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	Comentários sobre: Tempestade Perfeita? A oposição de direita e os desafios para a extrema esquerda (3)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: gilberto tedeia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105432/#comment-298127</link>

		<dc:creator><![CDATA[gilberto tedeia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2015 04:48:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Umas observaçõezinhas quase que externas à série &quot;Tempestade Perfeita? A oposição de direita e os desafios para a extrema esquerda&quot;, composta por três textos .

De saída, que a análise proposta representa uma boa novidade, ao discernir, no miolo confuso que aparece agregado sob o rótulo &quot;governabilidade&quot;, o jogo de conflitos e oposições enfrentadas e o impacto das decisões governamentais nos interesses do capital sem se prender a descrição de manchetes de jornais ou declarações de seus representantes, porta-vozes ou analistas de mercado, o que por si só já desmonta a quase totalidade de tudo o que lemos por aí.

Segundo, em defesa da manutenção da apresentação bem fornida em alentadas tabelas, que o autor especula no comentário parece estar afugentando os leitores, gostaria de lembrar a todos a chatice que é a leitura d&#039;O Capital de Marx no que se refere àquela miríade de dados e cálculos para destacar que a boa análise materialista não é mera síntese pela reflexão mas uma abstração que toma as dimensões da concretude a contrapelo como base material da leitura imanente das suas contradições. A alternativa a isso seria... apresentar sim a centena e tanta de tabelas que acabaram não sendo publicadas, ou seja, não tem jeito...

Terceiro, não é por nada não, mas tem muita dissertação de mestrado que não vale 1/10 do que temos aqui, bastaria um capítulo explicitando, só como exemplo e retomando notas de um dos comentários ao texto três, alguns conceitos como o Controle Geral da Produção, gestores x proprietários etc... 

Quarto, fica no leitor a certeza de que o debate que temos por aí está todinho pautado pela hegemonia da tese do lulismo de resultados como o mal-menor.

Quinto: lembrado que fomos de estarmos a tratar da franja visível e legal das doações e que as verbas destinadas à candidatura majoritária federal também absorvem desvios de verbas originalmente destinadas a outras candidaturas, ainda assim seria interessante se alguém pegasse a deixa, e se propusesse a percorrer o bolo registrado no TSE para as eleições de 2002: talvez apenas se confirme a preferência dos setores que dependam diretamente de políticas públicas de financiamento e contratos, mas talvez surjam algumas surpresas. 

Por fim, no principal, a série mostra que o &quot;bolo do capital&quot; não é tão imparcial assim nos seus posicionamentos, embates e preferências, e vejo alguns desdobramentos possíveis dessa alentada pesquisa:

(1) temos o desafio de ficarmos atento às dimensões que a pesquisa nos ensina a reter para não ficarmos reféns da retórica do mal-menor que prende a esquerda no colo de políticas públicas que anulem uma práxis e construção de hegemonias anti-sistêmica e anticapitalista,  

(2) acompanharmos nas próximas eleições também as doações às candidaturas do legislativo, em especial, aos defensores assumidos da transferência a capitais estrangeiros da infra-estrutura produtiva, para então um outro recorte aparecer, que é 

(3) a da (re?)colonização do espaço econômico nacional nos termos de uma divisão internacional do trabalho que reproduza uma interesses geopolíticos plantados pelo Departamento de Estado Norte-Americano versus capitais chineses, a dimensão dos Brics e o subimperialismo brasileiro no espaço econômico latino-americano.

(4) e assim evitarmos uma mera apologia de &quot;interesses nacionais&quot; versus &quot;interesses estrangeiros, e sim construirmos uma rede de coletivos de esquerda radical que não se restrinjam a decorar manuais e sim vislumbrem pautas e saberes em suas lutas regionais que possam se contrapor ao movimento cego de belas-almas de boa-vontade pautadas pela religião regida por rituais mágicos em nome do deus-dinheiro, seus porta-vozes, o &quot;mercado&quot; e suas epístolas neodesenvolvimentistas de meia pataca --- a comungarem todos sabe-se lá que hóstia seja servida [com gás pimenta a temperar o que se passa por estado de Direito Realmente Existente, seja nas remoções forçadas, seja na transferência de fundos públicos, seja nas políticas estatais de redesenho urbano ou de circulação de mercadorias, a lista não acaba mais] sempre em nome da governabilidade a travestir a mesma maximização de lucros e o mata-esfola de sempre que acomete o mundo do trabalho [que vai muito bem, obrigado, a brincar com suas miçangas e espelhos pendurados no zapzap/facebook/baladas/drogadição lícita ou ilícita, amém], pouco importa quem saia ganhando a queda de braço entre seus players ou o grupos de pastores colocados à frente do altar em Brasília.

Sigamos!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Umas observaçõezinhas quase que externas à série &#8220;Tempestade Perfeita? A oposição de direita e os desafios para a extrema esquerda&#8221;, composta por três textos .</p>
<p>De saída, que a análise proposta representa uma boa novidade, ao discernir, no miolo confuso que aparece agregado sob o rótulo &#8220;governabilidade&#8221;, o jogo de conflitos e oposições enfrentadas e o impacto das decisões governamentais nos interesses do capital sem se prender a descrição de manchetes de jornais ou declarações de seus representantes, porta-vozes ou analistas de mercado, o que por si só já desmonta a quase totalidade de tudo o que lemos por aí.</p>
<p>Segundo, em defesa da manutenção da apresentação bem fornida em alentadas tabelas, que o autor especula no comentário parece estar afugentando os leitores, gostaria de lembrar a todos a chatice que é a leitura d&#8217;O Capital de Marx no que se refere àquela miríade de dados e cálculos para destacar que a boa análise materialista não é mera síntese pela reflexão mas uma abstração que toma as dimensões da concretude a contrapelo como base material da leitura imanente das suas contradições. A alternativa a isso seria&#8230; apresentar sim a centena e tanta de tabelas que acabaram não sendo publicadas, ou seja, não tem jeito&#8230;</p>
<p>Terceiro, não é por nada não, mas tem muita dissertação de mestrado que não vale 1/10 do que temos aqui, bastaria um capítulo explicitando, só como exemplo e retomando notas de um dos comentários ao texto três, alguns conceitos como o Controle Geral da Produção, gestores x proprietários etc&#8230; </p>
<p>Quarto, fica no leitor a certeza de que o debate que temos por aí está todinho pautado pela hegemonia da tese do lulismo de resultados como o mal-menor.</p>
<p>Quinto: lembrado que fomos de estarmos a tratar da franja visível e legal das doações e que as verbas destinadas à candidatura majoritária federal também absorvem desvios de verbas originalmente destinadas a outras candidaturas, ainda assim seria interessante se alguém pegasse a deixa, e se propusesse a percorrer o bolo registrado no TSE para as eleições de 2002: talvez apenas se confirme a preferência dos setores que dependam diretamente de políticas públicas de financiamento e contratos, mas talvez surjam algumas surpresas. </p>
<p>Por fim, no principal, a série mostra que o &#8220;bolo do capital&#8221; não é tão imparcial assim nos seus posicionamentos, embates e preferências, e vejo alguns desdobramentos possíveis dessa alentada pesquisa:</p>
<p>(1) temos o desafio de ficarmos atento às dimensões que a pesquisa nos ensina a reter para não ficarmos reféns da retórica do mal-menor que prende a esquerda no colo de políticas públicas que anulem uma práxis e construção de hegemonias anti-sistêmica e anticapitalista,  </p>
<p>(2) acompanharmos nas próximas eleições também as doações às candidaturas do legislativo, em especial, aos defensores assumidos da transferência a capitais estrangeiros da infra-estrutura produtiva, para então um outro recorte aparecer, que é </p>
<p>(3) a da (re?)colonização do espaço econômico nacional nos termos de uma divisão internacional do trabalho que reproduza uma interesses geopolíticos plantados pelo Departamento de Estado Norte-Americano versus capitais chineses, a dimensão dos Brics e o subimperialismo brasileiro no espaço econômico latino-americano.</p>
<p>(4) e assim evitarmos uma mera apologia de &#8220;interesses nacionais&#8221; versus &#8220;interesses estrangeiros, e sim construirmos uma rede de coletivos de esquerda radical que não se restrinjam a decorar manuais e sim vislumbrem pautas e saberes em suas lutas regionais que possam se contrapor ao movimento cego de belas-almas de boa-vontade pautadas pela religião regida por rituais mágicos em nome do deus-dinheiro, seus porta-vozes, o &#8220;mercado&#8221; e suas epístolas neodesenvolvimentistas de meia pataca &#8212; a comungarem todos sabe-se lá que hóstia seja servida [com gás pimenta a temperar o que se passa por estado de Direito Realmente Existente, seja nas remoções forçadas, seja na transferência de fundos públicos, seja nas políticas estatais de redesenho urbano ou de circulação de mercadorias, a lista não acaba mais] sempre em nome da governabilidade a travestir a mesma maximização de lucros e o mata-esfola de sempre que acomete o mundo do trabalho [que vai muito bem, obrigado, a brincar com suas miçangas e espelhos pendurados no zapzap/facebook/baladas/drogadição lícita ou ilícita, amém], pouco importa quem saia ganhando a queda de braço entre seus players ou o grupos de pastores colocados à frente do altar em Brasília.</p>
<p>Sigamos!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105432/#comment-296580</link>

		<dc:creator><![CDATA[vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2015 14:39:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quem tem que financiar JBS &#038; cia são bancos privados mesmo, não bancos públicos com juros abaixo da inflação. A &quot;nova matriz econômica&quot; foi um completo desastre, melhor admitir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem tem que financiar JBS &amp; cia são bancos privados mesmo, não bancos públicos com juros abaixo da inflação. A &#8220;nova matriz econômica&#8221; foi um completo desastre, melhor admitir.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Lage		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105432/#comment-296529</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lage]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2015 19:42:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=105432#comment-296529</guid>

					<description><![CDATA[Olá Pablo,
obrigado pela resposta atenciosa. Esclareceu parte das minhas questões, mas ainda permaneço sem estar convencido da hipótese da tensão entre gestores e burguesia tradicional. Não me convenço do porque utilizar a categoria classes capitalistas.
Me parece mais acertado e preciso entender a classe burguesia como ela é - uma categoria que engloba aqueles, proprietários dos meios de produção, e também todos aqueles que, ao fim e ao cabo, tem a perder com o fim do capital - e que portanto tem intenso interesse na reprodução deste. A burguese tal qual o proletariado necessita de uma análise pormenorizada, com destaque para suas diferentes frações e divisão de trabalho. Nesse sentido, os gestores podem ser vistos como uma fração, cujos interesses gerais para a sociedade são os mesmos da burguesia - mas no interior da relação entre classes tem tensões. 
Assim concordo plenamente contigo, que a &quot;questão pública&quot; são os projetos burgueses que se colocaram nas eleições como únicas saídas possíveis - sinal de hegemonia completada. 
Vivemos em um tempo, no qual o socialismo precisa ainda ser elevado ao debate público.
De qualquer forma, creio que nosso debate não se esgota aqui, mas que aqui ele segue.
Compartilho da sua avaliação sobre a necessária posição da extrema esquerda - e os riscos de cair na lógica do &quot;mal menor&quot; ou do &quot;todos contra o golpe que não virá&quot;. Estamos na mesma trincheira camarada.

Abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Pablo,<br />
obrigado pela resposta atenciosa. Esclareceu parte das minhas questões, mas ainda permaneço sem estar convencido da hipótese da tensão entre gestores e burguesia tradicional. Não me convenço do porque utilizar a categoria classes capitalistas.<br />
Me parece mais acertado e preciso entender a classe burguesia como ela é &#8211; uma categoria que engloba aqueles, proprietários dos meios de produção, e também todos aqueles que, ao fim e ao cabo, tem a perder com o fim do capital &#8211; e que portanto tem intenso interesse na reprodução deste. A burguese tal qual o proletariado necessita de uma análise pormenorizada, com destaque para suas diferentes frações e divisão de trabalho. Nesse sentido, os gestores podem ser vistos como uma fração, cujos interesses gerais para a sociedade são os mesmos da burguesia &#8211; mas no interior da relação entre classes tem tensões.<br />
Assim concordo plenamente contigo, que a &#8220;questão pública&#8221; são os projetos burgueses que se colocaram nas eleições como únicas saídas possíveis &#8211; sinal de hegemonia completada.<br />
Vivemos em um tempo, no qual o socialismo precisa ainda ser elevado ao debate público.<br />
De qualquer forma, creio que nosso debate não se esgota aqui, mas que aqui ele segue.<br />
Compartilho da sua avaliação sobre a necessária posição da extrema esquerda &#8211; e os riscos de cair na lógica do &#8220;mal menor&#8221; ou do &#8220;todos contra o golpe que não virá&#8221;. Estamos na mesma trincheira camarada.</p>
<p>Abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105432/#comment-295735</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2015 07:45:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=105432#comment-295735</guid>

					<description><![CDATA[Caro Lage, 

você captou muito bem as linhas centrais do texto, agradeço a leitura atenta e peço desculpas pela resposta longa – espero que entenda como sinal de respeito e dedicação em tentar dialogar contigo. 

Seus questionamentos são muito pertinentes, vamos lá. 

De fato defendo que o PT tem afinidades com os gestores e que os setores que mais financiaram o PT estão ligados as CGP (condições gerais de produção) e ao controle do direcionamento dos capitais para as CGP, e por conseguinte muitos deles precisam de intimidade com o Estado, sempre que tais CGP ainda são feitas pelo Estado (muitas vezes as próprias empresas é que se encarregam delas).  Não creio que são todos os setores da economia que estão imbricados no Estado, a não ser muito indiretamente, por exemplo com respeito a leis e parâmetros de produção, normas de comércio, impostos etc. e há menos setores ainda que são **dependentes** do Estado brasileiro, principalmente se pensamos o grande capital transnacional, mesmo o de origem brasileira. Mas o vínculo e a &quot;imbricação&quot; a que me referi é mais direto: setores cuja atividade precisa, necessita do Estado, setores que se o Estado quiser inviabilizar a produção, inviabilizará. 

Sobre o investimento nos dois lados, apenas as empresas declaradamente inimigas de algum dos lados não doam para ambos, pois no caso da eleição do “inimigo” estas ficam em apuros, por isso é irresponsabilidade incomum entre empresas doar para apenas um dos lados. Desse modo, a diferença de montante doado é um dado significativo, e quando se doa apenas para um dos lados, aí o dado tem poder explicativo ainda maior. 

Concordo quando diz que a hipótese do texto teria que ser melhor fundamentada em outras tabelas com porcentagens apresentando os investimentos pela ótica da hipótese do texto, mas não tive forças para fazer tal aprofundamento e isso resultaria num texto ainda maior – sendo que este texto está sendo pouco lido justamente pela minha incompetência em sintetizar a exposição. Elaborei mais de 150 páginas de tabelas que não compuseram o texto, com informações que a meu ver complementam a hipótese do texto, apesar dela não ter ficado tão “inquestionável” para os leitores (se é que isso seria possível). Em todo caso, espero que ao levantar a hipótese sug=rja a seguir pesquisas complementando e questionando etc a tese.

Quanto à sua questão de se não seria a aproximação ao PT uma questão de posição e, portanto, conjuntural, me parece uma pergunta boa apenas na aparência, pois se o PSDB estivesse no comando ele canalizaria os setores e teria, do mesmo modo, uma oposição, por exemplo no PMDB. A oposição real é entre capitais, no solo econômico, e tal oposição não parte, mas sim se reflete em duelos de legendas partidárias, a depender da conjuntura sim, mas por isso mesmo não é relevante pensar qual posição tal capital tomaria caso fosse outra legenda no poder. Além disso a própria chegada ao poder já é, em alguma medida, manifestação de apoio do grande capital. BRF e JBS são inimigas do setor, por isso não importa quem esteja no poder uma delas sempre apoiará a oposição, conforme esteja sendo prejudicada pela situação. Não acredito na democracia, e que o povo possa eleger alguém que o grande capital não queira ver lá. A estrutura de financiamento e das campanhas como um todo inviabiliza que um oposição radical “ao capital” chegue ao poder e quando isso ocorreu, num ou dois casos, veio a seguir um golpe, portanto se todos os mecanismos falham, ainda assim há subterfúgios para impedir a manutenção do poder pela esquerda. O fato do PT estar há 10 anos gerindo o fundo público e ainda assim haver setores querendo tirar ele do poder, e setores que tiveram crescimento econômico próspero nesses 13 anos, é um dado enigmático que precisa ser respondido. A pergunta sobre a comparação, de se foram os mesmos setores que apoiaram o PT em 2002 pode até indicar algo (cheguei inclusive a dar uma olhada nesses dados, em algum momento da pesquisa, mas acabei abandonando o projeto para não morrer de karoshi). Me autoconvenci de que o esgotamento do projeto do PSDB e a conjuntura política já eram dados suficientes para entender os elementos que permitiram o PT chegar lá (lembrando que desde 1989 isso era meio que esperado pela burguesia) e que a pergunta mais relevante, a do momento atual, não necessitava dessa comparação, até porque as maiores empresas de agora eram pequenas naquela época (todas as empreiteiras ligadas ao PT e acusadas na Lava Jato chegaram à casa do 1 bilhão durante o governo petista). Em todo caso se vc fizer essa pesquisa ou souber de alguém que a fez avise aqui! 

Você afirma que “todo partido que se propõe governar a ordem do capital terá que se aproximar desses setores”. Tem razão, mas é preciso pensar que o reverso é ainda mais importante: muitos setores só prosperam se tiverem ligações com o Estado, e nessa corrida os concorrentes prejudicados inevitavelmente correm para a oposição, e quando nem são prejudicados e ainda assim vão para o lado de lá, aí há algo de oculto a ser desvendado. Na sua formulação há o perigo de legitimar a aproximação entre governo e estes setores com vistas a viabilizar a governabilidade, o que é realpolitik, mas não uma realpolitik de esquerda, a qual bota as fichas na pressão das lutas sociais, como por exemplo Allende ou mais ainda as vias por fora da democracia burguesa e contestando a própria ideia da necessidade de chegada ao poder estatal como imperativo prévio às mudanças societárias. 

Agora a questão do terreno das manifestações políticas da burguesia, onde vc afirma que a hipótese de gestores versus burguesia fica mais problemática. O exemplo levantado é o de Abilio Diniz, da BRF, “um dos principais apoiadores do governo Dilma”, sendo que essa empresa “financiou mais o PSDB, mas publicamente, seu principal nome apoiou Dilma”. Aqui há algumas questões a pontuar. Primeiro, os maiores acionistas da Brasil Foods são os fundos de pensão estatais. O Previ tem 12% das ações, a Petros 10% e o Tarpon (privado) tem 8%, além disso a ADRs (NYSE) (da Bolsa de Nova York) tem 9% e acionistas estrangeiros detêm 28% das ações da empresa. O Abilio Diniz é tão somente o presidente do conselho da empresa, com algumas ações (cerca de 3%). O apoio a Dilma em público e o financiamento maior à oposição tbm não devem surpreender, pois a empresa é fruto de uma fusão que contou com o apoio do BNDES e se consolidou com o apoio do CADE durante o governo Dilma, em 2011. Além disso a fusão acabou dando muito poder à JBS (que então adquiriu o direito de adquirir as marcas Rezende, Wilson, Escolha Saudável, Light &#038; Elegant, Doriana, Delicata, Freski, Confiança, Excelsior, Tekitos, Texas, Patitas e Fiesta), que é a principal concorrente da BRF e a principal financiadora do PT, por isso a BRF precisa manter boas relações com o governo para em alguma medida contrabalançar o unha-e-carne da JBS. Além disso a BRF patrocina entidades estatais e não faltam motivos para apoiar o governo, pois sua área depende diretamente da aprovação de leis etc estatais, direitos de venda e produção em X condições etc. Por fim, o apoio pessoal de Abilio Diniz é um apoio frouxo, pois basta ao corpo de acionistas dizer a um PSDB recém-eleito que o apoio era coisa “pessoal” de Abilio e tirá-lo do cargo enquanto reserva o hotel para a lua de mel com o novo governo. A burguesia muitas vezes comete equívocos e faz coisas sem pensar, mas não quando diz respeito ao direcionamento de verbas de campanha, por isso apoio consistente é o das verbas e não o das entrevistas em rede nacional. Acrescento ainda que na minha hipótese afirmei que o apoio dos gestores ao PT e da burguesia ao PSDB é uma questão de “acento” e que há outros grupos de gestores apoiando o PSDB e outros grupos de burguesias apoiando o PT. São projetos em disputa, tanto num atrito entre gestores concorrentes e entre burguesias concorrentes quanto entre gestores versus burguesias, mas apensar dessa teia complexa notei um acento maior de gestores e empresas modernas (portanto controladas por gestores e corpos de acionistas) apoiando o PT, enquanto tudo de velho e cheirando a mofo no âmbito capitalista apoia a oposição. Veja ainda que o grupo de acionistas não compõe a classe de gestores e sim de burgueses, portanto se o apoio da BRF ao PSDB partiu do corpo de proprietários (burgueses) isso confirma minha hipótese. Creio, no entanto, que quem apita o local dos investimentos são os gestores, que apenas têm que depois dar resultados satisfatórios aos acionistas, quanto aos investimentos feitos nas campanhas eleitorais. 

Acho que há algum desentendimento quanto a essas categorias de capitalistas: os gestores não são proprietários, são quem direciona e pensa estrategicamente a produção da empresa. Ao ir para aquele cargo o Abilio Diniz cumpre papel de gestor, independentemente de qual porcentagem de ação ele possui. Também o Mark Zuckerberg é tanto gestor quanto burguês. A questão central reside no atrito, que costuma ocorrer, entre acionistas, proprietários de parcelas da empresa, que tem interesse em lucrar rápido, e os gestores, administradores da empresa que têm o foco na articulação global da empresa e no lucro a longo prazo. Enquanto gestores planejam de repente 10 anos de prejuízos na produção de tal planta em tal região visando quebrar os concorrentes e abocanhar o mercado a partir do 11º ano, burgueses tem taquicardia com a ideia e demitem o gestor (ainda assim em geral os cargos de gestão são avaliados num prazo maior, e não como técnicos de futebol no Brasil). São os gestores que atualmente controlam o capital, que pensam e executam a opressão do capital sobre os trabalhadores. A burguesia é apenas a classe proprietária, interessada numa renda maior do capital investido, seja em plantação de bananas seja em ações do google seja em títulos do tesouro. Por isso são classes distintas, embora igualmente classes capitalistas, opostas à classe trabalhadora. Como aos trabalhadores interessa a revolução e a reapropriação do controle da produção (em mãos dos gestores), e não a mera desapropriação dos burgueses donos das empresas, os inimigos principais dos trabalhadores são então os gestores, tanto estatais quanto privados, e também os odiosos gestores sindicais de fundos de pensão. Ainda que tenha discordado da sua crítica, ela é muito boa, e de fato há muitas contradições no processo todo, até porque a burguesia nem sempre percebe o que é melhor para ela. Em São Paulo, por exemplo, a burguesia que controla o transporte público está oferecendo resistência às investidas do PT-Haddad no sentido da modernização da exploração capitalista (leia-se passagem de decisões estratégicas fundamentais a gestores) no transporte paulistano. A burguesia demora a entender a lição de que é preciso mudar tudo para deixar tudo como está. Já os gestores tem sua própria razão de ser nesta máxima. Diga-se de passagem, o PT foi o partido da modernização do capitalismo brasileiro, a começar pela modernização dos conflitos sociais. Onde havia jagunços armados passou a haver Incra e Gilberto Carvalho. Onde havia bate-pau impedindo greves agora há sindicatos negociando ajustes salariais nas costas dos trabalhadores e administrando fundos de pensão... Você discordou da teoria dos gestores levantando a questão da divisão do trabalho dentro da burguesia. A meu ver há mesmo divisão do “trabalho” (métodos de exploração) entre os capitalistas, com a burguesia aparecendo cada vez mais como dispensável, notadamente nas grandes empresas cujos proprietários são milhares e até mesmo milhões de acionistas, que portanto não controlam processo de trabalho algum, mas tão somente auferem uma renda do dinheiro investido.

Seguindo.

Você afirmou que apesar dos esforços a minha hipótese não se sustenta, que “ainda não resolvemos a questão das frações de classe dentro da burguesia – e seus diferentes interesses políticos”. Afirmou que “no banquete burguês os convidados não precisam de crachás e currículos, mas de capital”, o que discordo: capital o burguês já têm, o que ele precisa é de trabalhadores viabilizando o banquete e funcionários controlando os trabalhadores. A questão é que o capitalismo se complexificou para além do que essa metáfora alcança, numa produção de um banquete que se volta contra e é posto em marcha independentemente das vontades do dono da cozinha. E se começa a faltar ingredientes a briga pela janta passa a ser mais encarniçada, daí a Lava Jato expulsando alguns dos convidados mais antigos e redecorando de perna a mesa para o novo cardápio.

Quanto ao último parágrafo de seu diálogo com o texto, de fato minha pesquisa reforça a hipótese de que a divisão dos interesses dentro dos capitalistas está relacionada as proximidades das alas com o Estado, porém o central que busquei frisar é o atendimento dos interesses específicos de cada ala. Os setores bancários privados se sentem prejudicados pela existência dos bancos públicos financiando as grandes obras e decidindo os rumos da economia brasileira. Os burgueses e gestores colocados à parte do esquema PT-Estado-Empresas resolveram se rebelar, talvez porque a crise econômica se aproxima e o bolo já não seja grande o suficiente para eles se satisfazerem com pedaços cortados por outras mãos. 
Para os capitalistas o controle do capital é a segunda coisa mais importante dentre todas. Só não é mais importante que o controle dos trabalhadores, por isso quando estes de rebelam aqueles suspendem os atritos e se unem contra os trabalhadores. 

Concordo que é importante encontrar as expressões políticas das alas em atrito, e achei seu “Ponto de partida” muito bom, mas reforço que o movimento deve ser inverso, e o tratamento das expressões políticas enquanto consequência, “espuma”, dos atritos profundos entre capitais em disputa. E a disputa não é apenas pela influência no aparato estatal, mas uma disputa de viabilização dos projetos de exploração do valor, que dependem mais ou menos do aparato estatal, a depender do setor e do grau de concentração de capital, pois quando a concentração é grande as empresas executam CGP por si mesmas e dispõem de recursos e meios de passar por cima de qualquer empecilho posto pelos Estados nacionais, em especial em países pouco desenvolvidos. 

Por fim, mais importante que tudo é a extrema esquerda não comprar a tese de que o PT é o mal menor, de que há um ataque da direita visando piorar ainda mais a nossa vida, um ataque do “financeiro” contra o “produtivo”, etc. O que esse mitos não têm de mito têm de culpa compartilhada pelo desmonte da esquerda anticapitalista orquestrado também pelo PT. Como disse um camarada referindo-se à extrema esquerda, estamos desiludidos, mas quem está desiludido está melhor que quem está iludido. Esse texto visa contribuir com a desilusão da esquerda que ainda quer “retomar” o programa estratégico democrático-popular petista, julgando que ele foi “abandonado” pelo PT, cego pelo poder e blablabla. O mal maior é e será sempre a ilusão de se estar lutando quando se está deixando cooptar, sempre será o temor de algo que nos deixa imóveis. O mal maior é aceitar as regras postas por uma esquerda pró-capital, que ata as mãos dos trabalhadores e quer limitar nosso horizonte de perspectivas à escolha entre o ruim e o péssimo. A extrema esquerda tem que forjar sua própria estratégia, por fora da via eleitoral, por fora do campo democrático popular, e abraçar o mito do mal menor cumpre função substitutiva: enquanto estamos assustados com a direita e corremos em apoio à esquerda pró-capital estamos deixando de construir uma alternativa realista e à esquerda de toda essa tragédia histórica que foi o ciclo petista de lutas pós-ditadura, e que só chegará ao fim quando nós pusermos fim nele ao articular a esquerda em novas formas de lutar e de se organizar. Enterrar o morto, já é hora, junto com todos os santos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Lage, </p>
<p>você captou muito bem as linhas centrais do texto, agradeço a leitura atenta e peço desculpas pela resposta longa – espero que entenda como sinal de respeito e dedicação em tentar dialogar contigo. </p>
<p>Seus questionamentos são muito pertinentes, vamos lá. </p>
<p>De fato defendo que o PT tem afinidades com os gestores e que os setores que mais financiaram o PT estão ligados as CGP (condições gerais de produção) e ao controle do direcionamento dos capitais para as CGP, e por conseguinte muitos deles precisam de intimidade com o Estado, sempre que tais CGP ainda são feitas pelo Estado (muitas vezes as próprias empresas é que se encarregam delas).  Não creio que são todos os setores da economia que estão imbricados no Estado, a não ser muito indiretamente, por exemplo com respeito a leis e parâmetros de produção, normas de comércio, impostos etc. e há menos setores ainda que são **dependentes** do Estado brasileiro, principalmente se pensamos o grande capital transnacional, mesmo o de origem brasileira. Mas o vínculo e a &#8220;imbricação&#8221; a que me referi é mais direto: setores cuja atividade precisa, necessita do Estado, setores que se o Estado quiser inviabilizar a produção, inviabilizará. </p>
<p>Sobre o investimento nos dois lados, apenas as empresas declaradamente inimigas de algum dos lados não doam para ambos, pois no caso da eleição do “inimigo” estas ficam em apuros, por isso é irresponsabilidade incomum entre empresas doar para apenas um dos lados. Desse modo, a diferença de montante doado é um dado significativo, e quando se doa apenas para um dos lados, aí o dado tem poder explicativo ainda maior. </p>
<p>Concordo quando diz que a hipótese do texto teria que ser melhor fundamentada em outras tabelas com porcentagens apresentando os investimentos pela ótica da hipótese do texto, mas não tive forças para fazer tal aprofundamento e isso resultaria num texto ainda maior – sendo que este texto está sendo pouco lido justamente pela minha incompetência em sintetizar a exposição. Elaborei mais de 150 páginas de tabelas que não compuseram o texto, com informações que a meu ver complementam a hipótese do texto, apesar dela não ter ficado tão “inquestionável” para os leitores (se é que isso seria possível). Em todo caso, espero que ao levantar a hipótese sug=rja a seguir pesquisas complementando e questionando etc a tese.</p>
<p>Quanto à sua questão de se não seria a aproximação ao PT uma questão de posição e, portanto, conjuntural, me parece uma pergunta boa apenas na aparência, pois se o PSDB estivesse no comando ele canalizaria os setores e teria, do mesmo modo, uma oposição, por exemplo no PMDB. A oposição real é entre capitais, no solo econômico, e tal oposição não parte, mas sim se reflete em duelos de legendas partidárias, a depender da conjuntura sim, mas por isso mesmo não é relevante pensar qual posição tal capital tomaria caso fosse outra legenda no poder. Além disso a própria chegada ao poder já é, em alguma medida, manifestação de apoio do grande capital. BRF e JBS são inimigas do setor, por isso não importa quem esteja no poder uma delas sempre apoiará a oposição, conforme esteja sendo prejudicada pela situação. Não acredito na democracia, e que o povo possa eleger alguém que o grande capital não queira ver lá. A estrutura de financiamento e das campanhas como um todo inviabiliza que um oposição radical “ao capital” chegue ao poder e quando isso ocorreu, num ou dois casos, veio a seguir um golpe, portanto se todos os mecanismos falham, ainda assim há subterfúgios para impedir a manutenção do poder pela esquerda. O fato do PT estar há 10 anos gerindo o fundo público e ainda assim haver setores querendo tirar ele do poder, e setores que tiveram crescimento econômico próspero nesses 13 anos, é um dado enigmático que precisa ser respondido. A pergunta sobre a comparação, de se foram os mesmos setores que apoiaram o PT em 2002 pode até indicar algo (cheguei inclusive a dar uma olhada nesses dados, em algum momento da pesquisa, mas acabei abandonando o projeto para não morrer de karoshi). Me autoconvenci de que o esgotamento do projeto do PSDB e a conjuntura política já eram dados suficientes para entender os elementos que permitiram o PT chegar lá (lembrando que desde 1989 isso era meio que esperado pela burguesia) e que a pergunta mais relevante, a do momento atual, não necessitava dessa comparação, até porque as maiores empresas de agora eram pequenas naquela época (todas as empreiteiras ligadas ao PT e acusadas na Lava Jato chegaram à casa do 1 bilhão durante o governo petista). Em todo caso se vc fizer essa pesquisa ou souber de alguém que a fez avise aqui! </p>
<p>Você afirma que “todo partido que se propõe governar a ordem do capital terá que se aproximar desses setores”. Tem razão, mas é preciso pensar que o reverso é ainda mais importante: muitos setores só prosperam se tiverem ligações com o Estado, e nessa corrida os concorrentes prejudicados inevitavelmente correm para a oposição, e quando nem são prejudicados e ainda assim vão para o lado de lá, aí há algo de oculto a ser desvendado. Na sua formulação há o perigo de legitimar a aproximação entre governo e estes setores com vistas a viabilizar a governabilidade, o que é realpolitik, mas não uma realpolitik de esquerda, a qual bota as fichas na pressão das lutas sociais, como por exemplo Allende ou mais ainda as vias por fora da democracia burguesa e contestando a própria ideia da necessidade de chegada ao poder estatal como imperativo prévio às mudanças societárias. </p>
<p>Agora a questão do terreno das manifestações políticas da burguesia, onde vc afirma que a hipótese de gestores versus burguesia fica mais problemática. O exemplo levantado é o de Abilio Diniz, da BRF, “um dos principais apoiadores do governo Dilma”, sendo que essa empresa “financiou mais o PSDB, mas publicamente, seu principal nome apoiou Dilma”. Aqui há algumas questões a pontuar. Primeiro, os maiores acionistas da Brasil Foods são os fundos de pensão estatais. O Previ tem 12% das ações, a Petros 10% e o Tarpon (privado) tem 8%, além disso a ADRs (NYSE) (da Bolsa de Nova York) tem 9% e acionistas estrangeiros detêm 28% das ações da empresa. O Abilio Diniz é tão somente o presidente do conselho da empresa, com algumas ações (cerca de 3%). O apoio a Dilma em público e o financiamento maior à oposição tbm não devem surpreender, pois a empresa é fruto de uma fusão que contou com o apoio do BNDES e se consolidou com o apoio do CADE durante o governo Dilma, em 2011. Além disso a fusão acabou dando muito poder à JBS (que então adquiriu o direito de adquirir as marcas Rezende, Wilson, Escolha Saudável, Light &amp; Elegant, Doriana, Delicata, Freski, Confiança, Excelsior, Tekitos, Texas, Patitas e Fiesta), que é a principal concorrente da BRF e a principal financiadora do PT, por isso a BRF precisa manter boas relações com o governo para em alguma medida contrabalançar o unha-e-carne da JBS. Além disso a BRF patrocina entidades estatais e não faltam motivos para apoiar o governo, pois sua área depende diretamente da aprovação de leis etc estatais, direitos de venda e produção em X condições etc. Por fim, o apoio pessoal de Abilio Diniz é um apoio frouxo, pois basta ao corpo de acionistas dizer a um PSDB recém-eleito que o apoio era coisa “pessoal” de Abilio e tirá-lo do cargo enquanto reserva o hotel para a lua de mel com o novo governo. A burguesia muitas vezes comete equívocos e faz coisas sem pensar, mas não quando diz respeito ao direcionamento de verbas de campanha, por isso apoio consistente é o das verbas e não o das entrevistas em rede nacional. Acrescento ainda que na minha hipótese afirmei que o apoio dos gestores ao PT e da burguesia ao PSDB é uma questão de “acento” e que há outros grupos de gestores apoiando o PSDB e outros grupos de burguesias apoiando o PT. São projetos em disputa, tanto num atrito entre gestores concorrentes e entre burguesias concorrentes quanto entre gestores versus burguesias, mas apensar dessa teia complexa notei um acento maior de gestores e empresas modernas (portanto controladas por gestores e corpos de acionistas) apoiando o PT, enquanto tudo de velho e cheirando a mofo no âmbito capitalista apoia a oposição. Veja ainda que o grupo de acionistas não compõe a classe de gestores e sim de burgueses, portanto se o apoio da BRF ao PSDB partiu do corpo de proprietários (burgueses) isso confirma minha hipótese. Creio, no entanto, que quem apita o local dos investimentos são os gestores, que apenas têm que depois dar resultados satisfatórios aos acionistas, quanto aos investimentos feitos nas campanhas eleitorais. </p>
<p>Acho que há algum desentendimento quanto a essas categorias de capitalistas: os gestores não são proprietários, são quem direciona e pensa estrategicamente a produção da empresa. Ao ir para aquele cargo o Abilio Diniz cumpre papel de gestor, independentemente de qual porcentagem de ação ele possui. Também o Mark Zuckerberg é tanto gestor quanto burguês. A questão central reside no atrito, que costuma ocorrer, entre acionistas, proprietários de parcelas da empresa, que tem interesse em lucrar rápido, e os gestores, administradores da empresa que têm o foco na articulação global da empresa e no lucro a longo prazo. Enquanto gestores planejam de repente 10 anos de prejuízos na produção de tal planta em tal região visando quebrar os concorrentes e abocanhar o mercado a partir do 11º ano, burgueses tem taquicardia com a ideia e demitem o gestor (ainda assim em geral os cargos de gestão são avaliados num prazo maior, e não como técnicos de futebol no Brasil). São os gestores que atualmente controlam o capital, que pensam e executam a opressão do capital sobre os trabalhadores. A burguesia é apenas a classe proprietária, interessada numa renda maior do capital investido, seja em plantação de bananas seja em ações do google seja em títulos do tesouro. Por isso são classes distintas, embora igualmente classes capitalistas, opostas à classe trabalhadora. Como aos trabalhadores interessa a revolução e a reapropriação do controle da produção (em mãos dos gestores), e não a mera desapropriação dos burgueses donos das empresas, os inimigos principais dos trabalhadores são então os gestores, tanto estatais quanto privados, e também os odiosos gestores sindicais de fundos de pensão. Ainda que tenha discordado da sua crítica, ela é muito boa, e de fato há muitas contradições no processo todo, até porque a burguesia nem sempre percebe o que é melhor para ela. Em São Paulo, por exemplo, a burguesia que controla o transporte público está oferecendo resistência às investidas do PT-Haddad no sentido da modernização da exploração capitalista (leia-se passagem de decisões estratégicas fundamentais a gestores) no transporte paulistano. A burguesia demora a entender a lição de que é preciso mudar tudo para deixar tudo como está. Já os gestores tem sua própria razão de ser nesta máxima. Diga-se de passagem, o PT foi o partido da modernização do capitalismo brasileiro, a começar pela modernização dos conflitos sociais. Onde havia jagunços armados passou a haver Incra e Gilberto Carvalho. Onde havia bate-pau impedindo greves agora há sindicatos negociando ajustes salariais nas costas dos trabalhadores e administrando fundos de pensão&#8230; Você discordou da teoria dos gestores levantando a questão da divisão do trabalho dentro da burguesia. A meu ver há mesmo divisão do “trabalho” (métodos de exploração) entre os capitalistas, com a burguesia aparecendo cada vez mais como dispensável, notadamente nas grandes empresas cujos proprietários são milhares e até mesmo milhões de acionistas, que portanto não controlam processo de trabalho algum, mas tão somente auferem uma renda do dinheiro investido.</p>
<p>Seguindo.</p>
<p>Você afirmou que apesar dos esforços a minha hipótese não se sustenta, que “ainda não resolvemos a questão das frações de classe dentro da burguesia – e seus diferentes interesses políticos”. Afirmou que “no banquete burguês os convidados não precisam de crachás e currículos, mas de capital”, o que discordo: capital o burguês já têm, o que ele precisa é de trabalhadores viabilizando o banquete e funcionários controlando os trabalhadores. A questão é que o capitalismo se complexificou para além do que essa metáfora alcança, numa produção de um banquete que se volta contra e é posto em marcha independentemente das vontades do dono da cozinha. E se começa a faltar ingredientes a briga pela janta passa a ser mais encarniçada, daí a Lava Jato expulsando alguns dos convidados mais antigos e redecorando de perna a mesa para o novo cardápio.</p>
<p>Quanto ao último parágrafo de seu diálogo com o texto, de fato minha pesquisa reforça a hipótese de que a divisão dos interesses dentro dos capitalistas está relacionada as proximidades das alas com o Estado, porém o central que busquei frisar é o atendimento dos interesses específicos de cada ala. Os setores bancários privados se sentem prejudicados pela existência dos bancos públicos financiando as grandes obras e decidindo os rumos da economia brasileira. Os burgueses e gestores colocados à parte do esquema PT-Estado-Empresas resolveram se rebelar, talvez porque a crise econômica se aproxima e o bolo já não seja grande o suficiente para eles se satisfazerem com pedaços cortados por outras mãos.<br />
Para os capitalistas o controle do capital é a segunda coisa mais importante dentre todas. Só não é mais importante que o controle dos trabalhadores, por isso quando estes de rebelam aqueles suspendem os atritos e se unem contra os trabalhadores. </p>
<p>Concordo que é importante encontrar as expressões políticas das alas em atrito, e achei seu “Ponto de partida” muito bom, mas reforço que o movimento deve ser inverso, e o tratamento das expressões políticas enquanto consequência, “espuma”, dos atritos profundos entre capitais em disputa. E a disputa não é apenas pela influência no aparato estatal, mas uma disputa de viabilização dos projetos de exploração do valor, que dependem mais ou menos do aparato estatal, a depender do setor e do grau de concentração de capital, pois quando a concentração é grande as empresas executam CGP por si mesmas e dispõem de recursos e meios de passar por cima de qualquer empecilho posto pelos Estados nacionais, em especial em países pouco desenvolvidos. </p>
<p>Por fim, mais importante que tudo é a extrema esquerda não comprar a tese de que o PT é o mal menor, de que há um ataque da direita visando piorar ainda mais a nossa vida, um ataque do “financeiro” contra o “produtivo”, etc. O que esse mitos não têm de mito têm de culpa compartilhada pelo desmonte da esquerda anticapitalista orquestrado também pelo PT. Como disse um camarada referindo-se à extrema esquerda, estamos desiludidos, mas quem está desiludido está melhor que quem está iludido. Esse texto visa contribuir com a desilusão da esquerda que ainda quer “retomar” o programa estratégico democrático-popular petista, julgando que ele foi “abandonado” pelo PT, cego pelo poder e blablabla. O mal maior é e será sempre a ilusão de se estar lutando quando se está deixando cooptar, sempre será o temor de algo que nos deixa imóveis. O mal maior é aceitar as regras postas por uma esquerda pró-capital, que ata as mãos dos trabalhadores e quer limitar nosso horizonte de perspectivas à escolha entre o ruim e o péssimo. A extrema esquerda tem que forjar sua própria estratégia, por fora da via eleitoral, por fora do campo democrático popular, e abraçar o mito do mal menor cumpre função substitutiva: enquanto estamos assustados com a direita e corremos em apoio à esquerda pró-capital estamos deixando de construir uma alternativa realista e à esquerda de toda essa tragédia histórica que foi o ciclo petista de lutas pós-ditadura, e que só chegará ao fim quando nós pusermos fim nele ao articular a esquerda em novas formas de lutar e de se organizar. Enterrar o morto, já é hora, junto com todos os santos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lage		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105432/#comment-295659</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lage]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 17:45:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=105432#comment-295659</guid>

					<description><![CDATA[Olá Pablo, parabéns pelo levantamento de dados e a clareza com que colocou as dificuldades metodológicas de trabalhar com esses dados. Não é tarefa fácil. E empreitadas como essa são fundamentais para nossas análises de conjuntura.

Sobre a análise dos dados tenho uma discordância. Não estou de acordo com a hipótese que coloca afinidades do PT com gestores e do PSDB com a &quot;burguesia&quot;. Sei que há uma teoria iniciada pelo João Bernardo que defende os gestores como uma classe, e nos espaços de militância ela tem tido eco. No entanto, estou certo que é preciso levantar perguntas e questionar essa ideia. Sem fugir do tema da sua pesquisa, tenho uma discordância teórica e outra empírica.

Até onde entendi, os dados que fortalecem a argumentação de que o PT tem afinidades com os gestores é que os setores que mais financiaram o PT estão ligados as CGP (condições gerais de produção). Pois esses são setores que precisam de uma íntima relação com o Estado. Minha primeira questão, como você mesmo aponta, está na dificuldade de encontrar um setor que não precise de uma íntima relação com o Estado – todos os setores estão imbricados no Estado (direta e indiretamente – apesar de que há conjunturas que um se favorece mais e outros menos). Além disso, sua pesquisa revelou que praticamente todos os setores investiram no financiamento do PT e do PSDB, apesar de uns mais outros menos. 
Indústria de base como metalurgia e mecânica, química e petroquímica de um lado e bancos privados de outros é uma divisão que aparece... Mas esses setores não estão apenas nas condições gerais de produção... Os dados são controversos em relação a isso. Em suma, acho que a hipótese teria que ser melhor defendida a partir dos dados (com porcentagens por exemplo, e uma tabela que apresente os investimentos através dessa hipótese).

Mas, mesmo se ignorarmos esse problema, e aceitarmos que os dados confirmam a divisão (não estanque) entre gestores/PT vs burguesia/psdb, ainda há questões. A perguntar que faço para essa argumentação é: não seria essa aproximação apenas uma questão de posição e, portanto, conjuntural? Isso é, se o PSDB estivesse no Estado, ele teria condições de aproximar esses setores que hoje estão próximos do PT. Esse, por sua vez, só se aproximou desses setores pois está há 10 anos no governo e, portanto, está há 10 anos gerindo o fundo público. 
Para responder a essa pergunta seria preciso traçar um ponto de comparação. Quais foram os setores que financiaram o PT em 2002? Seriam esses? Ou esses setores financiaram na época o PSDB? 
Ao que me parece, todo partido que se propõe governar a ordem do capital terá que se aproximar desses setores. Certamente, no Estado de São Paulo, o longo tempo de governo do PSDB garante apoio financeiro de setores íntimos ao Estado para esse partido – vide o apoio do ramo de água e esgoto constatado nos dados que levantou.
Por fim, se formos para o terreno das manifestações políticas da burguesia, a hipótese de gestores X burguesia, fica mais problemática. Um dos principais apoiadores do governo Dilma foi Abílio Diniz da BRF. Essa empresa financiou mais o PSDB, mas publicamente, seu principal nome apoiou Dilma (http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/10/1539276-abilio-diniz-carta-a-presidente.shtml). Nesse caso, (se seguirmos a hipótese) os gestores (grupo de acionistas) levaram o financiamento para o PSDB, mas a burguesia (o tradicional proprietário dos meios de produção) apoiou o governo. Não era para ser o contrário? Isso para começar, pois se formos entrar no pormenores do setor financeiro essa controvérsia aumenta ainda mais.

Com isso, apesar dos esforços creio que ainda não resolvemos, através dessa análise, a questão das frações de classe dentro da burguesia – e seus diferentes interesses políticos.

Do ponto de vista teórico, creio que análise dos gestores não nos leva a classificação de uma nova classe, no máximo ela pode ajudar a ver uma divisão do trabalho dentro da burguesia, e suas questões operativas – mas não ajuda sequer a ver suas frações de classe. Pois essas podem ter gestores e burgueses tradicionais do mesmo lado contra gestores e burgueses tradicionais do outro. No banquete burguês os convidados são precisam de crachás e currículos, mas de capital.

Por fim, sua pesquisa reforça a hipótese de que a divisão dos interesses dentro da burguesia está relacionada as proximidades de uma ala com o Estado e de outra que não é tão próxima – ou que se beneficou menos que a outra. Desse ponto de vista, creio que a tarefa que segue é encontrar as expressões políticas dessas alas. Meu ponto de partida é a tensão entre Paulo Lermann – financiador do Movimento Brasil Livre e do #VemPraRua – vs Marcelo Odebrech e todas os executivos e presidentes de empresas presos na Lava a Jato.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Pablo, parabéns pelo levantamento de dados e a clareza com que colocou as dificuldades metodológicas de trabalhar com esses dados. Não é tarefa fácil. E empreitadas como essa são fundamentais para nossas análises de conjuntura.</p>
<p>Sobre a análise dos dados tenho uma discordância. Não estou de acordo com a hipótese que coloca afinidades do PT com gestores e do PSDB com a &#8220;burguesia&#8221;. Sei que há uma teoria iniciada pelo João Bernardo que defende os gestores como uma classe, e nos espaços de militância ela tem tido eco. No entanto, estou certo que é preciso levantar perguntas e questionar essa ideia. Sem fugir do tema da sua pesquisa, tenho uma discordância teórica e outra empírica.</p>
<p>Até onde entendi, os dados que fortalecem a argumentação de que o PT tem afinidades com os gestores é que os setores que mais financiaram o PT estão ligados as CGP (condições gerais de produção). Pois esses são setores que precisam de uma íntima relação com o Estado. Minha primeira questão, como você mesmo aponta, está na dificuldade de encontrar um setor que não precise de uma íntima relação com o Estado – todos os setores estão imbricados no Estado (direta e indiretamente – apesar de que há conjunturas que um se favorece mais e outros menos). Além disso, sua pesquisa revelou que praticamente todos os setores investiram no financiamento do PT e do PSDB, apesar de uns mais outros menos.<br />
Indústria de base como metalurgia e mecânica, química e petroquímica de um lado e bancos privados de outros é uma divisão que aparece&#8230; Mas esses setores não estão apenas nas condições gerais de produção&#8230; Os dados são controversos em relação a isso. Em suma, acho que a hipótese teria que ser melhor defendida a partir dos dados (com porcentagens por exemplo, e uma tabela que apresente os investimentos através dessa hipótese).</p>
<p>Mas, mesmo se ignorarmos esse problema, e aceitarmos que os dados confirmam a divisão (não estanque) entre gestores/PT vs burguesia/psdb, ainda há questões. A perguntar que faço para essa argumentação é: não seria essa aproximação apenas uma questão de posição e, portanto, conjuntural? Isso é, se o PSDB estivesse no Estado, ele teria condições de aproximar esses setores que hoje estão próximos do PT. Esse, por sua vez, só se aproximou desses setores pois está há 10 anos no governo e, portanto, está há 10 anos gerindo o fundo público.<br />
Para responder a essa pergunta seria preciso traçar um ponto de comparação. Quais foram os setores que financiaram o PT em 2002? Seriam esses? Ou esses setores financiaram na época o PSDB?<br />
Ao que me parece, todo partido que se propõe governar a ordem do capital terá que se aproximar desses setores. Certamente, no Estado de São Paulo, o longo tempo de governo do PSDB garante apoio financeiro de setores íntimos ao Estado para esse partido – vide o apoio do ramo de água e esgoto constatado nos dados que levantou.<br />
Por fim, se formos para o terreno das manifestações políticas da burguesia, a hipótese de gestores X burguesia, fica mais problemática. Um dos principais apoiadores do governo Dilma foi Abílio Diniz da BRF. Essa empresa financiou mais o PSDB, mas publicamente, seu principal nome apoiou Dilma (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/10/1539276-abilio-diniz-carta-a-presidente.shtml" rel="nofollow ugc">http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/10/1539276-abilio-diniz-carta-a-presidente.shtml</a>). Nesse caso, (se seguirmos a hipótese) os gestores (grupo de acionistas) levaram o financiamento para o PSDB, mas a burguesia (o tradicional proprietário dos meios de produção) apoiou o governo. Não era para ser o contrário? Isso para começar, pois se formos entrar no pormenores do setor financeiro essa controvérsia aumenta ainda mais.</p>
<p>Com isso, apesar dos esforços creio que ainda não resolvemos, através dessa análise, a questão das frações de classe dentro da burguesia – e seus diferentes interesses políticos.</p>
<p>Do ponto de vista teórico, creio que análise dos gestores não nos leva a classificação de uma nova classe, no máximo ela pode ajudar a ver uma divisão do trabalho dentro da burguesia, e suas questões operativas – mas não ajuda sequer a ver suas frações de classe. Pois essas podem ter gestores e burgueses tradicionais do mesmo lado contra gestores e burgueses tradicionais do outro. No banquete burguês os convidados são precisam de crachás e currículos, mas de capital.</p>
<p>Por fim, sua pesquisa reforça a hipótese de que a divisão dos interesses dentro da burguesia está relacionada as proximidades de uma ala com o Estado e de outra que não é tão próxima – ou que se beneficou menos que a outra. Desse ponto de vista, creio que a tarefa que segue é encontrar as expressões políticas dessas alas. Meu ponto de partida é a tensão entre Paulo Lermann – financiador do Movimento Brasil Livre e do #VemPraRua – vs Marcelo Odebrech e todas os executivos e presidentes de empresas presos na Lava a Jato.</p>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105432/#comment-295657</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 17:16:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Algumas notícias depois da publicação desse texto:

1 - Depois de todo o ajuste fiscal visar os 1,1% em superávit primário (66,3 bi), e da &quot;meta&quot; ser posta como incontornável e autojustificadora dos cortes e dos ataques aos direitos trabalhistas, o governo informou que resolveu reduzir a meta de 1,1% para 0,15% (8,7 bi). Ué, não era impossível, incontornável a meta? Além disso o governo fez novo corte no orçamento, de 8,6 bi. O anúncio veio depois da constatação de que toda a política de austeridade resultou, no primeiro semestre, em 0% (zero) de superávit. Além de atacar os trabalhadores a política econômica resultou em menos arrecadação (http://www.valor.com.br/brasil/4144566/queda-de-receita-impede-superavit) e desaceleração econômica, maior inflação etc.
(http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/07/governo-reduz-meta-de-superavit-primario-e-faz-corte-extra-de-r-8-6-bilhoes-no-orcamento-4807220.html, http://www.valor.com.br/brasil/4150416/realidade-foi-convidada-e-se-impos) Alguns dos motivos (do ponto de vista capitalista) da redução da meta: http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/4145186/reducao-da-meta-fiscal-um-mal-necessario e http://www.valor.com.br/brasil/4152968/levy-arrecadacao-sofreu-com-serie-de-processos-de-refinanciamento.

2 - Governo apresentou proposta (Projeto 298/2015) de repatriação de dinheiro no exterior, garantindo que quem trazer a grana de volta não será acusado criminalmente. A proposta visa regularizar esses montantes, o que interessa a certos extratos capitalistas, e há também a questão de que uma porcentagem em impostos sobre esses valores iria/vai para os cofres do Estado, contribuindo com as metas das políticas de austeridade. Trata-se de mais uma medida que favorece capitalistas e mantém os ataques aos trabalhadores. (http://www.valor.com.br/politica/4146132/cunha-diz-que-deputados-nao-concordam-com-projeto-de-repatriacao, http://www.valor.com.br/brasil/4138916/levy-obtem-no-senado-avancos-na-repatriacao, http://www.valor.com.br/politica/4138108/senado-aprova-urgencia-para-repatriacao-mas-votacao-fica-para-agosto, http://www.valor.com.br/politica/4136938/governo-nao-consegue-no-senado-urgencia-para-projeto-de-repatriacao)

3 - Enquanto novas denúncias vão aparecendo (http://www.valor.com.br/politica/4152802/presidente-da-eletronuclear-teria-recebido-r-45-milhoes-em-propina) e a Lava Jato entra em nova fase &quot;Radioatividade&quot; (http://www.valor.com.br/politica/4152300/pf-lanca-16-fase-da-operacao-lava-jato) o setor rifado pela tempestade perfeita (especialmente as empreiteiras) tenta por todos os meios voltar ou se manter no jogo. OAS pede anulação da delação premiada da Lava Jato, Andrade Gutierrez tenta se defender, Odebrecht se mantém firme na defesa, contando até com aliados (http://www.ocafezinho.com/2015/07/25/a-campanha-da-midia-para-destruir-a-odebrecht/) (http://www.valor.com.br/politica/4152074/defesa-de-odebrecht-nega-explicacoes-juiz, http://www.valor.com.br/politica/4153044/oas-discorda-de-depoimentos-e-defende-anulacao-de-delacoes-no-stf e http://www.valor.com.br/politica/4152794/em-nota-andrade-gutierrez-diz-que-acompanha-operacao-da-pf). 
Como bem pontuou um camarada: &quot;Estao minando as teias do imperialismo brasileiro!&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas notícias depois da publicação desse texto:</p>
<p>1 &#8211; Depois de todo o ajuste fiscal visar os 1,1% em superávit primário (66,3 bi), e da &#8220;meta&#8221; ser posta como incontornável e autojustificadora dos cortes e dos ataques aos direitos trabalhistas, o governo informou que resolveu reduzir a meta de 1,1% para 0,15% (8,7 bi). Ué, não era impossível, incontornável a meta? Além disso o governo fez novo corte no orçamento, de 8,6 bi. O anúncio veio depois da constatação de que toda a política de austeridade resultou, no primeiro semestre, em 0% (zero) de superávit. Além de atacar os trabalhadores a política econômica resultou em menos arrecadação (<a href="http://www.valor.com.br/brasil/4144566/queda-de-receita-impede-superavit" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/brasil/4144566/queda-de-receita-impede-superavit</a>) e desaceleração econômica, maior inflação etc.<br />
(<a href="http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/07/governo-reduz-meta-de-superavit-primario-e-faz-corte-extra-de-r-8-6-bilhoes-no-orcamento-4807220.html" rel="nofollow ugc">http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/07/governo-reduz-meta-de-superavit-primario-e-faz-corte-extra-de-r-8-6-bilhoes-no-orcamento-4807220.html</a>, <a href="http://www.valor.com.br/brasil/4150416/realidade-foi-convidada-e-se-impos" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/brasil/4150416/realidade-foi-convidada-e-se-impos</a>) Alguns dos motivos (do ponto de vista capitalista) da redução da meta: <a href="http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/4145186/reducao-da-meta-fiscal-um-mal-necessario" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/4145186/reducao-da-meta-fiscal-um-mal-necessario</a> e <a href="http://www.valor.com.br/brasil/4152968/levy-arrecadacao-sofreu-com-serie-de-processos-de-refinanciamento" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/brasil/4152968/levy-arrecadacao-sofreu-com-serie-de-processos-de-refinanciamento</a>.</p>
<p>2 &#8211; Governo apresentou proposta (Projeto 298/2015) de repatriação de dinheiro no exterior, garantindo que quem trazer a grana de volta não será acusado criminalmente. A proposta visa regularizar esses montantes, o que interessa a certos extratos capitalistas, e há também a questão de que uma porcentagem em impostos sobre esses valores iria/vai para os cofres do Estado, contribuindo com as metas das políticas de austeridade. Trata-se de mais uma medida que favorece capitalistas e mantém os ataques aos trabalhadores. (<a href="http://www.valor.com.br/politica/4146132/cunha-diz-que-deputados-nao-concordam-com-projeto-de-repatriacao" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4146132/cunha-diz-que-deputados-nao-concordam-com-projeto-de-repatriacao</a>, <a href="http://www.valor.com.br/brasil/4138916/levy-obtem-no-senado-avancos-na-repatriacao" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/brasil/4138916/levy-obtem-no-senado-avancos-na-repatriacao</a>, <a href="http://www.valor.com.br/politica/4138108/senado-aprova-urgencia-para-repatriacao-mas-votacao-fica-para-agosto" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4138108/senado-aprova-urgencia-para-repatriacao-mas-votacao-fica-para-agosto</a>, <a href="http://www.valor.com.br/politica/4136938/governo-nao-consegue-no-senado-urgencia-para-projeto-de-repatriacao" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4136938/governo-nao-consegue-no-senado-urgencia-para-projeto-de-repatriacao</a>)</p>
<p>3 &#8211; Enquanto novas denúncias vão aparecendo (<a href="http://www.valor.com.br/politica/4152802/presidente-da-eletronuclear-teria-recebido-r-45-milhoes-em-propina" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4152802/presidente-da-eletronuclear-teria-recebido-r-45-milhoes-em-propina</a>) e a Lava Jato entra em nova fase &#8220;Radioatividade&#8221; (<a href="http://www.valor.com.br/politica/4152300/pf-lanca-16-fase-da-operacao-lava-jato" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4152300/pf-lanca-16-fase-da-operacao-lava-jato</a>) o setor rifado pela tempestade perfeita (especialmente as empreiteiras) tenta por todos os meios voltar ou se manter no jogo. OAS pede anulação da delação premiada da Lava Jato, Andrade Gutierrez tenta se defender, Odebrecht se mantém firme na defesa, contando até com aliados (<a href="http://www.ocafezinho.com/2015/07/25/a-campanha-da-midia-para-destruir-a-odebrecht/" rel="nofollow ugc">http://www.ocafezinho.com/2015/07/25/a-campanha-da-midia-para-destruir-a-odebrecht/</a>) (<a href="http://www.valor.com.br/politica/4152074/defesa-de-odebrecht-nega-explicacoes-juiz" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4152074/defesa-de-odebrecht-nega-explicacoes-juiz</a>, <a href="http://www.valor.com.br/politica/4153044/oas-discorda-de-depoimentos-e-defende-anulacao-de-delacoes-no-stf" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4153044/oas-discorda-de-depoimentos-e-defende-anulacao-de-delacoes-no-stf</a> e <a href="http://www.valor.com.br/politica/4152794/em-nota-andrade-gutierrez-diz-que-acompanha-operacao-da-pf" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/politica/4152794/em-nota-andrade-gutierrez-diz-que-acompanha-operacao-da-pf</a>).<br />
Como bem pontuou um camarada: &#8220;Estao minando as teias do imperialismo brasileiro!&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
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