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	Comentários sobre: Enquete anti-operária	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Gisil Beraht		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gisil Beraht]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2015 22:40:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto é muito interessante por revelar uma angústia que perturba, consciente ou inconscientemente, aqueles que (ainda) se preocupam com a emancipação dos trabalhadores. Robert Kurz (Krisis/Exit) ao levantar dúvidas sobre se a classe operária ainda seria o sujeito revolucionário da história faz um questionamento coerente e pertinente, justamente com base em um trabalhador similar ao descrito no texto. Resta saber, se esse trabalhador, ora mundializado pelo capitalismo, é o trabalhador de uma dada conjuntura (ou conjunturas) do capital, ou seria mais... talvez um novo sujeito de uma nova estrutura?

Para Marx - que apesar de “velho” e “barbudo” (acho que falta um movimento contra a “velhofobia” ou “paleofobia” e a “barbudofobia”, hoje tão em voga da direita à esquerda. Mas haverá divergências! Dirão: “Velhocistas” e “barbudochistas”, não passarão!...)  continua mais atual do que nunca – o motor da história, até aqui (leia-se: dos sistemas anteriores até o capitalismo, ou seja, os dias de hoje) é a luta de classes.  A charge  do Charb é icônica e sintetiza este princípio:

Sarkozy: A gente tirou de moda esse conceito de “luta de classes”! Nem a esquerda usa mais!
Marx: Não é porque vocês tiraram de moda a descrição da realidade que a realidade não existe mais.

A discussão da luta de classes, embora sutilmente uma constante das agendas capitalistas, vem sendo suprimida das pautas de esquerda. O próprio texto reflete neste sentido: “Qualquer consideração de classe é omitida, ou de como as regras do jogo já impõem os resultados para a maioria da população”. Se não se pode negar que a classe trabalhadora deseja mais o “capitalismo da abundância ao socialismo da miséria”, não é menos verdade que os trabalhadores se encontram cada vez mais como “Lulus” (A Classe Operária Vai ao Paraíso)... ou “Fifis”... Como diria o “bom velhinho” (Marx, e não Papai Noel,  filho da puta, presenteia os ricos, cospe nos pobres...): “Partiremos de um fato econômico contemporâneo. O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. A desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo dos objetos. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção em que produz bens”(Karl Marx - Manuscritos Econômicos Filosóficos).

Interessante notar que o texto, ao discorrer acertadamente sobre preconceito(s), concluindo que  “esse preconceito é um sintoma das relações de classe, não sua causa”, não conclui no mesmo sentido, e aí se encontra um grande equívoco, em relação à “experiência universal do trabalho”. Quando afirma que o que une os trabalhadores é a “relação negativa consigo mesmo enquanto dependente e exterior a seu próprio pertencimento de classe” comete o mesmo erro de tomar a consequência como a causa de um dos fenômenos da luta de classe. Os trabalhadores encontram-se de fato fragmentados, mas do ponto vista de sua organização, não do ponto de vista de sua identidade. Prova disso são justamente os constantes esforços da burguesia para sua “atomização”. Os insucessos da classe trabalhadora estão mais ligados aos paradigmas que vem adotando ao longo de suas lutas, especialmente as mais recentes, que ao invés de a aproximar do seu ideal de emancipação, a coloca cada vez mais distante, justamente por se darem segundo uma lógica capitalista: 

“Quando a realização, cada vez mais poderosa da alienação capitalista a todos os níveis, tornando cada vez mais difícil aos trabalhadores reconhecer e nomear a sua própria miséria, os coloca na alternativa de recusar a totalidade da sua miséria ou nada, a organização revolucionária teve de aprender que ela já não pode combater a alienação sob formas alienadas” (Guy Debord – A Sociedade do Espetáculo.

A luta de classes, enquanto houver capitalismo e, talvez, mesmo após ele, é imprescritível, assim como o trabalho em que esta luta está fundamentada, sendo este (o trabalho), causa e efeito dos males humanos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto é muito interessante por revelar uma angústia que perturba, consciente ou inconscientemente, aqueles que (ainda) se preocupam com a emancipação dos trabalhadores. Robert Kurz (Krisis/Exit) ao levantar dúvidas sobre se a classe operária ainda seria o sujeito revolucionário da história faz um questionamento coerente e pertinente, justamente com base em um trabalhador similar ao descrito no texto. Resta saber, se esse trabalhador, ora mundializado pelo capitalismo, é o trabalhador de uma dada conjuntura (ou conjunturas) do capital, ou seria mais&#8230; talvez um novo sujeito de uma nova estrutura?</p>
<p>Para Marx &#8211; que apesar de “velho” e “barbudo” (acho que falta um movimento contra a “velhofobia” ou “paleofobia” e a “barbudofobia”, hoje tão em voga da direita à esquerda. Mas haverá divergências! Dirão: “Velhocistas” e “barbudochistas”, não passarão!&#8230;)  continua mais atual do que nunca – o motor da história, até aqui (leia-se: dos sistemas anteriores até o capitalismo, ou seja, os dias de hoje) é a luta de classes.  A charge  do Charb é icônica e sintetiza este princípio:</p>
<p>Sarkozy: A gente tirou de moda esse conceito de “luta de classes”! Nem a esquerda usa mais!<br />
Marx: Não é porque vocês tiraram de moda a descrição da realidade que a realidade não existe mais.</p>
<p>A discussão da luta de classes, embora sutilmente uma constante das agendas capitalistas, vem sendo suprimida das pautas de esquerda. O próprio texto reflete neste sentido: “Qualquer consideração de classe é omitida, ou de como as regras do jogo já impõem os resultados para a maioria da população”. Se não se pode negar que a classe trabalhadora deseja mais o “capitalismo da abundância ao socialismo da miséria”, não é menos verdade que os trabalhadores se encontram cada vez mais como “Lulus” (A Classe Operária Vai ao Paraíso)&#8230; ou “Fifis”&#8230; Como diria o “bom velhinho” (Marx, e não Papai Noel,  filho da puta, presenteia os ricos, cospe nos pobres&#8230;): “Partiremos de um fato econômico contemporâneo. O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. A desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo dos objetos. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção em que produz bens”(Karl Marx &#8211; Manuscritos Econômicos Filosóficos).</p>
<p>Interessante notar que o texto, ao discorrer acertadamente sobre preconceito(s), concluindo que  “esse preconceito é um sintoma das relações de classe, não sua causa”, não conclui no mesmo sentido, e aí se encontra um grande equívoco, em relação à “experiência universal do trabalho”. Quando afirma que o que une os trabalhadores é a “relação negativa consigo mesmo enquanto dependente e exterior a seu próprio pertencimento de classe” comete o mesmo erro de tomar a consequência como a causa de um dos fenômenos da luta de classe. Os trabalhadores encontram-se de fato fragmentados, mas do ponto vista de sua organização, não do ponto de vista de sua identidade. Prova disso são justamente os constantes esforços da burguesia para sua “atomização”. Os insucessos da classe trabalhadora estão mais ligados aos paradigmas que vem adotando ao longo de suas lutas, especialmente as mais recentes, que ao invés de a aproximar do seu ideal de emancipação, a coloca cada vez mais distante, justamente por se darem segundo uma lógica capitalista: </p>
<p>“Quando a realização, cada vez mais poderosa da alienação capitalista a todos os níveis, tornando cada vez mais difícil aos trabalhadores reconhecer e nomear a sua própria miséria, os coloca na alternativa de recusar a totalidade da sua miséria ou nada, a organização revolucionária teve de aprender que ela já não pode combater a alienação sob formas alienadas” (Guy Debord – A Sociedade do Espetáculo.</p>
<p>A luta de classes, enquanto houver capitalismo e, talvez, mesmo após ele, é imprescritível, assim como o trabalho em que esta luta está fundamentada, sendo este (o trabalho), causa e efeito dos males humanos.</p>
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