foco nem superestimá-la de maneira que venha a produzir mais opacidade numa conjuntura que por si só já é excessivamente intrincada e opressiva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Compas Dany e Simone, concordo inteiramente com vocês, sinto-me muito confortada e contemplada por seu posicionamento. Acho também que a advertência de João Bernardo é fundamental, me parece que não há retorno, é preciso combater o mal que se apresenta.<br />
É imprescindível ressaltar, no entanto, que o feminismo excludente é apenas uma pequena parcela do feminismo. Quanto à maioria dele, é preciso não superestimar nossas diferenças em relação à forma de oposição ao machismo, que estão apoiadas igualmente em valores emancipadores. Pode-se discordar do modo como o Passa Palavra se posicionou, mas ainda assim esse eventual equívoco não seria digno de simpatia e tolerância como tentativa de oposição ao retrocesso representado por todos os princípios que sustentam o escracho? Em que lado desta polêmica encontra o legítimo feminismo o seu ponto de afinidade? Certamente ele não reside em rótulos, “feminista”, em contraposição a “não feminista”, mas não pode deixar de recusar a violência e a injustiça que são as causas mesmas do machismo. Falar em nome das mulheres não é necessariamente defendê-las, invocar o feminismo não é necessariamente ser feminista, como já foi dito aqui, pode ser ideologia, machismo, ainda que involuntariamente. É preciso deixar claro nesta polêmica que ambas as partes falam em nome do feminismo e que, portanto, não se trata de decidir entre quem defende e quem ataca o feminismo e, sim, onde está verdadeiramente o interesse feminista. Lutar contra uma forma falaciosa de feminismo é lutar contra o machismo. Lutar contra o machismo é um compromisso de todo o companheiro e companheira sérios, não há a menor dúvida disso. Aqui é preciso contextualizar o debate no interior de um movimento político, de onde ele surgiu, para reinserir o nosso poder de discernimento na realidade material à qual ele pertence. Tendo isso em mente, podemos dizer: todos aqueles que estão apoiados em princípios efetivamente libertários concordam na importância do combate ao machismo, agora, se discordarmos quanto à forma de travá-lo, por que isso haveria de ser fundamental? Na militância não só se tem nas relações diretas muitos outros mecanismos para comprovar o compromisso político de companheiros e companheiras, no diálogo direto, na realização de tarefas, na divisão dos espaços, como também o caráter essencial da atuação prática, na realidade das periferias, na superação dos riscos e das dificuldades, segundo as exigências de organização do movimento, se encarregará de fazer avançar esta reflexão, descartando as racionalizações e produzindo os acordos decisivos a partir dos quais superar divergências específicas e prosseguir na luta. Como a polêmica em torno do feminismo se tornou muito acirrada e angustiante é fundamental que recuperemos o distanciamento crítico para não perder de vista o seu verdadeiro foco nem superestimá-la de maneira que venha a produzir mais opacidade numa conjuntura que por si só já é excessivamente intrincada e opressiva.</p>
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