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	Comentários sobre: A rebelião não será gourmetizada	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: A		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-336131</link>

		<dc:creator><![CDATA[A]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Aug 2018 19:38:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pouco mais de 3 anos deste artigo e, afinal de contas, a rebelião à esquerda foi sim totalmente gourmetizada e eleitoralizada por aqui. Lula &quot;preso político&quot; como símbolo e mártir desta rebelião gourmetizada - ponto de fuga de toda redução das estratégias das esquerdas à mera disputa institucional. Haddad e Boulos são os candidatos a sucessores, à moda antiga ou com o &quot;novo&quot; verniz, cada qual instrumentalizando os seus respectivos partidos, sindicatos, movimentos sociais e respectivas rebeliões fraudadas e extorquidas. O chamado &quot;campo autonomista&quot; simplesmente esfrangalhou-se, silenciou-se E desapareceu. Esfrangalhou-se, silenciou-se, implodiu-se, foi desaparecido OU desapareceu? A saber... Caminho aberto para a rebelião ser cada vez mais direitizada (o recente lockout dos caminhoneiros e os Bolsonaros da vida que o digam). Enfim: soma e segue - os fascismos à brasileira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pouco mais de 3 anos deste artigo e, afinal de contas, a rebelião à esquerda foi sim totalmente gourmetizada e eleitoralizada por aqui. Lula &#8220;preso político&#8221; como símbolo e mártir desta rebelião gourmetizada &#8211; ponto de fuga de toda redução das estratégias das esquerdas à mera disputa institucional. Haddad e Boulos são os candidatos a sucessores, à moda antiga ou com o &#8220;novo&#8221; verniz, cada qual instrumentalizando os seus respectivos partidos, sindicatos, movimentos sociais e respectivas rebeliões fraudadas e extorquidas. O chamado &#8220;campo autonomista&#8221; simplesmente esfrangalhou-se, silenciou-se E desapareceu. Esfrangalhou-se, silenciou-se, implodiu-se, foi desaparecido OU desapareceu? A saber&#8230; Caminho aberto para a rebelião ser cada vez mais direitizada (o recente lockout dos caminhoneiros e os Bolsonaros da vida que o digam). Enfim: soma e segue &#8211; os fascismos à brasileira.</p>
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		<title>
		Por: Ralf Guth		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-295779</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ralf Guth]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2015 20:15:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em tempo, é evidente o desgosto do David Harvey quando Haddad coloca palavras em sua boca &quot;o senhor mesmo já publicou sobre isso&quot; e depois desmerece a luta autônoma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempo, é evidente o desgosto do David Harvey quando Haddad coloca palavras em sua boca &#8220;o senhor mesmo já publicou sobre isso&#8221; e depois desmerece a luta autônoma.</p>
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		<title>
		Por: enio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-291161</link>

		<dc:creator><![CDATA[enio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2015 17:27:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Que babaquice é essa? Vai abraçar o aécio/alckimin que é mais honesto. me lembra um tal de junior do RJ que defendia não sei o que e virou um compulsivo de extrema direita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que babaquice é essa? Vai abraçar o aécio/alckimin que é mais honesto. me lembra um tal de junior do RJ que defendia não sei o que e virou um compulsivo de extrema direita.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Eugênio Varlino		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-291008</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eugênio Varlino]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2015 19:30:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ocorre que pelo que estou entendendo a estratégia do PT prevê Lula criticando o governo - já que Dilma não pode ser reeleita - alçando-se, assim, como A alternativa de esquerda para 2018. Se nesse caminho precisar criticar o Partido, ótimo, já que assim se reforça frente ao eleitorado insatisfeito como o cara que sabe que a coisa vai mal e que - basta elegê-lo - para que tudo se conserte. Como o conserto é de fachada, um red washing visando vitória eleitoral, é claro que o Encontro (Congresso) do Partido não faria mudança alguma. Aliás só os ingênuos esperariam alguma mudança interna no Partido que tem o melhor formato para o governo capitalista no Brasil, assim como só os ingênuos esperam alguma mudança substantiva pela via institucional e com a troca de Presidente ou de Partido no poder.

http://passapalavra.info/2015/01/101808/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ocorre que pelo que estou entendendo a estratégia do PT prevê Lula criticando o governo &#8211; já que Dilma não pode ser reeleita &#8211; alçando-se, assim, como A alternativa de esquerda para 2018. Se nesse caminho precisar criticar o Partido, ótimo, já que assim se reforça frente ao eleitorado insatisfeito como o cara que sabe que a coisa vai mal e que &#8211; basta elegê-lo &#8211; para que tudo se conserte. Como o conserto é de fachada, um red washing visando vitória eleitoral, é claro que o Encontro (Congresso) do Partido não faria mudança alguma. Aliás só os ingênuos esperariam alguma mudança interna no Partido que tem o melhor formato para o governo capitalista no Brasil, assim como só os ingênuos esperam alguma mudança substantiva pela via institucional e com a troca de Presidente ou de Partido no poder.</p>
<p><a href="http://passapalavra.info/2015/01/101808/" rel="ugc">http://passapalavra.info/2015/01/101808/</a></p>
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		<title>
		Por: Cinismo sem fim		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-290963</link>

		<dc:creator><![CDATA[Cinismo sem fim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2015 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Menos de 10 dias depois do V Congresso Nacional do PT e de sua corrente, o Campo Majoritário - sob seu total controle, ter abafado todas as propostas de mudança nas estruturas internas do partido, feitas pelas correntes minoritárias mais à esquerda, Lula deu as seguintes afirmações em seminário no seu Instituto:

((Mantendo um discurso crítico ao PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma mudança no Partido dos Trabalhadores (PT) durante seminário nesta segunda-feira, em São Paulo. Para Lula, é preciso fazer uma revolução no partido e colocar pessoas mais jovens no PT. No sábado, O GLOBO informou que o ex-presidente, em tom de desabafo, criticou duramente a presidente Dilma Rousseff em reunião no instituto que leva o seu nome. Para Lula, “Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto” e ele próprio está no volume morto.

— Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Eu lembro como é que a gente acreditava nos sonhos, como a gente chorava quando a gente mesmo falava, tal era a crença. Hoje nós precisamos construir isso porque hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém hoje mais trabalha de graça — disse Lula nesta segunda-feira.

— O PT precisa urgentemente voltar a falar pra juventude tomar conta do PT. O PT está velho. Eu, que sou a figura proeminente do PT, já estou com 69 (anos), já estou cansado, já estou falando as mesmas coisas que eu falava em 1980. Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna, colocar gente nova, mais ousada, com mais coragem. Temos que decidir se nós queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos, ou queremos salvar nosso projeto. E acho que nós precisamos criar um novo projeto de organização partidária nesse país.

— O PT está velho. Eu que sou a figura proeminente do PT tenho 69, estou cansado, já estou falando as mesmas coisas que falava em 80. Eu fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna e colocar gente nova, gente que pensa diferente, gente mais ousada, gente com coragem — propôs o ex-presidente. ))

A fala de Lula foi recebida com palmas pela plateia formada por dirigentes petistas, os ministros Juca Ferreira (Cultura) e Renato Janine Ribeiro (Educação) e integrantes de movimentos sociais tradicionais (Movimento dos Sem Terra) e recentes (Levante Popular da Juventude e Fora do Eixo).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Menos de 10 dias depois do V Congresso Nacional do PT e de sua corrente, o Campo Majoritário &#8211; sob seu total controle, ter abafado todas as propostas de mudança nas estruturas internas do partido, feitas pelas correntes minoritárias mais à esquerda, Lula deu as seguintes afirmações em seminário no seu Instituto:</p>
<p>((Mantendo um discurso crítico ao PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma mudança no Partido dos Trabalhadores (PT) durante seminário nesta segunda-feira, em São Paulo. Para Lula, é preciso fazer uma revolução no partido e colocar pessoas mais jovens no PT. No sábado, O GLOBO informou que o ex-presidente, em tom de desabafo, criticou duramente a presidente Dilma Rousseff em reunião no instituto que leva o seu nome. Para Lula, “Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto” e ele próprio está no volume morto.</p>
<p>— Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Eu lembro como é que a gente acreditava nos sonhos, como a gente chorava quando a gente mesmo falava, tal era a crença. Hoje nós precisamos construir isso porque hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém hoje mais trabalha de graça — disse Lula nesta segunda-feira.</p>
<p>— O PT precisa urgentemente voltar a falar pra juventude tomar conta do PT. O PT está velho. Eu, que sou a figura proeminente do PT, já estou com 69 (anos), já estou cansado, já estou falando as mesmas coisas que eu falava em 1980. Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna, colocar gente nova, mais ousada, com mais coragem. Temos que decidir se nós queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos, ou queremos salvar nosso projeto. E acho que nós precisamos criar um novo projeto de organização partidária nesse país.</p>
<p>— O PT está velho. Eu que sou a figura proeminente do PT tenho 69, estou cansado, já estou falando as mesmas coisas que falava em 80. Eu fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna e colocar gente nova, gente que pensa diferente, gente mais ousada, gente com coragem — propôs o ex-presidente. ))</p>
<p>A fala de Lula foi recebida com palmas pela plateia formada por dirigentes petistas, os ministros Juca Ferreira (Cultura) e Renato Janine Ribeiro (Educação) e integrantes de movimentos sociais tradicionais (Movimento dos Sem Terra) e recentes (Levante Popular da Juventude e Fora do Eixo).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo O. Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-290867</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2015 00:39:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sobre o breve parêntese acima, vale lembrar de um cartaz que se destacou num dos primeiros grandes atos em SP, talvez o primeiro: &quot;Acabou o amor em SP. Isso aqui vai virar Porto Alegre.&quot;

Desde a destruição do Tatu da Copa, em 2012, e depois a luta contra o aumento da tarifa entre fevereiro e maio, num crescendo, a capital gaúcha contribuiu bastante com o exemplo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre o breve parêntese acima, vale lembrar de um cartaz que se destacou num dos primeiros grandes atos em SP, talvez o primeiro: &#8220;Acabou o amor em SP. Isso aqui vai virar Porto Alegre.&#8221;</p>
<p>Desde a destruição do Tatu da Copa, em 2012, e depois a luta contra o aumento da tarifa entre fevereiro e maio, num crescendo, a capital gaúcha contribuiu bastante com o exemplo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Breve parêntese		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-290863</link>

		<dc:creator><![CDATA[Breve parêntese]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2015 22:24:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;a falta do Movimento Passe Livre (MPL), que provocou as manifestações de 2013 no país&quot;

Pessoal, São Paulo é importante, é o centro. O passapalavra tem sua base em São Paulo e o debate aqui sempre fica bem centrado por aí. Mas me incomoda mais do que consigo explicar essa tese de que junho foi provocado pelo MPL-SP. Isso está em vários textos (alguns do MPL, aquele livrinho &quot;20 centavos&quot;) e agora reaparece. Isso é no mínimo mentira e se for considerado em suas consequências políticas de invisibilização de milhões de processos de resistência que contribuíram para junho, é no máximo, de uma violência autoritária muito grande.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;a falta do Movimento Passe Livre (MPL), que provocou as manifestações de 2013 no país&#8221;</p>
<p>Pessoal, São Paulo é importante, é o centro. O passapalavra tem sua base em São Paulo e o debate aqui sempre fica bem centrado por aí. Mas me incomoda mais do que consigo explicar essa tese de que junho foi provocado pelo MPL-SP. Isso está em vários textos (alguns do MPL, aquele livrinho &#8220;20 centavos&#8221;) e agora reaparece. Isso é no mínimo mentira e se for considerado em suas consequências políticas de invisibilização de milhões de processos de resistência que contribuíram para junho, é no máximo, de uma violência autoritária muito grande.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Arthemísia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-290857</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arthemísia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2015 20:28:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não precisam disputar; a direita coloca todos no mesmo saco.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não precisam disputar; a direita coloca todos no mesmo saco.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eliane Brum tb entrou no debate		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-290854</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eliane Brum tb entrou no debate]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2015 20:02:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[eliane Brum em sua coluna de hoje no El País Brasil:

“Cidades Rebeldes” é o nome de um seminário promovido pela editora Boitempo e pelo SESC, na segunda semana de junho, que reuniu alguns pensadores da maior relevância sobre o tema, tanto brasileiros, como o próprio Christian Dunker, autor do livro citado anteriormente, quanto estrangeiros como o geógrafo marxista David Harvey. Era também um encontro das esquerdas nesse momento tão desafiador, em que as ruas do país foram tomadas por gritos de direita. Mas houve uma rebelião no debate que debatia a rebelião. O Movimento Independente Mães de Maio divulgou um manifesto cortante com o seguinte título: “A rebelião não será gourmetizada”. (Leia aqui. E sugiro ler também os comentários, para compreender o quadro maior).

O “Mães de Maio” tem na origem um grupo de mulheres, a maioria negras, pobres e periféricas, que perderam seus filhos assassinados, suspeita-se que muitos deles executados pela polícia, nas ruas do estado de São Paulo em maio de 2006. O grupo faz a denúncia cotidiana da violência praticada pelo Estado contra os mais pobres. Costuma chamar Geraldo Alckmin de “governador genocida” e denuncia o que chama de “terrorismo de Estado”. Também empresta o nome à Comissão da Verdade que investiga os crimes cometidos pelo Estado no período democrático. Neste seminário, o movimento foi convidado de última hora para substituir um convidado de primeira hora que precisou cancelar sua participação. Mas recusou o convite. No manifesto explica o porquê.

Entre as justificativas, o Mães de Maio denuncia uma ausência considerada por muitos uma obscenidade: a falta do Movimento Passe Livre (MPL), que provocou as manifestações de 2013 no país, na grade dos debatedores. Também negou a legitimidade de convidados como Luiz Inácio Lula da Silva, que cancelou sua participação antes do início do seminário, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Este último é considerado um repressor dos protestos de 2013, contra o aumento da tarifa do transporte público, o que tornaria sua presença num seminário sobre cidades rebeldes uma ofensa. Não me recordo de nenhum outro manifesto recente de movimentos sociais tão contundente em sua crítica ao PT, definido como o “agonizante Partido dos Trabalhadores” e a Lula, chamado a certa altura de “este sujeito”.

Há muitas interpretações possíveis para a rebelião contra o seminário sobre a rebelião. Também há muitas versões. Todas elas fascinantes e muito mais fundamentais para compreender o atual momento do que pode parecer à primeira vista. Como estamos murados, porém, muitos dos sentidos possíveis foram apagados por polarizações (sempre elas). Alguns desqualificaram o debate já antes do manifesto, por ter nele figuras do PT. Logo, nada ali, nem todos os outros, inclusive críticos do PT, poderiam ser escutados. Outros desqualificaram o Movimento Independente Mães de Maio. Outros ainda magoaram-se porque suas melhores intenções não foram compreendidas e se viram num lugar muito incômodo, já que temos a tendência de acreditar que somos só bacanas e estamos a salvo.

Com esse gesto, o Mães de Maio dificultou a recolocação do PT no contexto das ruas e das rebeliões e também na identificação como “esquerda”, o que é muito forte. Dificultou a recolocação do PT não só como protagonista, mas também como participante do movimento mais amplo das cidades rebeldes. Mostrou também que hoje não basta incluir no debate um ou dois representantes das periferias e dos movimentos sociais, o que até pouco tempo teria sido suficiente e garantiria um ambiente controlado. O que o Mães de Maio disse talvez de mais importante é que, no Brasil atual, para ter legitimidade não é suficiente falar sobre, é preciso falar com. Para isso também é necessário que todos – todos mesmo – compreendam que “com” significa “com” – e não “só nós”. Do contrário a lógica dos muros permanece a mesma, ainda que se mude os personagens de lugar. Hoje, é urgente estar de fato com o outro e se arriscar ao que isso significa. Arriscar-se, portanto, à rebelião.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>eliane Brum em sua coluna de hoje no El País Brasil:</p>
<p>“Cidades Rebeldes” é o nome de um seminário promovido pela editora Boitempo e pelo SESC, na segunda semana de junho, que reuniu alguns pensadores da maior relevância sobre o tema, tanto brasileiros, como o próprio Christian Dunker, autor do livro citado anteriormente, quanto estrangeiros como o geógrafo marxista David Harvey. Era também um encontro das esquerdas nesse momento tão desafiador, em que as ruas do país foram tomadas por gritos de direita. Mas houve uma rebelião no debate que debatia a rebelião. O Movimento Independente Mães de Maio divulgou um manifesto cortante com o seguinte título: “A rebelião não será gourmetizada”. (Leia aqui. E sugiro ler também os comentários, para compreender o quadro maior).</p>
<p>O “Mães de Maio” tem na origem um grupo de mulheres, a maioria negras, pobres e periféricas, que perderam seus filhos assassinados, suspeita-se que muitos deles executados pela polícia, nas ruas do estado de São Paulo em maio de 2006. O grupo faz a denúncia cotidiana da violência praticada pelo Estado contra os mais pobres. Costuma chamar Geraldo Alckmin de “governador genocida” e denuncia o que chama de “terrorismo de Estado”. Também empresta o nome à Comissão da Verdade que investiga os crimes cometidos pelo Estado no período democrático. Neste seminário, o movimento foi convidado de última hora para substituir um convidado de primeira hora que precisou cancelar sua participação. Mas recusou o convite. No manifesto explica o porquê.</p>
<p>Entre as justificativas, o Mães de Maio denuncia uma ausência considerada por muitos uma obscenidade: a falta do Movimento Passe Livre (MPL), que provocou as manifestações de 2013 no país, na grade dos debatedores. Também negou a legitimidade de convidados como Luiz Inácio Lula da Silva, que cancelou sua participação antes do início do seminário, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Este último é considerado um repressor dos protestos de 2013, contra o aumento da tarifa do transporte público, o que tornaria sua presença num seminário sobre cidades rebeldes uma ofensa. Não me recordo de nenhum outro manifesto recente de movimentos sociais tão contundente em sua crítica ao PT, definido como o “agonizante Partido dos Trabalhadores” e a Lula, chamado a certa altura de “este sujeito”.</p>
<p>Há muitas interpretações possíveis para a rebelião contra o seminário sobre a rebelião. Também há muitas versões. Todas elas fascinantes e muito mais fundamentais para compreender o atual momento do que pode parecer à primeira vista. Como estamos murados, porém, muitos dos sentidos possíveis foram apagados por polarizações (sempre elas). Alguns desqualificaram o debate já antes do manifesto, por ter nele figuras do PT. Logo, nada ali, nem todos os outros, inclusive críticos do PT, poderiam ser escutados. Outros desqualificaram o Movimento Independente Mães de Maio. Outros ainda magoaram-se porque suas melhores intenções não foram compreendidas e se viram num lugar muito incômodo, já que temos a tendência de acreditar que somos só bacanas e estamos a salvo.</p>
<p>Com esse gesto, o Mães de Maio dificultou a recolocação do PT no contexto das ruas e das rebeliões e também na identificação como “esquerda”, o que é muito forte. Dificultou a recolocação do PT não só como protagonista, mas também como participante do movimento mais amplo das cidades rebeldes. Mostrou também que hoje não basta incluir no debate um ou dois representantes das periferias e dos movimentos sociais, o que até pouco tempo teria sido suficiente e garantiria um ambiente controlado. O que o Mães de Maio disse talvez de mais importante é que, no Brasil atual, para ter legitimidade não é suficiente falar sobre, é preciso falar com. Para isso também é necessário que todos – todos mesmo – compreendam que “com” significa “com” – e não “só nós”. Do contrário a lógica dos muros permanece a mesma, ainda que se mude os personagens de lugar. Hoje, é urgente estar de fato com o outro e se arriscar ao que isso significa. Arriscar-se, portanto, à rebelião.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104815/#comment-290850</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2015 17:22:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Charles,

Na minha primeira reposta a você eu já disse que a esquerda precisa ter umas boas aulas de marketing. Quem disse que o &quot;o seminário inteiro tinha o intuito de alavancar a eleição do PT&quot;?
Tem que desenhar para você pelo jeito.
Lula na abertura de todo o resto, Haddad no meio.. todos misturados como se fizessem parte da &#039;esquerda&#039;, como se fizessem parte das práticas que eles na prática são contra.
Esquece o conteúdo do seminário, não é disso que se trata, mas de operação de marketing, branding.

O seminário foi organizado por quem entendeu junho e agora quer usa-lo para refazer uma imagem de esquerda àqueles que estiveram do outro lado da barricada. Agora, quem acha racional colocar Lula na abertura de um seminário desse, falando sobre algo que o Partido dele estiveram no papel de cri8minalização... Novamente, somente sendo muito ingênuo politicamente. É fácil repetir que se trata de &#039;teoria da conspiração&#039;. Fica parecendo o sujeito que depois do golpe de 64 afirma que aqueles que dizem que houve golpe se baseia em teoria da conspiração... Enfim, termino essa discussão por aqui, pois o sujeito que diante do fato não quer enxergar, só pode ser alguma defesa de consciência por ter gostado do seminário. E não tem problema nenhum em gostar. Se alguma palestra tivesse me interessado teria assistido na internet sem problemas.

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, assim como representante do PT de Minas serão provavelmente convidados para o próximo seminários “Cidades Rebeldes”, em nome da diversidade e do não sectarismo.

Nesse momento ele e seu partido colocam a PM para expulsar e reprimir violentamente 8 mil famílias das ocupações da região do Isidoro em Belo Horizonte, em nome de grandes empreendimentos imobiliários. Se não bastasse o PT-MG solta notas criminalizadoras e manipuladoras. E ainda há gente que acha normal esses gestores serem convidados para um seminário sobre rebeldia nas cidades. Mais sensato seria logo convidar o comandante da PM.

“Repudiamos a nota do PT-MG e a cobertura midiática sobre as ocupações da Izidora”
https://www.facebook.com/notes/705514579594522/?pnref=story]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Charles,</p>
<p>Na minha primeira reposta a você eu já disse que a esquerda precisa ter umas boas aulas de marketing. Quem disse que o &#8220;o seminário inteiro tinha o intuito de alavancar a eleição do PT&#8221;?<br />
Tem que desenhar para você pelo jeito.<br />
Lula na abertura de todo o resto, Haddad no meio.. todos misturados como se fizessem parte da &#8216;esquerda&#8217;, como se fizessem parte das práticas que eles na prática são contra.<br />
Esquece o conteúdo do seminário, não é disso que se trata, mas de operação de marketing, branding.</p>
<p>O seminário foi organizado por quem entendeu junho e agora quer usa-lo para refazer uma imagem de esquerda àqueles que estiveram do outro lado da barricada. Agora, quem acha racional colocar Lula na abertura de um seminário desse, falando sobre algo que o Partido dele estiveram no papel de cri8minalização&#8230; Novamente, somente sendo muito ingênuo politicamente. É fácil repetir que se trata de &#8216;teoria da conspiração&#8217;. Fica parecendo o sujeito que depois do golpe de 64 afirma que aqueles que dizem que houve golpe se baseia em teoria da conspiração&#8230; Enfim, termino essa discussão por aqui, pois o sujeito que diante do fato não quer enxergar, só pode ser alguma defesa de consciência por ter gostado do seminário. E não tem problema nenhum em gostar. Se alguma palestra tivesse me interessado teria assistido na internet sem problemas.</p>
<p>O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, assim como representante do PT de Minas serão provavelmente convidados para o próximo seminários “Cidades Rebeldes”, em nome da diversidade e do não sectarismo.</p>
<p>Nesse momento ele e seu partido colocam a PM para expulsar e reprimir violentamente 8 mil famílias das ocupações da região do Isidoro em Belo Horizonte, em nome de grandes empreendimentos imobiliários. Se não bastasse o PT-MG solta notas criminalizadoras e manipuladoras. E ainda há gente que acha normal esses gestores serem convidados para um seminário sobre rebeldia nas cidades. Mais sensato seria logo convidar o comandante da PM.</p>
<p>“Repudiamos a nota do PT-MG e a cobertura midiática sobre as ocupações da Izidora”<br />
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