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	Comentários sobre: Reorganizar para gerir: o ensino público como indústria	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Marcos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-308516</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2016 02:57:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sim, a função da escola é preparar alunos (futuros empregados) para o mercado de trabalho, mas a questão de economizar nessa área é futil para o governo. Escolas com professores de baixa qualidade (ou nos piores casos sem) &quot;desprepara&quot; estudantes para o mercado de trabalho, aumento o índice de vandalismo, desemprego e outros, tendo que investir em outras áreas para suprir os danos causados. Algo que deveria ter mais atenção são as faculdades que, tendo bom investimento, geram bons educadores. Como a inflação gerada pela corrupção é grande, devemos investir nas escolas e faculdades que geram mais empregos, rentabilidade e diminui índices de desemprego, anafalbetismo e consequentemente diminui gastos em outras áreas sem precisar tirar de um para colocar em outro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, a função da escola é preparar alunos (futuros empregados) para o mercado de trabalho, mas a questão de economizar nessa área é futil para o governo. Escolas com professores de baixa qualidade (ou nos piores casos sem) &#8220;desprepara&#8221; estudantes para o mercado de trabalho, aumento o índice de vandalismo, desemprego e outros, tendo que investir em outras áreas para suprir os danos causados. Algo que deveria ter mais atenção são as faculdades que, tendo bom investimento, geram bons educadores. Como a inflação gerada pela corrupção é grande, devemos investir nas escolas e faculdades que geram mais empregos, rentabilidade e diminui índices de desemprego, anafalbetismo e consequentemente diminui gastos em outras áreas sem precisar tirar de um para colocar em outro.</p>
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		<title>
		Por: Victor		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-308257</link>

		<dc:creator><![CDATA[Victor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Dec 2015 21:12:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os instrumentos da Secretaria de Educação de São Paulo

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e o governador Geraldo Alckmin anunciaram o  adiamento da reorganização escolar do Estado. O argumento para manter a proposta é simples: 1) o IDEB avalia a qualidade das escolas; 2) as melhores escolas no IDEB são as escolas de ciclo único; portanto, 3) escolas de ciclo único são melhores.

Parece uma lógica perfeita e incontestável e que se tal mudança acontecer ajudará na educação. Como todo silogismo, primeiro vem a proposição: 
“Os homens são mortais”.

Depois, utilizando as regras corretas, vamos para: 
“Sócrates é homem”.

E então, como aparentemente não podia deixar de ser:
“Sócrates é mortal”.

A SEE utiliza-se de um modo de pensar dado por Aristóteles antes de Cristo. Convenhamos que é uma maneira de pensar. Mas não é a única e nem a melhor. Não conhecemos nada novo com o silogismo; só revelamos um conhecimento já elaborado. Nenhum conteúdo novo aparece no pensamento e, portanto, não nos tornamos capazes de compreender alguma coisa nova.

Por exemplo: o Órgão público reconhece a necessidade de elevar a qualidade das coisas e coloca como exigência para si a melhoria da educação do seu Estado; ele se coloca, portanto, um trabalho digno e enorme. Mas, durante o trabalho, a realidade se revelou diferente daquela que imaginamos. Apesar das observações, identificações, análises, classificações, as coisas não saíram como o planejado. Obviamente que ninguém pode responsabilizar a realidade por isso. A realidade não está errada. Então, deve ter havido algum erro na lógica. Mas nada se encontra: IDEB avalia; escolas de ciclo único vão bem; portanto, escolas de ciclo único são melhores. Onde está a falha?

A falha está em não enxergar a realidade, mas lidar com conceitos rígidos como se fossem a própria realidade. Enquanto considerarmos a “Escola&quot; como um prédio, a “Avaliação&quot; como indicadores de qualidade de sistemas e instituições escolares e os &quot;Ciclos de aprendizagem&quot; como referência para afastar as crianças e os jovens, a realidade continuará a nos surpreender. Porque “escola”, “avaliação” ou “ciclos de aprendizagem” não são coisas isoladas e independentes que podemos dispor conforme a nossa vontade. Não são peças de Lego. Nós só conseguiremos agir sobre a comunidade escolar, as avaliações e os ciclos de aprendizagem quando considerarmos as relações que os compõe e apresentarmos perspectivas mais favoráveis e convenientes aos sujeitos desta comunidade.

O modelo escolar não é o único modelo de educação e a educação deverá ser pensada mais a partir das comunidades que serve, do que a partir da instituição, de modo a que os processos de aprendizagem tenham um papel transformador nas sociedades.

Para uma avaliação fundamentada na aprendizagem e que contribua para a melhoria da qualidade da educação, cada criança deve ser considerada um indivíduo único e deve ser tratado como tal, não interessando as padronizações convencionais, idade, séries, gênero. O que importa são seus interesses, suas necessidades. Descobrir e encorajar suas aptidões e potencialidades, respeitando sempre sua história e sua cultura.

Por isso, não basta adiar a reorganização escolar da rede estadual. Já é tempo de repensarmos os nossos instrumentos de conhecimento da realidade. Porque a realidade nunca está errada. Mais cedo ou mais tarde ela é vislumbrada, torna-se explícita, e acaba ocupando nossas ruas, nossa mesa de trabalho, nossas escolas. Se nos surpreendemos com ela é porque estamos utilizando um pensamento ossificado e rígido. 

Apoio uma reorganização escolar profunda:
 - Uma reorganização escolar que dê conta dos problemas reais da nossa sociedade;
 - Uma reorganização escolar que respeite as crianças e todas as diferentes formas de aprendizagem;
 - Uma reorganização escolar que não se satisfaça ou se oriente com notas medianas;
 - Uma reorganização escolar que esteja de acordo com o artigo 23º da LDB que afirma que a organização escolar deve se originar do interesse do processo de aprendizagem;
 - Uma reorganização escolar que assegure os direitos estabelecidos pelos artigos 12º e 15º da LDB e a meta 19 do PNE sobre a autonomia escolar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os instrumentos da Secretaria de Educação de São Paulo</p>
<p>A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e o governador Geraldo Alckmin anunciaram o  adiamento da reorganização escolar do Estado. O argumento para manter a proposta é simples: 1) o IDEB avalia a qualidade das escolas; 2) as melhores escolas no IDEB são as escolas de ciclo único; portanto, 3) escolas de ciclo único são melhores.</p>
<p>Parece uma lógica perfeita e incontestável e que se tal mudança acontecer ajudará na educação. Como todo silogismo, primeiro vem a proposição:<br />
“Os homens são mortais”.</p>
<p>Depois, utilizando as regras corretas, vamos para:<br />
“Sócrates é homem”.</p>
<p>E então, como aparentemente não podia deixar de ser:<br />
“Sócrates é mortal”.</p>
<p>A SEE utiliza-se de um modo de pensar dado por Aristóteles antes de Cristo. Convenhamos que é uma maneira de pensar. Mas não é a única e nem a melhor. Não conhecemos nada novo com o silogismo; só revelamos um conhecimento já elaborado. Nenhum conteúdo novo aparece no pensamento e, portanto, não nos tornamos capazes de compreender alguma coisa nova.</p>
<p>Por exemplo: o Órgão público reconhece a necessidade de elevar a qualidade das coisas e coloca como exigência para si a melhoria da educação do seu Estado; ele se coloca, portanto, um trabalho digno e enorme. Mas, durante o trabalho, a realidade se revelou diferente daquela que imaginamos. Apesar das observações, identificações, análises, classificações, as coisas não saíram como o planejado. Obviamente que ninguém pode responsabilizar a realidade por isso. A realidade não está errada. Então, deve ter havido algum erro na lógica. Mas nada se encontra: IDEB avalia; escolas de ciclo único vão bem; portanto, escolas de ciclo único são melhores. Onde está a falha?</p>
<p>A falha está em não enxergar a realidade, mas lidar com conceitos rígidos como se fossem a própria realidade. Enquanto considerarmos a “Escola&#8221; como um prédio, a “Avaliação&#8221; como indicadores de qualidade de sistemas e instituições escolares e os &#8220;Ciclos de aprendizagem&#8221; como referência para afastar as crianças e os jovens, a realidade continuará a nos surpreender. Porque “escola”, “avaliação” ou “ciclos de aprendizagem” não são coisas isoladas e independentes que podemos dispor conforme a nossa vontade. Não são peças de Lego. Nós só conseguiremos agir sobre a comunidade escolar, as avaliações e os ciclos de aprendizagem quando considerarmos as relações que os compõe e apresentarmos perspectivas mais favoráveis e convenientes aos sujeitos desta comunidade.</p>
<p>O modelo escolar não é o único modelo de educação e a educação deverá ser pensada mais a partir das comunidades que serve, do que a partir da instituição, de modo a que os processos de aprendizagem tenham um papel transformador nas sociedades.</p>
<p>Para uma avaliação fundamentada na aprendizagem e que contribua para a melhoria da qualidade da educação, cada criança deve ser considerada um indivíduo único e deve ser tratado como tal, não interessando as padronizações convencionais, idade, séries, gênero. O que importa são seus interesses, suas necessidades. Descobrir e encorajar suas aptidões e potencialidades, respeitando sempre sua história e sua cultura.</p>
<p>Por isso, não basta adiar a reorganização escolar da rede estadual. Já é tempo de repensarmos os nossos instrumentos de conhecimento da realidade. Porque a realidade nunca está errada. Mais cedo ou mais tarde ela é vislumbrada, torna-se explícita, e acaba ocupando nossas ruas, nossa mesa de trabalho, nossas escolas. Se nos surpreendemos com ela é porque estamos utilizando um pensamento ossificado e rígido. </p>
<p>Apoio uma reorganização escolar profunda:<br />
 &#8211; Uma reorganização escolar que dê conta dos problemas reais da nossa sociedade;<br />
 &#8211; Uma reorganização escolar que respeite as crianças e todas as diferentes formas de aprendizagem;<br />
 &#8211; Uma reorganização escolar que não se satisfaça ou se oriente com notas medianas;<br />
 &#8211; Uma reorganização escolar que esteja de acordo com o artigo 23º da LDB que afirma que a organização escolar deve se originar do interesse do processo de aprendizagem;<br />
 &#8211; Uma reorganização escolar que assegure os direitos estabelecidos pelos artigos 12º e 15º da LDB e a meta 19 do PNE sobre a autonomia escolar.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-307922</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Dec 2015 06:36:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A classe trabalhadora tem uma história universal que é o movimento dos diversos particulares. 
Os estudantes de SP e agora os de outros estados estão dando um enorme passo na criação de uma nova tradição de lutas no Brasil, levando o radicalismo difuso de 2013 para dentro dos espaços de produção e reprodução econômica. Esse tremendo avanço, de peito aberto num contexto cinzento, como todo avanço, tende a ser seguido de um período de refluxo -- a grande questão é se essa novidade, toda essa experiência de massas, conseguirá ser transmitida como acúmulo de forças da classe, ou se será dispersa como apenas um instrumento reivindicativo. 
Essa questão da transmissão das experiências, ou seja, da irresolvível equação entre saber e política, é de grande importância nesse momento atual da história das lutas da classe trabalhadora, quando a forma-partido vai morrendo aos poucos. Como fazer com que as novas experiências ganhem corpo e substância e tenham efetividade e durabilidade, ao invés de esfumar-se num eterno retorno do zero, da classe desmobilizada e passiva, do eterno andar no passo do mais lento? A ideia não seria conseguir que o mais lento se torne um pouco mais veloz que ontem?

Agora, quanto ao contágio das ocupações em direção às empresas. Até hoje tenho notícias de ocupações espontâneas dos meios de produção pelos trabalhadores apenas em casos bem extremos onde as situações nacionais estavam em plena crise, especialmente envolvendo a insurgência armada, como no Chile de Allende, na Argelia recém liberada, na Russia de outubro. Seria interessante que outros leitores mencionem outros casos que eu desconheço, mas até onde posso ver, não creio que possamos esperar um tal passo titânico da classe trabalhadora no Brasil sem antes acumularmos muitas outras lutas como a dos estudantes secundaristas.

Se os trabalhadores brasileiros hoje em tão pouca medida se identificam como classe, se organizam como classe, serão uma ínfima minoria os que teriam a convicção de tomar o controle de suas empresas, e menos ainda seriam os que teriam a convicção (e os meios) de defender-se contra a reação.
Os estudantes persistirão sentados, se é isso que os motive.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A classe trabalhadora tem uma história universal que é o movimento dos diversos particulares.<br />
Os estudantes de SP e agora os de outros estados estão dando um enorme passo na criação de uma nova tradição de lutas no Brasil, levando o radicalismo difuso de 2013 para dentro dos espaços de produção e reprodução econômica. Esse tremendo avanço, de peito aberto num contexto cinzento, como todo avanço, tende a ser seguido de um período de refluxo &#8212; a grande questão é se essa novidade, toda essa experiência de massas, conseguirá ser transmitida como acúmulo de forças da classe, ou se será dispersa como apenas um instrumento reivindicativo.<br />
Essa questão da transmissão das experiências, ou seja, da irresolvível equação entre saber e política, é de grande importância nesse momento atual da história das lutas da classe trabalhadora, quando a forma-partido vai morrendo aos poucos. Como fazer com que as novas experiências ganhem corpo e substância e tenham efetividade e durabilidade, ao invés de esfumar-se num eterno retorno do zero, da classe desmobilizada e passiva, do eterno andar no passo do mais lento? A ideia não seria conseguir que o mais lento se torne um pouco mais veloz que ontem?</p>
<p>Agora, quanto ao contágio das ocupações em direção às empresas. Até hoje tenho notícias de ocupações espontâneas dos meios de produção pelos trabalhadores apenas em casos bem extremos onde as situações nacionais estavam em plena crise, especialmente envolvendo a insurgência armada, como no Chile de Allende, na Argelia recém liberada, na Russia de outubro. Seria interessante que outros leitores mencionem outros casos que eu desconheço, mas até onde posso ver, não creio que possamos esperar um tal passo titânico da classe trabalhadora no Brasil sem antes acumularmos muitas outras lutas como a dos estudantes secundaristas.</p>
<p>Se os trabalhadores brasileiros hoje em tão pouca medida se identificam como classe, se organizam como classe, serão uma ínfima minoria os que teriam a convicção de tomar o controle de suas empresas, e menos ainda seriam os que teriam a convicção (e os meios) de defender-se contra a reação.<br />
Os estudantes persistirão sentados, se é isso que os motive.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-307838</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Dec 2015 03:38:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107076#comment-307838</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-307790&quot;&gt;duvidoso&lt;/a&gt;.

Duvidoso,

A função da escola é sim educar para o mercado de trabalho: produzir força de trabalho especializada. Na verdade, a longo prazo, contestar uma educação voltada para o mercado de trabalho sem contestar o capitalismo na sua totalidade, lutar contra a lógica empresarial na educação sem lutar contra a lógica empresarial nos demais setores da economia, seria o mesmo que fazer uma apologia do desemprego. Enquanto o capitalismo existir, a educação seguirá uma lógica empresarial: as empresas precisarão de mão de obra especializada e parte dessa especialização é adquirida necessariamente na escola. E realmente, o Estado não vai financiar uma educação contra o capital, mesmo porque Estado e capital são palavras diferentes para lados diferentes de uma mesma moeda. Mas por outro lado, uma educação contra o capital é justamente o que temos visto nessas ocupações: a certa altura, os estudantes definiram o que queriam aprender e quando, o que vai totalmente na contramão da lógica empresarial. O problema é que, ao movimento de contestação da lógica empresarial nas escolas, não se seguiu um movimento de contestação da lógica empresarial nas empresas em geral, empresas que continuarão a demandar a mão de obra especializada que deverá ser fornecida pelas escolas. E essa não generalização da contestação anticapitalista, que se expressa por meio daquele discurso que saúda os estudantes como o futuro e o orgulho da nação e que exime os trabalhadores (a força de trabalho já especializada) de fazerem o mesmo, constitui justamente a limitação mais grave do movimento. E o pior é que, com o anúncio da suspensão da reorganização, parte das escolas foram desocupadas: nesses casos, a ocupação reduziu-se a um mero instrumento reivindicativo, deixando de ser uma modalidade de inauguração de novas relações sociais. Mas realmente não faz sentido conservar as ocupações se a classe trabalhadora não parte para a ocupação e a autogestão das empresas em geral. Se novas relações sociais também estivessem sendo criadas noutros tipos de empresa, essa educação contra o capital que temos testemunhado teria o seu lugar ao sol, mas o problema é que a classe trabalhadora em sua maior parte oscila entre a passividade e a função de massa de manobra da esquerda no poder ou da direita na oposição. O que precisamos no momento é que as ocupações persistam e sejam seguidas de ocupações em todas as empresas. Aliás, essa é a única alternativa à reversão da conquistas dos trabalhadores nos últimos anos mediante a imposição de novos parâmetros de produtividade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-307790">duvidoso</a>.</p>
<p>Duvidoso,</p>
<p>A função da escola é sim educar para o mercado de trabalho: produzir força de trabalho especializada. Na verdade, a longo prazo, contestar uma educação voltada para o mercado de trabalho sem contestar o capitalismo na sua totalidade, lutar contra a lógica empresarial na educação sem lutar contra a lógica empresarial nos demais setores da economia, seria o mesmo que fazer uma apologia do desemprego. Enquanto o capitalismo existir, a educação seguirá uma lógica empresarial: as empresas precisarão de mão de obra especializada e parte dessa especialização é adquirida necessariamente na escola. E realmente, o Estado não vai financiar uma educação contra o capital, mesmo porque Estado e capital são palavras diferentes para lados diferentes de uma mesma moeda. Mas por outro lado, uma educação contra o capital é justamente o que temos visto nessas ocupações: a certa altura, os estudantes definiram o que queriam aprender e quando, o que vai totalmente na contramão da lógica empresarial. O problema é que, ao movimento de contestação da lógica empresarial nas escolas, não se seguiu um movimento de contestação da lógica empresarial nas empresas em geral, empresas que continuarão a demandar a mão de obra especializada que deverá ser fornecida pelas escolas. E essa não generalização da contestação anticapitalista, que se expressa por meio daquele discurso que saúda os estudantes como o futuro e o orgulho da nação e que exime os trabalhadores (a força de trabalho já especializada) de fazerem o mesmo, constitui justamente a limitação mais grave do movimento. E o pior é que, com o anúncio da suspensão da reorganização, parte das escolas foram desocupadas: nesses casos, a ocupação reduziu-se a um mero instrumento reivindicativo, deixando de ser uma modalidade de inauguração de novas relações sociais. Mas realmente não faz sentido conservar as ocupações se a classe trabalhadora não parte para a ocupação e a autogestão das empresas em geral. Se novas relações sociais também estivessem sendo criadas noutros tipos de empresa, essa educação contra o capital que temos testemunhado teria o seu lugar ao sol, mas o problema é que a classe trabalhadora em sua maior parte oscila entre a passividade e a função de massa de manobra da esquerda no poder ou da direita na oposição. O que precisamos no momento é que as ocupações persistam e sejam seguidas de ocupações em todas as empresas. Aliás, essa é a única alternativa à reversão da conquistas dos trabalhadores nos últimos anos mediante a imposição de novos parâmetros de produtividade.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Tomé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-307821</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tomé]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Dec 2015 13:59:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107076#comment-307821</guid>

					<description><![CDATA[Gostei bastante do artigo e pretendo em produzir um diálogo mais aprofundado com ele. Agora apenas indico esse artigo que acho que pode subsidiar melhor a análise.
http://educacao.estadao.com.br/blogs/paulo-saldana/analise-reorganizando-a-reorganizacao-de-escolas/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei bastante do artigo e pretendo em produzir um diálogo mais aprofundado com ele. Agora apenas indico esse artigo que acho que pode subsidiar melhor a análise.<br />
<a href="http://educacao.estadao.com.br/blogs/paulo-saldana/analise-reorganizando-a-reorganizacao-de-escolas/" rel="nofollow ugc">http://educacao.estadao.com.br/blogs/paulo-saldana/analise-reorganizando-a-reorganizacao-de-escolas/</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: duvidoso		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/12/107076/#comment-307790</link>

		<dc:creator><![CDATA[duvidoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Dec 2015 02:15:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107076#comment-307790</guid>

					<description><![CDATA[1 - Se a função da escola é essa, por que defendê-la?
2 - Por que raios o Estado iria financiar e organizar uma &quot;educação contra o Capital&quot;? 
3 - O texto lista as funções ensinadas pela escola, e aponta que a escola pública serve para desviar os alunos do ensino superior. Mas o ensino superior também não se encaixa na descrição feita? 
4 - Qual a proposta do texto para além do slogan de &quot;educação contra o capital&quot;?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1 &#8211; Se a função da escola é essa, por que defendê-la?<br />
2 &#8211; Por que raios o Estado iria financiar e organizar uma &#8220;educação contra o Capital&#8221;?<br />
3 &#8211; O texto lista as funções ensinadas pela escola, e aponta que a escola pública serve para desviar os alunos do ensino superior. Mas o ensino superior também não se encaixa na descrição feita?<br />
4 &#8211; Qual a proposta do texto para além do slogan de &#8220;educação contra o capital&#8221;?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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