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	Comentários sobre: Ocupações de escolas (I): a privatização fatiada da Educação e a formação de uma nova geração de lutadores	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Jan 2016 16:17:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Silvia,

Sobre autogestão social e cadeia produtiva.

Meu ponto na verdade é o seguinte: numa hipotética sociedade de economia mundial-industrial socializada, a Educação deverá desempenhar a função de produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e de promoção do conhecimento científico (do conhecimento científico depende o desenvolvimento tecnológico, do que depende um melhor aproveitamento das matérias-primas e uma progressiva redução das jornadas de trabalho, do que depende uma abundância material cada vez maior e mais tempo livre para o trabalhador, do que depende a participação ativa do trabalhador na autogestão social ― caso contrário não pode haver autogestão social). Trata-se da mesma função desempenhada pela Educação no capitalismo, mas com a diferença de que a força de trabalho tecnicamente qualificada no comunismo deverá ser composta de cidadãos aptos a produzir riqueza na ― e a gerir a ― economia mundial-industrial socializada, ao passo que no capitalismo a força de trabalho tecnicamente qualificada é composta de proletários aptos a produzir submetendo-se à gestão de outrem na economia mundial-industrial privatizada (incluindo aí tanto a parcela da produção social apropriada pelo capitalismo privado quanto aquela parcela apropriada pelo capitalismo de Estado). Sendo assim, a potencialidade de autogestão ― muito importante, repito ― presente nas ocupações é a de autogestão da luta, mas a autogestão da luta é insuficiente se não se desdobra em autogestão da economia (fora das relações de trabalho e restrita à organização da luta, a autogestão acaba se reduzindo a uma espécie de ritual). Para isso seria necessário não apenas que os trabalhadores dos estabelecimentos escolares participassem em peso das ocupações mas que os trabalhadores de todos os ― ou da maior parte dos ― demais setores da economia (que é mundial, ou seja, estamos falando também do internacionalismo proletário) também ocupassem e autogerissem seus locais de trabalho. E mais: seria necessário que os trabalhadores dos estabelecimentos escolares participassem das ocupações autogerindo o seu trabalho, que é o de produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e de promoção do conhecimento científico. Se a função da escola numa economia industrial (socializada ou não) está sendo deixada de lado, então nos deparamos não com uma potencialidade de promoção da autogestão da civilização urbano-industrial mas com uma potencialidade de promoção da autogestão da miséria, com uma potencialidade de promoção do socialismo da miséria, aliás compatível com uma pedagogia fundada na &quot;punk-incultura&quot; (conferir aqui: http://www.passapalavra.info/2014/05/93844).

Sobre a Educação pública ser realmente pública ou não.

Concordamos com o fato de que a Educação pública presta um serviço ao capital. Mas se você ler com atenção o final do meu último comentário, de certa forma podemos concluir que essa Educação também presta um serviço aos trabalhadores. É certo que muitas vezes presta um serviço de má qualidade, mas com grande esforço ― um esforço muito maior que o dos estudantes egressos das escolas particulares, é preciso reconhecer ― parte dos estudantes egressos da Educação pública consegue uma inserção relativamente favorável no mercado de trabalho. Seja como for, uma parte dos trabalhadores se beneficia em maior ou menor medida da Educação ofertada pelo Estado. No capitalismo, se você não é um capitalista, você precisa estudar para conseguir um bom trabalho. O que o proletariado deve fazer é pressionar para que a Educação ofertada (pelo Estado e pelas empresas privadas) seja cada vez melhor. Mas para isso é preciso reafirmar a escola enquanto local de transmissão ― e até de produção ― de conhecimento técnico e científico, ao invés de afirmar a escola prioritariamente como espaço de sociabilidade. Ora, a falência da Educação no Brasil e no mundo está relacionada com o fato de que os estudantes encaram a escola unicamente como lugar de sociabilidade (como se pode conferir aqui: http://www.passapalavra.info/2011/12/50056). A Educação ofertada pelo Estado é ruim? Muitas vezes sim, mas as pessoas passam mais de dez anos na escola e saem dela muitas vezes com analfabetismo funcional, quando não completamente analfabetas. A única explicação para isso é que os estudantes resistem ― uma resistência impensada e irracional, diga-se de passagem ― ao aprendizado. Grande parte deles não está aproveitando o (pouco) que o Estado oferece e está se interessando unicamente pela dimensão sociabilidade da escola. Você pode ser o melhor professor do mundo: se os seus alunos não querem aprender, não se interessam por aquilo que você está ali para ensinar, se te encaram às vezes como um inimigo ou como um incômodo, como alguém que está ali para disciplinar, para enquadrar, eles não vão aprender. E é interessante como você percebe, trabalhando na Educação de Jovens e Adultos, como a maior parte dos estudantes são muito esforçados (e há menor hostilidade ao professor). Tive experiências interessantes. Certa vez, quando uma escola em que trabalhei entrou em greve, poucos dos meus alunos do Ensino Médio reclamavam. Afinal, poucos iam para a sala de aula realmente para aprender, poucos sentiam uma necessidade de certa forma desesperada de disputar as melhores vagas ofertadas pelo mercado de trabalho. Já os estudantes da Educação de Jovens e Adultos reclamavam e tinham suas razões. Queriam aproveitar ao máximo a Educação ofertada pelo Estado. E se por um lado criticamos a qualidade da Educação ofertada pelo Estado, não podemos esquecer que por outro lado são muitos os professores esforçados e que entregam um bom trabalho, que levam seu trabalho a sério, que fazem de tudo para elaborar as melhores aulas, as melhores atividades, as melhores avaliações. E muitas vezes são professores que trabalham também em escolas particulares. Concluindo: o Estado não oferece uma Educação pública por filantropia. Ele está prestando um serviço ao capitalismo. Mas como os trabalhadores vivem no capitalismo e devem buscar viver melhor no capitalismo do que pior no comunismo, esse serviço prestado ao capitalismo acaba beneficiando também aos trabalhadores.

Mas enfim, vamos aguardar então a parte II.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Silvia,</p>
<p>Sobre autogestão social e cadeia produtiva.</p>
<p>Meu ponto na verdade é o seguinte: numa hipotética sociedade de economia mundial-industrial socializada, a Educação deverá desempenhar a função de produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e de promoção do conhecimento científico (do conhecimento científico depende o desenvolvimento tecnológico, do que depende um melhor aproveitamento das matérias-primas e uma progressiva redução das jornadas de trabalho, do que depende uma abundância material cada vez maior e mais tempo livre para o trabalhador, do que depende a participação ativa do trabalhador na autogestão social ― caso contrário não pode haver autogestão social). Trata-se da mesma função desempenhada pela Educação no capitalismo, mas com a diferença de que a força de trabalho tecnicamente qualificada no comunismo deverá ser composta de cidadãos aptos a produzir riqueza na ― e a gerir a ― economia mundial-industrial socializada, ao passo que no capitalismo a força de trabalho tecnicamente qualificada é composta de proletários aptos a produzir submetendo-se à gestão de outrem na economia mundial-industrial privatizada (incluindo aí tanto a parcela da produção social apropriada pelo capitalismo privado quanto aquela parcela apropriada pelo capitalismo de Estado). Sendo assim, a potencialidade de autogestão ― muito importante, repito ― presente nas ocupações é a de autogestão da luta, mas a autogestão da luta é insuficiente se não se desdobra em autogestão da economia (fora das relações de trabalho e restrita à organização da luta, a autogestão acaba se reduzindo a uma espécie de ritual). Para isso seria necessário não apenas que os trabalhadores dos estabelecimentos escolares participassem em peso das ocupações mas que os trabalhadores de todos os ― ou da maior parte dos ― demais setores da economia (que é mundial, ou seja, estamos falando também do internacionalismo proletário) também ocupassem e autogerissem seus locais de trabalho. E mais: seria necessário que os trabalhadores dos estabelecimentos escolares participassem das ocupações autogerindo o seu trabalho, que é o de produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e de promoção do conhecimento científico. Se a função da escola numa economia industrial (socializada ou não) está sendo deixada de lado, então nos deparamos não com uma potencialidade de promoção da autogestão da civilização urbano-industrial mas com uma potencialidade de promoção da autogestão da miséria, com uma potencialidade de promoção do socialismo da miséria, aliás compatível com uma pedagogia fundada na &#8220;punk-incultura&#8221; (conferir aqui: <a href="http://www.passapalavra.info/2014/05/93844" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2014/05/93844</a>).</p>
<p>Sobre a Educação pública ser realmente pública ou não.</p>
<p>Concordamos com o fato de que a Educação pública presta um serviço ao capital. Mas se você ler com atenção o final do meu último comentário, de certa forma podemos concluir que essa Educação também presta um serviço aos trabalhadores. É certo que muitas vezes presta um serviço de má qualidade, mas com grande esforço ― um esforço muito maior que o dos estudantes egressos das escolas particulares, é preciso reconhecer ― parte dos estudantes egressos da Educação pública consegue uma inserção relativamente favorável no mercado de trabalho. Seja como for, uma parte dos trabalhadores se beneficia em maior ou menor medida da Educação ofertada pelo Estado. No capitalismo, se você não é um capitalista, você precisa estudar para conseguir um bom trabalho. O que o proletariado deve fazer é pressionar para que a Educação ofertada (pelo Estado e pelas empresas privadas) seja cada vez melhor. Mas para isso é preciso reafirmar a escola enquanto local de transmissão ― e até de produção ― de conhecimento técnico e científico, ao invés de afirmar a escola prioritariamente como espaço de sociabilidade. Ora, a falência da Educação no Brasil e no mundo está relacionada com o fato de que os estudantes encaram a escola unicamente como lugar de sociabilidade (como se pode conferir aqui: <a href="http://www.passapalavra.info/2011/12/50056" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2011/12/50056</a>). A Educação ofertada pelo Estado é ruim? Muitas vezes sim, mas as pessoas passam mais de dez anos na escola e saem dela muitas vezes com analfabetismo funcional, quando não completamente analfabetas. A única explicação para isso é que os estudantes resistem ― uma resistência impensada e irracional, diga-se de passagem ― ao aprendizado. Grande parte deles não está aproveitando o (pouco) que o Estado oferece e está se interessando unicamente pela dimensão sociabilidade da escola. Você pode ser o melhor professor do mundo: se os seus alunos não querem aprender, não se interessam por aquilo que você está ali para ensinar, se te encaram às vezes como um inimigo ou como um incômodo, como alguém que está ali para disciplinar, para enquadrar, eles não vão aprender. E é interessante como você percebe, trabalhando na Educação de Jovens e Adultos, como a maior parte dos estudantes são muito esforçados (e há menor hostilidade ao professor). Tive experiências interessantes. Certa vez, quando uma escola em que trabalhei entrou em greve, poucos dos meus alunos do Ensino Médio reclamavam. Afinal, poucos iam para a sala de aula realmente para aprender, poucos sentiam uma necessidade de certa forma desesperada de disputar as melhores vagas ofertadas pelo mercado de trabalho. Já os estudantes da Educação de Jovens e Adultos reclamavam e tinham suas razões. Queriam aproveitar ao máximo a Educação ofertada pelo Estado. E se por um lado criticamos a qualidade da Educação ofertada pelo Estado, não podemos esquecer que por outro lado são muitos os professores esforçados e que entregam um bom trabalho, que levam seu trabalho a sério, que fazem de tudo para elaborar as melhores aulas, as melhores atividades, as melhores avaliações. E muitas vezes são professores que trabalham também em escolas particulares. Concluindo: o Estado não oferece uma Educação pública por filantropia. Ele está prestando um serviço ao capitalismo. Mas como os trabalhadores vivem no capitalismo e devem buscar viver melhor no capitalismo do que pior no comunismo, esse serviço prestado ao capitalismo acaba beneficiando também aos trabalhadores.</p>
<p>Mas enfim, vamos aguardar então a parte II.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Silvia Beatriz Adoue		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107263/#comment-308602</link>

		<dc:creator><![CDATA[Silvia Beatriz Adoue]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Jan 2016 00:34:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gracias, Mauri, pelo material.

Compa Fagner, você tem razão a propósito do conceito da autogestão. A autogestão pelos produtores supõe um conhecimento pelo conjunto dos produtores da cadeia completa da produção. Sem isso, não há autogestão possível. Só que a ocupação das escolas (assim como as ocupações dos espaços de produção) revelam a potencialidade da autogestão. Muito mais quando a luta se desenvolve num marco de auto-organização.

Mas você se engana quando me atribui a visão da educação escolar como um serviço público. A educação estatal só é pública porque utiliza recursos diretamente públicos, mas não pela sua finalidade. Ela está destinada à formação de força de trabalho disponível para o trabalho alienado. Nesse sentido, não é pública.

A escola, porém, é também lugar de sociabilidade (e não apenas de socialização compulsiva). Ela abre possibilidades de ação criativa. De fato, a intenção que deslanchou a onda de ocupações foi um gesto &quot;conservador&quot; de preservação da escola como espaço de sociabilidade conhecido e contra os deslocamentos que a &quot;reorganização escolar&quot; propiciava. Mas o gesto &quot;conservador&quot;, quando leva à luta, propicia condições para práticas em nada conservadoras. Essa dinâmica é bem comum às lutas sociais.

Sobre esse viés das ocupações de escolas, escrevi um outro texto, menor, que seria a parte II.

Depois de ter participado de um processo que engatou a greve dos professores com a luta contra a reorganização escolar que desembocou no coletivo organizado para as vigílias permanentes nas ocupações, estas são reflexões provisórias que quero compartilhar. Foi um período particularmente intenso, com a atenção posta em demandas operativas da própria luta, que não davam tempo mais que a pequenas paradas para analisar as mudanças de conjuntura. Suspendidas as ocupações, acredito que é necessário pensar mais de conjunto na modificação que está sendo imposta ao sistema escolar estatal, para uma nova forma de articulação com o setor privado. Modificação da qual a &quot;reorganização&quot; é apenas uma parte. 

Estou convencida de que essas modificações correspondem a exigências de uma nova configuração do capital e não a alterações circunstanciais das políticas de Estado. Por esse motivo precisamos abrir um debate sobre elas, para além da defesa das escolas tal como são até hoje. 

No segundo texto, &quot;Ocupações de escolas (II)...&quot;, a reflexão é sobre a autocracia que predomina dentro da rede de ensino e que ficou em evidência justamente com as ocupações. As relações de poder autocráticas se suspenderam e a questão da autogestão aparece  dentro do horizonte de possíveis, de pensáveis, de dizíveis. 

Compartilho estas reflexões, mesmo antes de amadurecê-las, para sujeitá-las à correção e ao debate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gracias, Mauri, pelo material.</p>
<p>Compa Fagner, você tem razão a propósito do conceito da autogestão. A autogestão pelos produtores supõe um conhecimento pelo conjunto dos produtores da cadeia completa da produção. Sem isso, não há autogestão possível. Só que a ocupação das escolas (assim como as ocupações dos espaços de produção) revelam a potencialidade da autogestão. Muito mais quando a luta se desenvolve num marco de auto-organização.</p>
<p>Mas você se engana quando me atribui a visão da educação escolar como um serviço público. A educação estatal só é pública porque utiliza recursos diretamente públicos, mas não pela sua finalidade. Ela está destinada à formação de força de trabalho disponível para o trabalho alienado. Nesse sentido, não é pública.</p>
<p>A escola, porém, é também lugar de sociabilidade (e não apenas de socialização compulsiva). Ela abre possibilidades de ação criativa. De fato, a intenção que deslanchou a onda de ocupações foi um gesto &#8220;conservador&#8221; de preservação da escola como espaço de sociabilidade conhecido e contra os deslocamentos que a &#8220;reorganização escolar&#8221; propiciava. Mas o gesto &#8220;conservador&#8221;, quando leva à luta, propicia condições para práticas em nada conservadoras. Essa dinâmica é bem comum às lutas sociais.</p>
<p>Sobre esse viés das ocupações de escolas, escrevi um outro texto, menor, que seria a parte II.</p>
<p>Depois de ter participado de um processo que engatou a greve dos professores com a luta contra a reorganização escolar que desembocou no coletivo organizado para as vigílias permanentes nas ocupações, estas são reflexões provisórias que quero compartilhar. Foi um período particularmente intenso, com a atenção posta em demandas operativas da própria luta, que não davam tempo mais que a pequenas paradas para analisar as mudanças de conjuntura. Suspendidas as ocupações, acredito que é necessário pensar mais de conjunto na modificação que está sendo imposta ao sistema escolar estatal, para uma nova forma de articulação com o setor privado. Modificação da qual a &#8220;reorganização&#8221; é apenas uma parte. </p>
<p>Estou convencida de que essas modificações correspondem a exigências de uma nova configuração do capital e não a alterações circunstanciais das políticas de Estado. Por esse motivo precisamos abrir um debate sobre elas, para além da defesa das escolas tal como são até hoje. </p>
<p>No segundo texto, &#8220;Ocupações de escolas (II)&#8230;&#8221;, a reflexão é sobre a autocracia que predomina dentro da rede de ensino e que ficou em evidência justamente com as ocupações. As relações de poder autocráticas se suspenderam e a questão da autogestão aparece  dentro do horizonte de possíveis, de pensáveis, de dizíveis. </p>
<p>Compartilho estas reflexões, mesmo antes de amadurecê-las, para sujeitá-las à correção e ao debate.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107263/#comment-308499</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2016 21:36:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Numa série de artigos publicada neste site (aqui: www.passapalavra.info/2014/04/93811), o autor nos alertou para o advento da &quot;punk democracia&quot;. Me parece que, do ponto de vista pedagógico, as escolas ocupadas têm se afirmado não como espaços de autogestão, como quer a autora, mas como veículos da &quot;punk pedagogia&quot;. A única autogestão que há ali é a autogestão da luta (muito importante, é claro). Mas a autogestão da luta é sempre ameaçada por tendências burocratizantes internas, resultantes da desmobilização da base. Por isso, a autogestão da luta não é suficiente: é preciso que ela se articule diretamente ao reordenamento das unidades produtivas ocupadas (no caso, as escolas). Caso contrário, vai-se autogerir a luta, mas não a produção econômica. As escolas são locais de produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e espaços de formação científica. Uma coisa está intimamente relacionada à outra, pois a força de trabalho mais tecnicamente qualificada é aquela que possui uma formação científica mais completa. Enfim, para se afirmarem como espaços de autogestão (no sentido econômico do termo), as escolas ocupadas precisam desempenhar o seu papel tradicional (produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e promoção do saber científico), mas alterando a finalidade da qualificação técnica e do conhecimento científico ofertados: precisam produzir cidadãos, já não mais diferenciados por classes, cada vez mais capacitados para a gestão de uma economia industrial socializada. Nada disso está acontecendo no momento. E a tal &quot;possibilidade de deliberação sobre o conteúdo e forma das aulas&quot;, também muito importante, só trará benefícios para a classe trabalhadora, dos pontos de vista político e econômico, se os estudantes começarem a deliberar em favor de conteúdos e formas de aulas que lhes proporcionem maior qualificação técnica e uma formação científica mais completa (ou seja, uma Educação de maior qualidade). Não sendo assim, resta a &quot;punk pedagogia&quot;. Além do mais, a autora nutre uma concepção da Educação como um &quot;serviço público&quot; em oposição ao &quot;mercado&quot; (essa entidade maligna internacional), como se o Estado &quot;prestasse&quot; esse &quot;serviço&quot; desinteressadamente, sem segundas intenções, por filantropia. Ora, o Estado só &quot;presta&quot; esse &quot;serviço&quot; porque a Educação é uma das condições gerais de produção no capitalismo. O Estado é uma instituição capitalista, que serve para manter o capitalismo funcionando. É o próprio Estado que regula o &quot;mercado&quot; e o âmbito privado em geral, de modo que ele não apenas mantém o capitalismo funcionando como se faz indispensável para a própria constituição do capitalismo enquanto modo de produção. A Educação serve unicamente para fornecer uma mercadoria muito específica às empresas (privadas e estatais), por mais que nas ruas gritemos que &quot;Educação não é mercadoria&quot;. O único serviço que o Estado &quot;presta&quot; é ao capitalismo. E os trabalhadores têm consciência de que eles vivem numa sociedade capitalista, de que a Educação é necessária para que seus filhos possam afirmar-se como mercadoria/força de trabalho. O que querem os trabalhadores é que essa Educação prepare seus filhos para as melhores vagas que vai ofertar o &quot;mercado&quot;. A própria autora se escandaliza diante do fato de que as escolas estão integradas à cadeia produtiva e, assim, à economia internacional. Ora, então vamos defender o quê? O desemprego? Não é por aí que se deve fazer a crítica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa série de artigos publicada neste site (aqui: <a href="http://www.passapalavra.info/2014/04/93811" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2014/04/93811</a>), o autor nos alertou para o advento da &#8220;punk democracia&#8221;. Me parece que, do ponto de vista pedagógico, as escolas ocupadas têm se afirmado não como espaços de autogestão, como quer a autora, mas como veículos da &#8220;punk pedagogia&#8221;. A única autogestão que há ali é a autogestão da luta (muito importante, é claro). Mas a autogestão da luta é sempre ameaçada por tendências burocratizantes internas, resultantes da desmobilização da base. Por isso, a autogestão da luta não é suficiente: é preciso que ela se articule diretamente ao reordenamento das unidades produtivas ocupadas (no caso, as escolas). Caso contrário, vai-se autogerir a luta, mas não a produção econômica. As escolas são locais de produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e espaços de formação científica. Uma coisa está intimamente relacionada à outra, pois a força de trabalho mais tecnicamente qualificada é aquela que possui uma formação científica mais completa. Enfim, para se afirmarem como espaços de autogestão (no sentido econômico do termo), as escolas ocupadas precisam desempenhar o seu papel tradicional (produção de força de trabalho tecnicamente qualificada e promoção do saber científico), mas alterando a finalidade da qualificação técnica e do conhecimento científico ofertados: precisam produzir cidadãos, já não mais diferenciados por classes, cada vez mais capacitados para a gestão de uma economia industrial socializada. Nada disso está acontecendo no momento. E a tal &#8220;possibilidade de deliberação sobre o conteúdo e forma das aulas&#8221;, também muito importante, só trará benefícios para a classe trabalhadora, dos pontos de vista político e econômico, se os estudantes começarem a deliberar em favor de conteúdos e formas de aulas que lhes proporcionem maior qualificação técnica e uma formação científica mais completa (ou seja, uma Educação de maior qualidade). Não sendo assim, resta a &#8220;punk pedagogia&#8221;. Além do mais, a autora nutre uma concepção da Educação como um &#8220;serviço público&#8221; em oposição ao &#8220;mercado&#8221; (essa entidade maligna internacional), como se o Estado &#8220;prestasse&#8221; esse &#8220;serviço&#8221; desinteressadamente, sem segundas intenções, por filantropia. Ora, o Estado só &#8220;presta&#8221; esse &#8220;serviço&#8221; porque a Educação é uma das condições gerais de produção no capitalismo. O Estado é uma instituição capitalista, que serve para manter o capitalismo funcionando. É o próprio Estado que regula o &#8220;mercado&#8221; e o âmbito privado em geral, de modo que ele não apenas mantém o capitalismo funcionando como se faz indispensável para a própria constituição do capitalismo enquanto modo de produção. A Educação serve unicamente para fornecer uma mercadoria muito específica às empresas (privadas e estatais), por mais que nas ruas gritemos que &#8220;Educação não é mercadoria&#8221;. O único serviço que o Estado &#8220;presta&#8221; é ao capitalismo. E os trabalhadores têm consciência de que eles vivem numa sociedade capitalista, de que a Educação é necessária para que seus filhos possam afirmar-se como mercadoria/força de trabalho. O que querem os trabalhadores é que essa Educação prepare seus filhos para as melhores vagas que vai ofertar o &#8220;mercado&#8221;. A própria autora se escandaliza diante do fato de que as escolas estão integradas à cadeia produtiva e, assim, à economia internacional. Ora, então vamos defender o quê? O desemprego? Não é por aí que se deve fazer a crítica.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Mauricio Macri		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/01/107263/#comment-308485</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mauricio Macri]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2016 23:35:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=107263#comment-308485</guid>

					<description><![CDATA[nada melhor que os representantes políticos da vanguarda capitalista para nos explicar do que se trata essa educação &quot;flexível&quot;. Chega a impressionar de tão sinceros.

https://youtu.be/_jAZy06DKi0?t=46m30s

A escola do século XXI:
&quot;Nossos jovens têm que se preparar não para os trabalhos de hoje, mas sim tornarem-se capazes de criar os trabalhos do futuro&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>nada melhor que os representantes políticos da vanguarda capitalista para nos explicar do que se trata essa educação &#8220;flexível&#8221;. Chega a impressionar de tão sinceros.</p>
<p><a href="https://youtu.be/_jAZy06DKi0?t=46m30s" rel="nofollow ugc">https://youtu.be/_jAZy06DKi0?t=46m30s</a></p>
<p>A escola do século XXI:<br />
&#8220;Nossos jovens têm que se preparar não para os trabalhos de hoje, mas sim tornarem-se capazes de criar os trabalhos do futuro&#8221;</p>
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