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	Comentários sobre: Goiânia: lições do triunfo da revolta popular na GO-070	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leo		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2015 22:43:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Me pergunto se esse tipo de revolta, relatado pelo artigo, não é uma espécie de continuação ou de consequência das revoltas do transporte (ou daquelas que tem como alvo o transporte) que acontecem há décadas e que foram especialmente fortes na última década. E se, nesse sentido, não são a extensão de algo que já explicitou sérios limites.
Explico:
Pelo que afirma o artigo, a reorganização das linhas parece ser, em Goiânia, assim como em outras cidades, uma forma de assimilação econômica da luta contra o aumento: compensa-se o prejuízo de um período sem aumento com uma racionalização dos trajetos que os torna economicamente mais eficientes. Conversando com o Lúcio, certa vez, levantamos a hipótese de que, com a reorganização, os usuários poderiam estar pagando em tempo de espera aquilo que não pagaram na tarifa. (E ainda há o ganho político, em termos de controle da circulação na cidade, de uma racionalização dos fluxos como esta).
Se for assim, a luta contra a reorganização ainda é, de alguma forma, a luta contra um aumento de tarifa, com a desvantagem da dificuldade de unificação das lutas fragmentadas pela cidade entorno desta ou daquela linha (muitas vezes fragmentadas também no tempo, nos casos em que a reorganização é implementada lenta e gradualmente). A questão que se coloca para mim, então, tem muito a ver com o trecho que considero mais interessante da carta de saída do Legume, publicada por aqui um tempo atrás: será que ao ir atrás de lutas contra os cortes de linhas ou por melhorias locais no transporte nas periferias não acabamos fugindo das novas contradições, do novo patamar colocado para a luta a partir de junho de 2013?
Alguns camaradas tem falado em uma “mudança de patamar da luta de classes” depois de junho de 2013. Nesse sentido, dizer que a experiência que deu origem ao MPL chegou ao fim pode ser dizer que ela tinha um papel importante na luta de classes em diversas cidades, levou a uma explosão decisiva e vem perdendo força - outros movimentos, outras lutas podem ter ultrapassado essa luta e se tornado mais importantes, mais potentes para o avanço da luta dos trabalhadores, que agora lida com novas contradições.
Se houve uma mudança como essa, ela me parece ser uma mudança de qualidade e não apenas de quantidade ou de intensidade: transformações na forma e no conteúdo das lutas dos trabalhadores.
Não me parece haver uma diferença qualitativa relevante em revoltas como a descrita pelo artigo. Protestos “violentos” por transporte público (ou, ainda, que tem os ônibus como alvo da revolta) sempre aconteceram: podemos olhar tanto para casos mais antigos quanto para protestos da última década, como aqueles que paravam aqui em SP a Estrada da M&#039;Boi MIrim por melhorias no transporte em 2011 (nos quais &quot;os usuários sabiam o que estavam fazendo, sabiam o que queriam&quot; e se aproveitaram mais de uma vez do momento de superlotação para paralisar a via com pneus).

Contudo, pode haver uma diferença quantitativa: protestos como esses podem ter aumentado depois de junho. Encontrei números de SP e do Brasil que comprovam um aumento do número de ônibus quebrados e incendiados em 2013 e 2014 em relação aos anos anteriores (valeria a pena comparar os níveis atuais com os dados de décadas atrás, em proporção à frota total de cada ano).
Enfim, se essas revoltas e lutas na periferia mostram uma mudança de patamar da luta, é apenas num aumento de quantidade ou intensidade, e não numa mudança substancial de forma, muito menos de conteúdo. Elas me parecem muito mais o contrário: explosões ainda em busca de forma e conteúdo apropriados, ou melhor, que ainda não constituiu para si mesma sua forma e seu conteúdo.
Apostar em uma construção a partir dessas revoltas me parece ora flertar mais uma vez com a tática da “revolta popular” (&quot;as revoltas populares permitem que os usuários estendam sua porção de poder nesse equilíbrio para outros limites&quot; e etc.); ora flertar com um trabalho de base típico dos movimentos de periferia da década de 80 quando se tenta criticar a primeira via, como no texto que escrevi com o Caio.
E ambos já esbarraram nos seus limites. Junho explicitou muitos deles no primeiro caso; no segundo caso, serpa que é possível colocar em prática um elemento da constelação que foi dar não só no Programa Democrático Popular, mas nas ONGs e Associações de Bairro que povoam as periferias, sem colocar todo o conjunto em movimento? Isso seria bater mais uma vez nas teclas de um movimento social de base por reformas (uma reforma do transporte? Ou esta já é a própria Tarifa Zero?) , de um lado, e de uma política “onguizada”, de gestão dos conflitos sociais, por outro.
Mais do que ultrapassar uma tática, uma forma de luta, será que ultrapassar as revoltas contra o aumento não é ultrapassar também todo o conteúdo inseparável dessa forma de luta (a tarifa zero, os cortes de linhas, a luta DO transporte)? Ou, em outras palavras, será que a luta do transporte tem algum potencial relevante de mobilização e acirramento das contradições para além das revoltas contra o aumento (e todas as coisas menores ao redor delas)? E que potencial é esse? Uma potência de novas revoltas? Uma potência organizativa?
As lutas que tem ganhado mais força desde de junho, ao que me parece, estão longe das revoltas do transporte: boa parte delas, me parece, se organiza ao redor de conteúdos identitários, tanto na periferia (sobretudo ao redor da cultura) quanto na esquerda organizada. Se tem uma mudança de patamar acho que ela passa por aí, e precisamos compreender melhor esse fenômeno para entender o novo patamar da luta de classes em que estamos (pode – e me parece – ser um patamar mais conservador).

Aí a diferença quantitativa de pequenas revoltas violentas talvez possa nos ajudar: tanto ela quanto os movimentos identitários apontam para o fim da mediação das lutas pelas instituições tradições e para uma política como guerra, polarizada, seja entre brancos e negros, playboys e manos da quebrada, homens e mulheres. Uma política de inimigos, forças oponentes, e aliados (mas não companheiros e, muito menos, camaradas).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me pergunto se esse tipo de revolta, relatado pelo artigo, não é uma espécie de continuação ou de consequência das revoltas do transporte (ou daquelas que tem como alvo o transporte) que acontecem há décadas e que foram especialmente fortes na última década. E se, nesse sentido, não são a extensão de algo que já explicitou sérios limites.<br />
Explico:<br />
Pelo que afirma o artigo, a reorganização das linhas parece ser, em Goiânia, assim como em outras cidades, uma forma de assimilação econômica da luta contra o aumento: compensa-se o prejuízo de um período sem aumento com uma racionalização dos trajetos que os torna economicamente mais eficientes. Conversando com o Lúcio, certa vez, levantamos a hipótese de que, com a reorganização, os usuários poderiam estar pagando em tempo de espera aquilo que não pagaram na tarifa. (E ainda há o ganho político, em termos de controle da circulação na cidade, de uma racionalização dos fluxos como esta).<br />
Se for assim, a luta contra a reorganização ainda é, de alguma forma, a luta contra um aumento de tarifa, com a desvantagem da dificuldade de unificação das lutas fragmentadas pela cidade entorno desta ou daquela linha (muitas vezes fragmentadas também no tempo, nos casos em que a reorganização é implementada lenta e gradualmente). A questão que se coloca para mim, então, tem muito a ver com o trecho que considero mais interessante da carta de saída do Legume, publicada por aqui um tempo atrás: será que ao ir atrás de lutas contra os cortes de linhas ou por melhorias locais no transporte nas periferias não acabamos fugindo das novas contradições, do novo patamar colocado para a luta a partir de junho de 2013?<br />
Alguns camaradas tem falado em uma “mudança de patamar da luta de classes” depois de junho de 2013. Nesse sentido, dizer que a experiência que deu origem ao MPL chegou ao fim pode ser dizer que ela tinha um papel importante na luta de classes em diversas cidades, levou a uma explosão decisiva e vem perdendo força &#8211; outros movimentos, outras lutas podem ter ultrapassado essa luta e se tornado mais importantes, mais potentes para o avanço da luta dos trabalhadores, que agora lida com novas contradições.<br />
Se houve uma mudança como essa, ela me parece ser uma mudança de qualidade e não apenas de quantidade ou de intensidade: transformações na forma e no conteúdo das lutas dos trabalhadores.<br />
Não me parece haver uma diferença qualitativa relevante em revoltas como a descrita pelo artigo. Protestos “violentos” por transporte público (ou, ainda, que tem os ônibus como alvo da revolta) sempre aconteceram: podemos olhar tanto para casos mais antigos quanto para protestos da última década, como aqueles que paravam aqui em SP a Estrada da M&#8217;Boi MIrim por melhorias no transporte em 2011 (nos quais &#8220;os usuários sabiam o que estavam fazendo, sabiam o que queriam&#8221; e se aproveitaram mais de uma vez do momento de superlotação para paralisar a via com pneus).</p>
<p>Contudo, pode haver uma diferença quantitativa: protestos como esses podem ter aumentado depois de junho. Encontrei números de SP e do Brasil que comprovam um aumento do número de ônibus quebrados e incendiados em 2013 e 2014 em relação aos anos anteriores (valeria a pena comparar os níveis atuais com os dados de décadas atrás, em proporção à frota total de cada ano).<br />
Enfim, se essas revoltas e lutas na periferia mostram uma mudança de patamar da luta, é apenas num aumento de quantidade ou intensidade, e não numa mudança substancial de forma, muito menos de conteúdo. Elas me parecem muito mais o contrário: explosões ainda em busca de forma e conteúdo apropriados, ou melhor, que ainda não constituiu para si mesma sua forma e seu conteúdo.<br />
Apostar em uma construção a partir dessas revoltas me parece ora flertar mais uma vez com a tática da “revolta popular” (&#8220;as revoltas populares permitem que os usuários estendam sua porção de poder nesse equilíbrio para outros limites&#8221; e etc.); ora flertar com um trabalho de base típico dos movimentos de periferia da década de 80 quando se tenta criticar a primeira via, como no texto que escrevi com o Caio.<br />
E ambos já esbarraram nos seus limites. Junho explicitou muitos deles no primeiro caso; no segundo caso, serpa que é possível colocar em prática um elemento da constelação que foi dar não só no Programa Democrático Popular, mas nas ONGs e Associações de Bairro que povoam as periferias, sem colocar todo o conjunto em movimento? Isso seria bater mais uma vez nas teclas de um movimento social de base por reformas (uma reforma do transporte? Ou esta já é a própria Tarifa Zero?) , de um lado, e de uma política “onguizada”, de gestão dos conflitos sociais, por outro.<br />
Mais do que ultrapassar uma tática, uma forma de luta, será que ultrapassar as revoltas contra o aumento não é ultrapassar também todo o conteúdo inseparável dessa forma de luta (a tarifa zero, os cortes de linhas, a luta DO transporte)? Ou, em outras palavras, será que a luta do transporte tem algum potencial relevante de mobilização e acirramento das contradições para além das revoltas contra o aumento (e todas as coisas menores ao redor delas)? E que potencial é esse? Uma potência de novas revoltas? Uma potência organizativa?<br />
As lutas que tem ganhado mais força desde de junho, ao que me parece, estão longe das revoltas do transporte: boa parte delas, me parece, se organiza ao redor de conteúdos identitários, tanto na periferia (sobretudo ao redor da cultura) quanto na esquerda organizada. Se tem uma mudança de patamar acho que ela passa por aí, e precisamos compreender melhor esse fenômeno para entender o novo patamar da luta de classes em que estamos (pode – e me parece – ser um patamar mais conservador).</p>
<p>Aí a diferença quantitativa de pequenas revoltas violentas talvez possa nos ajudar: tanto ela quanto os movimentos identitários apontam para o fim da mediação das lutas pelas instituições tradições e para uma política como guerra, polarizada, seja entre brancos e negros, playboys e manos da quebrada, homens e mulheres. Uma política de inimigos, forças oponentes, e aliados (mas não companheiros e, muito menos, camaradas).</p>
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		Por: Lúcio Gregori		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/09/106201/#comment-301613</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lúcio Gregori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2015 15:26:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um entendimento profundo e articulado sobre o significado e potencialidades das lutas e participação popular na definição, projetamento, operação e (des)tarifação dos transportes coletivos urbanos.]]></description>
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