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	Comentários sobre: Tempestade perfeita? A oposição de direita e os desafios para a extrema esquerda (1)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-311854</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2016 12:38:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro quatro pontinhos, o gráfico já conta com essa curva, tendo como base o valor de janeiro de 2014. Repare, por exemplo, que os valores anteriores ao plano real já estão em reais, e que depois da conta o ano de 1994, por exemplo, mostra um salário mínimo de R$ 310 quando ele era de R$ 65 reais.

É interessante notar que mesmo com os benefícios capitalistas indiscutíveis de se explorar os trabalhadores via mais-valia relativa (o que implica aumento dos salários e demais &quot;imputs&quot;) o aumento real em 20 anos (1994 a 2014) foi de apenas 146%. O salário mínimo do trabalhador brasileiro subiu 1.019%, mas segundo pesquisa do Instituto Assaf quando se desconta a inflação do período a alta se reduz a esses 146%.

Pior, com a retirada do PT do poder aparentemente estamos vivenciando um retorno no acento dos métodos de exploração de mais-valia absoluta (retirada mais grosseira e violenta de direitos e retomada de concessões históricas), deixando os métodos refinados de mais-valia relativa apenas para alguns setores de maior qualificação e os de fração de classe mais combativa, que não aceitam o arroucho e demais temperos do azedume da exploração mais grosseira (e, paradoxalmente, menos eficaz, menos lucrativa etc).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro quatro pontinhos, o gráfico já conta com essa curva, tendo como base o valor de janeiro de 2014. Repare, por exemplo, que os valores anteriores ao plano real já estão em reais, e que depois da conta o ano de 1994, por exemplo, mostra um salário mínimo de R$ 310 quando ele era de R$ 65 reais.</p>
<p>É interessante notar que mesmo com os benefícios capitalistas indiscutíveis de se explorar os trabalhadores via mais-valia relativa (o que implica aumento dos salários e demais &#8220;imputs&#8221;) o aumento real em 20 anos (1994 a 2014) foi de apenas 146%. O salário mínimo do trabalhador brasileiro subiu 1.019%, mas segundo pesquisa do Instituto Assaf quando se desconta a inflação do período a alta se reduz a esses 146%.</p>
<p>Pior, com a retirada do PT do poder aparentemente estamos vivenciando um retorno no acento dos métodos de exploração de mais-valia absoluta (retirada mais grosseira e violenta de direitos e retomada de concessões históricas), deixando os métodos refinados de mais-valia relativa apenas para alguns setores de maior qualificação e os de fração de classe mais combativa, que não aceitam o arroucho e demais temperos do azedume da exploração mais grosseira (e, paradoxalmente, menos eficaz, menos lucrativa etc).</p>
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		<title>
		Por: ....		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-311853</link>

		<dc:creator><![CDATA[....]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2016 07:04:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No gráfico de historico do salario minimo, é importante incluir a curva de inflação pra expor o verdeiro poder de compra do dinheiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No gráfico de historico do salario minimo, é importante incluir a curva de inflação pra expor o verdeiro poder de compra do dinheiro.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294524</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2015 14:06:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[LEWIS CARROLL [sobre o (ab)uso das palavras etc.]

– Quando eu uso uma palavra, – Humpty Dumpty disse com certo desprezo – ela significa o que eu quiser que ela signifique... Nem mais nem menos.
– A questão é – disse Alice – se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.
– A questão é – disse Humpty Dumpty – quem será o chefe... E eis tudo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LEWIS CARROLL [sobre o (ab)uso das palavras etc.]</p>
<p>– Quando eu uso uma palavra, – Humpty Dumpty disse com certo desprezo – ela significa o que eu quiser que ela signifique&#8230; Nem mais nem menos.<br />
– A questão é – disse Alice – se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.<br />
– A questão é – disse Humpty Dumpty – quem será o chefe&#8230; E eis tudo.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294421</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2015 17:16:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Felipe, concordo que o governo vem apontando para um realinhamento (mais que nada político) com os EUA, mas acho que ainda não temos elementos para dizer que esteja havendo um enfraquecimento das relações sul-sul (leia-se Brasil-China). Os EUA tem mostrado inclinação para vir com mais ofensiva retomar o “quintal”, mas a China não reduziu em nada suas operações por aqui. O que “ajudou” nessa impressão de que os EUA estão mais próximos e a China mais afastada é o fato de que o preço das commoditys caiu e a China passou a encomendar menos, por outro lado a América do Sul é espaço de venda dos produtos chineses, talvez até mais do que espaço de obtenção de matéria-prima barata. A coisa é tão forte que o Brasil chega a impor tarifas não-alfandegárias a países do Mercosul, porque a China tem feito passar seus produtos por meio deles, a fim de se beneficiar dos acordos do Mercosul. Ou seja, os produtos chineses chegam pelo Atlântico e pelo Pacífico. Concordo com vc ainda sobre a “frente policlassista que tem o PT como instrumento político”, mas não sei se ela está se desintegrando. Creio que ela esteja sendo atacada por outras frações do capital, como vou mostrar nas partes seguintes da série, e que esse ataque a fez entrar em “descompasso”, já que o instrumento político deixou de atender satisfatoriamente às demandas do pacto social, deixando descontentes tanto os tabalhadores quantos os capitalistas naquilo que vc chamou de  “frente policlassista”.

Cara Maria Pinassi, achei interessante a ideia de que a “nova classe média” é um “engodo composto de trabalhadores precários com consciência de consumidor pequeno burguês” e que ela foi despolitizada pelo PT e hoje encontra nas críticas elaboradas pela direita formas de se repolitizar. Ainda assim, olho com reservas a ideia de “despolitização”, pois quando ela passa à maior passividade, debaixo da asa do petismo, ela está pondo em prática uma política, que é a política da assimilação à ordem visando interesses materiais. Justamente por ela ter na última década aprofundado sua “consciência de consumidor” ela passa a criticar o governo quando a economia deixa de lhe proporcionar o ascenso nos níveis de consumo. A plataforma política dela é defensiva, pelega, mas eu não chamaria de despolitizada e sim de adoção acrítica da política do consenso. Quanto ao ponto 3, concordo inteiramente que o neodesenvolvimentismo petista é uma resposta que deu novo fôlego ao neoliberalismo, uma resposta que continua e aprofunda o neoliberalismo pela via da maior atuação do Estado. Claro, o conceito de neoliberalismo aqui não é sinônimo de política econômica de quebra de barreiras e “Estado mínimo” e sim de “racionalidade” que espraia a lógica da competição e da mercadoria por todos os poros da vida social, inclusive onde não se produz mercadorias, como por exemplo dentro de casa ou em uma Universidade pública. 

Caro Gisil Beraht, achei importantíssimas suas colocações sobre a necessidade de entendermos as estruturas em que as conjunturas se realizam e se sustentam. A citação de Pannekoek é preciosa e creio que devemos estender a reflexão para além da forma sindicato, até a forma movimento social. Minha opinião sobre o papel da classe trabalhadora na “imposição” do PT ao poder vai no sentido da contrarrevolução permanente: para evitar qualquer radicalização das lutas colocou-se no governo o Partido que dialogava e manejava mais de perto os trabalhadores e seus órgãos de luta. Isso é pouco ou nada consciente para algumas frações do capital, mas nem por isso menos efetivo, a meu ver, até porque quando essa situação se coloca há um conjunto de interesses que confluem: são patrões se articulando com a CUT visando maiores lucros, e que na troca aceitam apoiar  PT, são trabalhadores organizados no MST visando melhores condições de vida e que votam no PT por acreditar que a reforma agrária seria facilitada, são banqueiros interessados na estabilidade da ordem e que apoiam a eleição do PT a fim de “segurar as massas” descontentes etc . Discordo de você quando diz que o PT nunca fora um partido verdadeiramente de massas e quando questiona a capacidade dele manejar de perto a classe trabalhadora. O PT é o partido do manejo dos trabalhadores; pense-se a ligação dele com os principais sindicatos e movimentos sociais, pense-se os ministérios criados para dialogar com as demandas dos trabalhadores e dos capitalistas (por exemplo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério da Agricultura etc) e pense-se no papel que Gilberto Carvalho cumpriu durante anos. Já sobre as razões do PSDB reinar “absoluto” em SP (nem tanto! Veja algumas administrações da capital...) No mais, concordo que a fração da burguesia “nacional” que apoia e permite que o PT chegue ao poder “precisava se enquadrar e enquadrar o Brasil dentro das novas transformações exigidas pelo capital” em escala global.

Caro Júlio, quanto ao ataque à Petrobras, ancorado em denúncias de corrupção: a meu ver as denúncias de corrupção são um subterfúgio para se “atacar” as frações capitalistas e de gestores que controlavam todo o esquema entre partidos-governo-Petrobrás-empreiteiras. A Operação Lava Jato desarticulou esse esquema, permitindo que outras frações do capital (inclusive externo) até então alijadas do esquema lucrativo pudessem se apropriar do butim. A corrupção é algo bem arraigado na Petrobrás e em todas as demais empresas transnacionais do mundo todo, o que leva a uma denúncia dessa proporção, e com prisão de grandes tubarões do capital brasileiro, são interesses econômicos precisos de rifagem de uma fração do capital por outra. Sobre a intervenção zapatista, não me parece adequado tratar das divisões de classe como três esferas (“temerosos siempre de los de abajo, fueron despojados por los de más arriba”). Sobre a não separação entre o financeiro e o produtivo indico o texto a seguir: http://passapalavra.info/2012/08/62764. É interessante sua reflexão sobre a crise levar a uma disputa por frações de um bolo menor, mas na repartição da mais-valia quem se apropria das fatias maiores não é o capital financeiro e sim as grandes corporações transnacionais, que são capital “financeiro”, “produtivo”, “comercial” e até “rendatário”, tudo ao mesmo tempo. 

Caro Sinomar Ferreira do Rio, peço que acompanhe as partes seguintes da série, onde acredito que serão dissipadas algumas das suas questões. As que ficarem no ar podemos dialogar a seguir.   

Caro Ulisses, de fato quando falo de “o capital” estou tratando ele enquanto “objeto abstrato formal, universal concreto, hipóstase &#038;/aut conceito reificado” e concordo que se trata de (in)definições pragmatizáveis” do capital. O capital é sempre pluralidade de capitais, embora exista a tendência à concentração e centralização há também o inverso e por isso Marx afirmava que é impossível o capital vir a se tornar “uno”, superando a competição, por exemplo. Mas discordo que os capitais não estão nem aí com quem está &quot;no poder&quot;, na gestão do Estado. De fato o PT (ou qualquer Partido que chega à administração estatal) nunca esteve no poder em sentido forte, já que o poder de fato é poder de controle da força de trabalho e da apropriação do valor, mas o sentido de “poder” ali é o de “governo”, e os capitais em disputa querem ter influência no aparato estatal para entrar em melhores condições na briga intercapitalista e contra os trabalhadores, e especialmente quando sua atividade está ligada à produção capitalista das condições gerais de produção (CGP), seja porque o Estado é quem pode atribuir as bases legais da exploração capitalista nesses setores, seja porque o Estado financia as obras, elabora as licitações etc. Quando falei em “bases políticas sólidas” me referi ao fato de que o sistema capitalista, esteja ou não em crise e esteja ou não assentando em bolhas de capital especulativo e de crédito, não está passando por situações pré-revolucionárias e de afronta à ordem exploradora. Mas de fato “bases políticas” é muito ambíguo e o melhor seria dizer que o sistema é “aparentemente dotado de instituições políticas sólidas”, já que tudo isso pode vir por água abaixo se os trabalhadores se organizarem em ofensiva contra a ordem do capital.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Felipe, concordo que o governo vem apontando para um realinhamento (mais que nada político) com os EUA, mas acho que ainda não temos elementos para dizer que esteja havendo um enfraquecimento das relações sul-sul (leia-se Brasil-China). Os EUA tem mostrado inclinação para vir com mais ofensiva retomar o “quintal”, mas a China não reduziu em nada suas operações por aqui. O que “ajudou” nessa impressão de que os EUA estão mais próximos e a China mais afastada é o fato de que o preço das commoditys caiu e a China passou a encomendar menos, por outro lado a América do Sul é espaço de venda dos produtos chineses, talvez até mais do que espaço de obtenção de matéria-prima barata. A coisa é tão forte que o Brasil chega a impor tarifas não-alfandegárias a países do Mercosul, porque a China tem feito passar seus produtos por meio deles, a fim de se beneficiar dos acordos do Mercosul. Ou seja, os produtos chineses chegam pelo Atlântico e pelo Pacífico. Concordo com vc ainda sobre a “frente policlassista que tem o PT como instrumento político”, mas não sei se ela está se desintegrando. Creio que ela esteja sendo atacada por outras frações do capital, como vou mostrar nas partes seguintes da série, e que esse ataque a fez entrar em “descompasso”, já que o instrumento político deixou de atender satisfatoriamente às demandas do pacto social, deixando descontentes tanto os tabalhadores quantos os capitalistas naquilo que vc chamou de  “frente policlassista”.</p>
<p>Cara Maria Pinassi, achei interessante a ideia de que a “nova classe média” é um “engodo composto de trabalhadores precários com consciência de consumidor pequeno burguês” e que ela foi despolitizada pelo PT e hoje encontra nas críticas elaboradas pela direita formas de se repolitizar. Ainda assim, olho com reservas a ideia de “despolitização”, pois quando ela passa à maior passividade, debaixo da asa do petismo, ela está pondo em prática uma política, que é a política da assimilação à ordem visando interesses materiais. Justamente por ela ter na última década aprofundado sua “consciência de consumidor” ela passa a criticar o governo quando a economia deixa de lhe proporcionar o ascenso nos níveis de consumo. A plataforma política dela é defensiva, pelega, mas eu não chamaria de despolitizada e sim de adoção acrítica da política do consenso. Quanto ao ponto 3, concordo inteiramente que o neodesenvolvimentismo petista é uma resposta que deu novo fôlego ao neoliberalismo, uma resposta que continua e aprofunda o neoliberalismo pela via da maior atuação do Estado. Claro, o conceito de neoliberalismo aqui não é sinônimo de política econômica de quebra de barreiras e “Estado mínimo” e sim de “racionalidade” que espraia a lógica da competição e da mercadoria por todos os poros da vida social, inclusive onde não se produz mercadorias, como por exemplo dentro de casa ou em uma Universidade pública. </p>
<p>Caro Gisil Beraht, achei importantíssimas suas colocações sobre a necessidade de entendermos as estruturas em que as conjunturas se realizam e se sustentam. A citação de Pannekoek é preciosa e creio que devemos estender a reflexão para além da forma sindicato, até a forma movimento social. Minha opinião sobre o papel da classe trabalhadora na “imposição” do PT ao poder vai no sentido da contrarrevolução permanente: para evitar qualquer radicalização das lutas colocou-se no governo o Partido que dialogava e manejava mais de perto os trabalhadores e seus órgãos de luta. Isso é pouco ou nada consciente para algumas frações do capital, mas nem por isso menos efetivo, a meu ver, até porque quando essa situação se coloca há um conjunto de interesses que confluem: são patrões se articulando com a CUT visando maiores lucros, e que na troca aceitam apoiar  PT, são trabalhadores organizados no MST visando melhores condições de vida e que votam no PT por acreditar que a reforma agrária seria facilitada, são banqueiros interessados na estabilidade da ordem e que apoiam a eleição do PT a fim de “segurar as massas” descontentes etc . Discordo de você quando diz que o PT nunca fora um partido verdadeiramente de massas e quando questiona a capacidade dele manejar de perto a classe trabalhadora. O PT é o partido do manejo dos trabalhadores; pense-se a ligação dele com os principais sindicatos e movimentos sociais, pense-se os ministérios criados para dialogar com as demandas dos trabalhadores e dos capitalistas (por exemplo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério da Agricultura etc) e pense-se no papel que Gilberto Carvalho cumpriu durante anos. Já sobre as razões do PSDB reinar “absoluto” em SP (nem tanto! Veja algumas administrações da capital&#8230;) No mais, concordo que a fração da burguesia “nacional” que apoia e permite que o PT chegue ao poder “precisava se enquadrar e enquadrar o Brasil dentro das novas transformações exigidas pelo capital” em escala global.</p>
<p>Caro Júlio, quanto ao ataque à Petrobras, ancorado em denúncias de corrupção: a meu ver as denúncias de corrupção são um subterfúgio para se “atacar” as frações capitalistas e de gestores que controlavam todo o esquema entre partidos-governo-Petrobrás-empreiteiras. A Operação Lava Jato desarticulou esse esquema, permitindo que outras frações do capital (inclusive externo) até então alijadas do esquema lucrativo pudessem se apropriar do butim. A corrupção é algo bem arraigado na Petrobrás e em todas as demais empresas transnacionais do mundo todo, o que leva a uma denúncia dessa proporção, e com prisão de grandes tubarões do capital brasileiro, são interesses econômicos precisos de rifagem de uma fração do capital por outra. Sobre a intervenção zapatista, não me parece adequado tratar das divisões de classe como três esferas (“temerosos siempre de los de abajo, fueron despojados por los de más arriba”). Sobre a não separação entre o financeiro e o produtivo indico o texto a seguir: <a href="http://passapalavra.info/2012/08/62764" rel="ugc">http://passapalavra.info/2012/08/62764</a>. É interessante sua reflexão sobre a crise levar a uma disputa por frações de um bolo menor, mas na repartição da mais-valia quem se apropria das fatias maiores não é o capital financeiro e sim as grandes corporações transnacionais, que são capital “financeiro”, “produtivo”, “comercial” e até “rendatário”, tudo ao mesmo tempo. </p>
<p>Caro Sinomar Ferreira do Rio, peço que acompanhe as partes seguintes da série, onde acredito que serão dissipadas algumas das suas questões. As que ficarem no ar podemos dialogar a seguir.   </p>
<p>Caro Ulisses, de fato quando falo de “o capital” estou tratando ele enquanto “objeto abstrato formal, universal concreto, hipóstase &amp;/aut conceito reificado” e concordo que se trata de (in)definições pragmatizáveis” do capital. O capital é sempre pluralidade de capitais, embora exista a tendência à concentração e centralização há também o inverso e por isso Marx afirmava que é impossível o capital vir a se tornar “uno”, superando a competição, por exemplo. Mas discordo que os capitais não estão nem aí com quem está &#8220;no poder&#8221;, na gestão do Estado. De fato o PT (ou qualquer Partido que chega à administração estatal) nunca esteve no poder em sentido forte, já que o poder de fato é poder de controle da força de trabalho e da apropriação do valor, mas o sentido de “poder” ali é o de “governo”, e os capitais em disputa querem ter influência no aparato estatal para entrar em melhores condições na briga intercapitalista e contra os trabalhadores, e especialmente quando sua atividade está ligada à produção capitalista das condições gerais de produção (CGP), seja porque o Estado é quem pode atribuir as bases legais da exploração capitalista nesses setores, seja porque o Estado financia as obras, elabora as licitações etc. Quando falei em “bases políticas sólidas” me referi ao fato de que o sistema capitalista, esteja ou não em crise e esteja ou não assentando em bolhas de capital especulativo e de crédito, não está passando por situações pré-revolucionárias e de afronta à ordem exploradora. Mas de fato “bases políticas” é muito ambíguo e o melhor seria dizer que o sistema é “aparentemente dotado de instituições políticas sólidas”, já que tudo isso pode vir por água abaixo se os trabalhadores se organizarem em ofensiva contra a ordem do capital.</p>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294400</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2015 14:56:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A ÍRIS DO OLHO DE DEUS TEM MUITOS ARCOS
O divino Capital só existe em suas metástases, que são bem mais do que a unitrina ou triuna ménage paifilho&#038;holyspirit. Objeto abstrato formal, universal concreto, hipóstase &#038;/aut conceito reificado são (in)definições pragmatizáveis do Capital. 
Mas, empiricamente, o que há são capitais. Os quais, aliás, não estão nem aí (aqui ou lá), nem tampouco &quot;contra e a favor da permanência do PT no poder&quot;. Pela simples razão de que o PT nunca esteve no poder. E pela menos simples razão de que o poder não é um lugar a ser tomado ou ocupado, com &quot;bases políticas sólidas&quot; (seja lá o que isto pretenda significar) ou sem elas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ÍRIS DO OLHO DE DEUS TEM MUITOS ARCOS<br />
O divino Capital só existe em suas metástases, que são bem mais do que a unitrina ou triuna ménage paifilho&amp;holyspirit. Objeto abstrato formal, universal concreto, hipóstase &amp;/aut conceito reificado são (in)definições pragmatizáveis do Capital.<br />
Mas, empiricamente, o que há são capitais. Os quais, aliás, não estão nem aí (aqui ou lá), nem tampouco &#8220;contra e a favor da permanência do PT no poder&#8221;. Pela simples razão de que o PT nunca esteve no poder. E pela menos simples razão de que o poder não é um lugar a ser tomado ou ocupado, com &#8220;bases políticas sólidas&#8221; (seja lá o que isto pretenda significar) ou sem elas&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294346</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2015 04:14:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros leitores/comentadores, peço desculpas por não ter dialogado com vocês ainda, estou tendo uma semana corrida e prometo dialogar em breve. 

Ao Sinomar Ferreira do Rio, adianto que o texto aqui é a parte primeira de três; nas outras duas (especialmente na terceira) vou expor a pesquisa dos financiamentos de campanha etc. delineando melhor quem é o capital contra e a favor da permanência do PT no poder.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros leitores/comentadores, peço desculpas por não ter dialogado com vocês ainda, estou tendo uma semana corrida e prometo dialogar em breve. </p>
<p>Ao Sinomar Ferreira do Rio, adianto que o texto aqui é a parte primeira de três; nas outras duas (especialmente na terceira) vou expor a pesquisa dos financiamentos de campanha etc. delineando melhor quem é o capital contra e a favor da permanência do PT no poder.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Sinomar Ferreira do Rio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294313</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sinomar Ferreira do Rio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2015 20:19:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao ler o artigo senti,pela sua capacidade de determinar a vida dos homens individuais e a dos organismos sociais, e isso com tanto eficácia, uma forte inclinação em fazer reverência a essa entidade abstrata - e ao mesmo tempo tão concreta: divina mesma- o Capital. Quanto poder!!  E o Lula, o grade catalizador e canalizador dos desígnios desse Deus perverso: um profeta mesmo. 
Só não entendi uma coisa. Há, segundo o artigo, duas direitas, uma favorável e condutora do PT ao poder e outra contrária, que trabalha para sua expulsão. Não entendi qual é a direita a favor e qual é a direita contra o PT, e porque uma é a favor e a outra contra? 
Também não consegui visualizar elementos que de fato permitam à Esquerda estabelecer uma vitória contra esse Capital tão poderoso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao ler o artigo senti,pela sua capacidade de determinar a vida dos homens individuais e a dos organismos sociais, e isso com tanto eficácia, uma forte inclinação em fazer reverência a essa entidade abstrata &#8211; e ao mesmo tempo tão concreta: divina mesma- o Capital. Quanto poder!!  E o Lula, o grade catalizador e canalizador dos desígnios desse Deus perverso: um profeta mesmo.<br />
Só não entendi uma coisa. Há, segundo o artigo, duas direitas, uma favorável e condutora do PT ao poder e outra contrária, que trabalha para sua expulsão. Não entendi qual é a direita a favor e qual é a direita contra o PT, e porque uma é a favor e a outra contra?<br />
Também não consegui visualizar elementos que de fato permitam à Esquerda estabelecer uma vitória contra esse Capital tão poderoso.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bouladão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294206</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bouladão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2015 20:51:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Boulos - A preparação do golpe e o governo pasmo

http://outraspalavras.net/brasil/boulos-a-preparacao-do-golpe-e-o-governo-bestificado/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Boulos &#8211; A preparação do golpe e o governo pasmo</p>
<p><a href="http://outraspalavras.net/brasil/boulos-a-preparacao-do-golpe-e-o-governo-bestificado/" rel="nofollow ugc">http://outraspalavras.net/brasil/boulos-a-preparacao-do-golpe-e-o-governo-bestificado/</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Júlio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294172</link>

		<dc:creator><![CDATA[Júlio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2015 14:18:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=105243#comment-294172</guid>

					<description><![CDATA[olá, pablo e pessoal, mto interessante o artigo. 
tenho uma dúvida e uma contribuição ao debate, não minha mas zapatista. 

a dúvida é para o pablo, que num momento do texto diz: O que vimos foi o contrário: um ataque em massa contra a estatal, ancorado em denúncias de corrupção.

eu não entendi essa parte, vc está dizendo que as denúncias de corrupção são um subterfúgio para se &quot;atacar&quot; a Petrobrás? em que se consistem esses ataques e com que interesses, tipo gente querendo desvalorizar as ações, gente querendo privatizar a empresa (se é que já não é ne)...? eu não entendi. 

pq pra mim como leigo me parece que a corrupção é algo bem arraigado na Petrobrás - óbvio que todas as denúncias midiáticas são sempre vazadas por alguém, mas a impressão que eu tinha era que foram tantos séculos de rapina pesada, em todos os níveis, que uma hora a coisa estourou - pra vc, pablo, é mais do que isso? um exemplo é uma matéria na piauí de março, chamada &quot;a outra história americana&quot;, e que fala não sobre o caso mais famosos de Pasadena, mas sobre uma outra transação, que não chegou a ser concluída, mas na qual a Petrobrás pagaria 200 e tantos milhões pra comprar blocos de exploração que valiam cerca de 40 - narrando isso a jornalista mostra a estrutura corrompida da empresa toda. 

enfim, e a contribuição era a respeito da crise, pensando-a não só como nacional mas global ne, esse foi um eixo importante das falas zapatistas no seminário sobre pensamento crítico realizado em chiapas em maio. pro debate aqui eu recomendaria principalmente esta intervenção do marcos/galeano 

http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2015/05/04/el-metodo-la-bibliografia-y-un-drone-en-las-profundidades-de-las-montanas-del-sureste-mexicano-supgaleano-4-de-mayo-de-2015/

achei bastante interessante a reflexão de como por exemplo em praticamente todo o mundo ninguém sabe o que vai acontecer, isso parece claro aqui, no méxico, na grécia, na argentina, na venezuela... &quot;No tienen permitido decir la verdad: no tienen ni la más remota idea de a dónde conducirá esta crisis.&quot;

tbm acho q esse trecho abaixo pode dialogar com o texto, ao apontar a contradição de que os de cima, com medo dos debaixo, acabar sendo espoliados pelos mais de cima ainda, pelo capital financeiro. talvez isso tbm esteja na raiz da briga de foice entre o capital no momento, o bolo ficando cada vez menor pq as fatias do capital financeiro são cada vez maiores, e aí as máfias (partidos/empresas) se degladiando cada vez mais pelo que sobra... 

&quot;Aunque las viejas estructuras del poder político y económico todavía aparezcan de tanto en tanto a decir alguna insensatez, no son sino escombros de lo que fueron.  La mayoría de las grandes empresas antes nacionales, ahora no son sino prestanombres de los grandes capitalistas mundiales, y todos, absolutamente todos, están atados y sometidos por la banca internacional.  Ironías: temerosos siempre de los de abajo, fueron despojados por los de más arriba. &quot;

enfim,
abraços!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>olá, pablo e pessoal, mto interessante o artigo.<br />
tenho uma dúvida e uma contribuição ao debate, não minha mas zapatista. </p>
<p>a dúvida é para o pablo, que num momento do texto diz: O que vimos foi o contrário: um ataque em massa contra a estatal, ancorado em denúncias de corrupção.</p>
<p>eu não entendi essa parte, vc está dizendo que as denúncias de corrupção são um subterfúgio para se &#8220;atacar&#8221; a Petrobrás? em que se consistem esses ataques e com que interesses, tipo gente querendo desvalorizar as ações, gente querendo privatizar a empresa (se é que já não é ne)&#8230;? eu não entendi. </p>
<p>pq pra mim como leigo me parece que a corrupção é algo bem arraigado na Petrobrás &#8211; óbvio que todas as denúncias midiáticas são sempre vazadas por alguém, mas a impressão que eu tinha era que foram tantos séculos de rapina pesada, em todos os níveis, que uma hora a coisa estourou &#8211; pra vc, pablo, é mais do que isso? um exemplo é uma matéria na piauí de março, chamada &#8220;a outra história americana&#8221;, e que fala não sobre o caso mais famosos de Pasadena, mas sobre uma outra transação, que não chegou a ser concluída, mas na qual a Petrobrás pagaria 200 e tantos milhões pra comprar blocos de exploração que valiam cerca de 40 &#8211; narrando isso a jornalista mostra a estrutura corrompida da empresa toda. </p>
<p>enfim, e a contribuição era a respeito da crise, pensando-a não só como nacional mas global ne, esse foi um eixo importante das falas zapatistas no seminário sobre pensamento crítico realizado em chiapas em maio. pro debate aqui eu recomendaria principalmente esta intervenção do marcos/galeano </p>
<p><a href="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2015/05/04/el-metodo-la-bibliografia-y-un-drone-en-las-profundidades-de-las-montanas-del-sureste-mexicano-supgaleano-4-de-mayo-de-2015/" rel="nofollow ugc">http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2015/05/04/el-metodo-la-bibliografia-y-un-drone-en-las-profundidades-de-las-montanas-del-sureste-mexicano-supgaleano-4-de-mayo-de-2015/</a></p>
<p>achei bastante interessante a reflexão de como por exemplo em praticamente todo o mundo ninguém sabe o que vai acontecer, isso parece claro aqui, no méxico, na grécia, na argentina, na venezuela&#8230; &#8220;No tienen permitido decir la verdad: no tienen ni la más remota idea de a dónde conducirá esta crisis.&#8221;</p>
<p>tbm acho q esse trecho abaixo pode dialogar com o texto, ao apontar a contradição de que os de cima, com medo dos debaixo, acabar sendo espoliados pelos mais de cima ainda, pelo capital financeiro. talvez isso tbm esteja na raiz da briga de foice entre o capital no momento, o bolo ficando cada vez menor pq as fatias do capital financeiro são cada vez maiores, e aí as máfias (partidos/empresas) se degladiando cada vez mais pelo que sobra&#8230; </p>
<p>&#8220;Aunque las viejas estructuras del poder político y económico todavía aparezcan de tanto en tanto a decir alguna insensatez, no son sino escombros de lo que fueron.  La mayoría de las grandes empresas antes nacionales, ahora no son sino prestanombres de los grandes capitalistas mundiales, y todos, absolutamente todos, están atados y sometidos por la banca internacional.  Ironías: temerosos siempre de los de abajo, fueron despojados por los de más arriba. &#8221;</p>
<p>enfim,<br />
abraços!</p>
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		<title>
		Por: Gisil Beraht		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105243/#comment-294114</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gisil Beraht]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2015 03:16:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Este excelente texto nos faz um importante convite &quot;para pensarmos em conjunto as saídas da tempestade&quot;. Neste sentido posto aqui algumas observações para a discussão que acredito pertinentes.

Creio que o lapso temporal para compreender a “tempestade perfeita” deva ser ampliado para que as “respostas possíveis” possam ser mais precisas. 

O João Bernardo afirma que  “Actualmente temos uma economia transnacionalizada, capitalistas internacionalizados e trabalhadores repartidos por nações”, mas que “Nem sempre foi esta a situação. (...) Assim, durante a primeira guerra mundial, precisamente quando os capitalistas mais divididos se encontravam pelas rivalidades entre nações, os trabalhadores foram capazes de impor a sua solidariedade internacional. Nada unia ou separava as classes dominantes senão as fidelidades e hostilidades nacionais, ou até dinásticas, enquanto os trabalhadores depressa desenvolveram um quadro comum, o socialismo, que ultrapassou todas as fronteiras. (...) A crise económica que eclodiu em 1929 alterou completamente o panorama. Geraram-se então as condições para a internacionalização dos capitalistas e para o recomeço da fragmentação nacional dos trabalhadores” (https://comunism0.wordpress.com/internacionalizacao-dos-capitalistas-e-fragmentacao-dostrabalhadores/).

Assim, se é importante entendermos as conjunturas, também é fundamental compreendermos as estruturas em que estas conjunturas se realizam e se sustentam. A conjuntura aqui delineada, no âmbito nacional, mais ou menos dos anos 1980 à atualidade está diretamente ligada a este passado histórico da fragmentação nacional dos trabalhadores em nível mundial e que se inicia no Brasil na “Era Vargas” (cujo os traços fascistas são marcantes e determinantes), por exigências das transformações do capital neste período. Dentre as exigências estão, obviamente, a subordinação dos trabalhadores e a cooptação dos seus instrumentos de luta, como bem nos lembra Anton Pannekoek: “O desenvolvimento do poder dos sindicatos permite uma normalização do capitalismo, uma certa norma de exploração é universalmente aceite e estabelecida. Uma norma para os salários, que corresponda às exigências vitais mais modestas e tal que os trabalhadores, empurrados pela fome, não sejam conduzidos à revolta, é necessária para que a produção não se faça aos solavancos. Uma norma para os horários de trabalho, não esgotando de todo a vitalidade da classe operária - ainda que as reduções de horários sejam largamente compensadas pela aceleração da cadência e pela intensidade do esforço - é necessária ao capitalismo em si mesmo; é preciso ter em reserva uma classe operária utilizável pela explorarão futura. Foi a classe operária que, com as suas lutas contra a mesquinhez e estreiteza de espírito da capacidade capitalista, contribuiu para estabelecer as condições de um capitalismo normal. Sem parar, deve bater-se para preservar este precário equilíbrio. Os sindicatos são os instrumentos destas lutas, por isso preenchem uma função indispensável no capitalismo. Alguns patrões menos espertos não compreendem isto, mas os seus chefes políticos, mais avisados, sabem muito bem que os sindicatos são um elemento essencial ao capitalismo, e que, sem esta força reguladora que são os sindicatos operários, o poder capitalista não seria completo. Finalmente, se bem que produzidos pelas lutas dos operários e mantidos vivos pelos seus esforços e sacrifícios, os sindicatos tornaram-se órgãos da sociedade capitalista. (http://guy-debord.blogspot.com.br/2009/06/anton-pannekoek-o-sindicalismo.html).

Ora, neste sentido, embora as bases da CUT e do PT trouxessem consigo o desejo de luta e de transformações, já de início estes ideais estavam condenados a se perderem ou se diluirem nas diversas formas alienadas e alienantes do capitalismo, posto que  compunham e organizavam fragmentariamente, não só formal, mas, também, na “prática”, a classe trabalhadora, como nos ensina Guy Debord: “Uma organização revolucionária existente antes do poder dos Conselhos - deverá encontrar lutando a sua própria forma - sabe já, por todas essas razões históricas, que não representa a classe. Deve somente reconhecer-se a si própria como uma separação radical para com o mundo da separação”.

Sem querer subestimar (nem superestimar) a classe trabalhadora, não foi ela, infelizmente (mas dependendo do ponto de vista, felizmente...), que impôs o PT no poder, até porque, o PT só chegou ao poder através de uma aliança totalmente pérfida e contraditória (ao menos em teoria) com o PL (Partido Liberal) de José Alencar e, portanto, teve “literalmente” por “base” o empresariado e a classe média.  Além do mais, não se pode dizer, no meu entender, que o PT tinha  a capacidade de manejar de perto a classe trabalhadora, até porque, embora tivesse uma base aguerrida e militante, nunca fora um partido verdadeiramente de massas. A composição do poder nas esferas municipais, estaduais e, inclusive, revelam isto com tamanha clareza. Não é à toa que PSDB reina absoluto no mais populoso dos estados, São Paulo.  Resumidamente, quando o PT  chega ao poder, a classe trabalhadora já tinha sofrido tantos e tamanhos golpes que, embora não estivesse morta e vez ou outra pudesse engendrar reações importantes mas não tão revolucionárias, não seria tanto ela a determinar o PT no poder (embora tenha sido relevante), e sim uma fração da burguesia nacional que precisava se enquadrar e enquadrar o Brasil dentro das novas transformações exigidas pelo capital.

Só através de um olhar verdadeiramente crítico que leve em consideração os reais limites e potencialidades da classe trabalhadora, tanto no passado como no presente, é se pode fazer propostas emancipatórias para o futuro.

Gisil Beraht]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este excelente texto nos faz um importante convite &#8220;para pensarmos em conjunto as saídas da tempestade&#8221;. Neste sentido posto aqui algumas observações para a discussão que acredito pertinentes.</p>
<p>Creio que o lapso temporal para compreender a “tempestade perfeita” deva ser ampliado para que as “respostas possíveis” possam ser mais precisas. </p>
<p>O João Bernardo afirma que  “Actualmente temos uma economia transnacionalizada, capitalistas internacionalizados e trabalhadores repartidos por nações”, mas que “Nem sempre foi esta a situação. (&#8230;) Assim, durante a primeira guerra mundial, precisamente quando os capitalistas mais divididos se encontravam pelas rivalidades entre nações, os trabalhadores foram capazes de impor a sua solidariedade internacional. Nada unia ou separava as classes dominantes senão as fidelidades e hostilidades nacionais, ou até dinásticas, enquanto os trabalhadores depressa desenvolveram um quadro comum, o socialismo, que ultrapassou todas as fronteiras. (&#8230;) A crise económica que eclodiu em 1929 alterou completamente o panorama. Geraram-se então as condições para a internacionalização dos capitalistas e para o recomeço da fragmentação nacional dos trabalhadores” (<a href="https://comunism0.wordpress.com/internacionalizacao-dos-capitalistas-e-fragmentacao-dostrabalhadores/" rel="nofollow ugc">https://comunism0.wordpress.com/internacionalizacao-dos-capitalistas-e-fragmentacao-dostrabalhadores/</a>).</p>
<p>Assim, se é importante entendermos as conjunturas, também é fundamental compreendermos as estruturas em que estas conjunturas se realizam e se sustentam. A conjuntura aqui delineada, no âmbito nacional, mais ou menos dos anos 1980 à atualidade está diretamente ligada a este passado histórico da fragmentação nacional dos trabalhadores em nível mundial e que se inicia no Brasil na “Era Vargas” (cujo os traços fascistas são marcantes e determinantes), por exigências das transformações do capital neste período. Dentre as exigências estão, obviamente, a subordinação dos trabalhadores e a cooptação dos seus instrumentos de luta, como bem nos lembra Anton Pannekoek: “O desenvolvimento do poder dos sindicatos permite uma normalização do capitalismo, uma certa norma de exploração é universalmente aceite e estabelecida. Uma norma para os salários, que corresponda às exigências vitais mais modestas e tal que os trabalhadores, empurrados pela fome, não sejam conduzidos à revolta, é necessária para que a produção não se faça aos solavancos. Uma norma para os horários de trabalho, não esgotando de todo a vitalidade da classe operária &#8211; ainda que as reduções de horários sejam largamente compensadas pela aceleração da cadência e pela intensidade do esforço &#8211; é necessária ao capitalismo em si mesmo; é preciso ter em reserva uma classe operária utilizável pela explorarão futura. Foi a classe operária que, com as suas lutas contra a mesquinhez e estreiteza de espírito da capacidade capitalista, contribuiu para estabelecer as condições de um capitalismo normal. Sem parar, deve bater-se para preservar este precário equilíbrio. Os sindicatos são os instrumentos destas lutas, por isso preenchem uma função indispensável no capitalismo. Alguns patrões menos espertos não compreendem isto, mas os seus chefes políticos, mais avisados, sabem muito bem que os sindicatos são um elemento essencial ao capitalismo, e que, sem esta força reguladora que são os sindicatos operários, o poder capitalista não seria completo. Finalmente, se bem que produzidos pelas lutas dos operários e mantidos vivos pelos seus esforços e sacrifícios, os sindicatos tornaram-se órgãos da sociedade capitalista. (<a href="http://guy-debord.blogspot.com.br/2009/06/anton-pannekoek-o-sindicalismo.html" rel="nofollow ugc">http://guy-debord.blogspot.com.br/2009/06/anton-pannekoek-o-sindicalismo.html</a>).</p>
<p>Ora, neste sentido, embora as bases da CUT e do PT trouxessem consigo o desejo de luta e de transformações, já de início estes ideais estavam condenados a se perderem ou se diluirem nas diversas formas alienadas e alienantes do capitalismo, posto que  compunham e organizavam fragmentariamente, não só formal, mas, também, na “prática”, a classe trabalhadora, como nos ensina Guy Debord: “Uma organização revolucionária existente antes do poder dos Conselhos &#8211; deverá encontrar lutando a sua própria forma &#8211; sabe já, por todas essas razões históricas, que não representa a classe. Deve somente reconhecer-se a si própria como uma separação radical para com o mundo da separação”.</p>
<p>Sem querer subestimar (nem superestimar) a classe trabalhadora, não foi ela, infelizmente (mas dependendo do ponto de vista, felizmente&#8230;), que impôs o PT no poder, até porque, o PT só chegou ao poder através de uma aliança totalmente pérfida e contraditória (ao menos em teoria) com o PL (Partido Liberal) de José Alencar e, portanto, teve “literalmente” por “base” o empresariado e a classe média.  Além do mais, não se pode dizer, no meu entender, que o PT tinha  a capacidade de manejar de perto a classe trabalhadora, até porque, embora tivesse uma base aguerrida e militante, nunca fora um partido verdadeiramente de massas. A composição do poder nas esferas municipais, estaduais e, inclusive, revelam isto com tamanha clareza. Não é à toa que PSDB reina absoluto no mais populoso dos estados, São Paulo.  Resumidamente, quando o PT  chega ao poder, a classe trabalhadora já tinha sofrido tantos e tamanhos golpes que, embora não estivesse morta e vez ou outra pudesse engendrar reações importantes mas não tão revolucionárias, não seria tanto ela a determinar o PT no poder (embora tenha sido relevante), e sim uma fração da burguesia nacional que precisava se enquadrar e enquadrar o Brasil dentro das novas transformações exigidas pelo capital.</p>
<p>Só através de um olhar verdadeiramente crítico que leve em consideração os reais limites e potencialidades da classe trabalhadora, tanto no passado como no presente, é se pode fazer propostas emancipatórias para o futuro.</p>
<p>Gisil Beraht</p>
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