<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Dramas do Gênero: feminismo anticapitalista entre o consenso e a intransigência	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2015/07/105552/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 12 Jun 2017 22:56:13 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Ana Elisa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-297045</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ana Elisa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2015 18:38:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-297045</guid>

					<description><![CDATA[1- O patriarcado.
Existem muitas formas de tratar a questão do patriarcado. NÃO estou mencionando o patriarcado para afirmar que a opressão de genero é ahistórica e muito menos &quot;secundarizando a noção de modo de produção&quot;. Não estou substituindo as classes por nada em nenhum momento. Assim como não estou abrindo mão de uma analise do capitalismo e de como lutar contra ele.Mencionei o patriarcado para indicar que a opressão das mulheres é coisa antiga. Muito antiga. E que não cabe à nossa força critica individual de experiencias especificas garantir uma bolha não machista em torno de nós. Essa noçãovde patriarcado multiculturalista não é a minha e não estou utilizando esse conceito (que considero válido) com os mesmos propositos que o multiculturalismo. Acho isso meio óbvio no meu texto. O que me faz pensar que há aqui uma luta retórica esolastica um tanto quanto mesquinha, que busca distorcer a fala do outro para poder desqualificá-lo. Ficam gritando que sou multiculturalista. Provavel que o outro lado me xingasse de alguma outra coisa. Triste e previsível. No mínimo, um ambiente inóspito.

2- Espaços exclusivos como tática.
Caro Arabel, não me agrada muito a ideia de colocar o dilema dos espaços exclusivos/inclusivos nessas caixinhas teorico-historicas: tatica e estrategia, programa minimo e programa maximo. Acho que o problema é mais embaixo. Não sabemos como lidar com o machismo na esquerda. Homens e mulheres, não sabemos como responder aos mais distintos niveis de agressao às mulheres por homens militantes. Alias, nem sabemos direito responder aos que não são militantes, como ja vivenciei em ocupações e assentamentos que jorravam questões gravíssimas. Por isso que acabam tendo os espaços exclusivos. Na ausencia de respostas, as mulheres, que estão se sentindo lesadas pelas relações de opressão, se juntam. É quase um movimento instintivo. Assim como o ódio é instintivo. Creio que precisamos superar a fase do instinto, do primitivismo que existe em nós, mas é só com um processo de reflexão e ação que comece a ensaiar respostas pras situações de opressão. Respostas que avancem em relação ao punitivismo e aos escrachos. Porem, temos uma ausencia de estrategia! É o vazio histórico de um periodo de crise de tudo o que conhecemos, das nossas referências históricas (cut, pt, mst e tudo o que se segue reproduzindo-os) faliram. Não h+a estrategia. Como submeter os espaços exclusivos à uma estrategia ainda inexistente? Como caminhar para a construção de uma nova estrategia e sua respectiva tatica incluindo a questão do feminismo? Veja, Arabel, o punitivismo e o seu respectivo medo são de fato perversos. Porém, em uma nova síntese a questão de genero certamente não irá, novamente, ficar de fora.

3- As mulheres no MST
Arabel, a formação politica para mulheres só aconteceu quando elas, autonomamente, se juntaram em espaços EXCLUSIVOS e organizaram seu debate político. Essa não foi em nenhuma situação uma ação coletiva que tenha sido impulsionada por homens. Infelizmente. Creio que temos que pensar caso a caso. Não sou nem a favor nem contra espaços exclusivos por definição. Agora não podemos ter medo que as pessoas se reunam da forma que queiram. Mesmo que isso interfira nos rumos da organização. No caso das mulheres do MST isso levou a uma açõa radicalizada como a destruição das mudas da Aracruz em 2006, por exemplo, dentr outras. A direção nacional ficou possessa e passou a perseguir internamente essas mulheres. Por isso inclusive algumas delas sairam do movimento na carta dos 51. O espaço exclusivo nesse caso levou a uma ação politica independente e fora do controle da direção do movimento. No caso é uma ação que nós nos identificamos porque é carregada de radicalidade. E só ocorreu porque elas tinham o espaço exclusivo e decidiram e agiram à revelia. Claro que, em outras situações, os rumos podem ser outros, nem sempre impulsionando para uma maior radicalidade, pode levar a uma maios institucionalização por exemplo. Mas aí está. em nenhum dos casos acho que militante tem que ser polícia. E se reunir com militantes de sua organização ou de outra não pode ser pecado. Aí vejo nessa postura de necessidade de controle uma herança das velhas estruturas que precisamos superar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1- O patriarcado.<br />
Existem muitas formas de tratar a questão do patriarcado. NÃO estou mencionando o patriarcado para afirmar que a opressão de genero é ahistórica e muito menos &#8220;secundarizando a noção de modo de produção&#8221;. Não estou substituindo as classes por nada em nenhum momento. Assim como não estou abrindo mão de uma analise do capitalismo e de como lutar contra ele.Mencionei o patriarcado para indicar que a opressão das mulheres é coisa antiga. Muito antiga. E que não cabe à nossa força critica individual de experiencias especificas garantir uma bolha não machista em torno de nós. Essa noçãovde patriarcado multiculturalista não é a minha e não estou utilizando esse conceito (que considero válido) com os mesmos propositos que o multiculturalismo. Acho isso meio óbvio no meu texto. O que me faz pensar que há aqui uma luta retórica esolastica um tanto quanto mesquinha, que busca distorcer a fala do outro para poder desqualificá-lo. Ficam gritando que sou multiculturalista. Provavel que o outro lado me xingasse de alguma outra coisa. Triste e previsível. No mínimo, um ambiente inóspito.</p>
<p>2- Espaços exclusivos como tática.<br />
Caro Arabel, não me agrada muito a ideia de colocar o dilema dos espaços exclusivos/inclusivos nessas caixinhas teorico-historicas: tatica e estrategia, programa minimo e programa maximo. Acho que o problema é mais embaixo. Não sabemos como lidar com o machismo na esquerda. Homens e mulheres, não sabemos como responder aos mais distintos niveis de agressao às mulheres por homens militantes. Alias, nem sabemos direito responder aos que não são militantes, como ja vivenciei em ocupações e assentamentos que jorravam questões gravíssimas. Por isso que acabam tendo os espaços exclusivos. Na ausencia de respostas, as mulheres, que estão se sentindo lesadas pelas relações de opressão, se juntam. É quase um movimento instintivo. Assim como o ódio é instintivo. Creio que precisamos superar a fase do instinto, do primitivismo que existe em nós, mas é só com um processo de reflexão e ação que comece a ensaiar respostas pras situações de opressão. Respostas que avancem em relação ao punitivismo e aos escrachos. Porem, temos uma ausencia de estrategia! É o vazio histórico de um periodo de crise de tudo o que conhecemos, das nossas referências históricas (cut, pt, mst e tudo o que se segue reproduzindo-os) faliram. Não h+a estrategia. Como submeter os espaços exclusivos à uma estrategia ainda inexistente? Como caminhar para a construção de uma nova estrategia e sua respectiva tatica incluindo a questão do feminismo? Veja, Arabel, o punitivismo e o seu respectivo medo são de fato perversos. Porém, em uma nova síntese a questão de genero certamente não irá, novamente, ficar de fora.</p>
<p>3- As mulheres no MST<br />
Arabel, a formação politica para mulheres só aconteceu quando elas, autonomamente, se juntaram em espaços EXCLUSIVOS e organizaram seu debate político. Essa não foi em nenhuma situação uma ação coletiva que tenha sido impulsionada por homens. Infelizmente. Creio que temos que pensar caso a caso. Não sou nem a favor nem contra espaços exclusivos por definição. Agora não podemos ter medo que as pessoas se reunam da forma que queiram. Mesmo que isso interfira nos rumos da organização. No caso das mulheres do MST isso levou a uma açõa radicalizada como a destruição das mudas da Aracruz em 2006, por exemplo, dentr outras. A direção nacional ficou possessa e passou a perseguir internamente essas mulheres. Por isso inclusive algumas delas sairam do movimento na carta dos 51. O espaço exclusivo nesse caso levou a uma ação politica independente e fora do controle da direção do movimento. No caso é uma ação que nós nos identificamos porque é carregada de radicalidade. E só ocorreu porque elas tinham o espaço exclusivo e decidiram e agiram à revelia. Claro que, em outras situações, os rumos podem ser outros, nem sempre impulsionando para uma maior radicalidade, pode levar a uma maios institucionalização por exemplo. Mas aí está. em nenhum dos casos acho que militante tem que ser polícia. E se reunir com militantes de sua organização ou de outra não pode ser pecado. Aí vejo nessa postura de necessidade de controle uma herança das velhas estruturas que precisamos superar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Volta João Bernardo!		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296728</link>

		<dc:creator><![CDATA[Volta João Bernardo!]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2015 23:17:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296728</guid>

					<description><![CDATA[&quot;A maior parte do que agora se denomina esquerda alheou-se do combate ao capitalismo como modo de produção, ou seja, como sistema de relações sociais de trabalho. No entanto, seria este o único sentido do anticapitalismo. A esquerda que não pretenda transformar radicalmente as relações sociais de trabalho limita-se a ser uma das correntes políticas do capitalismo&quot;

&quot;Existe outra esquerda, que hoje tem o ascendente e se define como pós-moderna.
O pós-modernismo generalizou a noção de narrativa. A realidade é assimilada pelo discurso sobre a realidade. O que passa a ter importância é o controlo sobre o discurso, substituindo a acção sobre o real. Esta concepção tem a sua expressão prática — ou, mais exactamente, de negação da prática — na redução da política às redes sociais, enquanto disputa de narrativas&quot;

&quot;Os multiculturalistas esquecem, ou pretendem fazer esquecer, que as culturas e identidades étnicas foram, todas elas, originariamente exclusivistas e cada uma nasceu da assimilação e liquidação de outras anteriores&quot;

&quot;O tipo de feminismo que hoje está na moda confunde as oposições de classe sob o pretexto da identidade biológica. Dando à noção de patriarcal uma extensão refutada pelo estudo das diferentes estruturas familiares ao longo da história e, em cada sociedade, nos vários estratos sociais, esse feminismo em voga recusa ou secundariza a noção de modo de produção e combate o projecto de uma cultura unificada de classe&quot;

(trechos dos textos &quot;Sobre a esquerda e as esquerdas&quot;, de João Bernardo)

Volta João Bernardo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A maior parte do que agora se denomina esquerda alheou-se do combate ao capitalismo como modo de produção, ou seja, como sistema de relações sociais de trabalho. No entanto, seria este o único sentido do anticapitalismo. A esquerda que não pretenda transformar radicalmente as relações sociais de trabalho limita-se a ser uma das correntes políticas do capitalismo&#8221;</p>
<p>&#8220;Existe outra esquerda, que hoje tem o ascendente e se define como pós-moderna.<br />
O pós-modernismo generalizou a noção de narrativa. A realidade é assimilada pelo discurso sobre a realidade. O que passa a ter importância é o controlo sobre o discurso, substituindo a acção sobre o real. Esta concepção tem a sua expressão prática — ou, mais exactamente, de negação da prática — na redução da política às redes sociais, enquanto disputa de narrativas&#8221;</p>
<p>&#8220;Os multiculturalistas esquecem, ou pretendem fazer esquecer, que as culturas e identidades étnicas foram, todas elas, originariamente exclusivistas e cada uma nasceu da assimilação e liquidação de outras anteriores&#8221;</p>
<p>&#8220;O tipo de feminismo que hoje está na moda confunde as oposições de classe sob o pretexto da identidade biológica. Dando à noção de patriarcal uma extensão refutada pelo estudo das diferentes estruturas familiares ao longo da história e, em cada sociedade, nos vários estratos sociais, esse feminismo em voga recusa ou secundariza a noção de modo de produção e combate o projecto de uma cultura unificada de classe&#8221;</p>
<p>(trechos dos textos &#8220;Sobre a esquerda e as esquerdas&#8221;, de João Bernardo)</p>
<p>Volta João Bernardo!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Arabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296514</link>

		<dc:creator><![CDATA[Arabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2015 14:38:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296514</guid>

					<description><![CDATA[Acho que o texto começa a colocar os espaços exclusivos a partir de uma perspectiva das contradições aparecem nele como tatica e não de uma inevitabilidade de um caminho que ele nos força a percorrer (seja de empoderamento, emancipação e fim do capitalismo pela visão feminista radical ou de manutenção estrutural de uma segregação que existe socialmente, agora de forma introjetada pela esquerda, por outra visão)
Defendo que a questão é de estrategia e tática, assim como ja fazemos em relação para o fim da exploração e suas mediações praticas com o hoje.

A critica ao femismo radical e toda a tradição advinda dele (que fazem criticas a ele só na medida que acham que seu recorte geralmente é amplo demais e precisamos de mais e mais recortes em espaços cada vez menores), assim como a todo o resto do multiculturalismo, é na sua totalidade, nos fatos de pela sua tradição liberal focar completamente na individualização (todo opressor tem que ser escrachado publicamente porque ele é um ser pensante, independente e livre pra ter feito o que fez)  e não em questões estruturais (se fala de patriarcado dentro do feminismo radical mas essa discussão nunca serviu, e continua não servindo, para a construção de nenhuma politica praticas gerais que tentem confrontar questões estruturais do sistema de genero que existe hoje), de seu carater purista (excluir de espaços pessoas machistas, e a punição como ferramenta de medo e reparadora), anti-materialista (afinal as verdades sobre as diversas identidades, desde as formas de luta ao que é ou não opressão são definidos apenas e tão somente pela consciencia dos grupos oprimidos, ou seja, não existe uma realidade material que não dependa das consciencias), não ter politicas de socialização geral e de transformação, só de manutenção do purismo e dos recortes existentes.


A questão dos espaços exclusivos é tática e portanto tem que ser vista desse ponto de vista, que a estrategica não pode estar subordinada a ela, pelo contrario.
Lembro de uma conversa sobre o multiculturalismo que me fez relacionar a critica que mesmo o setor mais &quot;a esquerda&quot; dele tem (achando que ele de fato vai levar ao fim das opressões) com a social-democracia e a discussão que o Trotsky apresenta no começo do programa de transição
Se cria um programa maximo (o fim do machismo, do racismo, da homofobia etc) e se tem um programa minimo de reformas completamente dentro da ordem, por mais radicais que sejam, que coloca a classe em movimento e que a classe considera vantajosa (espaços exclusivos para grupos oprimidos se sentirem seguros, exclusão de opressores para manutenção de espaços seguros etc).
Se segue sem nenhuma politica de transição entre o programa maximo e o minimo, na pratica o programa minimo vai se tornando o fim e continua girando em torno de si mesmo, do mesmo jeito que cada luta salarial pode significa um aprofundamento da politica sindicalista na classe (porque de fato muitas pessoas oprimidas se sentem mais confortaveis nesses espaços, porque é algo sentimentalmente construido e naturalizado as exclusões para manter fora quem cometeu infrações) e o programa maximo segue sendo algo abstrato e longinquo para se falar de vez em quando durante a realização do programa minimo, em algumas formações, discursos e nada alem disso.
(Quando você acredita na revolução, mas ela é um evento tão distante que voce nunca vai ver ela acontecer e voce vai manter uma pratica reformista a vida inteira enquanto espera ela, você é reformista)

Ao mesmo tempo, tem uma coisa que eu acho que é muito importante e não esta colocado, em tempos em que o sindicalismo reina e a luta salarial é o que hegemoniza, usar as suas praticas e mesmo fazer organização por local de trabalho (mesmo quando usadas por setores com uma tentativa de politica revolucionaria) é ter uma politica pratica que vai sofrer pressões imensas em direção ao sindicalismo, segue a mesma coisa nos tempos de hoje em relação ao uso de espaços exclusivos em tempos que o multiculturalismo começa a reinar nessa esquerda. Isso não significa que temos que abandonar completamente qualquer luta por salario ou organização de local de trabalho pelas pressoes sindicalistas que a conjuntura faz sobre a organização e sobre a militancia mas saber dessa pressão e enfrentar ela, acho a mesma coisa com espaços exclusivos.

Quando ouvi pela primeira vez, e foi a vez que ouvi de forma mais extensa, sobre a historia da setorial de genero dentro do MST, que foi a organização que passei a ter alguma referencia sobre a questão de genero em uma perspectiva anticapitalista, eu via a diferença enorme entre o que ela foi e o que é o feminismo radical e sua tradição. Por mais que tivesse um espaço exclusivo que existia estrutural dentro da organização (o que eu discordo, defendo hoje que esses espaços possam existir mas de forma conjunturalmente, planejando se dissolver novamente nos espaços gerais) a sua discussão e sua politica era voltada para horizontes bastante factiveis e de retorno para a socialização geral. Se as mulheres não participam da discussão estrategica, vamos fazer formação e discutir estrategia com as mulheres, se não estão participando mais ativamente nas ações de enfrentamento, entrada em peso nessas ações etc
Ouvi poucas vezes sobre essas historias, algo que quero estudar e ouvir mais de perto nos proximos tempos.

É completamente diferente da tradição multiculturalismo, mesmo que compartilhem um aspecto pratico em comum, que é a existencia estrutural de espaços exclusivos.


Tenho acordo com comentario da Ivone e alguns pontos do Fagner, embora ache que na questão sobre machismo na sociedade e a sua relação com as pessoas seja bastante diversa da analise que ele fez, que acho que mantem traços de uma forma de encarar opressões não tão rigorosa e materialista que complica muito na criação de mapas de analise e estrategica, mas depois comento sobre isso]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que o texto começa a colocar os espaços exclusivos a partir de uma perspectiva das contradições aparecem nele como tatica e não de uma inevitabilidade de um caminho que ele nos força a percorrer (seja de empoderamento, emancipação e fim do capitalismo pela visão feminista radical ou de manutenção estrutural de uma segregação que existe socialmente, agora de forma introjetada pela esquerda, por outra visão)<br />
Defendo que a questão é de estrategia e tática, assim como ja fazemos em relação para o fim da exploração e suas mediações praticas com o hoje.</p>
<p>A critica ao femismo radical e toda a tradição advinda dele (que fazem criticas a ele só na medida que acham que seu recorte geralmente é amplo demais e precisamos de mais e mais recortes em espaços cada vez menores), assim como a todo o resto do multiculturalismo, é na sua totalidade, nos fatos de pela sua tradição liberal focar completamente na individualização (todo opressor tem que ser escrachado publicamente porque ele é um ser pensante, independente e livre pra ter feito o que fez)  e não em questões estruturais (se fala de patriarcado dentro do feminismo radical mas essa discussão nunca serviu, e continua não servindo, para a construção de nenhuma politica praticas gerais que tentem confrontar questões estruturais do sistema de genero que existe hoje), de seu carater purista (excluir de espaços pessoas machistas, e a punição como ferramenta de medo e reparadora), anti-materialista (afinal as verdades sobre as diversas identidades, desde as formas de luta ao que é ou não opressão são definidos apenas e tão somente pela consciencia dos grupos oprimidos, ou seja, não existe uma realidade material que não dependa das consciencias), não ter politicas de socialização geral e de transformação, só de manutenção do purismo e dos recortes existentes.</p>
<p>A questão dos espaços exclusivos é tática e portanto tem que ser vista desse ponto de vista, que a estrategica não pode estar subordinada a ela, pelo contrario.<br />
Lembro de uma conversa sobre o multiculturalismo que me fez relacionar a critica que mesmo o setor mais &#8220;a esquerda&#8221; dele tem (achando que ele de fato vai levar ao fim das opressões) com a social-democracia e a discussão que o Trotsky apresenta no começo do programa de transição<br />
Se cria um programa maximo (o fim do machismo, do racismo, da homofobia etc) e se tem um programa minimo de reformas completamente dentro da ordem, por mais radicais que sejam, que coloca a classe em movimento e que a classe considera vantajosa (espaços exclusivos para grupos oprimidos se sentirem seguros, exclusão de opressores para manutenção de espaços seguros etc).<br />
Se segue sem nenhuma politica de transição entre o programa maximo e o minimo, na pratica o programa minimo vai se tornando o fim e continua girando em torno de si mesmo, do mesmo jeito que cada luta salarial pode significa um aprofundamento da politica sindicalista na classe (porque de fato muitas pessoas oprimidas se sentem mais confortaveis nesses espaços, porque é algo sentimentalmente construido e naturalizado as exclusões para manter fora quem cometeu infrações) e o programa maximo segue sendo algo abstrato e longinquo para se falar de vez em quando durante a realização do programa minimo, em algumas formações, discursos e nada alem disso.<br />
(Quando você acredita na revolução, mas ela é um evento tão distante que voce nunca vai ver ela acontecer e voce vai manter uma pratica reformista a vida inteira enquanto espera ela, você é reformista)</p>
<p>Ao mesmo tempo, tem uma coisa que eu acho que é muito importante e não esta colocado, em tempos em que o sindicalismo reina e a luta salarial é o que hegemoniza, usar as suas praticas e mesmo fazer organização por local de trabalho (mesmo quando usadas por setores com uma tentativa de politica revolucionaria) é ter uma politica pratica que vai sofrer pressões imensas em direção ao sindicalismo, segue a mesma coisa nos tempos de hoje em relação ao uso de espaços exclusivos em tempos que o multiculturalismo começa a reinar nessa esquerda. Isso não significa que temos que abandonar completamente qualquer luta por salario ou organização de local de trabalho pelas pressoes sindicalistas que a conjuntura faz sobre a organização e sobre a militancia mas saber dessa pressão e enfrentar ela, acho a mesma coisa com espaços exclusivos.</p>
<p>Quando ouvi pela primeira vez, e foi a vez que ouvi de forma mais extensa, sobre a historia da setorial de genero dentro do MST, que foi a organização que passei a ter alguma referencia sobre a questão de genero em uma perspectiva anticapitalista, eu via a diferença enorme entre o que ela foi e o que é o feminismo radical e sua tradição. Por mais que tivesse um espaço exclusivo que existia estrutural dentro da organização (o que eu discordo, defendo hoje que esses espaços possam existir mas de forma conjunturalmente, planejando se dissolver novamente nos espaços gerais) a sua discussão e sua politica era voltada para horizontes bastante factiveis e de retorno para a socialização geral. Se as mulheres não participam da discussão estrategica, vamos fazer formação e discutir estrategia com as mulheres, se não estão participando mais ativamente nas ações de enfrentamento, entrada em peso nessas ações etc<br />
Ouvi poucas vezes sobre essas historias, algo que quero estudar e ouvir mais de perto nos proximos tempos.</p>
<p>É completamente diferente da tradição multiculturalismo, mesmo que compartilhem um aspecto pratico em comum, que é a existencia estrutural de espaços exclusivos.</p>
<p>Tenho acordo com comentario da Ivone e alguns pontos do Fagner, embora ache que na questão sobre machismo na sociedade e a sua relação com as pessoas seja bastante diversa da analise que ele fez, que acho que mantem traços de uma forma de encarar opressões não tão rigorosa e materialista que complica muito na criação de mapas de analise e estrategica, mas depois comento sobre isso</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fonte Wikipédia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296438</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fonte Wikipédia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2015 23:13:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296438</guid>

					<description><![CDATA[Em psicologia, projeção é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s). De acordo com Tavris Wade, a Projeção Psicológica ocorre quando os sentimentos ameaçados ou inaceitáveis de determinada pessoa são reprimidos e, então, projetados em alguém.

A projeção psicológica reduz a ansiedade por permitir a expressão de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a mente consciente não os reconheça. Um exemplo de tal comportamento pode ser o de culpar determinado indivíduo por um fracasso próprio.Em tal caso, a mente evita o desconforto da admissão consciente da falta cometida, mantém os sentimentos no inconsciente e projeta, assim, as falhas em outra(s) pessoa(s).

A teoria foi desenvolvida por Sigmund Freud e posteriormente refinada por sua filha Anna Freud e, por conta de tal ação, ela também é chamada de &quot;Projeção Freudiana&quot; em certas literaturas

Fonte Wikipédia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em psicologia, projeção é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s). De acordo com Tavris Wade, a Projeção Psicológica ocorre quando os sentimentos ameaçados ou inaceitáveis de determinada pessoa são reprimidos e, então, projetados em alguém.</p>
<p>A projeção psicológica reduz a ansiedade por permitir a expressão de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a mente consciente não os reconheça. Um exemplo de tal comportamento pode ser o de culpar determinado indivíduo por um fracasso próprio.Em tal caso, a mente evita o desconforto da admissão consciente da falta cometida, mantém os sentimentos no inconsciente e projeta, assim, as falhas em outra(s) pessoa(s).</p>
<p>A teoria foi desenvolvida por Sigmund Freud e posteriormente refinada por sua filha Anna Freud e, por conta de tal ação, ela também é chamada de &#8220;Projeção Freudiana&#8221; em certas literaturas</p>
<p>Fonte Wikipédia</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Cleyton V.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296428</link>

		<dc:creator><![CDATA[Cleyton V.]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2015 19:58:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296428</guid>

					<description><![CDATA[Dizem violentas e entrincheiradas as minhas palavras, mas não dizem que são violentas as formas e ofensas e tentativas de censurar a minha postura utilizando o manto classico do &quot;todos somos oprimidos&quot; e mais uma vez se vê de forma estupida e racista a forma como reagem a problemática do exterminio racial dentro das Corporações teoricas padronizadas.

Fagner foi da abordagem que a direita mais usa pra esculhambar a problematica racial: &quot; tem um negro na foto&quot;,África tambem tem escravos e negros querem ser oportunistas. Ora Fagner Faça um texto tambem mostrando aos índios dizimados pelos antropologos e medicos brancos americanos que utilizaram eles como cobaias em estudos que Negros tambem foram utilizados na america, na África e na ìndia e que eles estão entrincheirados.

Lucas querendo se passar por bonzinho de esquerda me chamou de lunatico e facista ( percebam o que um assunto naõ fez)  mas ainda acha q detem moral da esquerda( se não branca) para descorrer sobre   o debate.

Ivone diz viotentas e sem noção minhas palavras descorrendo sobre branquitude e supremacia branca, mas não diz violenta sua postura estupida de criminalização e encarceramento do meu discurso ao se valer do arcabouço do &quot; Brancos também sofrem&quot; &quot; tem Brancos Pobres&quot; para justificar seu racismo de esquerda e na defesa dos corpos que lhe são comuns. Viu que voces sabem rapido quem defender quando a problematica racial entra! Voce me descarecteriza para colocar sua posição!

Ana Elisa me diz entrincheirado, mas esse entrincheiramento meu está aonde? percebo que está nos circulos brancos de esquerda que utilizam com propriedades a teorias das classes para descaracterizar e rebaixar a luta racial contra exploração e o extermínio.

parecem que velhos jargões já conhecido do racismo assumem na esquerda posturas mais pomposas. é aquela coisa: &quot; Negro e Índios calem a boca pq tem brancos pobres e explorados&quot; Ivone acertou em cheio.

Temos 04 pessoas de esquerda que possuem ponto em comum. A Loucura do Cleyton. Mas Cleyton seria louco para quem? Quem são as pessoas que não se enxergam no seu discurso? Ora esquerda! 

Eu realmente estou entrincheirado quando perce-se que a esquerda e a direita utilizam os mesmos artífices para rebaixar, excluir, banalizar, ofender e censurar o &quot;colega&quot; e o discurso da problemática Racial. 

Me parece que o privilégio de ser Branco é mais valioso na detenção da verdade para vocês( enfim, a esquerda né?) do que para os brancos de direita.

Qual a próxima Ofensa e xingamento? já vi tudo! 
(())!!!
e outra, Voces mão são vanguardas nesse tipo de pensamento!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem violentas e entrincheiradas as minhas palavras, mas não dizem que são violentas as formas e ofensas e tentativas de censurar a minha postura utilizando o manto classico do &#8220;todos somos oprimidos&#8221; e mais uma vez se vê de forma estupida e racista a forma como reagem a problemática do exterminio racial dentro das Corporações teoricas padronizadas.</p>
<p>Fagner foi da abordagem que a direita mais usa pra esculhambar a problematica racial: &#8221; tem um negro na foto&#8221;,África tambem tem escravos e negros querem ser oportunistas. Ora Fagner Faça um texto tambem mostrando aos índios dizimados pelos antropologos e medicos brancos americanos que utilizaram eles como cobaias em estudos que Negros tambem foram utilizados na america, na África e na ìndia e que eles estão entrincheirados.</p>
<p>Lucas querendo se passar por bonzinho de esquerda me chamou de lunatico e facista ( percebam o que um assunto naõ fez)  mas ainda acha q detem moral da esquerda( se não branca) para descorrer sobre   o debate.</p>
<p>Ivone diz viotentas e sem noção minhas palavras descorrendo sobre branquitude e supremacia branca, mas não diz violenta sua postura estupida de criminalização e encarceramento do meu discurso ao se valer do arcabouço do &#8221; Brancos também sofrem&#8221; &#8221; tem Brancos Pobres&#8221; para justificar seu racismo de esquerda e na defesa dos corpos que lhe são comuns. Viu que voces sabem rapido quem defender quando a problematica racial entra! Voce me descarecteriza para colocar sua posição!</p>
<p>Ana Elisa me diz entrincheirado, mas esse entrincheiramento meu está aonde? percebo que está nos circulos brancos de esquerda que utilizam com propriedades a teorias das classes para descaracterizar e rebaixar a luta racial contra exploração e o extermínio.</p>
<p>parecem que velhos jargões já conhecido do racismo assumem na esquerda posturas mais pomposas. é aquela coisa: &#8221; Negro e Índios calem a boca pq tem brancos pobres e explorados&#8221; Ivone acertou em cheio.</p>
<p>Temos 04 pessoas de esquerda que possuem ponto em comum. A Loucura do Cleyton. Mas Cleyton seria louco para quem? Quem são as pessoas que não se enxergam no seu discurso? Ora esquerda! </p>
<p>Eu realmente estou entrincheirado quando perce-se que a esquerda e a direita utilizam os mesmos artífices para rebaixar, excluir, banalizar, ofender e censurar o &#8220;colega&#8221; e o discurso da problemática Racial. </p>
<p>Me parece que o privilégio de ser Branco é mais valioso na detenção da verdade para vocês( enfim, a esquerda né?) do que para os brancos de direita.</p>
<p>Qual a próxima Ofensa e xingamento? já vi tudo!<br />
(())!!!<br />
e outra, Voces mão são vanguardas nesse tipo de pensamento!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296416</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2015 17:57:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296416</guid>

					<description><![CDATA[Ana Elisa,

Você afirma que eu sou &quot;rotulador&quot; e que eu nego toda e qualquer posição que não se enquadra no meu suposto &quot;manual verdadeiramente revolucionário classista de verdade&quot;. E diz, também, que eu estou entrincheirado, como o Cleyton. Para você, eu estou apegado a uma &quot;religião&quot;.

Mas eu pergunto: você se deu, realmente, ao trabalho de ler o primeiro ponto do meu primeiro comentário, tendo abertura de espírito para encará-lo não apenas como uma negação (pois toda afirmação é também uma negação, já que estamos falando em dialética, cujo princípio fundamental é a negação da negação) mas como uma negação plausível? Para que haja qualquer diálogo, as posições dos interlocutores devem ser encaradas como plausíveis.

Acho que não, pois o segundo tópico do seu comentário não apenas não dialoga com as minhas colocações como também limita-se a, simplesmente, afirmar o axioma do &quot;patriarcado&quot;, negando, assim, as minhas colocações, mas negando-as sem tomá-las como colocações plausíveis.

O quarto ponto do meu primeiro comentário, comentário este supostamente resultante de um &quot;manual verdadeiramente revolucionário classista de verdade&quot;, também é uma tentativa de diálogo, uma tentativa de moderar a &quot;intransigência&quot;, que você mesma reconhece como necessária.

Mas, enfim, vou me centrar no primeiro ponto do meu primeiro comentário: você realmente acha que é válido recorrer a um conceito ahistórico, como o de &quot;patriarcado&quot;, para explicar as relações sociais entre os gêneros? Veja bem: eu não neguei que a opressão de gênero existe, eu não neguei que isso seja importante; o que eu fiz foi mostrar que, a meu ver, pensar o indivíduo como unicentrado, ao invés de pluricentrado ou descentrado, é um erro.

O conceito de &quot;patriarcado&quot; reduz o indivíduo à expressão de uma única estrutura, enquanto que, a meu ver, é mais realista (ou materialista dialética, se você preferir) uma noção do indivíduo como determinado por múltiplas estruturas, cada qual com uma lógica própria, com uma dinâmica própria, que sempre contradiz, em maior ou menor medida, a lógica e a dinâmica das demais.

E, nesse sentido, você cai no mesmo erro dos classistas que consideram apenas as determinações de classe e que, portanto, também pensam o indivíduo como unicentrado, só que determinado unicamente pela classe, e não pelo patriarcado. Esse raciocínio, desse tipo de esquerda classista, da qual eu não faço parte, nega outras estruturas, dotadas de outras lógicas, de outras dinâmicas, que vão moldando o comportamento dos indivíduos: nega, portanto, que as relações entre os gêneros devam ser vistas como uma estrutura à parte da estrutura de classe, embora ambas se relacionem. Mas o que você faz (em parte, ou seja, não totalmente) é a mesma coisa, só que substituindo as classes pelo &quot;patriarcado&quot;.

Enfim, existe mesmo uma estrutura social, chamada &quot;patriarcado&quot;, que paira sobre todas as demais estruturas sociais, determinando os comportamentos individuais (de homens e mulheres), o tempo todo? E essa estrutura social existe ahistoricamente? Se não existe (e o conceito de &quot;patriarcado&quot; é criticado, por exemplo, por uma feminista chamada Gayle Rubin, no ensaio &quot;O tráfico de mulheres: notas sobre a &#039;economia política&#039; do sexo&quot;, disponível aqui: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/1919), então temos de pensar as relações entre os gêneros como determinadas por múltiplos fatores.

Uma parte do feminismo não escorrega para o determinismo do &quot;patriarcado&quot;, como você faz, mas escorrega para o determinismo biológico, biologizando a questão da opressão entre os sexos.

Eu, particularmente, prefiro uma concepção que encontra a chave do problema na frequência com que um indivíduo participa de determinadas relações sociais. E reafirmo o que escrevi naquele comentário: &quot;pressupor que todo homem foi, desde a infância, inculcado por princípios machistas é um erro; e, mesmo que muitos deles, a maior parte deles, tenham sido inculcados por esses princípios desde a infância, o que interessa é alterar a frequência da sua participação em relações sociais, em grupos sociais, que reforçam tais práticas, que são abomináveis; e o meio correto de fazê-lo é fortalecer as organizações anticapitalistas, criando grupos sociais, relações sociais, onde a igualdade (entre trabalhadores em geral, homens, mulheres, brancos, negros, heterossexuais, homossexuais etc.) já é praticada, aqui e agora: quanto mais esses grupos sociais, essas relações sociais, se expandirem, dando origem a novos grupos e relações sociais do mesmo tipo, mais pessoas participarão de formas de convivência e colaboração sociais marcadas pela igualdade e, portanto, menos pessoas serão machistas, homofóbicas e racistas, lutando, ainda, contra o capitalismo. O desafio, porém, está em fazer com que as opressões particulares sejam adequadamente integradas à luta contra o capitalismo, no que a esquerda tem, quase sempre, fracassado&quot;.

E, sobre a minhas supostas &quot;rotulação&quot; e &quot;negação&quot; &quot;religiosas&quot;, convido você a reler este trecho: &quot;há elementos multiculturalistas no texto. Note-se: não digo que a autora é, enquanto indivíduo, uma multiculturalista, mas que há elementos multiculturalistas no texto, e eles me parecem dar o tom do texto, em várias passagens. Tudo bem, pois a própria autora deixa claro que não devemos ter medo de discutir o que os pós-modernos etc. discutem: concordo. Mas as soluções baseadas na leitura multiculturalista, ou pós-moderna, das questões de gênero são altamente problemáticas&quot;. Você percebe que eu, em primeiro lugar, não estou apontando o diálogo com o multiculturalismo/pós-modernismo como algo que tira a plausibilidade do seu texto? Você também percebe que eu, em segundo lugar, considero como problemáticas, na verdade, as soluções políticas inspiradas em leituras multiculturalistas/pós-modernas, sobre as quais eu argumentei mais ou menos longamente, e não o diálogo com tais correntes teóricas?

Enfim, espero que, nos seus próximos comentários, você demonstre uma maior disposição para uma leitura mais cuidadosa dos comentários dos seus interlocutores e não acabe praticando o dogmatismo que você mesma censura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ana Elisa,</p>
<p>Você afirma que eu sou &#8220;rotulador&#8221; e que eu nego toda e qualquer posição que não se enquadra no meu suposto &#8220;manual verdadeiramente revolucionário classista de verdade&#8221;. E diz, também, que eu estou entrincheirado, como o Cleyton. Para você, eu estou apegado a uma &#8220;religião&#8221;.</p>
<p>Mas eu pergunto: você se deu, realmente, ao trabalho de ler o primeiro ponto do meu primeiro comentário, tendo abertura de espírito para encará-lo não apenas como uma negação (pois toda afirmação é também uma negação, já que estamos falando em dialética, cujo princípio fundamental é a negação da negação) mas como uma negação plausível? Para que haja qualquer diálogo, as posições dos interlocutores devem ser encaradas como plausíveis.</p>
<p>Acho que não, pois o segundo tópico do seu comentário não apenas não dialoga com as minhas colocações como também limita-se a, simplesmente, afirmar o axioma do &#8220;patriarcado&#8221;, negando, assim, as minhas colocações, mas negando-as sem tomá-las como colocações plausíveis.</p>
<p>O quarto ponto do meu primeiro comentário, comentário este supostamente resultante de um &#8220;manual verdadeiramente revolucionário classista de verdade&#8221;, também é uma tentativa de diálogo, uma tentativa de moderar a &#8220;intransigência&#8221;, que você mesma reconhece como necessária.</p>
<p>Mas, enfim, vou me centrar no primeiro ponto do meu primeiro comentário: você realmente acha que é válido recorrer a um conceito ahistórico, como o de &#8220;patriarcado&#8221;, para explicar as relações sociais entre os gêneros? Veja bem: eu não neguei que a opressão de gênero existe, eu não neguei que isso seja importante; o que eu fiz foi mostrar que, a meu ver, pensar o indivíduo como unicentrado, ao invés de pluricentrado ou descentrado, é um erro.</p>
<p>O conceito de &#8220;patriarcado&#8221; reduz o indivíduo à expressão de uma única estrutura, enquanto que, a meu ver, é mais realista (ou materialista dialética, se você preferir) uma noção do indivíduo como determinado por múltiplas estruturas, cada qual com uma lógica própria, com uma dinâmica própria, que sempre contradiz, em maior ou menor medida, a lógica e a dinâmica das demais.</p>
<p>E, nesse sentido, você cai no mesmo erro dos classistas que consideram apenas as determinações de classe e que, portanto, também pensam o indivíduo como unicentrado, só que determinado unicamente pela classe, e não pelo patriarcado. Esse raciocínio, desse tipo de esquerda classista, da qual eu não faço parte, nega outras estruturas, dotadas de outras lógicas, de outras dinâmicas, que vão moldando o comportamento dos indivíduos: nega, portanto, que as relações entre os gêneros devam ser vistas como uma estrutura à parte da estrutura de classe, embora ambas se relacionem. Mas o que você faz (em parte, ou seja, não totalmente) é a mesma coisa, só que substituindo as classes pelo &#8220;patriarcado&#8221;.</p>
<p>Enfim, existe mesmo uma estrutura social, chamada &#8220;patriarcado&#8221;, que paira sobre todas as demais estruturas sociais, determinando os comportamentos individuais (de homens e mulheres), o tempo todo? E essa estrutura social existe ahistoricamente? Se não existe (e o conceito de &#8220;patriarcado&#8221; é criticado, por exemplo, por uma feminista chamada Gayle Rubin, no ensaio &#8220;O tráfico de mulheres: notas sobre a &#8216;economia política&#8217; do sexo&#8221;, disponível aqui: <a href="https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/1919" rel="nofollow ugc">https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/1919</a>), então temos de pensar as relações entre os gêneros como determinadas por múltiplos fatores.</p>
<p>Uma parte do feminismo não escorrega para o determinismo do &#8220;patriarcado&#8221;, como você faz, mas escorrega para o determinismo biológico, biologizando a questão da opressão entre os sexos.</p>
<p>Eu, particularmente, prefiro uma concepção que encontra a chave do problema na frequência com que um indivíduo participa de determinadas relações sociais. E reafirmo o que escrevi naquele comentário: &#8220;pressupor que todo homem foi, desde a infância, inculcado por princípios machistas é um erro; e, mesmo que muitos deles, a maior parte deles, tenham sido inculcados por esses princípios desde a infância, o que interessa é alterar a frequência da sua participação em relações sociais, em grupos sociais, que reforçam tais práticas, que são abomináveis; e o meio correto de fazê-lo é fortalecer as organizações anticapitalistas, criando grupos sociais, relações sociais, onde a igualdade (entre trabalhadores em geral, homens, mulheres, brancos, negros, heterossexuais, homossexuais etc.) já é praticada, aqui e agora: quanto mais esses grupos sociais, essas relações sociais, se expandirem, dando origem a novos grupos e relações sociais do mesmo tipo, mais pessoas participarão de formas de convivência e colaboração sociais marcadas pela igualdade e, portanto, menos pessoas serão machistas, homofóbicas e racistas, lutando, ainda, contra o capitalismo. O desafio, porém, está em fazer com que as opressões particulares sejam adequadamente integradas à luta contra o capitalismo, no que a esquerda tem, quase sempre, fracassado&#8221;.</p>
<p>E, sobre a minhas supostas &#8220;rotulação&#8221; e &#8220;negação&#8221; &#8220;religiosas&#8221;, convido você a reler este trecho: &#8220;há elementos multiculturalistas no texto. Note-se: não digo que a autora é, enquanto indivíduo, uma multiculturalista, mas que há elementos multiculturalistas no texto, e eles me parecem dar o tom do texto, em várias passagens. Tudo bem, pois a própria autora deixa claro que não devemos ter medo de discutir o que os pós-modernos etc. discutem: concordo. Mas as soluções baseadas na leitura multiculturalista, ou pós-moderna, das questões de gênero são altamente problemáticas&#8221;. Você percebe que eu, em primeiro lugar, não estou apontando o diálogo com o multiculturalismo/pós-modernismo como algo que tira a plausibilidade do seu texto? Você também percebe que eu, em segundo lugar, considero como problemáticas, na verdade, as soluções políticas inspiradas em leituras multiculturalistas/pós-modernas, sobre as quais eu argumentei mais ou menos longamente, e não o diálogo com tais correntes teóricas?</p>
<p>Enfim, espero que, nos seus próximos comentários, você demonstre uma maior disposição para uma leitura mais cuidadosa dos comentários dos seus interlocutores e não acabe praticando o dogmatismo que você mesma censura.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296408</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2015 17:08:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296408</guid>

					<description><![CDATA[Ana Elisa,
sobre o machismo na esquerda, eu não tenho nenhum problema em reconhecer que já me vi atuando de forma machista em contextos coletivos. Não sou puro e tenho muito a aprender nessa caminhada. Mas seu relato de que o lugar onde você e outras companheiras mais sentiram o machismo foi justamente em organizações de esquerda me faz pensar em 2 coisas: 1) a forma como uma mulher de classe média pode chegar a perceber que não há machismo à sua volta levando uma vida &quot;normal&quot;; 2) a frase da Rosa Luxemburgo, de que só quem se mexe sente as correntes que nos prendem. Acho muito natural que o machismo surja nesses espaços, assim como todos os vícios que temos, pois é justamente ao organizar-nos que as contradições aparecem. É por isso que não podemos esperar pureza das organizações, sempre teremos questões a serem superadas.

Creio que o risco que estamos tratando aqui é o de deixar o barco virar tanto para o lado revolucionário que atropela as contradições internas das organizações (incluída aí a própria luta de classes interna, além de lutas específicas de gênero, raça, etc), nem deixar virar para o lado da guerra de trincheiras entre sexos ou raças. 

Por fim, sobre manuais de esquerda. Creio que o materialismo pode e deve ser uma ciência, não na sua acepção positivista, mas dentro de uma perspectiva na qual o conhecimento serve à prática e se nutre da prática. Teoria não é masturbação mental, ou ao menos não deveria ser. Assim como no outro post sobre o MPL, eu diria que o importante é o esforço em fazer o novo dialogar com a tradição. O classismo atual tem que poder dialogar com o feminismo atual e vice-versa. O problema do multiculturalismo está justamente quando ele coloca que são questões antagônicas [a impossibilidade do feminino nas organizações classistas], coisa que parecia estar expresso no teu texto mas que depois você retificou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ana Elisa,<br />
sobre o machismo na esquerda, eu não tenho nenhum problema em reconhecer que já me vi atuando de forma machista em contextos coletivos. Não sou puro e tenho muito a aprender nessa caminhada. Mas seu relato de que o lugar onde você e outras companheiras mais sentiram o machismo foi justamente em organizações de esquerda me faz pensar em 2 coisas: 1) a forma como uma mulher de classe média pode chegar a perceber que não há machismo à sua volta levando uma vida &#8220;normal&#8221;; 2) a frase da Rosa Luxemburgo, de que só quem se mexe sente as correntes que nos prendem. Acho muito natural que o machismo surja nesses espaços, assim como todos os vícios que temos, pois é justamente ao organizar-nos que as contradições aparecem. É por isso que não podemos esperar pureza das organizações, sempre teremos questões a serem superadas.</p>
<p>Creio que o risco que estamos tratando aqui é o de deixar o barco virar tanto para o lado revolucionário que atropela as contradições internas das organizações (incluída aí a própria luta de classes interna, além de lutas específicas de gênero, raça, etc), nem deixar virar para o lado da guerra de trincheiras entre sexos ou raças. </p>
<p>Por fim, sobre manuais de esquerda. Creio que o materialismo pode e deve ser uma ciência, não na sua acepção positivista, mas dentro de uma perspectiva na qual o conhecimento serve à prática e se nutre da prática. Teoria não é masturbação mental, ou ao menos não deveria ser. Assim como no outro post sobre o MPL, eu diria que o importante é o esforço em fazer o novo dialogar com a tradição. O classismo atual tem que poder dialogar com o feminismo atual e vice-versa. O problema do multiculturalismo está justamente quando ele coloca que são questões antagônicas [a impossibilidade do feminino nas organizações classistas], coisa que parecia estar expresso no teu texto mas que depois você retificou.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ana Elisa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296368</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ana Elisa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2015 02:57:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296368</guid>

					<description><![CDATA[Carxs,

Devido a minha demora em me manifestar muitas foram as questões levantadas. Vou tentar não ser prolixa e selecionar alguns pontos de discussão que considero importantes. O que faltar posso responder em um comentário posterior pra não ficar cansativo.

- A existência ou não do machismo na esquerda e sua perpetuação.
Há um questionamento que alguns fizeram acima referente à ideia de que as mulheres não estariam incluídas nos debates políticos. De fato, vejo agora que minha frase no texto em que afirmo que as mulheres &quot;nunca foram verdadeiramente incluídas&quot; não foi muito feliz. Apesar do &quot;verdadeiramente&quot; estar aí, o critério da verdade não é dos melhores. As mulheres estão de fato incluídas (o que é fruto de suas lutas) porém, sua possibilidade de participação, tanto nos debates quanto nas ações práticas, é extremamente DESIGUAL (e por isso ainda temos muito a lutar). Claro que tivemos conquistas, mas estamos há anos luz de superar o machismo. Em minha particular experiência militante posso dizer que nunca sofri tanto e tão diretamente com o machismo quanto nos espaços políticos de esquerda. Esse não é um relato só meu, infelizmente. Quem levantou esse questionamente talvez pudesse conversar um pouco mais com as mulheres a sua volta e perguntar se sentem que a atuação delas está em pé de igualdade. Algumas vezes está. Raras vezes. Mas certamente poderá encontrar muita lucidez nas mulheres que lutam. O problema não está em se somos ou não manipuladas. Temos consciencia de nossa condição. O dilema está em como respondemos a isso, principalmente quando as bizarrices &quot;matcho&quot; vêm de nossos estimados companheiros (e até mesmo companheiras!) de luta. 

- O machismo em nós.
Sim, Fagner, é um machismo arraigado, inculcado, social e historicamente marcado em nossos corpos e mentes, inclusive das mulheres. Não existem &quot;ilhas não machistas&quot;, assim como não existem &quot;ilhas não capitalistas&quot;. Não importa quão libertárias são a família ou a experiência particular de certos indivíduos. Carregamos a herança de séculos de capitalismo, assim como carregamos a herança de séculos de patriarcado. É claro que podemos avançar e superar algumas coisas. Não se acaba com o machismo do dia pra noite, assim como a revolução não se dará na &quot;grande noite&quot; de batalhas revolucionárias. Só que a reiteração do machismo, do espécime mais tosco, é tão visível tantas e tantas vezes que, realmente, acho que precisamos entender melhor o porque dessa reprodução perversa. Quem se concebe como “livre”, “liberto”, se nega a ver os grilhões que o prendem. Compreender o que é o patriarcado no mundo capitalista e como ele se manifesta em nosso cotidiano e através de nós mesmos é necessário. Realmente creio que essa é uma tarefa importante e urgente.

- O que o feminismo tem a ver com o horizonte revolucionário.
Compreender como o machismo se manifesta e lutar contra ele é uma tarefa revolucionária. Uma tarefa que é um dos cernes das grandes questões. Não é uma luta que se basta por si só. Precisa ser articulada com as lutas contra exploração e outras opressões. Porém, não creio que esses debates, do feminismo, dos espaços inclusivos/exclusivos, do racismo, da questão GLBT, sejam discussão de picuinhas ou que sejam práticas da &quot;pequena política&quot;, nos termos de Gramsci. Muito pelo contrário, na medida em que debates intestinos sobre temas como esses tem transformado camaradas em inimigos, tem causado cisões em organizações combativas que tentam pensar novas formas de fazer política, tem criado muros entre nós, penso que são temas fundamentais para desenvolvermos reflexões que apontem para uma superação da crise da esquerda. A fragmentação não é uma vontade, mas tem sido uma condição. Uma condição muito difícil pra quem a vivencia. Creio que ainda temos de aprender como lidar com essa conjuntura histórica. Debater esses temas sem nos tornarmos inimigos entrincheirados (homens e mulheres, brancos e negros, hetero e homossexuais, e por aí vai) é um grande desafio. Um desafio para voltarmos a debater o que é revolução e que tipo de sociedade pós-capitalista queremos construir. Soma-se a isso o fato de que além dos trabalhadores explorados pelo capital, temos todos os dias, seres humanos (negros, mulheres, homossexuais, pobres) assassinados por serem socialmente taxados como “vagabundos”, “bandidos”, “vadias”, “bichas”, “sapatões”. Creio que não é algo que alguém que se proponha revolucionário deveria ignorar, ou secundarizar.

- As trincheiras intra-esquerda.
Cleyton, você está entrincheirado, com muito ódio por eu ser branca e não tratar da questão racial no texto, jogando na minha cacunda os corpos dos negros mortos. Você está na sua trincheira com a bazuca voltada para todos que discordem de você. Acho a questão racial tão fundamental quanto a questão de gênero. Negros são assassinados por serem negros, mulheres são assassinadas por serem mulheres, pobres são assassinados por serem pobres, gays e lesbicas são assassinados por o serem, e assim continuam correndo rios de sangue. É sobre tudo isso que deveríamos refletir e lutar contra. Creio que meu texto daria saltos de qualidade imensos se eu tivesse conseguido tratar de todas as formas de opressão. Nós poderíamos aqui estar debatendo o conteúdo disso, como fazê-lo. Mas creio que você está apenas disposto a acusar e agredir. Não há debate de conteúdo. Não me disponho aqui a subir a minha trincheira e entrar em uma guerra campal contigo. Alias,, creio que estamos na mesma trincheira. Por isso, espero seus argumentos em relação ao tema que você afirma estar ausente em meu texto. 

- Os espaços mistos.
Ivone, na minha experiência de militância houve uma tentativa muito pontual de socialização dos debates com os homens. Não conseguimos levar adiante pois a conjuntura política de crise que se abateu sobre a organização em questão nos tomou completamente. Foi a expressão concreta da dificuldade de avançarmos nessas questões em meio a uma conjuntura de crise da esquerda. Mas concordo com você de que realmente a existência apenas de espaços exclusivos tende a entrincheirar as partes, homens X mulheres, em um flaflu de soma zero em que todos perdem. O dilema que fica é como fazer esse processo de socialização das reflexões das mulheres com os homens. Sem dúvida são importantes os espaços de diálogo, porém, em muitas e muitas situações, os homens tendem a negar seu próprio machismo e se negam até mesmo a refletir sobre as questões levantadas pela mulherada. Penso que ações conjuntas, com a participação de homens e mulheres, de luta contra o machismo poderiam apontar para além de debates infindáveis que também correm o risco de cair em entrincheiramentos.  

- Os modelos e manuais da esquerda.
Nesse ponto discordo da Ivone e da maioria dos camaradas que aqui comentaram. Afirmar que eu cometi um “desvio” multiculturalista, significa que existe um modelo padrão a ser seguido e aparentemente eu saí fora da linha. Quero saber quem é o juiz, o legislador, a encarnação do Marx de plantão que irá julgar o meu suposto escorregão pós-moderno. Precisamos superar essas cartilhas e manuais, camaradas. Não tenho qualquer pretensão de “pensar cientificamente”. Tenho sim a pretensão de pensar dialeticamente e a partir da realidade histórica e material. As correntes feministas tem discutido de forma aprofundada questões como transexualidade; feminismo negro; heteronormatividade; cis e transsexismo; poligamia, poliamor, relações livres. Questões que considero de crucial importância e que eu mesma não consegui abordar no texto. Não podemos ignorar a tematização dessas questões, o que não significa aderir às posições das quais discordamos em relação às tematicas. Além disso, se convencionou chamar todas as frações do feminismo de pós-modernas. Claro que algumas posições o são. Mas não todas. E sim, se considera a questão de classe, ainda que muitas vezes ela seja apresentada de forma subordinada à questão de gênero. Repito, estamos com medo de abrir mão de nossas convicções fundadas na crítica da economia política e do materialismo histórico apenas por nos inteirarmos desses debates? Ler e refletir sobre um artigo feminista não classista, ainda que seja para discordar dele, é um desvio multiculturalista??? Vamos lá, minha gente! A esquerda classista não é um guru que a tudo vê, sobre tudo sabe e a tudo responde. Deixemos os manuais e dogmas para os positivistas, religiosos, fanáticos e anacrônicos. Infelizmente ser materialista e dialético em tempos sombrios como os nossos, marcado por tantas derrotas e uma desumanização galopante contra qual não temos antivírus, me parece, de fato, um ato de coragem.

- E por fim, Fagner, ainda que você argumente longamente sobre outros pontos do texto, sua postura de “rotulação” e “negação” de toda e qualquer posição que não seja a do “manual verdadeiramente revolucionario classista de verdade” que você adotou como correto, acaba reproduzindo a postura de entrincheiramento do Cleyton. Cada qual em sua trincheira, cada qual com sua bazuca, cada qual com sua raiva contra o que não reproduz a si mesmo, cada qual com sua religião. A única coisa que essas posturas aprofundam para mim é um sentimento de tristeza e falta de convicção nas possibilidades de superarmos esse processo de fragmentação em que estamos irremediavelmente metidos. De qualquer maneira, porque considero que somos companheiros apesar das divergências, vou tomar fôlego porque esse texto está já muito extenso, mas tentarei avançar na problematização dos outros pontos que você levantou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carxs,</p>
<p>Devido a minha demora em me manifestar muitas foram as questões levantadas. Vou tentar não ser prolixa e selecionar alguns pontos de discussão que considero importantes. O que faltar posso responder em um comentário posterior pra não ficar cansativo.</p>
<p>&#8211; A existência ou não do machismo na esquerda e sua perpetuação.<br />
Há um questionamento que alguns fizeram acima referente à ideia de que as mulheres não estariam incluídas nos debates políticos. De fato, vejo agora que minha frase no texto em que afirmo que as mulheres &#8220;nunca foram verdadeiramente incluídas&#8221; não foi muito feliz. Apesar do &#8220;verdadeiramente&#8221; estar aí, o critério da verdade não é dos melhores. As mulheres estão de fato incluídas (o que é fruto de suas lutas) porém, sua possibilidade de participação, tanto nos debates quanto nas ações práticas, é extremamente DESIGUAL (e por isso ainda temos muito a lutar). Claro que tivemos conquistas, mas estamos há anos luz de superar o machismo. Em minha particular experiência militante posso dizer que nunca sofri tanto e tão diretamente com o machismo quanto nos espaços políticos de esquerda. Esse não é um relato só meu, infelizmente. Quem levantou esse questionamente talvez pudesse conversar um pouco mais com as mulheres a sua volta e perguntar se sentem que a atuação delas está em pé de igualdade. Algumas vezes está. Raras vezes. Mas certamente poderá encontrar muita lucidez nas mulheres que lutam. O problema não está em se somos ou não manipuladas. Temos consciencia de nossa condição. O dilema está em como respondemos a isso, principalmente quando as bizarrices &#8220;matcho&#8221; vêm de nossos estimados companheiros (e até mesmo companheiras!) de luta. </p>
<p>&#8211; O machismo em nós.<br />
Sim, Fagner, é um machismo arraigado, inculcado, social e historicamente marcado em nossos corpos e mentes, inclusive das mulheres. Não existem &#8220;ilhas não machistas&#8221;, assim como não existem &#8220;ilhas não capitalistas&#8221;. Não importa quão libertárias são a família ou a experiência particular de certos indivíduos. Carregamos a herança de séculos de capitalismo, assim como carregamos a herança de séculos de patriarcado. É claro que podemos avançar e superar algumas coisas. Não se acaba com o machismo do dia pra noite, assim como a revolução não se dará na &#8220;grande noite&#8221; de batalhas revolucionárias. Só que a reiteração do machismo, do espécime mais tosco, é tão visível tantas e tantas vezes que, realmente, acho que precisamos entender melhor o porque dessa reprodução perversa. Quem se concebe como “livre”, “liberto”, se nega a ver os grilhões que o prendem. Compreender o que é o patriarcado no mundo capitalista e como ele se manifesta em nosso cotidiano e através de nós mesmos é necessário. Realmente creio que essa é uma tarefa importante e urgente.</p>
<p>&#8211; O que o feminismo tem a ver com o horizonte revolucionário.<br />
Compreender como o machismo se manifesta e lutar contra ele é uma tarefa revolucionária. Uma tarefa que é um dos cernes das grandes questões. Não é uma luta que se basta por si só. Precisa ser articulada com as lutas contra exploração e outras opressões. Porém, não creio que esses debates, do feminismo, dos espaços inclusivos/exclusivos, do racismo, da questão GLBT, sejam discussão de picuinhas ou que sejam práticas da &#8220;pequena política&#8221;, nos termos de Gramsci. Muito pelo contrário, na medida em que debates intestinos sobre temas como esses tem transformado camaradas em inimigos, tem causado cisões em organizações combativas que tentam pensar novas formas de fazer política, tem criado muros entre nós, penso que são temas fundamentais para desenvolvermos reflexões que apontem para uma superação da crise da esquerda. A fragmentação não é uma vontade, mas tem sido uma condição. Uma condição muito difícil pra quem a vivencia. Creio que ainda temos de aprender como lidar com essa conjuntura histórica. Debater esses temas sem nos tornarmos inimigos entrincheirados (homens e mulheres, brancos e negros, hetero e homossexuais, e por aí vai) é um grande desafio. Um desafio para voltarmos a debater o que é revolução e que tipo de sociedade pós-capitalista queremos construir. Soma-se a isso o fato de que além dos trabalhadores explorados pelo capital, temos todos os dias, seres humanos (negros, mulheres, homossexuais, pobres) assassinados por serem socialmente taxados como “vagabundos”, “bandidos”, “vadias”, “bichas”, “sapatões”. Creio que não é algo que alguém que se proponha revolucionário deveria ignorar, ou secundarizar.</p>
<p>&#8211; As trincheiras intra-esquerda.<br />
Cleyton, você está entrincheirado, com muito ódio por eu ser branca e não tratar da questão racial no texto, jogando na minha cacunda os corpos dos negros mortos. Você está na sua trincheira com a bazuca voltada para todos que discordem de você. Acho a questão racial tão fundamental quanto a questão de gênero. Negros são assassinados por serem negros, mulheres são assassinadas por serem mulheres, pobres são assassinados por serem pobres, gays e lesbicas são assassinados por o serem, e assim continuam correndo rios de sangue. É sobre tudo isso que deveríamos refletir e lutar contra. Creio que meu texto daria saltos de qualidade imensos se eu tivesse conseguido tratar de todas as formas de opressão. Nós poderíamos aqui estar debatendo o conteúdo disso, como fazê-lo. Mas creio que você está apenas disposto a acusar e agredir. Não há debate de conteúdo. Não me disponho aqui a subir a minha trincheira e entrar em uma guerra campal contigo. Alias,, creio que estamos na mesma trincheira. Por isso, espero seus argumentos em relação ao tema que você afirma estar ausente em meu texto. </p>
<p>&#8211; Os espaços mistos.<br />
Ivone, na minha experiência de militância houve uma tentativa muito pontual de socialização dos debates com os homens. Não conseguimos levar adiante pois a conjuntura política de crise que se abateu sobre a organização em questão nos tomou completamente. Foi a expressão concreta da dificuldade de avançarmos nessas questões em meio a uma conjuntura de crise da esquerda. Mas concordo com você de que realmente a existência apenas de espaços exclusivos tende a entrincheirar as partes, homens X mulheres, em um flaflu de soma zero em que todos perdem. O dilema que fica é como fazer esse processo de socialização das reflexões das mulheres com os homens. Sem dúvida são importantes os espaços de diálogo, porém, em muitas e muitas situações, os homens tendem a negar seu próprio machismo e se negam até mesmo a refletir sobre as questões levantadas pela mulherada. Penso que ações conjuntas, com a participação de homens e mulheres, de luta contra o machismo poderiam apontar para além de debates infindáveis que também correm o risco de cair em entrincheiramentos.  </p>
<p>&#8211; Os modelos e manuais da esquerda.<br />
Nesse ponto discordo da Ivone e da maioria dos camaradas que aqui comentaram. Afirmar que eu cometi um “desvio” multiculturalista, significa que existe um modelo padrão a ser seguido e aparentemente eu saí fora da linha. Quero saber quem é o juiz, o legislador, a encarnação do Marx de plantão que irá julgar o meu suposto escorregão pós-moderno. Precisamos superar essas cartilhas e manuais, camaradas. Não tenho qualquer pretensão de “pensar cientificamente”. Tenho sim a pretensão de pensar dialeticamente e a partir da realidade histórica e material. As correntes feministas tem discutido de forma aprofundada questões como transexualidade; feminismo negro; heteronormatividade; cis e transsexismo; poligamia, poliamor, relações livres. Questões que considero de crucial importância e que eu mesma não consegui abordar no texto. Não podemos ignorar a tematização dessas questões, o que não significa aderir às posições das quais discordamos em relação às tematicas. Além disso, se convencionou chamar todas as frações do feminismo de pós-modernas. Claro que algumas posições o são. Mas não todas. E sim, se considera a questão de classe, ainda que muitas vezes ela seja apresentada de forma subordinada à questão de gênero. Repito, estamos com medo de abrir mão de nossas convicções fundadas na crítica da economia política e do materialismo histórico apenas por nos inteirarmos desses debates? Ler e refletir sobre um artigo feminista não classista, ainda que seja para discordar dele, é um desvio multiculturalista??? Vamos lá, minha gente! A esquerda classista não é um guru que a tudo vê, sobre tudo sabe e a tudo responde. Deixemos os manuais e dogmas para os positivistas, religiosos, fanáticos e anacrônicos. Infelizmente ser materialista e dialético em tempos sombrios como os nossos, marcado por tantas derrotas e uma desumanização galopante contra qual não temos antivírus, me parece, de fato, um ato de coragem.</p>
<p>&#8211; E por fim, Fagner, ainda que você argumente longamente sobre outros pontos do texto, sua postura de “rotulação” e “negação” de toda e qualquer posição que não seja a do “manual verdadeiramente revolucionario classista de verdade” que você adotou como correto, acaba reproduzindo a postura de entrincheiramento do Cleyton. Cada qual em sua trincheira, cada qual com sua bazuca, cada qual com sua raiva contra o que não reproduz a si mesmo, cada qual com sua religião. A única coisa que essas posturas aprofundam para mim é um sentimento de tristeza e falta de convicção nas possibilidades de superarmos esse processo de fragmentação em que estamos irremediavelmente metidos. De qualquer maneira, porque considero que somos companheiros apesar das divergências, vou tomar fôlego porque esse texto está já muito extenso, mas tentarei avançar na problematização dos outros pontos que você levantou.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296259</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2015 04:13:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296259</guid>

					<description><![CDATA[Cleyton V. escreve que &quot;o branco Escraviza&quot;. Mas será que, historicamente, foi somente o branco quem escravizou?

Bem, vou citar apenas dois trechos (para que este comentário não fique cheio de citações e para que Cleyton V. perceba que, talvez, seja preciso estudar um pouco mais), retirados, respectivamente, do segundo e do quarto capítulo do quarto volume da obra &quot;The Cambridge History of Africa&quot;, editada por Richard Gray. O primeiro trecho refere-se à região saariana do continente africano. Já o segundo refere-se à região da Guiné:

&quot;Como a Sharia, estritamente falando, proíbe a escravização de muçulmanos, embora encoraje a jihad contra os pagãos, era natural que as raides escravistas se apropriassem de certos traços da guerra religiosa entre muçulmanos e pagãos. Vários incidentes mostram que a política era, de fato, influenciada por uma relutância em escravizar muçulmanos. [...] Mas fatores tribais podem ter sido igualmente, ou mais, importantes. Havia também a possibilidade de raides contra muçulmanos, que ninguém, de forma alguma, pretendia escravizar, para confiscar seus escravos. Houve muitas ocasiões em que as restrições apropriadas não foram observadas, e muçulmanos livres foram, embora ilegalmente, escravizados. Em 1667, por exemplo, [...] até um príncipe de Bornu foi capturado e negociado através do Saara. A crueldade das raides escravistas era comparável às condições durante as marchas. Os retardatários podiam ser mortos, para desencorajar os outros de simular incapacidade. [...] As caravanas de escravos, às vezes, carregavam doenças. [...] O tratamento dos escravos, uma vez mais ou menos permanentemente estabelecidos, variava amplamente, em casos individuais [...]. Certas áreas, como Fezzan e Tripoli, eram conhecidas por sua complacência; em outras, como Tibesti, suicídios entre escravos de Bornu eram conhecidos, talvez principalmente por causa da dureza do ambiente (FISHER, H. J. The Central Sahara and Sudan. In: GRAY, Richard (ed.). The Cambridge History of Africa, v. 4: from c. 1600 to c. 1790. Cambridge: Cambridge University Press, 2008, p. 102)&quot;.

&quot;Como tantas das relações comerciais africanas de longa distância, o comércio com os europeus estava, principalmente, nas mãos de grupos dirigentes hereditários. [...] Uma vez que a nobreza se prendia à busca por importações europeias em troca de cativos, as sociedades de base clânica eram fendidas de cima a baixo, em dezenas de entidades rivais. [...] A divisão, então, degenerava, adiante, em anarquia. O volume de exportação de escravos de Whydah, Allada e Great Popo elevou-se, no último quartel do século dezessete, na base da prática extensiva de sequestros e raides, ambas as quais tornaram-se operações profissionais sancionadas pelos governantes (RODNEY, Walter. The Guinea coast. In: GRAY, Richard (ed.). The Cambridge History of Africa, v. 4: from c. 1600 to c. 1790. Cambridge: Cambridge University Press, 2008, p. 245)&quot;.

Enfim, parece que a escravidão não é coisa de gente branca, somente. Não, meu caro Cleyton V., não é o branco que escraviza: é o homem, seja qual for a sua cor (se parte dos africanos foi escravizada pelos brancos, isso se deve, em parte, como se pode conferir acima, aos interesses das classes dominantes africanas, ou de parte delas, em adquirir produtos europeus, fornecendo, para isso, escravos africanos). E o homem, seja qual for a sua cor, dependendo da posição que ocupa na sociedade, também luta contra a escravidão. A luta pela emancipação deve incluir a todos, homens e mulheres de todas as cores, e deve ser classista, porque foi a luta de classes que gerou o racismo e o racismo se relaciona intimamente com ela.

Já sobre a problemática racial, como chave do oportunismo de certos negros que querem ter mais que os outros, como coloca Cleyton V., recomendo a leitura deste texto (http://passapalavra.info/2014/01/90402), especialmente a nota de rodapé n. 3, que refere-se ao programa Black Economic Empowerment (Empoderamento Econômico dos Negros) da África do Sul, concebido, entre outras coisas, para que “25% do capital das grandes e médias empresas seja transferido para as mãos de sul-africanos negros”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cleyton V. escreve que &#8220;o branco Escraviza&#8221;. Mas será que, historicamente, foi somente o branco quem escravizou?</p>
<p>Bem, vou citar apenas dois trechos (para que este comentário não fique cheio de citações e para que Cleyton V. perceba que, talvez, seja preciso estudar um pouco mais), retirados, respectivamente, do segundo e do quarto capítulo do quarto volume da obra &#8220;The Cambridge History of Africa&#8221;, editada por Richard Gray. O primeiro trecho refere-se à região saariana do continente africano. Já o segundo refere-se à região da Guiné:</p>
<p>&#8220;Como a Sharia, estritamente falando, proíbe a escravização de muçulmanos, embora encoraje a jihad contra os pagãos, era natural que as raides escravistas se apropriassem de certos traços da guerra religiosa entre muçulmanos e pagãos. Vários incidentes mostram que a política era, de fato, influenciada por uma relutância em escravizar muçulmanos. [&#8230;] Mas fatores tribais podem ter sido igualmente, ou mais, importantes. Havia também a possibilidade de raides contra muçulmanos, que ninguém, de forma alguma, pretendia escravizar, para confiscar seus escravos. Houve muitas ocasiões em que as restrições apropriadas não foram observadas, e muçulmanos livres foram, embora ilegalmente, escravizados. Em 1667, por exemplo, [&#8230;] até um príncipe de Bornu foi capturado e negociado através do Saara. A crueldade das raides escravistas era comparável às condições durante as marchas. Os retardatários podiam ser mortos, para desencorajar os outros de simular incapacidade. [&#8230;] As caravanas de escravos, às vezes, carregavam doenças. [&#8230;] O tratamento dos escravos, uma vez mais ou menos permanentemente estabelecidos, variava amplamente, em casos individuais [&#8230;]. Certas áreas, como Fezzan e Tripoli, eram conhecidas por sua complacência; em outras, como Tibesti, suicídios entre escravos de Bornu eram conhecidos, talvez principalmente por causa da dureza do ambiente (FISHER, H. J. The Central Sahara and Sudan. In: GRAY, Richard (ed.). The Cambridge History of Africa, v. 4: from c. 1600 to c. 1790. Cambridge: Cambridge University Press, 2008, p. 102)&#8221;.</p>
<p>&#8220;Como tantas das relações comerciais africanas de longa distância, o comércio com os europeus estava, principalmente, nas mãos de grupos dirigentes hereditários. [&#8230;] Uma vez que a nobreza se prendia à busca por importações europeias em troca de cativos, as sociedades de base clânica eram fendidas de cima a baixo, em dezenas de entidades rivais. [&#8230;] A divisão, então, degenerava, adiante, em anarquia. O volume de exportação de escravos de Whydah, Allada e Great Popo elevou-se, no último quartel do século dezessete, na base da prática extensiva de sequestros e raides, ambas as quais tornaram-se operações profissionais sancionadas pelos governantes (RODNEY, Walter. The Guinea coast. In: GRAY, Richard (ed.). The Cambridge History of Africa, v. 4: from c. 1600 to c. 1790. Cambridge: Cambridge University Press, 2008, p. 245)&#8221;.</p>
<p>Enfim, parece que a escravidão não é coisa de gente branca, somente. Não, meu caro Cleyton V., não é o branco que escraviza: é o homem, seja qual for a sua cor (se parte dos africanos foi escravizada pelos brancos, isso se deve, em parte, como se pode conferir acima, aos interesses das classes dominantes africanas, ou de parte delas, em adquirir produtos europeus, fornecendo, para isso, escravos africanos). E o homem, seja qual for a sua cor, dependendo da posição que ocupa na sociedade, também luta contra a escravidão. A luta pela emancipação deve incluir a todos, homens e mulheres de todas as cores, e deve ser classista, porque foi a luta de classes que gerou o racismo e o racismo se relaciona intimamente com ela.</p>
<p>Já sobre a problemática racial, como chave do oportunismo de certos negros que querem ter mais que os outros, como coloca Cleyton V., recomendo a leitura deste texto (<a href="http://passapalavra.info/2014/01/90402" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/01/90402</a>), especialmente a nota de rodapé n. 3, que refere-se ao programa Black Economic Empowerment (Empoderamento Econômico dos Negros) da África do Sul, concebido, entre outras coisas, para que “25% do capital das grandes e médias empresas seja transferido para as mãos de sul-africanos negros”.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/07/105552/#comment-296249</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2015 01:28:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=105552#comment-296249</guid>

					<description><![CDATA[E como Cleyton V. sabe se sou branco ou não? É isso, camaradas, a biologização da cultura. Se o meu discurso é considerado racista, eu só posso ser branco. E, se alguém é branco, essa pessoa só pode ser racista. Mas e se eu não for branco?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E como Cleyton V. sabe se sou branco ou não? É isso, camaradas, a biologização da cultura. Se o meu discurso é considerado racista, eu só posso ser branco. E, se alguém é branco, essa pessoa só pode ser racista. Mas e se eu não for branco?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
