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	Comentários sobre: O Movimento Passe Livre acabou?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Jairo_3.0		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jairo_3.0]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Apr 2019 17:58:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não me parece que o método da verticalidade tenha sido melhor sucedido, mas enfim...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me parece que o método da verticalidade tenha sido melhor sucedido, mas enfim&#8230;</p>
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		<title>
		Por: John		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-422646</link>

		<dc:creator><![CDATA[John]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2019 18:34:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A verdade é que esse método de horizontalidade e não sei o que mais foi um fiasco por isso fracassou, e foi facilmente tomada pela direita, precisamos rever o que fizemos certo na história e parar com esses invencionismos bestas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A verdade é que esse método de horizontalidade e não sei o que mais foi um fiasco por isso fracassou, e foi facilmente tomada pela direita, precisamos rever o que fizemos certo na história e parar com esses invencionismos bestas.</p>
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		<title>
		Por: Pedro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-308467</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2016 02:11:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Frederico Neto de Curitiba nunca atuou em movimento social nenhum e vem fazer críticas a &quot;atuação equivocada de Curitiba&quot;, me poupe. Nós ocupamos a Câmara de Vereadores e conseguimos colocar um projeto de passe livre para estudantes e desempregados lá dentro, hoje em tramitação além de termos barrado o aumento junto com as outras cidades em 2013. Ano passado mesmo levamos a luta contra o aumento á região metropolitana e tivemos grandes atos na região de Pinhas e Colombo.
Pedro - Faculdade de Artes do Paraná.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Frederico Neto de Curitiba nunca atuou em movimento social nenhum e vem fazer críticas a &#8220;atuação equivocada de Curitiba&#8221;, me poupe. Nós ocupamos a Câmara de Vereadores e conseguimos colocar um projeto de passe livre para estudantes e desempregados lá dentro, hoje em tramitação além de termos barrado o aumento junto com as outras cidades em 2013. Ano passado mesmo levamos a luta contra o aumento á região metropolitana e tivemos grandes atos na região de Pinhas e Colombo.<br />
Pedro &#8211; Faculdade de Artes do Paraná.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Camarada M.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-303261</link>

		<dc:creator><![CDATA[Camarada M.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2015 17:09:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não posso achar engraçado que a mesma crítica que vi ocorrer no movimento em 2006 e 2007, e pelas quais sai em 2008 (e desde então pude ver em tantas outras oportunidades e coletivos), são as mesma ou muito parecidas com as que hoje coloca o Legume.

A discordância com o artigo do Legume é este supor:

1) que o movimento se desviou de suas pretensões iniciais;
2) e que por isso, agora, o movimento chegou a seu fim.

Nesta experiência de construir, participar e romper com o MPL - e analisa-lo após a ruptura, pude perceber:

1) que o movimento não se desviava de suas pretensões iniciais. Ele era o que se propunha, embora as falas pra fora fossem mais &quot;floridas&quot; que a realidade de dentro - e quem estava dentro sabia a real. A prática da horizontalidade, do consenso, do apartidarismo etc. como se pretendia só poderia resultar, não num movimento social, mas num coletivo de afinidade; não na democracia, mas na autoridade das &quot;lideranças invisíveis&quot; ou no embarreiramento por minorias; e não na independência, mas no independentismo.

2) e não é por razão destas práticas (teorias?) que agora o movimento vai acabar. É bem provável que se mantenha, ou ao menos se mantenha como se manteve: como um movimento que possui dificuldade de fazer trabalho de base (agitação, propaganda e ORGANIZAÇÃO, sobretudo) e que &quot;surfa&quot; nas conjunturas geralmente de aumento de tarifas. 

O MPL é, infelizmente, refém de sua própria minimização política. Suas ideias inspiram e inspiraram muita gente, mas tirar-nos dos erros da burocracia de esquerda-tradicional para colocar-nos nos erros da burocracia da esquerda-autonoma não resolve as perguntas da luta de classes.

O MPL cumpre um papel fundamental no Brasil: juntamente a experiência do fracasso da social-democracia petista que, se não a maioria, uma boa parte do povo e militantes tem acordo; o MPL tem permitido a experiência dos limites do autonomismo. São dezenas ou centenas espalhados pelo Brasil que, ao passar pelo Movimento, hoje o agradecem por aprender o que não fazer na luta de classes. 

Não digo isto com orgulho. Infelizmente é minha constatação. Aos que saíram e os que ficaram, nunca é tarde para avançar!

Construir o sindicalismo revolucionário!
Construir o duplo poder por local de estudo, trabalho e moradia!
Avante!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não posso achar engraçado que a mesma crítica que vi ocorrer no movimento em 2006 e 2007, e pelas quais sai em 2008 (e desde então pude ver em tantas outras oportunidades e coletivos), são as mesma ou muito parecidas com as que hoje coloca o Legume.</p>
<p>A discordância com o artigo do Legume é este supor:</p>
<p>1) que o movimento se desviou de suas pretensões iniciais;<br />
2) e que por isso, agora, o movimento chegou a seu fim.</p>
<p>Nesta experiência de construir, participar e romper com o MPL &#8211; e analisa-lo após a ruptura, pude perceber:</p>
<p>1) que o movimento não se desviava de suas pretensões iniciais. Ele era o que se propunha, embora as falas pra fora fossem mais &#8220;floridas&#8221; que a realidade de dentro &#8211; e quem estava dentro sabia a real. A prática da horizontalidade, do consenso, do apartidarismo etc. como se pretendia só poderia resultar, não num movimento social, mas num coletivo de afinidade; não na democracia, mas na autoridade das &#8220;lideranças invisíveis&#8221; ou no embarreiramento por minorias; e não na independência, mas no independentismo.</p>
<p>2) e não é por razão destas práticas (teorias?) que agora o movimento vai acabar. É bem provável que se mantenha, ou ao menos se mantenha como se manteve: como um movimento que possui dificuldade de fazer trabalho de base (agitação, propaganda e ORGANIZAÇÃO, sobretudo) e que &#8220;surfa&#8221; nas conjunturas geralmente de aumento de tarifas. </p>
<p>O MPL é, infelizmente, refém de sua própria minimização política. Suas ideias inspiram e inspiraram muita gente, mas tirar-nos dos erros da burocracia de esquerda-tradicional para colocar-nos nos erros da burocracia da esquerda-autonoma não resolve as perguntas da luta de classes.</p>
<p>O MPL cumpre um papel fundamental no Brasil: juntamente a experiência do fracasso da social-democracia petista que, se não a maioria, uma boa parte do povo e militantes tem acordo; o MPL tem permitido a experiência dos limites do autonomismo. São dezenas ou centenas espalhados pelo Brasil que, ao passar pelo Movimento, hoje o agradecem por aprender o que não fazer na luta de classes. </p>
<p>Não digo isto com orgulho. Infelizmente é minha constatação. Aos que saíram e os que ficaram, nunca é tarde para avançar!</p>
<p>Construir o sindicalismo revolucionário!<br />
Construir o duplo poder por local de estudo, trabalho e moradia!<br />
Avante!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio Martins		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-297184</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2015 00:09:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[d. e Leo Vinícius, como disse, foi política a análise que eu e o outro Leo fizemos naquele artigo (http://passapalavra.info/2014/05/95701). E apesar de convergir bastante com a do Legume, nem sei dizer se é exatamente a mesma. Aqui estamos em uma discussão militante e também historiográfica, tendo vocês vivido diretamente uma situação, e nós um momento posterior do mesmo processo. Mas não queremos compreender os acontecimentos isoladamente, e sim de buscar, à luz de seus desdobramentos históricos, um sentido – mais precisamente, o sentido da atividade da classe. Só assim tiramos consequências práticas, e só a prática pode ser o critério de validade dessas hipóteses.

Por “revolta popular” não nos referimos a todos os levantes contra aumentos de tarifa da história do Brasil em geral, mas a um ciclo histórico específico, das mobilizações de um certo tipo que se desenvolvem a partir de 2003-2004 nas grandes cidades do país. Essas lutas se diferenciaram por seus agentes e formas de ação, pelo momento histórico em que ocorreram e pela elaboração política que construíram.

Eu sei, por leituras e por conversas com os camaradas, que a fundação do MPL em 2005 tinha como objetivo expresso e imediato articular nacionalmente os comitês de campanhas pelo passe-livre estudantil que já existiam em várias cidades. Mas nossa análise é que a força pulsante que deu uma vida tão potente a essa nova organização estava justamente nas revoltas contra o aumento. O MPL se ligou a essas experiências, nutriu-se delas e deu condições políticas e organizativas para que avançassem. Não é exatamente a “pauta” (contra o aumento, passe-livre ou tarifa zero) nem a “tática” que está em questão aqui, e sim a atividade – forma e conteúdo – da classe. Tanto as reivindicações como as elaborações sobre a forma de luta devem ser vistas como desenvolvimentos dessa atividade concreta, que constituiu a base real do movimento.

Lendo hoje os documentos da época – relatorias, panfletos, artigos –, são trechos como o que citei que saltam aos olhos. Trechos que sempre estiveram ali, e por várias vezes devem ter parecido não muito importantes. Mas tendo vivido os desdobramentos desse processo, especialmente junho de 2013, alguns deles passam a soar quase proféticos. Por um lado, junho foi sim só mais uma revolta da catraca – eu mesmo falei isso várias vezes à imprensa na época. Por outro lado, não é indiferente que tenha ocorrido na maior capital do país e, consequentemente, se espalhado efetivamente para o Brasil inteiro (observação: em Goiânia, Rio e Natal a jornada começou inclusive um pouco antes). Nesse sentido, junho não foi uma revolta da catraca como outra qualquer: foi a que atingiu dimensões máxima, e por isso a definitiva. Citando o livro da Guerra da Tarifa 2005, aquele “novo ciclo de lutas sociais urbanas, capaz, quem sabe, de mudar o panorama das lutas sociais no Brasil” se realizou: o panorama das lutas mudou. A revolta de junho fez “abrir e produzir histórias inesperadas até poucos anos atrás, em que essas guerras da tarifa de Florianópolis sejam [foram] apenas um prelúdio”.

Com junho, o que era um horizonte avançado parece ter se tornado o novo patamar dos conflitos – daí que entendo que aquela movimentação chegou no teto. Nossa hipótese de um &quot;fim&quot; é relativa a esse processo. O MPL, enquanto organização, continua existindo e ativo sem ele. Também não é o fim da luta do transporte, visto que as pautas continuam centrais na vida urbana. Não é nem mesmo o fim das lutas contra o aumento, como mostrou a forte jornada do início deste ano em São Paulo e os eventos de ontem em Belo Horizonte. A questão que nossa análise levanta é: na nova conjuntura, essas jornadas guardam ainda o mesmo potencial de antes – podem ir mais longe? Então, onde está hoje uma atividade que aponta para um avanço das lutas tal qual apontaram essas revoltas populares entre 2003-2013? Só saberemos na prática, e por isso é a prática que pode ou não comprovar essa tese política que estamos defendendo.

Camaradas, por fim, nessa discussão de História, lembrei de um trecho do João Bernardo na introdução dos Labirintos do Fascismo e copio ele aqui: &quot;O objectivo da história não se refere fundamentalmente ao passado. É o presente que nos deve interessar, porque é só dele que a nossa prática se ocupa. O inquietante é que apenas o futuro iluminará o sentido do que fazemos hoje, e imploramos à história que disperse o nevoeiro, pois no presente em que vivemos nós somos o indubitável futuro do passado que estudamos. Para um animal racional não podia haver ironia mais pesada, a de estarmos condenados a construir às cegas o nosso mundo, porque só os desenvolvimentos posteriores nos esclarecerão as contradições actuais.&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>d. e Leo Vinícius, como disse, foi política a análise que eu e o outro Leo fizemos naquele artigo (<a href="http://passapalavra.info/2014/05/95701" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/05/95701</a>). E apesar de convergir bastante com a do Legume, nem sei dizer se é exatamente a mesma. Aqui estamos em uma discussão militante e também historiográfica, tendo vocês vivido diretamente uma situação, e nós um momento posterior do mesmo processo. Mas não queremos compreender os acontecimentos isoladamente, e sim de buscar, à luz de seus desdobramentos históricos, um sentido – mais precisamente, o sentido da atividade da classe. Só assim tiramos consequências práticas, e só a prática pode ser o critério de validade dessas hipóteses.</p>
<p>Por “revolta popular” não nos referimos a todos os levantes contra aumentos de tarifa da história do Brasil em geral, mas a um ciclo histórico específico, das mobilizações de um certo tipo que se desenvolvem a partir de 2003-2004 nas grandes cidades do país. Essas lutas se diferenciaram por seus agentes e formas de ação, pelo momento histórico em que ocorreram e pela elaboração política que construíram.</p>
<p>Eu sei, por leituras e por conversas com os camaradas, que a fundação do MPL em 2005 tinha como objetivo expresso e imediato articular nacionalmente os comitês de campanhas pelo passe-livre estudantil que já existiam em várias cidades. Mas nossa análise é que a força pulsante que deu uma vida tão potente a essa nova organização estava justamente nas revoltas contra o aumento. O MPL se ligou a essas experiências, nutriu-se delas e deu condições políticas e organizativas para que avançassem. Não é exatamente a “pauta” (contra o aumento, passe-livre ou tarifa zero) nem a “tática” que está em questão aqui, e sim a atividade – forma e conteúdo – da classe. Tanto as reivindicações como as elaborações sobre a forma de luta devem ser vistas como desenvolvimentos dessa atividade concreta, que constituiu a base real do movimento.</p>
<p>Lendo hoje os documentos da época – relatorias, panfletos, artigos –, são trechos como o que citei que saltam aos olhos. Trechos que sempre estiveram ali, e por várias vezes devem ter parecido não muito importantes. Mas tendo vivido os desdobramentos desse processo, especialmente junho de 2013, alguns deles passam a soar quase proféticos. Por um lado, junho foi sim só mais uma revolta da catraca – eu mesmo falei isso várias vezes à imprensa na época. Por outro lado, não é indiferente que tenha ocorrido na maior capital do país e, consequentemente, se espalhado efetivamente para o Brasil inteiro (observação: em Goiânia, Rio e Natal a jornada começou inclusive um pouco antes). Nesse sentido, junho não foi uma revolta da catraca como outra qualquer: foi a que atingiu dimensões máxima, e por isso a definitiva. Citando o livro da Guerra da Tarifa 2005, aquele “novo ciclo de lutas sociais urbanas, capaz, quem sabe, de mudar o panorama das lutas sociais no Brasil” se realizou: o panorama das lutas mudou. A revolta de junho fez “abrir e produzir histórias inesperadas até poucos anos atrás, em que essas guerras da tarifa de Florianópolis sejam [foram] apenas um prelúdio”.</p>
<p>Com junho, o que era um horizonte avançado parece ter se tornado o novo patamar dos conflitos – daí que entendo que aquela movimentação chegou no teto. Nossa hipótese de um &#8220;fim&#8221; é relativa a esse processo. O MPL, enquanto organização, continua existindo e ativo sem ele. Também não é o fim da luta do transporte, visto que as pautas continuam centrais na vida urbana. Não é nem mesmo o fim das lutas contra o aumento, como mostrou a forte jornada do início deste ano em São Paulo e os eventos de ontem em Belo Horizonte. A questão que nossa análise levanta é: na nova conjuntura, essas jornadas guardam ainda o mesmo potencial de antes – podem ir mais longe? Então, onde está hoje uma atividade que aponta para um avanço das lutas tal qual apontaram essas revoltas populares entre 2003-2013? Só saberemos na prática, e por isso é a prática que pode ou não comprovar essa tese política que estamos defendendo.</p>
<p>Camaradas, por fim, nessa discussão de História, lembrei de um trecho do João Bernardo na introdução dos Labirintos do Fascismo e copio ele aqui: &#8220;O objectivo da história não se refere fundamentalmente ao passado. É o presente que nos deve interessar, porque é só dele que a nossa prática se ocupa. O inquietante é que apenas o futuro iluminará o sentido do que fazemos hoje, e imploramos à história que disperse o nevoeiro, pois no presente em que vivemos nós somos o indubitável futuro do passado que estudamos. Para um animal racional não podia haver ironia mais pesada, a de estarmos condenados a construir às cegas o nosso mundo, porque só os desenvolvimentos posteriores nos esclarecerão as contradições actuais.&#8221;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-297063</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2015 22:19:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E, voltando ao debate suscitado pelo texto, o que interessa é que os trabalhadores estabeleçam um contato, cada vez mais intenso, com organizações que favoreçam a luta interna ao proletariado no sentido da luta contra o capital e da luta contra as organizações burocráticas de esquerda.

E é exatamente porque isso aconteceu no interior do MPL, e na relação do MPL com outras organizações, que muitos comentadores vêm atacar o autor do texto.

Nesse sentido, os oportunistas de direita estão aproveitando o momento para desmerecer toda a trajetória de luta do MPL, já que o MPL lutou contra o capital.

E os oportunistas da velha esquerda burocrática também estão aproveitando o momento para desmerecer toda a trajetória de luta do MPL, já que o MPL não só lutou contra o capital mas também contra a velha esquerda burocrática (tanto a pelega quanto a combativa).

E a tendência hegemônica dentro do MPL está aproveitando a situação para desmerecer as posições dos dissidentes, já que eles lutaram e lutam não apenas contra o capital e contra a velha esquerda burocrática mas também contra a nova esquerda burocrática, a esquerda da política de identidade no campo autônomo.

Enfim, o texto do Legume está sendo utilizado, por uns, para desmerecer o MPL e, por outros, para desmerecer a tendência dentro do MPL que lutou contra a burocratização.

Essa luta interna à classe trabalhadora, de que fala Humanaesfera, infelizmente está sendo vencida pelas esquerdas burocráticas (a velha e a nova) e pela direita. Mas não podemos cruzar os braços e precisamos enfrentar a todos abertamente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E, voltando ao debate suscitado pelo texto, o que interessa é que os trabalhadores estabeleçam um contato, cada vez mais intenso, com organizações que favoreçam a luta interna ao proletariado no sentido da luta contra o capital e da luta contra as organizações burocráticas de esquerda.</p>
<p>E é exatamente porque isso aconteceu no interior do MPL, e na relação do MPL com outras organizações, que muitos comentadores vêm atacar o autor do texto.</p>
<p>Nesse sentido, os oportunistas de direita estão aproveitando o momento para desmerecer toda a trajetória de luta do MPL, já que o MPL lutou contra o capital.</p>
<p>E os oportunistas da velha esquerda burocrática também estão aproveitando o momento para desmerecer toda a trajetória de luta do MPL, já que o MPL não só lutou contra o capital mas também contra a velha esquerda burocrática (tanto a pelega quanto a combativa).</p>
<p>E a tendência hegemônica dentro do MPL está aproveitando a situação para desmerecer as posições dos dissidentes, já que eles lutaram e lutam não apenas contra o capital e contra a velha esquerda burocrática mas também contra a nova esquerda burocrática, a esquerda da política de identidade no campo autônomo.</p>
<p>Enfim, o texto do Legume está sendo utilizado, por uns, para desmerecer o MPL e, por outros, para desmerecer a tendência dentro do MPL que lutou contra a burocratização.</p>
<p>Essa luta interna à classe trabalhadora, de que fala Humanaesfera, infelizmente está sendo vencida pelas esquerdas burocráticas (a velha e a nova) e pela direita. Mas não podemos cruzar os braços e precisamos enfrentar a todos abertamente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Tales		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-297061</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tales]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2015 22:00:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fagner, 

Um dos objetivos era debater sua afirmação de que a luta organizada dos trabalhadores não é cotidiana, mostrando um exemplo de que isso pode ocorrer. Não limitei a deduzir a luta anticapitalista à colaboração dos trabalhadores no processo produtivo. Se ler atentamente o início do comentário remeto à organização nos locais de trabalho, mas também aos de moradia e transporte. Tanto que no exemplo dado a organização se deu em terminais do transporte coletivo, e foram lutas coletivas e ativas, sendo as mesmas características as dos chamados &quot;grupos informais&quot;. 

Não há superficialidade em pensar que a colaboração dos trabalhadores se dá a partir do processo produtivo, ou mesmo da colaboração nos locais de moradia. É justamente nesses espaços que surgiram historicamente as mediações apontados por você. Tais instituições da luta anticapitalista não surgiram externamente às relações sociais de produção desenvolvidas pelos trabalhadores e aos locais em que elas se desenvolvem. Foram frutos da criatividade da luta dos trabalhadores, enquando formas de se oporem aos capitalistas. 

Também por isso discordo do fonercecimento de modelos de comportamento aos trabalhadores. Eles castram essa criatividade de luta que historicamente caracterizou a classe trabalhadora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner, </p>
<p>Um dos objetivos era debater sua afirmação de que a luta organizada dos trabalhadores não é cotidiana, mostrando um exemplo de que isso pode ocorrer. Não limitei a deduzir a luta anticapitalista à colaboração dos trabalhadores no processo produtivo. Se ler atentamente o início do comentário remeto à organização nos locais de trabalho, mas também aos de moradia e transporte. Tanto que no exemplo dado a organização se deu em terminais do transporte coletivo, e foram lutas coletivas e ativas, sendo as mesmas características as dos chamados &#8220;grupos informais&#8221;. </p>
<p>Não há superficialidade em pensar que a colaboração dos trabalhadores se dá a partir do processo produtivo, ou mesmo da colaboração nos locais de moradia. É justamente nesses espaços que surgiram historicamente as mediações apontados por você. Tais instituições da luta anticapitalista não surgiram externamente às relações sociais de produção desenvolvidas pelos trabalhadores e aos locais em que elas se desenvolvem. Foram frutos da criatividade da luta dos trabalhadores, enquando formas de se oporem aos capitalistas. </p>
<p>Também por isso discordo do fonercecimento de modelos de comportamento aos trabalhadores. Eles castram essa criatividade de luta que historicamente caracterizou a classe trabalhadora.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-297052</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2015 19:49:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=105592#comment-297052</guid>

					<description><![CDATA[Tales,

Eu concordo com você: os trabalhadores precisam organizar, em certa medida, o processo de trabalho; nesse sentido, eles precisam colaborar entre si; e essa colaboração pode constituir um primeiro momento da luta anticapitalista. Mas, dentro de cada empresa, geralmente nos deparamos com a seguinte situação: uma parcela majoritária dos trabalhadores, senão todos, organiza o processo de trabalho de acordo com as determinações da empresa; outra parte, geralmente uma minoria, organiza-o – no geral, esporadicamente – segundo outras determinações, as da resistência dos trabalhadores à soberania empresarial (que pode ser individual, coletiva, passiva e ativa).

O objetivo da empresa, no geral, é eliminar todo tipo de resistência, mesmo as individuais e passivas, ou seja, é eliminar, por exemplo, o absenteísmo (que, resumindo-se a um trabalhador, configura-se como uma resistência individual e passiva), a sabotagem (que, resumindo-se a um trabalhador, configura-se como uma resistência individual e ativa), a greve (que, resumindo-se à paralisação da produção, configura-se como uma resistência coletiva mas passiva), a sabotagem coletiva (que é uma forma de resistência ativa e coletiva), a ocupação e autogestão da empresa (que é outra forma de resistência ativa e coletiva), e assim por diante.

Na verdade, algumas resistências nem precisam ser eliminadas, podendo ser cooptadas: nas empresas de call center, por exemplo, acontece de os supervisores oferecerem pausas de descanso maiores, mas somente para os trabalhadores que cumprem as metas da empresa (menciono as empresas de call center porque já trabalhei numa delas). O trabalhador não precisa tirar o seu descanso fora do horário, ou exceder o tempo de descanso concedido pela empresa (que, onde eu trabalhei, era de 10 minutos), pois, se ele cumprir as metas da empresa, ele vai ter um tempo de descanso maior (na verdade, eram duas pausas de descanso de 10 minutos e uma pausa maior, de 20 minutos, para o trabalhador fazer um lanche). Esse tipo de concessão foi feito porque muitos trabalhadores descansavam fora do horário e excediam o tempo de descanso.

Enfim, para que os vários tipos de resistência se unifiquem e evoluam para formas de resistência ativas e coletivas, e num sentido anticapitalista e revolucionário, é preciso que os trabalhadores, não individual mas coletivamente, comportem-se como uma entidade política em luta contra o capital. As suas ações devem ser, portanto, planejadas, devem seguir estratégias, análises de conjuntura, sendo preciso, assim, estudar o terreno em que se luta, que é a sociedade capitalista, em busca de fissuras onde golpear. E isso tudo não é algo que vem simplesmente da inserção no processo de trabalho, pois os trabalhadores convivem com as lutas proletárias derrotadas, com os lutadores derrotados, e se relacionam com as instituições proletárias derrotadas e com as ideologias que expressam tais lutas. Há mediações aí.

Todas essas formas de resistência, e as que você citou, são organizadas, é claro, nem que seja ao nível da organização individual do processo de trabalho. Por exemplo, retomando o caso do call center, o trabalhador organiza individualmente uma parte do seu processo de trabalho: ele tem que cumprir, na medida do possível, a escala de trabalho que lhe é imposta; mas ele pode pausar a máquina e descansar fora do horário determinado pela empresa, ou exceder o tempo de descanso concedido pela empresa: ninguém vai impedir, nem a empresa e nem os outros trabalhadores, mas ele pode ser punido depois. Se o trabalhador descansa fora do horário ou ultrapassa o tempo de descanso permitido, o que eu já fiz muitas vezes, quando trabalhava numa empresa desse tipo, trata-se de um tipo de resistência que parte de uma organização individual do processo de trabalho. O próprio toyotismo promove, em grande medida, essa organização individual.

Mas essas resistências têm de ser organizadas politicamente e permanentemente, e o que eu quero dizer com organização política passa pela integração das várias pequenas resistências, das várias pequenas e importantes lutas cotidianas, como você aponta. Mas eu acho que não é só uma questão de auxiliar na integração das lutas: é também uma questão de fornecer modelos de comportamento.

Me parece meio superficial deduzir a luta anticapitalista diretamente da colaboração dos trabalhadores no processo produtivo, ou da organização coletiva do processo de trabalho, mesmo porque os capitalistas se esforçam para - e muitas vezes conseguem - estabelecer a concorrência entre os trabalhadores no processo de produção. Tem de haver uma mediação, ou várias. Caso contrário, corremos o risco de escorregar para um pensamento de tipo mecanicista. Mas a mediação não é, também, a ideologia: a mediação é proporcionar que os trabalhadores participem, com maior intensidade, das práticas de resistência (e de organização da resistência) ao capital. Por isso, eu considero que a existência de coletivos, movimentos etc., combinada a algum tipo de &quot;trabalho de base&quot;, de certa forma, contribui: porque os trabalhadores são atraídos, com maior intensidade, para outros espaços, que seguem outras dinâmicas, que têm outra lógica. Isso é que é a mediação. A mediação são os grupos sociais, as instituições, que lutam contra o capital, e é quando o trabalhador participa desses grupos que ele toma contato com as ideologias, que não são mais do que a expressão das práticas possíveis no interior desses grupos e na relação desses grupos com outros grupos. Nesse sentido, o que interessa não é a ideologia, nem os discursos, mas as práticas que o trabalho de base aproxima de vários trabalhadores. Acho que o MPL falhou em difundir a prática da horizontalidade por vários motivos, que já expus várias vezes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tales,</p>
<p>Eu concordo com você: os trabalhadores precisam organizar, em certa medida, o processo de trabalho; nesse sentido, eles precisam colaborar entre si; e essa colaboração pode constituir um primeiro momento da luta anticapitalista. Mas, dentro de cada empresa, geralmente nos deparamos com a seguinte situação: uma parcela majoritária dos trabalhadores, senão todos, organiza o processo de trabalho de acordo com as determinações da empresa; outra parte, geralmente uma minoria, organiza-o – no geral, esporadicamente – segundo outras determinações, as da resistência dos trabalhadores à soberania empresarial (que pode ser individual, coletiva, passiva e ativa).</p>
<p>O objetivo da empresa, no geral, é eliminar todo tipo de resistência, mesmo as individuais e passivas, ou seja, é eliminar, por exemplo, o absenteísmo (que, resumindo-se a um trabalhador, configura-se como uma resistência individual e passiva), a sabotagem (que, resumindo-se a um trabalhador, configura-se como uma resistência individual e ativa), a greve (que, resumindo-se à paralisação da produção, configura-se como uma resistência coletiva mas passiva), a sabotagem coletiva (que é uma forma de resistência ativa e coletiva), a ocupação e autogestão da empresa (que é outra forma de resistência ativa e coletiva), e assim por diante.</p>
<p>Na verdade, algumas resistências nem precisam ser eliminadas, podendo ser cooptadas: nas empresas de call center, por exemplo, acontece de os supervisores oferecerem pausas de descanso maiores, mas somente para os trabalhadores que cumprem as metas da empresa (menciono as empresas de call center porque já trabalhei numa delas). O trabalhador não precisa tirar o seu descanso fora do horário, ou exceder o tempo de descanso concedido pela empresa (que, onde eu trabalhei, era de 10 minutos), pois, se ele cumprir as metas da empresa, ele vai ter um tempo de descanso maior (na verdade, eram duas pausas de descanso de 10 minutos e uma pausa maior, de 20 minutos, para o trabalhador fazer um lanche). Esse tipo de concessão foi feito porque muitos trabalhadores descansavam fora do horário e excediam o tempo de descanso.</p>
<p>Enfim, para que os vários tipos de resistência se unifiquem e evoluam para formas de resistência ativas e coletivas, e num sentido anticapitalista e revolucionário, é preciso que os trabalhadores, não individual mas coletivamente, comportem-se como uma entidade política em luta contra o capital. As suas ações devem ser, portanto, planejadas, devem seguir estratégias, análises de conjuntura, sendo preciso, assim, estudar o terreno em que se luta, que é a sociedade capitalista, em busca de fissuras onde golpear. E isso tudo não é algo que vem simplesmente da inserção no processo de trabalho, pois os trabalhadores convivem com as lutas proletárias derrotadas, com os lutadores derrotados, e se relacionam com as instituições proletárias derrotadas e com as ideologias que expressam tais lutas. Há mediações aí.</p>
<p>Todas essas formas de resistência, e as que você citou, são organizadas, é claro, nem que seja ao nível da organização individual do processo de trabalho. Por exemplo, retomando o caso do call center, o trabalhador organiza individualmente uma parte do seu processo de trabalho: ele tem que cumprir, na medida do possível, a escala de trabalho que lhe é imposta; mas ele pode pausar a máquina e descansar fora do horário determinado pela empresa, ou exceder o tempo de descanso concedido pela empresa: ninguém vai impedir, nem a empresa e nem os outros trabalhadores, mas ele pode ser punido depois. Se o trabalhador descansa fora do horário ou ultrapassa o tempo de descanso permitido, o que eu já fiz muitas vezes, quando trabalhava numa empresa desse tipo, trata-se de um tipo de resistência que parte de uma organização individual do processo de trabalho. O próprio toyotismo promove, em grande medida, essa organização individual.</p>
<p>Mas essas resistências têm de ser organizadas politicamente e permanentemente, e o que eu quero dizer com organização política passa pela integração das várias pequenas resistências, das várias pequenas e importantes lutas cotidianas, como você aponta. Mas eu acho que não é só uma questão de auxiliar na integração das lutas: é também uma questão de fornecer modelos de comportamento.</p>
<p>Me parece meio superficial deduzir a luta anticapitalista diretamente da colaboração dos trabalhadores no processo produtivo, ou da organização coletiva do processo de trabalho, mesmo porque os capitalistas se esforçam para &#8211; e muitas vezes conseguem &#8211; estabelecer a concorrência entre os trabalhadores no processo de produção. Tem de haver uma mediação, ou várias. Caso contrário, corremos o risco de escorregar para um pensamento de tipo mecanicista. Mas a mediação não é, também, a ideologia: a mediação é proporcionar que os trabalhadores participem, com maior intensidade, das práticas de resistência (e de organização da resistência) ao capital. Por isso, eu considero que a existência de coletivos, movimentos etc., combinada a algum tipo de &#8220;trabalho de base&#8221;, de certa forma, contribui: porque os trabalhadores são atraídos, com maior intensidade, para outros espaços, que seguem outras dinâmicas, que têm outra lógica. Isso é que é a mediação. A mediação são os grupos sociais, as instituições, que lutam contra o capital, e é quando o trabalhador participa desses grupos que ele toma contato com as ideologias, que não são mais do que a expressão das práticas possíveis no interior desses grupos e na relação desses grupos com outros grupos. Nesse sentido, o que interessa não é a ideologia, nem os discursos, mas as práticas que o trabalho de base aproxima de vários trabalhadores. Acho que o MPL falhou em difundir a prática da horizontalidade por vários motivos, que já expus várias vezes.</p>
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		<title>
		Por: Tales		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-297036</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tales]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2015 15:44:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=105592#comment-297036</guid>

					<description><![CDATA[Fagner, não sei se podemos ser tão taxativas ao afirmar que os trabalhadores não se organizam cotidianamente nos locais de trabalho, moradia e transporte. Basta refletir sobre o que Castoriadis chama de “grupos informais” constituídos nos locais de trabalho. Ele chega a afirmar que sem eles os planos de produção das empresas jamais seriam cumpridos, pois seriam os próprios trabalhadores que teriam os conhecimentos necessários para os implementar, ajustando-os às condições reais do processo de produção. É possível que esses mesmos “grupos informais” fossem inclusive embriões de comitês e conselhos de fábrica surgidos nos momentos de luta anticapitalista, devido às relações de solidariedade criadas e que passaram a gerir autonomamente a produção quando das chamadas greves selvagens. Seria por meio desses grupos que se criaria uma nova unidade na luta dos trabalhadores a partir do local de trabalho.

Podemos trazer essa reflexão para a luta do transporte em Goiânia, quando entre 2013 e 2014 uma quantidade imensa de manifestações paralisaram vários terminais de ônibus da cidade. Como alguns militantes que estavam nessas manifestações relataram, os trabalhadores-usuários se organizaram nas plataformas para reivindicar mais viagens nas linhas para diminuir a espera. Sem necessariamente haver uma organização prévia, apenas o convívio cotidiano na angustiante espera da chegada do ônibus. E a constância das manifestações demonstrou que boa parte dos que estavam na linha de frente das manifestações nos terminais eram pessoas que haviam participado de manifestações anteriores. Não sei se podemos dizer que são lutas anticapitalistas, mas que houve uma atuação coletiva e ativa dessas pessoas podemos dizer. 

Mas por que não se desenvolveu ainda mais esse tipo de luta? Uma resposta pode ser encontrada na repressão da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, que inibiu a continuidade dessas manifestações (nas palavras do delegado que instaurou o inquérito, “buscar diminuir o volume de manifestações na cidade”). Outra pode ser encontrada também na incapacidade dos grupos de luta pelo transporte da capital goiana em dinamizar o desenvolvimento dessas manifestações. Não no sentido de comandá-las, mas no sentido de integrá-las. Penso que seria essa a função dos coletivos, e uma boa oportunidade para deixarem de ser coletivos e se transformarem em movimento social na cidade. 

Para os coletivos locais a oportunidade foi perdida. Como foi perdida a oportunidade também em âmbito nacional, quando da realização do encontro nacional no rescaldo do Junho de 2013. E aqui aproveito para dialogar com o texto do Legume. Ao invés da Federação (Rede?) Nacional do MPL debater um projeto de dinamização das lutas pelo transporte, criando e fortalecendo um movimento social nesse setor estratégico da economia urbana, preferiu-se focar os debates e as principais polêmicas em questões de organização interna. 

Debater o caráter econômico do sistema de transporte urbano e o papel da classe trabalhadora nele, já não tinha o lugar principal, já que o assunto fora sempre tratado, como militantes disseram, apesar da mudança de configuração do cenário nacional. Era momento de tratar outras pautas, principalmente as identitárias, em como constituir grupos indentitários paralelos (os chamados grupos auto-organizados) aos coletivos locais e à própria federação. Não se pensou ou propôs nada no sentido de integrar as demandas dos grupos identitários em um projeto maior de luta no transporte, configurando uma unidade na luta. Preferiu-se a tensão para a fragmentação, princípio político de algumas dessas tendências identitárias. 

Na perspectiva de Castoriadis os grupos informais seriam catalizadores da participação ampla dos trabalhadores na gestão do processo de produção, praticando uma transformação das relações sociais. Na perspectiva de grupos identitários, estes seriam os catalizadores da fragmentação dos trabalhadores e da inviabilidade de um projeto político mais amplo. 

Não foi o único motivo para o possível fim do MPL como projeto de constituição de um movimento social nacional, mas contribuiu para inviabilizar um novo dinamismo da federação frente à nova situação impulsionada pelos coletivos do MPL.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner, não sei se podemos ser tão taxativas ao afirmar que os trabalhadores não se organizam cotidianamente nos locais de trabalho, moradia e transporte. Basta refletir sobre o que Castoriadis chama de “grupos informais” constituídos nos locais de trabalho. Ele chega a afirmar que sem eles os planos de produção das empresas jamais seriam cumpridos, pois seriam os próprios trabalhadores que teriam os conhecimentos necessários para os implementar, ajustando-os às condições reais do processo de produção. É possível que esses mesmos “grupos informais” fossem inclusive embriões de comitês e conselhos de fábrica surgidos nos momentos de luta anticapitalista, devido às relações de solidariedade criadas e que passaram a gerir autonomamente a produção quando das chamadas greves selvagens. Seria por meio desses grupos que se criaria uma nova unidade na luta dos trabalhadores a partir do local de trabalho.</p>
<p>Podemos trazer essa reflexão para a luta do transporte em Goiânia, quando entre 2013 e 2014 uma quantidade imensa de manifestações paralisaram vários terminais de ônibus da cidade. Como alguns militantes que estavam nessas manifestações relataram, os trabalhadores-usuários se organizaram nas plataformas para reivindicar mais viagens nas linhas para diminuir a espera. Sem necessariamente haver uma organização prévia, apenas o convívio cotidiano na angustiante espera da chegada do ônibus. E a constância das manifestações demonstrou que boa parte dos que estavam na linha de frente das manifestações nos terminais eram pessoas que haviam participado de manifestações anteriores. Não sei se podemos dizer que são lutas anticapitalistas, mas que houve uma atuação coletiva e ativa dessas pessoas podemos dizer. </p>
<p>Mas por que não se desenvolveu ainda mais esse tipo de luta? Uma resposta pode ser encontrada na repressão da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, que inibiu a continuidade dessas manifestações (nas palavras do delegado que instaurou o inquérito, “buscar diminuir o volume de manifestações na cidade”). Outra pode ser encontrada também na incapacidade dos grupos de luta pelo transporte da capital goiana em dinamizar o desenvolvimento dessas manifestações. Não no sentido de comandá-las, mas no sentido de integrá-las. Penso que seria essa a função dos coletivos, e uma boa oportunidade para deixarem de ser coletivos e se transformarem em movimento social na cidade. </p>
<p>Para os coletivos locais a oportunidade foi perdida. Como foi perdida a oportunidade também em âmbito nacional, quando da realização do encontro nacional no rescaldo do Junho de 2013. E aqui aproveito para dialogar com o texto do Legume. Ao invés da Federação (Rede?) Nacional do MPL debater um projeto de dinamização das lutas pelo transporte, criando e fortalecendo um movimento social nesse setor estratégico da economia urbana, preferiu-se focar os debates e as principais polêmicas em questões de organização interna. </p>
<p>Debater o caráter econômico do sistema de transporte urbano e o papel da classe trabalhadora nele, já não tinha o lugar principal, já que o assunto fora sempre tratado, como militantes disseram, apesar da mudança de configuração do cenário nacional. Era momento de tratar outras pautas, principalmente as identitárias, em como constituir grupos indentitários paralelos (os chamados grupos auto-organizados) aos coletivos locais e à própria federação. Não se pensou ou propôs nada no sentido de integrar as demandas dos grupos identitários em um projeto maior de luta no transporte, configurando uma unidade na luta. Preferiu-se a tensão para a fragmentação, princípio político de algumas dessas tendências identitárias. </p>
<p>Na perspectiva de Castoriadis os grupos informais seriam catalizadores da participação ampla dos trabalhadores na gestão do processo de produção, praticando uma transformação das relações sociais. Na perspectiva de grupos identitários, estes seriam os catalizadores da fragmentação dos trabalhadores e da inviabilidade de um projeto político mais amplo. </p>
<p>Não foi o único motivo para o possível fim do MPL como projeto de constituição de um movimento social nacional, mas contribuiu para inviabilizar um novo dinamismo da federação frente à nova situação impulsionada pelos coletivos do MPL.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-297032</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2015 14:14:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-296956&quot;&gt;humanaesfera&lt;/a&gt;.

Humanaesfera,

Sim, a luta, num sentido muito amplo, como você coloca, é cotidiana, mas a luta organizada não é: ela não faz parte do cotidiano da maior parte dos trabalhadores; se fizesse, viveríamos tempos muito mais felizes. O que me parece indispensável é que haja uma organização (ou, melhor, várias, o máximo de organizações possível, com o máximo de pluralidade possível), para que se articulem as resistências, por assim dizer, “espontâneas”, para que elas se tornem organizadas, e organizadas num sentido anticapitalista. É claro que não deve haver qualquer fetiche por esta ou aquela organização. Eu concordo que, dentro do proletariado, existem duas tendências, como você aponta. Mas uma classe sempre se desdobra em grupos sociais que, relacionando-se com estes ou aqueles grupos sociais de outras classes, e também com estes ou aqueles grupos sociais da mesma classe, acabam reforçando esta ou aquela tendência: de ruptura com o capitalismo ou de conservação do capitalismo. O que interessa é fazer tais resistências “espontâneas” se desdobrarem, cada vez mais, em organizações que reforcem o todo, a classe, no sentido da ruptura. Conforme o proletariado, o todo, é reforçado, progressivamente, nesse sentido, a sua relação com as demais classes tende a ser, no todo, reforçada no mesmo sentido. Mas existe, como você reconhece, uma luta interna ao proletariado, uma disputa entre grupos internos ao proletariado, para definir qual será a sua forma de realização dominante. Existem muitos grupos sociais, gerados pelo proletariado, que, sendo a única referência de luta cotidiana, reforçam a definição da forma de realização dominante da classe num sentido conservador. Diminuir a frequência com que cada proletário participa desses grupos, e aumentar a frequência com que eles participam de grupos que reforçam a definição da forma de realização dominante do proletariado num sentido revolucionário, não é possível sem que as pessoas sejam “trazidas” para a luta organizada (isto é, &quot;retiradas&quot;, por exemplo, das igrejas neopentecostais, das torcidas organizadas, dos cursos de gestão disto e daquilo, do crime organizado, da polícia etc.). E, aí, me parece indispensável algum tipo de “trabalho de base” ou de “organização de base”; a coisa pode ser nomeada de qualquer jeito, pois o que importa não é o nome. O “trabalho de formiguinha” vai, então, reforçando a tendência da ruptura aqui e ali. É claro que as coisas podem dar errado, em cada “trabalho de base”, reforçando-se a tendência contrária, a da burocratização. Mas me parece um risco necessário. Enfim, é preciso diferenciar luta de luta política, organizada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2015/08/105592/#comment-296956">humanaesfera</a>.</p>
<p>Humanaesfera,</p>
<p>Sim, a luta, num sentido muito amplo, como você coloca, é cotidiana, mas a luta organizada não é: ela não faz parte do cotidiano da maior parte dos trabalhadores; se fizesse, viveríamos tempos muito mais felizes. O que me parece indispensável é que haja uma organização (ou, melhor, várias, o máximo de organizações possível, com o máximo de pluralidade possível), para que se articulem as resistências, por assim dizer, “espontâneas”, para que elas se tornem organizadas, e organizadas num sentido anticapitalista. É claro que não deve haver qualquer fetiche por esta ou aquela organização. Eu concordo que, dentro do proletariado, existem duas tendências, como você aponta. Mas uma classe sempre se desdobra em grupos sociais que, relacionando-se com estes ou aqueles grupos sociais de outras classes, e também com estes ou aqueles grupos sociais da mesma classe, acabam reforçando esta ou aquela tendência: de ruptura com o capitalismo ou de conservação do capitalismo. O que interessa é fazer tais resistências “espontâneas” se desdobrarem, cada vez mais, em organizações que reforcem o todo, a classe, no sentido da ruptura. Conforme o proletariado, o todo, é reforçado, progressivamente, nesse sentido, a sua relação com as demais classes tende a ser, no todo, reforçada no mesmo sentido. Mas existe, como você reconhece, uma luta interna ao proletariado, uma disputa entre grupos internos ao proletariado, para definir qual será a sua forma de realização dominante. Existem muitos grupos sociais, gerados pelo proletariado, que, sendo a única referência de luta cotidiana, reforçam a definição da forma de realização dominante da classe num sentido conservador. Diminuir a frequência com que cada proletário participa desses grupos, e aumentar a frequência com que eles participam de grupos que reforçam a definição da forma de realização dominante do proletariado num sentido revolucionário, não é possível sem que as pessoas sejam “trazidas” para a luta organizada (isto é, &#8220;retiradas&#8221;, por exemplo, das igrejas neopentecostais, das torcidas organizadas, dos cursos de gestão disto e daquilo, do crime organizado, da polícia etc.). E, aí, me parece indispensável algum tipo de “trabalho de base” ou de “organização de base”; a coisa pode ser nomeada de qualquer jeito, pois o que importa não é o nome. O “trabalho de formiguinha” vai, então, reforçando a tendência da ruptura aqui e ali. É claro que as coisas podem dar errado, em cada “trabalho de base”, reforçando-se a tendência contrária, a da burocratização. Mas me parece um risco necessário. Enfim, é preciso diferenciar luta de luta política, organizada.</p>
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