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	Comentários sobre: Redução da jornada de trabalho sem redução de salário: uma luta legítima e irrefreável	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Gisil Beraht		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105503/#comment-295937</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gisil Beraht]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2015 22:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O parodoxo na luta dos trabalhadores pela redução na jornada de trabalho não está tanto no ganho em que os capitalistas e gestores terão, mas, na verdade, no distanciamento do ideal emancipatório da classe trabalhadora:

“O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior número de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens” (Karl Marx, Manuscritos Econômicos-Filosóficos).

Sendo fato inconteste que a redução da jornada de trabalho só se realiza ou pelo aumento da produtividade geral do trabalhador ou pela socialização dos custos desta redução entre toda a classe trabalhadora, quer pela via da simples repartição destas despesas (as quais implicam, direta ou indiretamente, maior tempo de trabalho e/ou menor renda para a classe trabalhadora como um todo ou para outras frações da classe trabalhadora, como os precariados, através de impostos, subsídios fiscais, inflação dos preços, etc.), quer pela geração programada de novas necessidades de consumo e produção de bens e serviços, que além de compensarem uma eventual perda nos lucros dos capitalistas, tendem, aí sim, a ampliá-los ainda mais.

Por isso em tempos de crescimento econômico, formalmente, as jornadas de trabalho tendem a reduzir-se. Mas só formalmente. À medida que o trabalhador se libera do trabalho “stricto sensu”, ou seja, aquele dentro da empresa,  ele se aprofunda no trabalho “lato sensu”, aquele que não está diretamente ligado ao enriquecimento do patrão ao qual está subordinado, mas sim ao enriquecimento dos capitalistas e gestores como um todo. Assim, o tempo livre do trabalhador, que nunca foi despesa para o capitalista (pois para obtê-lo o trabalhador tem, literalmente, que comprá-lo ou com oito ou mais horas de trabalho, ou com doze ou mais meses deste mesmo trabalho), é expropriado e convertido em momento não só do consumo (e, portanto, da acumulação do capital), mas, também, da própria produção, haja visto, a título de exemplo os vinte ou trinta anos que passamos nas “escolas” a fim de nos submetermos, como recursos humanos, ao mercado de trabalho. Este raciocínio serve também para os tempos de crise. Porém, neste caso, o tempo formal e informal de trabalho tendem a crescerem juntos, ainda que a economia decresça. 

Enquanto a classe trabalhadora buscar avanços dentro da lógica do capital, ela estará, na verdade, enfraquecendo a si mesma e fortalecendo àquele. Ainda que as correlações de forças sejam evidentemente desproporcionais nesta luta de classes, não podemos negar a revolução como o único caminho para a transformação, como bem dizia Buenaventura Durruti, &quot;As ruínas não nos assustam nenhum pouco&quot;... As lutas dos trabalhadores estão permeadas por diversos paradoxos que só tendem a aumentar enquanto se fugir ou se negar o papel da classe trabalhadora enquanto sujeito revolucionário da história.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O parodoxo na luta dos trabalhadores pela redução na jornada de trabalho não está tanto no ganho em que os capitalistas e gestores terão, mas, na verdade, no distanciamento do ideal emancipatório da classe trabalhadora:</p>
<p>“O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior número de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens” (Karl Marx, Manuscritos Econômicos-Filosóficos).</p>
<p>Sendo fato inconteste que a redução da jornada de trabalho só se realiza ou pelo aumento da produtividade geral do trabalhador ou pela socialização dos custos desta redução entre toda a classe trabalhadora, quer pela via da simples repartição destas despesas (as quais implicam, direta ou indiretamente, maior tempo de trabalho e/ou menor renda para a classe trabalhadora como um todo ou para outras frações da classe trabalhadora, como os precariados, através de impostos, subsídios fiscais, inflação dos preços, etc.), quer pela geração programada de novas necessidades de consumo e produção de bens e serviços, que além de compensarem uma eventual perda nos lucros dos capitalistas, tendem, aí sim, a ampliá-los ainda mais.</p>
<p>Por isso em tempos de crescimento econômico, formalmente, as jornadas de trabalho tendem a reduzir-se. Mas só formalmente. À medida que o trabalhador se libera do trabalho “stricto sensu”, ou seja, aquele dentro da empresa,  ele se aprofunda no trabalho “lato sensu”, aquele que não está diretamente ligado ao enriquecimento do patrão ao qual está subordinado, mas sim ao enriquecimento dos capitalistas e gestores como um todo. Assim, o tempo livre do trabalhador, que nunca foi despesa para o capitalista (pois para obtê-lo o trabalhador tem, literalmente, que comprá-lo ou com oito ou mais horas de trabalho, ou com doze ou mais meses deste mesmo trabalho), é expropriado e convertido em momento não só do consumo (e, portanto, da acumulação do capital), mas, também, da própria produção, haja visto, a título de exemplo os vinte ou trinta anos que passamos nas “escolas” a fim de nos submetermos, como recursos humanos, ao mercado de trabalho. Este raciocínio serve também para os tempos de crise. Porém, neste caso, o tempo formal e informal de trabalho tendem a crescerem juntos, ainda que a economia decresça. </p>
<p>Enquanto a classe trabalhadora buscar avanços dentro da lógica do capital, ela estará, na verdade, enfraquecendo a si mesma e fortalecendo àquele. Ainda que as correlações de forças sejam evidentemente desproporcionais nesta luta de classes, não podemos negar a revolução como o único caminho para a transformação, como bem dizia Buenaventura Durruti, &#8220;As ruínas não nos assustam nenhum pouco&#8221;&#8230; As lutas dos trabalhadores estão permeadas por diversos paradoxos que só tendem a aumentar enquanto se fugir ou se negar o papel da classe trabalhadora enquanto sujeito revolucionário da história.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Márcio Cruzeiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105503/#comment-295839</link>

		<dc:creator><![CDATA[Márcio Cruzeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2015 14:28:49 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105503#comment-295839</guid>

					<description><![CDATA[Caro Eugênio,

O objetivo da reflexão é reafirmar o que historicamente todos nós sabemos e você pontua muito bem em seu comentário, ou seja: não há avanço para as classes produtoras sem luta. Quando digo que a redução da jornada é boa também para o capital, não estou a dizer que o capital comunga dessa noção ou que aceite-a como premissa lógica. Levanto o argumento enquanto contradição mesmo, para reforçar que, frente a uma pressão das classes trabalhadoras, o capital terá que se reinventar (como sempre o fez, diga-se de passagem) para superar mais um &quot;possível&quot; ciclo crítico, então decorrente de mais uma conquista dos trabalhadores. 
Dessa forma, não alimento ilusões pueris sobre a matéria, apenas considero que ela deve estar no nosso horizonte pois, principalmente nas grandes cidades, um trabalhador que hoje labora 8 ou mais horas, compromete praticamente toda a sua vida com trabalho, deslocamento e reposição da máquina.
É isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Eugênio,</p>
<p>O objetivo da reflexão é reafirmar o que historicamente todos nós sabemos e você pontua muito bem em seu comentário, ou seja: não há avanço para as classes produtoras sem luta. Quando digo que a redução da jornada é boa também para o capital, não estou a dizer que o capital comunga dessa noção ou que aceite-a como premissa lógica. Levanto o argumento enquanto contradição mesmo, para reforçar que, frente a uma pressão das classes trabalhadoras, o capital terá que se reinventar (como sempre o fez, diga-se de passagem) para superar mais um &#8220;possível&#8221; ciclo crítico, então decorrente de mais uma conquista dos trabalhadores.<br />
Dessa forma, não alimento ilusões pueris sobre a matéria, apenas considero que ela deve estar no nosso horizonte pois, principalmente nas grandes cidades, um trabalhador que hoje labora 8 ou mais horas, compromete praticamente toda a sua vida com trabalho, deslocamento e reposição da máquina.<br />
É isso.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eugênio Varlino		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105503/#comment-295812</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eugênio Varlino]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2015 05:19:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105503#comment-295812</guid>

					<description><![CDATA[Os gestores só reduzirão a jornada de trabalho quando isso for imposto pelos trabalhadores em luta, do contrário o incremento em mais-valia relativa se dá mantendo-se o tempo de trabalho (e salário) dado e, portanto, aumentando-se a taxa e a massa de mais-valia, ou seja, revertendo o desenvolvimento tecnológico a favor do incremento da exploração. A proporcionalidade da exploração é decidida em âmbito mundial, e não compete ao capitalista de uma empresa particular a decisão de maneirar na exploração a fim dos trabalhadores ficarem mais felizes, descansadod e, em teoria, mais produtivos. Os eletrodomésticos, por exemplo, visam justamente que as 8 horas sejam executadas a mil, já que facilitam o trabalho doméstico e o tempo desperdiçado nestas tarefas. A própria compulsão econômica e os mecanismos de diferenciação da remuneração e de hierarquização nos cargos de trabalho entre trabalhadores já os leva a dar o sangue pela empresa, em busca da ascensão individual. Porque os capitalistas iriam reinventar a roda e se preocupar com a disponibilização de mais tempo livre aos trabalhadores (a nao ser que este capitalista não for do ramo de turismo e estiver interessado em capitalizar o lazer)? Além disso, no processo de exploração mais-valia absoluta e relativa se conjugam, e há situações inclusive em que se mostra mais favorável a exploração via mais-valia absoluta do que via a relativa, por exemplo em atividades que podem ser feitas com baixa composição orgânica do capital e nível baixíssimo de salários, com custo de produção mais barato do que aquele via incremento de maquinaria. É por isso, por exemplo, que boias-frias de algumas regiões propoem eles mesmos que o capitalista aceite o rebaixamento de seus salários e não adote a técnica mais mecanizada (o que significaria desemprego para eles). Para o capitalista a conta é simples: gasto X retorno. Se compensa colocar bolivianos alojados em cubículos e costurando à mão, ao invés de comprar uma máquina de costura que poupa tempo e esforço do trabalhador, venham bolivianos. Além disso, em muitos setores a redução da jornada de trabalho mantendo os salários significaria, para os capitalistas, aumentar o número de trabalhadores, portanto o número de jornadas de trabalho, portanto o valor gasto em salários, isso porque os capitalistas não podem reduzir a jornada e o tempo total de trabalho diário (por exemplo 6 horas), pois precisam transferir para as mercadorias o valor gasto em capital fixo o mais rápido possível, antes que a tecnologia se torne obsoleta. Se se opta pela máquina de costura moderna essa máquina deve estar a funcionar, transferindo seu valor aos produtos, se possível 24 horas por dia, pois o valor das mercadorias que ela produz é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário, e se alguem inventar uma nova máquina antes daquela transferir seu valor integral o capitalista passará a estar produzindo num nível abaixo do socialmente necessário e, por isso, levará prejuízo na hora da repartição da mais-valia globalmente produzida. Não sei se entendi muito bem onde o autor quis chegar com este texto. Convencer os capitalistas de que é bom para a economia reduzir a jornada mantendo o salário? Convencer os trabalhadores a lutar por isso pelo bem de um Capitalismo moderno e saudável, onde se trabalhe menos tempo total? Reforçar os argumentos dos trabalhadores na luta pela modernização de sua própria exploração? Para quê os capitalistas iriam querer isso sem que seja em resposta ou antecipação às lutas dos trabalhadores, já que há um exército industrial de reserva imenso e bem-disposto a aceitar a autoexploração por 8 horas [fora algum horário extra não-pago...]? Os capitalistas não modernizam a produção porque querem um sistema mais racional, e sim porque estão sendo pressionados pelos trabalhadores e precisam antecipar-se aos conflitos. Os mecanismos de mais-valia relativa funcionam de modo que o incremento em produtividade significa aumento da taxa de exploração e aumento do nível de consumo dos trabalhadores, pois a remuneração se dá em termos de bens de consumo e poder de compra, e não em termos de fatia do valor pago e não-pago (mais-valia). Por isso desenvolvimento capitalista significa maior exploração e simultaneamente maior ganho em nível de consumo dos trabalhadores. Enfim, o objetivo do texto talvez seja simplesmente dizer aos trabalhadores que trata-se de um mito o argumento de que a redução da jornada com manutenção do salário quebraria o país, entretanto o tempo de trabalho socialmente necessário é definido em escala mundial e os trabalhadores só conseguirão essa redução do trabalho com salário igual se houver uma luta global ou se houver algum mecanismo de transferência de valor de um lugar a outro, permitindo uma exceção geograficamente localizada, por exemplo através de algum mecanismo imperialista de transferência de valor, ou mesmo com uma diferenciada taxa de exploração entre trabalhadores de uma mesma empresa em distintos países, situação em que a superexploração dos trabalhadores de um local permite a exploração menor dos trabalhadores de outro local. A integração global das empresas capitalistas impõe os níveis regionais de exploração e forçam que a luta dos trabalhadores pela redução da jornada seja global. Uma vitória isolada de fato pode resultar na perda de competitividade (ou redução das margens de lucro) daquele capital que remunera um mesmo valor por tempo de trabalho menor, além disso estimulará à mecanização, visando alcançar o nível de produtividade socialmente necessário. Sendo assim não adianta dizer que a redução da jornada é boa também para os capitalistas, pois não é, e só será concedida quando os trabalhadores arrancarem a conquista à força.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os gestores só reduzirão a jornada de trabalho quando isso for imposto pelos trabalhadores em luta, do contrário o incremento em mais-valia relativa se dá mantendo-se o tempo de trabalho (e salário) dado e, portanto, aumentando-se a taxa e a massa de mais-valia, ou seja, revertendo o desenvolvimento tecnológico a favor do incremento da exploração. A proporcionalidade da exploração é decidida em âmbito mundial, e não compete ao capitalista de uma empresa particular a decisão de maneirar na exploração a fim dos trabalhadores ficarem mais felizes, descansadod e, em teoria, mais produtivos. Os eletrodomésticos, por exemplo, visam justamente que as 8 horas sejam executadas a mil, já que facilitam o trabalho doméstico e o tempo desperdiçado nestas tarefas. A própria compulsão econômica e os mecanismos de diferenciação da remuneração e de hierarquização nos cargos de trabalho entre trabalhadores já os leva a dar o sangue pela empresa, em busca da ascensão individual. Porque os capitalistas iriam reinventar a roda e se preocupar com a disponibilização de mais tempo livre aos trabalhadores (a nao ser que este capitalista não for do ramo de turismo e estiver interessado em capitalizar o lazer)? Além disso, no processo de exploração mais-valia absoluta e relativa se conjugam, e há situações inclusive em que se mostra mais favorável a exploração via mais-valia absoluta do que via a relativa, por exemplo em atividades que podem ser feitas com baixa composição orgânica do capital e nível baixíssimo de salários, com custo de produção mais barato do que aquele via incremento de maquinaria. É por isso, por exemplo, que boias-frias de algumas regiões propoem eles mesmos que o capitalista aceite o rebaixamento de seus salários e não adote a técnica mais mecanizada (o que significaria desemprego para eles). Para o capitalista a conta é simples: gasto X retorno. Se compensa colocar bolivianos alojados em cubículos e costurando à mão, ao invés de comprar uma máquina de costura que poupa tempo e esforço do trabalhador, venham bolivianos. Além disso, em muitos setores a redução da jornada de trabalho mantendo os salários significaria, para os capitalistas, aumentar o número de trabalhadores, portanto o número de jornadas de trabalho, portanto o valor gasto em salários, isso porque os capitalistas não podem reduzir a jornada e o tempo total de trabalho diário (por exemplo 6 horas), pois precisam transferir para as mercadorias o valor gasto em capital fixo o mais rápido possível, antes que a tecnologia se torne obsoleta. Se se opta pela máquina de costura moderna essa máquina deve estar a funcionar, transferindo seu valor aos produtos, se possível 24 horas por dia, pois o valor das mercadorias que ela produz é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário, e se alguem inventar uma nova máquina antes daquela transferir seu valor integral o capitalista passará a estar produzindo num nível abaixo do socialmente necessário e, por isso, levará prejuízo na hora da repartição da mais-valia globalmente produzida. Não sei se entendi muito bem onde o autor quis chegar com este texto. Convencer os capitalistas de que é bom para a economia reduzir a jornada mantendo o salário? Convencer os trabalhadores a lutar por isso pelo bem de um Capitalismo moderno e saudável, onde se trabalhe menos tempo total? Reforçar os argumentos dos trabalhadores na luta pela modernização de sua própria exploração? Para quê os capitalistas iriam querer isso sem que seja em resposta ou antecipação às lutas dos trabalhadores, já que há um exército industrial de reserva imenso e bem-disposto a aceitar a autoexploração por 8 horas [fora algum horário extra não-pago&#8230;]? Os capitalistas não modernizam a produção porque querem um sistema mais racional, e sim porque estão sendo pressionados pelos trabalhadores e precisam antecipar-se aos conflitos. Os mecanismos de mais-valia relativa funcionam de modo que o incremento em produtividade significa aumento da taxa de exploração e aumento do nível de consumo dos trabalhadores, pois a remuneração se dá em termos de bens de consumo e poder de compra, e não em termos de fatia do valor pago e não-pago (mais-valia). Por isso desenvolvimento capitalista significa maior exploração e simultaneamente maior ganho em nível de consumo dos trabalhadores. Enfim, o objetivo do texto talvez seja simplesmente dizer aos trabalhadores que trata-se de um mito o argumento de que a redução da jornada com manutenção do salário quebraria o país, entretanto o tempo de trabalho socialmente necessário é definido em escala mundial e os trabalhadores só conseguirão essa redução do trabalho com salário igual se houver uma luta global ou se houver algum mecanismo de transferência de valor de um lugar a outro, permitindo uma exceção geograficamente localizada, por exemplo através de algum mecanismo imperialista de transferência de valor, ou mesmo com uma diferenciada taxa de exploração entre trabalhadores de uma mesma empresa em distintos países, situação em que a superexploração dos trabalhadores de um local permite a exploração menor dos trabalhadores de outro local. A integração global das empresas capitalistas impõe os níveis regionais de exploração e forçam que a luta dos trabalhadores pela redução da jornada seja global. Uma vitória isolada de fato pode resultar na perda de competitividade (ou redução das margens de lucro) daquele capital que remunera um mesmo valor por tempo de trabalho menor, além disso estimulará à mecanização, visando alcançar o nível de produtividade socialmente necessário. Sendo assim não adianta dizer que a redução da jornada é boa também para os capitalistas, pois não é, e só será concedida quando os trabalhadores arrancarem a conquista à força.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105503/#comment-295651</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 16:11:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ERRATA (*) 
DE: Wellfare State
PARA: welfare state

(*) Por que não farewell welfare, com Rory Mcleod? [:-)]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ERRATA (*)<br />
DE: Wellfare State<br />
PARA: welfare state</p>
<p>(*) Por que não farewell welfare, com Rory Mcleod? [:-)]</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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