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	Comentários sobre: Por uma linha a mais no Lattes: sobre educação, burocracia e pós-graduação	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Padaqui		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-304826</link>

		<dc:creator><![CDATA[Padaqui]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Nov 2015 02:56:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros bacharéis, mestres, doutores, 

por mais nobreza, honestidade e dedicação à pesquisa acadêmica, ela é hoje o que sempre foi outrora, uma superestrutura para a formação das ideias e conceitos da sociedade, ainda que comporte umas poucas exceções.

Como já dizia Marx:“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.” Portanto, o academicismo sempre foi ideologicamente produtivista, o que aumentou (e continuará aumentando) foi a intensidade e a jornada da produção do conhecimento (ou desconhecimento?).


E a mão de obra ultra-especializada se integra ao mercado de trabalho da mesma forma que as outras mãos de obra, como nos lembra João Bernardo em Economia dos Conflitos Sociais: (...) ocorre a completa integração da produção de força de trabalho no capital, os trabalhadores não oferecem no mercado a sua mercadoria, o valor de uso da sua força de trabalho, porque desde o início os capitalistas já a detêm. A condição de trabalhadores assumida a cada nova geração é fixada de antemão. Ela é uma condenação. (...) O ato do assalariamento não assinala a inauguração da apropriação capitalista do uso da força de trabalho; ao contrário o assalariamento ocorre porque o conjunto dos capitalistas detinha já previamente o direito de usar o conjunto da força de trabalho, porque o processo de produção dessa força de trabalho fizera-se como processo capitalista, em que o output pertence portanto, por direito, ao capital. O salário é a condição para a reprodução desse processo de apropriação,e não o seu fundamento&quot;, portanto, por mais que se sinta autônomo e à parte do mundo do trabalho, o mundo acadêmico se insere nesta mesma lógica.

A humanidade,no modo de produção capitalista, está condenada à uma eternidade de &quot;Obsolescências programadas&quot;  assim como a eternas &quot;linhas a mais no Lattes&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros bacharéis, mestres, doutores, </p>
<p>por mais nobreza, honestidade e dedicação à pesquisa acadêmica, ela é hoje o que sempre foi outrora, uma superestrutura para a formação das ideias e conceitos da sociedade, ainda que comporte umas poucas exceções.</p>
<p>Como já dizia Marx:“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.” Portanto, o academicismo sempre foi ideologicamente produtivista, o que aumentou (e continuará aumentando) foi a intensidade e a jornada da produção do conhecimento (ou desconhecimento?).</p>
<p>E a mão de obra ultra-especializada se integra ao mercado de trabalho da mesma forma que as outras mãos de obra, como nos lembra João Bernardo em Economia dos Conflitos Sociais: (&#8230;) ocorre a completa integração da produção de força de trabalho no capital, os trabalhadores não oferecem no mercado a sua mercadoria, o valor de uso da sua força de trabalho, porque desde o início os capitalistas já a detêm. A condição de trabalhadores assumida a cada nova geração é fixada de antemão. Ela é uma condenação. (&#8230;) O ato do assalariamento não assinala a inauguração da apropriação capitalista do uso da força de trabalho; ao contrário o assalariamento ocorre porque o conjunto dos capitalistas detinha já previamente o direito de usar o conjunto da força de trabalho, porque o processo de produção dessa força de trabalho fizera-se como processo capitalista, em que o output pertence portanto, por direito, ao capital. O salário é a condição para a reprodução desse processo de apropriação,e não o seu fundamento&#8221;, portanto, por mais que se sinta autônomo e à parte do mundo do trabalho, o mundo acadêmico se insere nesta mesma lógica.</p>
<p>A humanidade,no modo de produção capitalista, está condenada à uma eternidade de &#8220;Obsolescências programadas&#8221;  assim como a eternas &#8220;linhas a mais no Lattes&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Só um licenciado - mas outro desabafo de outro 'ingrato'		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-304761</link>

		<dc:creator><![CDATA[Só um licenciado - mas outro desabafo de outro 'ingrato']]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2015 16:38:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi Recém Doutor, tudo certo?

Cara, eu terminei no ano passado a minha licenciatura em Música e, msm sendo &#039;só uma licenciatura&#039;, &#039;só em Música&#039;, que tem como trabalho final &#039;só um TCC&#039;, &#039;é interessante&#039; ver como alguns aspectos são idênticos. Eu não tive lesões físicas, nem (, aparentemente,) psicológicas por conta do meu trabalho (combinemos, o que tbm não merece comemoração), mas, e aqui talvez eu fale com a decepção de um dos calouros que vc cita no texto, as limitações estavam todas ali.

Um trabalho originalmente pensado para ter uma tal abrangência acabou por não ter um quarto dela. E não é que eu não quisesse fazê-lo, mas todo o sistema impunha esse &#039;podar&#039;, um comprimir e editar, um &#039;ser direto e sucinto&#039;, um padrão formal, visando &#039;clareza&#039;, a meu ver, completamente desinteressante e previsível.

Tal trabalho, a ser feito em tempo espaçado, foi espremido em um semestre, já que &#039;esse é o período da disciplina oferecida&#039;, é o tempo do qual o orientador pode dispor (e é claro que aqui não transfiro culpa a ele); e ainda por cima, o que me parece um absurdo msm pra trabalhos de conclusão de graduação, estava ali o maldito limite de páginas... e como alguém desenvolve qualquer coisa com um mínimo de profundidade (em qualquer área) com míseras quarenta páginas?! Quarenta!! (Qta inocência a minha... quem disse que TCCs são trabalhos passíveis de qualquer elaboração mais aprofundada?! São, aparentemente, apenas mais uma etapa do processo, mais um obstáculo entre o &#039;estudante&#039; e o profissional, certo? [ambos trabalhadores, não, colega que vê de outra forma?]) Como alguém consegue desenvolver qualquer coisa qdo uma das preocupações mais latentes ainda na metade do processo de escrita é &#039;como vou cortar tantas páginas depois?&#039;? Leveza, densidade, poesia? Esquece...

Chega um ponto no qual, por iludido que seja o estudante, fica clara uma das mais irritantes verdades: o que menos importa pra Universidade é o trabalho, de fato (e importa pra quem? e pra quê?). Importa que ele seja feito, claro, importa que ele respeite as normas da ABNT, importa que ele respeite as &#039;orientações gerais&#039; do Instituto, que seja entregue no prazo, que o título seja &#039;claro e condizente&#039;, o índice esteja bem feito, tbm claro e demonstrativo das etapas percorridas no texto, que o português esteja na ponta dos cascos, etc. Acho que, de verdade, importa que a inércia social seja bem estabelecida...

Numa &#039;instância&#039; menor (que a sua) de trabalho universitário, e msm gostando muito do tema por mim escolhido, me senti tão desmotivado qto vc.
Se essas coisas todas não são características inaceitáveis do nosso sistema de ensino e produção de saber atual, o que parece ser a opinião do comentarista que vê de outra forma, aceita-se que a motivação seja externa (ao trabalho e ao tema escolhidos), que o foco seja outro, que não &quot;simplesmente&quot; produzir saber da melhor forma possível, e aceita-se, em última instância, que essa p*rra toda é só um teatro com suas barreiras pra alcançar o tão sonhado mercado de trabalho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Recém Doutor, tudo certo?</p>
<p>Cara, eu terminei no ano passado a minha licenciatura em Música e, msm sendo &#8216;só uma licenciatura&#8217;, &#8216;só em Música&#8217;, que tem como trabalho final &#8216;só um TCC&#8217;, &#8216;é interessante&#8217; ver como alguns aspectos são idênticos. Eu não tive lesões físicas, nem (, aparentemente,) psicológicas por conta do meu trabalho (combinemos, o que tbm não merece comemoração), mas, e aqui talvez eu fale com a decepção de um dos calouros que vc cita no texto, as limitações estavam todas ali.</p>
<p>Um trabalho originalmente pensado para ter uma tal abrangência acabou por não ter um quarto dela. E não é que eu não quisesse fazê-lo, mas todo o sistema impunha esse &#8216;podar&#8217;, um comprimir e editar, um &#8216;ser direto e sucinto&#8217;, um padrão formal, visando &#8216;clareza&#8217;, a meu ver, completamente desinteressante e previsível.</p>
<p>Tal trabalho, a ser feito em tempo espaçado, foi espremido em um semestre, já que &#8216;esse é o período da disciplina oferecida&#8217;, é o tempo do qual o orientador pode dispor (e é claro que aqui não transfiro culpa a ele); e ainda por cima, o que me parece um absurdo msm pra trabalhos de conclusão de graduação, estava ali o maldito limite de páginas&#8230; e como alguém desenvolve qualquer coisa com um mínimo de profundidade (em qualquer área) com míseras quarenta páginas?! Quarenta!! (Qta inocência a minha&#8230; quem disse que TCCs são trabalhos passíveis de qualquer elaboração mais aprofundada?! São, aparentemente, apenas mais uma etapa do processo, mais um obstáculo entre o &#8216;estudante&#8217; e o profissional, certo? [ambos trabalhadores, não, colega que vê de outra forma?]) Como alguém consegue desenvolver qualquer coisa qdo uma das preocupações mais latentes ainda na metade do processo de escrita é &#8216;como vou cortar tantas páginas depois?&#8217;? Leveza, densidade, poesia? Esquece&#8230;</p>
<p>Chega um ponto no qual, por iludido que seja o estudante, fica clara uma das mais irritantes verdades: o que menos importa pra Universidade é o trabalho, de fato (e importa pra quem? e pra quê?). Importa que ele seja feito, claro, importa que ele respeite as normas da ABNT, importa que ele respeite as &#8216;orientações gerais&#8217; do Instituto, que seja entregue no prazo, que o título seja &#8216;claro e condizente&#8217;, o índice esteja bem feito, tbm claro e demonstrativo das etapas percorridas no texto, que o português esteja na ponta dos cascos, etc. Acho que, de verdade, importa que a inércia social seja bem estabelecida&#8230;</p>
<p>Numa &#8216;instância&#8217; menor (que a sua) de trabalho universitário, e msm gostando muito do tema por mim escolhido, me senti tão desmotivado qto vc.<br />
Se essas coisas todas não são características inaceitáveis do nosso sistema de ensino e produção de saber atual, o que parece ser a opinião do comentarista que vê de outra forma, aceita-se que a motivação seja externa (ao trabalho e ao tema escolhidos), que o foco seja outro, que não &#8220;simplesmente&#8221; produzir saber da melhor forma possível, e aceita-se, em última instância, que essa p*rra toda é só um teatro com suas barreiras pra alcançar o tão sonhado mercado de trabalho.</p>
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		<title>
		Por: Recém Doutor		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-302108</link>

		<dc:creator><![CDATA[Recém Doutor]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2015 21:06:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros, agradeço os comentários. Infelizmente estou numa correria e demorarei um pouco mais para dialogar com alguns de vocês.

Caro anônimo que quer ver de outra forma,
alguns dos pontos que você colocou estão no texto e tornam injustificada sua indignação. Culpar o trabalhador por contrair uma LER é um absurdo, e é justamente a postura dos patrões quando contratam trabalhadores terceirizados e na modalidade home office, buscando se livrar dos encargos por acidentes de trabalho, por exemplo. A pressão pelos resultados, feita pelo patrão e pelo &quot;mercado&quot; leva ao ato laboral destemperado, que acaba levando o trabalhador a adoecer, e culpá-lo por adoecer é demonstrar desconhecimento dessa modalidade de exploração do trabalho travestida de autoexploração e de livre-exploração. E mesmo que fosse culpa da desorganização do trabalhador com seus próprios horários, ainda assim isso seria um sintoma e não a causa: sintoma de uma sociedade inteiramente pautada na exploração do trabalho e na ideia de sucesso e realização pessoal pela via do emprego, onde lazer e etc ficam em segundo plano sempre. Sobre a condição de trabalho dos pesquisadores ser risível se comparada às condições de trabalho da classe trabalhadora, essa comparação não cabe, é o mesmo de dizer que no Rio a classe sofre menos do que em Sampa, porque têm praia. Além disso seus comentários mostram um fetiche do trabalho manual, visto como separado do intelectual, como se assentar tijolos fosse algo incomparavelmente mais destruidor do trabalhador do que o trabalho intelectual. Se se fosse pensar nesse seu modelo de separação dos distintos tipos de trabalho creio que a conclusão seria, inclusive, contrária à sua. Os maiores índices de suicídio estão do lado intelectual, e não por acaso, pois a captura da subjetividade e sua orientação para a produção capitalista acaba com os sujeitos, em especial aqueles que pretendem uma vida carregada de sentido, e não apenas o sucesso no trabalho, por exemplo, desenvolvendo uma nova tecnologia a ser patenteada por alguma empresa que pague bem. Em todo caso não se trata de disputar quem sofre mais, quem é mais explorado. Fazer essa comparação é que é dar munição para o apassivamento da classe, pois sempre haverá algum extrato mais explorado, e se ele existe, fique feliz com sua posição &quot;privilegiada&quot; de bolsista, de trabalhador efetivo, de trabalhador que ganha boas comissões, que ganha PLR, etc. O texto, nesse sentido das suas questões, visou justamente igualar os trabalhadores pesquisadores ao restante da classe, mencionando alguns dos percalços dessa profissão, enquanto muitos se iludem achando que são o topo da classe, que não são trabalhadores etc. Já sobre dizer que os pesquisadores que não militam são preguiçosos ou academicistas, mais uma vez seu fetiche do trabalho manual. Os operários que não militam tudo bem, porque estão cansados? Trabalho intelectual não cansa? Operário não tem preguiça de lutar contra toda a corrente? Militar não é fácil pra ninguém, e não é atoa que a maioria das pessoas milita por causas que lhe afetam diretamente. Vamos culpá-las, julgá-las por isso? Já seu comentário sobre os financiadores terem algum critério para garantir a difusão do conhecimento é pior que os anteriores. O sistema não controla apenas a difusão dos conhecimentos que quer que sejam generalizados, ele controla a produção deles, seja na seleção dos projetos a serem ou não financiados, seja nos livros a serem publicados, os professores a serem contratados, e em vez de pensar conosco criticamente todo esse esquema apassivador da classe, que impede que o conhecimento crítico seja produzido e muito menos difundido, vc legitima a postura dos respeitáveis gestores da burocracia estatal e de empresas privadas, interessadas tão somente em ciência lucrativa. Meu texto é &quot;muito mais um desabafo de um estudante estressado antes da banca do que uma reflexão política profunda&quot;. Posso concordar com isso, vc não percebe? Sua visão produtivista e meritocrática te impede de ver que uma coisa leva à outra, e por algum motivo, talvez financeiro, talvez freudiano, vc acha que é um absurdo um &quot;bolsista&quot;, &quot;privilegiado&quot;, vir com chorumelas em vez de fazer uma reflexão política profunda. Seria legal se o anônimo fizesse a reflexão política profunda e tentasse difundí-la via agências de financiamento. Talvez isso o fizesse reformular a reflexão política profunda, e aí o espaço de divulgação seria o Passa Palavra e mais um ou outro espaço que temos disponível para o pensamento crítico. Ah sim, teria que ser por amor ao conhecimento eim!? Nada de querer bolsa ou qualquer financiamento/pagamento pelo trabalho. Pesquisador que é pesquisador faz de graça, se aceita pagamento fique calado e não reclame. Ou se aceita a lógica do sistema e produz o que é financiável ou não venha com chorumelas de quem queria pesquisar outra coisa que curte mas que não tem espaço na lógica do sistema. Sobre o financiamento de pesquisas ser &quot;uma forma de contenção e acomodação desse tipo de trabalhador intelectual dentro das malhas do sistema&quot;, a ideia é boa, inclusive está no meu texto, mas existe outra questão aqui, que é a de que esses financiamentos existem como conquista da classe. Se dependesse da ordem exclusivamente não haveria de se gastar esforços contendo a rebeldia dos intelectuais em sua produção de conhecimento crítico apropriável pelos trabalhadores. Se dependesse do sistema não haveria ensino ou pesquisa em sociologia, história, filosofia. Mas o sistema soube se ajustar a esse empecilho de ter que lidar com essas disciplinas perigosas, e é aí que entra toda a estrutura de seleção dos projetos que interessam e os que não interessam. Feminismo classista não interessa, tente pesquisar Heleieth Saffioti e terá com a porta na cara. Escolha o feminismo identitário e vai chover financiamentos, inclusive de empresas privadas. sabe quem é o maior financiador de pesquisas em feminismo não-classista? A fundação Ford, e sabe por que? Porque interessa aos produtores de automóveis toda a balela sobre empoderamento feminino. Mulheres empoderadas são mulheres que entre outras coisas (algumas positivas) querem comprar um carro pra si. Por fim novamente a questão da difusão do conhecimento. O conhecimento está mais que difundido, veja só seus comentários como mostram apropriação da ideologia do empreendedorismo. A questão é que nem todos os conhecimentos interessam ao sistema, e como lidar com isso é uma questão que não passa nem perto das suas indagações acusativas do quanto são privilegiados os que &quot;vivem de bolsa&quot;, esses reclamões ingratos que não dão contrapartida pra sociedade &quot;que os financia&quot;...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros, agradeço os comentários. Infelizmente estou numa correria e demorarei um pouco mais para dialogar com alguns de vocês.</p>
<p>Caro anônimo que quer ver de outra forma,<br />
alguns dos pontos que você colocou estão no texto e tornam injustificada sua indignação. Culpar o trabalhador por contrair uma LER é um absurdo, e é justamente a postura dos patrões quando contratam trabalhadores terceirizados e na modalidade home office, buscando se livrar dos encargos por acidentes de trabalho, por exemplo. A pressão pelos resultados, feita pelo patrão e pelo &#8220;mercado&#8221; leva ao ato laboral destemperado, que acaba levando o trabalhador a adoecer, e culpá-lo por adoecer é demonstrar desconhecimento dessa modalidade de exploração do trabalho travestida de autoexploração e de livre-exploração. E mesmo que fosse culpa da desorganização do trabalhador com seus próprios horários, ainda assim isso seria um sintoma e não a causa: sintoma de uma sociedade inteiramente pautada na exploração do trabalho e na ideia de sucesso e realização pessoal pela via do emprego, onde lazer e etc ficam em segundo plano sempre. Sobre a condição de trabalho dos pesquisadores ser risível se comparada às condições de trabalho da classe trabalhadora, essa comparação não cabe, é o mesmo de dizer que no Rio a classe sofre menos do que em Sampa, porque têm praia. Além disso seus comentários mostram um fetiche do trabalho manual, visto como separado do intelectual, como se assentar tijolos fosse algo incomparavelmente mais destruidor do trabalhador do que o trabalho intelectual. Se se fosse pensar nesse seu modelo de separação dos distintos tipos de trabalho creio que a conclusão seria, inclusive, contrária à sua. Os maiores índices de suicídio estão do lado intelectual, e não por acaso, pois a captura da subjetividade e sua orientação para a produção capitalista acaba com os sujeitos, em especial aqueles que pretendem uma vida carregada de sentido, e não apenas o sucesso no trabalho, por exemplo, desenvolvendo uma nova tecnologia a ser patenteada por alguma empresa que pague bem. Em todo caso não se trata de disputar quem sofre mais, quem é mais explorado. Fazer essa comparação é que é dar munição para o apassivamento da classe, pois sempre haverá algum extrato mais explorado, e se ele existe, fique feliz com sua posição &#8220;privilegiada&#8221; de bolsista, de trabalhador efetivo, de trabalhador que ganha boas comissões, que ganha PLR, etc. O texto, nesse sentido das suas questões, visou justamente igualar os trabalhadores pesquisadores ao restante da classe, mencionando alguns dos percalços dessa profissão, enquanto muitos se iludem achando que são o topo da classe, que não são trabalhadores etc. Já sobre dizer que os pesquisadores que não militam são preguiçosos ou academicistas, mais uma vez seu fetiche do trabalho manual. Os operários que não militam tudo bem, porque estão cansados? Trabalho intelectual não cansa? Operário não tem preguiça de lutar contra toda a corrente? Militar não é fácil pra ninguém, e não é atoa que a maioria das pessoas milita por causas que lhe afetam diretamente. Vamos culpá-las, julgá-las por isso? Já seu comentário sobre os financiadores terem algum critério para garantir a difusão do conhecimento é pior que os anteriores. O sistema não controla apenas a difusão dos conhecimentos que quer que sejam generalizados, ele controla a produção deles, seja na seleção dos projetos a serem ou não financiados, seja nos livros a serem publicados, os professores a serem contratados, e em vez de pensar conosco criticamente todo esse esquema apassivador da classe, que impede que o conhecimento crítico seja produzido e muito menos difundido, vc legitima a postura dos respeitáveis gestores da burocracia estatal e de empresas privadas, interessadas tão somente em ciência lucrativa. Meu texto é &#8220;muito mais um desabafo de um estudante estressado antes da banca do que uma reflexão política profunda&#8221;. Posso concordar com isso, vc não percebe? Sua visão produtivista e meritocrática te impede de ver que uma coisa leva à outra, e por algum motivo, talvez financeiro, talvez freudiano, vc acha que é um absurdo um &#8220;bolsista&#8221;, &#8220;privilegiado&#8221;, vir com chorumelas em vez de fazer uma reflexão política profunda. Seria legal se o anônimo fizesse a reflexão política profunda e tentasse difundí-la via agências de financiamento. Talvez isso o fizesse reformular a reflexão política profunda, e aí o espaço de divulgação seria o Passa Palavra e mais um ou outro espaço que temos disponível para o pensamento crítico. Ah sim, teria que ser por amor ao conhecimento eim!? Nada de querer bolsa ou qualquer financiamento/pagamento pelo trabalho. Pesquisador que é pesquisador faz de graça, se aceita pagamento fique calado e não reclame. Ou se aceita a lógica do sistema e produz o que é financiável ou não venha com chorumelas de quem queria pesquisar outra coisa que curte mas que não tem espaço na lógica do sistema. Sobre o financiamento de pesquisas ser &#8220;uma forma de contenção e acomodação desse tipo de trabalhador intelectual dentro das malhas do sistema&#8221;, a ideia é boa, inclusive está no meu texto, mas existe outra questão aqui, que é a de que esses financiamentos existem como conquista da classe. Se dependesse da ordem exclusivamente não haveria de se gastar esforços contendo a rebeldia dos intelectuais em sua produção de conhecimento crítico apropriável pelos trabalhadores. Se dependesse do sistema não haveria ensino ou pesquisa em sociologia, história, filosofia. Mas o sistema soube se ajustar a esse empecilho de ter que lidar com essas disciplinas perigosas, e é aí que entra toda a estrutura de seleção dos projetos que interessam e os que não interessam. Feminismo classista não interessa, tente pesquisar Heleieth Saffioti e terá com a porta na cara. Escolha o feminismo identitário e vai chover financiamentos, inclusive de empresas privadas. sabe quem é o maior financiador de pesquisas em feminismo não-classista? A fundação Ford, e sabe por que? Porque interessa aos produtores de automóveis toda a balela sobre empoderamento feminino. Mulheres empoderadas são mulheres que entre outras coisas (algumas positivas) querem comprar um carro pra si. Por fim novamente a questão da difusão do conhecimento. O conhecimento está mais que difundido, veja só seus comentários como mostram apropriação da ideologia do empreendedorismo. A questão é que nem todos os conhecimentos interessam ao sistema, e como lidar com isso é uma questão que não passa nem perto das suas indagações acusativas do quanto são privilegiados os que &#8220;vivem de bolsa&#8221;, esses reclamões ingratos que não dão contrapartida pra sociedade &#8220;que os financia&#8221;&#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carneiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-302032</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2015 04:23:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sendo otimista, assumo que você é apenas um ingênuo.

Pois se você é de fato um pesquisador, prefere adotar o discurso dos gestores ao invés do dos teus companheiros: os problemas são sempre de cada indivíduo, os trabalhadores melhores remunerados são uma elite que não pensa nos mais precários.
Se você é realmente um pesquisador, parece que não chegou nunca a desenvolver a solidariedade com teus companheiros, talvez o ambiente de concorrência com eles fez você se identificar mais com teus superiores, que estão muito preocupados em descobrir melhores critérios para chegar aos resultados esperados pelos superiores deles.

Talvez isso tenha ocorrido porque ao invés de pensar junto com teus companheiros a respeito dos problemas e dificuldades enfrentados nessa ocupação, tenha preferido dar ouvidos para a autoridade, ao invés de dar ouvidos aos teus iguais. 
Isso não é &quot;questão sindical&quot;, é o mínimo de solidariedade que um trabalhador pode ter, começa com aquele que está do teu lado e não dizendo ao lixeiro &quot;ih, você reclama mas tem gente que nem trabalho tem&quot;. Isso não é solidariedade, isso é conformismo goela abaixo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sendo otimista, assumo que você é apenas um ingênuo.</p>
<p>Pois se você é de fato um pesquisador, prefere adotar o discurso dos gestores ao invés do dos teus companheiros: os problemas são sempre de cada indivíduo, os trabalhadores melhores remunerados são uma elite que não pensa nos mais precários.<br />
Se você é realmente um pesquisador, parece que não chegou nunca a desenvolver a solidariedade com teus companheiros, talvez o ambiente de concorrência com eles fez você se identificar mais com teus superiores, que estão muito preocupados em descobrir melhores critérios para chegar aos resultados esperados pelos superiores deles.</p>
<p>Talvez isso tenha ocorrido porque ao invés de pensar junto com teus companheiros a respeito dos problemas e dificuldades enfrentados nessa ocupação, tenha preferido dar ouvidos para a autoridade, ao invés de dar ouvidos aos teus iguais.<br />
Isso não é &#8220;questão sindical&#8221;, é o mínimo de solidariedade que um trabalhador pode ter, começa com aquele que está do teu lado e não dizendo ao lixeiro &#8220;ih, você reclama mas tem gente que nem trabalho tem&#8221;. Isso não é solidariedade, isso é conformismo goela abaixo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ainda querendo ver de outra forma		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-301946</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ainda querendo ver de outra forma]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2015 23:58:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://jrz524vll72f4ljr.onion/?p=106111#comment-301946</guid>

					<description><![CDATA[O autor do texto que fez doutorado pra receber bolsa e eu sou o que quero reduzir o conhecimento a dinheiro? Se não tivesse bolsa nem ele nem grande parte dos pesquisadores estaria pesquisando, então não vamos fingir que se trata de amor ao conhecimento. É como só querer militar se for &quot;liberado&quot;. Estou questionando - e não falando em nome de ninguém - se há mesmo tanta exploração nesta contratação - trabalhador/estudante e estado/contratante. Aparenta muito mais ser uma forma de contenção e acomodação desse tipo de trabalhador intelectual dentro das malhas do sistema, e o fato do próprio intelectual-autor deste texto dizer que os doutorandos não têm tempo para a militância já indica isso - e o acalma. Por outro lado, a questão da difusão do conhecimento fica ausente, como se alguém desse pelota para algum doutorado das Sociais da USP, não há contrapartida social e isso é inegável e vejo menos preocupação com isso e mais com questões praticamente sindicais, de condições laborais (melhores e mais bolsas, menos ou diferentes obrigações, etc). Dentro deste âmbito, do sindical, o que me parece é que o trabalhador universitário está na elite dos trabalhadores e por isso discutir suas condições sem colocar isso em perspectiva, volto a dizer, é risível, é como a greve anual de professores que ganham acima de dez mil reais e não falam um A sobre os terceirizados. Os senhores fiquem a vontade pra discordar, torço que com melhores argumentos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O autor do texto que fez doutorado pra receber bolsa e eu sou o que quero reduzir o conhecimento a dinheiro? Se não tivesse bolsa nem ele nem grande parte dos pesquisadores estaria pesquisando, então não vamos fingir que se trata de amor ao conhecimento. É como só querer militar se for &#8220;liberado&#8221;. Estou questionando &#8211; e não falando em nome de ninguém &#8211; se há mesmo tanta exploração nesta contratação &#8211; trabalhador/estudante e estado/contratante. Aparenta muito mais ser uma forma de contenção e acomodação desse tipo de trabalhador intelectual dentro das malhas do sistema, e o fato do próprio intelectual-autor deste texto dizer que os doutorandos não têm tempo para a militância já indica isso &#8211; e o acalma. Por outro lado, a questão da difusão do conhecimento fica ausente, como se alguém desse pelota para algum doutorado das Sociais da USP, não há contrapartida social e isso é inegável e vejo menos preocupação com isso e mais com questões praticamente sindicais, de condições laborais (melhores e mais bolsas, menos ou diferentes obrigações, etc). Dentro deste âmbito, do sindical, o que me parece é que o trabalhador universitário está na elite dos trabalhadores e por isso discutir suas condições sem colocar isso em perspectiva, volto a dizer, é risível, é como a greve anual de professores que ganham acima de dez mil reais e não falam um A sobre os terceirizados. Os senhores fiquem a vontade pra discordar, torço que com melhores argumentos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Mars		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-301620</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Mars]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2015 18:14:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://jrz524vll72f4ljr.onion/?p=106111#comment-301620</guid>

					<description><![CDATA[No ponto Carneiro.

Visão Patronal, produtivista e ressentida! Quer colocar as ideias como pagamento da sociedade que a financia, em outras palavras, reduzir o conhecimento a produção mercadológica, como já tem sido feito!
O mais engraçado ainda é o fulano querer falar em nome da classe trabalhadora.

Seu produtivista visto de outra forma, dá um tempo mané! 
O anti-intelectualismo, travestido de antiacademicismo marchava muito nas ruas da Itália em 1936... a gente sabe muito bem o nome disso!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No ponto Carneiro.</p>
<p>Visão Patronal, produtivista e ressentida! Quer colocar as ideias como pagamento da sociedade que a financia, em outras palavras, reduzir o conhecimento a produção mercadológica, como já tem sido feito!<br />
O mais engraçado ainda é o fulano querer falar em nome da classe trabalhadora.</p>
<p>Seu produtivista visto de outra forma, dá um tempo mané!<br />
O anti-intelectualismo, travestido de antiacademicismo marchava muito nas ruas da Itália em 1936&#8230; a gente sabe muito bem o nome disso!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carneiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-301615</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2015 15:35:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[interessante essa visão de patrão do amigo acima. Afinal, os problemas que temos como indivíduos são sempre a expressão de nossa incompetência em adaptarmos à realidade inquestionável que nos rodeia.
Os senhores financiadores de bolsas, esses respeitáveis senhores misteriosos, precisam ser respeitados, e não só isso, precisam que nós, pesquisadores, proponhamos ideias e conselhos para que eles tomem melhores decisões, um Círculo de Qualidade da academia.
Valeu mesmo pela visão patronal, amigo, continue assim que logo você terá aquela tão sonhada vaga obtida em um concurso público feito entre amigos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>interessante essa visão de patrão do amigo acima. Afinal, os problemas que temos como indivíduos são sempre a expressão de nossa incompetência em adaptarmos à realidade inquestionável que nos rodeia.<br />
Os senhores financiadores de bolsas, esses respeitáveis senhores misteriosos, precisam ser respeitados, e não só isso, precisam que nós, pesquisadores, proponhamos ideias e conselhos para que eles tomem melhores decisões, um Círculo de Qualidade da academia.<br />
Valeu mesmo pela visão patronal, amigo, continue assim que logo você terá aquela tão sonhada vaga obtida em um concurso público feito entre amigos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Vejo de outra forma		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-301540</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vejo de outra forma]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2015 15:07:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://jrz524vll72f4ljr.onion/?p=106111#comment-301540</guid>

					<description><![CDATA[Caro Amigo,
Se você teve bolsa de doutorado por anos trabalhando de casa e fazendo seus horários a questão de ter tido LER ou não saber dosar seus estudos aparentemente é muito mais problema seu, que não soube se organizar e cumprir um cronograma, do que do &quot;sistema&quot;. Pensando apenas do ponto de vista do trabalho envolvido nessa relação chega a ser risível suas lamentações, pensando nas condições de trabalho gerais da classe trabalhadora brasileira, me desculpe. 
Sobre a militância também, ou alguém vai negar que as condições materiais de trabalho de um professor ou bolsista estão acima da média dos trabalhadores? No mínimo na média. Se é assim, não há nenhum impedimento pra eles militarem, pelo contrário, há um privilégio, se não exercem também não é culpa do &quot;sistema&quot; e sim de sua preguiça e academicismo. 
Sobre o Lattes, de fato o produtivismo é problemático mas os senhores e senhoras não acham que os financiadores das bolsas precisam ter algum critério que garanta que o tema estudado seja difundido? Garantir a publicação de artigos e a participação em eventos não é algo bom nessa linha de raciocínio? Afinal a tese mesmo ninguém vai ler. 
Esse ponto me pareceu ausente do texto, que é muito mais um desabafo de um estudante estressado antes da banca do que uma reflexão política profunda. Senti falta da discussão de como esse conhecimento está ou deveria estar sendo compartilhado com a sociedade que o financia - infelizmente o autor está mais preocupado com outras questões, que não digo que não são importantes, mas talvez o sejam só ou muito mais pra ele mesmo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Amigo,<br />
Se você teve bolsa de doutorado por anos trabalhando de casa e fazendo seus horários a questão de ter tido LER ou não saber dosar seus estudos aparentemente é muito mais problema seu, que não soube se organizar e cumprir um cronograma, do que do &#8220;sistema&#8221;. Pensando apenas do ponto de vista do trabalho envolvido nessa relação chega a ser risível suas lamentações, pensando nas condições de trabalho gerais da classe trabalhadora brasileira, me desculpe.<br />
Sobre a militância também, ou alguém vai negar que as condições materiais de trabalho de um professor ou bolsista estão acima da média dos trabalhadores? No mínimo na média. Se é assim, não há nenhum impedimento pra eles militarem, pelo contrário, há um privilégio, se não exercem também não é culpa do &#8220;sistema&#8221; e sim de sua preguiça e academicismo.<br />
Sobre o Lattes, de fato o produtivismo é problemático mas os senhores e senhoras não acham que os financiadores das bolsas precisam ter algum critério que garanta que o tema estudado seja difundido? Garantir a publicação de artigos e a participação em eventos não é algo bom nessa linha de raciocínio? Afinal a tese mesmo ninguém vai ler.<br />
Esse ponto me pareceu ausente do texto, que é muito mais um desabafo de um estudante estressado antes da banca do que uma reflexão política profunda. Senti falta da discussão de como esse conhecimento está ou deveria estar sendo compartilhado com a sociedade que o financia &#8211; infelizmente o autor está mais preocupado com outras questões, que não digo que não são importantes, mas talvez o sejam só ou muito mais pra ele mesmo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-300920</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2015 22:53:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o texto mostra muito bem algumas das questões que afligem a cabeça de quem estuda sobre a luta de classes, as tensões entre estudar e fazer, entre conhecer e interferir. 
Serve de algo estudar e fazer teoria?

No outro canto do ringue, um retorno à questão Boitempo vs Mães de Maio. Afinal, se fosse uma corrente do PT chamando para um evento/palestra, teriam sequer 25% do público? O canto das sereias acadêmicas faz muita gente consumir politização descafeinada, bem ao gosto do petismo haddadista. Gente que morre de vontade de consumir politização sem participar de atividade política nenhuma. Creio que isso faz parte do caldo cultural antipartidário de certos setores autonomistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>o texto mostra muito bem algumas das questões que afligem a cabeça de quem estuda sobre a luta de classes, as tensões entre estudar e fazer, entre conhecer e interferir.<br />
Serve de algo estudar e fazer teoria?</p>
<p>No outro canto do ringue, um retorno à questão Boitempo vs Mães de Maio. Afinal, se fosse uma corrente do PT chamando para um evento/palestra, teriam sequer 25% do público? O canto das sereias acadêmicas faz muita gente consumir politização descafeinada, bem ao gosto do petismo haddadista. Gente que morre de vontade de consumir politização sem participar de atividade política nenhuma. Creio que isso faz parte do caldo cultural antipartidário de certos setores autonomistas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106111/#comment-300878</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2015 13:58:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Parabéns pelo texto honesto e lúcido. Infelizmente, a maior parte dos pós-graduandos incorporam os jogos acadêmicos; desse modo, ficam sempre prontos, como sublinha Bourdieu, a colocar &quot;seus próprios jogos e suas próprias disputas fora do jogo&quot;.  Mas entendo que o Lattes é apenas um desdobramento, na versão neoliberal, de uma instituição que faz do conhecimento um instrumento de reprodução do sistema social . A cultura acadêmica como um todo é perversa e mistifica o conhecimento, o que se observa, por exemplo,  no jogo patológico de vaidades,  na postura deslumbrada e/ou intimidada frente a autoridades acadêmicas de prestígio, na cobiça aos grandes nomes, na forma pesada e arrogante de se lidar com o conhecimento, mesmo que este se  revele cada vez mais medíocre nessa instituição. O saber na universidade não diz respeito à emancipação, apresenta-se principalmente como adestramento e mistificação, favorecendo formas tão sutis quanto insidiosas de dominação e manipulação do outro. No entanto, parece que se torna mais visível, em espaços críticos, que  as universidades modernas assemelham-se, de certa forma, às igrejas da Idade Média.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns pelo texto honesto e lúcido. Infelizmente, a maior parte dos pós-graduandos incorporam os jogos acadêmicos; desse modo, ficam sempre prontos, como sublinha Bourdieu, a colocar &#8220;seus próprios jogos e suas próprias disputas fora do jogo&#8221;.  Mas entendo que o Lattes é apenas um desdobramento, na versão neoliberal, de uma instituição que faz do conhecimento um instrumento de reprodução do sistema social . A cultura acadêmica como um todo é perversa e mistifica o conhecimento, o que se observa, por exemplo,  no jogo patológico de vaidades,  na postura deslumbrada e/ou intimidada frente a autoridades acadêmicas de prestígio, na cobiça aos grandes nomes, na forma pesada e arrogante de se lidar com o conhecimento, mesmo que este se  revele cada vez mais medíocre nessa instituição. O saber na universidade não diz respeito à emancipação, apresenta-se principalmente como adestramento e mistificação, favorecendo formas tão sutis quanto insidiosas de dominação e manipulação do outro. No entanto, parece que se torna mais visível, em espaços críticos, que  as universidades modernas assemelham-se, de certa forma, às igrejas da Idade Média.</p>
]]></content:encoded>
		
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